12 • Jantar dos Amigos
Mais do que impressionada, eu estava estática. Ver %Sebastian% faxinando minha casa, era como viver um daqueles filmes de comédia romântica que Sophie amava fazer maratonas. Tirei uma foto discreta dele lavando a privada do lavabo do andar de baixo e enviei a minha amiga. Suas respostas foram vários emoticons safados. Que vergonha olhar para tela do meu celular. Permaneci no sofá o observando até que finalmente ele terminou e sentou ao meu lado. Agindo como se nada tivesse acontecido.
— Olhando-o assim, nem parece estar cansado. — comentei mantendo o olhar nele.
— Tem algumas coisas pelas quais eu certamente não estaria cansado. — confessou ele voltando seu olhar para mim.
— Tarado. — disse chocada.
— %Nalla%? — ele me olhou confuso — Do que acha que estou falando? Eu ia dizer que não estou cansado demais para comer, minha barriga tem dado sinais de fome.
Ele lançou um olhar desconfiado.
— Você viu duplo sentido no que eu disse? — ele riu — Olha só…
— Não comece com insinuações. — o cortei me levantando do sofá — Isso é culpa da Sophie, tenho andado muito com ela.
Ele não me deixou afastar e pegando em minha mão, me puxou para cima dele. Caí em seu colo e ele aproveitando a deixa, me beijou de leve. Depois eu comecei a rir de leve, cortando totalmente o clima dele.
— O que foi?! — perguntou ele confuso.
— Você está cheirando a banheiro e suor. — continuei rindo mais ainda, e ele riu junto.
Então movendo nosso corpo, ele deitou minhas costas no sofá, ficando por cima e me olhando com intensidade.
— Podemos tomar banho juntos. — sugeriu ele sorrindo de canto.
— Abusado. — eu o empurrei, fazendo-o cair no tapete.
Ele riu de mim e se levantou.
— Vou me retirar então. — ele fez um olhar de menino abandonado.
— Volte depois do banho, eu te preparo um lanche. — eu disse e ele me olhou — Você merece depois de limpar toda a casa. — expliquei.
— Acho que merecia bem mais que um lanche. — sugestivo ele.
— Vá tomar banho, e que seja um banho frio. — disse apontando para a porta da cozinha.
Ele saiu em gargalhadas, comigo rindo junto também. Eu fiquei na cozinha por alguns minutos preparando seu lanche. Foi quando notei a porta do porão entreaberta. Tinha o visto carregando sacos pretos e pesados para lá. Fiquei curiosa para saber o que realmente era. Minha casa não estava tão suja assim. Para minha surpresa, %Sebastian% não tinha feito só uma simples faxina, mas juntado alguns objetos e roupas que tinha deixados em cima do guarda-roupas dos quartos.
Eram coisas que não usávamos mais. Ia estocando lá.
— Você guarda muita coisa desnecessária. — comentou ele aparecendo na escada que descia para o porão.
— Você encontrou tudo isso? — estava boquiaberta.
— Vou ser sincero, não vai poder deixar aqui no porão. — %Sebastian% terminou de descer e seguiu até mim — Já sabe o que vai fazer?
— Tem coisas aqui que estão praticamente novas, seria uma pena jogar no lixo. — comentei ao olhar para o abajur de joaninha de Molly que estragou e nunca mandei para o conserto.
— Porque não monta um bazar de garagem? — sugeriu ele — Assim se desfaz daquilo que ainda vale algo e ganha dinheiro.
— Hum… — pensei no que disse — Não é uma má ideia, preciso mesmo de dinheiro.
— Tenho certeza que se você procurar por mais coisas, vai encontrar. — instigou ele.
— Hum… Vou propor essa sugestão aos meus filhos logo mais à noite e…
— Você me ajudaria? A consertar os que estão estragados para vendê-los também? — perguntei.
— Claro, mais quero um beijo em troca. — barganhou.
— Só um? — me fiz de chateada — Eu estava disposta a dar dois.
— Então vou querer dois. — ele se aproximou mais e me puxou pela cintura.
— Não, não, vai ser somente um agora. — dei um selinho rápido nele e ri — Pronto, negócio fechado.
— Como se somente isso me satisfizesse. — ele me olhou com malícia e me beijou com mais intensidade e doçura.
Após o beijo, voltamos para a cozinha e ele comeu o lanche.
A semana passou lenta e calma. Recebi algumas mensagens das meninas do jornal, dizendo que estavam fazendo alguns trabalhos freelancer. Sunny me indicou alguns em que ela atuava como diagramadora, e aceitei os trabalhos de revisora de textos. Lizzi me enviou alguns também que me ajudaram a pagar as contas. Tinha juntado economias com o que sobrava do salário do NT Post, o que ajudava também.
%Sebastian% como prometido, me ajudou com o conserto de algumas coisas, o restante que não tinha salvação foi para o caminhão do lixo. Eu juntei algumas roupas minhas também, da joaninha que não lhe serviam mais e de Joe. Fiquei admirada e emocionada quando Molly pegou de própria vontade os brinquedos que não brincava mais e me entregou em uma caixa, para que vendesse. Ela também queria ajudar da forma que podia. Joseph juntou alguns jogos guardados no fundo da gaveta e vendeu em um site para gamers, assim como seu super Nintendo ganhado do avô.
Ver meu filho se desfazendo de algo que gostava tanto, me cortou o coração. Me senti deprimida e chateada comigo mesma. Não poder ser uma mãe que sustenta seus filhos sem precisar fazer todo aquele sacrifício. O bazar aconteceu naquele final de semana na casa dos meus pais. Eles também se propuseram a ajudar. O espaço da varanda frontal deles era grande e minha mãe conhecia muitas pessoas.
Fiquei surpresa por ela mesmo ter oferecido para me ajudar.
— Querida, não chore assim. — disse meu pai após meu desabafo na cozinha da casa dele.
Ele me abraçou forte, me fazendo sentir conforto e segurança. Chorei ainda mais.
— Vai ficar tudo bem. — sua voz continuava suave.
— Sou uma péssima mãe. — disse me sentindo culpada por nossa fracassada situação financeira.
— Não diga isso %Nalla%, você é uma mãe maravilhosa que está lutando com bravura para dar um bom exemplo ao seus filhos. — assegurou ele — Nem toda mulher tem a coragem que teve para sair daquele lugar tóxico que é aquele jornal.
— Pai. — meu olhar marejados de lágrimas, sendo secados por ele.
— Eu me orgulho de você minha querida. — disse ele ao sorrir para mim — E sua mãe também, mesmo não querendo admitir.
— E a propósito, ela gostou do seu vizinho. — afirmou ele.
Minha mãe? Gostou do %Sebastian%? Por essa eu não esperava.
— Papai, você tem certeza? — perguntei.
— Claro que tenho, aquele olhar sorrateiro dela significa aprovação. — garantiu.
Eu não sabia se ficava aliviada ou mais apreensiva com aquilo. Vindo da minha mãe, esperava tudo. Margareth também participou, levando algumas coisas dela que não usava mais, para que eu vendesse e ficasse com a grana. Sophie também entrou na força tarefa levando algumas coisas que ela e Will não utilizada mais, porém não pôde ficar, pois almoçaria na casa dos pais do marido.
Mas é claro que minha amiga me convocou para jantar em sua casa acompanhada de %Sebastian% e as crianças.
— Você sim, me parece ser um genro digno da minha filha, é uma pena que tenham se conhecido só agora, se fosse há 16 anos atrás ela não teria feito um mal casamento. — comentou minha mãe, assim que entramos para casa, após vender tudo, sabia que ela não perderia a oportunidade — Mas é claro que naquela época você certamente era só uma criança.
Ok. Aquilo já era demais até para ela.
— Pois é, me desculpa por ter atrasado, mas antes tarde do que nunca. — disse %Sebastian% ao me puxar pela cintura e me beijar na frente deles.
Que ousado e abusado! Ignorou totalmente o comentário inoportuno de minha mãe. Eu estava transbordando de vergonha, mas não resisti aquele beijo e retribui. Ele abriu um sorriso malicioso depois e piscou de leve. Confesso, meu coração acelerou.
— Bem, acho que está na hora de ir. — disse Marg ao se aproximar do filho, vi no olhar de minha irmã o constrangimento pelo beijo visto — Mark deve chegar de viagem em algumas horas, quero estar em casa quando ele chegar.
— Nós também estamos indo. — disse ao olhar para meus filhos.
— Eu dormi aqui hoje mamãe. — pediu Molly.
— Deixe-os aqui queria, tire a noite para descansar um pouco. — disse meu pai.
Margareth me lançou um olhar malicioso e sugestivo, me lembrava Sophie agora. Até minha irmã foi corrompida por minha amiga.
— Tudo bem então. — olhei para Joseph — Você quer ficar também?
Assenti e nos despedimos. Antes que ir embora voltei na cozinha para buscar minha bolsa. Minha mãe já se preparava para fazer o jantar.
— %Nalla%. — ela me chamou.
— Lamento pelo que te aconteceu no jornal. — disse num tom brando — Coisas assim não deveria acontecer com nenhuma mulher.
— Agradeço a empatia. — disse honestamente.
Lá vem bomba. Respirei fundo, me preparando para o que ela iria dizer.
— Quanto ao seu namorado…
— O que tem %Sebastian%? — a olhei seriamente.
— Estou feliz que tenha encontrado um homem legal, gentil, educado e prestativo, sem dúvidas mil vezes melhor que o Carl. — o elogio me pegou de surpresa — Mas me deixa preocupada com você.
— Preocupada?! — me intrigou.
— Fico preocupada de acontecer o mesmo com este rapaz e você engravidar dele também antes de completarem um ano de namoro. — agora ela foi clara e direta em suas palavras — Ele é mais jovem que você %Nalla%.
Este era o fato de minha vida que minha mãe jamais me deixaria esquecer. Seu esporte favorito era me lembrar do meu erro do passado em ter sido mãe muito jovem. Reprimi as lágrimas, tentando não me abalar mais. Já estava sensível por tantos problemas que enfrentava.
— Não se preocupe quanto a isso. — a voz de %Sebastian% atrás de mim, fez minhas pernas fraquejarem — Meu desejo é que %Nalla% viva com toda a liberdade que lhe foi negada e realize todos os sonhos reprimidos.
Ele segurou em minha mão, entrelaçando nossos dedos.
— E se ela quiser ter um filho meu, não vou me opor a ideia, pelo contrário, acho fascinante. — seu tom ficou mais intenso com um toque de malícia.
— Admiro suas palavras, eu só quero o melhor para minha filha, e que ela não sofra novamente por ser traída ou algo pior. — explicou minha mãe.
— Ela não vai… — %Sebastian% se manteve firme e seguro em suas palavras — É real até quando ela quiser.
Aquela frase ainda me arrepiava.
— Vamos %Sebastian%. — disse quase em sussurro.
— Foi um prazer conhecê-la. — disse ele ainda encarando minha mãe — E aproveitando a oportunidade, queria dizer que este ano %Nalla% vai passar o natal comigo e minha família em Los Angeles.
— Ah. — minha mãe se viu sem reação.
— Boa noite. — disse ele.
Me despedi dela com um sorriso fraco e segui para sala ainda de mãos dadas com ele. Dei boa noite aos meus filhos e pedi que se comportassem. Da casa dos meus pais, seguimos para o apartamento de Sophie. Se eu não aparecesse lá aquele dia, ela me mataria.
— Vocês vieram! — disse ela empolgada assim que abriu a porta para nós.
— Sim, fiquei com medo da sua ameaça. — disse rindo dela e entrando — Boa noite Will.
— %Nalla%. — ele veio me cumprimentar — Quando Sophie disse que viria para o jantar, eu entendi que ela estava cansada da minha comida.
— Deixa de drama Will. — ela o olhou e depois se voltou para o vizinho — Bem vindo %Sebastian%.
— %Sebastian%, este é Will, marido da Sophie. — disse os apresentando— Will, este é %Sebastian%, meu namorado.
— O famoso %Sebastian%. — disse Will ao cumprimentá-lo — Sophie fala tanto de você e da %Nalla% que quase fiquei com ciúmes.
— Nem precisa. — Sophie fechou a porta e olhou para o marido.
— Queria poder dizer o mesmo a seu respeito. — %Sebastian% ficou meio envergonhado.
— Viu, com certeza ela só se lembra do tal Tony Stark. — Will fingiu uma cena de ciúmes — Deveria ter se casado com ele, cansei dessa vida de amante.
— Amor. — Sophie se aproximou dele e envolvendo os braços em seu pescoço, o beijou com intensidade.
Eu ri desviando o olhar com vergonha dos dois.
— Sophie, você tem visitas. — a lembrei, rindo mais.
— Me desculpem, é que este homem é muito temperamental. — brincou ela dando um selinho nele.
— Mais tarde eu te mostro o temperamental. — disse Will com malícia.
— Hum… — minha amiga piscou para ele.
E agora era eu a constrangida no ambiente.
— Sophie, foco! — eu disse.
— Verdade. — ela riu — Desculpa %Sebastian%, mas com o tempo você se acostuma.
— Garotos, divirtam-se que as meninas aqui vão produzir o jantar. — disse minha amiga com ar de mestre cuca.
— As meninas, você quer dizer a %Nalla% não é?! — Will riu dela — Quer enganar a visita? Você não sabe nem fritar um ovo.
— Ai Will, ele não precisava saber na primeira visita. — ela se fez de ofendida — Deleta isso da sua memória.
— Tudo bem. — %Sebastian% parecia se divertir com aquele loucura dos meus amigos.
Eu peguei no braço de Sophie e a puxei para a cozinha. Como sempre, tudo que tinha na sua geladeira estava em cima da pia. Comecei a separar as coisas e pensar no que poderia fazer.
— Que pena que as crianças não vieram. — comentou ela me observando — Mas gostei da noite dos adultos.
— Já tem mesmo muito tempo que não dormem na casa dos meus pais. — ignorei o tom malicioso dela.
— Hum… E como foi a venda das coisas?
— Conseguimos vender tudo e rendeu uma grana boa. — respondi mantendo minha concentração no que fazia — Vou deixar guardado para emergência e continuar fazendo os trabalhos freelancer que as meninas estão conseguindo para mim.
— Estou feliz que elas não se esqueceram de você. — Sophie pareceu agradecida também.
— Sim, elas são muito fofas comigo. — assegurei.
— Estou aqui pensando, a gente podia fazer mais vezes esses jantares de adultos, imagina os homens cozinhando na próxima vez. — instigou ela — Will fica… Hum... Me dá até calor vendo ele com avental manejando uma faca.
— Apaga esse fogo Sophie e deixa seus desejos obscuros para depois que eu for embora. — ri da careta que ela me fez.
— E você?! Como será o final da noite?
— Será comigo dormindo na minha cama. — assegurei a ela — Estou morrendo de cansada, passamos a semana inteira preparando esse bazar nos meus pais.
— Que sem graça. — ela me olhou desapontada.
— Já disse para parar de pensamentos obscuros. — a repreendi.
— Tá, e por falar em pais, como foi com sua mãe? E o vizinho? O que ela achou? — o olhar curioso de Sophie estava mais forte.
— Olha, para ser sincera me surpreendi. — confessei ainda em choque — Minha mãe gostou dele.
— O que?! — ela quase soltou um grito, e então se acalmou — A dona Agnes? Tem certeza que estamos falando da mesma pessoa?
— É, também estou reagindo assim. — confirmei — É claro que ela não perdeu a oportunidade de me criticar pela idade dele…
— Sua mãe sendo sua mãe. — comentou Sophie.
— Sim, e acredita que antes de irmos embora ela simplesmente falou que estava preocupada de eu engravidar do %Sebastian% em menos de um ano de relacionamento. — olhei para minha amiga indignada — Minha mãe.
— Disso eu não me espanto. — confessou ela — E como você reagiu a isso?
— Eu não reagi, mas %Sebastian% sim.
— Oi?! — ela se assustou.
Repetir as palavras de %Sebastian% com toda a entonação foi complicado, mas consegui reproduzir a essência disso.
— O vizinho disse isso? — ela estava boquiaberta.
— Sim, com todas essas palavras. — afirmei — E antes disso ele me beijou na frente dos meus pais, depois que ela disse que eu deveria tê-lo conhecido há 16 anos atrás, mas ele era uma criança.
— Queria ter sido uma mosca para ver essa cena. — Sophie lançou um olhar de tristeza — Porque eu tive que ir aquele almoço chato, com toda essa movimentação na casa dos seus pais.
— Mas estou te contando agora amiga. — a consolei.
— Não é a mesma coisa, cenas assim nem nas minhas fics acontecem. — ela fechou a cara e cruzou os braços emburrada — O mesmo foi quando me contou que ele fez a faxina em sua casa.
— Nem sei porque te contei. — ri dela.
— Contou para alimentar minha fanfic da vida real. — explicou ela — E ai de você se me deixar no escuro.
Suas ameaças eram a parte mais engraçada de nossa amizade.
Os dias se passaram e com as férias de verão, permiti que Joseph passasse na casa dos avós de seu amigo Simon. O curioso é que minha afilhada Jenie, filha do Finn era prima deste menino. Será que ela também ia? Molly passaria as férias na casa dos pais de Carl. Mesmo eles não gostando de mim, era apaixonados pela minha joaninha e faziam muitos dos seus gostos. Eu a deixava passar as férias de verão com eles, pelo amor que tinha por meus dois filhos. Então, tinha certeza que seria bem tratada lá.
Enfim, eu passaria algum tempo
sozinha naquela casa.
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Após imprevistos, muitas vezes adiando, finalmente a noite do Jantar dos Amigos chegou.
— %Nalla%, finalmente chegou. — disse Freya ao abrir a porta de sua casa na área nobre de Manhattan para nós — Você sempre é tão pontual.
— Boa noite Freya, tivemos outro compromisso antes daqui. — disse a ela, mantendo-me de mãos dadas com %Sebastian%.
— Boa noite. — ele se manteve sério para ela como sempre.
%Sebastian% já havia mencionado para mim seus pensamentos sobre minhas amigas. Só havia visto elas uma vez na noite das garotas e foi o suficiente para se simpatizar somente por Sophie, e Annia talvez. Entramos e já tinha vários conhecidos dos tempos de colégio. Claro que Freya não convidaria somente o nosso círculo de amizades. Ela ostentaria a casa de seu marido atual, sem medo e sem vergonha.
— %Nalla%. — Sophie veio me abraçar.
— Sophie. — soltei de leve a mão de %Sebastian% e retribui o abraço de minha amiga — E o Will? Pode vir?
— Ele vai chegar mais tarde, ainda está de plantão. — ela fez uma cara triste — Tem tido muita demanda no hospital, eles estão acabando com meu marido, quase não sobra partes dele para mim.
— Falando assim, você está sendo dramática. — a repreendi — Will sempre te deu atenção.
Ela fez careta e olhou para meu namorado.
— %Sebastian%, que bom que veio. — disse ela.
— Não deixaria a %Nalla% vir sozinha. — assegurou ele, voltando a segurar minha mão.
— Hum… — os olhos de Sophie brilharam — Vocês dois me orgulham!
A cada amigo que me parava pelo caminho até o jardim, onde acontecia a recepção, eu apresentava %Sebastian% sob olhares surpresos e curiosos. Sophie cochichou em meu ouvido que Carl havia chegado sozinho, e já estava entornando todas que podia. Eu soltei um suspiro cansado ou vê-lo com o copo de tequila na mão conversando com James, o marido de Lauren. %Sebastian% se manteve todo o tempo perto de mim, até que Rodnei, o marido de Freya o reconheceu de um projeto que meu namorado fez para ele e o arrastou para uma conversa bem animada. Me aproximei das meninas e Sophie estava aos risos com Marg.
— Margareth, achei que não viria. — comentei surpresa ao vê-la.
— Me dei esse encontro de presente, pois não aguento mais aquilo que chamo de marido. — respondeu ela tentando manter a calma — Acabei de chegar e preciso encher a cara.
— Só não te ofereço o quarto de visitas, porque eu e Will temos planos para madrugada, aproveitamos cada segundo das folgas dele entre os plantões. — disse Sophie sem receio de sua malícia na voz.
— Não se preocupe Sophie, a Marg vai lá pra casa — disse Annia eu pegar um drink da bandeja do garçom que passava — Vamos fazer maratona de O diário de Bridget Jones.
— Aih, eu amo esse filme. — disse Lauren, com um olhar desejoso — É uma pena que não posso ir também, daqui eu e James vamos embarcar para Washington.
— Olha só, nosso deputado nem foi eleito ainda e já está dando seus passeios entre os grandes. — brincou Sophie.
— Pois é, ser um democrata não é fácil. — assegurou ela — E você %Nalla%, ficamos na aposta se traria ou não o namorado.
— E porque ela não traria? — Sophie colocou a mão na cintura.
— Vamos deixar o assunto meu namorado e falar de outra coisa? — sugeri — Afinal, não estamos aqui para falar da minha vida pessoal.
Sophie me olhou com orgulho e aprovação.
— Então falemos de algo tão legal quanto. — disse Annia — Estou pensando em voltar a trabalhar.
— Sério amiga?! — Lauren a olhou surpresa.
— Sim, andei tendo algumas conversas boas com %Nalla% e decidi voltar a dar aulas. — confirmou ela — Eu sempre gostei, é o que amo fazer, e só me afastei pela doença do George, então vou conversar com a diretora Joyce para retornar em meu cargo como professora de matemática.
— Fico muito feliz por você Annia. — eu a abracei — É libertador ser independente, demorei um pouco para descobrir isso.
— E por falar em liberdade… — Lauren lançou um olhar discreto para o lado — Suas correntes do passado não para de secar você com os olhos, desde que entrou no jardim.
— Não me importo mais com o Carl, que seque bem longe de mim. — disse com confiança.
— Faz bem falar assim. — Marg me apoiou — E vocês não vão acreditar, minha mãe aprovou o %Sebastian%.
— Oi? — Lauren ficou boquiaberta com a notícia — Dona Agnes Miller?
— A própria. — confirmou minha irmã.
— O que um vizinho não consegue. — brincou Sophie rindo.
— Quando foi que o assunto voltou para o meu namorado? — olhei sério para elas.
— Desculpa nada, mas esse ano o assunto principal sempre será você. — Annia também riu de mim.
Continuamos a conversar mais um pouco, até que %Sebastian% se aproximou de mim e me puxou discretamente para mais perto dele. Me contou superficialmente sobre as novas instalações de sua concessionária, que Rodnei queria que fosse projetada por ele. Só meu vizinho mesmo para fazer negócios em meio ao jantar dos meus amigos. O jantar também foi servido no jardim. %Sebastian% estava se esforçando, seu desconforto pelos olhares de Carl para mim era visível. Pouco antes da sobremesa ser servida, uma jovem se aproximou de nós com certa intimidade.
— Lewis?! Não acredito, eu sabia que era você. — disse a garota ao abraçá-lo, sem cerimônias e importar com minha presença.
— Stacy, é surpreendente encontrá-la aqui. — %Sebastian% me aproximou mais dele, mantendo nossos dedos entrelaçados — Esta é %Nalla%, minha namorada.
— Uau, namorada. — seu olhar parecia mais surpreso ainda — Prazer %Nalla%.
— Prazer. — disse forçando um sorriso gentil para ela.
— Que loucura, eu nunca imaginei você namorando com uma mulher mais... Velha. — comentou a menina — Sem ofensas.
— Não ofendeu. —
já não gostei dela. — %Nalla% é muito mais do que somente mais velha do que eu. — disse ele num tom seco e frio.
Parecia ter ficado bravo com o comentário da aparente amiga.
— Me desculpa. — ela ficou sem graça por isso — Vocês conhecem o John? Eu vim com ele.
— Sim. — eu respondi — O conheço de algum tempo, sou amiga da Lauren.
John trabalhava com James na política, agora como seu assessor de campanha e braço direito. Muito prestativo, mas o achava um mau caráter. Tinha coragem de deixar sua esposa em casa e levar acompanhantes mais jovens nas festas e recepções que comparecia. Homens como ele me davam nojo. E pensando mais a fundo, era o que Carl fazia comigo.
— Hum… %Sebastian%, poderíamos falar a sós? Quero perguntar algo pessoal. — pediu Stacy.
%Sebastian% me olhou e eu assenti com o olhar. Então o observei se afastar com a amiga. O que me fez corroer de curiosidade. Mas eu não iria invadir a privacidade dele. Mantive todo o meu olhar naquela porta. Eu senti sede, mas como os funcionário só serviam drinks, entrei na cozinha pessoalmente para pegar água. Estava tão distraída que nem percebi a aproximação a pessoa mais desnecessária da festa.
— Olha, olha… Já foi trocada por alguém mais jovem? De novo? — a voz de Carl fez meu sangue ferver de raiva.
— Eu dispenso seus comentários e sua presença. — disse ao me afastar da geladeira e seguir para porta de saída.
— Espera. — ele segurou forte em meu braço.
— Me solta Carl, você está me machucando. — eu tentei me soltar dele.
Eu senti enjoou do cheiro forte de álcool vindo dele. Era nojento.
— O que?! Eu não vou fazer nada, só quero saber o que ele viu em você. — ele apertou mais avançando em mim — Você consegue satisfazê-lo na cama?
Quanto mais eu relutava para me soltar dele, mais Carl avançava em cima de mim, tentando me beijar. Foi quando a vi a mão de %Sebastian% o puxar pelo colarinho da caminha e depois socá-lo, o derrubando no chão.
— Nunca mais toque nela. — disse %Sebastian% com os olhos ardendo em raiva.
Sua voz tinha tanta entonação que me fez arrepiar.
A segurança e conforto que sentia nos braços do meu pai, senti em sua voz.
Creio em você
E neste amor
Que me fez indestrutível
Que deteve minha queda livre.
- Creo en Ti / Lunafly