20 • The Imperatriz
— Vizinho! — a voz entonada de Sophie soou atrás de mim, com mais surpresa ainda.
— Oi Sophie. — ele abriu um sorriso singelo para ela, porém mantendo seu olhar em mim.
Me esforcei para demonstrar alguma reação, porém não consegui. Estática fiquei até minha amiga se aproximar de mim.
— Você é o dono desta cobertura? — perguntou minha amiga.
— Sim, adquiri há duas semanas. — respondeu ele, seu olhar se mantinha o mesmo para mim — Estou na fase da reforma agora.
— Que mundo pequeno não. — ela abriu um largo sorriso e me olhou de relance — Quem diria que %Nalla% seria sua vizinha novamente.
— Minha vizinha?! — ele franziu a testa, confuso.
— Sim, %Nalla% comprou este apartamento há dois dias. — explicou minha amiga.
— A nova vizinha. — notei o seu sussurro.
— %Sebastian%, não encontro minha necessaire. — a voz de uma garota soou da porta, e logo sua figura apareceu.
Uma jovem que aparentava ser mais nova que ele e tão bonita quanto. Ela estava vestindo somente uma camisa masculina que certamente era dele. Com as pernas amostra, um sorriso meigo no rosto e um olhar curioso para mim.
— Prazer, você é a nova vizinha? — perguntou mantendo o olhar para mim.
— Esta é a %Nalla%. — disse ele para a moça.
— A %Nalla%? — ela o olhou surpresa — A %Nalla%?!
%Sebastian% assentiu com o olhar. E eu em choque por ela saber sobre mim, vendo pela sua reação.
— Uau, eu sou Alexia, é surpreendente te conhecer, justo aqui. — a moça abriu um largo sorriso e se voltando para ele, tocou de leve em seu tórax — Eu sei que está ocupado, mas eu realmente preciso encontrar minhas coisas… Não sou tão organizada quanto você.
— Você nunca foi organizada. — ele sorriu de canto.
Seu olhar para ela era de carinho e ternura. Ambos pareciam extremamente próximos e ver aquilo já estava me deixando um pouco desnorteada.
— Sophie, acho melhor entrarmos. — sussurrei para minha amiga, segurando minhas emoções.
— Claro. — ela voltou o olhar para frente — Foi um prazer te ver novamente vizinho, mas temos uma agenda cheia hoje.
Minha amiga me segurou, discretamente me amparando. Consegui ver de relance Alexia o arrastando para dentro, segurando em sua mão. Assim que cheguei no último degrau da escada, meu corpo desabou e comecei a chorar.
— %Nalla%. — minha amiga me olhou com compaixão.
— Sophie. — não tive forças para conter as lágrimas, só conseguia sentir falta de ar e uma decepção comigo mesma.
— Amiga… — ela se sentou ao meu lado — Eu nem sei o que dizer, mas estou tão perplexa quanto você.
— Ele não me deve nada, fui eu quem terminou, mas… — eu a olhei — Não estava preparada para isso.
— Não queria dizer, mas já dizendo… Eu te avisei. — seu tom mesmo sério, tinha sutileza — %Sebastian% é o partido da cidade, claro que ele seguiria em frente fácil.
— Ele pareceu tão apaixonado quando disse que me amava. — senti mais uma lágrima escorrendo em meu rosto.
Sophie tocou de leve em meu ombro e me deu um abraço acolhedor.
Minha amiga se esforçou bastante para me animar e consolar. Permanecemos mais um tempo ali sentadas, até que consegui me recompor. A decisão de terminar foi minha, e não poderia chorar por isso. Ele tinha uma vida sem mim agora e eu também sem ele. Seguimos então para o Liberdad Café, onde Finn pessoalmente nos atendeu e indicou um prato especial para nosso almoço.
Ao longo da semana me desdobrei para arrumar as coisas no apartamento e assegurar que a equipe de manutenção que contratei fizesse uma limpeza geral no terraço. Ainda não sabia o que faria ali, mas certamente algo que me permitisse desfrutar da vista. E não estava me referindo ao vizinho. E finalmente o dia de lançamento do jornal online havia chegado, depois de muitos testes da plataforma de hospedagem escolhida, ajustes de layout, e correria para escrever os artigos e diagramá-los. Nossa The Imperatriz estava pronta para ir ao ar e mostrar como se faz um jornal de verdade.
— Ao The Imperatriz! — disse Genevieve ao erguer a taça de suco de laranja em um brinde.
— Ao The Imperatriz! — eu e toda a equipe erguemos as nossas dizendo em coral.
Confesso que foi desgastante todo o trabalho inicial. As reuniões até tarde e as madrugadas em claro cheias de revisões de planejamento e criação de cadernos diversificados. No final, nosso jornal havia saído à nossa cara, sem ninguém para nos podar ou impor limites.
— Gente… Vocês não vão acreditar. — disse Isla, a nossa técnica de TI, que ficaria responsável por toda a parte de programação do site — Nosso site já bateu 100 mil acessos nas primeiras 24 horas.
— Sério?! — Genevieve a olhou com emoção.
— A gente nem fez uma divulgação pesada. — disse admirada.
— Não, mas não se esqueçam que meu namorado tem divulgado isso na rádio durante toda a semana. — comentou Beth.
Ela havia mesmo começado a namorar um radialista, que ficou super empolgado com o nosso projeto. Nossa sorte é que ele se ofereceu para fazer as divulgações em seu programa de rádio de forma sutil e não muito escancarada.
— Sabe aquele sentimento de dever cumprido. — disse Genevieve ao me puxar para um canto e se sentar em uma das cadeiras — Durante toda a minha vida eu desejei ter meu próprio jornal e estou tão feliz por ter realizado isso, com sua ajuda.
— Eu que agradeço Genevieve, pela confiança e por ter me chamado para participar. — sorri de leve para ela.
— %Nalla%, não quero entrar em detalhes na frente das meninas. — continuou ela, deixando o olhar mais triste — Mas, tenho um último pedido para te fazer.
— Será um prazer realizá-lo se tiver ao meu alcance. — assegurei a ela.
— Tenho certeza que está. — ela respirou fundo — Quero que fique em meu lugar no jornal como editora chefe.
— Eu? — tentei não gaguejar — Genevieve, eu não tenho tanta experiência como você e…
— Você está pronta %Nalla%, e nasceu para isso. — garantiu ela, confiando mais em mim, do que eu mesma.
— Mas, qual o motivo de não permanecer? — indaguei.
— Eu descobri no final do ano que estou doente, e para cuidar da minha saúde terei que me ausentar de tudo, por favor, não conte isso as meninas. — seu olhar demonstrava confiança em mim — Meu sonho era somente dar vida ao The Imperatriz, mas quero que você seja responsável por fazê-lo continuar respirando. Faria isso por mim?!
— Claro que sim, é uma honra e vou dar o meu melhor para não desapontá-la. — disse confiante em minhas palavras.
Ela se levantou da cadeira e me abraçou, segurando as lágrimas. Foi uma linda comemoração ao nascimento do primeiro jornal totalmente voltado para o público feminino.
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— Bom dia mamãe! — disse Molly ao me acordar pela manhã, pulando em cima de mim.
— Bom dia querida. — abri os olhos com certa dificuldade — Você já não está grandinha demais para me acordar assim? Não deveria estar dormindo?
— Eu acordei cedo e fui tomar café da manhã com o %Sebastian%. — respondeu ela com toda tranquilidade do mundo.
— O que?! — ergui meu corpo no rompante e me senti meio zonza por isso — Como assim tomar café com o vizinho?
— Eu acordei cedo e fui para o terraço ver desenhos lá. — começou ela sua história, sentando-se na cama e com o olhar animado — Então ele me viu, estava vestido com um avental de bolinhas vermelhas e me perguntou se eu já tinha comido.
— Que não, que a senhora estava dormindo e iria esperar, então ele me perguntou se eu queria panquecas. — continuou ela — Então nós tomamos café juntos no terraço e ele me deu um prato de panquecas para o seu café.
— Ele mandou panquecas para mim? — perguntei boquiaberta.
— Sim e são mais gostosas que as suas. — ela riu.
— Sua traidora. — me levantei da cama e cheguei até a varanda do meu quarto.
Minha filha saiu do meu quarto rindo de mim de forma sapeca. Saindo para fora olhei pra o lado e lá estava o vizinho. Encostado no guarda-corpo virado para minha direção, com as mãos no bolso e um sorriso discreto no rosto.
— Bom dia, vizinha. — disse ele, com seu charme em forma de voz.
— Bom dia. — claro que tinha que conter meu olhar que persistia em descer do seu rosto para seu abdômen descoberto.
Ele realmente precisava estar sem camisa ali?
— Obrigado pelas panquecas. — disse meio envergonhada pela situação.
— Não há de que, é sempre um prazer tomar café com a Molly… — ele manteve seu olhar fixo em mim — Ela me contou muitas coisas.
— Ah… Minha filha é bem comunicativa. — mantive o sorriso no rosto — Bem, eu tenho que entrar, até…
— Parabéns pelo jornal. — disse ele antes de eu entrar.
— Sim, muito interessante seu artigo sobre fanfics… — ele riu — Você realmente tem o dom para escrever, continua me deixando fascinado.
Eu respirei fundo, sentindo minhas pernas fraquejarem. Me apoiei discretamente na parede e entrei para o quarto. Assim que fechei a porta, coloquei a mão na altura do coração que neste momento já estava acelerado. Troquei de roupa, tomei o café da manhã com as panquecas fornecidas por ele e segui para mais um dia de trabalho. Levei Molly para a aula antes de me dirigir para a redação. O prédio em que Genevieve alugou, pertencia a um parente dela que não somente alugou o imóvel, como também se ofereceu como investidor inicial.
Confesso que estar à frente de um jornal como editora chefe exigia bem mais que somente ser uma escritora de meros artigos de gastronomia. A minha sorte é que a equipe feminina que Genevieve reuniu para o jornal era mais do que eficiente e todas trabalhavam com dedicação e perfeição. Tudo estava correndo bem, pelo menos no The Imperatriz, e ali era o meu mundo, o único lugar em que eu podia respirar com tranquilidade e esquecer todos os meus problemas enquanto me divertia trabalhando. Porém, todo castelo tem suas passagens secretas em que podem ser descobertas por pessoas indesejadas.
— Pessoal. — disse Kim ao nos chamar a atenção.
— Olha só, se a miss RH está aqui, é porque temos aquisição nova para o jornal. — comentou Lizzi ao se aproximar de mim — Está sabendo de algo?
— Sunny disse que precisava de alguém para dar reforço ao caderno de moda. — expliquei a ela — Então pedo a Kim para encontrar uma estagiária boa para nós.
— Hum… — Hill estava atrás de nós, se envolveu em nosso cochicho.
— Bem, quero apresentar nossa nova estagiária do caderno de moda, Alexia Collins, ela cursa moda na Columbia University e já foi estagiária da revista W Magazine. — disse Kim ao apresentá-la.
Assim que meus olhos se voltaram para a moça ao seu lado e a reconheci. Minha pressão baixou de leve, fazendo meu corpo bambear.
— Está tudo bem %Nalla%?! — perguntou Hill ao me amparar.
— Sim, só um mal estar. — expliquei a ela me recompondo e me afastando discretamente para ir para o banheiro.
Joguei água em meu rosto algumas vezes para voltar ao eixo. Não conseguia acreditar que a jovem que vi com %Sebastian% no terraço, estava ali no meu jornal como estagiária. O que eu faria agora? Nunca estive preparada para todas essas emoções que vivia, e nem sabia como conseguiria trabalhar com sua presença ali, me fazendo lembrar da cena dela vestida com as roupas dele.
— %Nalla%?! — a voz de Alexia soou da porta do banheiro.
Olhei no espelho e vi seu reflexo. O sorriso meigo combinado ao olhar cativante que me deixava mal por dentro. Como eu iria não gostar de uma pessoa aparentemente gentil e legal?
— Oi, Alexia. — disse ao respirar fundo, me recompondo.
— Tudo bem? Percebi que teve um mal estar. — ela se aproximou de mim com um olhar preocupado.
— Não é nada demais, acho que minha pressão baixou pelo calor, a primavera tem sido tão quente quanto o verão. — dei uma explicação razoável.
— Tem certeza que está bem? Não quer ir ao médico?
— Eu estou bem, de verdade. — sorri com gentileza para ela — Obrigado por se preocupar, mas fique tranquila. Não foi nada demais.
— Me sinto aliviada por isso, e mais empolgada por poder trabalhar com uma amiga do %Sebastian%. — disse ela com um brilho no olhar.
— Amiga? Foi assim que ele me apresentou? — em partes me senti desapontada e chateada.
— Foi a única coisa que me importou saber, e vou amar ser sua amiga também. — seu sorriso singelo me cortou por dentro.
— Eu tenho que voltar ao trabalho, seja bem vinda.
Eu me afastei dela e sai do banheiro antes que pudesse me sentir mais arrasada ainda. Me tranquei em minha sala o resto da tarde, mantendo os olhos na tela do notebook com um arquivo aberto, sem conseguir digitar uma só palavra. Sem pedir permissão as lágrimas começaram a descer por meu rosto. No final da tarde, liguei para meu pai pedindo que Molly dormisse em sua casa, desejava ficar sozinha àquela noite e não teria forças para enfrentar minha filha falando sobre o vizinho a cada meia hora.
No final do expediente, ainda tinha uma reunião com um novo anunciante do jornal. Já havia adiado tanto que não poderia mais deixar para depois. O jornal precisava de parceiros, além do investidor primo de Genevieve, nossa renda seria mantida através de anunciantes e pequenas propagandas de marketing. Afinal, todas as funcionárias precisavam de seus salários para se manterem. E eu era uma delas. Ao sair do elevador, me deparei com %Sebastian% no saguão do prédio. Os olhares das minhas velhas amigas do NT Post, vieram direto para mim. O que ele estaria fazendo aqui?
— %Sebastian%. — senti Alexia passar por mim e se aproximar dele — Pontual como sempre.
Ela segurou em sua mão e sorriu.
— Vamos, temos um compromisso. — da distância em que eu estava, consegui ouvir sua voz grossa e envolvente, logo seu olhar veio em minha direção — Oi %Nalla%.
— Boa noite, %Sebastian%. — foi a única coisa que consegui dizer, antes dos dois se retirarem do prédio.
— Amiga, aquele não era o vizinho que você namorou? — perguntou Lizzi ao se colocar ao meu lado.
— Ele voltou a ser meu vizinho. — respondi a ela num tom baixo — Por ironia do destino, comprei um apartamento ao lado do dele.
— Uau. — Beth esboçou sua reação ao fato — %Nalla%, se você quiser a gente dá uma esnobada na magrela metida a modelo.
— Não meninas, por favor. — olhei sério para elas — A Alexia parece ser uma boa pessoa e pelo que percebi também trabalha muito bem, quero que a tratem com respeito, gentileza e educação.
— O que podemos fazer para ajudar então? — perguntou Sunny.
— Que tal uma noitada no Coyote Ugly? — sugeriu Lizzi.
— Em plena quarta-feira? — Hill a olho boquiaberta.
— Não precisam se preocupar. — assegurei a elas — E também, temos uma edição especial para apresentar sobre as mais influentes primeiras damas presidenciais do país e ainda não estamos nem na metade do projeto. Quero todas indo para casa e chegando bem cedo amanhã.
— Sim chefinha, você que manda. — disse Beth fazendo todas rirem.
Eu segui de carro para minha reunião com o senhor Winchester. Marcamos em um restaurante coreano, uma sugestão dele. Assim que me anunciei para a recepcionista, a jovem me guiou até a mesa. Tomei um leve choque ao reconhecer o homem que me espera. Era o mesmo que esbarrou em mim na minha viagem a Coreia.
— Senhorita Miller do jornal The Imperatriz. — disse ele, abrindo um sorriso singelo.
— Senhor Winchester, presumo. — disse me sentando na cadeira em frente a ele.
— Já que nos conhecemos, que tal deixarmos as formalidades de lado, me chame de Dimitri somente. — pediu ele.
— Como quiser, Dimitri. — abri um sorriso gentil.
Iniciamos uma conversa saudável sobre o jornal e seu interesse em ser anunciante. Para minha surpresa, Dimitri era diretor de marketing da filial da marca Chanel no país. E como tal, a marca criada por uma mulher influente em seu tempo, se viu interessada em afiliar sua imagem a The Imperatriz.
— E como está seu filho? — perguntou ele, após nós servirem nossos dinks banhados a soju.
— Está bem e se adaptando a nova realidade, como mãe coruja, sinto um aperto por ele estar longe de casa. — confessei a ele.
— Nós criamos nossos filhos para darem voos altos. — comentou ele.
— Você tem filhos? — perguntei curiosa.
— Sim, uma filha da idade do seu filho que agora está se preparando para ser a mais jovem angel da Victoria's Secret. — respondeu ele com um olhar orgulhoso.
— Que legal, eu tenho uma joaninha em casa que sonha em ser atriz de musical. — brinquei rindo — Ou dançarina profissional.
— Certamente você foi mãe bem jovem. — comentou ele.
— Notei que não tocou em sua bebida. — comentou ele.
— Não costumo a beber, tenho baixa tolerância a álcool. — expliquei.
— Porque não disse antes? Eu teria pedido outra coisa. — disse ele.
— Está tudo bem, além do mais, tenho que ir agora. — disse me levantando — Vou deixar o contrato para que possa ler com calma e depois conversamos novamente na redação.
— Espere um pouco. — ele segurou em minha mão — Eu gostaria de te ver novamente, mas longe do ambiente de trabalho.
— Me ver? — fiquei estática.
— Você é uma mulher muito interessante, se me permitir, gostaria de conhecê-la melhor. — pediu ele — Vou participar de um coquetel para o pré lançamento da semana de moda, não sei se o The Imperatriz foi convidado, mas gostaria de lhe convidar a ir comigo.
— Bem, posso te dar a resposta depois? — perguntei.
— Ficaria feliz se fosse agora, mas posso esperar.
— Agradeço. — sorri de leve para ele e me retirei.
Entrei no apartamento sentindo algumas dores nas costas e joguei minha bolsa no sofá. Logo meu celular tocou uma mensagem da Sophie, dizendo que tinha uma novidade para me contar, e que deveria ligar para ela assim que chegasse em casa. Deixei o aparelho em cima da mesa de centro e segui para meu quarto. Após um banho relaxante, fiquei somente de lingerie, sendo escondidas pelo longo roupão de banho. Eu parecia essas madames em um spa de luxo.
Ri de leve ao me olhar o espelho e vendo o reflexo do livro que lia atualmente em cima da cama. Tive a brilhante ideia de aproveitar meu terraço recém reformado para descansar com uma leitura. Peguei meu novo amor em forma de livro, O visconde que me amava, o segundo da série Os Bridgertons. Chegando ao terraço, me sentei na espreguiçadeira e abri o livro na página que parei.
Minha leitura estava silenciosa, até que senti um desconforto. Como se tivesse sendo observada. O que de fato estava mesmo. Levantei meu olhar e vi %Sebastian% sentado na mureta de divisão me observando. Meu corpo estremeceu de leve com seu olhar profundo para mim.
— Boa noite. — disse ele.
— Boa noite. — disse colocando o marcador na página e fechando o livro — Tem muito tempo que está aqui?
— Alguns minutos. — respondeu ele.
— Bem, eu acho que… — me levantei com certa vergonha por estar com o roupão de banho — Vou entrar.
— Espera. — ele pulou a mureta para o meu lado e seguiu até mim.
— Está tudo bem entre nós? — perguntou ele.
— Claro. — desviei meu olhar para o prédio ao lado — Por que não estaria?
— Então olhe para mim %Nalla%. — pediu ao segurar em minha mão.
— %Sebastian%. — eu o olhei já sentindo meu coração bater mais acelerado.
— Por que tem evitado olhar para mim? — insistiu ele.
— E engano seu. — retruquei.
— Tem uma coisa que não te contei, eu também aprendi a saber quando você está mentindo. — ele se aproximou mais e tocando em minha cintura me puxou para mais perto — Está com medo de mim, %Nalla%?
— Não. — tentei não gaguejar, mas sentindo meu corpo querer se render a ele — %Sebastian%, não deveria estar aqui.
— Me diga o porquê. — sussurrou ele em meu ouvido.
— Você tem uma namorada, a Alexia não merece passar pelo que eu passei. — eu coloquei minha mão direita entre nós, tentando afastá-lo de mim — Não quero que ninguém seja traída por minha causa.
Segurei minhas emoções e desejos também. Confesso que durante todo o tempo longe dele, não consegui superar e esquecê-lo.
— Sua boba inocente… — ele sorriu de canto com um olhar malicioso — Alexia não é minha namorada, ela é minha irmã caçula.
Ele não deixou nem mesmo eu reagir a informação que demorou para ser processada por meu cérebro. %Sebastian% me beijou de surpresa com toda a saudade que parecia ter acumulado.
Doce, envolvente e intenso.
Quanto mais ele investia em mim, mais eu lhe dava acesso.
"Venha pra mim, não hesite
Você é incrível, meu universo
Apenas me ame direito (a-ha)
Todo meu universo é você."
- Love Me Right / EXO