6 • Boatos Confirmados
Queria poder dizer que fechar aquele acordo com %Sebastian% resolveria parte da equação, mas claro que não seria assim tão fácil. O boatos do nosso namoro deveriam ser finalmente confirmados, principalmente para minha família, e nem queria imaginar os pensamentos que minha mãe tinha sobre o assunto. A filha mal divorciada namorando um cara mais jovem que ela. Pelo menos eu tinha uma parte boa nos acontecimentos pós divórcio, trabalhava em uma redação de jornal, como ela sempre sonhou.
Quinta pela manhã pouco antes de sair, recebi uma mensagem de Finn, dizendo que um vazamento de gás estranho causou um incêndio inesperado na cafeteria. Era só o que faltava, estava indo tudo tão bem? E bem que eu avisei que tinha um barulho estranho toda vez que mexia naquele fogão dele. Me vesti rapidamente e segui até o local, precisava ver com meus olhos o estrago causado. Finn estava parado na calçada desolado, seu planos de comprar o imóvel ao lado para ampliar a cafeteria ficariam para depois agora. Me aproximei dele e toquei em seu ombro.
— Finn. — disse num tom baixo o despertando dos seus pensamentos.
— Ah, %Nalla%, não precisava ter vindo. — disse ele voltando seu olhar para mim.
— Fiquei preocupada, alguém se machucou? — perguntei.
— Não, felizmente não, mas foi um susto muito grande.
— Vai dar muito prejuízo? — voltei meu olhar para a fita de isolamento em volta da fachada principal e lateral.
A Liberdad Café ficava na esquina da rua, na melhor localização comercial do Brooklyn.
— Vamos ficar muito tempo fechados né, mas você não vai acreditar, um cliente se ofereceu para me ajudar na reforma. — disse ele com o olhar esperançoso — Ele é arquiteto, me deu até o cartão dele.
Finn retirou o cartão do bolso e me mostrou. Senti as pupilas dos meus olhos dilatarem na hora que li o nome: %Sebastian% Lewis. Será que era o %Sebastian%? Meu vizinho?
— Quem é? Eu o conheço? — perguntei me fazendo a inocente.
— Aquele cliente que te agradeceu pelo café. — respondeu com tranquilidade — Que loucura né, ele veio cedo para o café e pegou o incêndio no início, foi ele que ligou para os bombeiros.
Por essa eu não esperava. Mas bem que percebi que não tinha barulhos quando acordei. O que me fez desligar o alarme e virar para o canto, me esquecendo da minha responsabilidade com o café.
— Que bom que conseguiu alguém para te orientar nessa hora tão caótica. — disse em incentivo — Ele deu alguma previsão assim da reforma?
— Ainda não, vamos nos encontrar amanhã para falar sobre isso, avaliar os estragos e ver se tem algo a ser recuperado. — explicou ele.
— Bem que eu te falei que tinha algo errado. — o lembrei.
— Verdade, mas eu estava tão concentrado na compra do imóvel do lado, que não queria gastar dinheiro. — ele cruzou os braços e olhou para a cafeteria — Como minha mãe sempre diz, a males que vem para o bem, o arquiteto cliente disse que com um bom projeto, posso expandir minha Liberdad sem precisar comprar o imóvel ao lado.
— Bom, ele é o profissional, deve saber o que está dizendo. — disse olhando a loja também — E quanto aos clientes?
— Já postei no instagram e no site da cafeteria sobre o ocorrido e prometi uma grande inauguração depois da reforma. — assegurou ele com empolgação na voz, fazendo gestos grandiosos com as mãos — Já estou imaginando essa fachada sensacional atraindo pessoas de todos os lugares de NY.
— E a grana que estava juntando vai cobrir todos os gastos? — perguntei preocupada com seu devaneio.
Finn era um grande sonhador quando o assunto era sua cafeteria. Um solteirão que trabalhava duro para criar sozinho sua filha Jenie, agora com 16 anos. Quando o conheci por acaso em um supermercado, ele estava parado na sessão de fraldas com cara de perdido, e sua filha chorando no carrinho de bebê. Eu também estava passando pela mesma situação que ele, mas já tinha alguma noção naquela época. Foi assim que nos tornamos amigos. Eu sempre dava algumas dicas de culinária para sua cafeteria e o ajudava com conselhos sobre tentar criar filhos.
— Provavelmente terei que fazer um empréstimo, torcendo para aprovarem. — disse ele com certa preocupação.
— Ainda tem alguma hipoteca ativa?
— Do apartamento, ainda não terminei de pagar. — respondeu, sua voz ficou baixa de repente e ele tossiu — Não vou tocar na poupança, é para a faculdade da Jenie, se eu não conseguir pegar o empréstimo, não saberei o que fazer.
Seu olhar ficou triste. Era difícil sonhar com a realidade batendo à nossa porta. Se colocar na ponta do lápis, a situação financeira de Finn poderia ser pior que a minha. Mas ele continuava acordando todas as manhã e sorrindo, com a esperança do Liberdad se tornar uma Starbucks.
— Mas, se não rolar, posso pedir pra alguém da minha família. — ele voltou a sorrir como sempre.
— Saiba que sempre terá meu apoio. — sorri junto.
— Você é uma grande amiga que Deus colocou em meu caminho para que eu não desmoronasse. — ele me olhou com gratidão.
— Assim me deixa envergonhada. — brinquei e o abracei — Se precisar de algo, estarei aqui.
— Até se quiser que eu tenha uma conversa feminina de novo com a Jenie. — disse segurando o riso — Puberdade é algo sério.
— Nem me fale, perdi o nome daquele remédio para cólica que me deu, mês passado eu quase surtei ao vê-la chorando de dor. — confessou ele — Me envia pelo whatsapp, por favor.
— Claro, envio sim, por que não me ligou Finn? — o olhei com compaixão.
Cólica era a pior parte de ser mulher. Só perdia para meus momentos de histeria quando tinha TPM.
— Na hora nem lembrei, corri na farmácia e comprei a primeira coisa que achei. — respondeu ele.
Eu ri dele. Era mesmo um pai muito atencioso e dedicado. Finn nunca tinha me contado a fundo sobre a mãe de Jenie. Mas já tinha desabafado em seus momentos de solidão, que ela havia engravidado dele no primeiro ano da faculdade e desaparecido, então reaparecido dois anos depois e deixado a filha com ele e nunca mais voltado. É triste pensar que Jenie não via a mãe há quatorze anos. Mais ainda ver que meu amigo mantinha seu amor pela mulher que o deixou, mesmo depois de tudo.
— Vai ficar aqui mais algum tempo? — perguntei ao olhar as horas no relógio.
— Sim, preciso pegar uns documentos com os bombeiros e levar na delegacia. — explicou ele — Tenho que dar esclarecimento que o incêndio não foi criminoso, mas acidental.
— Pelo menos nesse tempo, você vai poder se concentrar nos seus textos. — comentou ele e confessou — Estou acompanhando o caderno mulher, pela primeira vez na vida passei a comprar o NT Post.
— Você comprava o concorrente?
— Pra ser sincero eu tenho preguiça de ler jornal. — ele riu — Mas as colunas que escreve são muito interessante, me lembrei de quando me ensinou a fazer aquele bolo de cenoura com calda de chocolate, saiu a receita dele no jornal da semana passada.
— Sim, é a minha receita mais simples e básica. — concordei.
— É uma das que mais vende no Liberdad, só perde para suas panquecas. — ele me olhou desconfiado — Você vai postar essa receita?
— Minhas panquecas é segredo de família, só o Joseph sabe como se faz. — disse orgulhosa — E você precisa ver ele cozinhando.
— Imagino, com uma mãe como você. — elogiou ele indiretamente.
— Vou indo então, aproveitar e passar no estúdio de uma amiga antes de ir para a redação. — disse.
— Bom trabalho então, vou te mantendo informada.
Me despedi dele e segui de táxi até o estúdio de Sophie. Fiquei surpresa ao me deparar com alguns trabalhadores de construção civil entrando e saindo do prédio. Não me lembrava de minha amiga ter comentado sobre alguma reforma no lugar. Retirei o celular do bolso e mandei uma mensagem para Sophie. Não demorou muito para que ela aparecesse descendo as escadarias ao meu encontro.
— Amiga, acabei de ver no noticiário da cafeteria, está tudo bem? — perguntou ela com olhar preocupado.
— Sim, está tudo bem. — a tranquilizei — Aconteceu antes de eu sair de casa, Finn me ligou avisando, felizmente ninguém saiu ferido.
— Isso é bom, vamos aproveitar então e comer um brunch, eu não tomei café hoje. — pediu ela — Estamos uma correria por causa da reforma.
— E que reforma é essa que estão fazendo? — perguntei a seguindo em direção a cafeteria que tinha perto de lá.
— Nas salas vazias do último andar, era depósitos, mas como o estúdio está ficando mais famoso, mais alunos, mais salas, mais dinheiro. — explicou ela.
Nós sentamos em uma mesa do lado de fora, estava um dia fresco e ensolarado.
— Mas me tira a curiosidade, como vai ficar o Liberdad agora?
— Bom, o Finn tem umas economias guardadas, mas não sei se será suficiente para a reforma. — respondi.
— Justo agora que ele queria ampliar a Liberdad.
— Sim, mas o arquiteto disse que tem como ampliar sem precisar comprar o imóvel do lado. — expliquei.
— E como ele conseguiu um profissional tão rápido? — ela se impressionou.
— Isso é o de menos, vai cair pra trás se eu te contar quem é o tal cliente.
— Me surpreende. — seu olhar curioso não tinha limites.
— %Sebastian%, o vizinho.
— Sim, e com direito a cartão de visitas.
Nós fomos atendidas por uma funcionária, que anotou o pedido rapidamente e se retirou.
— Estou chocada com essa novidade. — ela ficou boquiaberta — Pelo menos descobrimos que ele tem uma profissão normal.
— Sim. — espera, demorou dois segundos para eu assimilar suas palavras — Como assim normal?
— Ué, um homem misterioso e intenso, que reforma a casa sozinho, ou ele é um psicopata ou um assassino de aluguel. — explicou ela.
— Sophie, você realmente precisa parar de ler essas histórias escritas por adolescentes de 13 anos. — a aconselhei.
— Ei, olha o preconceito, não é só adolescente que escreve fanfic. — ela me olhou atravessado — E eu vi um filme que o cara era assim e era assassino de aluguel.
— Vamos mudar de assunto. — voltei meu olhar para os carros passando.
— Não vamos não, Freya me ligou hoje cedo querendo a confirmação dos boatos. — disse ela — Nossa amiga é presidente do clube da varanda amiga, ela estava ignorando totalmente os fatos.
— Talvez porque é a verdade.
— Você não fez o acordo com ele?
— Fiz, mas não significa que…
— Significa sim, vocês estão no início de uma relação.
Ela se calou esperando a funcionário colocar o nosso pedido na mesa se se retirar, então me olhou de forma instigante.
— Vai por mim amiga, quando você aparecer naquela reunião ao lado dele, não vai ter ninguém que duvide. — garantiu ela.
— Já estou planejando terminar antes, assim é melhor. — eu a olhei — Não acha?
— Por favor %Nalla%, não me dá pra trás.
— Me sinto insegura com relação a isso. — e estava mesmo.
— Eu sei que você não precisa de um macho pra mostrar que está linda e maravilhosa depois do divórcio, e está mesmo. — reforçou ela em suas palavras motivadoras — Mas se você desmentir esse leve e acidental namoro agora ou dizer que terminaram, Carl vai ter mais um motivo para dizer que você fez isso para provocar ciúmes nele. Porque ainda o ama.
— Eu jamais faria isso, nem em sonhos eu quero o Carl de volta, depois de tudo que ele me disse.
Era só o que faltava mesmo.
— Nós duas sabemos o quão egocêntrico seu ex marido é, o homem tóxico. — ela cruzou os braços — Nunca gostei dele, e você sabe.
— Sim, eu sei. — suspirei forte — Ok, o acordo está feito, vou deixar passar umas semanas, as pessoas esquecerem e converso com o %Sebastian% sobre o rompimento amigável.
— E se me perguntarem, eu digo que preciso de tempo, que eu saí de um divórcio e me precipitei ao aventurar em uma nova relação.
— Você não acha que está criando uma explicação detalhada de mais?
— Eu terminei porque quis. — respondeu — Seu problema é que dá muita explicação para quem não precisa.
— Tudo bem. — aceitei o conselho.
Nós terminamos de comer e Sophie insistiu em pagar a conta.
— Meu problema nem é a reunião, mas enfrentar a minha mãe. — comentei ao levantarmos para ir embora.
— Nessa altura do campeonato sim, todo mundo já sabe. — disse — Mas até agora não recebi nenhuma ligação dela.
— Sua mãe silenciosa é pior do que gritando. — confessou ela.
— Sim, e por falar nisso, tenho que ligar para a Marg e lembrá-la que sábado é aniversário do papai e teremos jantar em família. — comentei.
— E você vai levar o %Sebastian%?
— Não sei, não sei qual vai ser pior, levá-lo ou não levá-lo. — era uma incógnita.
Me despedi de Sophie e segui para a redação.
Era a algumas quadras do estúdio, então caminhei até lá, pois fazia tempos que não andava pela cidade. Confesso que minha vida de casada eu ficava mais em casa e raramente saía, depois que divorciei minha rotina corrida me exigia pegar mais táxi, ao invés de transporte público. Mas olhando os prédios a cada passo que dava pelas ruas de Manhattan, me toquei que nas oportunidades, era legal ir de um trabalho para o outro caminhando. Apesar da cafeteria no Brooklyn ser aparentemente longe da redação em Manhattan. Eu poderia começar a usar a Estação Central e gastar menos com transporte. Era uma estratégia a se pensar.
— Bom dia Hill. — disse assim que saí do elevador e a vi passando.
— %Nalla%?! — ela me olhou de forma estranha e conferiu a hora no relógio de pulso dela — O que faz aqui a essa hora?
— Houve um incêndio da cafeteria e estou de férias por tempo indeterminado. — respondi com tranquilidade.
— Sim ninguém saiu ferido. — assegurei.
— Onde teve incêndio? — perguntou Sunny ao se aproximar.
— Na cafeteria que ela trabalha de manhã.
— Sério? Ahhh… Acho que vi, o Doug estava comentando no grupo. — disse ela — Perda total né?
— Mais ou menos. — confirmei.
— Vou aproveitar a deixa para terminar meu artigo sobre primeiro emprego. — disse a ela indo em direção a minha mesa — Estou muito travada com isso.
— Ah, antes que eu me esqueça. — Hill me chamou a atenção — A Genevieve quer uma reunião com a nossa equipe no final da tarde.
— Ela disse o motivo? — perguntei curiosa.
— Não, mas espero que seja algo bom. — respondeu ela.
— Eu espero que seja um aumento. — comentou Sunny — Ouvi dizer que o NT Post estava vendendo o dobro nos dias que sai o caderno da mulher.
— Parece que o matriarcado está chegando por aqui. — brincou Hill.
— Quem disse que as mulheres não gostam de se manter informadas? — completou Sunny.
— Será que mais mulheres estão se interessando pelo Jornal? Por causa do nosso trabalho? — perguntei admirada.
— Se for, Genevieve pode voltar com a proposta do jornal inteiramente voltado para o público feminino.
— Seria demais, e nós as pioneiras da redação. — Sunny se empolgou.
— Ela tem uma proposta assim? — fiquei impressionada.
— Sim, ouvi dizer que ela apresentou e foi negada pela diretoria três vezes. — Hill bufou.
— Queria o que, é cem por cento composta por homens. — Sunny riu de leve — Patriarcado elitista.
— O mundo está bem mudado e querendo ou não, o mercado consumidor é dominado pelas mulheres. — comentei — Vamos fazê-las olhar para o nosso jornal e dominar isso também.
— Falou bonito. — Hill se animou.
— Deixa eu voltar para o meu artigo e contribuir para isso. — me afastei dela com um sorriso animado no rosto.
Sentei na cadeira e liguei o computador. Digitei a senha e abri o arquivo salvo, já nem mesmo me lembrava o que tinha escrito no dia anterior. Li as cinco páginas e meia escritas, meu planejamento de escrever um artigo que seria publicado em três partes tinha que dar certo. E só tinha um jeito para me concentrar, uma playlist estimulante de boyband dos anos 90 no spotify. Sim, eu amava trabalhar com música e tinha playlist para tudo, até lavar o banheiro, que era o que mais detestava. De fone no ouvida e cheia de motivação, voltei as minhas pesquisas e continuei a digitar meu artigo.
No final da tarde, antes de sair da redação, liguei para Margareth. Ela tinha me mandado uma mensagem pedindo que eu ligasse para ela quando tivesse livre. Já esperava por essa mensagem.
— %Nalla%, que bom que ligou. — disse ela ao atender, a voz estava normal.
— Aconteceu alguma coisa?
— Alguma coisa tem que acontecer para sua irmã te mandar uma mensagem?
— Não sei, me diz você. — eu ri.
Margareth morava em Upper East Side, o bairro da elite. Era de se esperar pelo seu cargo na transportadora e pelo marido que tinha. Sua vida era corrida também e era raro quando me ligava. Eu parecia ser mais irmã de Sophie do que dela, chato ter que admitir, mas não tinha tanta intimidade com minha irmã mais velha. Talvez pelos acontecimentos em minha vida, ela estava na metade do seu curso da faculdade quando eu engravidei. Nossos momentos de irmãs na infância foram esquecidos quando conheci Sophie no primeiro dia do ensino médio e viramos amigas.
— Tem planos para hoje à noite? — perguntou.
— Mais ou menos. — sibilei um pouco—Por que?
Não podia abrir o jogo e dizer: “Ah tenho sim, vou cozinhar para meu vizinho.”
— Queria tomar um drink com minha irmã naquele bar que fomos com a Sophie da última vez. — respondeu ela.
Sophie era a líder de torcida popular que fazia amizade com todo mundo. Nem acreditava que ela tinha feito amizade com a nerd da sala, com tanta simplicidade. Bem, claro que inicialmente ela queria sentar do meu lado porque eu conseguia resolver os cálculos de matemática. E era de se esperar que depois de conhecer minha família, ela se desse bem com a Mag também.
— Acho que posso ir, mas não posso demorar. — aceitei o convite disfarçado.
— Ah, eu me contento em ter sua atenção por alguns minutos. — brincou ela — Sei que minha irmã caçula anda bem ocupada.
Senti uma ironia misturada a “eu sei o que anda fazendo”, em sua voz.
— Te encontro lá em quinze minutos. — disse desligando a tela do computador.
Estranha a ligação e mais estranha o convite. Joguei o celular dentro da bolsa e me levantei para ir embora. Me despedi das meninas e sai da redação. Fui de metrô até a estação próxima ao
Coyote Ugly, nosso bar favorito, pelo menos o de Sophie e Margareth. Quando cheguei, ela já me esperava no lado de dentro sentada em uma banqueta.
— Marg. — disse ao me aproximar a abraçá-la — Boa noite.
— Boa noite mana. — ela retribuiu o abraço — A quanto tempo não te vejo? E moramos na mesma cidade.
Visivelmente ela já tinha tomado algumas doses de alguma coisa.
— Está tudo bem? — analisei sua face — Seu olhar está caído.
— Problemas no trabalho, que está sendo difícil não levar para casa. — explicou ela — Se eu soubesse que seria tão complicado trabalhar com o marido, não teria aceitado aquele encontro com o Mark quando ele me chamou para sair.
— O que aconteceu?! — perguntei preocupada com seu estado.
— Ah, ele que sempre critica meu trabalho, acha que pode me ensinar o que estudei na faculdade, eu fui a melhor de economia em Princeton, a melhor. — ela pegou o copo com mais uma dose e jogou na boca — E quando chegamos em casa age como se nada tivesse acontecido querendo fazer sexo comigo.
Ele estava mesmo brava com ele. Meio sem noção da minha parte, mas respirei aliviada por isso, afinal, mostrava que minha ida ali não era por causa do meu namoro falso. Isso me fez me sentir culpada, mas ainda assim aliviada.
— Vida de casal é assim, pelo menos o seu marido ainda quer fazer sexo com você. — deixei meu pensamento escapar, com um tom de frustração — Poderia ser pior.
— Ai %Nalla%, me desculpa, não devia te encher com isso. — disse ela — Te fiz lembrar do babaca egocêntrico.
— Fica tranquila Marg, está tudo bem agora. — sorri de leve — A quanto tempo está aqui?
— Umas duas horas. — respondeu se debruçando no balcão.
— Você está bebendo há duas horas? — perguntei chocada.
— Não. — ela ergueu a cabeça e me olhou — Eu fiquei tomando refrigerante, mas comecei a pensar na reunião de hoje e parti pro álcool.
— Sei que é complicado não misturar casa e trabalho, deve estar sendo difícil pra você. — acariciei seus cabelos — Mas força mana, vocês tem um filho de cinco anos, precisam encontrar uma solução para isso.
— A solução é eu pedir demissão e trabalhar na concorrente. — disse ela convicta.
— Causar mais brigas? Ou pretende virar espiã industrial? — lancei meu olhar sério para ela.
— Ai %Nalla%, eu só sei que estou cansada disso tudo. — ela suspirou — E não consigo achar uma saída.
Como eu disse no início, uma vida perfeita não é assim tão perfeita. Margareth estava me mostrando isso com seu dilema profissional x pessoal.
— O pai do Mark te considera muito. — falei para sua reflexão.
— Se o filho dele me deixasse trabalhar em paz, ajudaria. — ela olhou para a bolsa e abriu, olhou a tela do celular que tocava e virou para mim.
— E além disso, vive querendo saber onde estou. — reclamou jogando o celular na bolsa novamente— Não vou atender.
— Se você não atender ele vai ligar para a mamãe, e depois para mim. — retruquei.
— Não ligo, ela não sabe onde estou, e você nada de atender ele. — ela me olhou com ar de ameaça — Ele merece ficar surtado por um tempo pra ver o que está me fazendo.
O casamento é seu. Pensei comigo.
— Já que estou aqui, tenho que te lembrar no jantar de família no sábado, é aniversário de casamento deles. — avisei a ela.
— Ah, tem isso também. — ela levou a mão na testa como se tivesse esquecido — Justo agora.
— Não se faz 37 anos de casado todos os dias. — argumentei.
— Temos que ir, se não seremos deserdadas. — disse ela.
— Vai levar seu namorado? — perguntou com a voz já estranha.
Tava demorando para esse assunto surgir.
— Não sei. — mordi o lábio inferior.
Estava mesmo ainda na dúvida.
— Nossa mãe já te ligou perguntando sobre isso? — ela me olhou.
— Ai. — Marg fez uma careta de “você está ferrada”.
— Acho melhor não levá-lo, não agora. — aconselhou ela.
— Vou levar sua opinião em consideração. — sorri de leve.
— Como assim quem? Seu namorado é claro. — soou com rispidez desta vez.
— Segundo a Sophie, ele é o Universo Marvel inteiro.
— Uau, pra ela desconsiderar o selo de qualidade Chris Marvel. — Marg começou a me aplaudir — Mana, eu ainda não vi mas tá de parabéns.
— Para com isso. — eu abaixei as mãos dela — Que vergonha.
— É verdade que ele é mais novo que você?
— Quem disse isso? — agora estava estreito os boatos.
— Freya. — respondeu — Eu estava no shopping na terça e trombei com ela, ela me contou que rolou esse boato do namoro a partir do Carl e você conformou pra Lauren no domingo. — seu olhar ficou confuso — Domingo do sorvete com a Sophie? Foi por causa disso?
— Ela falou que foi domingo do sorvete? — me segurei para não entrar em pânico.
— E ela saiu falando pra todo mundo?
Marg assentiu com a cabeça. Meu corpo gelou.
— E você contou a mamãe?! — perguntei.
— Ela me ligou perguntando se é verdade. — respondeu indo pedir mais uma dose, porém eu a interrompi.
— Não vai beber mais nada hoje. — disse.
— Hum… — ela suspirou — Eu não sabia se era mesmo verdade, só o que Freya me contou, então eu confirmei.
— Sabe quem contou a ela?
— Sua vizinha, a senhora Philips. — ela riu — Velha fofoqueira.
— Concordo, pelo menos não sou do clube da varanda, se não estava mais ferrada ainda.
— Ah sim, ela contou do clube da varanda, seu namorado é famoso ein. — brincou.
— Não tem graça. — eu abri minha bolsa e peguei o celular para ver as horas e guardei novamente — Eu te amo Marg, mas agora preciso ir.
— Vai encontrar o namorado?! — ela deu um sorriso malicioso — Como ele é na cama?
— Ai Margareth eu não vou te falar essas coisas.
Porque elas nem existem. Pensei. E mesmo que existissem, não falaria sobre isso nem com a pervertida da Sophie.
— Agora vamos, vou te colocar em um táxi rumo a sua casa. — disse a segurando pelo braço — Fox, pendura na conta que ela paga amanhã.
— Anotado Miller. — disse o nosso Barman favorito.
— Eu vim de carro. — disse ela.
— Acha mesmo que vou bancar a doida de te deixar dirigir?
— Se você tivesse carteira, poderia me levar. — reclamou ela.
— Amanhã você volta para pagar e leva seu carro. — resolvi o problema.
Ela fechou a cara inconformada, mas assentiu. Assim que a coloquei dentro do táxi e instrui a motorista a levá-la em segurança, peguei outro táxi e fui para casa. Quando cheguei, Joseph estava na sala vendo televisão e Molly ao seu lado desmaiada. Passei por ele só passando a mão na sua cabeça de leve e segui para a cozinha. Tinha um pacote de sanduíche em cima da mesa me esperando. O serviço delivery estava lucrando comigo. Voltei meu olhar para a janela e vi a cozinha do vizinho, quer dizer, %Sebastian%, apagada. No meu primeiro dia de acordo eu falho.
Deixei minha bolsa em cima da mesa e saí para o quintal. Passei pela abertura na cerca e fui até a porta. Antes de bater percebi que a mesma estava somente encostada, girei a maçaneta e abri, veio um frio na barriga. Dei um passo para dentro e liguei a luz, eu não tinha observado sua reforma na noite anterior e certamente ele tinha feito mais alguma coisa hoje. Mas sua cozinha estava linda e muito convidativa para cozinhar, em estilo industrial e muito bem decorada, me fez ficar curiosa para ver o restante da casa. Observei que ao lado da janela tinha uma parede toda preta com escritas em lettering, parecia a parede dos recados e tinha um para mim.
— Obrigado pelo jantar. — sussurrei ao ler, fiquei envergonhada na hora — Além de bonito é irônico, eu nem fiz o jantar.
— E agora o que faço? — me segurei para não surtar.
Meu coração se apertou, eu não podia deixar assim. Abri sua geladeira para ver se tinha algo que pudesse preparar bem rápido. Me deparei com a mesma totalmente abastecida.
— Alguém visitou o supermercado. — brinquei.
Analisei o que poderia fazer e coloquei a mão na massa. Fiquei intrigada por ele não ter aparecido durante todo o tempo que eu estava fazendo barulho em sua cozinha. Será que tinha saído para comer fora? Ou tinha um sono tão pesado que não acordou? Ao final, peguei um giz que estava no saquinho dependurado em um prego e conhecei a escrever embaixo do seu recado.
“Me desculpe pelo jantar…
Mas garanti seu café da manhã, basta levar ao forno.”
Deixei as instruções de forno e tempo. Torcia para que minha torta de maçã tradicional pudesse amolecer seu coração. Antes de voltar para casa, limpei tudo e deixei sua cozinha exatamente como estava, sem rastros da minha passagem. Chegando em casa, peguei minha bolsa, o pacote e uma caixinha de suco e fui direto para o quarto. Joseph já tinha levado Molly para cama e já estava dormindo também. Fiz meu lanche, tomei uma ducha rápida e caí na cama. o dia tinha sido puxado e cheio de emoções.
Com os dias passando depressa, logo a temida noite de sábado chegou. Deixei meus filhos se arrumando por um tempo e corri na casa do vizinho. %Sebastian%. Tinha que me acostumar a chamá-lo pelo nome. Assim que entrei na sua cozinha, ele estava vindo da sala também, desta vez estava em casa.
— Boa noite. — o cumprimentei.
— Boa noite. — ele sorriu de canto.
— Eu vou ter que furar com você hoje. — o olhei apreensiva.
— Tenho um jantar na casa dos meus pais e…
— NÃO! — minha voz saiu alterada — Não... É que ainda não falei sobre você com meus filhos, ficaria estranho ser assim tão de repente.
— Tudo bem. — ele parecia tranquilo com isso.
— Prometo te compensar com um café da manhã. — garanti.
— Gosto da sua panqueca. — disse ele.
— Panquecas para o café com muita geléia. — assegurei.
Sorri de leve e saí rapidamente.
Assim que entrei em casa, ouvi as vozes dos meus filhos na sala. Segui para lá e me deparei com Joseph fazendo cócegas em Molly em cima do sofá.
— Mamãe, me salve. — disse ela entre risos, toda vermelha e quase sem fôlego.
— Joseph, cuidado para não matar sua irmã. — chamei sua atenção de leve e o mesmo parou.
— Era essa a intenção, matá-la de tanto rir. — ele sorriu com maldade e piscou para mim.
— Seu malvado. — Molly o empurrou de leve e arrumou seu cabelo bagunçado.
— Vocês estão prontos? — perguntei.
— O táxi já chegou. — disse Joseph ao olhar pela janela.
— Você chamou? — eu o olhei admirada.
— Sim. — disse ele colocando seu psp portátil no bolso da calça.
— Você sabe que sua avó odeia seus games. — disse ao me aproximar dele — Seja discreto.
— Vou ser. — ele sorriu novamente.
Por mais que eu tivesse preocupações com a vida de Joseph e seu amor por games, eu confiava em meu filho. Contando que não atrapalhasse seus estudos e não lhe causasse nenhuma doença, física o mental, ele tinha minha aprovação e apoio. Ao chegarmos na casa dos meus pais, fomos recebidos por Margareth na porta. Ela já tinha chegado com sua família e estava ajudando nossa mãe na cozinha. Pai conversava com Mark na sala, e assim que me viu veio ao meu encontro me abraçar.
— Ah filha. — um abraço acolhedor e carinhoso que só ele sabia me dar — Que saudade.
— Nos vimos a pouco tempo pai. — disse retribuindo o abraço — Mas também fiquei com saudades.
— E vocês?! — ele voltou seu olhar de ternura para meus filhos e deu um abraço em Joseph e depois em Molly — Vocês eu vejo mais do que sua mãe.
— Já temos um quarto aqui vovô. — brincou Molly — Jacob.
Ela correu em direção ao primo que brincava sentado no tapete da escada.
— Boa noite Mark. — cumprimentei meu cunhado.
— Boa noite %Nalla%. — ele me olhou de relance e voltou sua atenção para o celular em sua mão.
Eu não tinha muita afinidade com ele. Talvez pelo seu olhar meio superior para mim. Seus assuntos sobre a empresa e quanto sua família era próspera nos negócios sempre me davam sono
— Mamãe está terminando o jantar? — perguntei a Marg.
— Sim, venha, me ajude a colocar os pratos na mesa.
Assenti um pouco insegura. Agora eu estava no território da minha mãe e não sabia quando ela jogaria tudo que estava guardando na minha cara. Chegando na cozinha, ela me viu e permaneceu em silêncio. Já estava acostumada com a forma que me tratava, então não levava em consideração. Ajudei Margareth a colocar os pratos e copos na mesa, e quando nossa mãe terminou, acomodamos as panelas em cima da mesa de jantar.
— O jantar está servido. — disse aos demais que estavam na sala.
Nos sentamos a mesa. Meu pai na cabeceira e minha mãe na outra, de um lado Marg e sua família, do outro eu e minha família. Fiz questão de me sentar ao lado do meu pai e bem longe dos olhares de repreensão da minha mãe. Começamos a nos servir e depois da oração de agradecimento a Deus pela comida, saboreamos do assado com batatas e salada de vinagrete que ela tinha preparado.
— Está tudo bem mãe? — perguntei quebrando o silêncio.
— E porque não estaria? — ela me olhou.
— Não falou comigo desde a hora que eu cheguei. — retruquei.
— Não acho que tenha necessidade de falar com você, se eu quiser saber algo da sua vida, tenho vizinhos que me contam. — a rispidez em sua voz era nítida.
Já vai começar. Pensei comigo mesmo.
— Mãe, não diga assim, %Nalla% tem seus motivos para não ter falado antes. — Marg tentou me defender.
— Agnes, não é o momento e nem o lugar certo para falarmos nesse assunto. — disse meu pai — As crianças estão à mesa.
— Por isso mesmo, a família está toda reunida, é o melhor momento para falar sobre o namoro repentino da sua filha. Porque todos souberam antes de nós, os pais dela.
— Mãe, por favor. — pedi.
Meus filhos não eram obrigados a participar daquilo.
— Eu ia contar a todos vocês. — ponderei a minha voz.
— E quando você ia nos contar? Quando se casasse de novo? Ou quando engravidasse dele, como da última vez?
— Para mãe. — eu me levantei bruscamente da cadeira — Eu não vou ficar aqui te ouvindo insinuar coisas na frente dos meus filhos.
— Ah, e você teve a coragem de contar para seus filhos primeiro pelo menos? Ou eles ficaram sabendo através dos colegas na escola? — continuou ela.
— A nossa mãe já nos contou, fomos os primeiros a sabe vovó. — disse Joseph num tom sério e firme, e olhou para Molly.
Eu contei? Quando? Pensei comigo.
— Sim, mamãe nos contou e pediu nossa opinião. — confirmou minha joaninha — E nós apoiamos ela.
Meu coração se aqueceu. Meus filhos me defendendo. Envolvidos em uma mentira, que mãe horrível eu sou.
— Vamos acalmar os ânimos. — disse meu pai em seu tom pacífico de ser, tocando em minha mão para que eu me sentasse novamente — É uma noite especial, estamos completando 37 anos de casamento, nossa família é linda e nossas filhas estão aqui felizes com suas famílias.
— Bem, acho que está faltando alguém do lado da %Nalla%. — a ironia na voz da minha mãe era o que mais me matava.
— Agnes, vamos comer em paz. — meu pai subiu um pouco seu tom de voz.
Ele era mesmo um homem pacífico e só o tinha visto nervoso uma vez, para nunca mais. Como dizia meu avô: “os calmos são os piores quando chegam ao extremo da raiva.” Me mantive em silêncio o resto do jantar, ouvindo Margareth e Mark contando as novidades da nova filial da empresa em Chicago. O que me confortava eram os olhares de compreensão e carinho do meu pai para mim. Mas minha preocupação não era com minha mãe e o que pensava sobre minhas escolhas na vida. Eu estava preocupada com meus filhos, que continuaram se comportando com naturalidade até voltarmos para casa.
— Eu acho que precisamos conversar antes de irem para seus quartos. — disse a eles assim que chegamos em casa.
— Tem certeza que quer falar sobre isso hoje? — perguntou Joseph, ele já sabia do que se tratava.
— Sim, é algo sério, e vocês são minha família, devo uma explicação a vocês. — reforcei.
Eles se sentaram no sofá e eu na mesa de centro, ficando de frente para eles. Não sabia como começar nem exatamente o que falar, mas deveria dizer algo.
— O que a vovó disse hoje no jantar… — iniciei, procurando as palavras mais suaves.
— É com o novo vizinho? — perguntou Molly.
— Como? — a olhei assustada por sua desenvoltura.
— Está namorando com o vizinho da reforma ao lado? — disse ela novamente — Ele parece ser legal.
— Sim, é o %Sebastian%. — voltei meu olhar para Joseph que me analisava em silêncio — Eu planejava contar para vocês antes de irmos para casa da vovó, mas… Me desculpe por fazê-los mentir.
— Tudo bem mamãe. — Molly se levantou e me abraçou — Você tem nosso apoio.
— Obrigada joaninha. — sorri para ela e beijei sua bochecha.
— Boa noite Joe bobão. — ela riu do irmão e correu para a escada.
— Feche bem a porta do quarto, você pode acordar com as minhas cócegas. — alertou ele rindo dela.
Assim que Molly desapareceu no nosso campo de visão, olhei sério para ele.
— Não sei o que está pensando, mas sei que é sério. — disse diretamente — Está bravo comigo?
— Não. — disse ele, mantendo a suavidade em sua face.
— Você já sabia? — perguntei.
— Quando o papai me ligou pelas pastas, ele falou sobre isso também. — confessou — Não é real.
— Seu namoro com o vizinho, não é real. — o olhar fixo do meu filho para mim, era o sinal de que ele queria a verdade.
— Não, não é real. — admiti para ele — Mas você tem que guardar segredo, só a Sophie que sabe sobre isso.
— Mãe… — seu olhar ficou preocupado — Não está fazendo isso para fazer ciúmes no papai, não é?
— Claro que não. — suavizei meu olhar para ele — Joseph, eu jamais faria isso.
— O dia que seu pai esteve aqui, nós brigamos e aconteceu um mal entendido entre ele e %Sebastian%, que tinha vindo aqui para me dar o quadro de pedido de desculpas, então seu pai saiu espalhando para todos sobre eu estar namorando. — contei não tão fiel a história, mas sem mentir ou omitir a verdade — Eu poderia ter negado tudo, mas…
— Meu pai poderia levar vantagem sobre isso. — concluiu ele.
Meu filho era tão maduro e compreensivo. Nem parecia que só tinha 16 anos e pensamentos sobre como vencer a próxima partida de LoL.
— Mas não se preocupe, não vai durar por muito tempo, estamos esperando todo esse boato passar. — assegurei.
— Não me importo que namore outra pessoa, só não quero que se machuque mãe. — ele me olhou com ternura.
— Filho! — eu o abracei apertado — É o melhor filho do mundo. Não se preocupe, sua mãe não vai se machucar.
— Você fez algum acordo com ele? — perguntou curioso.
— Por que a pergunta? — me assustei com a pergunta.
— Você fez. — afirmou ele, sorrindo de canto — Isso explica estar cozinhando para ele toda noite.
— Como sabe sobre isso? — perguntei.
— Tem duas janelas no meu quarto. — brincou ele — Eu vi.
Era louco e ao mesmo tempo incrível, mas tinha que admitir que meu filho era muito esperto.
Eu vou me levantar para enfrentar
Todas as grandezas, fatalmente
Quando estou com você
Eu fico mais forte.
- Divine / Girls’ Generation