13 • Fanfics
Algumas pessoas presenciaram o soco. James entrou rapidamente e ajudou Carl a se levantar. Ele se mantinha resmungando e me xingando, enquanto era carregado pelo amigo. Sophie permaneceu boquiaberta com a cena. Eu não tinha mais condições físicas e mentais para ficar ali. Olhei para meu braço roxo, percebi que a alça do meu vestido se rasgou na minha luta para me livrar de Carl. %Sebastian% olhou para meu ombro e retirando sua jaqueta, me cobriu.
— Você quer ir para casa? — perguntou ele num tom mais baixo.
— Sim, por favor. — disse reprimindo minhas lágrimas.
Tinha que ser forte. Sophie nos acompanhou até a rua.
— Amiga… — ela nem sabia como me consolar.
— Eu estou bem, obrigada Sophie. — assegurei a ela, recebendo seu abraço.
— Obrigada %Sebastian%, fez o que eu sempre quis fazer, socar a cara daquele babaca. — disse ela com propriedade.
— Confesso que queria fazer aquilo desde a primeira vez que vi ele. — confessou ele, ao abrir a porta do seu carro para que eu entrasse.
Eu me lembrava daquele dia. O dia em que Carl me rebaixou como mulher. Me lembrar daquilo, trazia mais feridas em mim. Seguimos de volta para casa, eu disse para ele que estava tudo bem, mas %Sebastian% insistiu que não entrássemos na minha casa. Estar lá poderia me fazer lembrar o passado em meu casamento fracassado. Querendo ou não, aquela casa me proporcionava essas lembranças às vezes.
Então, pela primeira vez eu entrei na casa ao lado pela porta da frente. Foi surpreendente, ver como a reforma já estava praticamente no final. Reforma de um homem só. Era a única explicação para tamanha demora em finalizar tudo.
— %Sebastian%, eu… — respirei fundo, mas assim que ele fechou a porta e me abraçou…
As lágrimas vieram com tudo.
O abraço reconfortante dele que me fez acalmar um pouco. %Sebastian% retirou a jaqueta de mim e olhou meu braço meio roxo. Seu olhar de raiva havia retornado. Certamente se não tivesse mais pessoas naquele jantar, ele tinha socado ainda mais o Carl.
— Me perdoe. — sussurrou ele, me mantendo aninhada a ele.
— A culpa não foi sua. — disse não entendendo suas palavras.
— Se eu não tivesse te deixado sozinha. — ele realmente se sentia culpado.
— %Sebastian%. — eu o fiz olhar para mim — Pare com isso, a culpa não é sua.
Me mantive firme em minhas palavras. Não queria que ele pensasse mais nisso. Ele deu um sorriso fechado e deu um beijo suave em minha testa. Mantendo o rosto próximo, foi percorrendo seus lábios por meus rosto até tocá-los em meu ombro. Senti um breve arrepio. Me encolhi de leve, com o coração acelerado. Ele deslizou as mãos em minha cintura me trazendo para mais perto e beijou meu pescoço. Um frio passou por minha barriga. A quanto tempo não sentia isso.
— Eu não farei nada que não queria. — sussurrou ele em meu ouvido.
— %Sebastian%, eu… — segurei em seus braços.
Uma insegurança bateu em mim.
— %Nalla%. — ele se afastou um pouco e me olhou com carinho — Está tudo bem, não precisa ter medo… Mesmo que não aconteça nada, não vou te deixar sozinha essa noite.
Ele foi se aproximando lentamente, até que me beijou com doçura, deixando a intensidade crescer à medida que eu me rendia a ele.
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— Hum… — resmunguei um pouco me espreguiçando da cama.
Cama?! Mantive meus olhos fechados e apalpei os lençóis. Não reconheci aquela como sendo a minha cama.
Se não era a minha?! Abri os olhos de repente no susto. Me vi no quarto de %Sebastian%, deitada em sua cama, com a roupa da noite anterior. Bem, aquilo já era um meio alívio. O que significava que não tinha mesmo acontecido nada. A última coisa que me lembrava, era dele ter feito chá de camomila para mim e ter adormecido em seus braços sentada no sofá.
Era bom receber todo aquele cuidado vindo dele.
— Bom dia. — disse ele ao entrar pela porta com uma bandeja de café nas mãos.
— Bom… Bom dia. — me peguei surpresas com sua ação.
Ele se aproximou da cama e colocou a bandeja ao meu lado, se sentando junto.
— Trouxe o nosso café. — disse ao me dar um selinho de leve — O que foi? algum problema?
— Eu não esperava por isso. — confessei.
— Não é porque minha namorada me deixou dormindo no sofá que não posso lhe fazer uma surpresa pela manhã. — brincou ele, piscando de leve.
Eu ri junto. E sem querer ao olhar para a janela e ver a janela do meu quarto, mais uma vez a terrível lembrança do passado veio até mim. Mesmo depois de uma rara noite de sexo, Carl nunca havia feito aquilo para mim.
— Claro que pode. — abri um largo sorriso para ele — Só não posso ficar mal acostumada.
— Bem, se isso garantir que vai passar mais noites aqui, acho que vou te mimar muito. — ele sorriu com malícia.
— Seu bobo. — bati de leve em seu ombro, rindo dele.
Panquecas com geléia de morango e torradas, acompanhadas de suco natural de laranja. Eu me perguntava que horas ele tinha acordado, ou se realmente tinha dormido.
— Quando me trouxe para seu quarto? — perguntei ao dar a primeira garfada na panqueca.
—Na metade do segundo filme. — respondeu ele tomando um gole do suco.
— Eu juro que amo O senhor dos anéis, mas estava abalada demais para ver nove horas de filme. — confessei.
— Você ainda aguentou bem. — ele sorriu para mim e se aproximando me beijou de leve — Então, como é meu beijo pela manhã?!
— Tem gosto de suco de laranja. — respondi brincando.
Nós rimos. Meu celular começou a tocar. Era algumas mensagens de Sophie, dizendo que tinha ligado para minha casa. Um surto em forma de áudio veio, quando eu digitei que havia dormido na casa de %Sebastian%. Fiquei até com vergonha dele ter ouvido. %Sebastian% segurou o riso e tentou fingir que nada tinha acontecido.
Não me faz passar vergonha amiga.
ele acabou ouvindo seu áudio
aiiiiiiiiiihhhhhh
desculpa amiga
me empolguei, foi como abrir uma fanfic restrita para ler
a ansiedade das partes hot vem antes
Sophie contenha-se
Mas então, me conta tudo, como foi a primeira noite?
Como ele é na cama?
Foi selvagem ou chá de camomila?
Do que está falando?
Você não dormiu com ele?
Sophie?!
Eu disse que dormi na casa dele
e não com ele
pare de fantasiar
ai %Nalla%
que balde de água fria
estou desapontada
era o clima ideal
ele te salvou do mala do Carl
foi pra casa dele
seria a noite de amor perfeita
Só na sua história né
ah querida, se essa fanfic fosse minha
eu já teria quebrado essa cama em dois
credo
credo nada,
com um homem desses
vai olhar para o seu Will
e me deixe seguindo da minha forma
por favor?!
tá bom, sua chata
estraga fanfics
affff
agora vou ter que fazer uma visita
ao meu marido no hospital
do que está falando?
Você me deixou com vontades
descobrimos uma salinha interditada que é maravilhosa pra coisa
me poupe dos detalhes Sophie
vou tomar meu café
seu café deveria ser o vizinho
vou te ignorar
pervertida
Olhei para %Sebastian% que se mantinha em silêncio me observando.
— Imagino que tenha achado estranho minhas expressões faciais. — disse me contendo um pouco.
— Achei divertido, estou imaginando a conversa de vocês, ainda mais pelo áudio da sua amiga. — ele não aguentou e riu.
— Que vergonha. — tampei o rosto.
Porém ele se aproximou e retirando a minha mão, me deu um selinho.
— Fique tranquila, isso é normal, amigos sempre colocam muitas expectativas em nossas vidas amorosas. — disse ele com tranquilidade.
— Você já passou por isso? — perguntei curiosa
— Algumas vezes. — respondeu.
— Hum… Me deixou curiosa. — revelei.
— Stacy que chamou em particular para perguntar se nosso relacionamento era verdadeiro. — começou a contar, seu olhar se manteve sereno para mim — Eu já imaginava que ela faria essa pergunta.
— Real até quando você quiser. — ele sorriu de canto.
Parecia ser sua frase favorita.
— Ela sempre foi somente uma amiga? — indaguei.
A pergunta que não queria calar. Estava insegura.
— Sim. — respondeu direto e preciso.
— Stacy é somente uma boa amiga. — continuou — Mas, eu já tive um relacionamento conturbado com a irmã mais velha dela.
— Ah… — me pegou de surpresa — Por que conturbada?
— Não sei, divergência de ideias talvez, ou por não haver amor com tanta intensidade e devoção que nosso relacionamento exigia. — respondeu novamente com tranquilidade — Nunca parei para analisar sobre isso, mas foi melhor para ambos não prolongar o que não estava sendo saudável.
— Você ainda sente algo por ela? — essa pergunta me deixou apreensiva de certo modo.
— Não. — ele segurou em minha mão e entrelaçou nossos dedos — Atualmente, preciso confessar que existe somente uma mulher que faz meu coração acelerar, e está na minha frente agora.
Não me conte em deixar o sorriso espontâneo sair em meu rosto. Meu coração também acelerou.
— Vamos tomar nosso café. — disse meio tímida com seu olhar.
Pouco antes do almoço, recebi um convite de Finn para ver o andamento das obras na cafeteria. %Sebastian% tinha alguns assuntos para resolver em seu escritório de arquitetura. Era segunda-feira e o dever o chamava. Passei na minha casa para trocar de roupa e segui para o Liberdad Café. Meu amigo estava lá conferindo para detalhe da obra. Fiquei feliz por ele e por seu sonho não ter sido frustrado.
— Finn. — disse ao me aproximar.
— %Nalla%! — ele me olhou empolgado.
Nos abraçamos como cumprimento e ele me levou para o interior do lugar. Me mostrando cada parte da nova cafeteria. Meu amigo só não me mostrou o novo cardápio, pois segundo ele, era surpresa para inauguração. Mas me fez uma proposta de vender minha receita de panqueca para ele. Prometi que pensaria em sua proposta. O valor era generoso e incluía eu ensinar o modo de preparo, para a sua investidora e agora sócia, chamada Mia Baker.
— Estou muito feliz por você meu amigo. — disse ele também com meus olhos brilhando — Quando a reforma terminar, vai ficar lindo.
— Sim. — ele concordou empolgado — E saiba que se quiser trabalhar aqui novamente, sua vaga é garantida.
— Você já terá uma bela chef ao seu lado, não vai precisar de mim. — assegurei.
— Seu tempero supera todos os chefs de Manhattan, pode apostar.
— Agradeço pelo elogio. — sorri para ele.
— E como estão as coisas sem seus filhos? — perguntou ele — Jenie me mandou uma mensagem pedindo para estender as férias até o final.
— Parece que estão se divertindo sem nós.
— Molly retorno no próximo final de semana. — contei a ele — Ela foi convidada a participar de um show de talentos no Brooklyn, acredita?
— Sério? Nossa joaninha está ficando famosa? — brincou ele.
— Parece que sim. — eu ri — Os três primeiros lugares do concurso da escola dela foram convidados.
— É assim que começa. — disse ele — Mas quando vier a fama, não a deixe se perder.
— Claro que não, minha filha terá seu tempo para querer e ser uma criança. — garanti.
Conversamos mais um pouco até que ele precisou ir resolver algum problema. Voltei para casa pela estação de metrô. Tive que caminhar algumas quadras, mas fez bem para minha circulação. Quando cheguei em casa, liguei o notebook para trabalhar na revisão do texto que Sunny tinha me enviado. Foi quando olhei minha caixa de email, lá estava um de Genevieve.
Fiquei surpresa e feliz ao mesmo tempo, fazia tempos que não a via. No corpo do texto do email, ela lamentava por minha demissão e prestou solidariedade pelo que eu tinha vivenciado. Mais à frente, ela me perguntou se eu ainda gostava de escrever artigos. A resposta era óbvia. Peguei meu celular e liguei para ela.
Genevieve me explicou que estava montando um projeto, mas não queria falar os detalhes, mas precisava de um artigo escrito pela melhor redatora de sua antiga equipe. Ela até ofereceu uma boa quantia generosa por isso. Por mais que eu quisesse prestar esse favor a ela de graça, eu aceitei a grana. Minha situação financeira não me permitia recusar.
Porém, o mais incrível foi o tema do artigo: Fanfics.
—
O que?! — gritou Sophie ao telefone quando lhe contei, da ligação para Genevieve.
— Calma Sophie, não surta. — disse mantendo minha voz baixa.
—
Amiga, você tem noção disso? É a prova de que fanfics vão dominar o mundo. — continuou ela em euforia —
É agora que eu vou descer toda a minha lista de indicações para você, começando pelas restritas pra ver se te motiva em seu relacionamento. — Sophie? — eu a repreendi — Foco, e pare de se preocupar com meu namoro.
— Então, o que deseja saber? — perguntou ela — Eu serei sua mentora.
— Suas palavras me dão medo. — afirmei abertamente.
— Credo %Nalla%, falando assim até parece que vou te desvirtuir. — ela se mostrou ofendida.
— Ok, me conte um pouco sobre suas experiências com fanfics, vou anotar aqui no meu bloco de notas, para iniciar minhas pesquisas.
— Que mané pesquisa, a gente entende fanfic é lendo fanfic, vou te mandar no whatsapp todos os links, comece pelas shortfics, ok?
— Short ou que? — já ia começar ela com suas nomenclaturas.
— Ai amiga, se você quer saber das coisas tem que saber a fundo, primeiro vou te mandar o alphabeto dos termos das fanfics, e depois os links das minhas histórias favoritas.
Nós encerramos a ligação e eu deixei que minha amiga me enviasse tudo. Ela estava se sentindo como uma PhD ensinando sua aprendiz. Mas estava feliz por poder contar com a ajuda de minha amiga. No dia seguinte, acordando bem cedo, comecei minhas pesquisas. Assegurei a Genevieve que entregaria o artigo de cinco páginas em word, com definições, depoimentos e indicações de histórias.
A última parte me deixou insegura, eu não poderia indicar histórias através das leituras e gostos da Sophie. Eu teria que me afundar nesse universo maluco e conhecer por mim mesma as histórias que nele continha.
Respirei fundo abrindo o primeiro link.
E logo a mensagem de restrição apareceu na tela. Um frio na barriga.
Segundo a Sophie, era uma fanfic interativa, em que eu poderia escolher o nome das personagens principais.
Aquilo me deixou impressionada.
Eu vou tomar deste copo,
Transbordante,
Eu não sei o que fazer esta noite,
It’s the love shot.
- Love Shot / EXO