Moonlight


Escrita porPams
Editada por Natashia Kitamura


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Mesmo com a mente paralisada pelo cenário em que eu me encontrava, meu corpo se moveu involuntariamente saindo daquele lugar. Corri até as escadas, não queria esperar o elevador, ao passar pelo saguão do edifício, fui trombando nas pessoas que estavam por lá. As lágrimas continuaram rolando pelo meu rosto, eu não sabia onde ir, o que fazer, somente queria sair dali. Minhas pernas continuaram movendo meu corpo sem direção certa, parei de correr e comecei a caminhar, meu coração acelerado, meu rosto molhado. Aos poucos fui despertando do transe em que me encontrava, e logo minha audição se abriu para o toque do celular. Olhei para a tela, várias chamadas perdidas e uma de Sophie em execução.
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  — Sim. — disse ao atender.
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  — Amiga, onde você está? Estou te ligando às tempos, vai se atrasar para a entrevista, já estou aqui no Central Park te esperando. — sua voz estava afobada do outro lado da linha.
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  — Eu não vou.
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  — Mas por quê?
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  — Ele me trai. — respondi direta, com as lágrimas rolando em minha face.
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  — Quem te trai?
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  — Carl.
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  — Onde você está?
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  — Não sei. — disse olhando em minha volta.
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  — Ok, trate de se mover até o estúdio de dança. — sua voz tinha traços de ordem — Estou indo para lá.
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  Encerrei a ligação e fiquei olhando para tela. Pensei se realmente deveria ir. Talvez desabafar e chorar em seu ombro. Respirei fundo e dei meia volta, não sabia mesmo onde estava, mas sabia como chegar no estúdio onde ela dava aulas. Ficava em uma área nobre de Upper East Side, em Manhattan. Segui o longo trajeto a pé até chegar, Sophie já me aguardava na recepção. Assim que vi minha amiga, desabei a chorar de novo. Ela me abraçou com carinho tentando me consolar, mas continuou em silêncio. Assim que nos afastamos uma da outra, ela segurou em minha mão e guiou até a sua sala de dança. Caminhamos até a janela e nos sentamos nas cadeiras que ela deixava de apoio, então Sophie me fez contar tudo que eu vi. Foi difícil dizer, era como se eu visse a cena novamente na minha frente. Fez meu estômago embrulhar mais uma vez.
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  — Que babaca. — xingou ela ainda mais revoltada.
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  — É isso, me desculpa amiga, mas não tenho condições mentais para nada hoje. — me encolhi na cadeira, limpando mais uma lágrima.
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  — Não, não, isso é um fato, não vou te obrigar a ir na entrevista. — assegurou ela.
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  — Eu não quero voltar para casa, não hoje. — sussurrei.
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  Poderia estar agindo como uma adolescente novamente, fugindo dos problemas, mas eu não tinha forças para enfrentá-los, não naquele momento. Sophie sorriu para mim e me olhou com compaixão.
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  — Vamos fazer o seguinte, eu ligo para a Genevieve e remarco a entrevista, então ligo para o Joe e peço a ele que durma na casa dos seus pais com a Molly, e você fica lá em casa essa noite. Tenho certeza que o Will não vai se opor. — seu olhar sereno passava-me muita segurança.
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  Eu tinha uma boa amiga, isso não podia negar.
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  — Agradeço pelo amparo Sophie. — sussurrei com os olhos lacrimejando novamente.
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  — Amigos são para isso. — ela piscou de leve e se levantou da cadeira — Vou fazer as ligações, enquanto isso, tente recuperar as forças um pouco.
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  Sophie se afastou já digitando no celular. Eu voltei meu olhar para a janela, olhando os carros passando na rua, me desliguei por um momento lembrando do passado. Do dia em que por sorteio tive que fazer um trabalho de literatura com Carl dando início a nossa história. Naquela época Sophie vivia dizendo que minha vida parecia filme teen do Disney Channel, o que rendia muitas risadas nossas. Mas depois do The End daqueles filmes, a vida real continuava, e toda a sua carga de pressão e sobrevivência também.
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  — Pronto amiga. — disse Sophie ao voltar — Quer ir agora?
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  — Não. — sussurrei.
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  — Tudo bem. Quer ficar sozinha?
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  — Não.
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  Ela assentiu e se sentou na cadeira em minha frente. Permaneceu em silêncio me observando. Deve ter sido entediante para ela. Minha amiga é do tipo de pessoa cheia de energia e totalmente hiperativa e agora estava ali, quietinha comigo. E ficamos por um longo tempo assim, até que ela me puxou pela mão e me levou para sua casa. Quando chegamos no seu apartamento no Brooklyn, Will estava na cozinha fazendo alguma coisa.
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  — Boa noite, girls. — disse ele ao entrar na sala, deu um leve sorriso e caminhou até Sophie, lhe dando um selinho rápido — Pedi pizza caso estejam com fome.
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  — Pizza? — Sophie o olhou.
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  — Quatro queijos, como você gosta. — ele piscou de leve para ela.
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  — Esse é meu marido. — ela abriu um largo sorriso de satisfação.
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  — Eu não estou com fome. — disse em tom baixíssimo.
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  — Vem amiga, vou preparar o quarto de hóspedes para você. — disse ela.
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  Assenti com a face e a segui até o segundo quarto do apartamento. Os pais do Will não eram ricos, mas tinham presenteados eles com aquele apartamento. Se localizava na parte um pouco mais nobre e segura do Brooklyn, bem próximo a Manhattan. Sophie abriu a porta do quarto e me deixou entrar, me deixou alguns minutos sozinha e logo retornou com uma roupa de cama nas mãos. Trocando os lençóis que estavam na cama pelos limpos que trouxe, e deixando uma toalha nos pés da cama.
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  — Caso queira tomar um banho. — disse ela.
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  — Obrigada Sophie.
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  Eu recebi outro abraço apertado dela, que me fez segurar as lágrimas. Me afastei e me sentei na cama, encostando na cabeceira e mantendo meu olhar na janela. Senti a movimentação dela para sair do quarto, assim como a aproximação de Will.
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  — Como ela está? — perguntou ele.
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  — Ela me parece um pouco apática, mas sei que por dentro ela está em pedaços. — respondeu minha amiga.
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  — Eu conheço o Carl desde o jardim de infância, nunca imaginei que ele seria tão babaca assim. — comentou ele — Como pode fazer isso com a %Nalla%, depois de todos esses anos que ela se dedicou a ele.
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  — Nem me fale, babaca só é pouco, aquele filho da… — ela prendeu sua indignação.
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  Mas sabia que Sophie estava mais do que furiosa com isso. E ela nem tinha sido a vítima.
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  — Vamos deixá-la descansar. — a voz dela soou mais calma e pacífica — Amanhã será um novo dia em que ela terá que enfrentar.
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  Sim. Eu teria que enfrentar o amanhã. Mas não queria que ele chegasse ainda. Eu me considerava uma mulher forte por ter passado por tantas coisas ao longo desses 16 anos e nunca ter surtado ou pensado em largar minha família. Então é assim que o amor termina para um casal? Com uma traição? Fiquei uma boa parte da noite olhando a janela pensando sobre isso. Será que o Carl me amou de verdade algum dia? Ou eu fui a única a ter esse sentimento? Na manhã seguinte, acordei com o cheiro do café invadindo o quarto. Me levantei e percebi que ainda estava com a roupa de ontem, nem mesmo um banho eu consegui tomar. Quando cheguei na cozinha, Sophie estava terminando de colocar as coisas na mesa.
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  — Bom dia flor do dia. — ela sorriu graciosamente para mim — Conseguiu dormir?
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  — Acho que sim. — mantive meu tom baixo e encostei na parede — O Will já foi para o trabalho?
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  — Sim, ele tinha que chegar cedo no hospital hoje. — respondeu ela, ao passar o dedo indicador na pasta de amendoim e por na boca.
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  — Ele está fazendo plantão ainda?
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  — Não, o diretor está cortando as horas extras e agora que ele está a um passo que conseguir ser o cardiocirurgião chefe. — explicou — Só falta o dr. Stevens se aposentar.
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  — Vai demorar. — brinquei.
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  — Espero que não, mas enquanto isso, ele tem que se mostrar um aprendiz aplicado, não dá pra ficar só contando com o QI alto dele. — ela riu — E então?
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  — Então, o que?
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  — Carl me ligou agora de manhã, perguntando se você passou a noite aqui.
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  — E o que disse?
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  — Disse que sim.
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  — Poderia ter mentido dessa vez. — deu alguns passos até a cadeira e me sentei.
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  — Sua mãe também ligou, as crianças dormiram lá e já foram para a escola. — ela mordeu o lábio inferior.
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  — Você contou a ela. — presumi.
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  — Por alto, disse que você teve uma briga com ele. — ela se sentou na cadeira de frente para mim — Mas ela vai querer saber de tudo.
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  — Não posso fugir para sempre.
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  — Quer companhia?
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  — Não, eu vou sozinha, preciso encarar isso sozinha amiga.
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  — Se precisar de um advogado, tenho uma lista.
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  — Se eu precisar, já sei quem recorrer.
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  — Tudo bem.
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  Mike. Era o único nome que vinha em minha mente. Talvez suas palavras na tarde de ontem fossem uma premonição de que eu descobriria mais cedo ou mais tarde a traição de Carl. Após o café da manhã na casa de Sophie, peguei um uber e fui para casa dos meus pais. Papai se encontrava na garagem mexendo no seu velho carro, ele dizia que era um clássico, mas vivia dando defeitos. Já minha mãe, estava no quintal dos fundos regando sua horta de temperos. Me mantive em silêncio até que ele percebeu minha presença e parou o que estava fazendo. Eu e minha mãe não tínhamos um bom relacionamento desde o dia em que anunciei minha gravidez, e as coisas só foram ladeira abaixo após meu casamento. Estava com medo da reação dela.
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  — Aquele patife. — disse meu pai em fúria assim que terminei de contar a mesma história a eles — Você deve exigir o divórcio, e expulsá-lo daquela casa.
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  — Expulsar? A casa é dele querido, nossa filha que será jogada na rua. — a voz ríspida da minha mãe estava ativada — Tanto que eu falei sobre aquele playboyzinho de merda, tanto que eu avisei que ele não prestava, que você merecia algo melhor. Está aí o castigo por não ouvir sua mãe, deixou a faculdade para ficar com ele e agora foi trocada por uma mulher graduada.
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  — Nossa filha já está sofrendo Agnes. — meu pai tentou intervir.
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  — Está satisfeita agora por ter levado adiante a gravidez? — perguntou ela com mais agressividade.
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  — Agnes já chega. — a voz do meu pai ainda se mantinha baixa.
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  — Está satisfeita por ter interrompido todo um projeto de vida para ser uma esposa traída agora?
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  — JÁ CHEGA AGNES! — meu pai gritou se levantando do sofá — Nossa filha já está o suficiente abalada com tudo isso, não piore as coisas.
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  — Eu estou bem pai. — me levantei do sofá e forcei um sorriso — Eu só vim para explicar o que está acontecendo.
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  — Você vai mesmo ficar bem? — meu pai me abraçou novamente — Sabe que pode voltar para nossa casa com os meninos, quartos aqui é que não falta.
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  — Eu tenho minha casa, e não vou sair dela. — voltei meu olhar para minha mãe — Já estou indo.
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  Se minha mãe tinha algum desgosto com minha escolhas, ela se orgulhava com a vida perfeita que Margareth construiu. Minha irmã mais velha cursou economia e em pouco tempo já tinha sido promovida a diretora financeira na transportadora em que trabalhava. Se casou ao completar 27 anos com o Mark, sobrinho do dono da empresa, três anos depois ficou grávida do Jacob. Essa era a vida que minha mãe sonhava para mim, uma grande realização profissional, antes do casamento. De certa forma ela não estava errada, só queria o meu bem. Não podia culpá-la.
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  Voltei para casa no final da tarde, após dar algumas voltas no Central Park com Molly. Tinha pegado ela mais cedo na escola, com a desculpa de termos dentista. A diretora Joyce é legal e nos liberou. Molly não entendeu nada, mas se divertiu horrores depois que nos empanturramos de algodão doce.
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  — Mamãe, está tudo bem? — perguntou ela ao entrarmos em casa — Você está doente?
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  — Por que pergunta isso?
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  — Nos filmes, quando as mães estão doentes, elas fazem isso. — explicou ela — Passam o dia com os filhos, de forma aleatória.
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  — Se eu estivesse doente, deveria ter levado Joseph conosco não acha? — retruquei.
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  — Verdade. — ela fez uma cara pensativa.
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  — %Nalla%. — a voz de Carl veio da direção da cozinha.
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  Virei meu rosto e ele estava na porta nos olhando. Senti nojo ao ver aquele olhar de: nada aconteceu.
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  — Molly, vai tomar um banho e fazer sua lição de casa, preciso conversar com o papai. — pedi a ela dando um sorriso no final.
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  — Tudo bem. — ela sorriu de volta e saiu saltitando até a escada.
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  Mantive o sorriso no rosto até ela desaparecer no meu campo de visão. Então voltei a ficar séria e olhei para o cinismo em pessoa.
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  — Vamos para a cozinha. — disse caminhando em sua direção.
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  Passei por ele segurando minha raiva e frustração, e me coloquei ao lado da geladeira, o olhando fixamente.
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  — Eu não vou encobrir o que você viu. — ele iniciou.
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  — Agradeço por não se dar o trabalho de mentir novamente. — tentei ao máximo manter minha voz firme.
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  — Então serei mais direto ainda...
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  — Se está falando do divórcio, não vou me opor, eu também quero. — disse o interrompendo — E tudo relacionado a isso você poderá tratar diretamente com meu advogado.
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  — Que advogado.
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  — O Mike, soube que ele é o melhor do país quando se trata desses assuntos. — eu vi uma forte explosão de raiva nos olhos dele.
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  Será que aquilo poderia ser considerado uma pequena vingança?
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  — O Mike?! — ele deu uma risada rápida — Veremos então.
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  — Se não tem mais nada para falar…
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  — Não quer saber o motivo?
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  — E um homem tem que ter motivo para ser um babaca e trair a esposa? — retruquei voltando meu olhar para a janela, deixando minha visão na casa ao lado — Lhe falta caráter, essa é a explicação.
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  — Não, o que me falta é uma mulher de verdade. — ele jogou essas palavras em mim com certo prazer no olhar — E isso você nunca foi para mim.
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  — O que?! — voltei meu olhar para ele.
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  Suas palavras caíram como uma tipo de açoite em mim, algo que me feriu com profundidade. Segurei as lágrimas que ao longo do dia se mantiveram presentes querendo sair dos meus olhos.
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  — Eu só me casei com você por causa da gravidez, por meus pais terem me pressionado, mas agora me sinto aliviado por me livrar disso. — a sinceridade era nítida em sua voz — Me arrependo do dia em que te convidei para ir ao cinema.
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  — Se arrepende dos nossos filhos também?! — prendi o quanto pude meus sentimentos feridos, para não desmoronar diante dele.
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  — Se não fosse com você teria sido com qualquer outra mulher. — as palavras soavam com tanta serenidade dele.
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  — Eu não o forcei a ficar tanto tempo casado comigo, se não gostava de mim. — retruquei.
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  — Conveniência talvez. — ele colocou as mãos no bolso da calça, parecia escolher as próximas palavras — Mas parando para pensar, depois de um tempo convivendo com você, até mesmo ao te ver cozinhando eu me sentia entediado.
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  — Vai embora daqui.
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  — O que?! Agora quer agir como uma mulher durona?
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  — Sai daqui Carl.
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  — E porque eu deveria, esta casa é minha.
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  — Vai descobrir que não será mais. — eu apontei para a porta — Agora vai embora daqui.
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  De magoada, eu estava me sentindo raivosa. Assim que ouvi o som da porta batendo, desabei no chão da cozinha junto com as lágrimas. Meu coração se apertou ainda mais assim que suas palavras voltaram em minha mente: “o que me falta é uma mulher de verdade”. Então ele nunca me viu assim? Por isso ele sempre me evitava? Orgulho, autoestima, eu já não sabia mais o que em mim estava ferido. Mas eu tinha dentro de mim que iria ferir Carl onde ele mais se assegurava, no trabalho e Mike me ajudaria.
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  — Mãe?! — Joseph se aproximou de mim e agachando, me abraçou de maneira confortável e com segurança — Ele nunca te mereceu mãe.
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  — Você ouviu?
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  — Tudo. — sussurrou ele — Eu estou com você.
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  — Obrigada querido. — eu me aninhei nos braços do meu filho.
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  Aquele gesto dele me mostrava que eu sou uma boa mãe e o tinha criado muito bem. Meu filho é atencioso, carinhoso e respeitador. Estava certa que no futuro, ele jamais agiria assim com sua esposa.
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  — Mamãe?! — Molly apareceu na porta toda encolhida — O que faz no chão com o Joe?
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  — Querida. — eu me afastei um pouco dele limpando a lágrima — Não fazemos nada.
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  — Vem aqui Molly, a mamãe precisa de um abraço coletivo. — disse Joe.
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  — Tudo bem. — ela correu até nós e pulou em meu colo, então me deu um beijo na bochecha e me abraçou — Te amo mamãe.
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  — Também te amo minha princesa. — sorri de leve.
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  — Onde está o papai para o abraço coletivo?
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  — O papai não vai mais morar aqui. — respondeu Joseph.
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  — Por que mamãe? O papai fez algo errado?
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  — Sim. — respondi.
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  Molly já tinha 10 anos. Idade suficiente para entender o que estava acontecendo.
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  — Seu pai me traiu com outra mulher. — expliquei sem rodeios — Por isso vamos nos divorciar.
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  — Assim como os pais da Kim?!
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  — Sim. — assenti — Mas quero que se lembre que ele continua sendo pai de vocês, ele errou foi comigo.
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  — Para mim ele errou com todos nós. — Joseph se levantou.
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  — Não diga isso filho. — eu me levantei junto — Ex marido não significa ex pai.
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  Joseph ficou me olhando ainda revoltado, mas ele sabia que eu estava certa. Assegurei a ele que independente de tudo, ficaria com a guarda deles, eu sabia que Carl não seria tão responsável assim para ficar com nossos filhos e nem deixaria mesmo se fosse o caso. Respirei fundo e sorri para eles, não queria que meus filhos me vissem mais triste, principalmente Joseph.
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  — Quem quer pizza para o jantar? — sugeri.
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  — Mamãe sugerindo pizza? — Molly se assustou.
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  — Acho que estamos entrando em um novo tempo. — brincou Joseph.
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  — Ei. — eu cutuquei ele de leve — Só não irei cozinhar hoje, porque estou cansada e com vontade de comer pizza.
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  Minha explicação não era nada convincente, mas eles entendiam o motivo. Nossa noite foi divertida em meio a uma maratona de desenhos da Pixar, a começar por Ratatouille, o meu favorito. Pouco antes da meia noite, pausei Divertida Mente e peguei Molly no colo, ela estava mais pesada do que o normal. Ou era eu que estava ficando sem coluna?
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  — Deixa que eu levo ela. — disse Joseph ao despertar.
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  — Está tudo bem. — assegurei.
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  — Não está. — ele se levantou e pegou Molly — Vai descansar mãe.
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  — O que eu fiz para merecer você como filho?! — senti meus olhos brilharem.
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  — Você é a melhor mãe do mundo. — ele beijou minha bochecha e subiu primeiro com a irmã.
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  Suspirei fraco e voltei meus olhos para a televisão. Não estava com sono e se fosse para o quarto, minha mente seria tomada pelos maus pensamentos. Me sentei novamente no sofá, enrolei na manta que tinha levado e apertei o play. Nem sei dizer se meu sonho chegou no final de Toy Story 4 ou no início de Valente, mas acabei adormecendo ali mesmo na sala. Logo pela manhã me levantei com o sol brilhando na cara e Joseph na cozinha preparando o café da manhã. Meu filho cozinha?
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  — Desde quando sabe mexer no fogão sem colocar fogo na casa? — brinquei ao entrar na cozinha e ver Molly sentada saboreando uma panqueca improvisada pelo irmão.
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  — Não é tão gostosa quanto a sua mamãe, mas o Joe sabe cozinhar. — Molly riu ao tentar elogiar ele.
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  — Agradeço a sinceridade Joaninha. — ele sorriu e piscou para ela — E esta é a sua mãe. — ele esticou o prato para mim mostrando e o colocou sobre a mesa.
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  — Obrigada. — me sentei e ao sentir o aroma convidativo, deu a primeira garfada sendo surpreendida pelos dotes culinários do meu filho — Onde aprendeu a cozinha seu gamer misterioso?
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  — Com você. — respondeu tranquilamente ao se sentar também.
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  — Comigo? — por essa não esperava.
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  — Sim, te observando. — explicou — Mas como nunca sai da cozinha, eu não consegui realizar nada ainda, queria fazer uma surpresa.
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  — Hum… Que orgulho. — sorri para ele.
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  Foi bom tomar café da manhã com meus filhos. O ônibus da escola veio pegá-los pontualmente. Aproveitei a deixa para tomar um banho, trocar de roupa e fazer uma visita ao meu advogado. Ao chegar em frente ao edifício da InH senti um mal estar, o que me levou a pegar o cartão do Mike de dentro da bolsa e ligar para ele pedindo para me encontrar na rua.
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  — %Nalla%. — disse ele ao se aproximar de mim.
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  — Tem algum lugar aqui perto que podemos conversar? — perguntei — Não quero entrar ali.
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  — Eu te entendo. — ele virou a face para rua — Tem um café ali na esquina, podemos ir lá.
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  — Tudo bem então, se não se importa, eu quero que uma amiga participe da nossa conversa, posso ligar para ela?
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  — Claro, fique à vontade.
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  Me afastei um pouco dele e fiz minha ligação para a Sophie, ainda não tinha dado notícias para ela. Assim que disse onde estava, ela soltou um grito de dizendo que chegava em minutos, me deixando meio assustada com sua reação. Segui com Mike até a cafeteria e nos sentamos perto da vidraça, assim seria fácil para Sophie nos encontrar.
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  — Então… — ele me olhou tranquilamente.
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  — Você sabia sobre o caso do Carl com a Solar?
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  — Infelizmente sim, todos no escritório suspeitavam. — ele pigarreou um pouco — Eu lamento.
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  — Não lamente, só seja meu advogado e me diga quanto vai cobrar. — disse diretamente.
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  — Serei sim seu advogado, mas não irei cobrar nada, tenha isso como um apoio meu e do senhor Dominos, nós temos muito respeito por você.
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  — Obrigada.
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  — Ah, finalmente cheguei. — disse Sophie ao se aproximar e sentar na cadeira ao meu lado — Eu disse que estava aqui perto.
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  — Sophie, este é Mike do escritório da InH.
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  — Ah Mike, eu me lembro de você no aniversário da empresa que eu fui. — comentou ela.
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  — Também me lembro de você.
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  — Então, o que perdi da conversa?!
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  — Meu divórcio não terá custos para mim.
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  — Sem honorário?! — ela olhou para Mike impressionada.
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  — Um presente de amigo.
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  — Hum.. — ela voltou seu olhar sugestivo para mim.
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  — Então Mike, como será, o que devo fazer?
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  — Bem, se ambos estiverem de acordo já é o começo, posso forçar alguns argumentos e conseguir que fique com a guarda total e a casa. — adiantou ele — Se quiser posso fazer mais.
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  — Não, a casa está bem para mim, de qualquer forma nos casamos com comunhão de bens. — assegurei.
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  — Isso é bom, vou trabalhar em cima disso e garantir que consiga a casa, ele terá que pagar a pensão para seus filhos e para você, já que está desempregada.
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  — Não, para mim não, não quero mais nada que venha dele, posso me sustentar sozinha. — garanti.
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  — Que orgulho amiga. — Sophie sorriu.
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  Eu ainda não sabia como conseguiria isso, mas iria sobreviver a essa tempestade de cabeça erguida.
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  — Quero apenas que ele deposite a pensão das crianças na conta que fizemos para a universidade. — pedi — E que essa conta fique em meu nome, eu não confio no Carl.
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  — Por mim, você arrancava até as calças dele. — comentou Sophie.
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  — Fique tranquila Sophie, se tem algo que a gente leva da vida é colher o que se planta. — disse a ela.
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  — Disso você tem razão. — concordou Mike.
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  Ficamos mais algum tempo conversando e Mike me disse que daria entrada no pedido de divórcio ainda essa semana, levaria alguns dias para chegarmos diante do promotor. Como era em comum acordo, não chegaria no juiz. Assinei os papéis do pedido e deixei o resto em suas mãos.
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  — Uau. — disse Sophie ao nos afastarmos dele — Que advogado, sabe se ele é solteiro?
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  — Porque a pergunta Sophie, você é casada.
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  — Não para mim, mas para você amiga. — ela me olhou com malícia — Imagina a reação do Carl.
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  — Ah Sophie, por favor, não começa. — revirei os olhos e segui na frente.
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  — Não começa o que? Aquele babaca disse que você não é uma mulher, isso é porque ele não é um homem de verdade. — comentou ela — Você precisa de alguém másculo que nem o Mike.
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  — Aff… O que eu menos quero agora é me envolver com um homem, consigo muito bem viver sozinha, já estava vivendo e não sabia. — continuei a caminhar na frente.
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  — Espera amiga. — ela apertou o passo para me alcançar — O que eu disse é sério.
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  — Eu também.
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  Nós rimos um pouco.
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  Nos dias seguintes mantive uma rotina em casa, teria que esperar Genevieve voltar de sua viagem de férias para Toscana, para finalmente ter minha entrevista e quem sabe conseguir um emprego. Enquanto isso, fiz um acordo com Finn, dono da Liberdad Café, a cafeteria mais procurada do bairro, ele tinha se apaixonado por minhas panquecas e mesmo não dando a receita para ele, consegui uma vaga de meio período em sua cozinha no turno da manhã. Receberia 50 dólares por hora trabalhada que ajudariam a pagar as contas por enquanto.
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  — Que estranho… — sussurrei ao acordar ouvindo um constante barulho — Essa rua já foi mais silenciosa pela manhã.
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  Bem, aquela rua só não era silenciosa na época das férias com as crianças de todos em casa, fora isso era tranquilidade total. Porém, naquela manhã algo estava totalmente diferente, o que me levou a levantar da cama e perceber que já se passava das 9 e as crianças já tinham ido para aula.
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  — Oh não, dormi demais. — sussurrei.
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  Minha vida noturna tinha ficado diferente ao passar as madrugadas vendo filmes da Netflix, estava tão vidrada nisso que daqui a pouco eu zero o catálogo. Mas desta vez, passei a noite anterior vendo Joseph jogar, ele parecia estar participando de um campeonato regional e vibrei muito quando ele disse que seu time tinha vencido. Mesmo não entendendo nada daquele jogo maluco, mas era o sonho do meu filho e eu apoiaria. Que se dane a opinião do Carl. Me espreguicei de leve e troquei de roupa, peguei o celular e vi duas mensagens de Sophie dizendo que passaria na minha casa antes de ir para o estúdio de dança. Então desci as escadas para entender o que acontecia, já que o som vinha da casa ao lado.
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  Dei alguns passos até a janela, estava curiosa para descobrir o que acontecia na casa ao lado com todo aquele barulho, afinal nossa vizinhança era sempre silenciosa e pacata naquela época do ano, sem grandes novidades além da minha vida privada que havia se tornado o assunto de interesse do momento. Ainda me perguntava se aquelas senhoras realmente tinham o que fazer em suas casas para me ligarem todos os dias. Logo vi um caminhão de mudanças, parado na casa ao lado, já havia me esquecido que aquele lugar esteve tanto tempo vazio e abandonado. Era de se admirar que as paredes ainda se sustentam de pé. O senhor Omar faleceu há mais de dez anos e desde então a casa esteve vazia sem propósito e sem vida. Até agora pelo que está parecendo.
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  Voltei meu olhar para as mesmas senhoras casadas que não tinham nada para fazer em suas casas, estavam todas espalhadas pela varanda da senhora Philips. Aquele era o ponto de encontro da fofoca em nossa rua. Todos com seus olhares fixos em algo ou alguém. Observei o olhar atento de Freya, ela havia se casado pela sexta vez recentemente e também estava ali, por um breve momento percebi que estava salivando de forma discreta. O que elevou ainda mais minha curiosidade para saber o foco da atenção dela. Me movi para a porta, destranquei e girei a maçaneta devagar, não queria que achassem que eu estava com a mesma intenção que elas. Não me importava com a pessoa que tinha se mudado, mas queria entender tamanha fascinação nos olhares daquelas mulheres, fascinação essa que não tinham pelos seus maridos.
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  Saí para a varanda da entrada e peguei o regador que sempre deixava no canto ao lado da porta. Era a minha deixa para mostrar que estava somente fazendo meus afazeres domésticos. Dei alguns passos até a lateral esquerda, olhando discretamente para os homens de descarregava o caminhão de mudanças. Então era certo de que tinham comprado a velha casa do senhor Omar. Derrubei um pouco da água do regador no primeiro vaso do beiral, toquei de leve em uma das pétalas do girassol, me causando certa distração repentina.
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  — Cuidado com essas caixas, por favor. — uma voz masculina e levemente grossa soou ao lado.
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  O que me fez olhar de forma involuntária e imediata. Então aquele era o foco de atenção das senhoras do outro lado da rua. Um jovem rapaz que aparentava seus 25 anos, comandando todos os outros homens que transitavam ali. Ele mantinha uns papéis em suas mãos, como também sua atenção longe das fãs que o secavam. O all star branco e surrado nos pés se combinava com o jeans rasgando na região da coxa, que pareciam ser grossas. Subi um pouco mais o olhar e me atentei para seu rosto jovem e levemente charmoso. Ou melhor, atraente, certamente nas palavras de minha amiga Sophie, se ela estivesse aqui agora. Era mesmo um jovem bastante bonito e que atraía com facilidade a atenção de qualquer mulher. Me pergunto, se ele foi quem comprou aquela casa. O que faria ele em uma rua tão parada como aquela?
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  Era curioso aquilo. O observei mais um pouco pegando algumas caixas também e levando para dentro da casa. Repetindo aquilo por mais algumas vezes até que ele parou repentinamente e me olhou. A princípio senti a necessidade de desviar o olhar e continuar o que estava fazendo, mas meus olhos se mantiveram totalmente fixados nele, por um breve momento meu olhar desceu até sua t-shirt branca visivelmente molhada de suor. Um nó se formou em minha mente assim que meu entendimento me fez perceber as linhas definidas do seu abdômen. Selo Chris Marvel qualidade? Acho que é assim que Sophie sempre se referia a homens com o corpo bem definido. E realmente acho que era esse o motivo das senhoras estarem tão atentas aos movimentos daquele novo vizinho.
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  — Oi. — disse ele ao se aproximar da minha varanda.
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  — Ah… — eu desviei meu olhar para o girassol, tentando entender como pude encará-lo daquela forma — Bom dia, senhor.
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  — Por favor, não cheguei nem aos trinta. — ele riu de leve, me fazendo olhá-lo novamente — Me desculpe pelo barulho, acho que estou incomodando a todos hoje.
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  — Não, mudanças são assim sempre. — disse ponderadamente.
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  Já tinha me mudado duas vezes e sabia a dor de cabeça que causava.
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  — Nos próximos dias será assim também, se eu te incomodar, por favor me avise.
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  — Claro. Agradeço por se preocupar. — eu me afastei do beiral voltando para a porta.
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  Já sentia a intensidade dos olhares do outro lado da rua.
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  — Ah propósito, posso saber o nome da minha nova vizinha?
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  Nova? Se ele soubesse minha idade não diria isso.
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  — %Nalla%. — respondi.
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  — Prazer %Nalla%, meu nome é %Sebastian%. — ele abriu um singelo sorriso que me cativou um pouco.
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  E agora eu sabia o nome do novo dono da casa ao lado. Eu sorri de volta e entrei novamente para dentro. Me aproximei de leve da janela e observei, ele havia permanecido parado, continuava olhando para minha casa com um sorriso no rosto. %Sebastian%.
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Não ligo se é veneno, tomo tranquilamente
Nenhuma tentação pode ser mais doce ou forte que você.
- Last Romeo / Infinite

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