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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Doce Trapaça

Escrita porZsadist Xcor
Revisada por Lelen

Parte do Pop-Up Criativo #2 – Escreva seu livro.


Capítulo 1

  Rodrigo passava pela melhor fase de sua vida artística e financeira.
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  Sob o pseudônimo Alya, desfrutava dos benefícios que a carreira como cantora drag lhe proporcionava — isso quando sobrava tempo para tal e as ocasiões eram raras.
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  Por viver no anonimato graças a escolha de ocultar a identidade, conseguia sair com os amigos e os familiares sem se arriscar a ser abordado por fãs. Os levava para restaurantes de excelência, teatros, passeios e viagens. Lhes permitia usufruir do dinheiro bem investido em doze anos de carreira, em especial nos últimos seis anos por fechar contrato com grande gravadora — mesmo que Rodrigo não pudesse acompanhá-los pela agenda repleta de compromissos.
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  A mãe insistia para o filho estar presente nos eventos, ao contrário da filha, que o estimulava a seguir com interesse monetário.
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  — Não se preocupe, mãe — Annanda dizia certa manhã no aeroporto antes de embarcarem no avião com destino à Itália. — O Rodrigo nos acompanha na próxima.
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  No aeroporto, pensava nos benefícios de viajar de primeira classe. Aproveitaria a experiência da melhor forma na companhia da mãe.
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  — O amanhã nunca chega, querido. — O abraçou saudosa, a tênue frustração do belo rapaz de traços andrógenos e cabelos rentes aos ombros, tomando forma nas feições.
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  Apesar de gostar de ser caseira e continuar trabalhando como professora de inglês em escolas particulares, era difícil passar um tempo junto a Rodrigo. Os horários eram incompatíveis e por diversas vezes quando ela estava chegando, ele se apressava para ir a um compromisso — ensaio fotográfico, reuniões com a sua equipe, entrevistas, eventos, shows, reuniões com a gravadora, as inúmeras propagandas nas redes sociais, ensaios coreográficos, ensaios de palco, desfiles, programas de televisão, poadcasts e gravações.
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  — Se estou tão ocupado, isso vale à pena. — A apertou por instantes antes de soltá-la.
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  Com ar de preocupação perpassando na fisionomia astuta, embalou a face em toque maternal.
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  — Certeza, meu filho?
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  Engoliu em seco pela indagação, se lembrando de quantas medicações precisava tomar para manter-se naquele ritmo frenético sem espaço para descanso. Além de, é claro, usar maquiagem a fim de esconder as olheiras e lhe dar um ar de vivacidade ao invés de exaustão.
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  — Ah, por favor. — Os observando à distância de maneira clínica, Annanda se intrometeu. — Já chega de sentimentalismos. — A mulher esguia com óculos escuros repousou as mãos nos ombros da genitora, e a mais velha se repreendeu pelo desconforto causado perante o gesto. — Meu irmãozinho teve sorte na profissão e eu nasci com o dom pro bom gosto. Se ele trabalha tanto, é sinal de como a carreira vai ascender cada vez mais, embora eu não compreenda como foi capaz de construir uma carreira tão sólida. Tem certeza de que não dormiu com ninguém em troca de favores, não, maninho?
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  Enquanto Doralice repreendia a filha pela insinuação, Rodrigo ria assim como era comum diante das palavras comuns da irmã, acostumado com os inconvenientes comentários de Annanda e insistindo que era apenas implicância frugal entre irmãos.
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  Será?
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  Aguardou vê-las subindo no avião para tomar as vitaminas longe das vistas delas.
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  Conheceu Lucas na Festa de Halloween onde foi convidada por uma famosa revista.
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  O homem de cabelos loiros e olhos verde a encantou — e de imediato enxergou nela a possibilidade de alavancar a carreira como influencer.
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  A acompanhava nos shows, eventos e festas. O número de seguidores crescia a medida em que interagia com Alya, não demorando para iniciarem um relacionamento após seduzi-la.
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  Por Rodrigo ser naturalmente romântico e sonhar desde a infância em constituir família ao lado de quem se apaixonasse, foi fácil iludi-lo através da sedução — e ria sozinho pela percepção de como o processo foi simples. Bastavam carinhos, atenção, presentes, palavras meigas e gestos doces para conquistá-lo — e o cantor não poderia estar mais encantado.
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  Ao contrário do filho, Doralice era perspicaz. Observava bastante o comportamento do loiro em relação ao namorado e, embora se mostrasse igualmente apaixonado, algo lhe dizia que havia algo de errado ou incompatível ali.
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  Notava certo tom de deboche ao tecer elogios e incomum brilho nas íris quando estavam próximos — e mais de uma vez pensou que olhava para o filho da mesma forma como pessoas gananciosas se deparavam com pedras valiosas.
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  Tentou alertá-lo e até citou o nome de Gabriel. Entretanto, foi em vão porque, segundo o filho, ela enxergava maldade em tudo, enquanto ele, a bondade — e ela sabia como tal frase poderia ser perigosa na prática.
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  Além disso, ainda não haviam se aprofundado na relação e a união era recente para comportamentos abusivos se apresentarem ou iniciar com as agressões. Portanto, Rodrigo descartava os argumentos por não terem fundamento sólido o bastante.
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  Num certo encontro familiar, flagrou Annanda perto de Lucas enquanto conversavam sozinhos na cozinha — perto até demais para o seu gosto.
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  — Lucas, querido. — Fingiu não notar como se sobressaltaram com sua presença inesperada e recolheram as mãos, as quais se tocavam sobre a mesa instantes antes. — Meu filho está te procurando pra dar uma olhada no carro. O funcionamento não está bom e me recuso a dar mais dinheiro para o mecânico após levá-lo mais de três vezes na mesma oficina.
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  Depois da apressada saída do loiro, se juntou à filha enquanto ela separava um pedaço de pudim na mesa.
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  — Sabe que seu irmão ama o namorado, né? — como a vontade não era alarmá-la, decidiu usar um tom despretensioso, como se dialogasse com uma criança.
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  — É claro, mãe. — Annanda apertava a faca sem cerra com um pouco mais de força do que deveria.
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  — Lembre-se disso. — Apanhou o pratinho oferecido enquanto partia outra fatia. — O Lucas é um rapaz muito bonito e seria terrível para Rodrigo se a própria irmã o traísse com o namorado.
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  — Por favor. Acha que eu seria capaz disso? — desdenhou, levando uma colherada do doce à boca.
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  — Para se sobressair? Claro.
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  A voz de Doralice a paralisou por conter peculiar frieza em contraste da personalidade amável.
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  — Eu a conheço, menina — prosseguiu em baixo sussurro gélido. — Sei que tem raiva do seu irmão desde a infância e o culpa pela morte do pai de vocês. Talvez até o inveje por ser bem-sucedido enquanto você se recusa a trabalhar por querer ser sustentada num casamento. Pode até enganá-lo, mas não a mim. Está avisada. Não o magoe ou eu mesma a farei se arrepender.
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  Durante o monólogo, Anannda não retribuiu o olhar. Manteve os globos baixos com a expressão neutra.
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  Quando Doralice se retirou, se deu ao luxo de crispar os lábios e inflar as narinas, controlando o temperamento para não denunciar como o aviso da genitora foi certeiro.
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  Com o tempo, o namoro em si se tornou maravilhoso para Lucas e deprimente para Rodrigo.
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  O amor era unilateral.
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  Em frente às câmeras era o namorado perfeito. Gentil, engraçado, atencioso e amoroso. A tratava muito bem, e ambos combinavam pelo contraste das imagens — Lucas mais despojado, e Alya patricinha com gosto para cores claras como rosa ou amarelo. Estavam sempre de mãos dadas, teciam elogios mútuos, se presenteavam nas datas comemorativas e o influencer era o mais amoroso dos homens na presença de outras pessoas, em especial os familiares e amigos da cantora.
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  Infelizmente, não passava de uma máscara social dele — e isso se tornou evidente com convívio íntimo depois de convencer Rodrigo a se mudar consigo para outra casa na parte nobre do Rio de Janeiro.
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  Lucas não gostava dela e arranjava maneiras sutis de ou menosprezá-la ou menosprezá-lo quando estavam sozinhos.
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  Era capaz de lhe retirar o sorriso do rosto em instantes pelos comentários ácidos os quais afetavam a autoestima e o amor-próprio do artista.
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  Afinal, não passavam de brincadeiras.
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  Não é?
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  Um ano depois de se mudar, Rodrigo era a sombra de quem um dia foi.
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  Não era feliz.
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  O brilho de outrora se apagou e deu lugar às inúmeras lágrimas quando não estava montada sob a figura encantadora de Alya — responsável por blindá-lo do adoecimento psicológico oriundo do relacionamento abusivo.
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  A mudança de comportamento e a evolução da violência foram gradativas, assim como ocorriam em tais casos.
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  As críticas aumentaram de frequência, os deboches com pitadas de maldade se tornaram corriqueiros, a fingida admiração deu espaço para o desprezo e as ofensas alçavam novos patamares até chegarem a abusos físicos. Também exercia controle sobre sua alimentação, saídas e contato com os amigos — exceto quando os compromissos envolviam o trabalho.
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  Qualquer mínima situação do desagrado de Lucas ou era de responsabilidade do namorado, ou descontava as decepções e infortúnios nele.
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  Assim como toda e qualquer pessoa perversa, sabia como manipulá-lo. Eram raras as ocasiões onde manifestava afeto, fosse através de palavras, presentes ou cuidados — até mesmo demonstrações de arrependimento após desferir um soco ou tapa no rapaz, buscando pomadas e remédios para limpar o sangue ou atenuar a dor, inclusive chorando copiosamente durante o processo.
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  Não tinha consciência de como se tornava um prisioneiro das vontades pérfidas de Lucas, inclusive pela personalidade sempre ser mais passiva e bondosa, e nem como o namoro era unilateral por haver desprezo de uma parte e plena dependência emocional da outra.
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  Não havia espaço para Rodrigo existir ali. Por diversas vezes desistiu de atravessar a porta de casa pra rua simplesmente para agradá-lo e evitar conflitos desnecessários. Mesmo sem perceber, buscava pelos cenários cada vez mais raros onde Lucas o aprovava, o elogiava ou era afetuoso, mesmo a contragosto.
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  Se esquivava de olhar-se no espelho no cotidiano — exceto para se montar — por não querer se deparar com os hematomas espalhados pelo corpo. Se culpava pelas agressões, não permitia que tocassem o rosto com medo de borrarem a maquiagem e revelar as lesões de tons roxos, ou esverdeados em sua maioria, e passou a preferir peças que cobrissem o abdômen objetivando esconder as marcas de violência, inclusive cortes.
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  Poucos foram os amigos que compreenderam a profunda mudança em sua personalidade.
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  Como antes já era distante e pouco acessível graças à agenda lotada, apenas os mais próximos notaram a metamorfose em virtude do semblante abatido e por criar subterfúgios para impossibilitar de encontrá-los.
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  Certa tarde, após Victor e Lílian encontrá-lo aos prantos deitado na cama com cacos de uma garrafa de cerveja quebrada espalhados no chão por Lucas joga-la contra a parede, alegando que faria terrível estrago caso atingisse a sua cabeça e que não gostaria de perder tempo limpando o sangue de alguém tão patético, desconfiaram sobre a razão de estar em estado tão deplorável.
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  E ambos se culpariam todos os dias por não terem feito nada a respeito para socorrê-lo, embora o rapaz não quisesse ajuda por inúmeros fatores — dentre eles não preocupar a mãe, vergonha por viver aquilo, dificuldade para admitir que era um dependente emocional e esperança de que passavam por uma fase complicada da qual superariam juntos.
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  Como Alya, a aura alegre e doce se destacava dos demais, sempre amável e atenciosa, inclusive na presença de Lucas — e eram os momentos onde tinha certeza de conseguir gestos afetuosos do namorado, agora tão famoso quanto ela.
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  Como Rodrigo, se debulhava em lágrimas nas horas livres e se trancava em casa, se impedindo muitas vezes encontrar até com os amigos e os familiares, temendo detectarem como a sua vida estava, de verdade, o total oposto do exposto nas redes sociais.
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  Usava como desculpa os compromissos da agenda para se isolar, mesmo se as horas em questão estivessem livres.
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  Após inúmeras agressões, humilhações, piadas e cenas deprimentes onde era Rodrigo a figura a ser menosprezada e maltratada, a incompetência de caminhar de cabeça erguida era visível. Se achava desinteressante, feio e até emagrecera devido ao início do processo de depressão e por escutar sistematicamente de Lucas a importância de manter-se bonito para continuar dentro do relacionamento.
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  Afinal, quem mais iria querer alguém tão patético, gordo, burro e insuportável?
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  Havia ocasiões em que sequer conseguia levantar da cama e sentia vivacidade só enquanto se montava.
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  Montada, Alya trabalhava feliz, o total oposto de Rodrigo.
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  Tudo piorou ao encontrar a marca de batom vermelho no colarinho branco de Lucas.
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  — Você não está cansado do meu irmãozinho, não?
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  Deitada na cama redonda do motel mais caro do Rio de Janeiro, Annanda era sinônimo de beleza feminina. Abriu um sorrisinho voluptuoso por ver como o membro de Lucas se ergueu novamente enquanto se aproximava após tomar um gole de água.
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  Não se cansava do corpo dele. Era alto, definido graças às idas à academia e a pele bronzeada acentuava os músculos.
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  Se perguntou se, um dia, deixaria de desejá-lo.
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  — O cara é um chato. — Montou nela esfregando os sexos. — Só sabe choramingar pelos cantos.
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  — Você precisava de uma mulher na sua vida. — Abriu as pernas para acomoda-lo melhor, lhe arrancando um gemido rouco pela quente umidade escorregadia. — Ele nunca saberia como te satisfazer.
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  — Ao contrário de você. — Mordiscou o delicado pescoço perfumado, adorando escutar as lamúrias femininas.
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  — Por que não se separa, então? — conseguiu interrogar de olhos fechados, se controlando para manter o raciocínio lógico sem entregar-se ao prazer por completo.
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  — Entre nós dois quem ganha dinheiro de verdade é ele. Não vou desperdiçar essa oportunidade só porque seu irmão é um imbecil.
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  — E se o Rodrigo desaparecer? O dinheiro virá pra mim e pra você. — Os lábios masculinos desceram até alcançarem o mamilo rosado e tomá-lo na boca. — Minha mãe verificou o testamento semana passada e, desde então, não para de reclamar porque o seu nome está incluso — conseguiu sussurrar em voz carregada de ar, enterrando os dedos nos fios loiros. — A ideia de obrigá-lo a fazer um testamento foi excelente. Bastante tentador, aliás.
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  O tom de mistério de periculosidade não foi ignorado pelo amante.
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  — Essa conversa está perigosa demais pro meu gosto. — Sugou a derme enrugada antes de subir para o pescoço dela.
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  — E isso excita a nós dois — avisou por constatar como se tornou mais voluptuoso com o teor do assunto.
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  — Putinha. — Colocou os dedos entre as finas pernas femininas, lhe arrancando prolongada lamúria. — Se quiser elaborar mais sobre isso, podemos arquitetar tudo. Agora, prefiro te foder.
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  O grito de prazer de Annanda foi escutado nos corredores por penetrá-la num movimento duro e inesperado.
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  Alya usava somente cores claras ou nudes nos lábios. Logo, era impossível aquele vermelho ser o dela.
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  Agindo por impulso, confrontou Lucas. As duas horas seguintes foram terríveis, resultando em uma mesa quebrada, sangue espirrado nos móveis, os quais Rodrigo foi quem limpou, hematomas pelas costas, ambos os olhos roxos, o lábio cortado pela mordida animalesca e o nariz sangrando.
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  Nem ao hospital pôde ir, lhe restando cancelar os compromissos da agenda até estar apresentável novamente.
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  O suplício de Rodrigo durou quatro meses pelo namorado atuar junto da irmã para alterar a sua memória e convencê-lo de que não era capaz de confiar nos próprios julgamentos.
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  Vítima de gaslighting, passou a duvidar de sua percepção da realidade através da manipulação de Lucas e Annanda, que o ajudava a destruir a vítima já fragilizada em todas as dimensões da palavra sempre que se encontravam — e ela passou a frequentar a sua casa com maior regularidade, a única pessoa quem Lucas não implicava e até incentivava as reuniões para prejudica-lo.
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  Os pertences não eram encontrados onde os havia deixado, a memória era colocada à prova pelas mentiras da dupla e o influencer digital até dopava o artista com medicamento controlado comprado de maneira ilícita para confundi-lo e provar que não estava orientado no tempo e no espaço.
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  Quando Rodrigo recebeu a proposta de viajar para o litoral, cuja finalidade de descansar e reestabelecer o relacionamento com o namorado era tentadora demais para ignorar, a aceitou sem imaginar como aquilo se tornaria a sua luta pela vida.
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