Capítulo 8
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%Matteo% Perroni
— Eu quero ele vivo, Filippo! — gritei no telefone. —
Hai capito? (Você entendeu?) Desliguei o telefone e bati a mão na mesa do meu quarto, fazia duas semanas que esse miserável conseguia sempre dar um jeito de escapar. Coloquei dez homens atrás dele dessa vez, era hoje que eu ia ter o desgraçado nas minhas mãos e iria fazer ele desejar ter morrido com o tiro que o amigo dele levou para encarar o diabo ao invés de mim.
Estava impaciente esperando que Filippo me desse retorno. Duas horas e nada, desci a escada e fui até a frente da mansão. Acendi um cigarro e ali fiquei, esperando que um dos carros entrasse pelos portões. Eu só não esperava que o carro que eu menos queria entrasse por eles. Ela estacionou o carro e desceu com sua bolsa no ombro.
— Estamos com poucos seguranças ou resolveu mudar de cargo? — %Pietra% me perguntou fazendo piada, assim que se aproximou da entrada.
— Apenas fumando… — Não queria que ela notasse meu descontrole devido a situação. — E você? Pouco trabalho na boate?
— Estou com um pouco de dor de cabeça, resolvi vir para casa. — Ela entrou e eu respirei aliviado, ela não precisava encontrar em sua própria casa o homem que tentou matá-la.
Mais alguns minutos depois e três carros entraram em uma velocidade acima do necessário, eram eles. Joguei o segundo cigarro, pela metade, no chão e pisei. Olhei para frente e Filippo e Nero traziam uma pessoa com o capuz vermelho, que normalmente utilizávamos, na cabeça. Sorri satisfeito que a missão tinha finalmente sido cumprida, assenti com a cabeça para meu primo, que entendeu de primeira. Eles entraram pela porta lateral que ficava mais próxima da entrada para o porão.
Menos chance de encontrar %Pietra% se ela ainda estivesse no andar de baixo.
Abri a porta da frente e entrei, passei pelo hall e dei longos passos pelo corredor extenso, minha mão chegava a formigar de ansiedade. Queria ver a cara desse vagabundo e acabar com ele bem devagar, de um jeito bem cruel e, pela primeira vez, eu iria me divertir bastante com isso. Vi através dos vidros Nero abrir a porta que dava para a lateral do jardim no fim do corredor, eu estava indo em direção a eles para descer a escada para o porão.
Quando ouvi a voz dela, o meu corpo inteiro se arrepiou e Filippo arregalou os olhos, eu apenas apontei com o queixo o porão e virei de supetão. Vi os olhos verdes me encarando e logo o vinco nas sobrancelhas, eu deveria estar exalando nervosismo.
— O que houve? — Ela esticou o pescoço para olhar além de mim, então entrei em nervosismo, refiz meus passos rapidamente e a puxei para dentro da primeira porta que vi aberta, causando um susto nela, vi pelos seus olhos arregalados. — O que… está fazendo, %Matteo%? — %Pietra% disse devagar, pausadamente, soltando a respiração pela boca.
Eu engoli em seco, nossos corpos estavam perto demais, acabei encurralando ela na parede da despensa sem nem mesmo perceber. Desci meu olhar para o seu peito, que subia e descia pesadamente, subi meus olhos e seu rosto estava levemente avermelhado, engoli a saliva que inundou a minha boca e soltei o ar devagar. Assisti seus olhos piscarem lentamente, os verdes foram diretamente para os meus olhos, deveriam estar buscando algum indício do que eu planejava, porém nem eu mesmo sabia.
Estava atento a cada aspecto de sua face, ainda tentava me situar e entender o que seus lábios entreabertos significavam naquele momento. Seu corpo permaneceu imóvel, rente à parede, minha mão ainda queimava na cintura dela e a outra estava espalmada na parede perto do seu rosto; cacete.
— Eu… — Tentei começar alguma frase, mas fiquei hipnotizado pelas esmeraldas brilhantes que me olhavam com uma nuance de segundas intenções.
E de repente, eu me vi encurtando cada vez mais a nossa distância. Eu estava mesmo fazendo aquilo? O que diabos me deu na cabeça? O mais chocante era ela estar tão presa naquela atmosfera quanto eu, ela não desviou os olhos dos meus e muito menos me afastou, seus olhos desceram para minha boca e aquilo me parecia a permissão que eu precisava.
Eu estava em pânico, mas ao mesmo tempo uma sensação gostosa invadia meu estômago, respirei fundo e falhado. Senti a ponta do nariz dela encostar no meu, seus olhos fecharam, apenas esperando meus lábios cobrirem os dela. Por mais que centímetros nos separassem, eu ainda estava incerto, mas foi quando sua mão agarrou minha nuca que nossos lábios finalmente se encontraram.
[...]
— Quando o papai volta, %Teo%? — Luna perguntou enquanto comia sua salada de frutas, tirando-me dos meus pensamentos embaralhados.
— Não sei, maninha, talvez semana que vem. — Olhei para a cadeira vazia à minha frente por alguns segundos e então, baixei a cabeça e segui comendo.
Não via %Pietra% desde o dia anterior, depois do nosso encontro na despensa – se é que posso chamar assim –, ela sumiu. Não jantou com a gente e não apareceu para o café da manhã. Eu não tinha conseguido nem sequer torturar o cara, aquele beijo me deixou completamente fora do ar. Onde eu estava com a cabeça quando beijei… Eu a beijei? Mas eu bem lembro que não fiz sozinho, ela me correspondeu, bem até demais. Porra, onde fui me meter?
Preciso aprender a manter meu pau dentro das calças e a minha cabeça pensante no lugar.
Precisava seguir meu dia como planejado, então fui tratar dos meus assuntos, bati um papo com o nosso mais novo convidado e tentei arrancar informações dele, mas nada saía daquela boca, o filho da puta era teimoso. Pela parte da tarde tive uma reunião com alguns dos nossos associados, as informações eram sempre bem pagas, além de que, a proteção que eles tinham da
Vincere não era de graça. Segui meu roteiro de programação do dia, e enquanto estava no carro indo para casa, recebi a ligação do meu pai.
Ele precisava que eu o encontrasse na França, não sabia exatamente o que era, mas apenas me deu coordenadas para eu chegar lá em 4 dias. Eu não tinha a mínima escolha, Otelo não pedia, ele ordenava e quem tinha juízo obedecia, até mesmo seu próprio filho.
Com todo o dinheiro que eu recolhi daquela semana, fui até a confeitaria de Lu. Nós fazíamos a lavagem de dinheiro dos passaportes na confeitaria, era prático, fácil e não chamava atenção. Entrei pela porta da frente, enquanto meus soldados tiravam os malotes pelo beco do fundo e entravam por uma porta reservada.
— %Matteo%! — Luna falou animada e saiu de trás do balcão. — O que posso oferecer hoje?
— Um pedaço de bolo de morango com coco saindo. — Ela voltou para o seu lugar e sorriu enquanto cortava o bolo, que já estava na metade, e servia em um prato de louça verde claro. — Leo, abra a porta — avisou seu empregado, que era também de extrema confiança da
famiglia, já que seu pai também fazia parte da
Vincere. — Aqui está. — Luna colocou o prato na minha frente, junto com um copo de água.
— Obrigado, maninha. — Pisquei para ela, que sorriu e voltou ao seu posto. Comi devagar, apreciando aquele bolo que só Luna sabia fazer. Era impressionante como o dom dela para a confeitaria não era apenas fachada, ela realmente amava o que fazia.
Olhei o relógio e decidi ir para casa me arrumar, iria até a
Fascino, eu sabia que não precisava mais ir, afinal, enchi o lugar de soldados, porém, eu queria, queria ver sua reação quando me visse depois de ontem. Por mais que tudo isso parecesse errado demais, a minha impulsividade não me deixaria tomar nenhuma decisão racional e eu meio que não queria ser racional, queria descobrir o que merda estava acontecendo e se era só comigo, já que ela me puxou para aquele beijo. Contudo, eu não estava conseguindo controlar a porra do meu corpo perto dela, então, na verdade, a reação que eu mais estava preocupado era a minha.
%Pietra% Alonso Perroni
— Não, já disse. Não temos vagas… Sinto muito. — Ouvi Giovanna ser incisiva, parecia que o homem estava insistindo há algum tempo.
— Por favor, senhorita, eu estou há semanas procurando um emprego, eu preciso muito. — Eu conseguia sentir o desespero na voz dele. — Faço qualquer coisa…
Dei alguns passos me aproximando do balcão e olhei para o homem. Por mais que tivesse uma aparência jovem, era perceptível que já passava dos 30. Os olhos negros, o cabelo loiro e uma cicatriz perto do pescoço, estava arrumado na medida do possível. Dava para ver o seu esforço em parecer apresentável para conseguir o emprego que fosse.
— Qual seu nome? — perguntei, sem nem mesmo me apresentar, Giovanna virou para mim com o cenho franzido.
— Juan, Juan Alvarez, senhorita.
— Meu nome é %Pietra% Alonso, sou a dona da boate.
— Eu estava explicando para ele que não temos vagas de emprego, %Pietra%. — Coppola deu de ombros, torcendo os lábios, então eu respirei fundo e soltei o ar com força.
— Quer lavar os copos no bar?
— Giovanna, mostre onde fica o vestiário e dê um uniforme para ele.
— Sim, agora mesmo. — Foi a última coisa que ouvi antes de subir para minha sala.
Giovana podia ter me olhado esquisito, como se não aprovasse o que eu tinha feito, porém, era só um homem em busca de emprego. Os donos das boates de Madri não contratam qualquer um, eles têm um preconceito nítido no jeito que te olham, isso para não dizer te julgam. Eu não ligava, eu estava apenas ajudando alguém, uma esperança para uma pessoa que parecia tão desesperada apenas por qualquer tipo de emprego. Ele deveria estar realmente precisando, nunca sabemos o que os outros estão passando.
Eu amava ficar no meu escritório sozinha, revendo planilhas, organizando o financeiro, decidindo as atrações do mês ou apenas relaxando, porém, depois daquele maldito beijo, era uma tortura ficar sozinha com meus pensamentos. Eu joguei meu corpo para trás na cadeira, olhei para o teto e respirei fundo. Tinha algum jeito de esquecer que aquilo tinha acontecido? Talvez se eu bebesse um pouco. Levantei, passei a mão pela minha saia para alisar o tecido e peguei meu celular antes de deixar o escritório, comecei a descer a escada e a música ficava cada vez mais alta conforme eu ia me aproximando do térreo.
A boate já estava cheia, olhei feliz para o meu empreendimento que batalhei tanto para transformar no que era. Plena quinta-feira e estávamos com a casa cheia, aquilo tudo era fruto do meu trabalho e da minha equipe, sem falar das estratégias de marketing e publicidade. Caminhei até o balcão e pedi para Vincenzo o drink que ele tinha me servido da outra vez, eu tinha gostado e era algo diferente, talvez até mais forte, e isso era importante na situação mental em que me encontrava.
— Ele é na dele, mas está fazendo tudo que eu mando…
— Mas você — Pelegrini se aproximou para falar próximo ao meu ouvido — não acha um pouco perigoso contratar um estranho?
— Claro que não, Vince, temos vários dos nossos aqui, ninguém ousaria tanto. — Sorri para ele a fim de tranquilizá-lo.
— Se você está dizendo… — Ele deu de ombros e foi atender outro cliente. Dei um gole em meu drink e logo o vi se aproximar novamente. — Falando em dos nossos, seu irmão está aí.
— O quê? — Franzi o cenho e olhei para trás, procurando onde %Matteo% estava. Meus olhos correram as mesas vip, até ver %Matteo% sentado com nosso primo Filippo e o capitão de confiança, Nero. Fechei meu semblante, girei meu corpo para o balcão e aos olhos atentos de Vincenzo, virei o restante do drink e pigarreei.
— Veja bem o que vai fazer, %Tita%.
— Confia em mim, Vince… — Levantei e caminhei de forma lenta, passei pelo segurança, que me cumprimentou com um meneio de cabeça, entrei na ala vip e parei bem em frente à mesa baixa, de braços cruzados. Os olhos negros de %Matteo% subiram lentamente pelo meu corpo, fazendo arder em cada pedaço meu em que ele colocava aqueles malditos olhos, mordi o interior do meu lábio inferior com certa força e então seus olhos chegaram até os meus, encarando-me com um sorrisinho libertino nos lábios. Idiota. — O que está fazendo aqui?
— Bebendo? — Ele levantou o copo antes de dar um gole em seu whisky e eu arqueei uma sobrancelha. — Qual é, %Pietra%, estou no meu momento de lazer.
— Você pode fazer isso em outra boate, tem milhares pela cidade. — Ele levantou e deu alguns passos, com uma calma irritante, em minha direção. Revirei os olhos e falei: — Achei que já tínhamos resolvido esse problema…
Ele se aproximou ainda mais e sussurrou em meu ouvido:
— Qual dos problemas você fala,
cariño? — Senti minha garganta ficar apertada até para respirar, fechei os olhos e puxei o ar pelo nariz, sentindo o perfume intenso que ele usava; que péssima ideia.
Meu corpo automaticamente correspondeu àquilo de uma forma que não deveria, eu precisava ficar longe dele.
Empurrei Perroni mantendo meu indicador no peito dele e ditei:
— Não seja idiota, e que seja a última vez que aparece aqui. — Virei as costas e saí dali. Pedi mais um drink para Vincenzo e dessa vez beberia sozinha, na paz do meu escritório, de onde eu nem deveria ter saído.
[...]
Mais uma noite de insônia, eu teria um colapso. Na manhã seguinte eu faria uma reunião com todos os meus funcionários e precisava estar descansada. Rolei na cama mais uma vez e bufei, joguei o cobertor para o lado e levantei, iria até a cozinha comer alguma coisa, talvez de barriga cheia eu conseguisse dormir. Coloquei meu robe e desci a escada em silêncio, apenas com a lanterna do meu celular, passei pelo hall de entrada e quando cheguei à segunda sala, levei um susto, deixando meu celular cair no chão e a lanterna iluminar Giulia.
— Céus, Giu, o que faz no escuro?! — Respirei fundo e peguei meu celular do chão, enquanto ela acendia o abajur próximo à janela.
— Acabei de me despedir do %Teo%, só vim pegar um energético antes de voltar para a minha sala. — Ela deu alguns passos em direção ao salão principal da casa, onde ficava a escada.
— Despedir? — Uni as sobrancelhas e olhei confusa para ela, que virou para mim e fez uma expressão de obviedade.
— Sim, ele viajou, foi encontrar o papai.
— Ele não me falou na… — Parei de falar no mesmo instante que Giu me olhou com os olhos semicerrados, desconfiada da frase que eu comecei sem nem mesmo me dar conta do quanto aquilo não fazia sentido. %Matteo% nunca me comunicou nada, nem muito menos dei a mínima para onde ele ia ou quando voltava; por que parecia me incomodar esse fato agora? — Você sabe… nossos treinos. — Dei de ombros, explicando, e ela meneou a cabeça antes de sumir no escuro, virei e continuei o meu caminho para a cozinha.
Que desculpa idiota que eu fui inventar, faz quase 1 semana que não treinamos já que estou evitando estar perto dele, mas Giulia não deve ter percebido isso, pelo menos era o que eu esperava.
Depois de comer uma tigela de cereal, vi o sol nascer através das minhas janelas enquanto lia um livro e depois finalmente consegui pregar os olhos por maravilhosas 3 horas, levantei com um humor horrível, tomei um banho gelado para me acordar por completo; eu gostava, era bom para a pele. Coloquei um vestido tubinho preto, um blazer por cima e meu scarpin preto, queria estar elegante para colocar ordem naquela boate.
Desci para o andar de baixo e minhas irmãs já estavam sentadas almoçando, larguei minha bolsa no aparador do hall de entrada e tomei meu lugar à mesa. Conversamos sobre besteiras do dia a dia e do quanto Giu era maluca: ela não tinha dormido ainda, estava almoçando para finalmente ter o sono que merecia depois de uma madrugada inteira trabalhando. Beatrice me pediu carona, o carro dela estava na oficina, pois, pela terceira vez apenas esse ano, ela tinha batido o carro, ela se irritava no trânsito e acabava batendo em alguém, metade da nossa fortuna ia ser para pagar as loucuras da minha irmã ruiva.
— O cara se negou a sair da minha frente, ele estava esperando alguém sair da vaga para estacionar — Bea explicava a batida de carro enquanto eu dirigia. — O sinal já estava aberto e eu estava atrasada para… um compromisso.
— Eu amo seus compromissos secretos, Beatrice. — Torci os lábios, já fazia alguns meses que eu percebi que ela estava escondendo algo, ela jurava que eu ou a Giu não tínhamos notado. Luna não prestava muito atenção nessas coisas, então não duvidava dela, nem mesmo pensava sobre as saídas escondidas da ruiva de madrugada.
— Não são secretos… — Ela disfarçou.
— ‘Hm… então com quem era esse compromisso? — Olhei para Bea assim que parei no sinal vermelho.
— Era… Era com… — Ela ficando nervosa era novidade, então claramente tinha um homem envolvido na história. — Ah, %Pietra%!
— Eu sei que você fode, Beatrice, pode compartilhar com quem… — Revirei os olhos fazendo pouco caso daquilo.
— Ele é casado, ok?! — soltou em um rompante assim que acelerei o carro novamente.
— Meu deus, Beatrice! — Olhei para ela, abismada.
— Olhos na estrada,
sorellina.
— Você ficou louca?! — gritei com ela e voltei minha atenção à avenida. — Você sabe que a máfia não perdoa traição, me diga que ele não faz parte da
Vincere, Beatrice…
— Não, ele é um civil comum, ok? — Respirei aliviada, mas mesmo assim, ainda preocupada.
— Você não nasceu para ser amante de ninguém, Bea, não faça isso com você mesma — aconselhei, esperando que ela me ouvisse, mas tinha certeza que ela faria o que bem entendesse. Ninguém controlava Beatrice.
— Eu sei de todo o discursinho que você vai me dar, nem tente. — Avistei a frente do laboratório e sabia que não tinha tempo, ou capacidade, de tentar fazê-la mudar de ideia, então apenas me mantive calada. — Eu sei me cuidar, tá bom?
— Sei que sabe, Beatrice — estacionei o carro e olhei para ela com sinceridade e todo o amor que sentia pela minha irmã —, mas deveria deixar a gente entrar no seu mundo.
— Vocês são o meu mundo,
sorella. — Ela sorriu e me abraçou. — Não se preocupe comigo, você já cria problemas demais nessa sua cabecinha. — Ela se afastou e sorriu, eu soltei o ar pelo nariz e ri sem humor. —
Ti amo.
Ela saiu do carro e vi ela entrar no laboratório antes de seguir meu caminho até a boate, entrei pela porta vermelha que foi aberta por um dos meus seguranças. Agradeci sorrindo e segui meu caminho até o balcão, onde estava Vincenzo e o novato limpando o bar.
— %Tita%… — Vincenzo piscou o olho direito para mim.
— Todos já chegaram? — Ele me respondeu com um meneio de cabeça. — Ótimo, vou esperar vocês sentada ali. Leva um martini?
Sentei à uma das mesas e abri minha agenda, anotei algumas tarefas do fim de semana enquanto respondia alguns e-mails no notebook. Eu tinha contratado uma empresa para o marketing e publicidade da boate, e eles estavam fazendo um ótimo trabalho, então eu sempre mandava e-mail com a programação, promoções, horários fixos e mudanças que aconteciam de semana para semana.
Vi a taça ser colocada na minha frente e agradeci:
— Obrigada, Vince. — Peguei a taça e fui dar um gole, quando olhei para o lado, percebi que não era Pelegrini. — Oh, desculpe, sempre é o Vincenzo que traz meus drinks.
— Sem problemas, senhorita %Pietra%.
— Pode me chamar só de %Pietra%, Juan. — Sorri para ele e larguei a minha taça em cima da mesa novamente. — Pode chamar todos para a reunião? Preciso fazer algumas coisas fora da boate hoje.
A reunião demorou em torno de 1 hora e meia, repassei todos os afazeres de cada um dentro da
Fascino naquela semana devido ao evento de Halloween. Iríamos fazer a festa temática como em todos os anos, aquela comemoração já fazia parte do nosso calendário. Era um ótimo dia, fazíamos promoções para as pessoas que fossem fantasiadas e isso rendia ótimas fotos para o nosso marketing. Encerrei a reunião apresentando o novato a todos da
staff, que receberam ele com animação. Eu gostava dos meus funcionários, todo mundo era muito unido e trabalhavam duro para dar o seu melhor.
Todos levantaram e foram assumindo seus postos, eu permaneci sentada e chamei:
— Novato… — Juan olhou para mim. — Segunda traga seus documentos, ok?
— Sim, senh… %Pietra%. Obrigado — ele me agradeceu de forma sincera e eu sorri. Não me custava nada ajudar alguém.
— Vincenzo! — falei mais alto, já que ele já estava mais longe, e levantei a taça vazia, ele apenas sorriu e bateu continência.
Eu tinha um longo fim de tarde, precisava procurar algumas decorações para a boate e encontrar a Lu na confeitaria, ela estava tendo problemas com o financeiro e me pediu ajuda. Avisei à Giovanna que não ficaria na
Fascino essa noite, tinha que seguir meu caminho para as lojas de decoração do centro da cidade, aquilo me tomaria tempo. Olhei as horas no celular e vi que estava tarde, juntei minhas coisas rapidamente, coloquei tudo dentro da bolsa e levantei para ir embora, dando de cara com Vincenzo.
— Não vai dar tempo. — Segurei o maxilar dele e dei um selinho em seus lábios, ele arregalou os olhos em surpresa. — Dê pra Giovanna, ou sei lá, beba você… — Saí caminhando rapidamente pelo salão da boate e vi o novato olhando para mim de forma interrogativa. Merda, tinha esquecido dele ali, olhei para trás e fiz uma careta para Pelegrini, que me olhava apreensivo. — Desculpa… — Apenas mexi os lábios para ele entender e o vi virar o martini de uma vez como se aquilo afogasse sua repreensão, me causando uma risada antes de cruzar a porta de saída.