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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Vincere

Escrita porHatakesaturn
Revisada por Lelen

Capítulo 22

%Matteo% Perroni

  — Bom dia, doutor.
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  — Senhor Perroni — falou o psicólogo, surpreso.
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  Eu poderia ter ido até o consultório dele, mas eu mal tinha conseguido dormir, então fui até a padaria que eu sabia que ele costumava tomar café. Claro que eu investiguei a vida inteira dele antes de deixá-lo se aproximar de %Pietra%, mesmo meu pai falando que ele era o melhor psicólogo do país. Jamais deixaria alguém se tornar tão íntimo dela sem saber cada minuto da vida dele desde que ele começou a respirar no mundo.
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  Abordei ele de uma maneira meio invasiva, mas eu não estava me importando com isso. Eu sentia uma angústia interna e um desespero que não era tão conhecido por mim, porém eu sabia que a única coisa que me movia ultimamente era tirar a %Pietra% da escuridão, nem que para isso eu me fodesse no processo.
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  — Podemos conversar? — Indiquei a mesa vazia um pouco à frente.
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  — Claro.
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  Nunca tinha entrado em contato direto com um psicólogo ou psiquiatra, eu não era daqueles que não acreditava, mas também não via como algo imprescindível, porém, quando vi %Pietra% daquela forma, eu tinha certeza que ela precisaria de um. Então sentamos na cafeteria e ele me explicou que o estresse pós-traumático era um transtorno de ansiedade que pode se desenvolver em pessoas que presenciaram eventos traumáticos. O TEPT pode causar distúrbios do sono, humor deprimido, hiper vigilância, alucinações, esquiva de lembranças do trauma entre outros. Era tudo muito complexo, mas tudo fazia muito sentido, eu havia presenciado muitos desses episódios. Era frustrante não saber o que fazer para ajudar.
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  Depois de muito debater com o Dr. Martin e tentar entender a abordagem que deveríamos ter, não só eu como a família toda, eu fui para casa com um objetivo na cabeça: pesquisar. Entrei no meu quarto e busquei meu notebook, sentei na poltrona da varanda e fiquei horas ali sentado em busca de uma resposta ou um milagre, talvez o todo poderoso fosse bonzinho comigo uma única vez. Estávamos em uma situação muito delicada e depois da conversa com o doutor Martin, fiquei ainda mais preocupado, porém, também fiquei esperançoso. Ele me disse que eu estar me dedicando tanto assim a ajudá-la era imprescindível para uma melhora na condição dela. %Pietra% estar cercada de pessoas que cuidam dela era algo bastante positivo na condição atual do seu psicológico.
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  Eu estava lendo incontáveis artigos sobre estresse pós-traumático, o que ajudava, o que não ajudava, o que as pessoas próximas poderiam fazer ou não fazer para ajudar. Eu já tinha fumado quase duas carteiras de cigarro enquanto corria meus olhos pelos artigos variados. Quando eu finalmente achei um artigo falando sobre o quanto cães podiam ser um ótimo apoio emocional para quem tem algum transtorno psicológico ou até mesmo o próprio estresse pós-traumático, eu sorri de felicidade.
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  — É isso! — Podia não ser a solução, mas toda ajuda era bem-vinda.
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  Ouvi batidas na porta e liberei a entrada, Filippo entrou com uma expressão esquisita em seu rosto, da qual eu não gostei nem um pouco. Franzi o cenho, estava meio em alerta para ouvir o que ele tinha a dizer. Tirei o notebook do meu colo e o coloquei na mesa lateral.
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  — Seu pai quer que você interrogue um capitão…
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  Levantei de supetão e perguntei animado:
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  — Acharam o outro capitão dos Delantera?
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  Vi meu primo engolir em seco e a sua reação chegou a me assustar, nunca vi ele daquele jeito.
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  — Um capitão nosso, %Matteo%…
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  — Como? — perguntei, atordoado.
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  — Eu sinto muito.
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  — Quem é, Filippo? — Ele desviou o olhar e eu dei passos apressados em direção a ele, ficando perto o suficiente para obrigá-lo a olhar em meus olhos. — Quem é?! — berrei.
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  — Nero.
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  Arregalei meus olhos dando dois passos para trás e balancei a cabeça em negativo, aquilo não podia estar acontecendo. Nero cresceu comigo, com a gente, Nero era meu braço direito e tinha toda a minha confiança. Passei a mão pelo cabelo, ansioso, nervoso, sentindo meu coração batendo acelerado em meu peito.
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  Por que meu pai queria interrogá-lo?
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  Tentei respirar fundo, eu não poderia, eu não conseguiria interrogar ele, não ele. Nero era como um irmão para mim, assim como Filippo, sempre fomos nós três. Olhei para meu primo, que mantinha a cabeça abaixada, ele deveria estar tão mal quanto eu. No entanto, conhecendo meu pai, eu sei que ele não deu escolha para ninguém. Apenas ordens.
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  Saí do meu quarto ouvindo Filippo chamar meu nome, mas não me importei, desci a escada com pressa e entrei no único lugar que meu pai poderia estar. Abri a porta do escritório e Otelo olhou para mim com aquela expressão despreocupada. Percebi que deveria estar parecendo um lunático, a camisa aberta, pés descalços, cabelos bagunçados e o rosto cansado de quem não dormiu e passou o dia em frente ao computador.
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  — Precisa de ajuda com algo?
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  — Por quê? Me dê um bom motivo e eu não vou questionar.
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  Ele se recostou na cadeira, deu um gole em seu whisky e suspirou antes de falar:
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  — Sua irmã vai lhe mostrar.
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  Eu estava tão desorientado que nem mesmo vi Giulia ali, ela deu alguns passos enquanto mexia no tablet e o colocou apoiado na mesa, com a tela virada para mim. Minha irmã mexeu os lábios dizendo que sentia muito e assim que o vídeo começou, eu nem conseguia acreditar no que via. Meu corpo foi perdendo as forças até encontrar a poltrona, assim como minha boca entreabriu, chocado com o que meus olhos viam.
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  Nero e Carolyn conversavam de maneira incriminatória e de repente, começavam a se beijar e foi daí para pior. Abaixei o tablet, sem querer ver o restante.
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  — Como?
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  — Acreditamos que ele não sabia que tinha uma câmera no quarto de visitas e a noite ele ia até lá pra poder… — Giulia pigarreou e antes que conseguisse continuar, meu pai interrompeu.
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  — Comer a vadia.
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  Passei a mão pelo rosto, aquilo não podia estar acontecendo, ele não.
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  — Nem eu lembrava que tínhamos câmera no quarto em que Carolyn estava, mas nosso pai me pediu para acessar.
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  — E agora precisamos interrogar esse filho da puta!
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  — Eu não posso…
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  — Se não for você, será eu — ditou Otelo, fazendo eu arregalar os olhos ao olhar pra ele. — A escolha é sua.
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  — Preciso me recompor.
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  — Eu quero saber onde está aquele cretino! — Meu pai alterou o tom de voz. — Então aja como um Perroni, entre lá e descubra. Agora.
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  Engoli em seco minha frustração e acenei com a cabeça antes de deixar o escritório. Eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo, quando eu achava que essa família não podia ficar pior. Encontrei Filippo no corredor e eu apenas acenei, e ele entendeu, claro. Abotoei minha camisa enquanto caminhava até o bar e servi uma dose dupla de whisky, virei garganta abaixo e comecei a dobrar as mangas indo em direção ao porão com meu primo em meu encalço.
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  Desci cada degrau sentindo a lajota fria em meu pé, a cada passo que eu dava sentia que meu corpo pesava ainda mais. Quando vi Nero amarrado e elevado pelo gancho onde costumavam ficar homens que ele me ajudava a interrogar, senti uma pontada no peito.
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  Aquele tipo de traição deveria ser proibido.
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  — Você me conhece o suficiente pra saber que isso não vai funcionar — disse, ainda de cabeça baixa.
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  Eu precisava me desligar, precisava desligar a parte do %Matteo% com coração, aquele que ainda olhava para Nero como alguém da família. Ele sabia de tudo, mesmo assim deixou essa mulher entrar na nossa casa e fazer tudo que fez. %Pietra% está aos pedaços por ter matado aquela mulher que merecia estar morta.
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  — Pelo jeito não o suficiente. — Dei mais alguns passos e levantei sua cabeça pelos cabelos, para poder olhar em seus olhos. — Achei que jamais me trairia, principalmente por uma boceta!
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  A raiva começou a subir pelo meu corpo, tomando cada pedaço e trazendo à tona o monstro que eu era dentro de uma sala de tortura.
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  — Carolyn era mais do que isso.
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  — Não fale o nome daquela vagabunda dentro da minha casa! — Soquei seu estômago com força, fazendo ele tossir.
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  O primeiro soco foi prazeroso. Esse foi por você, %Tita%, o homem que a gente confiava nossa vida nos traiu e ajudou a te deixar como está agora e eu jamais vou perdoá-lo por isso.
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  — Você não vai aguentar quatro horas comigo, %Matteo%.
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  — Prefere meu pai? — Vi ele arregalar os olhos.
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  Por mais que não esperasse essa traição, eu conhecia ele muito bem para saber como deixá-lo aterrorizado. Nero pediu para sair do grupo de interrogatório do meu pai, aparentemente ele amava as torturas, mas não tanto assim, já que Otelo era um monstro bem pior do que eu quando ele queria descobrir algo. Meu pai tinha estômago para muita coisa e quase ninguém estava preparado para ver o que ele fazia. Se fosse uma tortura por vingança, com certeza ele era o melhor, sanguinário como nenhum outro, mas se fosse pra arrancar informações, eu com certeza sabia conduzir melhor para o inimigo abrir a boca.
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  Fui até a mesa onde ficavam os bisturis, facas, alicates e tantas outras ferramentas que serviam para torturar da pior forma que podíamos.
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  — Você está blefando.
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  Virei devagar, meus olhos ardiam, não sabia se de raiva ou se eu queria mesmo chorar e não queria fazê-lo.
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  — Carolyn fez um inferno na nossa família, eu mesmo a mataria se ela estivesse viva.
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  — Claro, a morte dela causou tanto a sua irmãzinha querida, não é mesmo?
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  Eu tentava entender de onde vinha aquele comportamento completamente oposto, parecia outra pessoa no corpo do meu fiel soldado, fiquei em choque com aquilo, mas meu primo não. Ouvi barulho de ossos quebrando quando Filippo acertou a costela de Nero com uma corrente enrolada em sua mão.
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  — Não ouse falar sobre minha prima, seu merda!
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  Aquela atitude completamente diferente da pessoa que eu conhecia me ajudou a tomar distância da relação que tínhamos. Não era ele, aquela pessoa que viveu tantos anos ao nosso lado não existia. Eu estava cansado demais, fechei os olhos por alguns segundos e respirei fundo. Eu precisava descobrir logo para dar a informação ao meu pai e sair dali.
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  — Poupe meu trabalho, Nero, e abre o bico. Onde está Carlos Diaz, Delantera, seja lá qual o nome desse infeliz?
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  — Não faço ideia. Meu sogro é um homem que some e volta quando quer.
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  Sogro?
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  Peguei o martelo e bati na lateral do joelho direito, o grito veio em seguida, mas não esperei ele se recuperar, acertei o osso do quadril ouvindo mais um berro sofrido sair de sua boca.
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  — Onde ele tem casa na Espanha?
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  Nero começou a rir, rir. Isso me deixou puto e ele sabia que me deixaria, ele conhecia todos os meus truques e cartas na manga. Talvez eu devesse deixar meu pai fazer isso, ele iria levá-lo à exaustão em 15 minutos e tudo seria descoberto. Entretanto, a verdade era que eu estava com pena, estava magoado, traído e me sentindo um idiota por ter confiado em alguém que estava me fodendo pelas costas há sabe lá quanto tempo.
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  — Melhor me matar logo, %Matteo%, eu não vou falar nada.
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  Eu não queria usar isso, não queria colocar ela nessa merda toda que Nero resolveu fazer. Ele tinha sido o pior tipo de gente comigo, um traidor da Vincere, mas ela não tinha nada a ver com essa história e nem muito menos com a vida dele. Só que eu sabia que ela era o único ponto fraco dele, a mulher que ele decidiu não amar para mantê-la em segurança.
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  — Nem que eu mate a Ginevra?
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  Ele ficou louco, o barulho da corrente que o segurava no gancho foi alto, demonstrando o quanto ele tinha ficado transtornado. Ginevra era o seu amor de infância, eles namoraram por algum tempo na adolescência, mas quando Nero entrou de cabeça na parte violenta da máfia, a melhor decisão foi dar um fim e se afastar da moça. Estar nesse meio era perigoso e alguém que você ama sempre vai ser algo que pode ser usado contra você, na máfia você não pode ter um ponto fraco.
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  — Não ouse! — Um grito gutural saiu de sua boca.
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  — Então abra a porra da boca!
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  Um silêncio pairou o ambiente, olhei de soslaio para Filippo que sentia a mesma dor que eu, era nítido o quanto estávamos odiando aquilo tudo.
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  — Ele deve estar em Sevilha — disse, simples, deixando sua cabeça pender.
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  Larguei o martelo no chão e me aproximei dele, esperando que me olhasse antes de dizer:
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  — Espero que tenha valido a pena. — Olhei para o meu primo e ditei: — Descubra o resto ou eu mesmo matarei a amada dele.
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  Saí do porão sem esperar por Filippo, eu não estava em condições mentais de fazer nada além de cumprir uma ordem. Dei passos largos até o escritório do meu pai para informar o que descobri e que Filippo descobriria o restante. Nem mesmo esperei sua resposta, subi a escada e me tranquei em meu quarto, tirei minha roupa a caminho do banheiro e entrei embaixo do chuveiro, abri a torneira no máximo e senti os pingos grossos baterem em minha pele, então pendi a cabeça pra trás deixando a água penetrar em meus cabelos.
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  Aquilo doía, ser traído, perder a confiança que você construiu durante anos, uma amizade que era uma irmandade; aquilo destruiu um pedaço de mim. Gritei, gritei com tudo que podia e soquei a parede. Apoiei meu braço na parede lateral e encostei minha cabeça, respirei fundo diversas vezes e resolvi que empurraria essa dor pra algum lugar.
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  Eu precisava cuidar da %Pietra%.
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[...]

%Pietra% Alonso Perroni

  Os dias eram sempre iguais, eram raros os dias em que eu tinha vontade de descer para fazer as refeições, então Marta trazia meu café da manhã, meu almoço e meu jantar. Ao mesmo tempo que me sentia um estorvo para todo mundo, eu dava o meu máximo todos os dias, mesmo que não fosse muito. Era pedir demais que em apenas 29 dias eu conseguisse me reerguer completamente. Não ia ser tão ingrata assim, eu tinha melhorado, meus episódios de surto tinham passado, meus pesadelos tinham me deixado e eu tinha voltado a ler. A leitura me ajudava bastante, já que me dava a oportunidade de sair um pouco da realidade dolorosa.
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  Eu não aguentava mais tudo aquilo, queria que em um passe de mágica eu estivesse bem.
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  Ouvi batidas na porta e às vezes eu desconfiava se era coisa da minha cabeça ou se realmente era real. Eu me questionava sobre coisas básicas e era difícil viver sem conseguir acreditar completamente nos meus próprios sentidos.
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  — %Pietra%, posso entrar?
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  — Pode.
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  Vi %Matteo% surgir pela porta, ele estava com uma caixa quadrada grande e baixa em mãos e aquilo me fez franzir o cenho. Ele empurrou a porta para fechar com o pé e caminhou até a beirada da cama, fazendo com que eu me sentasse, curiosa. Esse era um sentimento que eu gostava, mas que com o TEPT tinha se tornado pura ansiedade. Contudo, quando eu estava com ele eu não me sentia ansiosa.
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  Não do jeito que me paralisava.
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  — O que é isso? — perguntei.
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  — Um presente pra você.
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  Ele colocou a caixa em cima da cama com cuidado e sorriu pequeno, olhando para mim parecendo esperar minha reação ao ver o presente, franzi o cenho achando tudo muito suspeito. De repente a caixa se mexeu, dei um sobressalto e fiquei de joelhos na cama.
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  — Eu juro que se for uma brincadeira…
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  — Abra logo. — Ele riu, divertido.
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  Abri a caixa devagar e quando vi aquela pequena bolinha de pelo, senti meus olhos encherem de lágrimas, puxei ele de dentro da caixa e pude ver melhor. Seu pêlo baixo, preto e marrom, os olhos castanhos e um lacinho roxo no pescoço. Abracei ele e senti as lágrimas escorrerem.
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  — Eu sei que o nosso pai nunca quis te dar um cachorro e também sei o quanto você sempre quis ter um.
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  — %Matteo%… — olhei pra ele e, sem saber o que dizer, me estiquei, ainda de joelhos no colchão, para abraçá-lo — obrigada.
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  — Não precisa agradecer. — Senti sua mão apertar a minha cintura. — Eu vou fazer tudo pra te ver bem.
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  Eu sabia o quanto %Matteo% estava tentando me ajudar, eu tinha noção que ele estava se desdobrando para me ver melhor, tinha certeza que fazia coisas que eu nem mesmo tomava conhecimento do seu esforço. Toda nossa relação mudou da água para o vinho ano passado, foi uma montanha russa de emoções e eu ainda lutava com elas. Lutava todos os dias que acordava e o via dormindo todo torto no sofá do meu quarto, ou quando ele me repreendia por querer beber, ou quando ele tentava me tirar do quarto ou só me arrancar um sorriso.
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  Era difícil lutar contra isso.
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  Fui me afastando devagar e levantei meus olhos até os dele, senti meu coração pulsar tamanha era minha vontade de beijá-lo. Entreabri meus lábios, nossos olhos se mantiveram presos um no outro, senti aquele impulso maluco depois de tanto tempo. Sua mão queimava em minha cintura, que estava aparente devido a minha posição, e então o cachorro latiu, nos tirando daquela atmosfera carregada e deliciosamente proibida.
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  Meu corpo desabou em meus calcanhares e curvei os lábios tentando disfarçar, tentando fugir daquele momento constrangedor, e soltei o pequeno filhote no colchão e ele latiu de novo, como se me chamasse a atenção.
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  %Matteo% pigarreou e passou a mão pelo cabelo, ele sempre fazia aquilo quando ficava nervoso, franzi o cenho ao notar sua mão enfaixada.
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  — O que foi isso? — Tentei pegar na mão dele, mas ele a colocou atrás do corpo.
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  — Nada, me machuquei interrogando um Delantera. — Por que eu sentia que tinha mais que isso? — Tem que escolher um nome pra ele. — %Matteo% mudou de assunto.
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  — É macho?
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  — Sim, achei que combinaria mais com você.
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  — Théo seria um ótimo nome pra ele, não acha?
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  — Não temos mais 16 anos, %Tita%.
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  — Mas a piada tem a mesma graça. — Olhei para o cachorro e perguntei: — Você gosta de Théo? — Ele latiu e sentou, me encarando, fazendo com que eu risse. — Viu? — Voltei meu olhar para %Matteo% novamente e ele estava sorrindo de um jeito tão genuíno. — O que você tem?
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  — Nada. Só… combina com ele. — Arqueei uma sobrancelha, estranhando aquele comportamento.
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  — Você vai ter que comprar coisas pra ele, %Matteo% — falei, preocupada.
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  — Não se preocupe, já comprei tudo que ele precisa por enquanto e, caso queira algo, podemos sair para comprar. — Eu sabia que era ele tentando me tirar de casa, e eu sentia que eu estava cada dia mais próxima de querer tentar, mas não agora.
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  — Eu não… — Engoli em seco.
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  — Ou você pode pedir pela internet. — Ele me interrompeu antes que eu pudesse continuar.
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  — Essa parece ser uma boa opção. — Curvei os lábios.
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  — Mas você vai precisar levar ele pra passear no jardim pelo menos.
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  — Tudo bem, isso eu posso fazer. — Peguei o cachorro no colo novamente e beijei o focinho. — Ele é tão lindo! — Quando olhei para %Matteo%, ele já estava na porta.
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  — Falei que combina com você. — Ele piscou o olho, sorrindo antes de sair e fechar a porta.
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  — Idiota — falei baixo, rindo, enquanto acariciava o focinho de Theo.
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[...]

  Os primeiros dias de Theo comigo foram cansativos, ele chorava querendo subir na cama de madrugada. Ele mijou no meu edredom 3 vezes, derrubou a água no carpete 6 vezes, mijou no tapetinho do banheiro 7 vezes, duas delas no tapetinho certo, além de ter me mordido e arranhado diversas vezes. No entanto, eu estava sentindo uma felicidade que me faltou em tantos outros dias.
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  Na primeira vez que levei ele no jardim eu vi Filippo conversando de um jeito esquisito com %Matteo%, mas sempre existiram segredos naquela casa, então eu nem me importei. Eu finalmente estava me sentindo bem depois de um bom tempo e não ocuparia minha cabeça com as merdas da Vincere. Brinquei com o bichinho todos os dias, Theo adorava uma bolinha e morder meus cabelos, se eu deixava meu cabelo solto, Theo lutava contra meus fios ruivos puxando-os com toda a força.
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  Hoje, quando acordei, tomei café da manhã no jardim, fazia tanto tempo que eu não fazia as mínimas coisas que eu gostava por estar tão mal. Theo pedia atenção quase 24 horas e o jardim era o lugar favorito dele, então eu fui obrigada a passar mais tempo ali e eu nem reclamava, isso era um ponto positivo na minha recuperação. %Matteo% sentou à mesa, logo em minha frente e deu bom dia, fez carinho no cachorro e se serviu de café. Continuei comendo e de olho no filhote, ele aprontava quando eu o perdia de vista.
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  — Ele está se comportando?
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  — É apenas um filhote, vai aprender com o tempo a ser um bom menino. — Passei a mão em Theo, que tentava puxar a toalha da mesa. — Não é, Theo? — Ele latiu, como se confirmasse.
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  — Para alguns isso funciona. — %Matteo% bebericou o café e me olhou com um sorriso despretensioso.
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  — Alguns não querem ser, é diferente. — Revirei os olhos.
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  — Com a dona certa eles aprendem.
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  Soprei o ar pelo nariz e dei um gole em meu suco, chamei Theo e fui sentar na grama próxima da piscina. Eu não iria acabar com meu dia discutindo com ele, mas %Matteo% não entendeu que eu queria ficar longe dele e se juntou a nós. Entretanto, ficou calado, o que foi inusitado, ele brincou um pouco com o filhote, porém parecia que não estava presente, e %Matteo% podia ser impulsivo, mas nunca foi avoado ou desligado dessa forma.
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  Algo estava acontecendo.
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  Eu até iria perguntar, mas Marta apareceu me chamando, dizendo que eu tinha visita. Engoli em seco e minha respiração ficou descompassada, senti minha garganta fechando e meu peito doía, crise de ansiedade instantânea. Eu odiava aquilo.
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  — Ei. — Foquei minha vista em %Matteo%, que segurava meu ombro e sorria minimamente. — Está tudo bem. Quer que eu vá com você?
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  — Sim. — Nem mesmo pensei se era uma boa ideia, mas peguei Theo no colo e levantei. Olhei para %Matteo% e respirei fundo, fechei os olhos e puxei o ar devagar pelo nariz uma, duas, três vezes e soltei pela boca.
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  — Eu vou estar aqui. — Abri os olhos acenando com a cabeça e caminhamos para dentro de casa devagar.
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  — %Tita%! — Meu coração se acalmou assim que vi Giovanna, ela correu e me abraçou. — Que bom que está bem. — Ela se afastou e bufou antes de continuar: — Por que não queria me ver? Eu estava preocupada!
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  — Eu… eu… — Engoli em seco e olhei para %Matteo% em um pedido de ajuda mudo.
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  — E essa coisinha linda! — Gio acariciou o filhote e sorriu.
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  — Giovanna, tente ser menos… — %Matteo% repreendeu a minha melhor amiga que o olhou de cenho franzido, então ele continuou: — você.
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  — Como é? — Ela cruzou os braços, irritada.
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  %Matteo% foi me empurrando para subir a escada e Giovanna veio atrás, reclamando um monte, céus, desde que ela finalmente caiu na real que amava o Vince, %Matteo% se tornou um qualquer. Entramos em meu quarto e a loira ainda esperava uma explicação. Eu nem sabia por onde começar, eu não deveria ter protelado tanto para conversar com a minha melhor amiga. No entanto, eu não conseguia conversar com ninguém, nem mesmo minhas irmãs entendiam muito bem como eu estava.
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  Era complicado.
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  — %Pietra% está passando por um momento que…
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  — Não quero ouvir de você, %Matteo%. — Ela se voltou para mim e sentou ao meu lado na cama, assim que ela tentou acariciar meu ombro, eu me afastei por reflexo. — O que houve?
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  — Quando foi que a minha autoridade nessa máfia deixou de existir? — Ela encarou %Matteo% como se nada que ele dissesse pudesse frear sua língua e ele suspirou. — Se você deixar eu falar, Coppola… está me tirando do sério. — Gio respirou fundo e cruzou os braços em frente ao peito. — %Pietra% está em recuperação, ela precisa do tempo dela.
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  — Recuperação do quê? — Gi me olhou com os olhos saltados e perguntou: — Você se machucou?
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  — Eu machuquei alguém, Gi.
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  — Quer que eu saia, %Tita%? — indagou %Matteo% e eu balancei a cabeça em negativo. — Talvez seja bom conversar um pouco com a Giovanna…
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  — Não sei se… consigo.
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  — Consegue sim… Eu… — Ele pareceu procurar uma desculpa — vou fumar ali na varanda, estarei ali, é só me chamar… — %Matteo% sorriu solícito antes de nos deixar a sós.
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  Tomei fôlego, larguei Theo no chão e comecei desde o momento que Beatrice descobriu que Carolyn era uma infiltrada, de quando surtei com a mulher que apareceu na boate dizendo ser minha mãe, ocultei algumas informações já que eu não estava preparada para ouvir as perguntas sobre elas. No entanto, a parte em que %Matteo% tinha me ajudado e que seguia ao meu lado eu não podia deixar de fora. Ele tinha sido e continuava sendo uma parte importante da minha recuperação, no entanto, era só isso que eu diria sobre ele.
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  — Eu não sei o que dizer, %Pietra%.
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  — Não tem muito o que falar, Gi, eu estou fazendo o que posso pra ficar bem. — Acariciei minhas mãos e olhei para a porta da varanda, vendo %Matteo% encostado no parapeito, fumando. — Tenho tido a ajuda necessária… — Voltei a olhar para Giovanna, que mantinha um semblante de afago.
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  — Estou um pouco surpresa de o %Matteo% ser quem esteja te ajudando… — sussurrou ela.
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  — Eu também fiquei…
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  — Você sabe que pode contar comigo e com o Vince. Ele também queria ver você.
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  — Diga pra ele que vou ficar bem e que logo ele estará fazendo martinis pra mim.
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  — Falando nisso… Quando você volta?
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  — Não sei, Gi, não me sinto pronta pra sair de casa ainda. — Mordi o lábio, baixando os olhos e voltei a olhar pra ela tentando sorrir. — Mas me conte, como está tudo?
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  — Estou pra jogar tudo pra cima. Beatrice precisou voltar pro laboratório, os cozinheiros estão me enlouquecendo e fiquei uma semana com um barman a menos, Juan pediu alguns dias de folga…
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  — Mas ele já voltou?
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  — Sim, foi só uma semana, mas estou sem você, não é?
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  — Não sei quando volto, Gi, consegue dar conta?
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  — Sempre.
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  Sorri pensando que eu sempre teria pessoas ao meu redor que fariam tudo por mim, sou sortuda por isso.
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Lelen

Eu amo uma amizade! (que não venha uma traição, por favor)
E o Nero… Bom, já tinha o nome do doido, não sei se dava para se surpreender com essa revelação, mas sabendo que ele tem uma paixão de infância eu estou desapontada. HAHAHA
E gente, PROTEJAM O THÉO PORQUE SE ALGO ACONTECER COM ELE EU INCORPORO O JOHN WICK, TEJE DITO.
Que não tenhamos mais traições, por favor, obrigada.

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