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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Vincere

Escrita porHatakesaturn
Revisada por Lelen

Capítulo 5

%Pietra% Alonso Perroni

  — Você tá parecendo pronta pra matar alguém… — Giovanna comentou ao me ver cruzar a porta de entrada da boate.
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  — Se ficar de gracinha pode ser que seja você. — Sorri sem humor e ela fez uma careta.
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  — Um martini pra dona Alonso, Vince — ela disse assim que o moreno entrou atrás do balcão segurando uma caixa cheia de bebidas.
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  Ele largou a caixa e olhou para nós franzindo o cenho antes de falar:
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  — São nem 10 da manhã…
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  — Ah, Vincenzo, desde quando tem hora para beber?! — disse, irritada. — Já passou do meio dia em algum lugar…
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  — O que houve? — Coppola debruçou-se no balcão me olhando curiosa.
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  — Você sabe que todo ano meu pai faz a festa de gala no aniversário dele… — Ela balançou a cabeça em positivo e Vincenzo me entregou a taça na qual dei um gole. — Obrigada, Vince. — Voltei a encarar a loira e continuei: — Você sabe também que um de nós fica responsável em organizar tudo.
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  — Sim, ano passado foi a Luna, lembro da quantidade de doces deliciosos que ela fez. — Coppola bateu palminhas e sorriu, animada.
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  — Meu pai pediu para eu e %Matteo% organizarmos a desse ano.
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  — Quê?! — Não só ela, mas Vincenzo também perguntou ao mesmo tempo.
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  — O karma deve estar querendo me foder. — Dei mais um gole na minha bebida e levei os olhos até Pelegrini, que mantinha um sorrisinho nos lábios.
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  — Prazer, Karma. — Não me contive e gargalhei, que amigo atrevido que eu fui arrumar.
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  — Cala a boca, idiota! — Giovanna jogou um pano de prato nele. — Vá buscar o resto das bebidas. — O moreno sumiu das vistas indo para a parte do estoque e a loira se voltou a mim. — O que vai fazer agora?
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  — Tentar dividir as tarefas. Vim pensando nisso o caminho inteiro… Se dividirmos, cada um vai fazer algo bem longe um do outro.
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  — Esperta! — Ela piscou para mim e deu um tapinha no meu ombro.
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  Virei o restante da bebida e avisei:
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  — Vou subir para fazer a contabilidade, só me chame se a boate estiver pegando fogo.
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  — Pode deixar!
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  — E peça o meu preferido a Santiago para o meu almoço — Vincenzo voltava com outra caixa em mãos, então apontei para ele —, e deixa que o barman atrevido leva para mim. — Peguei minha bolsa e me virei em direção à escada.
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  — Vocês dois não prestam… — Ouvi a loira dizer e sorri.
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  Esperto mesmo era Vincenzo: fodia comigo ou com Giovanna entre servir uma bebida e outra.
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  Larguei minha bolsa e sentei em frente ao computador. Fazer a contabilidade do mês era difícil, eu tinha que contabilizar as drogas, porém, não era como se fosse um negócio legal. A boate dava muito dinheiro, era verdade, mas não tanto quanto os sintéticos que vendíamos. Um estoque cheio de bebidas me ajudava a manter as aparências, porém, fazer duas contabilidades contando com o dinheiro que foi mandado para o restaurante era estressante.
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  Eu estava na metade da segunda planilha quando comecei a pensar no quanto seria problemático organizar a festa do papai com %Matteo%. Então decidi resolver esse problema de uma vez, abri uma nova planilha e comecei a colocar as tarefas e os nossos nomes ao lado, como disse Júlio César: dividir para conquistar. Assim que terminei me joguei na cadeira suspirando e então ouvi batidas na porta. Vincenzo entrou com o meu almoço na bandeja, ele colocou na mesa e eu agradeci.
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  — Precisa relaxar?
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  — Não, tudo bem, Vince… Eu só preciso, sei lá, fazer uma terapia? — Revirei os olhos e ele riu.
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  — E não precisamos todos? — Ele deu de ombros e eu peguei os talheres para começar a comer, não tinha percebido o quanto estava com fome até sentir o cheiro da comida maravilhosa que Santiago fazia. — Ei… — Olhei para ele que parecia receoso com o que iria dizer. — Desculpa por ter falado aquilo na frente da Giovanna.
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  — Vincenzo, já falei que tá tudo bem… A gente sabe que você come nós duas, estamos bem com isso.
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  — Às vezes eu esqueço o quanto pode ser despudorada, Alonso… — Ele riu e foi andando até a porta.
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  — Problema seu, me conhece desde a adolescência, não aprendeu?
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  — Você piorou com o tempo…
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  — Vai se foder, Pelegrini. — Nós dois gargalhamos e ele saiu do escritório. — Atrevido demais…
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  Antes de começar a comer, fechei a planilha e enviei para %Matteo%, se ele quisesse trabalhar comigo seria do meu jeito.
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[...]

  Saí da boate mais cedo, vi que %Matteo% estava sentado em uma das mesas da área vip e apenas ignorei, se ele quisesse continuar indo, o problema era dele. Pedi para Giovanna e Vincenzo fecharem a Fascino, eu estava exausta e com dor nas costas de passar o dia no computador. Resolvi que no sábado eu iria para a boate só à noite, deixei avisado à minha melhor amiga e parti para casa para um belo banho de banheira.
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  Cheguei em casa, peguei um champanhe, alguns aperitivos e subi para o meu quarto, arrumei tudo no meu banheiro, peguei meu livro e entrei na banheira cheia de bolhas, suspirei, aproveitando o meu momento, fazia tempo que não fazia algo para relaxar, eu e eu. Dei um gole em minha taça sentindo as bolhas na minha língua e logo em seguida descer refrescante pela minha garganta, eu adorava martini, era um dos meus drinks favoritos, mas champanhe era especial.
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  — Eu sei o que está fazendo…
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  Me engasguei com o segundo gole que eu dava quando vi %Matteo% parado no batente das portas duplas do meu banheiro, olhei para ele com os olhos arregalados.
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  — E eu gostaria de saber o que está fazendo no meu banheiro?! — falei alto, irritada.
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  Larguei meu livro na mesinha lateral, assim como a taça que estava na minha outra mão, apesar de ela poder ser útil em caso de querer ou precisar jogar algo naquele idiota.
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  — Não vamos fazer as tarefas separadas, se Otelo colocou a gente para trabalhar juntos é o que vamos fazer, cariño. — Senti meu sangue fervendo de ódio, %Matteo% tinha passado dos limites.
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  — Vai se foder, %Matteo%, saia do meu banheiro… Agora! — Alterei meu tom de voz mais uma vez, só ele conseguia fazer com que eu me exaltasse, era impressionante o quanto ele me tirava a sanidade.
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  — Outra coisa importante… — Ele deu alguns passos em minha direção e eu, por reflexo, me encolhi na banheira, eu estava pelada, caralho. — Vai aceitar os soldados extras que propus na Fascino?
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  — Por mim você pode enfiar seus…
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  — Tsc… — Ele estalou a língua cortando minha frase, fazendo eu bufar revirando os olhos. — Por que você insiste em complicar a minha vida, carino? — Ele olhou bem nos meus olhos, fazendo eu engolir em seco, então %Matteo% pegou um queijo do prato que estava ao lado da banheira e virou para sair. — Terei que vigiar você de perto?
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  — Está fazendo isso por que quer, não pedi proteção… — Arqueei uma sobrancelha.
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  %Matteo% voltou seus olhos negros até mim novamente e disse com propriedade:
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  — Eu estou a cargo da segurança da famíglia, então cabe a mim achar quando precisa de segurança, mesmo você não pedindo.
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  — Você é muito cheio de si, sabia? — Ri completamente sem humor.
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  Ele sorriu de canto e disse:
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  — Você não viu nada, %Tita%.
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  — Saia… Adesso! — Soltei o ar com força pelo nariz e vi ele sair rindo. — Maledetto
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[...]

  Eu tinha tudo planejado para o sábado, seria um dia para descansar. No entanto, as minhas irmãs tinham outros planos quando invadiram o meu quarto e me tiraram da cama às 9 horas para ir para a piscina. Eu adorava passar tempo com elas e, realmente, fazia algum tempo que não ficávamos juntas, além do mais, eu estava mesmo precisando pegar um sol, sentir ele esquentando a minha pele era bom.
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  Confesso que estava gostando da nossa manhã, até o momento em que elas começaram a falar de algo que eu estava evitando pensar.
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  — E como fará a festa do papai este ano? — Beatrice perguntou.
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  — Estou curiosa para ver se vocês dois vão conseguir chegar na parte da festa de fato ou o duelo vai acontecer antes. — Giulia comentou dando um gole em seu suco de laranja.
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  — Sinceramente, vocês três são piores que ele…
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  — Ponto positivo para %Matteo%! — Beatrice gargalhou, levando as minhas irmãs a rirem em comemoração também.
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  — Claro — baixei os óculos de sol até a ponta do nariz e olhei para elas —, precisou só de três seres humanos para se igualar ao quanto ele é insuportável… Belo ponto positivo.
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  — Você estraga tudo… — Luna fez bico.
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  Revirei os olhos e encaixei os óculos em seu lugar novamente, recostando na espreguiçadeira onde tomava sol. Senti meu celular vibrar ao meu lado e o peguei, vendo uma mensagem de %Matteo% dizendo que queria conversar comigo sobre a festa no final da tarde, apenas ignorei, queria relaxar naquele dia e ele não se encaixava na definição de tranquilidade. Não demorou para que os empregados servissem o almoço na mesa perto da piscina, fiquei feliz, afinal, sol e piscina me davam uma fome fora do normal. Sentamos todas juntas e entre risadas, conversas e às vezes alguns xingamentos desnecessários, principalmente vindo de Bea, nos deliciamos com um cordeiro com ervas, batatas ao murro e uma salada primavera.
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  Depois de passarmos tempo demais bebendo alguns drinks depois do almoço, coloquei meu roupão e entrei em casa, fui até a biblioteca e não vi meu pai, queria perguntar algumas coisas para ele. Ele nunca dizia o que queria exatamente em seu aniversário, mas sempre dava algumas dicas nas entrelinhas e eu gostava de prestar atenção nisso pra fazer uma festa que ele gostasse. Essa festa era uma responsabilidade enorme, até entendia meu pai ter pedido para dois de nós fazermos, até porque, ele faria 60 anos, acho que ele queria que fosse especial, então queria caprichar.
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  Fui até a cozinha e peguei um pacote de batatinha, eu tinha bebido demais e nem tinha percebido, estava até um pouco tonta, mas nada fora do limite, só que beber me dava fome e era muito tarde para um lanche e muito cedo para o jantar, então um salgadinho iria servir. Precisava colocar algo no meu estômago, era imprescindível que estivesse sóbria pra ser eficiente caso quisesse organizar algumas coisas para a festa de gala. Subi a escada devagar e caminhei pelo corredor, assim que cheguei ao meu quarto vi quem eu estava tentando evitar.
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  — Vai virar recorrente você invadir meu quarto? — Revirei os olhos e larguei o pacote de salgadinho em cima da minha mesa de cabeceira, junto a garrafa de chá, que também tinha trazido comigo.
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  — Depende, vou precisar caçar você dentro de casa? — %Matteo% levantou da poltrona e veio em direção ao meio do quarto.
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  — Eu estava na piscina com as minhas irmãs, não se deu ao trabalho de ir até o lado de fora?
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  — Não imaginei que estaria lá… — O moreno deu de ombros. — Precisamos conversar… Eu já pedi para o Filippo encomendar os convites, contratei a mesma agência de decoração de sempre e… — ele pareceu pensar — queria ver qual tipo de buffet quer servir.
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  — Você já fez mais do que eu, parabéns. — Sentei em minha cama e me ajeitei entre meus travesseiros. — Papai gosta de carne de cordeiro, sabe disso.
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  — Nada cru, nada com molho de tomate e muito menos com azeitonas. — %Matteo% disse em tom de obviedade. — Sei de tudo isso.
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  — A empresa que cuidava da entrega de bebidas vacilou ano passado, vamos ter que escolher outra.
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  — Disso você entende… — Ele se apoiou na ponta do colchão para me olhar atentamente e me mantive impassível.
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  — O que isso quer dizer? — Arqueei uma sobrancelha.
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  — Que você é dona de uma boate. É isso que quer dizer.
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  — Verei o que posso fazer. — Abri meu livro para enfim ficar em paz.
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  — Até que trabalhamos bem juntos. — Baixei o livro apenas o suficiente para olhar para a cara dele de ironia, então ele se mexeu até a porta e a cruzou, mas não antes de falar: — Bela imagem… — A porta fechou e uni as sobrancelhas sem entender nada, porém não fazia questão de entender, então voltei a minha leitura.
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[...]

  Assim que cheguei na boate na segunda passada, entrei em contato com o nosso fornecedor de bebidas, falei com ele e encomendei tudo que seria necessário para a festa, mas ele não tinha o whisky preferido do meu pai. Sabia que era difícil encontrar, então teria que ir até uma loja especializada para comprar algumas garrafas. Não muitas, já que meu pai não divide o whisky dele com ninguém, a não ser com seu único filho homem: %Matteo%.
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  Revirei os olhos só de pensar no idiota.
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  Estava tudo caminhando bem na última semana, todos os membros da famiglia estariam presentes na festa de gala, como em todos os anos, afinal, era a maior festa que dávamos, era o momento de Otelo brilhar e impor o seu poder e lugar dentro da cosa nostra. Ele adorava o dia do aniversário, era tudo sobre ele e não havia nada melhor para o meu pai do que ser o centro das atenções.
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  Vincenzo entrou em meu escritório, já que a porta estava aberta e colocou um drink em cima da minha mesa, franzi o cenho, pois não era o meu martini de sempre.
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  — Acho que vai gostar…
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  — Se você está dizendo… — Sorri pegando a taça e dei um gole, maldito, ele estava certo, era doce e ao mesmo tempo refrescante. — O que é?
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  — Cosmopolitan, sei que não gosta muito dos americanos, mas temos que admitir que eles sabem fazer um bom drink.
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  — Em alguma coisa eles tinham que ser bons. — Dei de ombros empinando o nariz e voltei aos meus papeis.
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  — Você deveria descer e curtir um pouco…
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  — Não tenho tempo para isso, Vince, além da boate para administrar, tenho uma festa para organizar.
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  — Não tinha que organizá-la com seu irmão?
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  — Sim, mas…
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  — Ele está lá embaixo curtindo enquanto você trabalha. — Vincenzo me cortou fazendo uma expressão de bom moço enquanto ia em direção à porta de costas.
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  — Como todos os dias na última semana… — Bufei ao me encostar na cadeira.
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  — Por que não aceita a proposta dele de uma vez?
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  — De maneira nenhuma… — disse irritada. — Daqui a pouco ele cansa dessa idiotice.
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  — Se você quiser se ver livre dele, é só ceder dessa vez… — Torci os lábios ao olhar para Vince, deixando claro que aquilo não iria acontecer. Ele deixou a sala e eu apenas ri da audácia do meu amigo, enquanto pegava meu celular e abria o aplicativo de mensagens.
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Você poderia achar outra boate para se divertir.

Idiota da familia: Assim que parar de ser orgulhosa.

Sei cuidar do que é meu, obrigada.

Idiota da família: Tenho minhas dúvidas.

  Filho da puta, às vezes a vontade de cometer assassinato era maior do que o medo do meu pai me matar por ter acabado com o prossimo. Ouvi barulho na porta e olhei achando que era o Vincenzo, porém eram dois homens que nunca tinha visto na vida e eu franzi o cenho levantando da cadeira.
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  — Senhores, aqui é área restrita a funcionários. — Entrei em alerta quando o de cabelos grisalhos trancou a porta, baixei os olhos e vi o que estava de capuz girar facas em suas mãos. — Quem são vocês?
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  — Senhorita Perroni, viemos em paz… — O ruivo sorriu de forma demoníaca antes de vir para cima de mim.
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  Chutei a cadeira em direção a ele e dei um salto para trás, olhei ao redor estudando minhas saídas, porém o outro veio com as facas em minha direção, desviei das tentativas de me acertar, apoiei-me na mesa e o chutei. O outro me pegou pelos braços, me deitando na mesa, dei um impulso com as pernas e dei uma cambalhota, acertando no meio do peito do de cabelos vermelhos, que bateu na parede e caiu no chão.
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  — A garotinha sabe lutar…
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  — Estou notando… — disse ele, levantando-se.
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  Olhei para trás e para frente, minha respiração já estava ofegante, fazia meses que não treinava, achava que não precisaria mais estar em forma para um combate corpo a corpo. Maldita ideia de que uma arma faria o trabalho que meu corpo não conseguiria mais… A arma! Peguei a pistola encaixada embaixo da mesa e apontei para o que estava atrás de mim, conseguia ver o outro pelo espelho na parede, engoli em seco, eu estava em desvantagem, cansada e quem eu queria enganar? Nunca consegui atirar em ninguém.
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  Meu celular vibrou em cima da mesa e assim que olhei de soslaio, o ruivo veio para cima de mim, brigamos pela arma até que apertei o gatilho, mas o disparo acertou apenas o teto. Dei uma cabeçada nele, assim que vi o outro se aproximar com aquelas facas pelo espelho. Saí por baixo dos braços do que tentava me segurar enquanto ainda estava tonto, o outro veio em minha direção, enfiei a arma na minha cintura e lutei pela minha vida, eu não tinha muito o que fazer, sabia que não seria capaz de matar alguém. No entanto, eu poderia acertar outros lugares que não fossem mortais, peguei a arma da minha cintura, mas não consegui atirar a tempo.
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  — Ah! — gritei ao receber um corte perto da minha costela, a arma voou da minha mão e coloquei a palma no ferimento, senti o sangue escorrer. — Merda… — sussurrei.
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  — Se prometer ficar quietinha, vai ser rápido, docinho. — O ruivo de cabelos compridos sorriu enquanto caminhava até mim.
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  — %Pietra%? — Ouvi batidas na porta e arregalei os olhos agradecendo a seja lá que santo que resolveu me poupar.
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  — Socorro! — berrei.
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  Os dois vieram para cima e lutei com o resto de energia que tinha enquanto escutava a porta quase sendo colocada abaixo, não sabia quem tinha falado meu nome, eu estava desnorteada, cansada e o homem de capuz me acertou mais 3 vezes, duas nos braços e uma na coxa quando tentei chutá-lo. Finalmente a porta foi arrombada e consegui ver %Matteo%, ele entrou com a arma em punho, deu dois tiros no ruivo como se não fosse nada, aquilo me fez ficar petrificada. Ele começou a lutar com o encapuzado, porém senti que desmaiaria e acreditava que isso tinha feito %Matteo% perder o foco ao olhar para mim e o outro homem conseguiu fugir.
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  Meu corpo estava mole e meus olhos queriam fechar, apenas me entreguei à fraqueza, mas não senti o chão e sim o corpo de %Matteo% me amparando. Pisquei devagar, olhei para cima e vi os olhos negros me encarando preocupados, sua mão acariciou minha bochecha e eu o abracei.
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  — Você está segura agora.
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  — Obrigada… — sussurrei antes de apagar.
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Lelen

Difícil fazer parte de uma família mafiosa, né? Tem nem um dia de paz, só começar a ficar tranquilo que um perigo aparece pra dizer “não, não, aqui não terás descanso” e recomeça o Deus nos acuda HAHAHA
Eu acho que talvez a gente tenha um plot twist no meio dessa história, tipo alguém de dentro da Vincere ajudando o povo de fora porque quer tomar o controle do negócio… Ou o Matteo (ou a Pietra) na verdade ser filho de outro mafioso. Enfim, minha cabeça só foi HAHAHAH
Matteo sabe disfarçar não, mas pelo menos isso ajuda a eu ficar com menos julgamento pro lado dele (por enquanto KKKK).

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