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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Vincere

Escrita porHatakesaturn
Revisada por Lelen

Capítulo 31

%Matteo% Perroni

  Senti-la de novo foi como estar no paraíso, ao mesmo tempo que a dor daquele tiro me fazia ter a certeza que eu morreria e nunca mais a teria em meus braços. Eu não tinha escolha, não ali, no chão, baleado e completamente incapaz de qualquer coisa. Morreria feliz se fosse pra ela viver, até porque, jamais conseguiria continuar vivo sem ela. Minha vida não valeria nada se eu não pudesse vê-la todos os dias, mesmo que me odiasse, mas agora com os lábios dela nos meus, eu sabia que eu tinha ganhado o seu perdão. Pelo menos morreria em paz sabendo que ela ainda sentia amor por mim.
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  Abri os olhos devagar, que nem mesmo tinha notado fechá-los, e vi o cabelo vermelho. Levei minha mão até a sua e ela me olhou segurando a minha. Ela era a mulher da minha vida, eu tinha certeza disso, porém agora, teríamos que nos encontrar em uma próxima. Sorri ao ver que ela estava usando o colar que eu tinha dado a ela, peguei no pingente e disse que isso me deixava feliz. Ela pareceu surpresa, mas quem mais teria dado aquele presente a ela?
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  Fechei os olhos por instantes e quando os abri vi a luz forte me cegar e senti aquela máscara incômoda no meu rosto. O barulho de bip era ensurdecedor, martelando em meus ouvidos e tinham muitas vozes que eu não conhecia à minha volta. Olhei para os lados lentamente e vi os paramédicos levando bandejas pra lá e pra cá e andando pela sala em que eu estava deitado.
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  — Ele ainda está acordado… — Vi uma enfermeira se aproximar de mim.
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  — Vou sedá-lo, Doutor Andrea.
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  Ah, sim, era o Doutor Andrea que estava ali, ele era bom, nosso médico de confiança saberia o que fazer para me salvar caso eu tivesse salvação, eu estava em boas mãos, afinal. Senti minhas pálpebras pesarem, o som de bip, que deveria ser os meus batimentos, ficavam cada vez mais longe e depois disso tudo virou escuro.
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[...]

  Respirei fundo e agradeci pelo oxigênio entrar em meus pulmões, não sabia quanto tempo havia passado, mas meu corpo estava pesado, assim como meus olhos, não conseguia abri-los. Tentei mexer minha mão, constatei que estava acordado pois senti o lençol em meus dedos. Deveria ser o efeito da anestesia, se fosse, logo passaria. Tentei dormir mais um pouco e então, quando finalmente acordei novamente, consegui abrir meus olhos. Demorei um tempo para focar a visão, mas a primeira coisa que vi foi o vermelho fogo incendiando em minha frente. Ousei sorrir. %Pietra% estava com os braços dobrados em cima do colchão, próximo dos meus joelhos, e a cabeça apoiada neles, dormindo. Alguns fios ruivos cobriam seu rosto, mas eu ainda podia ver aquelas sardas estampadas em suas bochechas.
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  Levantei minha mão e com as costas dos dedos acariciei sua bochecha, retirando uma mecha da frente do seu rosto. Ela franziu o cenho e apertou os olhos antes de os abrir lentamente. Sua cabeça levantou devagar e sua expressão mudando de sonolenta para felicidade, e logo algumas lágrimas tomaram a face dela. Eu estava sem palavras pra definir o quanto aquilo tinha sido a coisa mais maravilhosa que eu já tinha visto. Deveria ser a primeira vez que vi %Pietra% sorrindo dessa forma pra mim, aquilo era novo, assim como essa sensação no meu peito também era.
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  — %Matteo%!
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  Senti seus braços em volta do meu pescoço e sorri fechando os olhos, aquela era uma sensação melhor ainda. %Pietra% me ensinaria que mesmo com 33 anos eu conheceria novas emoções. Ela se afastou lentamente e olhou em meus olhos, suas esmeraldas brilhavam e eu amava aquilo. Seus lábios se uniram aos meus em um movimento completamente inesperado. No começo fiquei surpreso, contudo, levei minha mão até sua nuca e retribuí. Foi diferente de todas as outras vezes que nos beijamos, foi um selar de lábios cuidadoso, saudoso e arriscava a dizer que com amor. Consegui sentir algo incendiando em meu peito e foi tão gostoso aquilo, chegava a ser irreal que algum dia eu sentiria algo parecido. Ela se afastou, desconcertada, parecia que ela também não sabia que iria ter aquela reação.
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  — Isso vai ser recorrente? — perguntei, curvando levemente o canto da boca.
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  — Eu… — Ela mordeu o lábio inferior, olhou para o chão e voltou a me encarar com uma expressão completamente diferente. — Foi um lapso. — Ela empinou o nariz, pigarreando.
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  Por um momento eu vi um rastro da antiga %Pietra% em seu olhar, era nítido o quanto ela tinha mudado nos últimos meses. Eu estava feliz pelo amadurecimento dela, mas também me culpava pela parte obscura que tomou seu coração. Era horrível pensar que eu não pude evitar ela se tornar uma pessoa tão amarga quanto eu. Contudo, talvez pudéssemos curar um ao outro nessa parte. Seria um novo começo.
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  — Achei que ia morrer… — ela sussurrou, engolindo em seco.
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  — Eu também.
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  — Agora que os pombinhos se resolveram, podemos falar sobre esse cretino? — %Pietra% revirou os olhos e cruzou os braços se afastando um pouco de mim. — Sorella, não precisa disfarçar… — Giulia riu e se aproximou de nós com o tablet em mãos. — Ele está em Barcelona.
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  — Em que lugar de Barcelona? — %Pietra% trincou os dentes e puxou o tablet para as suas mãos. Era novidade aquela raiva que eu via em seus olhos.
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  — O que eu perdi? — perguntei, desorientado.
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  — Luca… foi ele que… — vi a ruiva tentar medir as palavras — atacou a cerimônia…
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  — Como você sabe disso? — Franzi o cenho e %Pietra% respirou fundo desviando o olhar.
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  — Ele ligou para nossa querida irmã enquanto você ainda estava em cirurgia — disse Giulia de uma vez e eu senti a raiva me consumir por completo.
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  — Ele fez o quê?! — Acabei me exaltando e o monitor cardíaco começou a apitar, já que a minha respiração começou a acelerar e meus batimentos cardíacos também.
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  — %Matteo%… — %Pietra% empurrou o tablet para Giu e se aproximou de mim colocando uma mão em meu braço e a outra em meu peito. — Fique calmo…
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  Uma enfermeira apareceu na porta alarmada, mas Giulia disse que ela não precisava se preocupar, mandou ela embora e fechou a porta do quarto. Fechei os olhos e tentei controlar minha respiração até o monitor voltar a ficar verde.
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  — Explique isso direito… — Abri os olhos e falei mais calmo.
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  — Só se prometer não se exaltar.
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  — Farei o possível. — Ela me olhou reprovando minha resposta e eu soltei o ar pelo nariz. — Vou tentar, %Pietra%…
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  Quando ela me contou o que ele disse no telefone eu juro que tentei controlar cada músculo para não sair dali e andar até o maldito e acabar com a vida dele. Como ele se atreveu a isso? %Pietra% estava claramente abalada e não de uma forma fragilizada, mas no nível de querer colocar fogo na cidade. Ela realmente tinha mudado bastante e eu admirava seu crescimento como mafiosa, não queria que tivesse sido tão traumático, porém, tudo aconteceu como tinha que ser.
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[...]

  — A partir de agora vocês vão se virar bem sem mim — começou meu pai.
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  Estávamos apenas eu, %Pietra%, Filippo e meu pai no escritório. Depois de receber alta do hospital, meu pai fez diversas reuniões exaustivas, eu e %Pietra% precisávamos ficar a par de tudo, segundo ele. No dia de sua viagem, ele nos chamou para uma última reunião, era algo que eu já esperava, mas era difícil imaginar nossas vidas sem Otelo. Você saber que um dia vai ter que se virar sozinho, é bem diferente de estar passando por isso. Aliás, ele mesmo disse que estaria ali para nos ajudar, porém, os negócios chamaram.
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  — Tinha em mente que estaria presente — falei sentido.
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  — Preciso ir pra Itália, filho, você já sabe de tudo isso.
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  — Pai, precisamos de um consegliere — comentou %Pietra%.
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  — Acho que seu irm… — Vi %Pietra% fazer uma careta. — %Matteo% já tem algo em mente quanto a isso — Otelo se corrigiu e olhou para mim, fazendo eu respirar fundo.
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  — Vou dar meu veredito na reunião com minhas irmãs.
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  — E não conversou comigo? — perguntou %Pietra% chateada.
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  — Não conversei pois sei que irá concordar comigo… — Vi ela arquear uma das sobrancelhas. — Confie em mim, sim?
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  — Tenho escolha? — Balancei a cabeça em negativo.
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  — Ótimo, vejo que estão se dando melhor do que o esperado. A Vincere está em ótimas mãos… — Meu pai falou sorrindo e olhou para o relógio. — Agora, Filippo, chame as garotas, vou me despedir delas e preciso ir, senão perco meu avião.
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  — Peça pra elas virem até o escritório depois, primo — pedi e ele apenas assentiu.
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  — Obrigada, Don. — %Pietra% sorriu, grata.
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  — Não mais… — Otelo sorriu e se aproximou de nós dois, deu um beijo na testa de %Pietra%, que sorriu e o abraçou. — Até breve, princesa. — Seus olhos se voltaram a mim antes dele falar: — Acho que o amor pode encontrar até alguém como nós, filho. — Ele piscou o olho direito pra mim e eu franzi o cenho.
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  Ele estava nos dando permissão?
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  %Pietra% olhou pra mim com uma expressão confusa e eu apenas dei de ombros, disfarçando minha clara surpresa. Dei a volta na mesa e sentei na poltrona que meu pai estava antes e respirei fundo. Dali em diante seríamos apenas nós. Confesso que era um pouco assustador. Levantei os olhos até minha subchefe e percebi que precisava pelo menos transparecer que sabia o que estava fazendo, afinal, se eu não soubesse, quem saberia?
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  Passei anos da minha vida sendo treinado pra isso, virar o Don na teoria seria fácil, mas quando você encarava aquilo de frente era uma sensação completamente diferente e nova. Acreditava que faríamos um bom trabalho, porém, agora tudo estava em nossas mãos.
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  — Vou chamar minhas irmãs. — %Pietra% deu as costas e começou a andar.
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  — %Pietra%. — Ela virou pra mim novamente. — Seu lugar é aqui… — Olhei para o meu lado e em seguida de volta para ela. — Filippo já foi fazer isso.
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  — Hm. — Ela parecia inquieta e incomodada.
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  — Está desconfortável com sua posição?
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  — Não é isso, eu só… — Ela soltou o ar pelo nariz com força e cruzou os braços. — Não gosto dessa hierarquia entre nós, Filippo é meu primo… Acho indelicado. — Ela marchou até o meu lado e ali ficou.
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  — Você sempre soube da necessidade da hierarquia no comando da famiglia, %Tita%.
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  — Isso não quer dizer que eu concordava com ela, somos família, por que temos que nos tratar como desiguais? — disse, frustrada.
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  — Você foi treinada dessa forma desde criança, assim como eu, achei que já estava acostumada… — Continuei olhando para ela que estava prestes a responder, mas sua atenção se voltou para a porta.
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  — Achei que parariam de brigar a partir de agora… — falou Beatrice atraindo a minha atenção também.
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  — Não estamos brigando, estamos… — pigarreei ao notar o tamanho da tromba que %Pietra% estava em sua cara — resolvendo algumas pendências.
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  — Claro — falou Giulia debochada e sentou em uma das poltronas, assim como Beatrice, Luna se apoiou em um dos braços da poltrona em que Giu estava e Filippo se manteve em pé ao lado das garotas.
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  — Posso iniciar a primeira reunião da Vincere como Don?
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  — Não deveria perguntar, %Teo%… — falou Luna baixo.
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  Suspirei e então continuei:
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  — Primeiro eu queria agradecer por confiarem em mim para ser o Don, assim como em %Pietra% para ser nossa sottocapo. — Olhei para %Pietra% que mantinha um leve sorriso nos lábios. — Como já sabem, Otelo foi para Itália cuidar dos negócios por lá e também da Victoria inc e como ele deixou claro, agora está nas nossas mãos. Nosso pai vai voltar a morar na Itália. — Todas elas prestavam atenção no que eu falava e isso me deixava feliz. — Agora a Vincere vai ser um pouco diferente, por mais que eu seja o Capo, vocês fazem parte da famiglia. Então, queria dizer que tomei uma decisão e quero consultar vocês se concordam com ela.
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  — %Matteo%, não deveria nos consultar seja lá qual decisão tomar, o Don tem…
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  — Eu sei de tudo isso, mas de agora em diante as coisas serão do nosso jeito — cortei seu raciocínio, pois sabia onde iria chegar e olhei para %Pietra%, que me olhava surpresa, mas com uma nuance de admiração, aquilo me aqueceu o peito, pois eu nem sabia até aquele momento que era isso que eu queria dela.
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  — Você está de acordo com isso, %Pietra%? — questionou Giu.
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  Senti a mão da minha subchefe em meu ombro e seus olhos cruzaram com os meus antes dela apenas sorrir e balançar a cabeça em positivo.
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  — O que eu quero a opinião de vocês é que, por mais que nosso pai nunca quis outro consigliere, eu e %Pietra% sentimos que precisamos de um. — Sorri e respirei fundo antes de olhar para o meu primo e dizer: — Quero indicar Filippo Perroni ao cargo de consigliere.
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  Minhas irmãs sorriram e olharam para o nosso primo que parecia completamente surpreso com o meu anúncio. Nunca tinha falado nada sobre isso pra ele, mas ele sempre foi meu braço direito, e eu o queria como meu conselheiro, principalmente naquele momento. %Pietra% apertou meu ombro como se dissesse que não só concordava como apoiava a minha decisão. Luna foi a primeira a dizer que estava de acordo, animada e sorridente como eu esperava. Beatrice levantou e abraçou Filippo, dando um soco fraco em seu braço dizendo parabéns. Giulia apenas acenou positivamente e disse que não esperava menos que isso, que era a decisão mais sensata que eu já tinha tomado. Giu não pôde perder a oportunidade de soltar uma alfinetada em um de nós.
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  — Você aceita, Filippo? — perguntou %Pietra%.
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  — Claro, será uma honra pra mim, senhorita %Pietra%.
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  Minha sottocapo fechou a cara e deu alguns passos até ficar em frente a Filippo e disse:
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  — A primeira ordem vai ser tirar o senhorita, sou sua prima, idiota. — Os dois riram e ela o abraçou. — Eu sei que me respeita, mas não quero formalidades entre nós, tudo bem?
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  — Como queira, prima.
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  — Bem melhor… — Soltou o ar de forma exagerada.
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  — Perfeito! Estão liberados… — Todos começaram a dar as costas para sair do escritório e %Pietra% freou seus pés se voltando a mim após todos deixarem o ambiente.
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  — Se for assim que vai liderar a Vincere, você tem total o meu apoio.
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  — Achei que eu sendo o Don você me apoiaria seja lá qual fosse a minha conduta.
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  — Oh, não se engane, se você fizer algo que eu ache dúbio, não vou medir esforços para fazer algo a respeito. — Ela virou as costas e saiu tranquilamente do escritório.
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  — Indomável… — Sorri desacreditado, ela continuava a mesma %Pietra% de sempre, agora com mais ímpeto e uma pontinha de perversidade. Eu respirei fundo olhando ao meu redor, aquele dia estava esquisito, mas achava que era o primeiro dia de um novo começo.
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  5 meses depois

%Pietra% Perroni

  Eu estava irada, não achávamos Luca em lugar algum, aquele filho da puta tinha virado fumaça, mas eu iria achá-lo, nem que fosse a última coisa que eu fizesse na vida. Os Delantera estavam quase todos exterminados, faltando alguns meros soldados, meu pai nem se importou em deixar o país quando faltava tão pouco. Era ínfimo o nosso trabalho, mas Luca, ele era o meu objetivo, eu queria matá-lo com as minhas próprias mãos. Ele ousou entrar no meu espaço seguro, me foder, quase matar %Matteo% e ainda sair pela porta da frente, desgraçado! Bati com a mão na mesa do escritório da boate, irritada com meus pensamentos.
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  Eu tinha ido pra boate depois de discutir com %Matteo% sobre uma abordagem com os políticos influentes, os quais precisávamos da cooperação. Era claro que seria melhor eu ir falar com eles, afinal, eu era uma mulher atraente, e convencer homens enquanto eles estão pensando com o pau é o melhor negócio. No entanto, claro que ele ficaria com ciúmes, apesar de não admitir que era isso. Não estávamos juntos, nem chegamos a conversar sobre o que aconteceu na cerimônia ou no hospital, afinal, nem saberia por onde começar. Além de Otelo não ter nos dado sossego nem um dia sequer depois que %Matteo% voltou do hospital, depois disso papai foi para Itália e foi só trabalho atrás de trabalho.
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  Eu entendia que %Matteo% sempre teria aquela mania chata de querer me proteger a todo custo, mas uma reunião com um grupo de homens influentes na política não era exatamente algo perigoso. Revirei os olhos com o meu pensamento. Ele sempre com aquela idiotice de dizer que eu gostava de me colocar em perigo.
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  — Me colocar em perigo uma ova! — falei irritada.
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  — Deu pra falar sozinha agora? — Olhei para o lado e vi Giovanna me olhando com o cenho franzido.
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  — Apenas pensando alto…
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  — Entendi… — Ela mexeu em seu celular e o empurrou pra mim. — Veja isso aqui. — Quando vi, era uma foto de Luca, ou Juan, como ele se denominou quando chegou aqui na boate.
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  — Onde!? — Levantei da cadeira olhando para ela.
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  — Vincenzo viu ele no cemitério agora a pouco quando foi visitar a mãe, %Pietra%. Ele está na cidade!
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  — Eu vou matar esse desgraçado! — Peguei minha arma, coloquei na cintura, minha bolsa e saí em disparada pelo corredor.
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  — %Pietra%, espere, você deveria chamar o %Matteo%… — Ouvi seus passos rápidos no chão de madeira.
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  Virei dura e séria olhando para minha melhor amiga e disse:
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  — Esse problema é meu e eu que vou resolver.
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  — Ainda continua orgulhosa. — Gio cruzou os braços e torceu os lábios.
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  — Ele já me salvou mais vezes do que posso contar, Gio… — Abaixei a cabeça, respirando fundo.
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  — Você pode sempre pedir ajuda, isso não é nenhuma vergonha.
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  — Sei que não, mas agora eu não preciso que ninguém aperte o gatilho por mim. — Olhei bem pra ela antes de dar as costas e sair quase correndo.
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  Cheguei no estacionamento e olhei para os meus seguranças e assenti de maneira séria, fazendo eles entenderem meu sinal de saída estratégica, porém perigosa. Entrei em meu carro e dei a partida, sendo seguida por Ettore e Austin. Corri o mais rápido que pude, eu nem sabia se ele ainda estaria lá, mas eu arriscaria. Sentia meu coração batendo forte no peito, estava ansiosa e nervosa. Se eu o achasse, seria tão gratificante poder fazer com que ele sofresse o máximo possível. Ele só merece o pior por ter feito eu me sentir como uma idiota, além de ter tocado no meu corpo intimamente. Bati no volante me lembrando de quando transei com ele. Arrependia-me amargamente.
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  Assim que dobrei a esquina e avistei a entrada do cemitério, já estava cercado de carros; nossos carros. Suspirei audivelmente quando, ao passar pelos portões, avistei %Matteo% discutindo com alguns dos soldados. Estacionei o carro e desci batendo a porta, cruzei os braços em frente ao peito e encostei no capô da minha BMW enquanto olhava o Don cuspir ordens. Ele me viu algum tempo depois e vi sua carranca amenizar, mas logo ele franziu o cenho novamente, gesticulou para os soldados em sua frente e eles abaixaram a cabeça e saíram apressados. Então ele veio andando em minha direção, já esperava o que vinha pela frente, olhei para o lado torcendo os lábios.
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  — Quem te avisou? — questionou de maneira irritada.
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  Levantei a cabeça de maneira desleixada e ri descrente.
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  — Deveria ter sido você, não? — Levantei as sobrancelhas.
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  — Não quero que veja esse cara.
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  — Que pena, eu não quero só vê-lo, quero matá-lo, e não vai ser você que vai me impedir.
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  — Escuta aqui, %Pietra% — ele deu mais dois passos aproximando nossos corpos, me remexi, ainda encostada no carro e olhei para os lados preocupada —, eu sou o cappo agora e você a Sottocapo, cumpra as malditas regras, cazzo — falou entre dentes.
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  — Achei que seríamos diferentes, que as coisas seriam do nosso jeito agora. — Cobrei o que ele tinha dito em reunião.
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  — Eu sei o que disse e pretendo cumprir, porém, quero te proteger disso.
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  — Eu sou sua sottocapo… — Me endireitei e olhei bem em seus olhos, que se mantinham presos aos meus — Não me venha com esse papo.
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  — Isso não quer dizer que deixei de querer sua segurança — ele falou baixo, olhando-me com preocupação.
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  — Algo um pouco impossível… — Revirei os olhos. — Às vezes acho que você esquece do que fazemos parte.
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  — Sei muito bem quem somos, mas onde eu ainda puder te proteger, eu vou, sabe disso… — Vi ele levantar a mão em minha direção, mas me afastei.
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  — Precisamos trabalhar juntos, %Matteo%! — Mantive meus braços rente ao meu corpo, irritada.
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  — Se isso realmente fosse o que você queria, teria me ligado quando soube que Luca esteve aqui, posso saber o porquê não o fez? — Foi a vez dele cruzar os braços e me olhar altivo.
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  — Imaginei que já estaria aqui. — Desviei os olhos com a mentira deslavada que eu falei e ele riu soltando o ar com descaso.
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  Idiota.
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  Ele passou por mim e abriu a porta do motorista antes de falar:
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  — Entre no carro. — Desencostei do capô e virei pra ele o encarando confusa. — Vamos, %Pietra%, entre no maldito carro. — Soltei o ar pelo nariz, entrei e sentei atrás do volante, ele bateu a porta com força e fez a volta pela frente do carro falando algo que não ouvi para um dos capitães e entrou no banco do passageiro em seguida. — Dirija.
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  — Acha que eu sou sua chofer?
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  — Vamos pra casa, preciso te mostrar algo.
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  — Agora quer me falar o que está acontecendo? — falei com descaso dando a partida no carro e ele me olhou com uma carranca, apenas ignorei dando de ombros. — Coloque o cinto. — Acelerei para sair dali e peguei o caminho mais rápido pra casa.
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  Eu não sabia o que ele estava pretendendo, mas apenas fiz o que pediu, dirigi tranquila para mansão com Austin e Ettore ainda fazendo a segurança no carro atrás de nós. Eu só conseguia pensar em como achar o Luca, eu não pensava em mais nada há alguns meses, esse era o meu foco e por mais que Giulia estivesse de olho, não me parecia ser o suficiente. Aquilo me incomodava. Ainda me sentia responsável, já que a culpa dele ter se esgueirado para o nosso ambiente seguro foi minha. Assim que estacionei o carro em frente a casa, %Matteo% desceu e pediu para que eu o seguisse. Andamos pelo corredor lateral do andar térreo de maneira calma, ele estava mais a frente e eu atrás dele. Olhei para a minha esquerda vendo a porta da despensa onde nos beijamos pela primeira vez e aquilo me trouxe lembranças.
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  — Você primeiro… — Quando olhei pra frente devido ao som da sua voz, vi que ele estava segurando a porta do porão, franzi o cenho e entrei descendo as escadas.
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  O lugar estava completamente diferente. Quando que tinham feito aquela reforma que eu não tinha visto nada? O ambiente estava bem iluminado, o piso foi trocado, assim como as paredes pintadas de um azul acinzentado. Agora havia uma mesa ali com um notebook em cima e alguns papeis, também um pequeno aparador com bebidas e copos e foi para onde %Matteo% se direcionou para se servir. Olhei para a parede do lado direito mais ao fundo e vi um quadro enorme na parede com vários documentos, um mapa no centro com locais circulados em vermelho e algumas fotos, a maioria de Luca em alguns lugares da Espanha. Dei alguns passos para me aproximar e olhei tudo aquilo, era quase um quadro de detetive.
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  — O que é tudo isso? — falei sem procurar o olhar do Don, ainda focada nas informações à minha frente.
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  — Eu sei o quanto é importante pra você achá-lo. — Vi o copo de whisky surgir na minha frente e o peguei, virando meu corpo para encarar %Matteo% tão perto. Levei o copo até meus lábios sem tirar meus olhos dos dele. — Eu vou achar ele pra você e poderá fazer o que tiver vontade.
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  — Por que não me falou? — Abaixei a mão que segurava o copo e coloquei ele em cima da mesa à minha direita, voltando a olhá-lo apreensiva. — Podemos trabalhar juntos, por que não me deixa te ajudar?
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  — Esse assunto ainda te perturba, vejo em seus olhos, %Tita%. — Ele levou a mão em meu rosto e acariciou minha bochecha, o que fez eu engolir em seco e fechar os olhos. — Tudo que eu faço, eu faço pensando em você, sabe disso.
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  — %Matteo%… — Meus olhos marejaram ao abri-los e ver como ele me olhava, o carinho transbordava em seu olhar, me deixando completamente à mercê dele. Ele também largou o copo em cima da mesa e se voltou a mim, segurando firme em minha cintura.
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  — Ainda não conversamos sobre, bom, você sabe… — Nossos olhos conectados diziam mais do que as palavras que saíam de nossas bocas, respirei fundo, a mão dele em meu rosto desceu para o meu pescoço e seu polegar acariciou meu maxilar. Senti o carinho em minha pele, aproveitei aquela sensação que deixava meu coração batendo acelerado e ao mesmo tempo fazia meu peito aquecer.
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  Abaixei meus olhos, assim como meu rosto e falei:
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  — O que Otelo vai achar disso? As garotas? A máfia? — Eu estava receosa, por mais que ninguém fosse contrariar a decisão de um Don, era arriscado. — Nós éramos irmãos até pouco tempo.
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  — Você sabe tão bem quanto eu que nunca fomos… — Ele levantou meu rosto segurando meu queixo e olhando pra mim com aqueles olhos negros que me liam tão minuciosamente, senti meu corpo retesar. Seu rosto chegava cada vez mais perto do meu, sua respiração chegava a fazer cosquinha em meus lábios e por mais que meu lado racional parecia ter desaparecido, lutei para trazê-lo à minha mente.
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  — Então por que ainda parece tão errado? — Passei a língua pelos lábios, sentindo minha boca seca e mordi o inferior. Eu estava ressabiada enquanto eu sentia que ele já tinha tomado uma decisão e eu queria tanto me juntar a ele.
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  — Porque não nos ensinaram a amar, nos ensinaram a matar, %Pietra%. — Seu polegar se arrastava em meu pescoço e eu respirava devagar, absorvendo cada olhar, toque e palavra que ele direcionava a mim. — Nunca tivemos um vislumbre do que é o amor, mas eu estou aqui pra te mostrar e mesmo que você ache que não mereça, eu vou te amar todos os dias até que meu coração pare de bater, cariño.
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  — %Matteo%… — Olhei bem em seus olhos.
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  — Não me diz que…
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  — Me beija.
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  Senti a pressão da sua mão em minha nuca para me puxar para ele, seus lábios foram pressionados nos meus e o nosso beijo se intensificou de maneira lenta, desejosa. O toque dele na minha pele era quente e fazia correr um calafrio por todo o meu corpo, um choque elétrico que arrepiava todos os meus pelos. Ele me puxou pela cintura, colando ainda mais nossos corpos, senti meu coração bater mais forte, como se constatasse que ali, em seus braços, fosse o lugar que eu deveria estar. %Matteo% me passava a sensação de ser amada pelo que eu era, meu melhor lado, mas também o meu pior e naquele momento, me senti feliz como há muito tempo não me sentia. Era com ele que eu queria conhecer como era ser amada, era o amor dele que eu queria sentir e era com ele que eu queria continuar a trilhar a minha vida.
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  Ali eu descobri que uma pessoa também podia ser o meu lugar no mundo.
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Lelen

Ai, eu esperando essa utopia que a Vincere talvez possa se tornar >.<
E alguém pega logo o Luca pra gente ter paz por um minuto? Eu tô doida pra saber o que vão fazer com ele (e sim, eu tô esperando um final feliz em que o Luca paga as contas e o casal principal vive feliz para sempre, amém).
Tá, mas Matteo, para com essa palhaçada de querer “proteger” os outros porque é nessas que o inimigo acha uma brecha, pela falta de comunicação, hein? Depois não diz que eu não avisei u.u

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