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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Vincere

Escrita porHatakesaturn
Revisada por Lelen

Capítulo 33

%Matteo% Perroni

  Era um dia importante, não podia negar, por mais que eu tentasse transparecer calmaria para %Pietra%, eu estava completamente nervoso por dentro. É, minhas irmãs sabiam e eu até duvidava que meu pai já não soubesse, ele conseguia saber de tudo que acontecia mesmo estando em outro país. Queríamos anunciar na festa, como uma grande novidade, mas eu e a indomável estávamos fazendo um péssimo trabalho em esconder nossa relação, afinal, depois que decidimos ficar juntos, não nos preocupávamos em sermos discretos. Ajeitei a gravata em meu pescoço enquanto me olhava no espelho e pude sentir até um certo desconforto em minha garganta, por mais que ela não estivesse assim tão apertada.
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  — Está bonitão, primo. — Vi Filippo atrás de mim pelo reflexo. — Otelo está lá embaixo conversando com os associados já que o Don resolveu atrasar.
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  — Não achei que estaria em pânico.
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  — Eu entendo…
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  — Não, você não entende… — Virei para encará-lo. — É a mulher da minha vida, Filippo, e se…
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  — Pare de colocar minhocas na cabeça, vamos logo antes que quem venha chamar você seja a própria.
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  — %Pietra% já está lá embaixo? — perguntei, exasperado.
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  — Há longos minutos. — Ele foi me empurrando para fora do meu quarto. — Vamos logo!
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  Respirei fundo ao chegar no topo da escada, desci devagar, como se o tempo passasse de maneira diferente por causa disso, sequei as mãos na calça ao notá-las molhadas, era a primeira vez na minha vida que ficava tão nervoso daquele jeito. Entrei no salão vendo ele lotado, todos queriam me cumprimentar e à medida que andava, apertava a mão de alguém e trocava algumas palavras. Como meu pai sempre me ensinou: seja simpático e dê atenção a todos, eles gostam de se sentirem especiais por conhecerem o Don. Distribuí sorrisos e no meio do caminho vi %Pietra% de longe, usando um vestido verde musgo colado no corpo, as pontas dele desencontradas, um tecido brilhoso e lisinho, parecia seda e me dava ainda mais vontade de tocá-la. Engoli em seco e desviei minha atenção para outro associado que me puxou para um aperto de mão.
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  Respirei fundo mais uma vez, o controle da respiração parecia me ajudar e finalmente consegui chegar à mesa da famiglia, sentei e logo vi meu pai se aproximando. Chamei o garçom e pedi duas doses de whisky, precisava beber, minha garganta estava seca e a maldita gravata seguia me incomodando. Passei dois dedos entre ela e o meu pescoço, por mais que tivesse a certeza que o problema não era ela.
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  — Boa noite, meu filho! — Otelo sentou na cadeira ao meu lado e deu um tapinha no meu ombro, sorrindo satisfeito. — Bela festa, %Pietra% organizou tudo?
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  — Como você sabe, ela adora.
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  — Sei. — O garçom chegou e colocou os dois copos na mesa, meu pai foi o primeiro a pegar e dar um gole. — Só tenho ouvido coisas boas sobre você dos nossos associados, vocês têm feito um ótimo trabalho nos últimos meses.
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  — Fico feliz em saber que eles reconhecem nossos esforços. — Peguei o copo e dei um gole generoso ao ver %Pietra% vindo em minha direção, não tínhamos combinado nada, não sabia como ela iria se portar.
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  — Papai, Don… — A filha da puta sorriu de maneira libidinosa pra mim, o que me fez na metade do gole decidir entornar todo o líquido e chamar o garçom pedindo mais. — Traga um pra mim também — %Pietra% disse ao garçom.
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  — Como está o caso das drogas nas corridas? — Otelo perguntou.
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  — Então, parece que os dois idiotas que trabalham com a dealer estão seguindo as pistas pra descobrir quem é o verdadeiro dealer — %Pietra% explicou e o garçom chegou com mais três copos. — Foi fácil conseguir que eles colaborassem.
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  — Depois de você atirar na garota… — comentei, pegando um dos copos baixos para levar à boca.
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  Ela me encarou com uma carranca e virou para Otelo antes de falar:
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  — Ossos do ofício, papai.
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  — Imagino que sim, querida — meu pai falou com os lábios curvados e eu revirei os olhos.
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  Não tínhamos estabelecido o momento exato que íamos fazer o comunicado, mas %Pietra% também não sabia o que eu planejava por conta própria. Só quem sabia era Filippo e a Beatrice, ela me ajudou na escolha. Mexi na minha gravata novamente tentando afrouxar, engoli em seco e virei mais aquele copo de whisky, vendo minhas irmãs se aproximarem e sentarem à mesa junto a nós. Respirei devagar, porém, não adiantou muito, meu coração batia acelerado dentro do meu peito. Chegava a ser surreal que eu estivesse parecendo um adolescente apaixonado com tamanho nervosismo.
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  Olhei para Beatrice, que acenou positivamente com a cabeça, me encorajando a fazer o que eu queria e desejava já há algum tempo. Alguns poderiam pensar que era uma decisão precipitada, mas pra mim era uma eternidade, cada minuto que eu passava longe dela parecia durar tempo demais. Queria deixar aquele sofrimento pra trás, nós dois passamos por tanto, fisicamente e dentro de nossas próprias mentes. Merecíamos a tranquilidade de uma relação estável. Pedi para o garçom avisar a todos os outros garçons que servissem taças de champanhe para todos, queria que tudo estivesse perfeito. Assim que notei que todos os convidados tinham a bebida especial para isso, levantei, atraindo os olhos de todos da mesa, inclusive os verdes que me encaravam atentamente. Peguei a taça e bati a faca nela, pedindo a atenção de todos.
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  Pigarreei e iniciei meu discurso:
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  — Primeiramente, quero agradecer a presença de todos, nossa cerimônia foi um belo de um desastre, como todos sabem. — Ouvi algumas risadas contidas, o que ajudou a trazer uma certa leveza para o momento. — Então, %Pietra% e eu, decidimos fazer essa festa para comemorarmos apropriadamente. — Virei para o meu pai. — Quero agradecer a Otelo, que confiou em mim para sucedê-lo, e agradeço a %Pietra% por aceitar o cargo ao meu lado para darmos continuidade a Vincere. — Engoli em seco e respirei fundo. — Preciso dizer também que… — eram tantas pessoas me olhando. Respirei uma, duas, três vezes e então senti minha mão ser agarrada, olhei para o lado e ela sorria pra mim, o que me acalmou um pouco, então continuei: — que agora trabalharemos como um pra manter o sucesso e a hegemonia da máfia.
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  %Pietra% levantou, ficando de pé ao meu lado e sorriu ao dizer:
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  — Agradecemos a todos pelo voto de confiança e faremos sempre o nosso melhor, pois a Vincere é o nosso propósito de vida.
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  — E falando sobre propósito… — comecei, olhei os olhos verdes brilhantes e virei para todos novamente, enfiei a mão no bolso e larguei a taça na mesa. — Queria aproveitar o momento para dizer que agora %Pietra% não será apenas minha sottocapo — afastei a cadeira e me ajoelhei de frente para %Tita%, que automaticamente cobriu a boca com as duas mãos —, se ela aceitar, será também a minha companheira de vida. %Pietra% Perroni, aceita se casar comigo? — Vi lágrimas tomarem o rosto dela e logo senti seu corpo em meus braços, sorri, pois aquilo era mais do que o sim que eu queria.
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  — Sim, sim! — ela disse ao se afastar, ficamos de pé e então eu tirei o anel de diamante da pequena caixa de veludo e encaixei em seu anelar esquerdo ao som dos aplausos de todos os presentes. Ela me abraçou e selou nossos lábios, o que me fez sorrir, nós afastamos, mas ainda a mantinha junto do meu corpo, segurando em sua cintura.
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  — Salute! — Novamente peguei e ergui a taça, e todos repetiram a palavra erguendo suas taças antes de beber.
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  Filippo bateu em meu ombro sorrindo largo, eu sorri para o meu primo e o abracei enquanto vi meu pai abraçando %Pietra% e beijando sua testa, logo depois me abraçou também e olhei para a minha noiva, vendo ela distraída recebendo abraços das minhas irmãs, de Filippo e de Giovanna. Então eu tive que perguntar ao meu pai:
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  — Ninguém vai contrariar minha decisão?
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  — Esse é o poder de um Don, %Matteo%, ninguém vai contra suas decisões, mesmo que ainda achem que vocês são meio irmãos, esse era outro motivo pra você assumir.
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  — Como? — Franzi o cenho.
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  — Se vocês dois ficassem juntos antes de você ser o Don, teríamos pessoas contra mim por… você sabe. — Sim, eu sabia, incesto entre primos ou meio irmãos era algo permitido na máfia há algumas décadas, mas naquele momento não era mais algo tão apropriado.
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  — Você planejou isso?
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  — Eu só percebi o que se passava embaixo do meu teto, entre os meus filhos, só preferi dar uma ajudinha, mesmo que trazer outra mulher pra dentro de casa tenha me causado alguns prejuízos.
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  — Carolyn? Desde quando sabe que… — Eu estava atônito, mas em um passe de mágica tudo fez sentido na minha cabeça, meu pai sempre soube. Ri desacreditado. É claro que ele sabia esse tempo todo, meu pai era o Don, nada passava despercebido por ele. Quanta ingenuidade minha achar que estávamos nos escondendo ou que ninguém veria nada.
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  — Vamos deixar o passado enterrado e olhar pra frente, filho, olha pra ela — meu pai apoiou a mão em meu ombro e eu olhei para %Pietra%, que sorria largo junto das minhas irmãs, aquilo fez eu me sentir bem pra caralho —, ela é seu futuro agora.
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  Olhei novamente para meu pai e assenti, guardava um sorriso no canto da boca, pela primeira vez me sentia completo. Fui puxado pelas minhas irmãs que também vieram me abraçar, parabenizando pelo noivado, então meu pai se distanciou, pegando seu copo de bebida já engatando uma conversa com um amigo que o parabenizou, e foi quando %Pietra% se aproximou novamente. Ela me abraçou, fazendo eu segurar firme em sua cintura e respirar o cheiro adocicado do seu perfume e algum produto de cabelo que a fazia ser a mulher mais cheirosa do mundo. Ela sorriu pra mim ao se afastar, olhou para a mão dela, admirando o anel e voltou seus olhos aos meus.
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  — Achei que só iríamos comunicar que estávamos juntos…
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  — Acha muito cedo pra casar? Podemos ficar noivos por alguns anos.
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  — Tá maluco? — Ela agarrou meu colarinho e me aproximou de seu rosto. — Já fiquei longe de você por tempo demais. — Seus lábios cobriram os meus e eu sorri contido, feliz de verdade que estávamos caminhando para uma nova era de nossas vidas.
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  — Bom saber que concordamos em algo. — Recebi um tapa no ombro e ri do bico que ela ficou, algo que não durou muito tempo, já que ela passava o dedão em meus lábios, limpando o batom que ela deixou. Puxei-a pelo maxilar e depositei outro beijo em sua boca. — Preciso ir ao banheiro, acho que fiquei muito nervoso.
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  — Nervoso pelo quê? — Ela cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha. — Achou que eu ia dizer não?
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  — Se você dissesse não, eu iria te obrigar a casar comigo nem que fosse amarrada. — Comecei a rir e vi a carranca que ela fazia, bati o indicador em seu nariz de leve e beijei sua testa. — Já volto.
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  Saí caminhando em direção ao corredor, queria ir ao banheiro dos fundos, perto da biblioteca, já que me daria um tempo a mais para ver se precisava resolver algo. Dei passos lentos e fui mexendo em meu celular, me atualizei de algumas demandas e das rondas dos soldados noturnos. Entrei no banheiro, fiz o que tinha que fazer e saí, assim que dobrei o corredor, vi Vincenzo olhando para os lados de maneira incriminatória e descer para o porão pela escada dos fundos, onde ficava a adega. Ele podia estar indo pegar bebidas para abastecer o bar, porém, a forma como ele estava agindo era esquisita.
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  Eu sei, eu não deveria desconfiar de um dos melhores amigos de %Pietra%, mas ele tinha motivos. Então franzi o cenho e fui atrás dele, desci os degraus devagar, olhei para os lados ao chegar lá embaixo, dei mais alguns passos e entrei na adega, ninguém. Se aquele idiota ousasse nos trair, eu iria torturá-lo das piores maneiras possíveis antes de matá-lo.
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  — Você é realmente previsível. — Virei ao escutar a voz masculina e a madeira em minha direção foi a última coisa que vi antes de apagar.
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[...]

%Pietra% Perroni

  Nunca quis casar, não era um sonho que eu tinha desde pequena como a Luna ou a Beatrice. Nunca foi um big deal pra mim me apaixonar, amar alguém incondicionalmente e dizer em frente a todos que aceitaria passar o resto da vida com esse alguém. Nunca imaginei esse conto de fadas. Claro, desenhos infantis de princesas encontrando seu príncipe encantado no cavalo branco me fizeram delirar quando criança. Já na adolescência, já tinha consciência de quem era a minha família, de onde eu tinha vindo e pra onde estava indo. Ser da máfia te dá outro panorama geral da vida, casar não era algo que me apetecia a partir dali e encontrar um príncipe encantado ficou lá na mente da %Pietra% de 8 anos. Como eu disse, um delírio.
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  Com a história de como eu vim ao mundo muito bem fixada em minha mente, repassada e remoída durante anos em minha cabeça, talvez tenha sido o suficiente pra quando cheguei à fase adulta me fazer ver os homens apenas como um atrativo sexual, nada mais. Era bom ver sexo como necessidade básica e não como obrigação em uma relação selada por matrimônio. Eu me divertia, eles também e eu não precisava dar satisfação da minha vida ou me preocupar se eles iriam ter a chance de colocar as mãos em meu corpo novamente ou não. Era fácil não me apegar quando eu não tive uma relação de exemplo, quando eu não sabia se uma relação entre duas pessoas precisava ter amor pra acontecer, já que eu vim da forma que vim. Um contrato, nada mais.
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  %Matteo% tinha razão, não fomos ensinados a amar e durante algum tempo isso fez todo o sentido pra mim. No entanto, naquele momento em que ele me beijou dizendo que me amaria foi quando tudo em que acreditava caiu por terra. Percebi que ele era muito mais do que desejo, muito mais do que sexo ou atração, %Matteo% me acendia de uma forma que nenhum outro homem sequer chegou perto de conseguir. Não falo apenas de sexo, mas meu peito se aquecia apenas por ter ele por perto, meu corpo respondia a cada bendito olhar que ele me direcionava, meus pelos se arrepiavam a cada palavra com paixão que saía de sua boca, cada toque seu em minha pele era extasiante e o beijo, algo tão subestimado por nós seres humanos, era tão cheio de significado.
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  Beijar %Matteo% era como sentir o primeiro raio de sol da manhã tocar meu rosto na primavera, ou como o primeiro banho de mar do verão, ou como colocar um casaco quentinho nos primeiros dias de outono, ou até mesmo se aquecer em frente a lareira enquanto tomo um chocolate quente no frio do inverno. %Matteo% era as melhores coisas de cada estação, eu o amava e esperava que ele continuasse sendo o calor do meu verão, o aconchego do meu inverno, as cores da primavera e a brisa leve do outono. Esperava que ele seguisse comigo, pelas estações, pelos dias, meses e anos que se seguiriam. Eu realmente queria casar com ele e quando o vi de joelhos, segurando aquela caixinha aberta, uma felicidade genuína me preencheu por completo e eu me joguei em seus braços. Não tinha nenhuma outra palavra que eu quisesse dizer a não ser:
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  — Sim, sim!
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  Eu fiquei tão absorta naquele momento, meu pai me abraçou, minhas irmãs me abraçaram e disseram o quanto desejavam que fôssemos felizes, era tão importante a benção delas e de Otelo. Filippo também me abraçou desejando que fôssemos felizes, assim como Giovanna, minha melhor amiga, ainda falou que estava um pouco chocada e que esperava que eu contasse os detalhes. Fiquei aliviada que não houve ninguém que se opôs naquele salão, mas era muito cedo pra comemorar, não sabíamos como seria dali pra frente, e se tinha algo que sempre fui ensinada era que: sempre desconfie das pessoas até que elas provem o contrário.
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  Afinal, eu não sabia se era verdade aquilo que sempre me falavam de ninguém poder contrariar o Don, mas eu não queria pensar em traições naquela hora tão importante, já tivemos traições demais nos últimos tempos. Peguei mais uma taça de champanhe após %Matteo% dizer que iria até o banheiro. Era uma noite especial e tínhamos algo pra comemorar, sorri quando Beatrice disse que não seria mais a única casada de nós. Era verdade, faltava apenas Giulia, que duvido muito que iria casar, mas tudo pode acontecer, não é mesmo? E Luna teria que se decidir entre meus seguranças, afinal, poligamia acho que já seria demais para meu pai aceitar.
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  — Você está radiante, %Tita%! — Giovanna me abraçou e beijou minha bochecha.
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  — Esse anel é lindo. — Eu olhava ainda admirada para o diamante em meu dedo.
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  — De nada. — Beatrice fechou os olhos e arrebitou o nariz, me fazendo franzir o cenho.
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  — Não estraga as coisas… — Vi Anita dar um beliscão em Bea, que gemeu em reclamação.
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  — Foi você que escolheu? — perguntei um pouco ressentida.
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  — %Matteo% que escolheu, ele só pediu minha opinião.
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  — Certeza?
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  — Sim, %Tita%, eu só estava enchendo o saco. — Ela me abraçou de lado e bateu a taça dela na minha de leve. — Vamos comemorar a nova noivinha da família e de que data estamos pensando em fazer a festa.
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  — Calma, sorellina, acabamos de sair de um casamento. — Giulia revirou os olhos.
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  — Sempre é um bom dia pra planejar casamentos. — Luna deu um gole em seu champanhe e deu de ombros.
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  — Às vezes eles estão com pressa de oficializar — Bea pontuou.
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  — Vamos todas nos acalmar, acabei de ser pedida em casamento e aceitar… — enfatizei a última parte e virei a taça bebendo todo o líquido. — Posso digerir a ideia de algo que achei que nunca faria?
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  — Isso é medo que estou vendo em seus olhos? — Giu me olhou rindo.
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  — Mio Dio, non sono fidanzata nemmeno da un'ora e vogliono già organizzare il mio matrimonio (Meu deus, faz nem 1 hora que estou noiva e já querem organizar meu casamento.) — falei em desabafo.
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  — Va tutto bene, sorella. (Está tudo bem, irmã.). — Beatrice acariciou meu ombro em busca de me acalmar enquanto pegava a taça vazia da minha mão, colocando-a em cima da mesa.
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  — Ela começa a falar nossa língua, vocês já sabem, né? — Olhei de soslaio pra Giulia, irritada. — O olhar já está evidente.
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  — Parem de chatear a %Tita%, é um dia especial e estão estragando tudo — Luna ralhou com as irmãs.
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  — Você e %Matteo% têm todo o direito de decidirem sem a interseção dessas malucas — Giovanna comentou sorrindo.
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  — Obrigada, Gio. — Sorri para ela e peguei outra taça de champanhe da bandeja de um garçom que passava, o que fez com que eu olhasse ao redor, notando que já fazia algum tempo que %Matteo% havia saído. — Eu vou até o banheiro — avisei dando um gole em meu champanhe e largando a taça pela metade em cima da nossa mesa antes de seguir caminho para o corredor.
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  Caminhei devagar, cumprimentando alguns associados que me parabenizavam pelo noivado. Eu sorria enquanto tentava fazer uma leitura corporal se estavam mentindo seus votos ou tramando uma traição contra mim e o Don. Ser mafiosa era estar sempre com um pé atrás, demorei pra levar isso mais a sério, porém, depois do Juan ou Luca, me policiava o dobro sobre todos. Era exaustivo, então comecei a entender um pouco mais do por que %Matteo% ficava tão aflito e estressado. Dei alguns passos e vi os banheiros vazios, respirei fundo e olhei para os lados em busca de vê-lo, então me lembrei que ele poderia ter ido ao banheiro perto da biblioteca. Fiz a volta e entrei no corredor da parte de trás do primeiro andar da mansão, dei uma rápida olhada na biblioteca e no escritório, pois trabalho é o segundo nome do meu, agora, noivo, mas nada dele.
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  Parei na porta e peguei meu celular no meu coldre de coxa, era sempre útil quando tinha que usar vestido. Desbloqueei a tela e fui caminhando em direção a cozinha enquanto abria o aplicativo de mensagens e então esbarrei em alguém.
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  — Céus, Vince. — Abaixei para pegar o meu celular que tinha caído no chão e olhei de volta para o meu melhor amigo, que segurava duas garrafas de vinho tinto.
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  — Está bem, %Tita%?
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  — Sim, mas levei um susto, não achei que teria alguém aqui atrás. — Passei a mão pelo tecido do vestido e suspirei.
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  — Vim pegar algumas garrafas, aliás, parabéns pelo noivado. — Vincenzo sorriu e me abraçou.
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  — Obrigada, Vince.
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  — Dá pra ver que está feliz.
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  — Por incrível que pareça, eu estou exatamente onde gostaria de estar. Você já suspeitava que tinha alguém na minha cabeça, não sei como faz isso, mas é coisa de vidente… — Soltei uma risada.
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  — O que posso dizer? — Ele deu de ombros. — Estava estampado em seu rosto que estava apaixonada.
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  — Você viu o %Teo%?
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  — Ele estava discutindo com alguém no telefone, já olhou lá fora?
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  — Ele não consegue mesmo ficar longe do trabalho. — Revirei os olhos. — Obrigada. — Bati a mão em seu ombro e segui caminho até as portas duplas da cozinha que davam para o jardim, corri os olhos pelo terreno e nada além dos dois soldados que ficavam fazendo a segurança daquele lado da casa. — Boa noite, Ângelo, Carlo, viram o Don?
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  — Não, senhorita Perroni.
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  Bufei em reclamação, eu não o perdoaria se ele tivesse saído para resolver algo fora da mansão logo naquele momento, naquele dia e na nossa festa que eu passei tanto tempo planejando. Se ele queria me ver irritada, ele conseguiu.
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Lelen

Eu não sei se amo ou odeio o Otelo por ele ter brincado desse jeito com a história dos filhos. É genial, mas meio cruel HAHAHAHA
E aí a gente chega no meio do capítulo e ficamos “SIM, FINALMENTE. ESSES DOIS VÃO FINALMENTE SELAR ESSA UNIÃO” tava tudo bonito e feliz. AÍ CHEGA O FINAL DO CAPÍTULO E O VINCE. VINCE. EU VOU TE CAÇAR, HOMEM. NÃO FAZ ISSO COM A PIETRA. NÃO OUSEEEEEE.

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