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Vincere

Escrita porHatakesaturn
Revisada por Lelen

Capítulo 25

%Pietra% Alonso Perroni

  Eu me mantive segura e forte na frente dele por nós dois, mas assim que saí daquele escritório eu me encostei na parede do corredor pois a dor e o choro me invadiram e não consegui dar mais nem um passo. Eu me abracei com uma mão e a outra tampou minha boca para manter aquele choro mudo. Me sobressaltei quando ouvi barulho de algo de vidro quebrando vindo de dentro da biblioteca, apertei ainda mais meu corpo devido ao meu choro se intensificar, pois sabia que não era só eu que sofria.
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  Lutamos tanto para aquilo não acontecer, mas o que sentíamos um pelo outro nos tomou de uma forma que não dava mais para esconder. Não dava mais pra sequer controlar, era doloroso, era algo que nos matava ao mesmo tempo que era o que nos manteve vivo durante todas essas merdas que aconteceram. Nós éramos a força um do outro, mas também éramos nossa maior fraqueza.
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  Nos odiarmos era mais fácil.
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  Deveríamos ter mantido assim.
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  Théo sentou do lado do meu pé e olhou pra mim com os olhos tristes e eu mordi o meu lábio, estendi minha mão e acariciei a cabeça dele recebendo lambidas de afago.
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  Eu precisava sair dali.
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  Caminhei a passos rápidos até meu quarto com meu cachorro em meu encalço, fechei a porta e respirei fundo sentindo que minhas pernas iam aos poucos perdendo as forças, sentei no chão. Théo veio e se deitou encostado em mim e enquanto as lágrimas escorriam, eu acariciava meu cachorro buscando algum afago. Sentir aquilo era horrível, era sufocante, eu não conseguia controlar meu choro e meu peito doía tanto. Eu não entendia como os anos de ódio se transformaram nisso, como eu cheguei até ali?
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  %Matteo% era o homem que eu mais odiava na vida, o moleque que tomou meu lugar, que me enchia o saco e me provocava de maneiras que me fazia querer gritar. Conforme eu crescia, vi o homem sanguinário que ele estava se tornando, abominava o que ele fazia na Vincere, mas eu era hipócrita demais por julgá-lo dessa forma. Por mais que minhas mãos não estivessem fazendo o serviço, eu era conivente; além de sempre negar meus pensamentos maldosos, as ações maldosas que eu tomava por impulso, mas que faziam parte da minha personalidade. Sempre tive um lado meu que eu tentava manter na escuridão, porém eu sabia que ele estava ali, rondando minha mente, buscando uma oportunidade pra sair.
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  Eu fazia parte de tudo e era tão culpada quanto ele.
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  Aquela era a minha vida também.
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  Talvez as pessoas não estivessem assim tão erradas.
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  O ódio e o amor sempre andavam juntos.
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[...]

  Meus dias eram preenchidos pelo trabalho na boate, fazia questão de dedicar cada minuto do meu dia a Fascino. Antes fosse só pelo esforço que sempre dei para ter tudo funcionando, mas eu estava tão quebrada que só queria chegar em casa exausta o suficiente para apagar e de preferência não ver %Matteo%. Eu não podia falar com ninguém sobre o assunto e isso me consumia ainda mais, então fiz o que sempre fazia quando queria fugir, me afundar no trabalho. O que me preocupava era que Beatrice estava suspeitando que algo tinha acontecido, porém, tentava colocar a culpa na recuperação do trauma.
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  Joguei meu corpo na cadeira do meu escritório naquela noite e respirei fundo fechando os olhos, os dias estavam difíceis. Contudo, eu tinha superado algo que me fez deixar de ser aquela %Pietra%, então eu também superaria uma paixão indevida. Por mais que eu soubesse que não era só isso, por mais que sentisse dentro de mim que aquilo tinha virado algo que nem eu esperava. Algo que me engoliu por completo e que me fez ficar perdida. Eu sabia o que era, mas estava tentando não pensar e nem mesmo falar em voz alta.
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  Ouvi batidas na porta então ajeitei meu corpo na cadeira ao liberar a entrada.
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  — Com licença, senhorita Perroni — disse Austin ao fechar a porta, balancei a cabeça para que ele continuasse. — O Don voltou e pede a presença de todos no jantar.
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  — Agora?
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  — Sim, ele pediu que a levássemos.
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  — Cadê a Beatrice?
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  — Ela saiu faz algum tempo para ir até o laboratório, acredito que Mario tenha ido buscá-la.
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  Mario era um dos soldados que fazia a segurança de Beatrice.
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  — Então vamos…
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  Suspirei, juntei minhas coisas e peguei meu celular de cima da mesa antes de levantar. Eu só esperava que não fosse outra notícia ruim. Caminhamos para fora da boate e entrei em meu carro, vendo Austin se juntar a Ettore no outro carro e me seguir até em casa. Fazia quase uma semana que não chegava em casa antes das 3 horas da manhã, um jantar em família era tudo que eu menos precisava no momento.
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  Entrei pelas portas e larguei minha bolsa no hall de entrada, olhei para a sala de jantar e a mesa estava posta. Levei meus olhos até a porta dos fundos que dava para o quintal e vi uma silhueta, a ponta do cigarro acesa denunciava que era quem eu não deveria encontrar. Então sabia que aquele não era um caminho a se seguir, girei meus pés e fui andando em direção ao bar.
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  — %Tita%! — Virei o rosto para a escada parando na metade do caminho e vi Giulia. — Parece que fazem meses que não te vejo… — Ela me abraçou e se afastou olhando para mim preocupada. — Papai está com ferimentos.
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  — Como? — perguntei, desorientada.
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  — Era uma armadilha, não conseguiram interrogar o Carlos Diaz por muito tempo, papai matou ele quando alguns soldados da máfia espanhola invadiram o galpão.
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  — Mio dio, Giu! — Cobri minha boca.
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  — Ele está bem, apesar dos machucados. — A voz masculina se fez presente.
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  Virei para o lado e vi %Matteo%, ele não me olhava, mantinha seu foco no chão, senti meu coração palpitar e minha boca secar. Segui com os olhos sua movimentação, ele passou por nós e foi direto ao bar.
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  — Ele está estranho depois que se trancou algumas horas com o papai no escritório… — sussurrou Giulia, fazendo com que eu olhasse para ela novamente. — E você? Está diferente… — Ela franziu o cenho.
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  — Estou tentando absorver as informações, Giulia. — Fui ríspida. — Nunca consigo chegar em casa sem uma avalanche de merdas que aconteceram! — Ela arregalou os olhos e eu subi a escada pisando duro. — Giornata di merda! (Dia de merda!).
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  Entrei em meu quarto e bati a porta, soltei o ar com força e vi Théo, deitado no canto do quarto, levantar a cabeça e virar ela para o lado me olhando.
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  — Não é com você que estou irritada… — Ele respondeu com um chorinho como se me perguntasse o que estava acontecendo. — Nem sei por onde começar, Théo… — Caminhei até o closet e tirei a roupa, fui até o banheiro e entrei no box para tomar banho.
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  Eu sabia que eu tinha ficado irritada com a pergunta da minha irmã, não pela pergunta em si, mas pelo que ela representava. Eu estava esquisita sim, mas era por ele, era o meu novo normal ficar mexida com %Matteo% por perto. A decisão mais difícil que tomei foi ficar longe dele, mas a gente precisava ser racional, ou nossas cabeças rolariam. Depois que entendi que eu tinha me apaixonado, também entendi que não podia deixar passar disso. Paixão uma hora passa, não é?
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  Assim eu esperava.
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  Desci e vi meu pai no bar, servindo um copo de whisky. Fui até ele e o abracei, nem precisei falar nada, seu braço livre da tipoia me circulou e senti sua mão acariciar minhas costas, eu queria chorar, mas contive minhas lágrimas.
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  — Está tudo bem, minha princesa?
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  — Eu que deveria perguntar, papai. — Afastei-me dele. — No que estava pensando colocando-se em risco dessa forma?
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  — Eu precisava descobrir o que aquele filho da puta estava armando…
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  — Sem se matar no processo, de preferência…
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  — Estou aqui, não estou? — Ele riu divertido e eu torci os lábios. — Desculpe, minha princesa.
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  — Tudo bem…
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  — Não… — Otelo acariciou minha bochecha. — Desculpe pela minha ausência. Você precisava de mim e eu não sabia lidar com… a situação…
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  — Tudo bem, pai, eu tive a ajuda necessária. Eu sei que você sempre vai me proteger com tudo que tem. — Ele beijou minha testa. — Sei também que você que mandava a Marta levar minhas refeições, mesmo quando eu não queria e também foi você que contratou o melhor psicólogo do país. Você fez o que pôde…
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  — Nunca vai ser o suficiente. — Ele curvou os lábios afagando meus cabelos como fazia quando eu era criança. — Te amo, figlia mia. (Te amo, minha filha.).
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  — Anche, papà. (Eu também, papai.).
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  Nos sentamos à mesa de jantar e logo minhas irmãs, %Matteo% e Filippo se juntaram a nós. O jantar foi servido e aquela sensação de que uma simples troca de olhares nos faria ceder me tomou, mantive meus olhos no meu prato, assim como imaginava que %Matteo% estivesse fazendo o mesmo. Quando terminamos de comer, meu pai pediu para que os empregados se retirassem. Achei tudo muito estranho e dramático, coisa que Otelo não era, ele sempre ia direto ao ponto, sem rodeios.
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  — Pedi para que todos estivessem presentes hoje no jantar pois… — Otelo respirou fundo e continuou: — Assim que exterminarmos o restante dos Delantera, %Matteo% assumirá como Don.
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  — O quê?! — Eu e minhas irmãs exclamamos.
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  — Não se preocupem, ficarei presente, tudo vai seguir seu curso.
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  — É muito cedo para o %Matteo% assumir, papai! — falei sem pestanejar. Precisava entender o motivo. — O senhor está doente?
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  — Claro que não, minha princesa. Apenas chegou o momento…
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  — Não acho que seja o momento. — Olhei para %Matteo% à minha frente que seguia encarando o prato e eu não entendia o que estava acontecendo. — Eu… com licença. — Levantei da mesa e segui para o jardim, vi a carteira de cigarro em cima da mesa e peguei um pra mim o acendendo.
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  Puxei a fumaça para os meus pulmões, soltando em seguida, no fundo eu ainda tinha uma esperança de assumir aquele lugar, era por isso que eu estava tão irritada com o anúncio do meu pai. Mais irritada ainda pela reação de %Matteo%, o que tinha acontecido pra ele estar tão indiferente? Esperava uma reação arrogante dele por finalmente estar mais perto do que nunca do topo da famiglia, mas ele parecia estar recebendo algo trivial e isso me deixava com uma pulga atrás da orelha.
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  Algo acendeu dentro de mim, aquele anúncio me colocou em alerta para não deixar acontecer. Eu não percebi o quanto estava perto de %Matteo% ser o Don, eu acabei me deixando levar pelas emoções e esqueci do que realmente importava. Eu precisava me mostrar mais forte, eu queria um lugar na Vincere e eu faria o que fosse para merecer um. Meu pai podia ter anunciado o que faria, mas %Matteo% ainda não era oficialmente o Don.
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%Matteo% Perroni

  Sempre tentei me manter longe de tudo que envolvia amor, amor te deixa exposto, vulnerável, se você ama alguém, esse alguém se torna a sua fraqueza. Contudo, percebi que esse alguém também pode ser o seu alicerce, quem te mantém centrado, forte e resistente para enfrentar qualquer coisa. Eu faria qualquer coisa por ela e se ela decidiu que nos manteríamos longe, seria exatamente isso que eu faria. Joguei o copo baixo de vidro com força na parede.
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  Minha vontade era de matar o primeiro que cruzasse o meu caminho, mas eu precisava ser racional dessa vez.
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  Eu nunca tinha me apaixonado por mais ninguém, talvez por ter %Pietra% sempre em algum lugar do meu peito, mas era minha função manter esse sentimento escondido. Não era uma escolha, era uma necessidade. Eu cresci sendo criado para matar, para aguentar torturas, para mentir, pra sobreviver, mas ela, me apaixonar por ela e não poder estar com ela foi a pior das torturas. Seguir com aquilo, morando embaixo do mesmo teto, era um sacrifício toda porra de dia, eu estava enlouquecendo.
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  Dia após dia tendo que lidar com tudo que envolvia a Vincere, contrabandos para organizar e fiscalizar, segurança da família, acordos com os associados e mais um amor proibido era quase que impossível. Eu sabia que deveria me manter forte, racional e impassível como meu pai sempre ensinou, porém, %Pietra% era alguém que eu não conseguia controlar minhas reações ou minhas emoções, elas simplesmente chegavam sem aviso prévio e varriam qualquer rastro de racionalidade. Amá-la me tornava um filho da puta asqueroso ao mesmo tempo que me sentia menos longe da minha humanidade. Amar %Pietra% era uma dádiva, mas também uma maldição.
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[...]

  No dia seguinte, Gian me mantinha informado de tudo e de como seguia a viagem. Era óbvio que eles tinham um plano, mas meu pai era metódico demais e os únicos que sabiam eram os que fariam parte dele. Sempre foi assim. Fui até a academia naquela tarde, precisava extravasar aquela raiva que me possuía. Era injusto demais nascer na mesma família que a mulher que você ama.
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  Deveria ser um castigo.
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  — Resolveu voltar aos exercícios? — Olhei para a porta da academia vendo a Beatrice sorrindo.
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  — Acho que estou meio fora de forma… — Sorri pra ela e voltei a lutar contra o boneco de borracha.
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  — Preciso te contar algo… — Ela se aproximou de mim e eu parei o que fazia e tirei as luvas, indo em direção ao frigobar. — Eu conversei com o papai.
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  — Sobre? — Dei um gole na garrafa de água que peguei.
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  — Meu casamento.
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  Quase me engasguei, porém tossi e falei: — E como foi?
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  — Bom, foi menos ruim do que imaginei. — Ela deu de ombros.
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  — E como imaginou? — Levantei uma das sobrancelhas com curiosidade.
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  — Sei lá, talvez ele chamando você pra me torturar até eu desistir da ideia.
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  — Não seja maluca, eu jamais faria isso.
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  — E você acha que o papai seria? — perguntou espantada.
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  — Não duvido. — Dei outro gole na garrafa de água, querendo rir do bico que a minha irmã fez, porém ela me socou no braço. — Ai…
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  — Cuidado, Perroni, não sabe com quem está mexendo.
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  — Desembucha, Bee. — Comecei a rir da seriedade dela, mas logo seu rosto mudou de expressão, seus olhos pareciam marejados, fazendo com que eu franzisse o cenho. — O que houve?
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  — Papai fez aquela expressão sinistra que ele costuma fazer quando algo não sai como planejado… — vi ela tremer o corpo, claramente com medo da carranca do meu pai — mas depois ele fechou os olhos e respirou fundo antes de dizer que se Anita era quem iria me fazer feliz, que então eu tinha a benção dele.
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  — Estou realmente feliz que ele tenha te abraçado nessa, Bee. — Sorri com ternura pra ela, que já tinha derramado algumas lágrimas.
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  — Tenho algo para te pedir.
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  — Sabia que você queria algo do seu pobre irmão — falei em tom dramático.
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  Ela revirou os olhos suspirando antes de me olhar com seriedade e carinho: — Quer ser meu padrinho de casamento?
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  Sorri bobo com aquele pedido, então puxei a ruiva pra um abraço forte. Meus olhos encheram d'água. Eu estava mole ou era a idade? Beatrice sempre foi muito fechada e eu sempre tentei perfurar a armadura que ela colocava em volta dela, no começo da juventude nós finalmente nos aproximamos quando descobri que ela gostava de garotas. Então, eu era o único com quem ela conversava sobre o assunto e claro, acobertava as fugidas dela.
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  Além de irmã, ela sempre foi uma grande amiga e esse pedido me tocou.
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  — %Teo%, me solta! Você está suado… — Agarrei ela ainda mais e balancei a cabeça para as gotas de suor do meu cabelo caírem. — Ai, que nojo!
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  Soltei ela e a encarei antes de dizer:
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  — Claro que eu quero, com o maior prazer. — Sorri largo, uma coisa que era bem rara de eu fazer e minha irmã terminou de se emocionar, já que as lágrimas escorreram pelo seu rosto. Ela se virou com pressa e eu ri da reação dela.
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  — Compre um smoking novo e tem que ser vinho!
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  — Sim, senhora.
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[...]

  Eu escutava o recado do meu pai na minha caixa de mensagens pela terceira vez, aquilo me assustou, entrei em contato com Gian e não obtive resposta. Pela primeira vez eu estava preocupado que meu pai não fosse retornar para casa. O casamento de Beatrice era em duas semanas, ele precisava estar presente. Bea ficou tão feliz que meu pai aceitou o casamento e a Anita como nora, ela estava com tanto medo que quando ele disse que jamais pediria que ela fosse diferente, ela desabou em choro.
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  Ele precisava estar presente.
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  Caminhei em círculos pela varanda, já era o quinto cigarro que fumava em questão de minutos, eu estava ansioso pra caralho. Tinha ligado para Gian no mínimo umas 15 vezes e mais algumas para todos os soldados que estavam junto ao meu pai.
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  — Ninguém atende o caralho do telefone! — berrei.
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  — O que tá acontecendo, %Teo%? — Virei e vi Filippo com um vinco no meio da testa.
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  — Meu pai mandou uma mensagem muito estranha, parecia estar se despedindo, e ninguém atende a merda do telefone! — Passei a mão pelo cabelo, nervoso. — Gian não dá notícia faz três dias!
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  — Seu pai está a caminho de casa, %Matteo%…
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  — Como você…
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  — Era uma armadilha, como ele previu, mas estávamos um passo à frente.
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  — E ele achou que ia morrer?! Por que essa mensagem pareceu uma despedida, Filippo…
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  — Aconteceram alguns embates.
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  — O quão arriscado foi isso?
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  — Bastante, mas caso…
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  — Eu nem quero saber… — interrompi ele indo em direção ao banheiro lavar o rosto e quando levantei a cabeça vi meu primo pelo reflexo.
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  — Ele pediu que você esperasse no escritório.
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  Suspirei, olhando de soslaio para Filippo que deu de ombros, tudo aquilo não podia ser boa coisa. Meu pai escondia muitas coisas, coisas que eu nem sequer deveria sonhar e eu não sabia se estava preparado pra saber. Tomei um banho, troquei de roupa e desci para o escritório. Abri bem a janela grande que ficava na lateral da sala, acendi um cigarro e servi uma dose de whisky. Talvez eu fosse precisar.
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  — Vejo que atendeu meu pedido.
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  Ouvi a voz grossa e mesmo antes que pudesse virar, respondi:
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  — Eu tinha escolha? — Olhei meu pai e arregalei os olhos, ele estava com o braço esquerdo enfaixado e alguns cortes no rosto, desencostei da janela de prontidão. — O que aconteceu?!
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  — Ossos do ofício. — Ele caminhou e sentou em sua poltrona, enquanto eu seguia o encarando abismado, eu nunca vi meu pai machucado e aquilo me assustava. — Sirva uma bebida pro seu velho pai.
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  Caminhei até o bar e abri a garrafa de cristal onde ficava seu whisky favorito. Tudo que eu conseguia pensar era o medo do que viria a seguir. Ver meu pai daquela forma me fazia pensar no quanto somos frágeis. Sempre vi Otelo como invencível, imbatível e muitos outros adjetivos fortes, jamais imaginei que algum dia meu pai chegaria em casa tão abatido. Apaguei o cigarro no cinzeiro e coloquei o copo baixo em frente a ele, assim como o que servi para mim à minha frente, sentei na poltrona do outro lado da mesa e suspirei aguardando o que viria.
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  — Precisamos conversar… — Engoli em seco, a expressão do meu pai não era a das melhores e nem o peso em sua voz. — Você precisa assumir, %Matteo%.
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  — O que disse? — Pisquei algumas vezes.
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  — Chegou a hora de você assumir e pra isso preciso contar algumas coisas. — Respirei fundo e dei um generoso gole na bebida, fazendo uma careta em seguida, não sabia se o que tinha descido rasgando a minha garganta tinha sido o whisky ou a informação.
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  — Você está bem e vivo, pai…
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  — %Matteo%, não se preocupe, eu continuarei presente.
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  — Por que isso de repente? — Passei a mão em meu cabelo, nervoso.
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  — Algumas coisas aconteceram. Vou assumir a frente da Vick Inc e os negócios na Itália depois que exterminarmos de uma vez por todas os Delantera.
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  — Que coisas, pai?
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  — Um segredo antigo veio à tona, sabia que esse dia podia chegar, porém, eu contava com a sorte, que sempre esteve ao meu lado. — Fiquei em silêncio, esperando meu pai continuar, apesar do meu coração estar batendo acelerado no peito. — Sempre quis fazer algo diferente quando colocasse o prossimo, por mais que sigamos regras, meu sonho era colocar você e a %Pietra% como dons da Vincere. — Arregalei os olhos, não sabia onde ele queria chegar com aquilo tudo. — Só que o que eu mais temia aconteceu… A mãe de %Pietra% entrou em contato com ela.
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  Meus lábios entre abriram e o vinco na minha testa apareceu, então ele sabia. Oras, claro que sabia, o que meu pai não sabia? Ele tem ouvidos e olhos em todos os lugares, na Fascino não seria diferente e por mais que eu sempre soubesse disso, nos beijamos e quase fodemos naquela boate.
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  — Pela sua cara você já sabia disso…
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  — Ela… me contou.
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  — Pois bem, ela deve ter contado o que a Alessia disse. — Aquilo estava indo por um caminho que eu já sabia onde ia dar e não estava gostando nada. — É verdade, %Matteo%… %Pietra% não é minha filha.
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  Senti como se o teto desabasse sobre a minha cabeça e eu conseguia escutar as batidas do meu coração em meu tímpano, aquilo não podia ser verdade. Aquilo ia acabar com %Pietra%, ela mesma me confessou que não suportaria não ser da família.
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  — Não pode ser…
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  — Por isso que não posso colocá-la como Don, agora os soldados ouviram o que Alessia disse e por mais que eles não saibam a verdade, sempre vai existir a dúvida e a vontade de dar um jeito de descobrir. — Meu pai suspirou abaixando a cabeça e pegou seu copo, bebericando o líquido âmbar. Eu estava perdido, seguia olhando o chão embaixo dos meus pés para ter a certeza que ele continuava alí. — Isso fica entre nós, isso nunca pode sair daqui, entendeu? — Voltei a encará-lo sem acreditar no que estava ouvindo, ele estava pedindo pra eu mentir para %Pietra%? — Nunca trate ela como alguém que não é da famiglia, %Matteo%, %Pietra% è mia figlia e lo sarà sempre! (%Pietra% é minha filha e sempre será!).
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  — Eu nunca a trataria diferente por isso.
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  — Você está cuidando muito bem dela, eu vejo isso. — Minha garganta chegou a fechar minimamente com o comentário de Otelo. — É por isso que precisa assumir. Eles não podem desconfiar que o prossimo será outro além do meu filho de sangue, entendeu?
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  — Si signore.
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  — Não podemos deixar a solidez da Vincere se esvair agora, precisamos estar mais fortes do que nunca. Temos uma batalha pra vencer.
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  — E venceremos.
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Lelen

Tudo que a gente queria era uma festinha de casamento na paz, na boa… Eu tinha esperança de ter esse capítulo tranquilo. Mas tranquilidade não temos HAHAHAHAH
Mas esse Otelo… Racionalmente eu entendo que ele não pode ser o pai “normal” pros filhos porque toda decisão dele implica em 234213123 de coisas, mas tem horas que PQP, NÉ
Agora vamos de Pietra entrando em parafuso de novo. A coitada mal se recuperou de um baque e já toma outra rasteira, mas espero que dessa vez as coisas sejam pra melhor E FINALMENTE OS DOIS POSSAM FICAR JUNTOS, PELAMORDEDEEEEEUS

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