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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Vincere

Escrita porHatakesaturn
Revisada por Lelen

Capítulo 24

%Pietra% Perroni

  Eu só queria um vestido florido pra combinar com o calor que estava fazendo lá fora, mas claro, eu não tinha nenhum, todos os verões era a mesma coisa: eu roubava do closet de uma das minhas irmãs. Normalmente era o de Beatrice, ela tinha um coração duro, mas sempre gostou de roupas estampadas, por mais que eu achasse que não combinava muito comigo por causa do cabelo vermelho, ela dizia que era por isso mesmo que ela gostava. Passei vários cabides de forma rápida, queria sair logo dali, achei um preto com umas flores azuis esverdeadas. Puxei de dentro do armário e coloquei em frente ao corpo olhando meu reflexo no espelho, virei a cabeça de lado pensando se combinava.
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  — Talvez se eu prender o cabelo… — pensei em voz alta.
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  Ouvi um barulho de celular vibrando e olhei para o meu em cima do gaveteiro de joias e ele estava com a tela apagada. Dei alguns passos e destravei a tela, nada. Segui o som e abri uma gaveta vendo um celular tocando com um número desconhecido, franzi o cenho e o peguei, atendendo.
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  — Carol, ¿dónde estás? He estado buscándote durante semanas! (Carol, onde está? Estou te procurando há semanas!).
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  — O que… — ouvi a voz de Beatrice e desliguei a chamada — está fazendo no meu closet?
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  — Beatrice… — Olhei pra ela com os olhos arregalados e ela estranhou.
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  — O que houve? — perguntou com rugas na testa.
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  — Eu atendi… — mostrei o aparelho pra ela — eu reconheci a voz, sorella.
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  — Não me diga que…
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  — Como fui burra, Beatrice!
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  — Ei! Não faça isso
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  — Não faça o quê? — Andei até o quarto, quase relinchando, parecia uma égua selvagem de tanta raiva que estava. — %Matteo% tinha razão e eu fui uma idiota!
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  — Bom ouvir que eu tenho razão… Principalmente vindo da sua boca. — Olhei pra porta do quarto aberta e %Matteo% estava no corredor e deu alguns passos para dentro do quarto. — Pode me falar em que eu tinha razão?
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  — Eu… — Fiquei sem reação, eu não esperava ele ali naquele momento, porra.
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  — %Tita%, só fale, foi por omitir de %Matteo% que deu essa merda do caralho. — Beatrice suspirou jogando as mãos pra cima.
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  — Eu reconheci a voz. — Levantei o celular e ele viu a foto da megera.
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  Ele arregalou os olhos e deu mais alguns passos até mim antes de falar:
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  — Quem? Quem, %Pietra%!?
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  — Tô preocupada de estar errada, será que eu não posso ter confundido?
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  — Duvido muito… — comentou Beatrice sentando na cama. — Você é boa nisso, daquela vez reconheceu a voz de um soldado na gravação que você tinha visto três vezes na vida.
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  — Foi pura sorte.
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  — Ah, por favor, %Pietra%, nós não contamos com a sorte por aqui.
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  — Podemos fazer uma armadilha para confirmar? — perguntei, receosa.
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  — Armadilha pra quem? — Giulia entrou no quarto sorrindo enquanto bebia água de uma garrafa. — Adoro criar armadilhas.
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  — Pronto, virou reunião no meu quarto. — Bea cruzou os braços e revirou os olhos.
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  — Juan Alvarez.
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  Os três arregalaram os olhos sem acreditar, principalmente Giulia, ela deveria estar se sentindo ultrajada, como ele tinha passado pelo pente fino dela? Engoli em seco e olhei para %Matteo%, que parecia querer explodir de raiva devido a veia pulsante em sua têmpora, mas estava se controlando e dava pra perceber que a qualquer momento ele podia berrar comigo, dizendo o quanto eu fui displicente e o pior de tudo, ele tinha todo o direito.
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  — Eu sei, ok? — falei baixo, olhando pra ele antes de abaixar o olhar.
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  — Ótimo — disse sério me encarando e voltou seus olhos para Giulia. — Vamos estudar como faremos isso…
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  Giulia e %Matteo% saíram do quarto conversando e eu sentei na cama desanimada, Beatrice sentou ao meu lado e colocou o braço no meu ombro. Eu estava me sentindo uma idiota, só queria ser boa com alguém e consegui isso: uma bela facada nas costas. Suspirei, cansada de tudo sempre dar errado, eu odiava ser traída e nesse caso quem me traiu fui eu mesma.
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  — Eu transei com ele, Beatrice.
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  — Santa merda! Tinha esquecido disso!
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  Soltei o ar com força e fiquei ali, encarando o chão, com a minha irmã me amparando também em silêncio. Longos minutos para me fazer perceber que eu precisava parar de me vitimizar e tomar uma atitude. Eu era a porra de uma Perroni, já estava na hora de agir como tal. Quando me dei conta, com tantos pensamentos e lembranças rodando em minha mente, a raiva já tinha tomado meu corpo e então levantei da cama olhando pra minha irmã.
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  — Eu coloquei todos nós em risco, Beatrice, coloquei você em risco, coloquei a mim mesma em risco… — falava gesticulando, irritada com tudo aquilo, andava de um lado para o outro tentando me acalmar. — Un figlio di puttana sotto il mio naso. Fanculo! Come ho potuto essere così stupido? (Um filho da puta bem debaixo do meu nariz. Foda-se! Como pude ser tão estúpida?)
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  — Calmati, %Pietra%…
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  — Como? — Parei para encarar Bea e respirei fundo. — %Matteo% tinha razão, fui ingênua e coloquei um Delantera dentro da porra da minha boate, Beatrice!
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  — Nós vamos conseguir pegá-lo, é isso que importa… — Ela segurou meus ombros e olhou nos meus olhos, ela tinha aquele olhar empático. Ela estava tentando fazer com que eu me sentisse melhor, eu conhecia a minha irmã, mas naquele momento eu precisava ficar sozinha.
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  — Eu preciso de um tempo… — Sacudi a cabeça em negativo me afastando dela e saí dali a passos largos pelo corredor, entrei em meu quarto e bati a porta. — Merda! Merda! — Peguei a primeira coisa que vi em minha frente e me virei jogando na parede, fazendo o vaso quebrar em pedaços. Fechei os olhos e passei as mãos pelo meu rosto.
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  — Entendo que esteja com raiva, mas não precisa me matar no processo. — Abri os olhos de supetão e vi %Matteo% encostado na porta da varanda me encarando, bem próximo de onde joguei o objeto.
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  — Veio gritar comigo? Ótimo, tudo que eu precisava… — Caminhei até minha mesa de cabeceira, abri a gaveta e peguei uma carteira de cigarro pegando e acendendo um deles a caminho da varanda.
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  — Não vim gritar com você, vim ver como está…
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  — Me sinto uma imbecil, se você quer saber… — Ri sem humor e virei me encostando no parapeito para olhá-lo. — Veio se vangloriar e me mostrar o quanto você estava certo? — Revirei os olhos.
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  — Aí é que se engana, %Pietra%… 
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  Ele se aproximou devagar, sem deixar de ter contato visual comigo, cada passo que ele dava eu me remexia. Engoli em seco e a boca dele veio diretamente em meus dedos que seguravam o cigarro. Ele o pegou com os lábios, puxou a fumaça pelo canto da boca, soprou para o lado assim que segurou o cilindro branco em seus dedos e sua outra mão se apoiou no parapeito atrás de mim. Seu rosto cada vez mais próximo do meu. Senti o ar pesar e seus olhos vidrados nos meus me deixavam eufórica de uma forma silenciosa.
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  Aquilo era perigoso.
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  — Nunca quis tanto estar errado. — Mordi o lábio tentando afastar os pensamentos e vontades que me acometiam com tanta força com %Matteo% tão próximo a mim. — O problema não é você… — Ele levantou a outra mão devagar, e, como se lesse meus pensamentos, querendo me deixar ainda mais nervosa, colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. — São as pessoas que se aproveitam do seu bom coração.
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  — Você me vê de uma forma muito bonita, %Matteo%, eu não sou essa imagem que você criou. — Olhei bem em seus olhos e senti um arrepio cruzar pela minha coluna pela forma que suas íris me encaravam.
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  — Eu vejo o que você é, %Tita%, mas ao contrário de você, eu não vejo só os defeitos. — Engoli em seco quando achei que estávamos tempo demais com o olhar preso um no outro.
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  — O que faremos agora? — Mudei de assunto, desviando o olhar.
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  — Vamos pegá-lo…
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  — Não quero participar disso… — Fechei os olhos apertando-os e abaixei a cabeça me sentindo uma idiota.
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  Seu indicador e polegar pousaram em meu queixo, levantando minha cabeça para encará-lo antes dele falar:
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  — Você não precisa, não pediria que fizesse isso… — Ele deu mais um trago em meu cigarro e o depositou em meus lábios. — Quando voltar para a boate ele não estará mais lá, eu prometo.
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  %Matteo% se afastou com aquele sorrisinho sorrateiro dançando em seus lábios e virou de costas, dei um trago e peguei o cigarro entre os dedos, soprando a fumaça.
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  — O que fará com ele? — perguntei incerta.
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  — É melhor você não saber… — Ouvi sua voz mais grossa que o normal e ao olhar para baixo, vi suas mãos se fecharem em punho.
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  Senti um arrepio esquisito cruzar meu corpo enquanto ele seguiu andando até deixar meu quarto, respirei fundo e tentei não pensar no que ele faria com o homem que confiei e acreditei ser mais um dos meus. Era difícil lidar com aquilo, mas se ele era o infiltrado, teria que pagar e eu não queria estar presente pra ver quando %Matteo% o pegasse.
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[...]

  Bati na porta e escutei Giulia dizer que eu podia entrar, então entrei na sala de vigilância e fechei a porta atrás de mim. Caminhei a passos lentos e vi a imagem do meu escritório na Fascino, sabia que aquilo era novidade pois não tinha câmera lá, senão minhas irmãs teriam visto muito mais que apenas um beijo entre mim e %Matteo%. Olhei para Giulia que sorriu pequeno pra mim e eu apenas respirei fundo, vi pela televisão Beatrice entrar pela porta e sentar-se na minha mesa.
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  — Qual foi a armadilha que vocês prepararam? — perguntei.
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  — Bea vai pedir para o Juan imprimir os novos cardápios dos drinks enquanto ela vai até o laboratório.
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  — Entendi…
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  — Ela vai deixar planilhas da contabilidade abertas, %Matteo% e Filippo estão do lado de fora esperando o meu sinal… — Abaixei a cabeça e voltei a olhar para ela que viu que eu não estava bem, era nítido diante daquela merda toda. — Sinto muito, %Tita%.
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  — Eu também, sorellina… Eu também.
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  Parecia fácil demais, tudo tinha acontecido como previsto, Juan copiou todos os arquivos do computador e não só as planilhas, mas claro, Giulia disse que era tudo falso, não eram as planilhas ou documentos originais. Quando minha irmã avisou %Matteo%, ouvi ele pelo viva voz dizendo que Filippo iria esperar ele sair da boate após o expediente e iria o seguir. Precisávamos saber com quem estávamos lidando, agora que já sabíamos quem era o infiltrado, ficaria mais fácil de achar o resto dos Delanteras.
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  Por mais que não gostasse de ficar ali naquela sala fria cheia de computadores, eu queria saber o que estava acontecendo, então sentei na poltrona com meu livro e fiquei lendo enquanto as horas passavam. Giulia de vez em quando me atualizava do que estava acontecendo e eu apenas balançava a cabeça.
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[...]

  — Não quero saber, siga ele até o fim… Não confio em mais ninguém pra isso, Filippo. — A raiva era nítida na voz dele.
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  Acordei desorientada, ouvindo a voz de %Matteo%, quando ele tinha chegado? E o mais importante, quando eu tinha dormido? Segurei o livro que estava em minha barriga e me ajeitei na poltrona, respirei fundo tentando voltar a mim. Olhei para Giulia e ela estava concentrada nas câmeras da Fascino, algo tinha saído errado? Levantei devagar e me aproximei dos dois.
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  — O que houve?
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  — Juan entregou o pendrive para um homem e Filippo está seguindo ele — Giu me respondeu sem tirar os olhos das TVs.
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  — Estamos cuidando de tudo, não se preocupe. — %Matteo% se voltou para mim e colocou a mão no meu ombro, acariciando-o. — Nem era para você estar aqui…
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  — A culpa foi minha, coloquei o infiltrado dentro da Vincere, tenho que pelo menos estar presente. — Exalei o ar em frustração.
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  — Não tinha como você saber… — Ele me olhou com compreensão.
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  — Está me eximindo da culpa muito facilmente, esperava que brigasse comigo… — Acabei rindo com essa nova versão de %Matteo% sendo tão cuidadoso com as palavras.
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  — Acho que já passamos dessa fase.
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  Meus olhos não conseguiam desgrudar dos dele, meus dedos pinicavam querendo tocar o rosto bonito, sentir aquela barba por fazer raspar em meus dedos e a medida que a vontade se intensificava, meu coração batia ainda mais forte. Molhei os lábios, pois minha boca estava secando com tamanho nervosismo e pelo seu rosto, eu sabia que ele não estava assim tão diferente, mas Giulia estava ali, presente, não podíamos sequer demonstrar qualquer rastro de desejo.
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  No entanto, minha irmã pigarreou, então fechei os olhos me amaldiçoando por ter sido tão descuidada, ela tinha percebido, claro. Minha irmã não era burra, muito pelo contrário, foi ela que descobriu que algo estava acontecendo, ela era observadora demais pra não notar. Virei as costas e fui saindo da sala de segurança.
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  — Vou dar um tempo disso aqui… — Comecei a caminhar em direção à porta.
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  — Filippo chegou no galpão, %Teo% — alertou Giulia.
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  — Diga para ele chamar 20 soldados para vigiar o lugar, assim que acharmos uma brecha, invadimos. — Ouvi enquanto ainda fechava a porta atrás de mim: — %Pietra%, espere!
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  Freei meus pés ainda no corredor e respirei fundo antes de virar e ver seus olhos negros me encarando gentilmente.
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  — Parece que não podemos ficar no mesmo lugar por muito tempo.
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  — É uma merda se você quer saber. — Ele riu, sem humor. — Antes era pelo ódio e agora é…
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  — Não quero falar sobre isso… — interrompi sua fala abraçando o livro em meus braços e desviei os olhos dos dele. — Precisa de mim pra algo?
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  — Juan alguma vez mencionou a família?
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  — Não… — falei diretamente, mas então um lampejo de memória passou pela minha mente — quer dizer, quando ele pediu alguns dias de folga disse que sua avó estava mal no hospital.
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  — Ele pode ter mentido.
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  — O que é bem provável, já que mentiu esse tempo todo… — Tensionei o maxilar enquanto apertava o livro em minhas mãos e ele tinha sentido a tensão que eu exalava.
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  Eu estava com raiva.
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  — Vá descansar, está tarde.
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  Virei as costas e saí andando, mas sentia que seus olhos queimavam em minhas costas, controlei a minha vontade de olhar para trás e fui direto para o meu quarto. Théo estava em sua caminha e então eu sorri, deitei na cama e dei batidinhas no colchão, chamando para ele deitar. Assim que ele subiu, eu o abracei e me permiti descansar.
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[...]

  Acordei no outro dia ainda cansada, parecia que não tinha dormido nada, desci até a cozinha, tomei café da manhã e resolvi que tomaria um banho gelado pra acordar e ver se resolvia o cansaço. Caminhei a passos lentos até a escada e comecei a subir para o meu quarto, senti uma tontura e meu corpo ficando sem forças, mas senti alguém me segurar, olhei para o lado e vi %Matteo% me encarando sério, como se estivesse bravo. Ele me pegou no colo, fazendo com que eu me assustasse e me agarrasse em seu pescoço. Ele caminhou até meu quarto e me colocou sentada na minha cama.
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  — Está tentando se matar?
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  — Só senti uma tontura estranha… Acho que são os remédios — menti, acariciando as mãos.
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  — Vou falar com o doutor pra saber se já pode parar com eles.
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  — Na verdade eu… — Não sabia exatamente como dizer aquilo, mas vi os olhos negros profundos me olhando, esperando por uma explicação, porém, ela não existia, então me restava dizer a verdade. — Eu parei de tomar.
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  — Como? — Ele franziu o cenho. — Sem falar com o médico, %Pietra%?
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  — Estou cansada, não posso beber tomando os malditos remédios!
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  — %Pietra%! — ele me censurou. — Quanta irresponsabilidade, você não pode parar com remédios controlados sem… — Ouvi ele parar sua fala quando me viu abaixar a cabeça, %Matteo% bufou e apertou a ponte do nariz. Ele me olhou novamente, dessa vez com um olhar compreensivo. — Desculpe, deve estar sendo horrível pra você.
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  — Entediante… — Revirei os olhos.
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  — Não brinque com isso… — Ele se aproximou de mim e me olhou com piedade. Aquele olhar eu não queria.
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  — Brincar é o que me resta, %Matteo%! — Levantei, irritada, e fui até a porta do closet. — Senão eu volto para o fundo do poço onde eu estava.
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  — %Tita%… — Ele colocou a mão no meu ombro e subiu para o meu rosto, acariciando-o. O jeito que ele me tocava me fazia lembrar aquele acontecimento na casa de campo e o olhar dele sobre mim fazia com que eu tivesse a certeza que aquilo iria ficar gravado em nossa mente para sempre, mas ele precisava ser esquecido.
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  — Não comece, não quero discutir… — Balancei a cabeça em negativo e me afastei, mas sua mão seguia me buscando e ela estacionou em minha bochecha. — E não me toque desse jeito…
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  — Não quero começar nada, eu só estou preocupado com você.
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  — Eu estou preocupada comigo, %Matteo%… — olhei nos olhos dele e mordi o lábio tentando não mostrar o quanto aquilo ainda mexia comigo — mas estou fazendo o que está ao meu alcance. — Me desvinculei dele indo em direção ao banheiro e %Matteo% veio ao meu encalço. — Talvez eu não seja tudo isso que meu pai espera que eu seja.
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  — Você é uma mulher foda, %Pietra% — vi ele se apoiar com as duas mãos na esquadria da porta — assim como também é o elo que une as suas irmãs. Sabe que elas vêem uma líder em você.
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  — Não se esqueça que quem vai assumir a Vincere é você, não eu. — Fechei a porta do banheiro e suspirei, agora eu tomaria um banho para me acalmar já que o sono tinha me deixado e a raiva se instaurado.
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%Matteo% Perroni

  Eu deveria saber que tudo que achei daquele cretino era de fachada, não tinha como alguém ser tão certinho assim. Sem uma multa de trânsito, uma briga nas festas de faculdade ou matéria reprovada. Se %Pietra% achava que era culpada, eu também deveria, afinal, não cavei fundo o suficiente a vida desse filho da puta. Acendi o cigarro e me sentei na varanda do meu quarto, em 24 horas saberíamos quem estava naquele galpão e eu iria poder interrogar aquele desgraçado. Soprei a fumaça para o alto e olhei para o céu, a imagem dela me olhando, daquele jeito que até um idiota perceberia o quanto a gente queria se tocar.
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  Aquilo era enlouquecedor.
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  Eu tinha que mudar o foco do meu pensamento, então dei a ordem para Filippo que assim que invadissem o galpão, pegassem também Juan. Expliquei tudo para meu pai e ele mandou todos os capitães caçar os Delantera, todos eles. Iríamos limpar a Espanha de uma vez por todas, não sobraria ninguém para contar a história ou criar uma vingança.
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  Esse seria o fim.
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  Assim que os soldados invadiram o galpão comandado por Filippo, eles encontraram o ouro que precisávamos. Estávamos eu e meu pai sentados no escritório quando Filippo ligou.
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  — Só um segundo, vou colocar no viva voz.
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  — Parla, Filippo
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  — Don, encontramos Guillermo, novo consegliere dos Delantera.
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  — Magnífico! Traga-o para mim, e aquele rato que ousou chegar perto da minha filha fica aos cuidados de %Matteo%. — Meu pai sorriu perverso para mim, ele iria adorar arrancar cada informação do maldito que ousou tramar contra nós.
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  — Filippo… — falei — já pegaram o Juan?
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  — Sim, os soldados levaram para casa de campo, como pediu.
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  — Perfeito, te encontro lá. — Sorri satisfeito. — Ciao.
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  Desliguei o celular e olhei para o meu pai, ele estava radiante.
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  — Uma bebida para comemorar? — perguntou ele e eu assenti levantando, indo até o carrinho de bebidas e servindo duas doses do seu whisky favorito. Brindamos e viramos o líquido âmbar, era maravilhosa aquela sensação de dever cumprido. — Vamos à segunda batalha, %Matteo%, e essa eu tenho certeza que ganharemos.
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  — Tenho certeza que a guerra já é nossa, pai.
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[...]

  Respirei fundo e caminhei entre as árvores, vi que Filippo me aguardava na porta do galpão atrás da casa de campo. Eu precisava me controlar, mas tudo que vinha na minha cabeça era %Pietra% sendo gentil com ele, acolheu-o na Fascino e ainda brigou comigo pra manter ele ali. Além de tudo, ele a tocou, ele conviveu com ela por meses sendo o inimigo, além de tudo, eles se beijaram na minha frente.
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  Aquilo estava longe de não ser pessoal e eu sabia plenamente que não deveria fazer aquele interrogatório, mas seria um desperdício do meu ódio não fazê-lo. Juan merecia sentir cada dor e sofrimento que eu causaria a ele. Meu coração batia forte contra meu peito e minha respiração se tornava pesada a cada passo que eu dava em direção àquele galpão.
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  — Tem certeza que quer fazer isso? — perguntou meu primo, incerto.
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  — Não, mas eu preciso. — Puxei um cigarro da carteira que tinha tirado do bolso e coloquei nos lábios, acendi e traguei profundamente.
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  — Você sabe que não deveria fazer esse interrogatório, %Matteo%, está envolvido emocionalmente.
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  — Não fale bobagem! Se eu passar do limite você me avisa, simples assim.
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  — Você acha que é capaz de ser parado?
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  — Veremos… — Soltei a fumaça e marchei em direção ao alçapão com meu primo em meu encalço.
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  Desci os degraus devagar, assim que o vi com o capuz vermelho na cabeça, amarrado em uma cadeira, meu sangue ferveu, porém, tentei manter o controle respirando fundo antes de dar outro trago em meu cigarro. Filippo balançou a cabeça pra mim em uma pergunta muda e eu acenei que sim, que poderia tirar o capuz. Franzi o cenho ao olhá-lo, me aproximei ainda mais daquele homem e o ódio me tomou por completo.
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  — Esse não é o Juan, Filippo!
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  Meu primo veio para o meu lado e olhou bem o rosto do homem, ele realmente parecia muito, mas não era ele. Aquele filho da puta enganou a gente mais uma vez? Puxei a arma do meu coldre e dei três tiros no peito do homem, eu precisava extravasar meu ódio de alguma forma.
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  — O que está fazendo?! — perguntou Filippo exaltado. — Ele era uma fonte de informação, %Matteo%!
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  — Meu pai está com o consigliere, ele tem as informações, esse daí devia só ser um capacho para se passar pelo filhinho dele.
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  — Não importa… — Ele se desesperou. — Céus, seu pai vai enlouquecer.
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  — Quem foi que pegou esse homem? — perguntei baixo, meus dentes pressionados um no outro, eu tentava controlar minha irritação o máximo que podia.
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  — Alguns soldados. — Meu primo ainda olhava o homem caído e parecia tentar pensar em uma desculpa para o meu pai.
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  — Quero eles aqui na minha frente — disse sério, olhando para o homem no chão.
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  — O que está pretendendo fazer? — perguntou Filippo ressabiado.
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  — Desde quando começou a questionar as ordens do seu sottocapo, Filippo? — Olhei pra ele com a testa franzida.
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  — Desde que você começou a não pensar com a cabeça. — Senti meu maxilar tensionar e respirei fundo.
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  — Saia da minha frente e faça o que mandei… — Ouvi gemidos e dei dois passos em direção ao corpo caído no chão e apertei o gatilho mais uma vez, dessa vez direcionando o cano em sua cabeça. — Não quero mais ter incompetentes dentro da Vincere.
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[...]

  Filippo dirigia o carro em absoluto silêncio, eu entendia, também não gostava de ter que bater nos meus, ou dar um esporro e colocar de castigo como crianças. Só que a incompetência deles tinha me tirado do sério e me custado caro, serviço básico: confirme quem você está levando. Juan seguia por aí, sabe-se lá onde, o que eu diria a %Pietra%? Suspirei audivelmente e meu primo me encarou por segundos. Ele estava bem possesso comigo, os homens estavam sob o comando dele, caso não fosse meu primo quem teria levado punição seria ele.
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  E ele sabia disso.
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  Chegamos na mansão e fui direto para o meu quarto, e, pra minha surpresa, %Pietra% estava lá, na minha varanda. Ela não ouviu a porta abrir, estava tudo escuro, apenas a luz da lua a iluminava, era visível o cigarro em sua mão e o copo baixo com os cotovelos apoiados no parapeito. Coloquei minha arma em cima da escrivaninha, tirei meu blazer, o coldre e desabotoei os dois primeiros botões da minha camisa. Dei alguns passos e me encostei no batente da porta, admirando o corpo da ruiva à minha frente apenas de robe de seda e um pijama por baixo, assim esperava. Era perceptível que sua mente estava longe, já que os olhos focavam no horizonte, além do fato dela não ter notado minha presença ainda.
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  — Cariño…
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  — Credo, %Matteo%! — Ela se sobressaltou e virou assustada colocando a mão no peito.
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  — Sua varanda estava te entediando?
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  — Acordei e vi o sofá vazio… — disse ela sem graça.
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  — Faz semanas que não durmo lá.
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  — Eu sei. Só… — disse sem jeito — queria uma companhia.
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  — E queria logo a minha? — Sorri indo até o lado dela, pegando um cigarro da carteira no meu bolso. — Não parece estar em seu juízo perfeito. — Debrucei no parapeito e acendi meu cigarro.
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  — Talvez não esteja mesmo… — disse soprando a fumaça para o alto. — Então…
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  — O quê?
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  — Pegaram o Juan?
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  Engoli em seco e falei:
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  — Não, ele escapou.
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  Ela me olhou com a testa enrugada, estranhando a minha calmaria, mal sabia ela que dentro de mim estava o próprio caos e a fúria dos 12 Deuses do Olimpo. Aquele cretino nos enganou duas vezes, eu não iria descansar até encontrá-lo e matá-lo com minhas próprias mãos. Não restaria um só Delantera para contar a história, dessa vez eu garantiria isso.
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  — Você deve estar irritado, entendo que tente esconder isso de mim, mas eu tô bem, %Matteo%, pode explodir se quiser.
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  A única coisa que eu queria explodir era a cabeça de Luca. Tentei curvar os lábios em uma forma de mostrar a ela que estava tudo bem e olhei para frente. Ficamos os dois ali, em silêncio, fumando e apenas servindo de companhia um ao outro. Há um ano esse acontecimento seria impossível, mas tantas coisas aconteceram de lá pra cá que eu nem sabia ao certo para que caminho estávamos indo. Principalmente eu e %Pietra%, não conseguia ver uma forma de encaixar nossa relação na famiglia sem a gente acabar na cama um do outro.
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  O nosso autocontrole parecia não funcionar muito bem em certos momentos.
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  No dia seguinte, meu pai anunciou uma nova reunião em três dias, ele tinha tirado todas as informações necessárias do consiglieri, por mais difícil que tivesse sido. Os nossos homens tinham achado a casa do Carlos Diaz na Sevilha. Giulia fez a investigação de compra de imóveis nos últimos 5 anos já que na Sevilha era cultural as famílias passarem as casas de geração em geração. Minha irmã conseguiu encontrar apenas três casas que não eram de família antiga, foi meio óbvio supor que eles mudavam de local com frequência para não ter nada que comprovasse sua estadia na Espanha. Nossos soldados já tinham cercado a casa e estavam esperando as ordens de Otelo para saber como proceder.
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  — Gian, dê a ordem para pegar esse stronzzo, mas quero que levem para Guadalajara — Meu pai disse, firme. — Eu mesmo vou interrogar ele.
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  — Sim, don Otelo.
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  — %Matteo%… — Olhei para meu pai esperando o que ele diria. — Cuide da casa em minha ausência. — Meneei a cabeça, concordando, mesmo que achasse aquele pedido muito repentino.
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  Otelo levantou de sua cadeira, bebeu o restante do seu whisky e fez sinal para os soldados e seguranças o seguirem. Então todos saíram da sala atrás de meu pai, restando apenas eu e Filippo. Nos entreolhamos de cenho franzido, ele também tinha achado estranho a forma como meu pai falou?
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  — O que meu tio quis dizer com isso?
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  — Não faço a mínima ideia.
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  — Foi esquisito, ele nunca pediu isso pra você.
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  — Ah não ser que ele… — Meu coração deu um solavanco.
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  — Ele acha que pode ser uma armadilha, %Matteo%!
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  Fiquei alguns segundos parado encarando o nada, sim, ele estava certo, meu pai pensava que poderia ser uma armadilha, talvez por isso também quis fazer o interrogatório o mais longe possível de nós, pensar que ele poderia morrer me deixou atônito. Nunca tinha chegado nesse momento de idealizar a morte de Otelo e agora, o fazendo, eu vejo o quanto que meu pai, por mais rígido que fosse, era meu pai e eu o amava.
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  — Não podemos pensar nisso, meu pai vai voltar. Vamos focar no que importa, continuar atrás daquele filho da puta do Luca.
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  — Vou falar com a Giulia pra saber se ela conseguiu localizá-lo. — Ele saiu do escritório em direção à sala de segurança, enquanto eu tentava assimilar o que tinha acabado de cair no meu colo.
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  Apoiei a cabeça em minhas mãos, era difícil quando o lado que poderia perder era o nosso, quando algo ruim poderia acontecer à minha família. Meu pai era durão, ele não fazia despedidas dramáticas e nem choraria por ter que deixar suas filhas, ele foi sucinto e disse o que era necessário. Que eu tomasse conta da casa em sua ausência, porém, não disse se essa ausência seria permanente.
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  Senti uma lambida em meu braço e logo outra em meu rosto, abri os olhos vendo o sarnento de %Pietra% em minha frente. Ele sentou e ficou me encarando, virou a cabeça de lado e latiu, ele sempre parecia que queria falar com a gente, ou de alguma forma pudesse sentir e saber o que estávamos sentindo. Passei a mão em sua cabeça e afaguei sua orelha.
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  — Está tudo bem? — Virei o rosto vendo %Pietra% encostada na porta de madeira do escritório.
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  — Está.
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  — Você já mentiu melhor, %Teo%.
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  Suspirei e vi ela cruzar o ambiente até chegar no carrinho onde ficavam as bebidas, encheu dois copos de whisky e os pegou, entregando um para mim e sentou na mesa. Cruzou as pernas com a maior calma enquanto acariciava  Théo e voltou a olhar pra mim.
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  — Eu sei que parou os remédios, mas deveria mesmo beber essa quantidade? — falei em tom de repreensão.
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  — %Matteo%, se eu não beber eu vou voltar a ficar reclusa, é isso que quer?
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  — Claro que não!
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  — Então bebe seu whisky e deixa eu beber o meu. — Ela deu um gole em seu copo e saboreou a bebida daquele jeito que eu adorava admirar. — O que aconteceu?
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  — Eu realmente não quero falar sobre isso, %Tita%.
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  — Você precisa parar de esconder as coisas de mim, %Matteo%… — %Pietra% falou, irritada, fazendo eu fechar os olhos momentaneamente. — Eu estou bem.
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  — Você quer saber, pois bem, vamos lá… — Mirei seus olhos atentos e comecei: — Tudo que passamos desde o que aconteceu… você sabe. — Desviei meus olhos dos dela suspirando e ela apenas assentiu. — Foi muito doloroso ver você daquele jeito e não poder fazer nada, %Tita%. Foi… horrível me sentir impotente e ao mesmo tempo talvez um pouco culpado por isso... — Soltei o ar e balancei a cabeça em negativo.
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  — Você não teve culpa…
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  — Isso não vem ao caso… — Nem deixei ela continuar, eu não queria o discurso de benevolência. — E como se já não bastasse tudo isso… — falei, rindo sem qualquer humor —  Nero me traiu e eu tive que interrogá-lo. — Ela me olhou com os olhos saltados.
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  — Como?
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  — Sim, %Pietra%, Nero está preso, estava trabalhando junto com a… — ela fez careta e eu nem continuei para falar o nome Carolyn — e Otelo, provavelmente, saiu em uma missão suicida.
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  — Espera, onde o papai foi?
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  — Interrogar Carlos Diaz ou seja lá qual for o nome dele.
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  — E você deixou?! — disse ela sobressaltada, endireitando-se na mesa, colocando o copo na madeira e descruzando as pernas.
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  — Eu não tenho o controle de tudo, %Pietra%! — gritei antes de virar o whisky garganta abaixo, levantei da poltrona colocando o copo em cima da mesa. — Nossa vida é assim! — falei próximo do rosto dela. — Nossa família é assim, afundada em desgraça!
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  Eu estava farto, coisas demais nas minhas costas, preocupações demais na minha cabeça, eu estava prestes a explodir e acabei explodindo com ela. Não queria falar mais nada, pois acabaria saindo algo da minha boca que não deveria e ela não merecia isso de mim. Tentei me virar para sair dali, mas ela segurou meu pulso, senti aquele tremor pelo meu corpo e tentei me manter calmo.
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  — Não fuja… — ela acariciou minha pele com o polegar e me peguei fechando os olhos, apreciando aquele toque singelo, pequeno, mas que era tão bem-vindo — do mesmo jeito que cuidou de mim, eu quero cuidar de você.
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  Girei meu corpo ficando de frente com ela, dei dois passos e respirei fundo, sentindo aquele cheiro adocicado que ela exalava me acalmar de uma forma única. Suspirei olhando pra ela que mantinha uma expressão serena, de acalento. Eu me sentia bem pra caralho com ela, parecia tão certo eu e ela, mas ao mesmo tempo sabíamos que aquilo não podia acontecer. Era cruel demais. Olhei em seus olhos e não pude deixar de notar sua boca entreabrir.
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  Perto demais, meu lado racional gritava, porém não o suficiente, meu desejo falava.
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  — Eu não consigo mais, %Pietra%… — Fui baixando a cabeça e a apoiei no ombro dela enquanto minhas mãos estavam espalmadas na mesa, uma em cada lado do seu corpo. — Mais isso pra dar conta, é demais pra mim…
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  — Eu sei… — Senti sua mão em meus cabelos, seus dedos se infiltrando entre os fios da minha nuca e me deixando ainda mais ansioso e sem controle. — Eu também não…
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  — O que faremos?
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  — Manter distância?
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  — Já sabemos que isso não funciona. — Levantei a cabeça, ficando bem próximo de seus lábios, voltei a encarar os olhos verdes, brilhantes como uma pedra preciosa, eles eram lindos; ela era linda. — Não vou me controlar por muito tempo.
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  — Eu quero cuidar de você, mas também não sei se consigo… — Ela fechou os olhos e encostou a testa na minha, uma proximidade tão perigosa, nossos lábios quase se unindo em um beijo que eu ansiava há tanto tempo. — Mas não podemos mais ultrapassar esse limite…
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  — Desculpe — pedi, de olhos fechados, nossos narizes roçando um no outro, sentia meu coração batendo acelerado no meio do peito. Apertei a madeira da mesa e me afastei, tomando uma distância segura.
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  Aquilo era uma tortura.
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  — Não peça, é culpa minha também. — Ela levantou da mesa, colocou a mão no meu peito, empurrando meu corpo devagar e foi caminhando até a porta. — É melhor ficarmos longe, dessa vez, de verdade… — Ela virou o rosto pra olhar pra mim, seus olhos diziam tanto, um adeus, um sinto muito e uma vontade de ficar que eu conseguia sentir de onde estava. Eu não estava preparado para tê-la longe de mim mais uma vez. — Vamos, Théo — %Tita% chamou o cachorro e ele a acompanhou para fora.
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  Estava me sentindo um estúpido, não deveria ter feito isso, não deveria ter deixado meus sentimentos tão à flor da pele a ponto de me controlarem. Saber que é recíproco me deixava ainda mais fora de controle e isso era um problema.
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Lelen

MINHAS PRECES FORAM OUVIDA, AMÉM.
Tinha que ter alguma coisa nessa história toda que fosse pra contribuir pro bem dos personagens, né? Não que descobrir torne as coisas TÃO fáceis, mas já facilita alguma coisa, né?
AGORA NÃO TEM MAIS CULPA ENVOLVIDA PROS DOIS FICAREM JUNTOS, ENTÃO FIQUEM JUNTOS DE UMA VEZ, PELAMORDEDEUS
Eu tô com medo do que vai rolar nessa guerra de famílias, medo de quem pode cair no meio disso tudo. PROTEJAM O FILIPPO (mesmo eu ainda com o pé atrás kkkkk)

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