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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

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Vincere

Escrita porHatakesaturn
Revisada por Lelen

Capítulo 29

6 meses depois

%Pietra% Perroni

  — Esses 6 meses foram cansativos, Gi.
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  — Você mal tem vindo à boate, %Tita%, e quando aparece está exausta. Eu entendo que agora você vai assumir como sottocapo, mas a Fascino sempre foi sua prioridade.
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  — E vai continuar sendo, depois da Vincere, agora eu preciso me preocupar com outras coisas, Giovanna.
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  — Eu só… Sinto sua falta, todos nós sentimos…
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  — Desculpe não estar tão presente e é sobre isso mesmo que quero conversar com você. — Dei um gole em meu martini aos olhos azuis atentos da minha melhor amiga. — Quero que seja oficialmente minha sócia. — Ela abriu a boca em absoluto choque. — Não fique tão surpresa, já tínhamos conversado sobre isso…
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  — Sempre foi na base da brincadeira, %Pietra%. Você tá falando sério? — perguntou surpresa.
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  — Claro que estou. Já pedi pro advogado fazer os papéis, assinamos se você topar mais essa aventura ao meu lado. — Sorri largo pra ela que tampou o rosto com as mãos.
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  — Eu não estava… esperando por isso.
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  — Você tá chorando? — Levantei e dei a volta na mesa do meu escritório para abraçá-la, afastei-me ajoelhando no chão para ficar da altura dela que estava sentada na cadeira. — Você é minha melhor amiga, ninguém melhor do que você pra mandar nisso aqui na minha ausência que será mais frequente agora.
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  — Obrigada, %Tita%, obrigada por confiar em mim.
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  — Pare de chorar que temos uma boate pra administrar. — Passei o dedo pela bochecha dela para limpar as lágrimas insistentes e ela sorriu. — Vamos, precisamos brindar essa sociedade.
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  Descemos para o bar e disse para Vince servir uma dose de tequila para todos. Contei ao meu melhor amigo o que estávamos comemorando e ele ficou super feliz, deu um beijo em Giovanna e um abraço em mim. Juntamos nossos copos em um brinde, olhei para os dois e sorri, eles eram o meu alicerce naquela boate, além de serem uma parte boa de mim, a parte boa da antiga %Pietra%. Ela já não se encontrava mais ali, mas acreditava que eles faziam eu me lembrar de manter um pouco do que restava das minhas emoções na superfície.
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  Agora era quase impossível, meu trabalho na máfia pedia cada vez mais para o meu racional tomar o total controle. Eram reuniões e mais reuniões sobre o quanto era importante o subchefe ser frio e calculista. Se era isso que meu pai queria, era isso que eu seria. Nesses últimos 3 meses muita coisa aconteceu, decidi ser fiel aos mandamentos de Otelo e deixar a minha boate em boas mãos. Eu nunca abandonaria a Fascino, mas outras coisas pediam minha atenção no momento.
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  — E você vai ajudar, Vince, será o gerente.
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  — Mais trabalho pelo mesmo salário… Que maravilha. — Suspirou audivelmente.
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  — Não fale essas idiotices na frente da sua chefe armada.
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  — Credo, você tá pior que o %Matteo%.
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  — Pior não, amor, melhor — falei, virando mais uma dose de tequila. — E pra sua informação o seu salário vai aumentar sim.
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  — Ele acha que eu ganho o mesmo que ele — Giovanna falou depois de tomar sua dose e eu gargalhei pegando meu celular que tinha vibrado.
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  — Aparentemente era isso que você queria que eu pensasse. — Ele cruzou os braços em frente ao peito.
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  — Vocês homens se sentem com ego ferido se a namorada ganha mais que vocês, não quis complicar as coisas. — A loira revirou os olhos.
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  — Namorada? — Vincenzo arqueou a sobrancelha.
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  — Não quero participar desse papo, bom dia pra vocês. — Peguei a chave do carro e saí de fininho daquela conversa desconfortável que se seguiria.
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  Entrei no meu carro e fui até o nosso restaurante, Filippo tinha mandado uma mensagem pra mim pedindo a minha presença, eu só não esperava que %Matteo% estivesse lá. Meu primo explicou o que eu deveria fazer, aparentemente estavam fazendo corrida de carros ilegais, não que isso fosse da nossa jurisdição, mas havia um dealer vendendo droga nessas corridas. Eu deveria ir averiguar, identificar quem era pra Giulia poder rastrear de onde estava vindo e quem era o fornecedor.
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  Na Itália sempre fomos o único fornecedor que vendia drogas, tanto diretamente para os clientes quanto para os dealers e não era diferente na Espanha. Filippo falava comigo em uma mesa logo no começo da sala do subsolo onde ficavam os cappis e soldados aguardando ordens. %Matteo% estava em uma mesa mais ao fundo, fumando, bebendo e jogando cartas com os cappis. Eu não conseguia deixar de desviar meus olhos em alguns momentos para olhar pra ele. Era como se o maldito ímã não perdesse o magnetismo, mesmo com todas as merdas que aconteceram.
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  Meu coração ainda batia mais rápido quando ele estava perto de mim, mas eu não conseguia deixar de lado o rancor que eu guardava por ele ter mentido. Ele ouviu todas as minhas lamentações, inseguranças e medos, e mesmo sabendo de tudo isso, escolheu omitir que Otelo não era meu pai, como iria confiar nele? Eu sei que quando o Don dá uma ordem você não pode contestar, mas era a porra da minha vida. Seus olhos negros cruzaram com os meus e eu engoli em seco, ele ainda provocava coisas demais dentro de mim e eu não queria ter que lidar com aquilo, não quando tudo parecia estar se encaixando. Chega de bagunça na minha vida!
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  — Ouviu, %Tita%? — Meu olhar voltou a focar em meu primo.
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  — Desculpe, o quê?
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  — Hoje à noite vai ter outra corrida, precisa ir até lá, leve Ettore e Austin.
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  — Pode deixar. — Levantei e logo Filippo também. — Mais alguma coisa?
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  — Tenha cuidado, %Tita%.
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  — Em 6 meses fiz algumas tarefas dessas, primo, não se preocupe. É um bando de mauricinho achando que tem poder de alguma coisa.
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  — Você pode achar que é um tempo considerável, mas eu sei que nem sempre as pessoas são quem aparentam ser.
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  — Estou bem armada e bem treinada, tá tudo sob controle. — Sorri pra ele e pisquei o olho direito, virei as costas e dei dois passos para sair dali.
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  — %Pietra%… — Olhei para trás e vi %Matteo% olhando pra mim, nosso olhos chegavam a soltar faíscas ao se encontrar, mas voltei a encarar Filippo, que foi quem me chamou. — Temos a informação de que o dealer adora uma confusão.
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  — Eu consigo ser pior, primo. — Sorri divertida e subi a escada, passei pelo salão do restaurante cumprimentando os atendentes e entrei no meu carro.
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  Respirei fundo e sentia meu coração pulsando em minhas costelas, bati com a mão duas vezes no volante e encostei a cabeça no banco. Esses meses têm sido assim, difíceis, %Matteo% tenta me dar espaço, mas sempre que pode demonstra cuidado comigo e me sinto até um pouco culpada por não conseguir retribuir com o mesmo carinho. Eu sabia que o amava, mas a raiva não deixava mais eu aceitar isso com tanta facilidade. Contudo, mesmo com o amargo do rancor inundando a minha boca, eu sentia tanta coisa apenas por estar perto dele.
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  Eu sentia que %Matteo% ainda era o homem que eu queria na minha cama e na minha vida, e lidar com esses sentimentos e pensamentos controvérsos era pra deixar qualquer um maluco. Eu não sabia como prosseguir em relação a ele, não sabia se ficaríamos juntos e nem muito menos se isso era uma boa ideia.
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  Dirigi até em casa com o volume da música no máximo pra ver se abafava meus pensamentos, assim que desci do meu carro fui até os meus seguranças.
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  — Hoje nós vamos até uma corrida de carros ilegal. Preciso ir bem disfarçada…
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  — Senhorita Perroni, se me permite a indelicadeza… — Assenti e ele continuou: — As mulheres normalmente vão com uma roupa sexy, beirando o vulgar.
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  — Entendi.
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[...]

  Ettore dirigia e Austin estava no banco do passageiro enquanto eu ocupava o banco traseiro. Fomos em uma Ferrari 612 scaglietti azul, presente de algum dos associados pro meu pai, ela vivia na garagem, de vez em quando Giulia pegava para dar uma volta. Íamos para uma corrida, então nada melhor do que ir em um carro esporte. Eu tinha colocado um microtop com uma calça jeans bem justa, coloquei uma jaqueta por cima pois precisava guardar a arma em algum lugar. Coloquei uma bota de salto grosso pra me dar vantagem caso eu precisasse lutar corpo a corpo.
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  Chegamos no que parecia um show de uma banda de rock famosa, muitas pessoas gritando, bebendo e fumando nas arquibancadas de uma antiga pista de corrida. Olhei para os meus seguranças e dei a ordem de eles ficarem de olho em todos os movimentos estranhos para tentar encontrar o dealer. Então nos separamos, cheguei à beirada do guarda-corpo e vi os carros correndo a toda velocidade lá embaixo, olhei para os lados buscando ver algo, porém, nada saltava aos olhos.
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  Comecei a caminhar até uma espécie de bar que tinha ali e pedi um copo de cerveja, não era minha bebida preferida, mas eu precisava me misturar. Paguei em dinheiro e dando o primeiro gole caminhei entre as pessoas, avistei Ettore conversando com uma mulher que parecia estar bem atirada pra cima dele. Ótimo, mulheres com tesão tendem a falar com facilidade. Corri os olhos atrás de Austin e ele já se pegava com uma morena que usava uma micro saia, se é que eu podia chamar aquilo de roupa.
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  — Carne nova no pedaço, Mario…
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  Olhei para trás e vi um grupo de rapazes olhando para o meu traseiro, homens eram tão previsíveis. Sorri de maneira libidinosa para o moreno alto que se aproximou de mim, deixando os amigos para trás.
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  — Nunca te vi aqui, docinho, pode me dar a honra de saber seu nome? — Ele me olhava com desejo, passeou os olhos pelo meu corpo enquanto falava.
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  — %Pietra%, e o seu? — Virei de frente pra ele me escorando no guarda-corpo de ferro deixando minha barriga à mostra e como eu já esperava, os olhos do homem foram diretamente nela.
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  — Ângelo, ao seu dispor. — Ele fez uma meia reverência, fazendo eu rir internamente, patético.
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  — Que maravilha saber disso, Ângelo. Preciso de algo mais forte, já que essa cerveja está longe de me ajudar no serviço. — Pisquei o olho esquerdo pra ele enquanto levantava o copo em minha mão.
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  — Conheço a pessoa perfeita pra isso…
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  Ele acenou com a cabeça para eu seguir ele e foi o que fiz, mas não antes de ter certeza que Austin ou Ettore estavam de olho em mim para saberem onde eu estava indo. Andamos por alguns minutos até chegar em uma parte coberta, tinham algumas poltronas velhas com pessoas sentadas nelas, umas luzes coloridas e, pra onde eu olhava, havia mesinhas com cinzeiros abarrotados de bitucas de cigarro e ponta de baseados. Definitivamente eles não estavam se importando em chamar atenção.
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  — Chiara, tenho uma nova cliente pra você…
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  Corri os olhos pelas pessoas ali presentes estudando minhas opções de fuga ou de ataque. Ao ouvir o nome feminino olhei diretamente pra loira atirada em uma poltrona com piercings em todos os lugares onde dava pra se colocar, roupas largas e uma expressão de poucos amigos. O dealer era mulher…
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  — O que a patricinha tá procurando? — a mulher falou com desdém e aquilo já me irritou, ela tinha errado a abordagem e isso era um erro grave comigo.
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  — Quero três gramas…
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  — Faço 150 euros. — Jogou o pequeno pacotinho com o pó branco em cima da mesinha como se eu fosse uma qualquer.
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  Que asco dessa mulher sem classe, porém, se ela queria ser nojenta, eu seria 3 vezes pior. Cruzei os braços e arqueei a sobrancelha antes de dizer:
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  — Como vou saber se é realmente boa?
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  — Tá tirando com a minha cara, boneca? — A dealer levantou e andou com desleixo um pouco mais à frente. — A minha droga é a melhor da cidade.
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  Travei meu maxilar. A melhor da cidade era a minha irmã que fazia, 100% pura e quase sem sequelas. Sorri cínica.
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  — Não sei… — Dei alguns passos até a mesinha e peguei o saquinho em minha mão, analisando de perto para então jogar novamente no tampo improvisado. — Não me parece tão pura quanto a que provei em uma boate no centro.
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  A mulher gargalhou olhando para as pessoas ao redor, como se quisesse me intimidar. Se fosse com outra com certeza funcionaria, já que todos me olhavam com deboche. Só que eu era a porra de uma Perroni, ela errou desde o início e daí pra frente meu sangue ferveu mais a cada minuto.
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  — A princesa aqui acabou de chegar e quer arrumar briga logo comigo? — Ela pegou uma mecha do meu cabelo e levantou. — É tão pura quanto o vermelho desse teu cabelo.
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  — Certamente você não sabe identificar uma ruiva natural, Chiara, mas eu consigo ver a quilômetros que o seu loiro é tão falsificado quanto a sua cocaína.
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  Eu vi a expressão de ódio no rosto dela e sua mão foi rápida até as costas puxando uma arma e colocando na lateral da minha cabeça. Eu ri debochada com aquela palhaçada. Nem segurar uma arma direito ela sabia, não duvidava dela nunca ter atirado em alguém.
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  — Tá rindo do que, sua vadia? — Ela empurrou minha cabeça com o cano da arma e isso fez eu perder o resto da minha paciência. — Vem no meu espaço me desrespeitar como se fosse dona do lugar!
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  — Em uma coisa você tá certa, Chiara, eu sou a dona da porra do lugar. — Roubei a arma dela em segundos e apontei bem entre seus olhos, fazendo-a cambalear pra trás. Todos ao redor se afastaram, surpresos com a minha desenvoltura. — %Pietra% Perroni, muito prazer.
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  — Pe-perroni? — Ângelo disse alarmado, os olhos arregalados. Era maravilhoso sentir o medo que apenas meu sobrenome causava nas pessoas, antes eu não usava para proteção e agora eu uso pra opressão. — Como…
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  — Sim, Ângelo, como a famiglia Perroni. Dona da porra do comércio ilegal da Espanha. — Voltei o olhar para a loira falsificada na minha frente e era nítido o medo em seus olhos. — Agora, gracinha, me diz… quem te fornece essas drogas?
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  — Eu não… — ela gaguejou, sem conseguir terminar a frase.
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  — Cadê a fodona que eu vi há pouco? — perguntei incisiva.
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  — Não conheço o fornecedor, ele apenas envia pra minha casa…
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  — Que ótimo… Quem mais trabalha com você? — Vi ela engolir em seco. — Vamos, Chiara, eu te garanto que você não vai querer me ver mais irritada do que já estou.
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  — Eu trabalho sozi… — Dei um tiro no pé dela e escutei o grito sair alto da sua garganta.
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  — A próxima é na sua cabeça — disse baixo em seu ouvido.
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  — Ângelo e… Mario.
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  — Ótimo! — Virei animada para os dois rapazes do meu lado direito. — Vocês têm duas semanas pra descobrir o fornecedor. — Tirei foto dos rostos deles e mandei para Giulia seguido de um áudio: — Sorelina, Voglio tutte le informazioni. (Irmãzinha, quero todas as informações.).
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  — Como vamos descobrir? — Mario perguntou preocupado. — Nunca entramos em contato com eles cara a cara.
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  — Isso é com vocês.
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%Matteo% Perroni

  Otelo estava na Itália, ele passava mais tempo lá do que em casa e em breve achava que isso seria permanente. Eu tentava não pensar muito nas decisões atuais do meu pai, pois achava que algo estava esquisito, porém não queria segurar mais essa carga.
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  Estava no escritório com dois cappis, um de cada lado, aguardando ordens, estávamos revendo o caminho percorrido por Luca na noite da emboscada no galpão. Filippo me informava das últimas atualizações, que eram quase nulas, quando %Pietra% entrou pela biblioteca feito um furacão.
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  Nos últimos meses era difícil nos falarmos, mas quando nossos olhos se encontravam não era preciso palavras. O desejo, o amor e a atração estavam em cada segundo que meus olhos ficavam presos aos dela. Não sabia mais o que fazer, mas estava dando o espaço e tempo que ela falou que precisava. Quando ela sentou na cadeira à minha frente pedi para que os cappis deixassem o escritório, ficando apenas eu, ela e Filippo. Ela começou a falar e a cada palavra eu me emputecia ainda mais, como que ela foi tão displicente?
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  Eu ainda estava atônito com tudo que aconteceu na madrugada quando o silêncio pareceu durar tempo demais. Filippo serviu uma dose de whisky para cada um de nós e eu beberiquei o líquido e acendi um cigarro. Era a primeira vez que algo assim acontecia, %Pietra% era racional, mas deixou suas emoções a controlarem. Era óbvio que aquela mulher tinha tirado ela do sério, senão ela não teria vindo até mim pessoalmente para passar o relatório da missão.
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  — São praticamente adolescentes, %Pietra% — comecei.
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  — Filippo pediu pra eu identificar o dealer e descobrir os fornecedores.
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  — E como vamos descobrir agora?! — Bati na mesa em um rompante. — Você atirou nela!
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  — Ela colocou a arma na minha cabeça, acha que eu ia deixar isso passar? — Ela também se alterou.
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  — Você vai ser a sottocapo, cazzo. — Levantei, irritado. — Aja como tal.
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  — Impressionada. — Ela bateu palmas de forma encenada. — Cada vez mais parecido com o papai. — Ela sorriu debochada e aquilo me quebrou, não deveria estar agindo dessa forma, não com ela.
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  Suspirei e sentei na cadeira atrás da mesa grande de madeira do escritório. Passei a mão pelo cabelo, ela me deixava completamente fora de mim. Seis meses e eu estava surtando, cada dia que passava e eu não a tinha em meus braços. Além de não ter pegado o filho da puta do Luca que enganou a Vincere duas vezes, maldito. O estresse estava tomando conta de mim, era isso. Eu precisava me acalmar e falar com calma com ela.
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  — Desculpe, não era pra ter ficado tão irritado, mas não se deixe levar pelas suas emoções nas missões, %Pietra%.
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  Eu precisava seguir mais os meus próprios conselhos, já que estava deixando a raiva me corroer por dentro.
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  — Otelo diz o mesmo, estou tentando ser fria e calculista como vocês gostam de dizer — falou dando de ombros.
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  — Sabe que não acho que tem que ser assim.
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  — Está me mostrando exatamente isso, %Matteo% — falou impassível. Fazia pouco tempo que ela assumia esse comportamento e por mais que eu soubesse do grande traço de racionalidade que ela possuía, ela nunca foi tão apática.
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  — %Pietra%… — Olhei para o lado. — Filippo, nos dê um minuto. — Nosso primo saiu nos deixando a sós e a vi mudar para uma postura defensiva. — %Pietra%, não quero que seja assim, eu deixei bem claro há meses, nunca vou pedir isso de você.
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  — Então não peça, é difícil controlar os nervos quando aquela filha da puta tentou me matar…
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  — Ela não iria atirar em você, e sabe disso… Não use isso de desculpa. — Ela soltou o ar com força pelo nariz e pegou o copo deixado por Filippo em sua frente e entornou o líquido. — Você… está tudo bem?
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  — Sim, está. — Ela cruzou os braços, deixando claro que não entraríamos em uma conversa pessoal.
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  — Vamos fazer do seu jeito, então. — Puxei a fumaça e me recostei na cadeira, vi o olhar dela reluzir em desconfiança, mas eu não me importei, fazia meses que ela me olhava assim. — Mantenha-me atualizado…
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  — Sim, Don. — %Pietra% levantou.
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  — Ainda não…
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  — Já estou treinando, afinal, falta pouco — falou debochada e saiu do escritório a passos lentos.
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  %Pietra% em poucos meses tinha se reerguido sozinha. No primeiro mês eu mal a via, ela estava no escritório com Otelo ou enfiada no quarto. Depois de algumas reuniões, ela voltou a treinar luta e tiro, começou também a receber tarefas fora de casa com o intuito de treiná-la para certos tipos de trabalho, coisas que eu costumava fazer. Agora meu pai me deixou no comando e foi para a Itália fazer sabe-se lá o quê, disse que iria transferir o cargo pra mim e que eu me acostumasse com o peso, pois ele só iria piorar.
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  O peso do legado eu já carregava há tanto tempo, eu já era acostumado a sentir meus ombros tensos. Nada daquilo era novo pra mim, meu pai tinha me colocado em situações delicadas e com muita pressão desde a minha adolescência. Eu era preparado para aquilo, por mais que não estivesse pronto para ter %Pietra% como meu braço direito, principalmente com ela estando com tanta raiva de mim. O que mais me deixava frustrado era o fato de eu não ter conseguido fazer nada para ter a confiança de %Pietra% novamente e muito menos provar que a amava. Eu fazia o que podia, mas não parecia ser o suficiente.
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  Filippo entrou no escritório novamente e se colocou ao meu lado, eu sabia que talvez ele falasse algo, mas o silêncio perdurou tantos minutos que achei que teria a graça do silêncio. Ledo engano.
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  — Eu sei que quer reconquistá-la, mas não pode dar aberturas que não daria a você mesmo. Você é o Don, %Matteo%.
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  — Ainda não…
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  — Sabe que é só por questões burocráticas, Otelo deixou claro quando saiu por aquela porta pra voltar pra Itália que agora você que manda.
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  — Eu não posso afastá-la ainda mais, Filippo.
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  — Sei que não, assim como eu sei também que ela ama você e que o dia do perdão irá chegar.
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  — Esse dia está demorando tempo demais…
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