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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Vincere

Escrita porHatakesaturn
Revisada por Lelen

Capítulo 28

%Matteo% Perroni

  Eu vi o colar escorregar de dentro da mão dela em câmera lenta, eu estava sem acreditar que aquilo tinha acontecido. Ela não tinha que provar nada, ela já passou por tanto. Eu não notei que ela estava se perdendo? Que ela estava virando alguém que ela mesma há alguns meses não gostaria de ser. Tudo isso porque meu pai queria ver algo que ele mesmo já devia ter decidido, ver se ela seria capaz de ser sanguinária o suficiente pra ser a subchefe da Vincere.
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  Aquilo era tortura psicológica!
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  %Pietra% simplesmente virou as costas e saiu andando. Eu estava pasmo, o que seria do seu psicológico agora? Virei para Otelo, olhando para ele de forma reprovativa por sua atitude.
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  — Esse colar é… do Nero? — Luna perguntou incerta, olhando mais atentamente o cordão.
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  — Sim, filha, e agora o traidor está morto. Como já deveria estar há muito tempo… — Ele olhou pra mim como se minha decisão de ter deixado ele preso tivesse sido a pior das ideias.
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  — Isso é loucura — falou Giulia, olhando para os próprios pés. — Como pôde fazer isso com ela?
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  — Eu não pedi que ela fizesse nada, ele apenas estava no porão.
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  — Para bom entendedor meia palavra basta. — Beatrice levantou irritada. — Você foi longe demais dessa vez, papai.
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  As três saíram da sala de jantar e eu nem sabia como reagir, o que porra tinha acontecido? Essa família estava cada vez mais quebrada e meu pai era um dos grandes motivos disso. Ele nos tratava como peões, soldados em sua máfia. Éramos seus filhos em primeiro lugar, caralho. Quando ele iria agir como um pai? Levantei, pronto para sair dali, mas meu pai pigarreou fazendo eu olhar para ele.
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  — Não pedi que ela fizesse nada, deixei tudo a escolha dela.
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  — Tenho certeza que soube manipular a escolha dela mesmo à distância, Don Otelo, você é ótimo nisso. — Virei as costas e saí dali antes que eu fizesse alguma besteira.
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  Subi a escada e caminhei pelo corredor, olhei no quarto de %Pietra% e ela não estava lá. Eu só esperava que ela estivesse bem, mas eu precisava achá-la para ter certeza disso. Assim que olhei através da vidraça eu vi ela sentada na beira da piscina com Théo sentado ao seu lado. Respirei fundo, aliviado, pelo menos ela estava bem fisicamente. Desci novamente e então caminhei pela grama até chegar próximo dela. Não sabia se deveria falar algo ou talvez perguntar, ela estava se tornando cada vez mais uma pessoa imprevisível pra mim.
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  — Tem um cigarro? — Foi ela que quebrou o silêncio.
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  Tirei a carteira do bolso, tirei um pra mim e outro pra ela, acendi os dois e alcancei um pra ela que pegou imediatamente.
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  — Eu estou bem, %Matteo%, antes que pergunte. — %Pietra% deu um longo trago em seu cigarro.
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  — Tem certeza? — perguntei tanto por mim quanto por ela, eu precisava saber se deveria ficar em alerta.
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  — Pra dizer bem a verdade, nunca me senti melhor. — Ela seguia olhando para um ponto qualquer do jardim, do outro lado da piscina. — Agora talvez eu finalmente seja uma mafiosa de verdade, que nem você… — Ela olhou pra mim com um sorriso altivo — O que acha?
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  — Não queria que fosse igual a mim, %Pietra%.
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  — Claro, não quer que eu roube o seu grande espaço na Vincere. — Ela levantou da borda, ficando em minha frente.
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  — Não é isso…
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  — Então é o quê? — perguntou irritada. — Não estou à sua altura? — falou em tom de escárnio.
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  — Eu que não estou à sua, %Tita%, nem nunca vou estar — falei calmo, de forma amena e vi sua postura desarmar. — Você é a mulher mais foda que eu conheço.
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  — Não ouse… — ela soprou as palavras.
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  — Eu falei sério, não vou desistir de você. — Dei alguns passos em direção a ela, tentando decorar cada feição de seu rosto, %Pietra% era a mulher mais linda que eu já conheci. — Agora podemos…
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  — Não consigo perdoar o que você fez…
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  — Eu quis te proteger, cazzo!
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  — Mesmo assim… A raiva ainda está aqui, %Matteo%… — Ela colocou a palma no próprio peito.
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  — O amor também está? — perguntei, sentindo uma angústia tomar meu coração, mas ela fugiu dos meus olhos e então peguei em seu queixo e obriguei ela a me olhar. — Você disse que me amava…
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  — Talvez eu tenha me equivocado… — Ela deu dois passos para trás, desviando os olhos novamente.
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  — Não faça isso, %Pietra%, não me afaste.
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  — Isso que me tornei é o fardo que eu preciso carregar. — Franzi o cenho. — Agora eu sou assim, %Matteo%, apertar o gatilho se tornou algo fácil. — Ela jogou metade do cigarro no chão e pisou em cima. — A partir de agora eu vivo pela Vincere.
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  Passei a mão pelo rosto, nervoso. Alguma chavinha girou no cérebro de %Pietra% e eu não poderia reverter isso, pois eu, melhor do que ninguém, sabia que quando o remorso deixa de fazer parte do seu caráter, é um caminho sem volta.
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  — Não vou deixar você ir… — Segurei o pulso dela assim que ela fez menção de se afastar.
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  — Eu preciso de espaço…
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  — Não vou deixar você me afastar… — Não deixei ela continuar. — Quer espaço pra me perdoar? Eu dou, mas não vou a lugar nenhum, %Pietra%.
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  — Como você quer dar início a algo desse jeito? — falou magoada. — Vai mentir pra mim na primeira oportunidade de novo a mando do seu pai!
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  Era palpável o ressentimento que ela tinha e eu não a culpava, muito pelo contrário, aquilo era consequência das minhas péssimas escolhas. Contudo, eu não desistiria, não agora que eu sabia que nada me impedia, que o sentimento era mútuo, por mais raiva que ela sentisse de mim, o amor era algo que não apagava assim de repente e ele ainda estava ali em algum lugar. O que eu sentia por %Pietra% era muito mais forte do que qualquer outro sentimento, passei tantos anos escondendo ele que nem eu mesmo sabia da proporção que tinha chegado.
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  — Se você quer uma promessa, eu te prometo que eu vou fazer de tudo para conquistar sua confiança, e, principalmente, vou ser leal a apenas você.
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  — Eu que deveria falar isso, %Matteo%, serei sua sottocapo. — Ela estava inconformada, como se eu estivesse falando coisas sem sentido, mas eu nunca tinha sido tão honesto na minha vida.
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  — Não haja como se eu estivesse falando absurdos. — Puxei a mão dela e espalmei em meu peito. — Meu coração sempre foi seu.
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  Acariciei sua mão e olhei nos verdes esmeraldas. Ela parecia ter perdido a fala, estava surpresa, os olhos dela estavam compenetrados em me analisar e eu sabia que seria difícil ela acreditar em mim depois do que eu fiz, porém, eu jamais deixaria de tentar.
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  — Ainda dói, %Matteo%…
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  — Eu sei.
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  — Preciso de um tempo.
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  — Vou esperar o tempo que for… — Soltei a mão dela devagar e a vi olhar pra baixo se abraçando e voltou a me olhar como se pedisse desculpa antes de virar as costas e entrar na mansão.
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  Acendi outro cigarro e puxei a fumaça para os meus pulmões fechando os olhos e expelindo a mesma. Olhei para o céu respirando fundo tentando pedir forças pra aguentar o que viria, não seria fácil. Agora eu e ela estaríamos juntos até o fim de nossas vidas como capo e sottocapo da Vincere, de qualquer forma, estávamos acorrentados um ao outro.
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[...]

  Joguei na mesa um royal flush e Filippo me olhou indignado, sorri de leve, vitorioso. Os outros cappi nem sequer me olharam, apenas separaram as cartas para um novo jogo. Meu primo me atualizou sobre como faríamos para dar um jeito definitivo naquele detetive insuportável que seguia na cola de %Pietra%, ainda mais agora que ela resolveu ser uma “mafiosa de verdade”, como ela gostava de dizer. Estevam tinha uma obsessão por boates ou por ela, esperava realmente que fosse por boates.
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  Já fazia alguns dias que meu pai e %Pietra% tiveram a primeira reunião, eu não sabia sobre o que, mas tinha certeza que não tinha sido algo bom. Caso fosse igual o que ele passava pra mim, eu tinha uma certa preocupação, porém eu também sabia que eu precisava parar de ser tão protetor com ela.
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  Por mais que %Pietra% não estivesse acostumada com esse lado da Vincere, ultimamente ela estava me saindo melhor que a encomenda, completamente diferente da mulher que eu conhecia. Esperava realmente que tivéssemos uma melhor comunicação, afinal, em seis meses eu assumiria oficialmente como cappo e ela, como sottocappo, uma vez que o Don escolhe o subchefe não há volta, só se o escolhido morrer e nem quero pensar nessa possibilidade.
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  — %Matteo%, tivemos que molhar a mão de muita gente e nada adiantou. Precisamos descobrir pra quem ele trabalha por baixo dos panos…
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  — Temos também que achar aquele cretino do Luca e não tô vendo sinal de pistas.
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  — O filho da puta desapareceu!
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  — Ele não pode ter ido tão longe, tenho certeza que ele ainda está aqui na Espanha.
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  — Se ele estiver nós vamos achar, te garanto isso.
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  — Dê logo as cartas, Giovanni — falei irritado com aqueles tópicos, dois assuntos que estavam me tirando o sono e que precisavam ser resolvidos imediatamente.
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  Naquela noite eu só queria esquecer um pouco das minhas responsabilidades, beber e jogar me pareciam um ótimo passatempo, sempre foi. Então eu não queria ouvir sobre Luca ou o detetive medíocre, queria relaxar e me embriagar em paz.
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%Pietra% Perroni

  Minhas irmãs eram as únicas em quem eu confiava no momento, depois daquela conversa com %Matteo% que me desarmou inteira e quase fez eu desistir dos meus planos, elas foram até meu quarto. Conversamos durante muito tempo e acabamos dormindo na minha cama. Era confortável estar com elas, elas entendiam melhor do que ninguém o que era você ter apenas um pai e sua mãe ser uma qualquer. Uma mulher que entregou a filha pra um mafioso em troca de dinheiro e a minha tinha sido a pior, tinha entregue duas a ele, sem nem mesmo saber se ele cuidaria de mim ou não, afinal, eu não era filha dele.
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  Otelo poderia simplesmente ter me colocado junto com as garotas que ficam nas boates, ela não sabia como o coração dele poderia ser e nem iria saber, já que me entregou de bom grado e foi embora sem olhar pra trás. Doía entender tudo isso, eu não conseguia aceitar uma mulher que poderia ser tão sem alma a ponto de fazer algo tão egoísta. Eu tive sorte e agora vou aproveitá-la e me dedicar apenas a Vincere, que era o que eu deveria ter feito desde o início.
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  No dia seguinte eu fui chamada ao escritório, desci me sentindo zonza, eu estava nervosa, ansiosa e até com um pouco de raiva também, eu era racional, porém nada te preparava pra tudo que aconteceu na minha vida no último ano. Estar entrando ali sabendo que agora eu seria a sottocapo me deixava meio perdida, o que viria pela frente? Entrei na biblioteca devagar, dando passos calculados, sentia minhas mãos suando e meu coração martelava em meu peito. Eu estava decidida, mas minhas emoções ainda estavam muito à flor da pele.
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  — Sente, filha. — Ouvi a voz grossa de Otelo e respirei fundo antes de sentar defronte a ele. — Te chamei aqui pra podermos conversar melhor… — Apenas me mantive quieta, respirando e aguardando o que o Don diria. — Eu deveria ter sido honesto com você antes, mas achei que esse era um segredo que levaria para o túmulo.
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  — Quando outras pessoas sabem sobre o segredo é bom sempre garantir que ele não seja descoberto. — Tentei não soar ríspida, mas era impossível tamanho era o meu rancor.
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  — Gostaria que me perdoasse, princesa.
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  — Talvez demore um pouco, pa… — pigarrei e me corrigi a tempo. — Otelo.
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  — Não faça isso, filglia mia, você ainda é minha filha e será sempre.
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  Suspirei e abaixei a cabeça. Eu estava tão magoada. Mas a verdade era que ele tinha sido meu pai durante todos esses anos e se fosse de sangue ou não, era bobagem perto de tudo que Otelo fez por mim. Seria difícil perdoá-lo, mas algum dia aconteceria, eu sabia disso, porém, não era o momento. Era doloroso demais sentir essa dor constante no peito, no entanto, eu transformaria isso em força pra seguir.
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  — Quais são as minhas tarefas a partir de agora? — perguntei friamente, trocando de assunto.
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  — Será responsável pela segurança da família, como seu irmão fez durante tanto tempo…
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  — %Matteo% não é meu irmão — cuspi as palavras e Otelo apenas assentiu.
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  — Você fará algumas missões como investigar pessoas que estejam interferindo nos nossos negócios, ficará de olho nas remessas que vêm de outros países e também resolver algumas questões burocráticas. — Ele respirou fundo e me olhou com atenção antes de continuar: — Vou perguntar apenas uma vez, %Pietra%, entenda que daqui pra frente não tem mais volta. — Anuí com a cabeça. — Tem certeza de que é isso que quer?
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  — Me escolheu como sottocapo, Don, pretendo cumprir meu papel como tal.
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  — Fico satisfeito com a sua determinação. — Ele recostou no encosto da cadeira e cruzou os braços. — Quero que volte a treinar no nosso stand de tiro.
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  — Sim, Don.
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  — Precisa ser uma exímia atiradora e muito boa em luta corpo a corpo.
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  — Vou seguir meu treinamento, não se preocupe.
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  — Entenda que você vai abrir mão de muita coisa, %Pietra%, inclusive da sua boate. Não terá mais tanto tempo pra se dedicar a ela…
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  — Já tenho um plano B pra isso. — Imediatamente pensei em Giovanna, não era algo novo que eu pensava, a Gi estava mais do que pronta pra assumir o meu lugar no comando e ser minha sócia.
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  — Parece que pensou muito sobre este assunto… — Ele pegou um charuto e acendeu, soltando a fumaça logo em seguida.
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  — Sempre esperei que meu lugar na Vincere fosse esse, mesmo sabendo agora que não sou sua filha, serei eternamente leal à máfia.
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  — Entendo que demore pra me perdoar, %Pietra%, mas eu te criei, sou seu pai — ditou firme. — Sempre admirei sua racionalidade, mas não perca seu lado emotivo pro racional, os dois te fazem ser quem é.
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  Olhei pra ele séria e respirei calmamente antes de falar:
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  — Tarde demais, eu já perdi. Precisa de mais alguma coisa, Don?
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  Vi ele suspirar cansado. Otelo me conhecia, sabia do meu gênio, da minha personalidade e de como lido com as coisas. Ele moldou cada um de nós para sermos peões nessa máfia, ele podia achar que eu não notava isso, mas eu não era tonta. Então, ele saberia como liderar conversas com cada um de nós e também sabia quando não insistir.
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  — Filippo que vai te passar as instruções de tudo, eu vou precisar ir para a Itália. — Assenti e levantei me virando para sair. — %Pietra%… — Parei e olhei para trás. — Eu amo você, filha, não esqueça disso.
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  Respirei fundo para não ser acometida por um choro que insistia em sair, mas prometi a mim mesma que não cederia mais a isso. Curvei levemente os lábios e saí do escritório sentindo meu corpo pesar toneladas. Que inferno que eu não conseguia desligar minha humanidade de vez. Eu queria parar de me sentir tão fodida emocionalmente, queria parar de sentir e eu faria o que fosse pra isso. Peguei um café na cozinha e fui caminhando para o jardim, sentei em uma das espreguiçadeiras próximas da piscina e senti uma lambida em meu braço.
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  — Théo… — Sorri e afaguei sua orelha, ele me olhou triste e soltou um chorinho baixo. — É, eu estou tentando, garoto… — Respirei fundo e olhei para o céu. — Vai passar…
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  — Você está bem? — Virei para o lado e vi Beatrice também segurando uma xícara.
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  — Estou, não se preocupe comigo. Você deveria voltar pra sua esposa…
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  — Anita tá dormindo, ela está bem… — Bea sentou na espreguiçadeira ao lado da que eu estava.
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  — Cris vai vir morar aqui também?
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  — O papai disse que seria necessário, agora ele é família e o lugar dele é em casa…
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  — Ele deve estar adorando essa intimação. — Ri baixo e tomei mais um gole do meu café.
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  — Amando… — Beatrice revirou os olhos. — Como foi a reunião?
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  — Difícil? Esquisita? — Fiz uma careta. — Não sei que adjetivo usar… — Suspirei me deitando.
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  — É, agora você vai se manter ocupada… — ela comentou olhando para o jardim.
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  — Tendo que receber ordens do %Matteo%. — Soltei o ar com exagero.
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  — %Tita%, vocês realmente precisam trabalhar juntos, o futuro da famiglia depende de vocês agora.
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  — Tudo vai se encaixar, Bea… — disse olhando pra ela e então direcionei meu olhar ao céu azul. — Assim eu espero.
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[...]

  — Me diz que é a última caixa, Cristian… — Ouvi a reclamação de Anita e me apoiei no arco da porta tomando meu suco de laranja.
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  — Queria saber por que vocês não pediram para os soldados levarem pra cima. — Sorri brincalhona.
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  — Não quero dar trabalho para os outros… — Cris entrou com a caixa, passando por mim.
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  — Anita, diga pra ele que agora ele está dentro da família e ele terá que dar ordens aos empregados, por favor?
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  — Já falei, %Tita%, mas ele não me escuta… Quer fazer ele mesmo, você não conhece o meu irmão?
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  — Mais até do que gostaria.
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  — Eca. — Anita entrou fazendo careta e eu gargalhei.
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  Aquela casa estava cheia, gostava da sensação de ter os dois com a gente agora, eles eram família, queria que a Giovanna e o Vince tivessem aceitado quando papai ofereceu a eles para morarem na mansão quando vieram da Itália. Contudo, eles queriam se virar sozinhos, eu até entendia, também não gostaria de ficar aos olhares atentos do Don tão de perto. Caminhei até a cozinha, deixei o copo dentro da pia e peguei minha bolsa para ir até o stand de tiro.
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  O que eu não esperava era ver através do vidro que %Matteo% estava em um dos boxes. Era tudo que eu precisava em uma bela manhã de quarta-feira. Revirei os olhos. Entrei no corredor e passei por ele sem nem olhar, ele estava bem focado no que fazia, pulei alguns boxes pra ficar longe dele e respirei fundo. Tirei minha pistola da minha bolsa, coloquei a arma em cima da mesa e a bolsa embaixo dela. Coloquei os protetores de ouvido, conferi o cartucho da minha arma e o coloquei de novo, destravando a arma em seguida para poder começar meu treino de tiro.
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  — Precisa de ajuda?
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  Respirei fundo sem olhar para trás, eu sabia quem era. Não queria ter que olhá-lo, tinha a impressão que meus olhos entregariam tudo, afinal, ele sempre me leu tão bem. Eu precisava treinar meu lado racional para assumir de vez, principalmente nesses momentos.
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  — Não, estou bem, obrigada — falei ríspida, dando a entender que queria ele fora dali.
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  — Faz tempo que não atira… — Senti sua voz calma e suave, como nunca tinha ouvido antes. Eu sabia que ele estava tentando, mas estava muito cedo pra isso.
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  — %Matteo%… — falei, resiliente. — Só peço que respeite meu espaço.
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  — Tudo bem, você tem razão, me desculpe.
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  Vi pelo reflexo do vidro de proteção ele abaixar a cabeça e aquilo doía, eu estava irritada com ele, mas destratá-lo não me fazia sentir melhor, muito pelo contrário, sentia-me mais irritada ainda.
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  Ouvi os passos dele indo para longe e soltei o ar fechando os olhos. Eu estava com raiva, magoada e mesmo assim, meu maldito coração batia acelerado no peito apenas por ouvir a voz dele. %Matteo% era minha ruína ao mesmo tempo que era minha força, eu sabia disso. Não era o melhor momento para amá-lo quando tanto ódio rondava meu coração ainda, seria difícil essa nova configuração na famiglia, porém, seria assim e eu teria que lidar com isso querendo ou não. Nem sei se um dia iria perdoá-lo, mas parecia que tínhamos voltado como tudo era no início: dois estranhos convivendo debaixo do mesmo teto.
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Lelen

A Pietra despirocando pra mostrar quem manda no pedaço HAHAHAH Amo
E quando é que esses dois vão finalmente se acertar AGORA QUE O PRINCIPAL EMPECILHO ACABOU E DAVA PRA FICAR NUMA BOAAAAAAAAA
Pelamor, se casem logo OIHASDOIASBDANDOP

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