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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

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Vincere

Escrita porHatakesaturn
Revisada por Lelen

Capítulo 17

%Pietra% Alonso Perroni

  Estacionei meu carro e respirei fundo olhando para o prédio do hospital, virei o rosto e vi as flores que comprei para levar para Vincenzo, era tão difícil ter que passar por aquilo de novo e, dessa vez, era ele, meu melhor amigo. Peguei o vaso, a minha bolsa e saí do carro indo em direção à entrada, cheguei na recepção e me identifiquei, sendo permitida a minha entrada logo em seguida para o quarto 204, onde ele estava internado. Caminhei a passos lentos, estava sem pressa alguma, com medo de como iria encontrá-lo, se estaria tão frágil quanto  sua mãe há longos anos.
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  Eu precisava ser forte por ele e por Gio.
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  Vi que a porta do quarto estava aberta, puxei o ar mais uma vez e dei alguns passos, parando em frente a porta, vi Giovanna sentada na beira do colchão e Vince deitado naquela cama de hospital, porém, ele estava bem, mesma expressão de cafajeste e um sorriso no rosto por algo que Coppola falou. Sorri com alívio de ver aquela cena, fechei os olhos agradecendo a quem estivesse me ouvindo e então ouvi meu nome.
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  — %Pietra%!
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  Sorri e entrei, deixando minha bolsa e o vaso de flores em cima da primeira mesa que vi, Giovanna levantou para eu ter espaço para abraçar Vince, então o envolvi em meus braços e apertei o nosso abraço. Estava feliz em vê-lo bem, agradecida por não estar debilitado ou triste por já estar ali há tanto tempo.
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  — Eu estou bem, %Tita%. — Afastei apenas para poder olhá-lo nos olhos. — Graças a você e seu pai.
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  — Não… — Neguei com a cabeça e me endireitei ficando ao lado da minha melhor amiga, que me abraçou.
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  — Modéstia não combina com você, %Pietra% — falou Gio  e eu a olhei, irritada. — Aí está a nossa %Pietra%. — Balancei a cabeça, rindo.
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  — Obrigado, %Pietra% — agradeceu Vincenzo  e eu apenas assenti pegando em sua mão.
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  — Meu agradecimento é você ficar bem e voltar pro bar, Cristian e você trabalharão juntos a partir de agora.
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  — Ótimo, mais tempo para os meus serviços particulares.
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  — Com a Giovanna até pode ser… — Ela arregalou os olhos e apertou meu braço, fazendo com que eu parasse minha frase no meio e olhasse para ela sem entender nada. Vince franziu o cenho, confuso, e pelo pânico da loira, pude deduzir que ela não tinha se declarado pra ele... ainda. Revirei os olhos antes de dizer: — Foque no bar de agora em diante, ok?
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  — Você que manda… — Ele fez continência e eu apontei o dedo para ele fazendo careta. — Que foi?
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  — Pare com isso! — ralhei de forma brincalhona. — Virou obrigação pros meus empregados desde que você inventou…
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  — Bom saber que pelo menos iria deixar um legado.
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  — Vai se foder, Vince — falei soltando o ar com força.
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  Nós três gargalhamos e era tão bom estar com eles novamente, pena que a minha paz não durou muito e meu telefone começou a tocar. Olhei para o visor e era Giulia; esperava não ser mais nenhuma surpresa desagradável como um vídeo meu aos beijos com %Matteo%, essa história estava acabada.
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  — Oi, Giu.
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  — Vem pra casa… agora.
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  — De novo essa…
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  — Agora, %Pietra%! — berrou ela, interrompendo a minha frase e desligou, me deixando completamente confusa, mas ela não faria algo do tipo se não fosse importante.
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  — Desculpa, mas eu preciso ir, algo aconteceu em casa. — Guardei o celular no bolso da minha calça.
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  — Tudo bem, e fiquei feliz de ver você, %Tita%. — Vincenzo sorriu.
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  — Vince vai ter alta semana que vem… — falou Gio, animada.
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  — Isso é maravilhoso! — Abracei ele novamente. — Se cuida, tá bom?
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  — Giovanna está cuidando muito bem de mim. — Ele piscou para ela e eu fiz uma careta.
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  — Jantar lá em casa, nós três, tudo bem? — Assenti que sim.
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  — Eu amo vocês.
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  — Que bicho te mordeu, %Tita%? — perguntou Giovana e eu apenas revirei os olhos antes de deixar o quarto e logo o hospital.
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  Cruzei o estacionamento mexendo no celular e vi as últimas mensagens no grupo com as minhas irmãs, elas tinham me marcado diversas vezes e eu fiquei ainda mais preocupada, comecei a caminhar mais rápido. Olhei para o lado enquanto guardava o telefone na minha bolsa e vi Ettore e Austin sobressaltados, eles estavam em outro carro estacionado a poucos metros do meu. Eu apenas fiz sinal que estava tudo bem. Assim que estava atrás da direção, coloquei o cinto e fui na maior velocidade que a rodovia permitia até em casa. Entrei a passos largos à procura da Giulia, fui até a sala de segurança e ela não estava lá, franzi o cenho e mandei mensagem no grupo perguntando onde elas estavam e tudo que recebi foi: quarto da Bea.
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  Abri a porta de supetão e Beatrice surgiu de trás de mim fechando e trancando a porta, olhei assustada com a cena de filme de terror. Giulia andava de um lado para o outro sem parar e Luna estava na varanda, fumando, o que era uma novidade. Fechei os olhos, unindo minhas sobrancelhas e os abri novamente antes de perguntar:
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  — O que caralhos está acontecendo?
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  — Acho melhor te mostrar… — Beatrice respirou fundo e foi até as portas duplas do closet dela. Caminhei até ela, ficando ao seu lado. — Tá pronta?
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  — Vai logo, Beatrice.
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  Assim que ela abriu as portas, eu cobri minha boca para um grito não sair. Eu esperava qualquer coisa das minhas irmãs, sinceramente, mas aquilo era loucura.
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  — O que vocês fizeram? — Olhei para elas com os olhos arregalados.
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  — Agora a gente explica. — Luna fechou a porta da varanda, assim como minha irmã ruiva fechou as do closet ao som dos gritos abafados deixando a boca da mulher que estava lá dentro.
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  — Beatrice ouviu a Carolyn no telefone… — Cruzei os braços esperando algo que explicasse a futura noiva de %Matteo% amarrada e amordaçada dentro do closet da Beatrice. — Ela falava com alguém sobre um plano pra controlar a Vincere, %Pietra%.
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  Franzi o cenho, ficando completamente chocada com aquilo, eu não gostava da mulher pelo simples motivo de ela parecer fútil, superficial e arrogante, mas ela ser uma infiltrada para derrubar a famiglia mudava todo o cenário. Minha expressão mudou completamente, assim como meu temperamento e minha postura diante daquilo tudo. Elas fizeram bem em prender essa vagabunda, quem ela acha que é pra invadir a nossa casa e tentar tomar o que é nosso por direito?
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  — Já fizeram ela falar?
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  — Essa parte é com o %Matteo%. — Beatrice levantou as mãos em rendição e sentou na cama. Respirei bem fundo e eu não falaria com o idiota até o momento que fosse extritamente necessário.
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  — Ele está há dias torturando diversos homens pra conseguir informação, vamos dar um tempo pra ele, ok? — explicou Giulia e eu olhei pra ela, confusa.
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  — Quando foi que isso- — Deixei a frase morrer, sem acreditar que de novo os segredos estavam por todo lugar. — Giu, o que tá acontecendo?
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  — Sigilo.
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  — De nós?! — reclamou Bea, indignada.
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  — Papai pediu.
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  — Era só o que me faltava… — Revirei os olhos. — Qual a missão, Giulia? — Ela ficou em silêncio, tentando olhar para outros lugares que não fossem meus olhos, mas fui até ela e parei em sua frente. — Parlare, Giulia Perroni!
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  — Os Delantera voltaram!
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  — Mannaggia! — xingou Beatrice gesticulando as mãos. — Ela é um deles?
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  — Vai saber, agora temos que arrancar algo dela! — falou Luna, nervosa.
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  Massageei minha testa em busca de alguma razão ou uma luz em minha mente, aquilo não podia estar acontecendo, era uma merda atrás da outra. Logo quando achei que estava tudo resolvido e que eu seguiria tomando conta da minha boate, %Matteo% se casaria e seria feliz bem longe de mim e tudo ficaria bem. No entanto, eu esqueço que ser dessa família quer dizer que a única coisa que não vamos ter na vida é paz. Soltei o ar me preparando e abri as portas do closet, olhei para minhas irmãs perguntando se elas iriam e as três me seguiram. Giulia fechou as portas e então me aproximei da loira e tirei o pano da boca de Carolyn.
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  — Vai, desembucha.
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  — Não sei o que quer de mim…
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  Revirei os olhos e dei um tapa na cara dela, assustando minhas irmãs, menos Giulia, óbvio, e Carolyn mantinha o rosto virado para o lado, surpresa por eu ter feito aquilo.
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  — Você vem a minha casa, seduz %Matteo%, enrola a minha irmã — apontei para Luna — e agora quer me fazer de otária? Non sono un idiota.
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  — Não sei o que sua irmã escutou, mas ela está louca — falou com tamanha arrogância que me fez ficar com mais raiva do que já estava.
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  — Vai xingar minha irmã também?! — Estalei minha palma de novo no rosto dela, dessa vez com mais força, o que fez sua pele ficar vermelha. — Se pazza, puttana?  
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  — Eu sou apenas a prometida de %Matteo%. — Ela começou a chorar e fazer cena, eu apenas revirei os olhos fortemente e andei de um lado para o outro pensando no que eu poderia fazer para fazer ela falar. — Só quero dar uma família a ele…
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  — Não ouse… — Parei em frente a ela, apontando o dedo em sua cara
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  — Ele me contou o quão trágica é a história de vocês…
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  — Não ouse usar isso pra se safar, sua vadia. — Ela levantou a cabeça e me olhou de forma investigativa, franzi o cenho, confusa. — %Matteo% sofreu tanto quanto qualquer uma de nós e não merece ser traído dessa forma.
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  — Você gosta dele… — falou ela, baixo, como se tivesse se dado conta daquilo naquele momento.
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  — O quê? — Dei um passo para trás.
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  — É sobre isso, não é? — Ela riu, soltando o ar pelo nariz, desacreditada. — Vocês dois têm um caso por baixo dos panos… — Carolyn fez uma careta.
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  — Não fale do que não sabe… — Neguei com a cabeça, veementemente.
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  Senti um vazio me tomando, aquela sensação de estar sendo ameaçada e acuada em um canto da parede me tomou. Um calafrio percorreu meu corpo se instalando em meu estômago. Olhei rapidamente para as minhas irmãs que seguiam ao meu lado, mas eu sentia que elas me julgavam em suas mentes.
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  A raiva surgiu em mim, não só pela situação ou por ela falar em voz alta algo que todas nós sabíamos, porém, decidimos em conjunto enterrar aquilo naquela sala de segurança, assim como Giulia achou melhor deletar aquele vídeo, transformando de uma vez só aquilo em um segredo nosso. Também me deixava irritada o fato de a mulher invadir minha casa e me afrontar daquela forma, nos desrespeitando embaixo do nosso próprio teto e ainda achar que pode falar um absurdo desses como se soubesse de algo.
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  — Tá escrito na sua cara! — Ela abriu a boca como se estivesse chocada. — Você está apaixonada por ele!
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  — Cala a boca! — Parti pra cima dela desferindo tapas, mas Beatrice me segurou e começou a me puxar para trás.
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  — Que nojo, vocês são doentes!
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  — Sua escrota, eu vou matar você! — berrei, completamente sem controle algum da minha raiva, aquilo tinha me atingido de forma mais profunda do que eu achei que seria.
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  — Vamos sair daqui… — Bea lutava para me tirar de perto da mulher enquanto eu me debatia querendo agredir Carolyn.
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  Giulia se juntou à ruiva e me levaram pra fora, Luna colocou a mordaça novamente na francesa e fechou as portas.
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  — Calmati, %Pietra%. — Giulia balançou meus ombros.
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  Senti meu coração pulsando em minha garganta, por que eu me descontrolei tanto?
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  Não podia ser verdade, não era, eu sabia que não era. Eu nunca gostei do %Matteo%, o que aconteceu foi um lapso, um desvio de caráter momentâneo, apenas um desejo incontrolável, delirante eu diria, de duas pessoas que se odiavam, foi só isso. Porque eu sinto que se não fosse pelas minhas irmãs eu teria matado aquela vagabunda com as minhas próprias mãos? E por que a sensação que eu tenho dentro de mim é que eu teria gostado disso?
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  — Ela está me assustando... — comentou Luna, amedrontada, fazendo-me acordar dos pensamentos obscuros em minha mente e voltar a mim.
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  — Descubram tudo o que puderem sobre ela, enquanto isso, ninguém sabe onde ela está, entenderam? — ditei, olhando para elas, que assentiram. Saí dali pisando duro, eu precisava de um ar e, principalmente, de uma bebida.
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  Saí dali batendo a porta com força, caminhei sem rumo pelo corredor, eu estava completamente desorientada, passei a mão pelo rosto e agachei no meio do corredor. Apoiei a cabeça em meus joelhos, minha vontade era de gritar e colocar tudo aquilo para fora, sentia meu coração acelerado e pulsando em meus ouvidos.
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  Me sentia sufocada e perdida.
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  — O que aconteceu?
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  Abri os olhos de vez, encarando o chão, ao ouvir aquela voz. %Matteo% parecia ter o timing perfeito para me pegar desprevenida. Levantei a cabeça devagar e vi ele me olhando de maneira curiosa, fiquei de pé e puxei meu blazer, ajeitando-o.
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  — Nada aconteceu.
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  — Sério? — perguntou, debochado. — Por isso estava no meio do corredor agachada… Bem comum uma pessoa em seu juízo perfeito fazer isso.
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  — Estou sem tempo pra você, %Matteo%. — Comecei a andar para passar por ele, mas fui segurada pelo braço, fazendo com que eu olhasse em seus olhos.
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  — Não quero que saia de casa — ordenou ele, como se eu fosse uma maldita criada.
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  — Como? — Franzi o cenho.
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  — Não vou repetir, %Tita%.
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  — Me solte — falei, séria.
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  — Se me prometer manter essa bunda em casa…
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  — Você realmente acredita que tem algum poder sobre mim, não é?
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  — Sabemos que sim… — falou, vangloriando-se.
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  Aquele sorriso libertino tomou seu rosto e tudo que escutei foi a voz da Carolyn em minha mente. Puxei meu braço de maneira brusca e tomei distância dele, assustada, e aquilo fez ele me olhar de forma confusa. Os olhos negros foram direto para os meus, me analisando, e eu nunca conseguia não me sentir presa a eles, nem que fosse apenas por alguns segundos.
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  — O que você-
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  — Tenho mais o que fazer, %Matteo%… — Virei as costas e saí andando sem deixar ele terminar o que falaria.
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  — %Pietra% Perroni, não ouse sair dessa casa! — gritou %Matteo%, mas eu já estava descendo a escada com pressa.
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  Peguei minha bolsa em cima da mesa no hall e entrei em meu carro. Fiquei olhando para a mansão e diversas coisas me passaram pela cabeça, desde o maldito dia em que caí na tentação pela primeira vez até o momento em que aquela cadela falou aquele absurdo. Fechei os olhos e soquei o volante diversas vezes enquanto gritava o máximo que meus pulmões permitiam.
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  Abri os olhos e olhei para frente, assim que vi %Matteo% na porta de entrada dei partida no carro e saí cantando pneu. Olhei pelo retrovisor e o carro dos meus seguranças vinha logo atrás de mim, suspirei aliviada por ele não ter colocado todo o exército atrás de mim.
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  — Cazzo!! — berrei dando outro soco no volante.
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  Eu precisava ir para a boate, Beatrice estava em casa e isso significava que a Fascino estava sem alguém para administrar a noite. Mesmo sabendo que não me encontrava em meu juízo perfeito, eu precisava de algo que distraísse a minha mente. Entrei pela porta sem nem mesmo dar boa noite aos meus seguranças ou barmans. Apenas subi a escada com um único objetivo: secar aquela garrafa de vodca.
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  Entrei em meu escritório e joguei minha bolsa no sofá, abri a gaveta e ao tirar a tampa da garrafa, nem mesmo pensei em um copo, virei o líquido transparente e o senti queimar em minha garganta. Mordi o lábio com força enquanto me apoiava na mesa e encarava o carpete vermelho, nem mesmo me dei conta de quando comecei a chorar.
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  O que porra tava acontecendo comigo?
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  Quando desci, bêbada demais para dirigir meu próprio carro, pedi para que Austin e Ettore me levassem para um hotel. Eu não queria estar em casa, não queria ver minhas irmãs, não queria vê-lo… Queria, por uma noite, esquecer que eu fazia parte da famiglia. Eu só precisava de um tempo sozinha com minhas frustrações e pensamentos obscuros demais para serem falados em voz alta.
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  Um deles foi dito em alto e bom som e eu não gostei da sensação de ouvi-lo.
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  E não só foi dito na minha frente como minhas irmãs também estavam lá para ver o meu descontrole emocional diante daquilo. Não podia ser a verdade, eu não aceitaria se fosse, eu lutaria todos os dias contra seja lá o que fosse aquilo. Eu pedi mais bebida pelo serviço de quarto e bebi até achar que fosse o suficiente para calar as malditas vozes dentro da minha cabeça.
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Lelen

E o moço ainda acha que pode falar em tom de ordem com a menina? Tu já foi melhor que isso, Matteo u.u
E essa Carolyn… Vou dizer nada não, só que Juan continua na minha lista (ele nem surgiu na conversa, mas essa sou eu HAHHAHAAH)
Adorei que as meninas se juntaram no clubinho próprio das mafiosas pra tentar resolver as coisas sozinhas, vamos ver se vai ser efetivo 💪

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