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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

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Vincere

Escrita porHatakesaturn
Revisada por Lelen

Capítulo 34

%Matteo% Perroni

  — Vincenzo? O que faz aqui? — perguntei ao vê-lo.
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  Franzi o cenho sem entender nada, acordei amarrado, as mãos junto às minhas pernas e meu corpo preso ao cano grosso de ferro da parede no porão atrás da adega refrigerada, sabia a localização daquele porão pela porta reforçada que tínhamos colocado ali. Tínhamos alguns túneis por baixo da mansão, interligados com porões que ficavam espalhados pelo nosso terreno. Quando compramos a casa aquilo já existia, claro que era útil, poderíamos usar para fuga caso a mansão fosse invadida por inimigos, por isso a porta nova. No entanto, era algo que nunca foi usado, mas aparentemente era usado por alguém sem o nosso consentimento.
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  — Eu poderia perguntar a mesma coisa.
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  — Mas foi você que… — Fechei os olhos sentindo uma dor aguda na lateral da minha cabeça, abaixei a cabeça para conseguir levar minha mão até a testa e respirei fundo.
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  — Não só não fui eu, como estou puto que esse cretino conseguiu se passar por mim por tanto tempo. — Eu sentia a raiva intrínseca em cada palavra que ele falava.
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  — Então ele é… Mio dio, %Pietra%! — Comecei a me remexer e tentar soltar minhas mãos da corda, eu estava em pânico, se ele conseguiu se passar por Vincenzo, ele conseguiria se passar por mim?
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  — Não adianta, eu já tentei. — Ele soltou o ar e encostou a cabeça na parede de tijolos. — Faz quase um mês que estou aqui, %Matteo%, eu tinha esperança que alguém notasse, mas ele é perito em disfarces.
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  — Como você sabe? — questionei, inquieto.
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  — Ele vem me dar comida e fica falando, um insuportável se você quer saber, principalmente por parecer que estou me olhando no espelho. — Ele revirou os olhos. — Imagine a minha surpresa quando fui preso por mim mesmo.
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  — Se ele se passou por você, ele pode muito bem se passar por mim.
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  — Luca me estudou, trabalhou na Fascino pra aprender como eu me portava, ele me contou tudo! — Vi ele travar o maxilar. — Não acho que ele vá assumir seu lugar, ele não teve tempo pra isso.
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  — Mas nada me garante que ele não quer tomar a Vincere de dentro, como as garotas ouviram a Carolyn falando no telefone.
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  — Pelo que ele falou, ele e essa Carolyn estavam trabalhando juntos, são primos ou eram, já que a %Tita% fez o favor de dar cabo nela.
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  — Se ele planeja mesmo tomar a Vincere de dentro… Porra! — Trinquei os dentes, eu estava possesso, eu ia desmembrar aquele filho da puta quando saísse dali. Puxei com mais força a corda que me prendia às minhas pernas uma, duas, três vezes, antes de gritar soltando a raiva que me acometia.
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  — Eu sinto muito, tentei muito sair daqui, gritar pra ver se alguém me ouvia, mas nada aconteceu… Sigo aqui preso e servindo de ouvinte pras idiotices desse imbecille. — Ele bufou e fechou os olhos, assumindo uma pose de derrotado, mas eu não iria desistir tão fácil assim.
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  — Ideias do meu pai, aqui dentro é a prova de som, inclusive ele colocou até um microfone na adega pra poder escutar daqui de dentro — expliquei.
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  — Nossa, achei que seu pai odiasse artimanhas policiais. — Ele riu estranhando.
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  — Na verdade, foi algo que eu disse quando era criança em uma de suas visitas.
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  — Foi útil em algum momento?
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  — Nunca usamos… — Dei de ombros. — Mas tem que ter algum jeito, somos dois agora, precisamos pensar, ele tá perto da %Pietra% e eu… não vou deixar ele encostar nela — falei baixo, irritado e sentindo meu sangue ferver nas veias.
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  — Imagina o quanto estou feliz que eu esteja aqui enquanto ele está com a minha namorada!
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  — Meu Deus, Vince, sinto muito.
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  — Tento não pensar tanto nisso, senão já teria enlouquecido. — Ele suspirou e voltou o seu olhar para mim. — Alguém está esperando o seu retorno?
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  — Está acontecendo uma festa acima da gente, Vincenzo, eu acabei de pedir a %Tita% em casamento. — Soltei o ar em lamentação.
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  — Então ela vai notar a sua ausência e vai te procurar! — ele falou animado com a hipótese. — Espera, casamento? — Sua testa enrugada demonstrava sua estranheza.
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  — Esse assunto não vem ao caso agora. A %Pietra% confia em você, se ele inventar alguma desculpa pra ela sobre onde estou, ela vai acreditar.
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  — Merda! Estamos fodidos.
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  — Eu vou sair daqui… nem que eu tenha que arrancar minhas mãos do corpo, Vince.
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%Pietra% Perroni

  Estava possessa, %Matteo% deveria ter saído pra resolver seja lá o que fosse da Vincere, sabia a importância do Don, assim como eu como sottocapo, mas ele não poderia ter esperado ou ao menos me avisado? Entrei no salão novamente bufando e peguei uma taça de champanhe da primeira bandeja que passou por mim. Caminhei até minhas irmãs e elas me olharam de soslaio.
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  — Era brincadeira, %Pietra%, não precisa ficar tão irritada. — Giu cruzou os braços e torceu o lábio.
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  — Que se foda isso, Giulia — esbravejei. — %Matteo% sumiu, deve ter ido resolver alguma merda… logo agora.
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  — Ele não faria isso… — Beatrice me olhou com a testa enrugada. — %Pietra%, ele estava esperando semanas por essa festa, até a Vincere fica em segundo plano quando se trata de você.
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  — Vince disse que ele estava discutindo com alguém no telefone.
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  — Viram o Don? — Olhei pra trás vendo Filippo e uni as sobrancelhas.
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  — Achei que ele estaria com você. — Senti meu coração vacilar e eu engoli em seco, voltando meu olhar às minhas irmãs.
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  — Calma, vou descobrir onde ele está. — Giulia tirou o celular do decote e começou a mexer nele, seus dedos mexiam sem parar e seus olhos também. Eu estava começando a ficar inquieta, tomei o restante do líquido em minha taça e a larguei em cima da mesa. — Última vez que ele passou pelas câmeras foi indo para o corredor da biblioteca. Não temos câmeras a partir dali por questões de sigilo.
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  — Filippo, sem alarde, eu, você, a Bea e a Luna vamos a procura dele. Giulia e Anita fiquem de olho em tudo, inclusive nas câmeras, estou com meu celular, qualquer coisa me avise. — Virei de costas pra começar a andar, porém voltei a olhar minha irmã. — Giu, não deixe o papai saber.
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  — Deixa comigo.
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  — Eu dei uma rápida olhada no escritório quando vim a procura dele. Tem alguma passagem secreta na biblioteca? — perguntei ao meu primo enquanto andávamos em direção ao corredor dos fundos.
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  — Não que eu saiba, a não ser que seja algo que só o Don tem acesso — respondeu Filippo.
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  — Isso tá estranho — Luna comentou. — Eu vou procurar lá em cima, ele pode ter subido pela escada dos fundos.
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  — Eu vou procurar no jardim — Beatrice falou.
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  — Vou verificar na biblioteca mais uma vez e então resta o porão das torturas, verei lá também — o consigliere ditou.
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  — Certo, vou descer até a adega.
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  Fomos cada um para um lado, desci as escadas segurando meu vestido longo para não cair. Dei passos pelo corredor no subsolo, olhei o armário onde tinham mantimentos não perecíveis em grande quantidade, passei pela segunda porta, onde ficavam as armas de grande calibre, que estava trancada com cadeado. Entrei na adega e não tinha nada fora do lugar, respirei fundo e me encostei na pequena ilha de madeira que tinha no centro com algumas taças e suspirei. Eu não queria pensar o pior, mas aquilo estava muito estranho. Beatrice tinha razão, ele não sairia dessa forma, %Matteo% mudou muito nos últimos meses, e se tem uma coisa que ele não faz é ser omisso. Dei dois passos e senti algo embaixo da minha sandália, levantei o pé e vi algo reluzir, agachei para ver o que era e arregalei os olhos ao ver o pequeno broche. Era o broche de %Matteo%!
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  — %Tita%? — Escondi o broche em minha mão e fingi estar afivelando a sandália e me levantei devagar ao ouvir a voz masculina. — O que está fazendo aqui? — Olhei para cima e vi Vincenzo.
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  — Eu estava enlouquecendo com tanta gente falando comigo, você sabe como eu sou. Precisava respirar. — Sorri e soltei o ar de forma teatral.
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  — Mas é melhor voltar, seu pai estava te procurando.
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  — Nossa, tem razão… — comecei a caminhar em direção a porta, mas travei onde estava ao ver minha irmã.
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  — %Pietra%, eu não achei o %Matteo%! — Arregalei os olhos quando Beatrice invadiu a adega, claramente preocupada.
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  — Você não achou ele, %Tita%? — Engoli em seco e virei para Vince. — Eu ajudo vocês a procurá-lo, tenho certeza que ele deve estar resolvendo algo importante.
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  — Nada é tão importante quanto %Pietra% nesse momento — Bea falou, irritada.
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  — Imagino que não. — Vi Vincenzo sorrir de uma forma que eu nunca presenciei. — Vamos, %Tita%. — Ele tentou me tocar nas costas para me direcionar para fora dali e se ele queria tanto ir embora, algo estava errado, então me afastei dele e vi Beatrice franzir o cenho. — O que houve?
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  — Bea, corre! — gritei e tentei pegar a minha arma do coldre de coxa, mas Vincenzo foi mais rápido, ele me empurrou em uma das estantes de bebida fazendo com que eu batesse contra ela e minha arma caísse do outro lado da adega. Tonteei, fechando os olhos e ao abri-los vi ele segurando Beatrice pelos cabelos.
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  — Você deveria ter ficado lá em cima, para o seu próprio bem…
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  — Vince, por quê? — Senti um aperto em meu peito, eu estava incrédula que ele realmente estava do lado de lá. — Por que me traiu?
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  — Muita coisa acontece na vida e acabamos mudando de ideia, sabe como é, né?
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  — Não, não sei. — Senti meus olhos encherem de lágrimas, balancei a cabeça em negativo sem acreditar que aquilo estava acontecendo. — Você é meu melhor amigo desde o ensino médio, o que deu em você?
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  — Não tô a fim de papo nostálgico que não vale de nada.
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  — Como você ousa falar essa estupidez?! — berrei, inconformada, sentindo as lágrimas escorrerem. — Sempre foi eu, você e a Giovanna!
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  — Chega de escândalo, céus… — Ele revirou os olhos. — Seria maravilhoso se eu tivesse conseguido matar o Don antes de você perceber… — Ele riu diabolicamente e então vi minha arma a poucos metros de mim e fiz menção a me mover, mas ele tirou uma faca do bolso e colocou no pescoço de Beatrice, fazendo eu congelar onde estava.
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  — Tsc tsc tsc… Diria que é arriscado você fazer movimentos bruscos.
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  — Se você machucar minha irmã eu juro que…
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  — Jura o quê? — ele me interrompeu, passando a faca deitada no pescoço de Beatrice enquanto segurava ela pelos cabelos. Ele cheirou o pescoço dela e vi minha irmã apertar os olhos em total desespero. — Será que ela trepa tão gostoso quanto você, %Pietra%?
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  — Nem que você fosse o último homem do planeta — Beatrice falou entre dentes.
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  — O temperamento é bem parecido com o seu. — Ele deu risada.
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  Primeiro %Matteo% é traído por Nero, o homem que sentou à nossa mesa, que era considerado parte da família, e agora isso. Eu nem sequer reconhecia quem era aquela pessoa à minha frente. Eu sentia cada veia do meu corpo pulsar, não conseguia tirar os olhos dos dois, eu precisava tirar ela dali. Eu tentava controlar a minha respiração, minha cabeça pensava em tantas coisas ao mesmo tempo que nem sequer conseguia identificar uma delas. Eu precisava ganhar tempo para Filippo poder chegar ali, ou eu precisava agir. Talvez eu pudesse fazer um pouco dos dois.
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  — Se você soltar ela, eu garanto que você deixa a mansão intacto, Vince.
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  Ele pareceu ponderar, mas logo riu antes de falar:
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  — Quem está em desvantagem é você. Então agora eu que dou as ordens por aqui.
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%Matteo% Perroni

  Pra mim tinham se passado horas, aquilo estava me tirando do sério, eu estava completamente impotente, preso ali e sem poder evitar o pior. Aquele canalha não ia se safar dessa, eu precisava me libertar. Me remexi novamente e tentava respirar fundo ou iria enlouquecer. Olhei para Vincenzo e ele mantinha o olhar fixo no espelho que tinha na parede em frente a gente, mais uma invenção do meu pai. Um espelho que dava para ver o outro lado, porém, na altura em que estávamos não era possível ver quase nada, já que o espelho ficava no alto e no fundo de uma das prateleiras de bebidas. Tentei me acomodar sentando melhor e dobrei minhas pernas fazendo com que meu isqueiro caísse do meu bolso.
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  — Eu não acredito… — Vincenzo olhava para o objeto de metal no chão e me encarou sorrindo. — Parece que ele não é tão esperto assim…
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  — Inacreditável… — falei, incrédulo. Continuei tentando tirar minhas mãos das minhas pernas, eu puxava e mexia de uma lado pro outro e sentia a corda apertar em meus pulsos, mas a outra corda que prendia meus pés às minhas mãos parecia estar se soltando. — Agora eu preciso conseguir pegar ele.
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  — Você vai conseguir.
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  Continuei puxando, remexendo minhas pernas e as mãos e finalmente as soltei, porém ainda estavam presas uma na outra. Respirei fundo e soltei:
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  — Merda. — Fiz um esforço absurdo para conseguir pegar ele no chão, mas consegui o isqueiro zippo, presente do meu pai quando fiz 21 anos e ele seria o que me salvaria. Abri o isqueiro e girei e pedra, faísca, girei novamente, mais faísca e nada de fogo. — Porra, você nunca me deixou na mão, não faça isso agora. — Tentei uma, duas, três vezes e nada. — Cazzo!
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  Respirei fundo fechando os olhos e peguei o zippo novamente, abri e coloquei ele na altura dos meus olhos riscando a pedra em seguida e a chama azul e amarela apareceu. Comemorei e olhei para o meu companheiro de cela que balançava a cabeça em positivo, me apoiando. Eu não conseguiria queimar a corda em um lugar que não pegasse a minha mão, mas nada faria eu desistir. Coloquei o isqueiro aceso entre meus joelhos, peguei a gravata e enrolei o que pude do tecido colocando entre meus dentes.
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  — Vai dar certo, %Matteo%.
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  E ouvindo a frase de encorajamento de Vince, coloquei minha mão em cima da chama onde estava a corda amarrada. Ela começou a queimar devagar, derretendo cada linha encerada, cada vez mais próximo do meu pulso. Senti o calor piorar a cada segundo, até começar a sentir o cheiro de pelo queimado. Fechei os olhos e mordi o tecido em minha boca com força. Acabei afrouxando o aperto dos meus joelhos no zippo e ele caiu fazendo com que eu tentasse imediatamente tê-lo em minha posse de novo, só não esperava que eu pegasse na chama.
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  — Porra! — gritei de dor fechando os olhos, fazendo a gravata sair da minha boca
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  — Puta que pariu! — Vincenzo xingou. — Respira fundo e se concentra, %Matteo%.
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  Respirei algumas vezes e me concentrei, estiquei meus braços até onde eu conseguia, me esforçando mais para conseguir pegar o isqueiro com dois dedos. Coloquei entre meus joelhos novamente, ergui os pulsos em cima da chama de novo e minha pele começou a arder, o cheiro de carne queimada invadiu o porão, porém senti a corda deixar meus pulsos e então me distanciei do fogo imediatamente. Respirei aliviado ao encostar a cabeça na parede, meus pulsos estavam doendo pra caralho, mas eu não tinha o luxo do tempo. Desfiz o nó das minhas pernas e logo em seguida o que estava em minha cintura me prendendo ao encanamento da parede. Levantei depressa e corri até o outro lado do porão e desamarrei Vincenzo.
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  — %Matteo%… — Ele segurou meu ombro assim que eu iria me levantar. — Algo me diz que nada disso estava nos planos dele. Por tudo que ele me contou, ele é extremamente meticuloso. Nada está planejado, então temos o elemento surpresa.
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  — Vá pelo túnel — apontei a saída no fim do porão —, dobre à direita e à direita de novo, você vai sair na casa da piscina, lá tem um quadro de guerra acima da escrivaninha, afasta o quadro e você vai ver a arma escondida.
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  — O que você vai fazer? — perguntou, preocupado.
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  — Vou matar aquele filho da puta com minhas próprias mãos e se tivermos sorte, você vai chegar aqui com a arma pra garantir que ele continue morto.
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  Vi Vince acenar e correr pelo túnel, respirei fundo e olhei pelo espelho, o desgraçado estava com a minha irmã Beatrice como refém. Olhei para o canto e vi %Pietra% parada, petrificada, sem saber o que fazer. Aquilo não era nada bom, que merda. Vi a caixinha na parede onde ficava o botão para poder ouvir o que se passava na adega, apertei e o som que saiu foi péssimo, quase como se ouvisse algo robótico, era quase inútil. Precisava pensar como resolver aquela merda toda, cada minuto era importante em uma situação como aquela, pensa, pensa.
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%Pietra% Perroni

  Engoli em seco e mordi o lábio, eu estava a beira de cometer uma loucura, mas eu não podia deixar ele machucar Beatrice. Foi quando ouvi passos de salto alto e eu não tinha sido a única, Vincenzo se afastou da porta ainda segurando Bea com seu braço esquerdo, circulando o pescoço dela e olhou pra mim colocando o indicador em frente aos lábios, dizendo mudo para eu não gritar. Assim que Luna chegou na porta, ele a olhou, aproveitei sua distração e me joguei no chão pegando a minha arma. Levantei em posição, apontando a arma para a cabeça daquele em que confiei durante tantos anos da minha vida.
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  — Ótimo momento para uma reunião familiar. — Vicenzo riu, enquanto forçava a faca devagar no pescoço de Beatrice, que apertava os olhos em dor e mantinha a arma apontada para Luna.
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  — Você não vai atirar — minha mão estava tremendo, que merda —, tem uma festa aqui em cima, você acha que depois de um tiro você vai conseguir escapar?
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  — Quem te garante que não tenho soldados ao meu lado?
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  Eu estava perdida, uma faca cortava devagar o pescoço da Beatrice, eu estava vendo a gota de sangue escorrendo, eu e a Luna estávamos de mãos atadas. Tensionei meu maxilar, era arriscado tentar acertar a cabeça dele com a cabeça de Bea tão próximo, ainda mais levando em consideração o quanto estava nervosa e trêmula. Eu sei do meu treinamento, nunca errei uma bala sequer, mas era a minha irmã, não era simplesmente um papel na parede. Se eu errasse, eu jamais iria me perdoar. Eu seguia com a arma em punho, atenta a eles, minha respiração estava pesada, sentia meu estômago embrulhado como nunca senti antes. Caralho!
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  — Então, tive uma ideia maravilhosa! — Ele sorriu, destravando a arma. — Vou te dar a chance da escolha, %Pietra%. — Franzi o cenho tentando entender onde ele queria chegar. — Qual das duas irmãs você quer perder primeiro?
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  — Quem é você? — Senti meus olhos arderem e algumas lágrimas escorrerem novamente. — Fingiu por tantos anos me amar, amar minha família, ser o meu melhor amigo e agora se comporta como uma pessoa completamente diferente!
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  — As pessoas mudam, %Pietra%, acontecem coisas na vida que mudam a nossa visão das coisas.
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  — Você — minha mão tremeu e eu senti um aperto no peito enquanto lágrimas deixavam meus olhos — foi a pior pessoa que eu já conheci.
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  — Vamos, %Pietra%… não mude o assunto, escolha uma das duas, sempre temos uma favorita, pode falar, ninguém aqui vai te julgar. — Ele riu, se divertindo com o meu desespero. — Alguém vai ficar com raiva, mas talvez quando vocês se encontrarem no inferno façam as pazes.
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  Eu precisava me acalmar. Fechei os olhos e respirei profundamente, a %Pietra% mafiosa sem coração precisava entrar em cena. Nunca esperei uma facada tão forte em minhas costas. Vincenzo era meu melhor amigo e ele simplesmente me traiu e queria matar as minhas irmãs. Eu precisava pensar com clareza. Olhei para Luna, que olhou para Beatrice, que voltou seus olhos para mim e assentiu discretamente. Atirei na mão de Vince que segurava a arma, fazendo com que ele a soltasse e berrasse em dor. Bea aplicou um golpe de arte marcial, ippon seoi nage¹, derrubando-o de costas no chão, então ela correu para o meu lado e eu estiquei o braço para trazê-la mais rapidamente ao meu encontro.
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  Vi Luna puxar sua faca das costas, e ir em direção a Vince, que estava deitado e indefeso. Quando de repente ouvimos um tiro e nos abaixamos por impulso atrás da ilha que havia ali, quando eu ia me levantar, ouvi um estrondo e olhei para trás vendo a porta que dava acesso ao porão abrir, vi %Matteo% passando por ela correndo, ele passou por cima de nós, assim como da ilha. Me levantei rapidamente e vi ele segurar a cabeça de Vincenzo e levar de encontro a parede atrás dele, jurei ter ouvido ossos se quebrando. Cobri a boca assustada ao olhar para o lado e ver Luna cambaleando para trás, sua mão estava do lado esquerdo de sua barriga.
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  — Luna! — Bea gritou e se moveu, foi quando minha irmã virou de frente, ela tirou a mão do abdômen olhando para a mesma e olhou para mim, franzindo o cenho.
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  — Não… — falei desorientada ao ver Luna caindo lentamente no chão, sendo segurada por Beatrice, que teve uma reação mais rápida que a minha. Retomei as forças do meu corpo e fui até elas rapidamente e era nítido o sangue escorrendo por seu vestido, então Luna levou a mão até o ferimento novamente. — Não, não… Luna, olha pra mim. — Segurei seu rosto e vi seus olhos me encarando, brilhantes como sempre foram. — Sorellina, per favore… — Levei a mão até a dela e outra foi sobre a minha, olhei para Beatrice, que estava ajoelhada ao meu lado, também chorando.
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  — Eu esperava ser a próxima a casar… — Ela sorriu e senti sua respiração pesada. — Acho que o papai não iria gostar da ideia… — sua voz falhou — de um trisal…
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  — Não se esforce, vamos conseguir um médico e você vai casar com quantos soldados quiser. — Nós três rimos com lágrimas escorrendo pelos nossos rostos. Foi então que percebi o som da lâmina cortando a carne, olhei para o lado, vendo %Matteo% enfiar a faca em Vince diversas vezes, ele já estava morto, tinha certeza disso pela quantidade de sangue. Filippo apareceu na porta da adega e arregalou os olhos, vi ele já pegando o celular e colocando no ouvido, nem sequer precisei pedir nada.
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  — Precisamos de uma ambulância na mansão Perroni, agora! — Ele desligou e o vi ligando para mais alguém. — Giulia, desce na adega, corra.
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  Não levou nem 5 minutos para Giulia chegar na porta acompanhada de Anita, que cobriu a boca em choque ao ver do que se tratava.
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  — Luna! — Giulia ajoelhou no chão ao nosso lado a abraçando. — Me diga que ela vai sobreviver! — ela berrava e olhava sua gêmea, acariciando seu rosto. — Sorellina, me responde, por favor… — Giu acariciava os cabelos dela e sorria à medida que chorava copiosamente. — Temos tanto para realizar, lembra da promessa que fizemos? Precisamos cumpri-la. Eu e você contra o mundo, Lu, sem você eu não consigo. — Ela encostou a testa na de sua gêmea e as lágrimas não paravam de escorrer de seus olhos.
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  — Sempre vai ser… — Luna tossiu cuspindo sangue — nós contra o mundo. — Ela olhou para Beatrice e sorriu: — Parece que… — olhei pra minha irmã novamente e ela sorria levemente — eu não sou uma péssima mafiosa afinal, Bea. — Vi o último sorriso dela antes de sua cabeça pender lentamente para o lado e seus olhos permaneceram estáticos.
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  — Não! — Giulia berrou, e sentindo a dor que aquele grito emanava, a abracei, assim como Bea nos abraçou. — Não, não… isso… volta, Luna! — Seu choro era desesperador.
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  Filippo ajoelhou no chão olhando para nós e eu chorava copiosamente junto com Beatrice e Giulia, que levou a mão até os olhos da nossa irmã e os fechou, tornando tudo aquilo ainda mais real. Eu não queria, não queria acreditar que tínhamos perdido o coração da nossa família, ela era a luz em meio a tanta escuridão, Luna era o lado doce que precisávamos para não perder de vez a nossa humanidade. Abracei ela ainda mais forte, sentindo a dor em meu peito forte e irremediável.
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  — %Matteo%? — Outra voz masculina, que eu conhecia bem, se fez presente.
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  Virei para trás de supetão e vi Vincenzo, franzi o cenho completamente perdida, me desprendi de minhas irmãs e levantei. Eu estava apavorada, olhei para o corpo desfigurado do outro lado da adega, %Matteo% estava sentado no chão, coberto de sangue, respirando ofegante e voltei a olhar Vincenzo em minha frente, bem e vivo.
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  — Como você… — Eu estava em choque.
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  — %Tita%, não era eu — Vincenzo falou e meu choro se intensificou novamente, cobri minha boca com minha mão e pendi os ombros, ele veio até mim e me abraçou, acariciando meus cabelos. — Nunca foi… — disse baixo.
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  Meu verdadeiro melhor amigo estava ali, ao mesmo tempo que minha irmã não estava mais.
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  Luna estava morta.
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%Matteo% Perroni

  Perder minha irmã ali, na minha frente, pelo ato corajoso que ela fez ao enfiar a faca em Luca para salvar todos nós, era uma sensação dúbia. Orgulho por Luna ter feito o que fez, mas um sofrimento irreparável me abraçava à medida que o tempo passava. Sentia que tinha falhado com minha família, como irmão, falhado com a Vincere, como Don e falhado comigo mesmo. Eu não fui rápido o suficiente para salvar todos, não podia acreditar que aquilo realmente estava acontecendo.
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  Eu perdi completamente a minha racionalidade, quando acompanhei tudo através do espelho falso, sabia que era a oportunidade pra eu alcançar Luca. Eu tinha transformado o corpo dele em trapos, eu estava com tanto ódio que enfiei a faca em seu corpo mais vezes do que poderia contar, eu só parei porque cansei. Eu seguia tentando recuperar o fôlego e assistia %Pietra% e minhas irmãs em um sofrimento compartilhado, não só entre elas, mas também comigo. Luna se foi, e mesmo que eu tivesse matado o Luca, isso não a traria de volta. Meu coração estava em agonia, jamais achei que perderia uma delas.
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  Senti as lágrimas transbordarem dos meus olhos e os fechei por um momento, abaixando a cabeça. Senti duas mãos em meus ombros e então levantei o rosto, vendo %Pietra% a minha frente, ela acariciou meu rosto, com tantas lágrimas quanto eu em suas bochechas e se jogou em meus braços. Estávamos aos pedaços, aquilo iria nos deixar uma ferida que demoraria muito a cicatrizar, se é que fosse.
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Lelen

Gente, a Luna… A LUNA, GENTEEEE. O SERZINHO MAIS INOCENTE DA HISTÓRIA, A QUE IA TER UM CASAMENTO POLIAMOR COM DOIS SOLDADOS DA FAMÍLIA. EU TÔ OFENDIDAAAA.
LUCA, DISGRAÇA DA NOSSA VIDA, NÃO PODIA TER MORRIDO E SÓ MORRIDO? TINHA QUE LEVAR ALGUÉM NO MEIO DA CONFUSÃO, VADIO? Vou te caçar no inferno.
MAS AGORA SERÁ QUE FINALMENTE TEREMOS PAZ? CABÔ AMEÇAS? EXTERMINAMOS TODOS OS INIMIGOS? VAMOS PARA O FELIZES PARA SEMPRE??

Vivi

E agora, oq será de nós sem a Luna? 😭 Ela não merecia isso.
Mas peraí, se o Luca é tão bom no disfarce, da vez que pegaram alguém parecido com ele, mas q não era ele… Será q não era ele mesmo? Pelo menos a hora dele chegou, só falta a hora da felicidade chegar também.

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