Vincere


Escrita porHatakesaturn
Revisada por Lelen


Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 15 minutos

%Matteo% Perroni

  O desgraçado era forte e não abria o bico, já fazia dias que tentava arrancar alguma informação dele e nada. Eu já estava prestes a desistir quando finalmente, em seu último suspiro, ele disse uma coisa que pareceu ter feito meu sangue inteiro congelar em minhas veias. Agradeci por estar sozinho, só eu tinha aquela informação e ninguém teria acesso a ela até que eu achasse necessário falar, pois no momento, eu sabia que eu poderia resolver isso sozinho.
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  Dei um tiro bem no meio de sua testa – sabe como é, sempre confirme que o inimigo está realmente morto –, chamei Gian e pedi para ele se livrar do corpo. Subi a escada e fui rapidamente ao meu quarto tomar um banho, era quinta-feira, não era o melhor dia da Fascino, porém ela precisava de segurança redobrada agora que eu sabia quem era o próximo alvo dos Delanteras. Como eu sabia que %Pietra% era cabeça dura e orgulhosa demais para aceitar o que aconselhei, eu mesmo iria até lá todos os dias até que a proteção extra fosse aceita.
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  Coloquei uma calça preta social, meu sapato, camisa cinza chumbo e meu colete. Coloquei meu relógio, pulseira e anéis dourados, entre eles o anel com o brasão da Vincere. Peguei meu carro e meus seguranças me seguiram em outro, qualquer um da família estava sempre muito bem protegido; não era uma escolha, era necessidade.
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  Estacionei na boate e desci, passei pela recepção com todos os meus seguranças e o grandão da portaria me cumprimentou com um meneio de cabeça, abrindo espaço para eu passar. Entramos, olhei para os lados e não vi %Pietra% e nem os dois amiguinhos dela, escolhi uma mesa e sentei. Um barman me viu e veio rapidamente nos servir, dei um gole em meu whisky e apreciei a vista.
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  Várias mulheres dançavam na pista ao som de algum DJ que tocava, não fui atrás de saber qual era, mas %Pietra% sabia escolher; ele era bom. Só tinha apresentação de pole dance no fim de semana ou em algum dia específico previamente marcado, no restante era algum DJ da moda.
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  Corri os olhos e vi Coppola no balcão, estava atendendo algumas pessoas. Levantei e ajeitei meu colete, disse para meus soldados que podiam ficar relaxando, dentro da Fascino eu estava seguro. Fui até o bar e vi a loira abrir o maior sorriso ao me ver, eu sabia que ela tinha uma quedinha por mim desde a adolescência, sempre tomei cuidado para não dar esperanças a ela.
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  — Ei, loirinha, cadê a %Pietra%?
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  — Deve estar trancada no escritório, ela não sai de lá, muito raro ela descer…
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  — Por isso ela transformou esse lugar no que é. — Sorri orgulhoso. — Me vê mais uma dose de whisky.
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  — Claro, %Teo%… — Ela levou a mecha do cabelo loiro para trás da orelha e sorriu de forma sedutora.
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  Giovanna era muito bonita e gostosa também, principalmente com a saia preta que deixava seu quadril farto em evidência, a blusa vermelha com um decote em v, e deixando metade da sua barriga de fora. Ela usava uma bota de salto grosso e o cabelo cortado retinho, um pouco acima do seu ombro, ficava sexy para caralho. Se ela não tivesse sentimentos por mim, a gente iria se divertir.
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  — Obrigado, Giovanna. — Pisquei para ela e voltei até a minha mesa.
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  Mexi em meu celular respondendo algumas mensagens e dando algumas ordens aos soldados que estavam vigiando a movimentação dos Delantera no país. Avisei meu pai que o traste do nosso porão já tinha sido liberado, e liberado era um termo que usávamos em mensagens para resumir: embalado para o enterro. Estava prestes a pedir outra dose de whisky quando olhei para trás e vi Vincenzo descendo do escritório com um sorrisinho nos lábios. Aquilo me deixou possesso, se fosse o que eu estava pensando, %Pietra% não tinha o mínimo de cautela por sua segurança.
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  Levantei, olhei meus seguranças e disse:
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  — Fiquem aqui, eu já volto.
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  — Sim, senhor Perroni — responderam em uníssono.
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  Passos lentos me levaram até a escada, cumprimentei os seguranças que ficavam ali e subi, percorri o corredor mal iluminado e abri a porta do escritório de %Pietra% devagar. Tudo estava silencioso e não havia nem sinal dela, dei alguns passos para dentro do cômodo e então vi sua calcinha em cima da mesa. Essa filha da puta tava dando pro idiota do Pelegrini, caralho.
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  — O que diabos você está fazendo aqui? — Ouvi ela perguntar e virei a cabeça olhando para ela que saía do banheiro com o colo vermelho, assim como seu pescoço e rosto.
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  Respirei fundo tentando manter a calma.
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  — Vim fazer a sua segurança já que você não aceitou colocar mais soldados na boate, mas vejo que já estava sendo bem cuidada. — Olhei novamente para a calcinha, para que ela entendesse que eu sabia. Ela demorou para responder, mas então caminhou até a mesa, sentando nela, cruzando as pernas e acendendo um cigarro.
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  — Estava fodendo, %Matteo%. — Ela tragou o cilindro preto e soltou a fumaça. — O que você tem a ver?
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  — Qualquer um pode ser uma ameaça para você, sabe disso, não é? — Dei alguns passos em direção a ela.
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  — Não é qualquer um, não se preocupe. — %Pietra% revirou os olhos.
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  — Claro, o imbecil do Pelegrini que perdeu o pai por culpa do nosso tio, ele deve ser uma ótima companhia. — Revirei os olhos.
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  Ela levantou as pálpebras lentamente, vi os cílios longos levantarem e os olhos verdes me encararam de baixo, ela levantou da mesa e mirou a janela que dava vista para toda a boate, deu alguns passos em minha direção e curvou os lábios.
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  — Ele é uma ótima companhia, me come bem para caralho se quer saber. — Ela passou por mim, mas me virei e a peguei pelo maxilar, deixando seu rosto bem próximo do meu, seus olhos arregalados evidenciavam a surpresa dela com meu rompante.
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  — Você tá brincando comigo, %Pietra%? — Nossos olhos estavam conectados e nenhum de nós iria ceder, tratando-se de nós dois era sempre assim, um cabo de guerra sem fim.
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  — Me solta, agora — disse calma, olhando fundo em meus olhos.
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  — Pare de se comportar como uma garotinha mimada senão… — Engoli o resto das palavras e soltei o ar pelo nariz.
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  — Senão o que, %Matteo%?! — ela desafiou. — Diz!
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  — Vai precisar de uma lição! — Soltei-a de forma brusca, fazendo-a dar dois passos para trás para se equilibrar e caminhei em direção à porta. — Ficarei vindo todos os dias até aceitar colocar a segurança extra. Fique ciente. — Bati a porta atrás de mim e respirei fundo antes de começar a caminhar para o andar de baixo.
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  %Pietra% estava me tirando do sério.
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[...]

  — Bom dia. — A voz grossa soou e eu, %Pietra% e minhas irmãs respondemos. Meu pai sentou à cabeceira da mesa e curvou os lábios levemente. — Que bom ter meus filhos juntos no café da manhã pelo menos 1 vez na semana.
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  — Papai, isso é mais culpa sua do que nossa… — Giulia resmungou.
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  — Giu tem razão, você está sempre trabalhando ou viajando. — Luna forçou um bico, chateada.
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  — Estão com saudade do seu velho pai? — Otelo se servia enquanto nós já estávamos comendo.
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  %Pietra% não tinha nem olhado para mim, não sabia se eu tinha pegado muito pesado com ela no dia anterior ou se era só o jeito normal com que nos tratamos. Passei tempo demais longe de casa, resolver os problemas na Itália quando meu pai estava sem saco para tal era recorrente, porém passar quatro meses lá estava bem fora do normal. Então talvez eu tenha esquecido o quanto a nossa relação era extremamente conturbada.
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  Talvez minhas irmãs tivessem razão e a gente precisava aprender a conviver de uma maneira mais civilizada, toda essa guerra entre nós estava não só afetando a ambos, mas as garotas também. Meu pai já tinha desistido completamente da gente se dar bem um dia e eu entendia, se eu fosse ele também teria jogado a toalha.
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  — Claro, pai, sempre sentimos a sua falta — %Pietra% falou pela primeira vez naquela manhã.
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  — Papai, você lembra que faltam menos de 2 meses para o seu aniversário, não é? — Beatrice comentou.
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  — Nossa, filha, pior que estou tão atolado no trabalho… — Ele pareceu ponderar algo e eu já sentia que ia sobrar para mim. — %Matteo%… — Soltei o ar, cansado — e %Pietra%, organizem a festa desse ano.
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  — O quê?! — eu e a Alonso dissemos juntos.
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  — Eu posso organizar sozinha, pai, %Matteo% só vai me atrasar. — Ela fechou os olhos e balançou a mão em arrogância.
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  — %Pietra%, é seu irmão.
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  — Meio-irmão, papai, é sempre bom lembrar. — Revirei os olhos.
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  — Está decidido. Aprendam a trabalhar juntos, quando %Matteo% assumir tudo você precisará ajudar a continuar meu legado, filha. — Meu pai colocou a mão no ombro de %Pietra%, que sentava ao seu lado esquerdo. — É a mais velha das garotas… Além de ser a mais responsável das suas irmãs.
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  — Ei! — Beatrice reclamou enquanto ainda mastigava um pedaço de bolo.
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  — Me senti ofendida, papai. — Luna cruzou os braços.
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  — Nem vou comentar esse desaforo. — Giulia seguiu impassível comendo e eu só consegui rir.
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  — Não sejam assim, cada uma tem suas qualidades. — Balançou a mão no ar e voltou a olhar para %Pietra%. — Então, posso contar com você para isso?
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  Ela bufou e revirou os olhos antes de dizer:
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  — Sim, papai. — Seus olhos cruzaram com os meus e ela torceu os lábios, pedindo licença da mesa.
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  — Não sei o que faço com vocês, estão piores do que na adolescência…
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  — Não se preocupe, pai. Tudo vai ser organizado para o seu aniversário. — Sorri sincero e vi ao longe %Pietra% cruzar o hall de entrada e ir porta afora, olhei para um dos capitães de minha confiança que estava perto da escada e, apenas com os olhos, dei minha ordem para segui-la.
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  Talvez ela ficasse irritada caso descobrisse, mas Nero era um ótimo capitão, não deixaria que ela percebesse sua movimentação. Assim eu esperava. Em relação ao aniversário do meu pai, também discordava da ideia de ter que trabalhar com %Pietra%, a gente não conseguia passar nem duas horas no mesmo cômodo sem brigar como gato e rato.
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  A festa de aniversário do meu pai era algo extremamente importante para ele, todos os anos a famiglia inteira e seus associados se reuniam na mansão para um baile de gala, sempre era um de nós que organizava, porém, esse ano ele decidiu colocar dois de nós responsáveis por isso. Confesso que estava tentando entender quais eram os planos do meu pai, talvez ele ainda não tivesse largado a toalha em relação a nós dois.
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  Após o café da manhã, fui com Giulia até o escritório onde ela trabalhava, diversos monitores na parede e em cima da mesa dela, bem no centro da sala, ela passava a maior parte do tempo ali dentro. Não entendia como conseguia ficar no escuro com toda aquela luminosidade azul banhando todo o ambiente, aquilo era angustiante para mim. Esperei que ela se sentasse na cadeira confortável e mexesse em algumas teclas, até ela pedir para eu olhar algumas imagens específicas.
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  — O que eu estou olhando exatamente?
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  — Ali, aquele homem de boné está vendendo drogas nas nossas boates… — Giulia apontou para o homem no canto da tela e eu me aproximei espremendo os olhos para conseguir enxergar.
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  — Ele é uma ameaça?
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  — Ainda não sei, mas não consegui achar o rosto dele nos bancos de dados da polícia. — Pressionei a ponte do nariz respirando fundo.
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  — Ele parece ser estudante, talvez seja só um moleque tentando fazer uma grana extra…
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  — Existe essa possibilidade — Giu concordou, enquanto mexia em mais alguns códigos que eu não entendia o que era.
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  — Ele foi até a Fascino?
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  — Não, apenas… — ela parou o que dizia, pois pareceu pensar em algo. — Tem razão, ele pode ser um estudante. Ele só foi nas boates nos arredores da universidade.
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  — Vou mandar um dos nossos investigar esse cara. — Dei um beijo no topo da cabeça de Giu e me virei para sair.
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  — %Teo%… — Escutei ela murmurar, fazendo com que eu freasse meus pés e me virasse novamente.
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  — Tenta ser legal com a %Pietra%…
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  — Eu não fiz nada, Giu. — Cruzei os braços e soltei o ar sabendo que vinha um sermão pela frente.
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  Ela apenas me encarou torcendo os lábios e disse:
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  — Assim como não fazia nada quando éramos adolescentes.
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  — Giu, eu não…
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  — Não faça isso, %Matteo%, eu via — ela me cortou e levantou da cadeira se aproximando de mim.
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  — Sempre foi a mais observadora de nós… — Sorri de canto.
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  — Por isso trabalho aqui…
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  — Mas tem algo que não sabe. — Virei as costas e fui em direção à saída.
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  — E o que seria isso? — perguntou incisiva.
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  Virei uma última vez com a porta já aberta e olhei para ela ao dizer:
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  — O motivo pelo qual sempre a mantenho longe de mim não é superficial.
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  Deixei o escritório e fechei a porta atrás de mim respirando fundo. Eu sabia o quanto %Pietra% poderia me detestar por ser um babaca, sempre soube, mas era isso ou ela sentir medo de mim por eu ser um maldito assassino.
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Capítulo 4
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Lelen

Eu toda errada porque acho que eu não me importaria de saber que Matteo é assassino se eu vivesse nesse mundo, é tipo… faz parte do trabalho, né, é quase que esperado que o líder, se não suja as próprias mãos, vai ser mandante…
Mas eu sou estronha então não posso me colocar como padrão 😂

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