Vincere


Escrita porHatakesaturn
Revisada por Lelen


Capítulo 20

Tempo estimado de leitura: 29 minutos

%Pietra% Alonso Perroni

  %Matteo% estava sendo irracional, impulsivo e idiota, onde já se viu invadir a delegacia daquela forma e dar na cara que estava no limite por eu ter sido presa, a impulsividade dele ainda nos arrumaria uma merda grande. Depois de um caminho longo demais até em casa e uma discussão com %Matteo% de brinde, tomei um longo banho e deitei na minha cama com um pijama confortável, coloquei os fones e aproveitei o momento para pensar. Digerir tudo que tinha acontecido, principalmente ontem, aquilo não parecia nada com algo que eu já tivesse sentido antes. Minha cabeça girou quando %Matteo% disse aquilo, o tempo pareceu passar devagar em frente aos meus olhos.
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  Foi estranho.
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  Uma sensação de… abandono.
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  Meu coração palpitou, parecia sentir o sangue correndo em cada veia do meu corpo, cada pulsar da pressão. Mordi o lábio e abracei um travesseiro com força. Eu me sentia sozinha, aquele vazio começou a me alcançar de novo, eu precisava de uma bebida. Levantei e desci a escada com meu headfone tocando alto. Preparei uma dose dupla de whisky e subi para o meu quarto novamente. Agradecia por não ter cruzado com ninguém no caminho.
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  Eu precisava me sentir anestesiada.
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  E foi assim que dormi.
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  Acordei com Giulia me sacudindo e eu fiquei completamente desorientada com ela berrando, dizendo para eu acordar que ela tinha que fazer uma reunião com todas nós. Quando consegui finalmente focar no que estava acontecendo, entendi que precisávamos ir até a sala de Giu com urgência. Isso já me fez acordar disposta e sobressaltada, o que tinha acontecido agora?
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  Os Perroni não tinham um minuto de paz.
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  Nem vesti uma roupa, coloquei um robe e segui Giulia até sua sala, onde Luna e Beatrice já estavam, da mesma forma que eu, pijama, robe e uma cara de sono, para não falar do ódio em suas expressões por terem sido acordadas. Giu sentou na cadeira e começou a abrir arquivos e então o rosto de um homem, que aparentava ter a mesma idade do nosso pai, apareceu na tela.
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  — Esse é o pai da Carolyn — começou Giulia e nós ficamos tentando entender por que estávamos olhando para uma foto do cara. — O nome verdadeiro dele é Carlos Diaz…
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  — O quê?! — todas nós berramos.
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  — Como você descobriu isso? — perguntou Luna.
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  — Quando ele foi pesquisado, anos atrás, por quem fazia a segurança da Vincere, ninguém checou a árvore genealógica. — Ela digitou mais algumas coisas e apareceu uma mulher. — Essa é a Camille, tia da Carolyn, ou, mais conhecida na Espanha como: Izabel Delantera, esposa do Consigliere dos Delantera, aquele que Filippo matou.
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  Nossas bocas ficaram entreabertas, eu não podia acreditar, como ele havia conseguido se infiltrar desse jeito nos nossos associados e, pior ainda, colocou o projeto de esposa dentro da nossa casa. Respirei fundo e tentei acalmar meus nervos, eu precisava pensar racionalmente como sempre, não era à toa que eu achava que deveria ser uma das escolhidas para comandar a Vincere, meu psicológico inabalável, minha vontade de fazer a Vincere prosperar e, claro, minha forma de pensar. Não podíamos simplesmente jogar essas informações na cara de Carolyn, ela iria negar tudo.
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  Pensa, %Pietra%.
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  — Eu preciso… — andei de um lado para o outro tentando me acalmar — respirar.
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  — Espera, %Pietra%… — pediu Beatrice e eu olhei para ela. — Precisamos decidir o que vamos fazer…
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  — Ela deve ser a infiltrada que está na Vincere — falei, preocupada.
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  — Mais um motivo para falarmos com %Matteo% ou até mesmo… com o papai — comentou Luna.
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  — Me deem algumas horas, preciso pensar.
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  Saí dali sem acreditar, estava tudo debaixo do nosso nariz esse tempo inteiro? Como meu pai foi tão descuidado dessa forma? Confesso que eles foram astutos, mas não melhor que os Perroni, ninguém nos engana e sai vivo para contar a história. Fui para o meu quarto e fiquei lá até a hora de ir para a Fascino. Eu já estava com muita coisa na cabeça para conseguir raciocinar e engolir aquela informação tão de repente, precisava de tempo, e acreditava que isso nós tínhamos.
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  Entrei na Fascino precisando de três martinis, e acreditava que ainda seria pouco, encostei no balcão onde coloquei minha bolsa e chaves, e pedi para Cristian o meu drink favorito.
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  — Aquela mulher está esperando você já tem algum tempo… — Ele apontou com o queixo e eu me virei, franzi o cenho e voltei a olhar meu barman.
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  — Quem é?
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  — Não disse o nome. — Ele colocou meu drink em minha frente, respirei fundo e peguei a taça antes de andar até a mesa que a mulher estava.
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  — Boa tarde, posso ajudá-la? — Ela olhou para mim e fiquei um pouco surpresa ao ver seu rosto, ela parecia…
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  — %Pietra%… — Ela olhou para mim surpresa, como se visse alguém que não vê há muito tempo, seus olhos brilhavam e eu comecei a achar estranho. — Podemos conversar?
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  — Podemos, mas gostaria de saber quem é você. — Sentei na cadeira em frente a ela e cruzei as pernas.
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  — Meu nome é Alessia… — Beberiquei meu martini enquanto esperava ela dizer o que fazia ali e o que queria comigo. — Eu sou… sua mãe.
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  Senti como se o mundo tivesse parado, um zumbido tomou conta da minha audição e tudo desapareceu ao meu redor, só restávamos nós duas, em um lugar completamente escuro e silencioso. Eu estava sonhando? Não era possível que tudo pudesse acontecer em um dia só. Acordei do meu choque com o barulho da minha taça se quebrando no chão. Movi meus olhos devagar para baixo, vendo os cacos de vidro espalhados. Finalmente consegui ouvir meus batimentos soando em meus tímpanos, minha respiração era lenta e eu seguia encarando os cacos de vidro, perdida em pensamentos.
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  Ainda lembro quando tinha apenas 6 anos, lembro, pois, Marta me contou essa história. Eu a chamei de mãe pois via quase todos os meus colegas da escola com as mães e como era ela que cuidava da gente na maior parte do tempo, fazia sentido na minha cabeça infantil. Com toda a delicadeza, Marta disse que ela não era minha mãe, que eu e as garotas tínhamos apenas o nosso pai, Otelo, ele era a nossa família. Então foi aos 10 que pensei pela primeira vez sobre a possibilidade de ter sido abandonada, lembro de ter pesadelos terríveis e acordar gritando, daí surgiu o meu problema de insônia.
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  Otelo não tinha muito tempo para cuidar de nós, mas fazia o que podia, mas ser buscada na escola por seguranças ao invés do nosso pai era frustrante. Quando cheguei aos 13, Otelo finalmente nos contou sobre as nossas mães, então foi a primeira vez que entendi que éramos órfãs, mesmo tendo um pai e uma casa sob nossas cabeças, nossas mães tinham escolhido que, por dinheiro, dariam suas filhas ao Don da máfia. Era estranho pensar dessa forma, mas era a realidade.
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  — Desculpe, eu não queria assustar você.
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  Levei meus olhos até a mulher ruiva de olhos azuis, foi como quebrar um espelho em mil pedaços e tentar juntar os cacos, furando os dedos, porém querendo saber o que apareceria no reflexo quando ele estivesse inteiro novamente.
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  — Você… — minha voz saiu um sopro, então puxei o fôlego e continuei: — está mentindo.
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  — Não estou, %Pietra%, me escute, eu sou sua mãe e da Beatrice.
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  Engoli o bolo de saliva que se formava em minha garganta, essa história estava muito errada. Ela não era bem por aí e sobre esse assunto eu sabia os detalhes, afinal, ficava remoendo em minha cabeça há longos anos.
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  Eu ri, desacreditada e falei:
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  — Quer dinheiro, é isso?
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  — Não! — exaltou-se e suspirou, controlando seu comportamento, continuou: — Eu quero apenas… recuperar o tempo perdido, filha, eu me arrependo todos os dias de ter deixado você.
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  — Não me chame assim! Eu não sou nada sua…
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  — Precisa acreditar em mim, %Pietra%. — Alessia estava quase implorando para ter um voto de confiança.
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  Eu não ia deixar aquele pesadelo voltar a minha mente, não agora, não quando tudo já estava bagunçado demais para sequer pensar que essa poderia ser uma possibilidade.
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  — Podia ao menos ter pegado uma fonte mais confiável. — Levantei e me inclinei para mais perto da mulher e falei: — Nosso pai comprou cada uma de nós de uma puta sem coração diferente. — Comecei a caminhar em direção ao bar.
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  — Aquele homem não é seu pai!
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  Ouvi a confissão ao mesmo tempo que a cadeira arranhou o chão de madeira e travei onde estava, minha respiração parecia ter parado, engoli em seco e meu peito parecia pesado. Mordi o lábio e lágrimas saíram dos meus olhos sem nenhum aviso. Minha vida inteira seria uma mentira se aquilo tudo fosse verdade, não podia ser. Otelo era o meu pai, a única família que eu tinha era ele e minhas irmãs, se isso fosse verdade, o que restaria?
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  Não era, não podia ser.
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  Aquela mulher estava ali no intuito de me desestabilizar, talvez fosse mais um dos Delantera que descobriu um ponto fraco meu e estava usando isso para nos separar. Só podia ser isso. Olhei para a frente e vi Cristian me encarando preocupado, respirei fundo e comecei a andar novamente.
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  — O que eu posso fazer pra que acredite em mim?
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  Parei onde estava mais uma vez, limpei as lágrimas rapidamente e virei, encarando a mulher que já estava chorando, o desespero era nítido, mas eu não iria comprar aquele teatro. Fiz uma expressão altiva e encarei ela com raiva.
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  — Nada — falei, ríspida. — Você não pode fazer nada porque tudo que diz é mentira e veio até aqui para me atormentar por dinheiro!
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  — Eu não quero o dinheiro sujo de Otelo!
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  Arregalei os olhos em surpresa e um certo pânico. Como ela sabia? Ela realmente estava falando a verdade? Não, não podia ser.
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  — Se o que diz é verdade, você já quis o dinheiro de Otelo uma vez, o que estaria te impedindo agora?
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  — Quero o amor da minha filha, algo muito mais importante que dinheiro.
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  Olhei para ela com um certo receio, aquela dúvida que eu sempre tive lá no fundo da minha mente, pedindo para que eu descobrisse a verdade. Anos remoendo aquilo, anos sentindo que me faltava algo, que talvez ali não fosse o meu lugar. Depois de adulta, escolhi negar a mim mesma a vontade de acessar tal sentimento, eu estava no lugar certo, aquela era a minha família, minha vida e eu sempre escolhi acreditar no meu pai.
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  — Enrico, tire essa mulher daqui. — Virei as costas e peguei minha bolsa e chaves no balcão.
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  — %Pietra%, por favor, me escute! — Ela gritava e se debatia enquanto meu segurança a levava para fora. — Eu vou provar! Eu vou provar!
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  Vi a tal da Alessia ser colocada para fora e eu ainda tentava respirar fundo para me controlar, fechei os olhos e soltei o ar devagar pelos lábios, sentindo uma dor absurda no meu peito. Minha garganta parecia fechada e respirar se tornava difícil cada vez que minha mente tentava encaixar as peças.
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  — Está bem, %Tita%? — Olhei para Cristian, totalmente apática, e acenei com a cabeça.
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  Virei as costas e subi para o escritório, assim que estava em meu território seguro, gritei a dor que sentia em meu peito com todo o ar dos meus pulmões. Joguei tudo que estava em cima da mesa no chão e quebrei o cinzeiro de vidro na parede, parecia que a dor iria me rasgar o peito, e destruir algo iria me ajudar de alguma forma. Eu gritei mais forte, sentindo meu peito arder, encostei na mesa e meu choro foi silencioso a partir dali. Quando vi, estava no chão, abraçada aos meus joelhos e olhando a bagunça que eu tinha acabado de fazer. Abri a gaveta ao meu lado e puxei a garrafa de vodca, tirei a tampa e virei direto do gargalo.
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  Que dia infernal, já tinha começado ruim e foi piorando com o passar das horas, era uma merda atrás da outra. Dei outro gole na garrafa. Apesar de escolher a história que acreditei a vida inteira, agora essa mulher tinha trazido uma dúvida que não me aterrorizava há anos. O rosto da tal Alessia vinha em minha mente e tudo que eu via era Beatrice, ela era muito parecida com a Bea.
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  Céus, e se ela estivesse falando a verdade?
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  Não!
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  Outro gole.
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  Será que essa era a pessoa que estava trabalhando junto com Carolyn? Como não obteve respostas, essa Alessia veio com esse plano para me desestabilizar? Filha da puta!
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  Outro gole.
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  Olhei para o lado e vi minha arma encaixada embaixo da mesa. Virei a garrafa mais uma vez e senti o amargo da vodka descer em minha garganta, fechei os olhos e senti um pouco da tontura do álcool. Tinha bebido muito rápido, mas não importava, iria arrancar tudo daquela vagabunda francesa. Enfiei a arma em minha cintura, peguei minha bolsa e saí do escritório com pressa.
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  — %Tita%, a Beatrice está lá na cozinha e disse…
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  — Depois, Cristian. — Passei por ele rapidamente e saí da boate, entrei no meu carro e dei a partida.
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  De tudo que passava em minha cabeça, a pior delas era pensar que meu pai teria mentido para mim. Não ficaria chateada se ele tivesse me criado como filha dele, mas esconder isso de mim seria demais. Aquela mulher só poderia ter ido até ali a mando de Carolyn, ou até mesmo do pai dela que nem sequer mandou mensagem para o celular dela desde que a prendemos.
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  Que bela bosta de pai.
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  Estacionei o carro de qualquer jeito na frente de casa devido ao alto teor alcoólico no meu sangue e entrei, eu só queria uma coisa, saber todos os planos daquela mulher, e eu iria, ah, como eu iria. Peguei a chave reserva do quarto de Beatrice que estava guardada em meu quarto, na gaveta da cômoda, abri a porta e entrei, caminhei até o closet e abri as portas duplas. Eu só notei que estava ofegante quando parei e olhei para o rosto de Carolyn, senti meu coração martelar em meu peito e a raiva esquentar meu corpo. Dei alguns passos e arranquei a mordaça dela, mantive uma distância segura, não queria fazer nenhuma besteira.
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  — Já descobrimos quem é seu pai, Carolyn, agora você pode parar com o fingimento.
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  — Do que está falando? — Ela tentou se fazer de desentendida.
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  — Corta o papel da mocinha que nesse filme você é a vilã, Carolyn. — Apontei para ela enquanto a olhava com uma raiva descomunal.
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  Vi sua expressão se transformar diante dos meus olhos, ela começou a rir ainda de cabeça abaixada, aos poucos, levantou os olhos para me encarar como se ela estivesse solta e eu presa naquela cadeira. Por um momento foi como me senti, presa em um lugar que talvez eu não pertencesse mais, que talvez nem fosse para eu estar ali. Se Otelo não fosse meu pai, o que sobraria para mim naquela família?
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  — Acredita mesmo que eu seja a vilã? — Ela riu, debochada. — Vocês mataram meu tio! — gritou, seus olhos escureceram de raiva e sua expressão era mortal, de quem arrancaria minha cabeça caso ela não estivesse presa.
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  — Ele matou o meu primeiro, então acredito que estejamos quites.
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  — Estamos longe de estar quites! — gritou ela, enraivecida, era nítido que ela queria se soltar dali e me matar, aquela era a verdadeira Carolyn. — Vocês expulsaram a gente da nossa casa, da nossa cidade, do nosso país!
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  — Vocês provocaram isso, mataram a minha tia, quem deveria estar buscando vingança era meu pai. — A palavra chegou a pinicar na minha língua, agora eu nem mesmo sabia se ele era meu pai ou não. Do que eu estou falando? Entrando no jogo dessa vadia por causa de uma atriz. — Por que mandou uma mulher fingir ser minha mãe?
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  — Quê? — Ela franziu o cenho.
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  — Ainda não cansou de fazer cena? — Avancei para cima dela e gritei: — Óbvio que foi você que mandou uma atriz se passar por minha mãe e dizer que Otelo não é meu pai!
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  — Você realmente está alucinando…
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  Tirei a arma de trás da minha cintura e coloquei na cabeça dela:
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  — Estou alucinando essa arma também, Carolyn? — Vi seus olhos arregalarem. — Pare de me enrolar, diga logo o que quer! Veio desgraçar a minha família…
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  Que eu nem sabia se realmente era a minha família agora.
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  Dei batidas na minha cabeça e espremi os olhos, lágrimas começaram a deixar meus olhos e eu sentia uma dor que me possuía cada vez mais, aquilo era insuportável, eu só queria respostas.
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  — Abaixa essa arma, %Pietra%… — Sua expressão mudou de raiva para preocupação. — Eu juro, eu não mandei…
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  — Não minta pra mim! — gritei, interrompendo-a, balançando a arma na direção dela. — Desde que chegou aqui tudo começou a desandar… O problema é você e se — destravei a arma e mirei bem em sua cabeça — eu acabar com você, os problemas acabam.
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  — %Pietra%… — Ela começou a chorar, desesperada. — Eu juro, por favor, abaixa essa arma…
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  — Cadê a mulher que estava rindo e me confrontando ainda agora? — Eu comecei a rir e olhei para ela com piedade. — Conte tudo sobre Alessia… toda a verdade!
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  — Mas eu não conheço essa mulher! — gritou ela, angustiada em provar sua inocência.
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  — %Pietra%! — Ouvi a voz grossa gritar o meu nome e, com o susto, meu dedo apertou o gatilho, o estouro alto e seco ecoou pelo closet, virei a tempo de ver a cabeça de Carolyn pender para a frente e logo o sangue começar a pingar.
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  Eu travei onde estava, meu coração parecia que tinha parado de bater junto com o dela, tamanho foi meu choque, mas foi uma angústia silenciosa, latente dentro de mim. Meu corpo adormeceu como se eu tivesse perdido o controle dos meus músculos, meus olhos estavam vidrados nela, meu coração acelerou de repente e me ajoelhei perto dela.
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  Ela não estava se mexendo!
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  Levantei seu rosto e vi aqueles olhos sem nenhum brilho, olhando diretamente dentro dos meus.
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  — Não. Não, eu não fiz isso.
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  Senti a mão dela agarrar meu pulso e tive um sobressalto fazendo meu corpo gelar com um calafrio, pisquei os olhos e ela continuava parada, estática; morta. Senti meu corpo pesar toneladas e caí sentada no chão, minha mente estava me pregando peças.
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  — %Pietra%! — Ouvi ao longe e virei para trás, percebendo %Matteo%, que parecia confuso com aquilo tudo.
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  — Eu matei… — falei baixo, olhando novamente para Carolyn, as lágrimas escorriam em meu rosto e eu não conseguia me mexer. — O que eu faço agora? Eu… Por quê?
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  — %Pietra%... — Senti a mão de %Matteo% em meu ombro. — Pode soltar agora… — Não entendia o que ele queria dizer, mas meus olhos arderam e fui voltando a mim, pisquei lentamente tentando controlar minha respiração e senti meu rosto molhado, só então consegui notar que ele estava agachado ao meu lado, sua mão acariciava meu braço indo em direção à arma que eu ainda segurava firmemente e nem tinha percebido. — Solta, %Tita%. — Ouvi a voz baixa de %Matteo% próximo do meu ouvido e sua mão acariciou a minha, fazendo eu abrir meus dedos devagar e deixando que ele pegasse a arma. — %Tita%… Fala comigo…
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  Ele segurava meu rosto tentando olhar em meus olhos e, em um rompante, eu o abracei, eu não conseguia mais parar de chorar. Por um momento me senti bem por ter feito aquilo, como se aquilo tivesse chegado ao fim, mas eu era uma assassina agora.
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  — Eu sou… uma assassina, %Matteo%… — falei abafado, com o rosto enfiado em seu peito, em prantos.
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  — Foi um acidente, %Pietra%. — Ele seguiu me abraçando, acariciando minha cabeça. — Vai ficar tudo bem.
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  — Fui eu que matei, ela está morta, %Matteo%! — gritei ao me afastar dele. — Eu atirei aquela bala… Alguém está morto por minha causa!
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  — %Tita%, calma… — Ele foi me abraçar novamente, mas comecei a me sentir claustrofóbica, levantei e comecei a andar para fora daquele closet, eu precisava de ar. — %Pietra%, pra onde você vai?! — Ele me seguiu pelo corredor. — Espera! — Ele me puxou pelo braço.
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  — Me solta, %Matteo% — falei séria, amassando a gola de sua camisa. — Me solta!
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  — Você precisa se acalmar antes que a Giulia escute algo, assim como escutei os gritos de vocês.
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  — Como vou me acalmar?! — Olhei para baixo, sentindo as lágrimas se formando ainda mais e vi minhas mãos com sangue. — Minhas mãos… Minhas mãos…
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  — Vem comigo. — Ele me pegou no colo e eu não conseguia parar de encarar o sangue na minha pele.
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  %Matteo% entrou no meu quarto e fechou a porta com o pé, só entendi o que ele estava planejando quando senti a água quente escorrer pelo meu corpo, molhando todas as minhas roupas, assim como as de %Matteo%. Ele me colocou no chão devagar e então olhei para ele, vendo que seguia me encarando como se esperasse uma resposta, no entanto, naquele momento eu não sentia que conseguiria falar. Vi o líquido vermelho escorrer e ir embora pelo ralo, como se não fosse nada. Uma morte em minhas mãos, eu tinha tirado a vida de alguém.
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  — %Pietra%… — Seus dedos levantaram meu rosto pelo maxilar e eu olhei em seus olhos. — Vai ficar tudo bem.
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  — Como vai ficar tudo bem?
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  — Confia em mim? — Acenei que sim com a cabeça. — Então termine de tomar banho e venha comigo. — %Matteo% foi sair do box, mas eu segurei ele.
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  — Fica. — Vi seus olhos negros me medirem, o cabelo pingando água e sua camiseta regata branca, quase transparente, mostrando várias das tatuagens que ele tinha escondidas pela pele. — Eu não quero ficar sozinha… — Ele balançou a cabeça em positivo e voltou, fechando o vidro e então eu abracei ele me permitindo chorar em silêncio.
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  Era bom.
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  Seus braços me seguravam com carinho, seu queixo apoiado em minha cabeça e sua mão fazendo carinho em minha nuca era tranquilizador. A diferença entre meu coração em sofrimento, batendo rápido enquanto o dele batia calmamente me deixava mais confiante de que tudo poderia mesmo ficar bem.
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  Depois de colocar um pijama, ouvi %Matteo% dando ordens para que levasse o corpo para o porão. Saí do meu closet e ele já estava com outra roupa, assim que me viu, falou no celular que precisava desligar. Caminhei até a cama e sentei, ainda olhava minhas mãos e a imagem da cabeça de Carolyn pendendo para a frente ainda vinha em minha mente. Senti uma mão em meu ombro, olhei para o lado, espantada, sentindo o coração acelerar, mas era %Matteo% que tinha sentado ao meu lado, então eu relaxei, soltando o ar.
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  — Prefere conversar amanhã? — Acenei que sim. — Tudo bem, você quer que eu traga algo? — Balancei a cabeça em negativo. — Eu preciso resolver algumas coisas…
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  — Não me deixe sozinha, por favor…
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  — Eu prometo que eu volto em alguns minutos. — Ele acariciou meu rosto, por mais que sempre que tínhamos contato físico alguma faísca de desejo aparecesse, naquele momento eu sentia que ele só queria me acalmar e me fazer ficar bem. — Vamos, deite.
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  Eu me recostei na cabeceira da cama e ele cobriu minhas pernas com o cobertor, minha respiração continuava difícil, como se algo pressionasse meu peito. Meu corpo estava tenso, retesado, e minha mente não conseguia apagar o que eu tinha acabado de fazer e o que eu tinha visto.
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  Agora eu era uma assassina.
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  — Eu já volto, %Tita%.
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  Vi %Matteo% levantar e sair do meu quarto, eu sabia o que ele ia fazer, ouvi ele no telefone, ele iria resolver a questão do corpo e provavelmente a limpeza do closet da minha irmã. Eu matei Carolyn, ainda não conseguia acreditar, eu sempre mandei soldados matarem, mas dar uma ordem te deixa longe da real perspectiva de matar alguém. Fechei os olhos devagar e tentei me acalmar, pensar em outra coisa que não fosse a morte que eu causei. Por uma desconfiança, um erro, talvez ela não tivesse mandado aquela mulher lá, talvez ela…
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  — Fique orgulhosa de ter matado uma Delantera.
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  Abri os olhos, assustada, mas eu continuava sozinha, meu coração começou a bater mais rápido de novo enquanto eu olhava para todos os cantos do meu quarto, buscando de onde tinha vindo aquela voz tão familiar. Recolhi minhas pernas para junto do meu corpo, assim como meus ombros, meu estômago revirou e senti minha boca secar.
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  — Você deve ser a vergonha do legado da Cosa Nostra.
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  Dessa vez a voz feminina se fez mais próxima, me forçando a olhar para o lado vazio da cama depressa, e foi assim que vi Carolyn sorrindo de um jeito vil, com aquele buraco em sua testa e o sangue escorrendo pela pele e nos cabelos loiros.
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  — Ah! — gritei caindo da cama, me arrastei para longe até encostar minhas costas na parede e quando abri os olhos, não tinha ninguém no colchão ou no quarto. Mordi o lábio com força e me encolhi, sentada no chão, abraçando meus joelhos. — Não, isso não é real, não é real… — Eu me abraçava e me balançava procurando refúgio daquilo, eu só podia ter entrado em um pesadelo. Senti meu rosto formigar, o ar parecia não entrar em meus pulmões devido a minha garganta parecer cada vez mais fechada. As lágrimas molhavam meu rosto e eu apertava cada vez mais meus olhos fechados, tentando ignorar o que tinha acabado de acontecer. — Não é real, ela está morta…
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  — %Pietra%!
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  — Ela tá morta… — eu repetia sem parar, tentando me convencer de que tudo aquilo não passou de um delírio. — Eu a matei.
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  — %Pietra%… — Apenas senti %Matteo% me abraçando. — O que houve?
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  — Ela… estava aqui… ela estava aqui — falei aos prantos, entre soluços e lágrimas. — Ela não vai me deixar em paz…
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  — Eu não vou sair do seu lado, eu prometo.
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  — Ela estava morta… Eu vi. — Ele me segurou e me puxou para mais perto dele, ouvi seu coração batendo ritmado com o meu, em alerta, preocupado comigo, e era uma merda admitir, mas não existia mais ninguém que eu quisesse ali comigo naquele momento.
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  — Vai ficar tudo bem — ele acariciou minha cabeça —, vai ficar tudo bem.
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Lelen

🫢🫢🫢🫢 😱😱😱
Essa é a reação do capítulo.
Eu não tava esperando por isso e muito menos assim.
Mas o Juan ainda tá na minha lista HASHAHAHAHAHH

hatakesaturn

Amiga, foi babado escrever esse capítulo, então a sua reação é mais do que maravilhosa! Hahahaha Eu amo causar emoções com minhas histórias, então eu tô no caminho certo hahaha E você segue cismada com o Juan, tadinho kkkkk ❤️😘

Ray Dias
  Ouvi a confissão ao mesmo tempo que a cadeira arranhou o chão de madeira e travei onde estava, minha respiração…" Leia mais »

Finalmente a chave que eu precisava pra ela se deleitar no fakebrother uhuuuuu… Sabia que alguém não era filho de Otelo!

Ray Dias

Eu amei demais o que aconteceu nesse capítulo 🤩

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