Droga de Realeza


Escrita porIsabella Redivo
Revisada por Andressa


Capítulo 9

  *10 dias depois*
  – E aí, linda? – Louis falou. Eu nunca me acostumava com ele me esperando todo dia no meu armário.
  – Oi, Lou. – abracei ele. Sempre esquecia como ele era cheiroso.
  As pessoas passavam me observando. É lógico que depois daquele dia, todo mundo ficou sabendo que eu era princesa e que eu tinha que me casar com Zayn. Que por sinal virou a celebridade da escola. E é lógico que fizeram a maior fofoca sobre váaaarios assuntos. Como um novo que inventaram agora que eu estava namorando Niall escondido. É claro que logo desistiram com esse por que era óbvio que a gente nunca namoraria. Mas minha mãe e Nick Taylor pareciam estar tentando fazer com que eu e Zayn nos aproximássemos de qualquer jeito. Toda segunda, quarta, sexta e domingo nós jantávamos juntos e agora, todos os dias minha mãe nos levava para a casa deles para que almoçássemos juntos. O que aconteceu é que eu e Zayn acabamos nos odiando. Eu ainda não suportava-o. Nem ele à mim.
  – Vamos jantar hoje? – Louis disse.
  – Ah, sabe como eu queria dizer sim. Mas eu tenho que jantar com o Sr. Encrenca. – Olhei para o outro lado do corredor, onde Zayn, Liam e Harry estavam conversando. Liam e Harry riam de alguma coisa, Zayn, como sempre, só olhava com aquela cara de “eu estou seduzindo, não posso rir”.
  Louis fechou a cara e resmungou.
  – Bella, você já almoça com esse cara todos os dias, e ainda tem que jantar com ele? Você já não disse que não vai se casar com ele? Por que tem que continuar vendo ele todos os dias? – Louis, assim como eu, não gostava de Zayn. Ele e Harry pouco se viam depois que Harry começou a seguir Zayn pra tudo o que é lugar. Bem, assim como Liam. Agora Louis andava comigo, Bailey (que agora estava saindo com Harry) e Niall.
  – E não vou. Não vou me casar Zayn. Mas não posso fugir da minha mãe. Ela me obriga. Sabe disso. – disse, me dirigindo à saída da escola. Hora de ir embora.
  – Fuja comigo. Vamos fugir! A gente pode ir pra Londres, na casa da minha tia! – Louis pegou na minha mão.
  Dei risada.
  – Ah, Lou! Londres é para onde eu estou tentando não ir!
  Ele sorriu daquele jeito que eu tanto gostava e chegou perto de mim. Perto demais. Tão perto que eu podia sentir a respiração dele em mim. Ele pôs uma mecha do meu cabelo atrás de minha orelha e pegou meu rosto entre as mãos. Fechei os olhos. Será que aquilo que eu tanto sonhei por tantos anos estava prestes a acontecer? Será que eu estava prestes a beijar o menino dos meus sonhos? Não. É lógico que não. Por que quando meus lábios estavam prestes a encostar-se aos dele, Zayn me deu um cutucão e disse:
  – Vamos, menina. Estamos atrasados.
  Eu. Quero. Matar. O. Príncipe. Da. Inglaterra. Posso, produção?
  Louis apenas olhou pra mim com aqueles olhos azuis lindos e sorriu como quem diz “ninguém quer que a gente se beije...” mas quando olhou pra Zayn, deu-lhe um olhar gélido e mortal, como um inimigo antigo. Eu gostei daquilo. Zayn apenas sorriu e abaixou a cabeça, coçando a nuca.
  – Tchau, gatinha. – Louis mandou um beijo e meu coração já sentia a falta dele. Mas eu não ia deixar barato pro Zayn.
  – Tchau, meu príncipe. – Zayn olhou pra mim e, por um segundo, pareceu realmente magoado. Mas depois, colocou aquela máscara de príncipe durão de novo e acenou pra Louis.
  Eu me virei e comecei a andar rápido. Zayn me acompanhou. Ele tirou um cigarro do bolso e o acendeu.
  – Você realmente precisa parar de fumar. É nojento. – reclamei.
  – As meninas gostam. E você precisa parar de reclamar. – ele disse, soltando um mar de fumaça pela boca.
  – Nossa, só agora descobri que sou um menino. É sério, para. Vai te matar um dia. – tirei o cigarro da boca dele e joguei no chão.
  Ele me olhou com um olhar mortal e eu não fiz nada além de rir da cara que ele fez.
  – Você tem noção da cara que você fez pra mim? – ele semi cerrou os olhos e eu ri mais ainda. Ele sorriu e adorei vê-lo sorrir.
  – Uma cara de quem quer te matar mais do que qualquer coisa? – ele perguntou.
  – Exatamente – comecei a gargalhar quando lembrei da cara dele. Ele me observava, ainda sorrindo. – Você devia sorrir mais. As meninas gostam de sorriso, não de cigarros. Sabia?
  Comecei a cantarolar “Tomorrow” da Avril Lavigne quando ele perguntou, quase gritando:
  – QUAL É O NOME DESSA MÚSICA? – e eu gargalhei mais ainda. – EU AMO ESSA MÚSICA!
  – Você gosta de Avril Lavigne? – perguntei.
  – Por quê? Acha que um príncipe só pode gostar de Mozart? – ele deu um sorrisinho torto que me tirou o fôlego.
  – Quem é Mozart? – perguntei. E ele riu. Riu muito. A risada dele me fazia querer rir mais ainda. Não porque era estranha e escandalosa como a minha, mas era engraçadinha e fofa. A voz dele ficava bem fina quando ele ria, fazendo sua gargalhada ficar bonitinha. Eu fiquei sorrindo e observando ele gargalhar. Era tão gostoso o ouvir rindo. Sabe, eu poderia gostar de Zayn. Numa boa. Se nós não estivéssemos sobre tanta pressão, quem sabe eu até poderia me apaixonar por ele. Era a primeira vez que eu o ouvia rindo. Quero dizer, rindo de verdade. Não dando aquela risadinha sem-graça que ele sempre dava quando Nick tentava contar uma piada, sem sucesso, claro.
  – Você é uma piada, Isabella. Sabia disso? – ele continuou sorrindo por um bom tempo.
  – Hun, obrigada? E, pelo amor de Deus, me chama de Bella.
  – Você acredita em Deus? – ele perguntou, aleatoriamente.
  – Não. Você acredita? – rebati a pergunta. Olhando pra ele.
  – Então, por que tá sempre falando “pelo amor de Deus”? – ele me observou.
  – Mania. Você acredita? – percebi que ele não queria responder. Mas eu queria saber. Entenderam a diferença?
  – Não.
  Continuamos andando por um bom tempo.
  – Então, no que você acredita? – perguntei. Aquele “não” parecia mais um “não, por que...”.
  – Não ria. Eu acredito no amor. – olhei diretamente pra ele. Ela tava querendo me zuar, era isso? – Eu sei, eu sei. Não parece, né? Mas eu acredito. Acredito que o amor pode mudar uma pessoa, salvar alguém. Mais do que qualquer Deus ou não sei o quê.
  – Então por que não demonstra isso de jeito nenhum? – perguntei, perplexa com a suavidade dele. De como ele estava sendo realmente... Ele mesmo. Pela primeira vez, Zayn falava comigo não como príncipe com uma reputação, mas sim como uma pessoa normal. Com sentimentos normais e palavras normais. Com medos normais e sonhos normais. E eu amei essa versão dele. Amei que ele tivesse se aberto pra mim desse jeito. Que tivesse permitido que eu entrasse em seu coração.
  – Sabe, Isa... Bella, quando se é uma celebridade você aprende que, ou você se guarda e se protege de tudo criando uma máscara, ou é forte o suficiente pra aguentar tudo o que vem pela frente, ou deixa que eles suguem você até não restar mais nada. Eu não sou forte o suficiente. Então, aprendi a me esconder de tudo o que possa me magoar. Amigos falsos, informações falsas, amores falsos. – por um momento ele parecia somente um menino muito magoado e assustado, assustado com o que as pessoas são capazes de fazer. Parecia somente um garoto que nunca havia sido realmente amado. Eu senti uma vontade louca de confortá-lo. De abraçá-lo, de tocá-lo... Só... Tentar fazê-lo se sentir bem. Eu levantei a mão pensando em encostá-la em seu braço, mas parei no meio do caminho e deixei pra lá. Mas o que eu não esperava fosse que ele me tocasse. Ele pegou na minha mão e a colocou entre as dele, assim como Louis havia feito um pouco mais antes. Porém, com Louis eu não senti a metade do que eu senti com Zayn. Foi como se ele tivesse colocado minha mão no meio da brasa quente e depois a tirado de lá e a colocado em um balde gelado. Ele brincou com os meus dedos e eu continuei encarando como se ele tivesse me dado um choque. Zayn deu um sorrisinho doce enquanto observava minha mão e depois a baixou. Ainda a segurando. Caminhamos juntos, de mãos dadas, até a minha casa. Eu ainda não conseguia me lembrar de como se respirava. Só me lembrei disso quando ele soltou minha mão. E eu lamentei que ele tivesse feito aquilo.
  Todas aqueles sentimentos que eu senti quando Zayn pegou na minha mão me atormentaram o dia inteiro. Fiquei pensando nele... No jeito como ele ria, no jeito como seus olhos brilhavam enquanto ele gargalhava, no jeito como ele olhou pra mim... E as horas passaram rápido. Ou melhor, passaram brilhando, até o jantar.
  – Boa noite, senhorita. – ele disse, quando eu desci as escadas. Ele estava tão maravilhosamente gato e sexy naquele terno que me deixava sem fôlego.
  – Boa noite... Zayn. – disse, sem jeito.
  – Poderia me dar a honra? – ele ofereceu o braço. Parecia tão... Feliz. Seus olhos brilhavam com um sorriso que faltava em seu rosto, mas que apareceu logo quando eu peguei em seu braço e nós dois sentimos aquela sensação estranha de novo. Suas expressões não estavam duras e frias como na maioria das vezes. Estavam doces e suaves, como se um enorme peso tivesse sido tirado de suas costas.
  – Zayn? O que aconteceu? Você parece tão...
  – Bonito? – ele perguntou, me fazendo rir.
  – Não, idiota. Parece feliz. – o sorriso dele ficou mais suave e seus olhos olharam bem para mim.
  – Será? – e eu recomecei a rir.
  Zayn tinha esse dom. Toda vez que eu achava que ele ia dizer alguma coisa, ele não dizia. Sempre me surpreendendo. Sempre.

Capítulo 9
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