Capítulo 31
Calma, Bella, calma... Vai dar tudo certo... Respira, inspira, respira, inspira... 1,2,3... 1,2,3...
Me virei e me encarei no espelho pela primeira vez no dia. Definitivamente aquela não poderia ser eu. Pelo menos não a "eu" que eu tinha visto ontem, e antes de ontem, e há 3 meses atrás. Não, essa nova "eu" não era bonitinha e ajeitadinha como eu sempre fora por toda a minha vida. Essa nova "eu" era deslumbrante. Os cabelos dessa nova mulher não estavam jogados em ondas desajeitadas e sem forma, ou presos ao redor de seu rosto redondo, mas sim levemente caídos, com seus cachos definidos e com tranças embutidas saindo das laterais de sua cabeça. As mechas loiras naturais que eu tinha quase não eram visíveis agora, que os cabelos dessa nova "eu" estavam de uma coloração tão viva e avermelhada de um jeito que eu nunca achei que fosse possível. Minha mãe havia caprichado em meu penteado, bem do jeitinho que ela fazia quando eu era pequena.
Observei a mulher no espelho mais atentamente. Não havia muita maquiagem em seu rosto, mas o suficiente para que ela ficasse estonteante e com uma beleza inacreditável. Seus lábios, antes ressecados e rachados, agora estavam cheios e brilhantes... Desejáveis. Desejável, era isso o que ela parecia.
Acariciei a renda do meu vestido e só então percebi como ele era bonito. Era de um modelo tomara-que-caia, simples. Todo rendado a mão e marcado na cintura, porém rodado assim que o tecido atingia a altura da minha cintura. Me virei para poder olhar minhas costas. Estavam descobertas, devido ao vestido, e um laço de cetim enorme me fez sorrir. Isso era muito mais do que eu jamais imaginei. Quando me imaginava casando, pensava logo no vestido simples de minha mãe e olha agora como estou! Ouvi alguém dando solucinhos atrás de mim e, quando me virei, encontrei-me com uma mulher que eu tanto conhecia e tanto amava às lágrimas.
– Mãe... Você prometeu que não ia chorar mais! - fui até ela e a abracei.
– Me d-desculpe... É q-que é tan-tanta emoção q-que... - ela tornou a chorar.
– Eu sei, eu sei... - Fiquei abraçada à ela lutando contra as lágrimas, que insistiam em voltar.
– V-Você está t-tão linda, minha f-filha.
Não chore, Bella, não chore...
A porta abriu e eu ouvi alguém gritar:
– Adivinha quem tem o buquê, quem? Quem? EU!
Eu soltei minha mãe, limpei as lágrimas de seu rosto e comecei a rir.
– Gabriela, pára com isso! Você vai estragar o b- Jho olhou para mim e enxergou as lágrimas se formando em meus olhos. - NÃAAAO ! NEM PENSAR! NADA DISSO, NANANINANÃO, DONA ISABELLA, VOCÊ NÃO VAI ESTRAGAR MINHA OBRA DE ARTE COM LÁGRIMAS! LIGIA, PEGA O LENCINHO!
Eu comecei a gargalhar.
Minhas quatro melhores amigas me olhavam. Todas com seus olhares cheios de amor direcionados para mim. Eu, a garota de branco. Olhei para cada uma delas. Bailey, que sempre esteve lá, desde o começo, quando eu não era ninguém e sempre se manteve fiel. Jho, que mesmo com tudo aquilo acontecendo com Louis, foi capaz de deixar os próprios sentimentos de lado por muito tempo, por mim. E ainda o faz, até hoje. Ligia, tão recente na família, mas que entrou para ficar. Que me ajudava quando eu brigava com Zayn, que são muitas vezes, que me ajudava quando eu estava mal de qualquer modo e que nunca me faltou com um sorriso. E então Gabriela. Que sabia o que eu estava pensando sem que eu dissesse nada. Que sempre sabia o que se passava lá dentro, no meu mais profundo íntimo, que compartilhava do mesmo dom de Niall e que sempre, sempre me fazia rir. Elas nunca me deixariam, e eu nunca as deixaria ir. Fui até elas e as abracei.
– Obrigada por fazerem parte da minha vida. Eu amo muito vocês.
Nós estávamos todas abraçadas, chorando quando a porta abriu. Um sotaque irlandês que eu conhecia tão bem invadiu a sala.
– Bem, desculpe interromper mas... Bella, nós precisamos ir. Tá todo mundo esper-
Mas eu não o deixei terminar a frase. Saí correndo e mergulhei em seus braços, tão reconfortantes, tão amigos, tão familiares. Caí em lágrimas ao abraçá-lo. Niall havia crescido tanto, diante de meus olhos. Parece que foi ontem que nós nos vimos pela primeira vez. Que trocamos nosso primeiro beijos juntos, que lutamos juntos quando os pais dele quiseram se separar, que apertamos a mão um do outro contra a dor da perda. Nós dois. Juntos contra o mundo. Sempre fora assim. E é por isso que eu não poderia entrar com ninguém na igreja sem que fosse com ele. Niall. Que sempre estivera ali para segurar minha mão e me levar para qualquer lugar que me fizesse feliz. E ali estava ele, mas uma vez me segurando em seus braços para me levar para onde eu estaria mais feliz. Niall sempre seria meu irmãozinho, sempre seria a pessoa que eu mais amo e prezo no mundo, sem ele, não haveria nada disso. Zayn e eu já havíamos brigado por causa disso uma vez, mas com o tempo, meu príncipe entendeu que Niall era tudo para mim, e aprendeu a conviver com esse meu amor louco pelo meu irmão loirinho.
– Vamos? - eu perguntei à ele e me surpreendi ao ver seus olhinhos azuis cheios de lágrimas, molhados. Niall nunca chorava. Era sempre eu a desabar diante dele. E ali estava o meu irlandêszinho, com os olhos molhados diante de mim. Chorando. Me entregando seus sentimentos mais profundos.
– Eu te amo, Bella. Você sabe, né? Te amo demais, maninha. - ele me abraçou forte, aquele abraço de urso que ele sempre me dava.
– Eu te amo. Te amo, te amo, te amo, NiNi, meu irmãozinho... - e então nós estávamos rindo, gargalhando e chorando juntos. De volta aos anos em que nenhum de nós ao menos sonhava em tudo isso. Quando Niall era só meu e eu era só dele. Duas crianças, sonhando com o impossível. E ali estávamos nós. Duas crianças, vivendo o impossível.
Enxuguei as lágrimas de meus olhos e peguei o buquê de tulipas azuis de Gabi. Minha mãe me parou antes que eu pudesse descer as escadas da igreja acompanhada de NiNi.
– Eu sei que não estamos na América, mas você não pode casar sem nada azul! - ela exclamou. Ah, sim, pensei, a tradição.
E então minha mãe surgiu com uma guirlanda delicada, cheia de flores azuis, tecidas à mão. A coisa mais linda que eu já tinha visto.
– Fiz pra você enquanto esteve fora. - minha mãe disse, dando a à mim. As lágrimas se formaram em meus olhos, mas eu as engoli de volta.
– Obrigada, mamãe, é maravilhosa.
Nós nos abraçamos de novo enquanto ela tomava à minha frente para entrar com as outras 4 madrinhas. Niall tomou a guirlanda das minhas mãos e a colocou no topo de minha cabeça.
– Nossa, você tá muito gata, sabia disso? - ele me disse, olhando atentamente para cada detalhe meu.
Eu ri e ajeitei sua gravata.
– Você também está uma tentação.
Ele passou a língua nos lábios, indecentemente, tentando seduzir e eu gargalhei.
– Bobão.
– Bobona.
– Babaca.
– Babacona.
– Eu te amo, Niall.
– Também te amo, Bells.
– Não me deixa cair.
– Não vou.
A porta da igreja abriu e Tomorrow da Avril Lavigne começou a tocar, meus pés roçaram o primeiro degrau da grande escadaria que eu teria que descer e meu desespero começou.
Apertei a mão de Niall e ele apertou de volta. O desespero se foi quando eu percebi uma coisa:
Eu não estou sozinha.