Capítulo 7
Zayn narrando.
Tá. Vamos lá. Por onde eu começo? Nunca fiz isso antes. Digo, narrar minha história para alguém. Até porque seria somente uma sequência de coisas chatas e entediantes que nenhum (repito: nenhum) de vocês gostaria de ouvir. Sabe, ao contrário do que todo mundo pensa, ser príncipe é um saco. Por que? Bem, deixa eu pensar... Ah, é. Por tudo.
Não que eu não goste dos meus pais, ou nada assim. Não que eu fosse querer nascer diferente ou qualquer coisa do tipo. Eu gosto da minha família. Gosto mesmo. Só que, às vezes, fazer parte da família real enche (e muito) o saco. Primeiro: você tem que usar terno TODOS os dias da semana. Repito, TODOS os dias da semana. Segundo: nenhuma menina gata o suficiente gosta de você por quem você é, e sim pela sua grana ou pelo seu rostinho bonito. O que é uma merda, porque isso significa que ou você casa com uma maria-chuteira ou você casa com uma baranga. Ou você tem azar suficiente para ser como eu e ter um casamento arranjado antes mesmo de nascer. Com uma menina que você nem conhece e... Bem, ela não era tão ruim. Aliás, não era de nada ruim. Achei ela bonita desde o primeiro momento que a vi (aha! Mentira, porque o primeiro momento que a vi foi quando eu tinha 1 ano e meio de idade e nem, ao menos, sabia o meu nome), ou segundo. Sei lá, ela era tão... Diferente. E única. Nada daquilo que estávamos acostumados a ver. O cabelo dela era maneiro. Tipo, bem maneiro. Eu gostei. Era de uma cor de vermelho que você duvida que seja real. Bem, ELA é o tipo de garota que você duvida que seja real. E além de eu gostar (e muito) do cabelo dela, tinha os olhos. Aqueles olhos castanhos chocolate que eu me perdia. Sério, todas as garotas morreriam para ter olhos azuis, mas o que quase nenhuma sabe é que são os castanhos que a gente mais gosta. Os olhos dela... Cara, os olhos dela eram muito incríveis. Toda vez que a olhava, pensa mil vezes “olha pra mim, olha pra mim” só para poder ter aqueles olhos olhando bem pra mim. E eu nem vou comentar que o sorriso dela era lindo. Tipo, lindo mesmo. Daquele que você sorri, só de ver. E eu gostava de vê-la sorrindo. Gostava de tê-la por perto, em geral. Sei lá, sabe? Só sentia como se... Se tivesse chovendo e ela fosse o guarda-chuva. Como se eu estivesse louco pra dançar e ela fosse a música. Como se... Ah, sei lá. Ela só era demais. Esse era o problema. Demais. Demais para mim. Sem mencionar que eu tinha 16 anos e NÃO queria me casar. Velho, homem já não quer casar com 30, quem diria com 16? Tudo bem, tudo bem. Era por uma causa nobre. Afinal, eu e ela podíamos parar uma guerra. Mas, viver uma vida com alguém que eu nem conhecia? Nem amava? Nem era perdidão? Sei lá, só parecia errado. Sem dizer o fato de que ela me odeia. Tipo, realmente me odeia. Então não. Eu e ela, definitivamente não rola. Esqueçam. Aliás, era isso o que eu queria dizer, todo o tempo, pra todo mundo. Me esqueçam. Me deixem aqui. Não me olhem. Não me notem. Não falem. Eu não quero ouvir. Eu só quero ser normal, sabe? Ir para a escola. Ser rejeitado. Talvez ser esnobado. Não ser visto. Não ser notado. Eu só queria ser, por um dia, capaz de agir por mim mesmo. Tomar minha própria decisão. Eu só queria... Ah, sei lá. Se a Maria Isabella soubesse o que tinha acabado de perder...