Droga de Realeza


Escrita porIsabella Redivo
Revisada por Andressa


Capítulo 8

  – Acabou? – perguntei à minha mãe quando ela terminou de falar. Mas uma me falando sobre meu passado que eu NÃO queria saber sobre.
  – Sim, eu receio que sim. – ela tinha acabado de me dar o maior sermão sobre o por quê devo me casar com Zayn.
  – Mãe, eu não vou me casar. Zayn não quer. Eu muito menos. Temos 16 anos, queremos mais é curtir. Viver, mãe! A senhora não entende, pois se casou com 16 anos. Não sente falta do que perdeu? Não gostaria de fazer diferente? Por que tá querendo me levar pro mesmo caminho?
  – Não me arrependo. De nada. Não faria diferente.
  – Porque você o AMAVA! Você amava meu pai! Eu não o amo, mãe! Eu mal o conheço! Eu não o amo! – repeti, sentindo aquele nó na garganta de novo. Forcei as lágrimas e continuei forte. Minha mãe não ia me ver chorar. (o que era irônico, pois Zayn já havia me visto chorar e minha mãe não podia) – Mãe, eu sei que é por uma causa maior, mas eu não posso fazer isso. Me desculpe.
  E saí. Próxima parada, Niall Horan.
  Disquei o numero do celular de Niall no telefone e esperei aquele sotaque lindo atender.
  – Alô? – Quando Niall falou eu simplesmente pude dizer:
  – Niall abre a porta agora. – e desliguei. Pude prever que as lágrimas iam começar em 3,2,1...
  Niall abriu a porta e, correndo, me abraçou fortemente, do jeito que ele sempre fazia. Quando ele me abraçou, não pude fazer mais nada além de encostar-se ao seu pescoço, abraçá-lo forte e chorar toda a minha mágoa. Ele não disse nada, Niall entendia que havia algo errado. Eu subi em seu colo como um bebê no colo da mãe, e ele me carregou para dentro de sua casa. Ele se sentou comigo no sofá, de modo que eu me sentei no seu colo e deitei-me com o rosto entre seu peito e seu pescoço. Ele acariciou meu cabelo e me deixou chorar.
  Não sei ao certo quanto tempo ficamos lá. Só sei que quando me senti forte o suficiente para parar de chorar, tirei o rosto de seu peito reconfortante e olhei para ele. Ele, nada disse. Sorriu para mim daquele jeito brincalhão e afastou minhas lágrimas com as costas das mãos.
  – Eu te amo, Niall. – disse, com a voz trêmula. E era a pura verdade. Eu amava Niall. Ele era o irmão gêmeo, o melhor amigo, o pai que eu nunca tive.
  – Eu também te amo, Bella. – ele disse, e eu sabia que ele dizia a verdade. Para ele, eu sempre seria a irmãzinha chorona, a mãe, a irmã mais velha mandona, a amiga ciumenta. A melhor amiga.
  Deitei a cabeça em seu peito de novo e ele ligou a TV. Eu procurei por sua mão e ele segurou a minha forte. Só soube que adormeci quando acordei em sua cama.
  – Bom dia, flor do dia. – ele entrou no quarto. Aquele borrão loiro vindo em minha direção. – Trouxe chá, minha mãe que fez. Tome, vai melhorar.
  Dei-lhe um sorriso de agradecimento e peguei a xícara de suas mãos. Ele me ajudou a me sentar. Enquanto eu tomava o chá, Niall me observava. Seus olhos azuis-esverdeado me olhando atentamente, medindo meus movimentos. Quando terminei de tomar percebi o quão ativa me sentia, aquele chá era bom mesmo.
  – Obrigada. Já me sinto nova. Diga à sua mãe que ele funciona mesmo... – ele riu e pôs a xícara no criado-mudo ao lado. Niall pegou minhas mãos e as colocou entre as dele.
  – Nova o suficiente para me contar por que me assustou desse jeito? – ele arqueou uma sobrancelha, do jeitinho que sempre fazia quando me fazia uma pergunta séria. Jeito Niall de dar humor à coisas sérias. Eu ri.
  – Te assustei?
  – Pra. Caramba. – eu ri mais ainda. – Diga, princesa, o que aconteceu com você? Hein?
  Respirei fundo e contei a Niall tudo. Tudo mesmo. Todos os detalhes. A cada palavra que eu dizia, ele parecia mais preocupado. Aquela ruguinha de preocupação que sempre aparecia quando ele se estressava.
  – Mas isso é muito sério, Bells... Quero dizer, você vai mesmo se casar? Meu, você só tem 16 anos. Isso é permitido? – mas antes que eu pudesse responder à qualquer uma dessas perguntas, ele disse – Quer saber? Não importa. Eu não vou deixar você casar. E ponto.
  A ideia de Niall brigando contra a família real de dois países me fez rir. Ainda mais ele, com esse tamanhão todo.
  – Mas e aí, o que você acha dele? – Niall perguntou.
  – Ele, quem?
  – Mohammed. O príncipe, dã! – eu ri, e muito, com o jeito que ele disse “Mohammed”.
  – Ah, sei lá. Ele é bonito. Muito bonito. Tá legal, ele é deslumbrante. É cavalheiro, e tem um pouquinho de senso de humor. Mas é arrogante, não é gentil e não faz o meu tipo. Simples assim.
  Niall só riu e me abraçou.
  – Louis faz o seu tipo, né? – ele perguntou, e eu sorri. – Harry disse que ele tá apaixonadinho por você.
  – O QUÊEEEE? Pode ir falando senhor Niall Horan!
  Niall gargalhou daquele jeito dele e eu me senti mais feliz. Depois que ele terminou de me explicar que Harry tinha dito à ele que Louis tinha dito à Harry que estava afim de mim, nós dois ficamos rindo sozinhos, ele rindo da minha risada e eu rindo da risada dele. Até que a senhora Horan entrou no quarto, trazendo seus miraculosos biscoitinhos de leite.
  – Bella, quer dormir aqui hoje? – Niall perguntou enquanto sua mãe me entregava os biscoitos.
  – Bem, se não for atrapalhar. Quero sim. Vou atrapalhar, Sra. Horan? – Ela sorriu e disse:
  – Você nunca atrapalha, querida.
  Niall sorriu pra mim, e eu sorri de volta, sabendo que ele ia me proteger.

Capítulo 8
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