Capítulo 16
– E então? Vai me contar por que quase me matou do coração? – Zayn estava abraçado comigo.
Quando ele fez essa pergunta, todas as cenas, todas as coisas que eu passei voltaram à tona. E a dor dilacerante veio com elas. Senti lágrimas voltarem à meus olhos. Eu fui traída. Meu namorado que eu amava havia me enganado. Mentido para mim. Jogado tudo o que passamos pelos ares. E isso doía. Demais.
– Bella? – Zayn ficou confuso quando eu saí de seu abraço. – Falei alguma coisa?
Ele me olhava confuso, com aqueles olhos brilhando para mim.
– Não. É só que... – o encarei. Devia contar? Devia abrir meu coração? Pensei em todas as vezes que estávamos jantando e ele se abrira para mim, me permitindo saber de seus sentimentos mais profundos. – Louis me traiu. Eu vi tudo.
Ele enrugou a testa por um segundo, e depois me puxou para um abraço delicioso e seguro. Ao abraçar Zayn, lembrei-me da sensação de seus lábios nos meus e me arrepiei.
– Quando? – ele perguntou e eu fiquei confusa.
– Quando o quê?
– Quando você quer que eu mate ele? – ele disse e eu gargalhei.
Nós nos soltamos, mas ele continuou com o braço em meus ombros. Eu me sentia bem com Zayn. Segura, salva. Como se, por acaso, a dor voltasse a me atormentar, ela não conseguiria me alcançar, pois eu estava com ele.
– Não quero que o mate, Zayn. Não posso impedir uma pessoa de se apaixonar por outra. – disse, com uma dor no coração. Pois aquilo se aplicava também à Zayn.
– E você não pode impedir de se apaixonar por ele, não é mesmo? – Zayn perguntou, olhando para os pés. Entendi que ele não estava falando só de mim.
– Exatamente. Se ele é mais feliz com ela, então eu estou feliz. – disse. Mas depois percebi que falei besteira. Pois aquilo também se aplicava com o que Niall havia me dito sobre Zayn. “Disse que só queria que você fosse feliz, e que ele sabia que você era feliz com Louis, por isso te ignora. Por isso que finge que você não existe. Ele quer que você continue odiando-o para que você continue sendo feliz com Louis. O coração dele está partido.” As palavras de Niall voltaram a meus ouvidos como se tivessem acabado de serem ditas por ele. Eu arrepiei. Zayn realmente me amava. Será?
– É, eu entendo. E quem seria ela? – Zayn perguntou.
– Jho.
Ele parou de andar como se tivesse acabado de levar um soco. Eu assustei com sua parada brusca. Ele estava com os olhos arregalados, mostrando como seus cílios são grandes. Brincadeira, ele estava com os olhos arregalados de surpresa mesmo.
– Jho? A minha Jho? – ele perguntou e eu senti um pouco de possessão nessa frase.
– Bom, se ela é sua eu não sei, mas sim. A Jho. – fiquei um pouco zangada com o “minha Jho” e me soltei dele.
– Han? – ele gargalhou. – Isso é sério?
Ele continuava gargalhando.
– Sim, Malik, é sério e não tem nada de engraçado nisso.
Fiquei brava com ele. Como ele podia ser tão insensível? Primeiro, me vinha dizendo “a minha Jho” e depois ainda ria do que estava me fazendo sofrer.
– Eu não estou rindo da Jho e do Louis, Bella. Estou rindo de você.
Olhei para ele com um olhar gélido.
– Ah, é! Lógico, vamos rir da cara da Bella, por que ela é tão hilária, não é? – virei e fui embora. Estava realmente magoada que ele estivesse rindo de mim. Afinal, eu estava sofrendo, tinha tido uma queda de pressão agora pouco, estava sofrendo pra caramba e ele ainda tinha coragem de rir de mim?
Ele pegou meu braço, me girou de modo que eu ficasse de frente para ele, e tocou minhas bochechas. Sério, ele sabia como me provocar.
– Tava mesmo com ciúmes da Jho? Digo, meu e da Jho? – ele perguntou, pertinho de mim. Deus, como ele era cheiroso.
– Não, Malik. E, se você pudesse largar meu braço, eu ficaria muito agradecida. – mas quando eu fui me desvencilhar dele ele me puxou para mais perto. Fazendo com que ficássemos à 2 milímetros de distância. Eu podia sentir o calor irradiando de seus lábios.
– Sabe que você não precisa ter ciúmes de mim com ninguém no mundo, não sabe? Sabe que só existe uma menina no mundo pra mim, não sabe?
Sabe quando você não consegue piscar, não consegue respirar, não consegue falar, nem nada disso? Pois é, essa era eu agora.
– Zayn... Você tá... Perto demais... – eu ia tentar de soltar dele, mas ele estava tão perto, tão perto, que tive medo de me mexer e, sem querer, encostar-se a ele. Pois eu sabia que, se eu encostasse nele, ia acabar com tudo.
– Fica calma, eu não vou fazer nada que você não queira. Te prometo isso. Mas só quero que saiba, que ninguém me faz sentir do jeito que você me faz sentir. – ele finalmente me soltou. E então eu percebi que não tinha respirado desde o momento que ele se juntou à mim. Meus pulmões gritavam por ar e eu respirei fundo. Quando Zayn me viu daquele jeito, ofegando que nem uma louca, ele soltou aquela gargalhada que eu tanto amo e eu não consegui parar de sorrir.
– Vamos, boneca, vou te levar pra casa.
Ao chegarmos a casa, eu assustei ao não encontrar ninguém. Liam tinha deixado um recado escrito: “To com o Hazza na casa da Rafa.” Hum, era a segunda vez que ele ia à casa dessa tal de Rafa, aí tinha coisa. E minha mãe havia deixado um bilhete ainda mais estranho escrito: “Saí com o Nick, voltamos só mais tarde. Tem comida na geladeira. Beijos, mamãe.”
– Minha mãe com o Nick? Sério? – exclamei quando li.
– Nick? – Zayn estava atrás de mim – Nick Taylor?
Ele riu. Adorava que, quando ele estava comigo, ele ria sem parar.
– Pois é, o mundo dá voltas. Sabia que eles se conheciam antes da sua mãe conhecer seu pai? – Zayn perguntou.
Será? Tinha minha mãe um caso com Nick?
– Jura? Uau! – peguei uma coca-cola na geladeira e servi para nós dois. – E aí, o que você quer fazer?
Zayn andava por toda a minha casa, olhando tudo.
– Sei lá. O que você quer fazer? Já que eu fui convidado a passar a noite aqui também, devo perguntar, aonde você vai dormir?
Olhei para ele. Ele parecia uma criança brincalhona fazendo uma peripécia.
– Como assim aonde eu vou dormir? Eu vou dormir na minha cama. Aliás, nem sabia que você ia dormir aqui hoje. Mas beleza, você pode dormir no banheiro. A banheira é bem confortável, fica tranquilo. – disse, lhe entregando o copo de coca. Ele me deu um beijo estalado na bochecha e meu coração foi à mil quando ele sussurrou no meu ouvido:
– Só durmo na banheira se você dormir também, gatinha.
– Tá bom, engraçadão, vamos assistir um filme.
Pegamos qualquer filme que vimos pela frente. Acabou sendo “Sorte no Amor”, aquele filme da Lindsay Lohan com os gatinhos do McFly.
McFly era a minha banda favorita, eu tinha cartazes deles espalhados por todo canto no meu lado do quarto e já tinha ido em vários shows deles. Sem contar que o Dougie é uma perdição, né?
– Nossa, como o Dougie consegue ser tão perfeito? – comentei, quando eles apareceram.
Zayn olhou para a TV e emburrou.
– Esse magricela aí? Que menino feio, Bella, achei que você tivesse bom gosto.
Eu gargalhei com o ciúmes dele.
Conforme o filme foi passando, percebi que Zayn chegava cada vez mais perto de mim. O que acarretou no que eu já imaginava, né? No final do filme eu estava deitada no ombro dele, e ele com a cabeça encostada na minha.
– Bella? Tá dormindo? – ele perguntou.
Eu sorri.
– Não, por que?
– Sei lá, você estava tão quieta. – no filme, os meninos do McFly se apresentavam no Hard Rock.
– Eu amo essa música. – disse, quando eles começaram com os primeiros acordes de I’ve Got You.
Cantei junto com Tom quando a música começou. Me lembrei de todas as vezes que eu pulava no quarto cantando à plenos pulmões. Zayn me observava.
– Você canta bem. – ele concluiu quando eu parei de cantar. Eu dei risada. Muita gente já tinha me dito isso, mas não desse jeitinho tímido dele.
– Obrigada.
Zayn estava perto demais de novo. E ele percebeu isso. Abriu aquele sorrisinho de safado que eu tanto amava e me deixou sem fôlego de novo.
Para a minha surpresa, ele começou a cantar Let Me Love You, do Mario, maravilhosamente. A voz dele era simplesmente a voz dos anjos. Não sei se eu fiquei mais surpresa pela voz linda que ele tinha ou por ele ser tão gracinha enquanto cantava. Só sei que foi ali que eu soube que estava apaixonada por ele. Quando ele terminou de cantar, eu fiquei em choque.
– Você. Canta. Demais. De. Bem. – exclamei e ele riu daquele jeitinho fofo.
– Você precisava ver a sua cara quando eu comecei a cantar. – ele gargalhava e eu o encarava. Sabia que era agora. Sabia que esse era o momento que eu me lembraria por toda a minha vida. Sabia que, não importa o que tinha acontecido comigo e com Louis, Zayn estava ali. E sempre fora Zayn. A dor que eu senti com Louis, não era nada comparado à dor que eu sentiria se eu o perdesse. Zayn, Zayn, Zayn. Sempre fora ele. E agora ele estava ali. Pertinho de mim. Com seu coração aberto, pedindo por uma chance. Eu sei que deveria esperar... Eu sei que devia ser errado fazer o que eu queria fazer... Mas ele estava tão perto... Tão próximo.