Droga de Realeza


Escrita porIsabella Redivo
Revisada por Andressa


Capítulo 15

  Depois de muito esforço, acabei encontrando Zayn. Ele estava na escola, disse Jho. Afinal de contas, Jho e Zayn eram melhores amigos. Eles faziam TUDO juntos. O que me irritava um pouco. Eles almoçavam juntos, moravam juntos, saíam juntos e ele pediu para que o diretor o pusesse junto com ela em todas as aulas. Eu sempre achava que Jho e Zayn tinham algo a mais do que somente amizade, mas quando a questionava por causa disso, ela só me dizia: “O que eu e Zayn temos é só amizade, nada menos do que isso.” Era sempre a mesma resposta. Outra coisa que eu sempre indagava era o porquê da vinda de Jho. Tudo isso era um mistério para mim. Quando perguntei a ela, ela só me disse: “Meu amigo precisava de mim”, mas e a mãe e o pai dela? Será que não protestaram nem um pouco? Vai saber, né.
  Corri por todos os lugares que eu achava remotamente possível de Zayn estar. Mas não o encontrei. Corri pelas salas de aula, pela sala do diretor, pelos ginásios, pelas quadras, pela piscina, pelo refeitório e pelo jardim. Nenhum sinal de Zayn. Mas Jho tinha dito que ela tinha certeza de que ele estava aqui. Não era possível... Só havia um lugar que ele poderia estar... A sala de teatro.
  Subi as escadas correndo, me sentindo muito cansada. Ele tinha que estar lá. Quando fui me aproximando, comecei a ouvir vozes. Uma luz de esperança se acendeu em minha alma. Eu tinha conseguido. Zayn estava lá. Mas quando fui me aproximando do lugar de onde saíam as vozes, fui surpreendida pela cena que presenciei.
  Não havia encontrado Zayn. Ele não estava lá. Mas Louis estava. E Jho também. Ela protestava. Andava para trás enquanto ele se aproximava. Ele estava com a mão esticada, como se quisesse tocá-la. Ela recuava. Eu não estava entendendo nada.
  – Louis, pára! Não está vendo o que está fazendo? – Jho protestava.
  – Mas Jho, eu gosto de você! E eu sei que você gosta de mim também! Eu sempre soube que gostava de você! Desde o momento em que te vi pela primeira vez! – Louis dizia.
  Não... Não... Isso não estava acontecendo. Não podia estar... Louis? Jho? Louis gostava dela? A dor começava a tomar conta de mim. Louis havia me traído? Havia mentido? E Jho? Como ela foi capaz de me trair assim?
  – Louis, não! Olha pra sua mão! Olhe a aliança na sua mão! Não te lembra de ninguém? Você não pode gostar de mim! Não pode! Bella é minha amiga! Não pode fazer isso com ela, vá embora! – Jho continuava a recuar. Louis tirou a aliança da mão e jogou longe. De certo modo, foi como se ele tivesse arrancado meu coração fora e o jogado pelos ares. Eu nunca havia me sentido tão mal em toda a minha vida. A dor me dilacerava. Eu não podia mais ver aquilo. Sabia como ia terminar. E eu não queria ver. Mas eu não conseguia me mexer, por que não conseguia me mexer? Queria ir embora... Me leve embora. Me deixe ir embora...
  – Pronto! Está feliz agora? Joguei aquela porcaria fora! Eu não a amo, Jho! Eu amo você! Bella... Ela... Não significa mais nada para mim! Ela pôde ter sido muito especial no passado, mas agora... Não significa nada! – Louis gritou. Suas palavras me cortaram como facas pontiagudas. “Não significa mais nada”... “Ela não significa mais nada”... Aquilo realmente estava me matando. Mas eu ainda não conseguia sair do lugar.
  – Seu canalha! Você a magoou! Você a iludiu! Você a usou! Você é nojento, Louis! Canalha! – Jho começou a bater nele. Minha afeição por ela aumentou. Mesmo diante de Louis, mesmo sentindo algo por ele (que eu sabia que ela sentia), ela me defendeu. Porém, ela não tinha mais para onde fugir. Não tinha mais para onde recuar. Ela estava encostada na parede e Louis não havia parado de andar em direção à ela. Eles iam se beijar... E eu ia ficar ali... Olhando. Sentindo a traição subir pelas minhas veias, em direção ao meu coração. A dor ainda estava lá. Pulsante, viva. E eu não aguentava mais.
  – Posso ser tudo isso, mas você ainda gosta de mim. – Louis juntou seu corpo com o dela e a abraçou pela cintura. – Você gosta, não gosta? Eu sei que sim, Jho. Não tente negar.
  Ele sussurrava em seu ouvido e Jho deixou escapar um pequeno gemido de prazer. Ela gostava dele. E ele gostava dela. E eu havia sido traída. Por uma pessoa que eu um dia chamei de amor. Nada doía mais do que isso. Lembrar-me de todos os momentos que passamos juntos, desde que Jho chegou e saber que tudo aquilo havia sido mentira.
  – Eu... Eu gosto. – Jho estava sem reações. Eu não podia culpá-la. Ela havia resistido por todo esse tempo, havia me defendido, mas não pôde vencer o coração. E ela se entregou. Eles se beijaram de modo carinhoso e depois de modo voraz. Ela passou as pernas pela cintura dele e ele a pegou no colo. Depois, ele a colocou em cima de uma mesa e se deitou por cima dela. Eu não conseguia mais assistir àquilo. Pois sabia como iria terminar. Consegui me mexer pela primeira vez e, virando-me, fui embora. Mas, na hora que estava saindo, tropecei em um armário, derrubando tudo o que estava em cima do armário no chão, fazendo um estrondo enorme. Louis e Jho olharam e me viram. Jho, na mesma hora em que me viu, começou a chorar e chamou o meu nome. Louis só olhava para mim, sem poder piscar, apavorado. Eu mal conseguia olhar para a cara dele. Tirei minha aliança e a joguei em seus pés, do mesmo jeito que ele havia feito. Jho continuava a soluçar, me chamando. Eu só me virei e fui embora.
  Não conseguia ficar ali mais um minuto. A dor era demais. Era como se estivessem abrindo um buraco em meu peito, me esfaqueando sem parar. Eu nem me lembrava do porquê estava ali. Saí cambaleando pela escola e às lagrimas eu sucumbi. Caí de joelhos no chão e gritei. Eu nunca havia feito isso em toda a minha vida. Se eu tinha medo ou se quer vergonha de alguém me ver naquela situação? Nem um pouco. Estava doendo demais para que eu pensasse em reputação. Enquanto eu chorava, mal percebi alguém se aproximando de mim. Só percebi quando ouvi seus passos bem perto de onde eu estava. Levantei-me e saí correndo. Mas algo deu errado dentro de mim e minha cabeça girou. Girou de tal modo que eu caí no chão. A última coisa que eu vi foi uma sombra dizendo: “CA#*%$*&”
  – BELLA? BELLA, PELO AMOR DE DEUS! RESPONDE! – uma voz sensual disse, desesperado. Parecia um anjo. Um anjo que me chamava. Eu queria dizer para o anjo que não se desesperasse, que eu estava bem. Mas, por que um anjo estaria me chamando?
  – BELLA! BELLA! –o anjo não parava de gritar. Isso me irritava. Afinal, eu estava bem! Não tinha o porquê de ele gritar desse jeito. Odiava quando as pessoas gritavam comigo. Me lembrei, vagamente, de uma professora que tive na segunda série. O nome dela era Diana, nunca me esquecerei. Ela só sabia gritar comigo. Gritava sem parar. Gritava para qualquer coisa. E eu odiava que ela gritava, por isso, peguei ódio de todos aqueles que gritavam comigo.
  – BELLA? O QUE ACONTECEU? RESPONDE? – se você parasse de gritar, anjo, eu até responderia. Mas, me sentia muito paralisada. Muito, imóvel. Tentei me lembrar do porquê o anjo me chamava. No entanto, eu estava com sono. Muito sono. Queria dormir. Queria relaxar. Mas não dava para relaxar com um anjo gritando no seu ouvido, né? Veio à mim de que o anjo poderia ser muito bonito. Então eu quis vê-lo. Mas não conseguia. Não conseguia abrir meus olhos, não conseguia ver nada! Só a escuridão. Era como se tivessem apagado todas as luzes e me deixado sozinha. Desde pequena eu tinha pavor do escuro. Era como uma fobia, assim. Então por que haviam apagado as luzes? Eu tenho medo do escuro! A escuridão parecia me engolir. Eu queria acordar. Eu queria acordar... Anjo, me salve!
  Abri os olhos e vi Zayn diante de mim. Ah, lógico, tinha que ser ele para ter essa voz de deus do sexo.
  – Zayn, a sua voz me dá tesão.
  Ele riu. Não, riu não. Ele gargalhou. Logo, ele me puxou e me deu um abraço de urso que me fez perder o ar. Porém, eu gostei bastante. Me sentia segura com ele. A dor tinha ido embora quando ele me abraçou.
  – NUNCA MAIS FAÇA ISSO! NUNCA MAIS ME ASSUSTE DESSE JEITO! VOCÊ DESMAIOU NOS MEUS BRAÇOS! SUA PULSAÇÃO DIMINUIU E QUASE PAROU! VOCÊ NÃO RESPIRAVA! ACHEI QUE IA MORRER! ACHEI QUE IA TE PERDER! VOCÊ TEM IDÉIA DO QUE ME FEZ PASSAR? E DO QUE, DIABOS, VOCÊ ESTÁ RINDO? – ele gritava e tinha lágrimas nos olhos.
  – Zayn.
  Ele me olhou, desesperado. Seus olhos brilhavam mais ainda por causa das lágrimas.
  – O quê? – respondeu.
  – Está chorando por minha causa? – perguntei, ainda em seus braços.
  – É LÓGICO QUE EU ESTOU, ANIMAL! – eu sorri e corei. Que fofo que ele era quando estava nervoso. Mordia os lábios sem parar, seus olhos brilhavam, ele me chacoalhava e eu ria.
  – Zayn, estamos no meio do pátio. Pare de gritar, eu estou bem. – coloquei meu dedo indicador em seus lábios, para que ele parasse de gritar. Mas caí na gargalhada quando ele gritou mesmo assim.
  – BEM??? VOCÊ QUASE MORRE EM MEUS BRAÇOS E ME DIZ QUE ESTÁ BEM? NÃO VOCÊ NÃO ESTÁ BEM COISA NENHUMA! E EU NÃO VOU PARAR DE GRITAR PORQUE... – eu o interrompi, dando-lhe um beijo na bochecha.
  – É a segunda vez que salva a minha vida. Devo lhe agradecer, de algum modo. Me diga, Zayn Malik. – disse, me levantando. – O que você quer que eu faça?
  Ele estava sentado no chão. Mas, na hora que eu levantei, ele se pôs de pé, rapidinho e colocou meu rosto entre as mãos.
  – Acho que você já sabe o que eu quero.
  Ele se aproximou rápido, tentando me beijar. Porém, quando vi, já tinha lhe dado um belo tapa na cara.
  – O que você pensa que está fazendo, Malik? – disse, revoltada. Então, ele achava que era assim? Era só chegar, e beijar? Ah, meu querido, ele estava muito enganado. E ele sabia disso, pois na hora em que minha mão acertou seu rostinho perfeito, ele abriu um sorriso e me deu um pequeno selinho. Um selinho que fez meu corpo inteiro vibrar, meu coração arder em excitação e minhas mãos tremerem. Eu fiquei sem reações quando ele beijou meus lábios. Parecia que meu corpo inteiro queria que eu o agarrasse e não o deixasse ir nunca mais. O pequeno e breve toque de seus lábios nos meus me deixou tonta e eu cambaleei quando ele me soltou. Tudo girava, mas dessa vez, não era um problema de saúde. Era Zayn Malik. Todo o lugar por onde suas mãos haviam passado queimava. Eu ainda não conseguia respirar. Ai Deus, isso é demais pro meu pequeno coraçãozinho.
  – Okay, Zayn, desse jeito você me manda pro hospital mesmo. – disse, ainda tonta com o seu beijo.
  Ele riu, me abraçou e sussurrou em meu ouvido:
  – Dívida paga.
  Ai papai, me abana.

Capítulo 15
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