Droga de Realeza


Escrita porIsabella Redivo
Revisada por Andressa


Capítulo 1

  Califórnia, 2011.
  Minha vida nunca foi perfeita. Mas também nunca foi miserável. Eu nunca fui daquelas que reclama da vida. Sempre achei isso escroto, mas entendo quem faz. E olha que eu tenho motivos pra odiar a minha vida. Como o quê? Bem, como o fato de que eu nunca conheci o meu pai. Ele deve ter sido demais... Pelo menos pelo o que minha mãe me conta. Mas eu nunca cheguei a vê-lo. Quero dizer, que eu me lembre. Afinal, a última vez que eu o vi eu era um bebê de colo e não tinha memória ativa ainda. Minha mãe não tem nem um retrato dele. Ou melhor, pode até ter, mas nunca me mostrou. Acho que ela tem medo de me magoar. Então, com a morte precoce e totalmente inesperada de meu pai, minha mãe teve que me criar sozinha. À mim e ao meu irmão Liam, pelo menos. Entenda, minha mãe tinha 17 anos e dois bebês para cuidar. E ela não era nenhuma estrela de Hollywood. Então eu e Liam nunca tivemos o melhor. Nossas roupas eram de segunda mão e vivíamos numa casa de aluguel atrás de uma quitandinha aonde eu e Liam trabalhávamos todos os dias. Mas para mim, isso era suficiente. Eu amava as pequenas coisas da minha vida. Como o fato de que eu morava em Los Angeles, na Califórnia, e podia ver o mar todos os dias que eu quisesse. Não que eu nadasse, ou alguma coisa assim. Eu tinha fobia do mar. Não sabia nadar e tinha pavor de água, principalmente de mar. Mas eu era fascinada por ele. O mar tinha alguma coisa que me acalmava, não importa a situação. E eu também amava meus únicos dois melhores amigos: Bailey e Niall. Tá, eu não podia reclamar da minha vida. Exceto pelo fato de que ela estava prestes a mudar. Tipo, pra sempre assim.
  - Bella Maria, acordeee! – a senhora Debbie Payne gritou lá de baixo. Ela sabia como me irritava ser chamada de “Bella Maria”.
  - Já estou indo, mãe. – disse, me virando e voltando a dormir. Estava tendo sucesso na minha atividade de “voltar a dormir” quando um travesseiro (ou eu achei que fosse) acertou minha cabeça.
  – Vamos, margarida, tá na hora.
  Era Liam. Eu sabia porque só ele me chamava de “margarida”. Tipo, só ele no mundo inteiro assim.
  – Cala a boca, Liam.
  Ele riu e subiu no beliche, deitando-se sobre as minhas pernas. Sim, me incomodava e muito que meu irmão e eu dividíssemos o mesmo quarto (e o mesmo banheiro! Urgh!). Esse pensamento me fez dispertar, empurrar ele das minhas pernas, pular do beliche e gritar: “o banheiro é meu!”.
  Dei risada quando ouvi ele protestando: “AH NÃO! VOCÊ VAI FICAR TRÊS HORAS AÍ DENTRO E EU PRECISO FAZER XIXI!”. Eu amava Liam. De um jeito incondicional.
  Tudo estava acontecendo do jeito que acontecia todos os dias desde que eu completei 12 anos de idade e comecei e ficar três horas no banheiro para me produzir para que um tal de Louis Tomlinson me notasse. Bem, hoje em dia, eu ficava três horas no banheiro para fazer com que Louis Tomlinson me notasse. É, as coisas não haviam mudado tanto. Mal sabia eu que tudo estava prestes a mudar.

Capítulo 1
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