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Dicas de Gramática – Uso do Pronome “Mim”

|| terça-feira 27 de fevereiro de 2018 às 10:47 - Comentários
|| Arquivado em: Colunas


Não é nenhum segredo que a Língua Portuguesa se utiliza de muitos pronomes. São tantos, e alguns tão parecidos, que às vezes acabamos ficando confusos sobre quando usar um ou o outro! Um dos que mais frequentemente erramos durante nossa escrita é o “mim”, e é dele que vou tratar nessa coluna, juntamente com os casos de erro mais frequentes.

Oficialmente, o nome por extenso dele é pronome pessoal oblíquo não reflexivo tônico de primeira pessoa do singular. Prazer. Ou não. É importante falar isso porque vou explicar primeiramente a função do “mim”, destrinchando cada partezinha desse nome imenso, de forma que na hora de explicar seu uso apropriado e os erros mais comuns, já fique mais claro.

1) Ele é chamado de pronome pessoal por se referir a uma das três pessoas gramaticais, no caso, a primeira (do singular);
2) Sua função é oblíqua, o que significa que funciona principalmente como objeto (direto ou indireto), ou seja, complemento do verbo! Sempre que a ação expressada na frase recair sobre a primeira pessoa (no caso, eu), usamos “mim”. Mas espere aí e veja o próximo tópico;
3) Ele é um pronome oblíquo tônico, então deve ser acompanhado de preposição, e dependendo da preposição, sua função pode variar. Além de complemento do verbo, como foi dito anteriormente, pode completar um nome ou indicar o agente da voz passiva;
4) Por fim, ele é “não reflexivo” pois a ação que recai sobre o “eu” não é realizada por ele mesmo; no caso, se utilizaria o pronome reflexivo “me”.

É importante ressaltar que as preposições sempre precedem o “mim”, como nos exemplos a seguir:
• Fez isto para mim.
• Gosta de mim?
• Cabe a mim decidir.
• Isso não será esquecido por mim. (aqui, vemos o uso do agente da passiva)
• Nem a mim disseram!
• Ainda bem que vai se ver livre de mim!

Um dos casos mais comuns de utilizar o “mim” de forma inadequada é coloca-lo como sujeito da oração, por confundir com a forma “para eu” que também se utiliza da preposição.

Celso Cunha e Lindley Cintra apontam, na Nova Gramática (Lexikon, 7ª edição, 2017), que a forma mencionada surgiu da mescla de duas construções, ambas “perfeitamente corretas”:

Isso não é trabalho para eu fazer.
Isso não é trabalho para mim.

Isso acaba gerando confusão e criando a construção “Isso não é trabalho para mim fazer.” É uma expressão bastante disseminada na fala popular, mas considerando-se a norma da língua, não é adequada. (Observação: essas frases foram apenas exemplos para demonstrar a construção. Não foi originado especificamente dessas duas, nem quer dizer que apenas ocorra com frases iguais a essas. O foco deve ser na parte sublinhada!)
É necessário lembrar que “mim” não rege nenhum verbo; sua função é principalmente a de complementar o mesmo, não podendo ser o sujeito. É daí que sai a brincadeira (um tanto preconceituosa), do índio falando português “errado” e usando “mim” no lugar de “eu”. Essa inadequação pode ser resolvida com um pouco de atenção, já que muitas vezes ao utilizarmos a preposição “para” imediatamente a associamos com “mim”, o que acaba deixando a frase incorreta.

Espero que o uso do “mim” tenha ficado mais claro com essas explicações e, se ainda restar dúvida, sugiro tentar trocar por outros pronomes e ver se soa pior ou melhor, porque normalmente conseguimos dizer quando um deles está fora do lugar.

Até a próxima!

Coluna por Annelise Stengel





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"As vantagens de uma parceria", aquela frase simples ficou ecoando na mente de Lucien durante bons instantes. Parceria? Que tipo de parceria? Se fosse o tipo que ele conhecia, simplesmente não poderia ser, afinal, ele já tinha uma parceira — embora o laço não tivesse se firmado completamente e sua parceira ainda não tivesse aceitado o vínculo.

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