Vincere


Escrita porHatakesaturn
Revisada por Lelen


Capítulo 23

Tempo estimado de leitura: 31 minutos

%Pietra% Alonso Perroni

  Eu ainda tinha uma certa dificuldade com interações sociais no geral e a única pessoa que eu conseguia conversar e me sentir minimamente confortável era %Matteo%, o que eu achava bem estranho, afinal, a última pessoa que eu gostaria de ver era ele, ou deveria ser, a essa altura do campeonato eu nem sabia se ainda o odiava. Contudo, eu sabia que odiava o quanto ele era insistente quando queria, já que depois de muito encher o meu saco, %Matteo% conseguiu me arrastar para a nossa casa de campo. Fiquei os primeiros dois dias sem sair de dentro da casa, %Matteo% conseguiu me tirar dela com a desculpa de que Theo precisava de ar livre. Por mais que eu soubesse que era uma desculpa, ele estava certo.
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  Theo se divertiu correndo atrás dos coelhos pelo caminho até a cachoeira, aquela que tinha um significado enorme para mim e lembranças infinitas das férias de verão com minhas irmãs. Era nostálgico e me fez esquecer por alguns momentos toda aquela merda. Tomamos banho na água gelada, comemos frutas da cesta que a cozinheira tinha preparado e conversamos sobre coisas irrelevantes, tinha se tornado confortável conversar com ele. Quem diria que eu estaria assim com %Matteo%, nem em meus piores pesadelos a gente se daria tão bem e se meu pai visse isso, era capaz de achar que era uma miragem ou alucinação.
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  Ele estendeu duas toalhas na grama fofa e sentou encostado na árvore, e eu me deitei na outra toalha, apoiando minha cabeça em sua coxa. Olhei para cima, admirando o topo das árvores balançando com o vento, os raios de sol que passavam entre as folhas; ouvir o barulho de água corrente era um calmante natural. Respirei fundo fechando os olhos, aproveitando aquele minuto de paz diante do caos que estava minha vida.
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  — Queria que as coisas se resolvessem, mas não tenho certeza se vão — disse com pesar, olhando para ele, que acendia um cigarro.
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  — E tá tudo bem não ter certeza, %Pietra%. — Fechei os olhos novamente e respirei devagar, sentindo os dedos de %Matteo% deslizando pelos meus fios molhados. — Um dia de cada vez.
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  — Odeio não ter o controle da minha vida, da minha própria mente… — Suspirei.
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  — Não seja tão rígida com você mesma. — Ele colocou o cigarro que fumava em meus lábios e o segurei com os dedos, abrindo os olhos, puxei a fumaça para os pulmões, sentindo a nicotina me dar uma rápida sensação de relaxamento. — Você está fazendo terapia, tá tomando os remédios, você vai ficar bem.
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  — Mas eu nunca vou esquecer o que eu fiz.
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  — Precisa ressignificar o que fez, lidar com esse sentimento de negação, está feito e não foi algo ruim. Protegeu a família.
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  Ri sem qualquer humor e olhei para cima, vendo o olhar soturno sobre mim, era nítido o quanto ele me queria, o quanto tínhamos nos aproximado de novo depois de tudo que aconteceu. %Matteo% era o único que me passava segurança naquele momento de fragilidade, ele era a pessoa com quem me sentia bem em conversar e não sabia bem o motivo, mas ele me entendia, tinha a sensação de que ele podia tirar dia após dia um pouco da dor que eu sentia.
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  — É tão difícil lidar. — Traguei o cigarro mais uma vez.
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  — Eu sei, mas você está tentando e isso é o que importa. — Sua mão seguia acariciando minha cabeça.
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  — Você tem me ajudado também, fazia muito tempo que não sabia o que era não ficar tensa.
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  — Tenho algumas ideias pra você relaxar…
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  Senti seus dedos descerem pelo meu pescoço, passarem pela lateral do meu seio, lento, raspando em minha pele de maneira libidinosa, fechei os olhos e puxei o ar de maneira pesada, aproveitando o toque em minhas costelas, onde ele virou a mão, tomando posse da minha barriga com sua palma. Senti o cigarro escorregar dos meus dedos caindo na terra e olhei para baixo, vendo as tatuagens, os anéis que ele sempre usava nos dedos, e senti algo que não deveria bem no meio das minhas pernas.
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  Segurei a mão dele.
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  Fechei os olhos e soltei o ar.
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  — Não podemos. — Levantei do colo dele e virei meu tronco para encará-lo. — Você sabe que não.
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  — Estamos só nós dois aqui, %Pietra%. — Ele olhou para os lados, mostrando todo aquele lugar. Ele se aproximou de mim, segurando a minha nuca, agarrando alguns fios de cabelo, e um arrepio percorreu minha espinha fazendo eu engolir em seco. — Vamos esquecer quem somos por um momento — sussurrou em meu ouvido.
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  Estávamos ali naquela cachoeira onde eu aproveitei tanto quando era criança e que agora eu e ele, estávamos ali, tomando banho e curtindo o dia a sós, algo que nunca imaginei fazer. Os quilômetros de terra que nos pertenciam não apareceria ninguém naquele momento, e olhando àqueles olhos negros eu tomei a decisão idiota de beijá-lo.
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  De me afundar ainda mais naquele desconhecido que a cada momento parecia tão certo.
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  De me arriscar na profundeza que seria aquele problema caso alguém descobrisse.
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  De me buscar novamente, àquela parte de mim que o apreciava de uma forma que não deveria.
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  — Não podemos nos entregar a isso, é perigoso, %Matteo% — falei com meus lábios entre os dele, de olhos fechados, sentindo aquele turbilhão de sensações que corria sem parar pelo meu corpo inteiro.
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  Os lábios ainda encostados, as mãos acariciando meu rosto e a respiração calma, como se eu buscasse um autocontrole que eu já tinha ignorado completamente.
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  — Perigoso sou eu viver sem você, cariño.
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  Ele me puxou pela cintura, me colocando em seu colo, fazendo com que eu sentisse sua ereção bem na minha entrada, que mesmo pelo calção dele e meu biquíni eu sentia o volume. Aquilo era errado de tantas formas, mas ao mesmo tempo meu corpo reagia aos toques dele como se fosse a coisa certa. Gemi jogando a cabeça para trás enquanto ele apertava minha bunda e lambia meu pescoço. Arranhei suas costas, em um pedido mudo para que aplacasse meu tesão, então senti o laço da parte de cima do biquíni ser desfeito e liberar meus seios, ele chupou meu mamilo direito, e sua mão apertava o esquerdo na medida certa pra me enlouquecer.
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  Gemi mais alto quando senti seus dentes em meu seio, ele me pegou pela cintura e me deitou na toalha como se eu não pesasse nada. Beijou meu pescoço, meu colo e desceu para minha barriga, então eu segurei ele, que me olhou confuso. %Matteo% voltou devagar ao meu pescoço, beijando e mordendo de uma maneira que me deixava inebriada. A minha respiração era cada vez mais rápida, minha boca entreabriu, eu gemia sem controle algum, mas então eu abri os olhos de repente e minha razão me atingiu. Espalmei minha mão em seu peito, minha respiração descompassada e sentindo minha língua inquieta, querendo tanto continuar a beijá-lo. Então ele olhou nos meus olhos, engoli em seco tendo as íris escuras lendo a minha alma através das minhas íris e virei minha cabeça, mordendo o lábio, sentindo que eu estava completamente entregue a ele ao mesmo tempo que a sobriedade tinha retornado e colocado juízo em mim antes que fosse tarde.
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  Acreditava que ele tinha entendido, pois ele apoiou a testa em meu peito, respirou algumas vezes, como se estivesse tentando se acalmar. Mordi meu lábio com ainda mais força e meu coração estava aos poucos desacelerando. %Matteo% soltou o ar com força e saiu de cima de mim, levantando, deu alguns passos e mergulhou na água gelada. Coloquei o braço sobre meus olhos e fiquei ali deitada, tentando absorver o que quase fizemos. Senti vontade de chorar, senti até uma lágrima deixando meu olho, mas eu não queria tentar entender o porquê, pelo menos não ali, não naquele momento.
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[...]

5 meses depois

  Eu estava sentada na cama de Beatrice, tentando ouvir o que ela falava, mas era difícil me concentrar com aquela merda daquela cena voltando à minha mente diante do lugar em que ela aconteceu. Depois de tanto tempo sem um gatilho, aquilo foi o suficiente para me desestabilizar momentaneamente.
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  — Fecha a porta, por favor. — Virei o rosto para a varanda.
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  — O quê?
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  — A porta do closet, Beatrice!
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  Ela levantou e fechou as portas duplas, virou para mim e suspirou antes de falar:
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  — Desculpe, eu deveria ter ido até o seu quarto. Quer ir pra lá?
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  — Não, tudo bem, preciso superar isso, já fazem quase 6 meses. — Ela sentou ao meu lado e segurou minha mão.
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  — Não se force a superar algo no tempo dos outros, %Tita%, vá no seu. — O olhar carinhoso da minha irmã me deixava menos nervosa e eu agradecia pelo cuidado que todas elas tinham comigo.
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  — Apesar de estar me sentindo melhor, Bea, isso ainda me atormenta em alguns momentos… — Respirei fundo.
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  — E tá tudo bem, não se cobre tanto — minha irmã acariciou meu braço —, a terapia tem te ajudado a passar por tudo isso. — Ela soltou o ar e sua voz se tornou um pouco mais incisiva. — Você tem que colocar na sua cabeça que você nos protegeu. Ela poderia ter matado uma de nós!
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  — Eu sei, agora eu sei. — Soltei meu corpo na cama e encarei o teto, Beatrice fez o mesmo e entrelaçou seus dedos nos meus.
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  Ficamos em um silêncio confortável, todo o trauma tinha sido um baque para mim, %Matteo% me ajudou muito, ele me passava segurança e fazia com que eu me sentisse compreendida. Eu não sabia exatamente o porquê, mas deveria ser pelo fato de ele ter me salvado quando fui atacada por aqueles homens e também tinha sido ele a me encontrar no pior momento da minha vida, naquele mesmo quarto, ele me protegeu e foi o meu alicerce nos meus momentos de fragilidade.
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  Acho que ele se tornou meu amparo, mesmo que eu odiasse admitir isso.
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  A verdade era que durante o início, que foi o momento mais crítico, o único que conseguia interagir comigo era o %Matteo%, as minhas irmãs não souberam muito como lidar comigo, apesar de elas tentarem, foi muito sofrimento para todas nós. Eu estava assustada, tendo ataques de pânico, surtos psicóticos e alucinações. Com o tempo eu fui melhorando, meu psicólogo disse que eu estava progredindo rápido, talvez seja porque estou acostumada com a morte, afinal, eu era da máfia. Então por mais que isso tudo tenha me gerado um trauma por causa de como eu penso, a afinidade com a violência me fez superar mais rápido de alguma forma.
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  Theo também teve um papel imenso nos últimos tempos, ele cresceu tão rápido, segue sendo um filhote levado de 4 meses, mas ele está enorme. %Matteo% pediu para um adestrador treinar ele, tanto para ser obediente quanto para me proteger também. Isso tem feito eu me sentir mais segura para sair de casa.
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  — Então, você aceita? — Olhei para o lado e vi minha irmã com a expressão mais meiga que ela conseguia exibir.
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  Beatrice tinha aquele jeito durão, a mania de ocultar algumas coisas, a forma de olhar irritada e ser o suficiente para entendermos que ela não está pra conversa. Contudo, ela seguia tendo um coração enorme e continuava sendo a irmã mais protetora de nós. Tão parecida comigo e ao mesmo tempo tão diferente, se não fôssemos irmãs eu ficaria tão abalada.
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  — Claro que eu aceito ser sua madrinha de casamento, Beatrice. — Ela me abraçou forte e eu me senti tão… em casa.
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[...]

  Era difícil voltar para a rotina, meu psicólogo tinha me aconselhado a voltar para o trabalho aos poucos, então eu estava indo para a Fascino no máximo duas vezes na semana e mesmo assim, só ia nos dias de pouco movimento e quando me sentia bem e segura para sair de casa, e claro, com Théo ao meu lado.
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  Ainda não tinha voltado a dirigir, eu estava indo com Beatrice, que insistiu para voltar à Fascino para cuidar de mim, ou, quando ela precisava ir para o laboratório, Ettore e Austin me levavam. Era estranho, mas ao mesmo tempo isso me deixava mais confiante para sair novamente e encarar tudo que poderia servir de gatilho. Ainda não estava 100%, mas estava me dedicando para ficar e, claro, a terapia me ajudava.
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  — Chefe. — Olhei e vi Cristian fazendo continência para mim.
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  — Pode parar, Cris… Em breve seremos família. — Fiz o movimento com o indicador e Theo sentou ao meu lado.
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  — Isso me dá direitos, é? — Ele debruçou no balcão e colocou meu martini de costume em sua frente. Sorri revirando os olhos e sentei na banqueta. — De quais direitos estamos falando? — Ele me olhou de cima a baixo com um sorrisinho safado no rosto.
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  — Não abusa, Cristian — repreendi ele com o olhar, pegando minha taça.
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  Cris olhou para o cachorro e se esticou para passar a mão nele, perguntando:
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  — Como tá, garotão?
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  — Impressionante como ele adora você.
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  — Ele sabe que eu já sou da família. — Cristian sorriu com falsa arrogância.
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  Dei um gole em minha bebida e fechei os olhos saboreando o líquido em minha língua e senti ele descendo pela minha garganta. Eu não podia estar bebendo, aquilo me daria um mal estar ou faria eu ficar extremamente dopada, mas enfrentaria qualquer coisa com o maior prazer, pelo simples motivo que eu não bebia nada alcoólico há quase seis meses.
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  — Fazia tempo que não te via fazendo isso…
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  — Isso o quê? — Franzi o cenho para o ruivo.
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  — Sua forma de degustar a bebida, %Pietra%. — Ele sorriu e se endireitou.
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  — Tempo demais sem meu martini.
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  — Aproveite. — Ele piscou e virou as costas indo até o fundo do bar.
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  Cristian tinha essa característica afetuosa, ele sempre me fazia sentir como uma pessoa especial, acho que ele acabou ficando com essa característica no seu comportamento para sua irmã se sentir melhor, já que ele era a única família que ela tinha. Os Garcia, pais de Anita e Cristian, eram nossa fonte de informações na Espanha, eles ajudaram a trazer a Vincere pro país, meu pai sabia o quanto devia a eles por tudo que fizeram e morreram fazendo.
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  Cristian e Anita eram muito jovens quando ficaram órfãos, outro problema de ser da máfia, e ele cuidou da irmã como ninguém. Otelo os abraçou na famiglia após seus pais morrerem em confronto com os Delantera, o que os ajudou a ter alguém os amparando, mas claro que não era o mesmo que ter o irmão ao seu lado e esse conforto que um deu ao outro os fez construir uma relação linda; eu os admirava. Era bonito ver a relação dos dois e eu estava feliz que iríamos ser oficialmente família.
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  Girei na banqueta e vi Anita sentada no palco e Beatrice em pé entre suas pernas, as duas conversavam, riam e se beijavam. Era tão bom ver minha irmã feliz.
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  — Boa noite, chefe. — Olhei para frente e vi Juan, sorri pra ele, cumprimentando-o.
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  — Vamos ao trabalho, sorella?
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  — Sim! — Ela se afastou de Anita e pareceu meio perdida, parecia uma criança que foi pega fazendo algo errado. Ela pegou a bolsa e veio caminhando em minha direção. — Vamos! — Eu ri com o susto de Bea e apenas segui caminho, chamando Theo para andar ao meu lado.
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  — Precisamos finalizar o novo cardápio, Cristian está louco para saber se os drinks que ele sugeriu vão ser bem recebidos pelo público.
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  — Meu cunhado é um fofo, não é?
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  Subimos para o escritório e começamos a fazer a parte administrativa da boate e essa parte da reorganização estética, de vez em quando eu olhava para Beatrice, que mantinha um sorriso no rosto. Eu sorri, achando graça da felicidade genuína que ela estava transparecendo sem nem mesmo se importar. Faltavam poucos dias até o casamento, então eu achava que ela deveria estar mais preocupada, mas não, ela só estava feliz.
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  Meu celular despertou e meu filhote me olhou em alerta, balancei a mão dizendo para ele deitar novamente. Desliguei o alarme e então abri a gaveta para pegar um dos remédios que eu estava tomando para ansiedade, engoli e respirei fundo. Nunca imaginei que eu estaria naquela situação, era difícil me ver tão fragilizada, logo eu que gostava de não precisar de ninguém para me defender ou lutar as minhas batalhas.
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  Era frustrante.
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  — Ei… — Olhei para minha irmã que sorria de maneira gentil. — Isso vai passar.
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  Meus lábios se curvaram, Bea me conhecia bem demais para não notar o quanto eu estava odiando aquele momento da minha vida, no entanto, isso não queria dizer que eu iria desistir ou parar o tratamento.
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  — Eu sei. Obrigada por estar ao meu lado. — Ela acariciou minha mão que estava apoiada na mesa.
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  — Lembra quando a gente caiu do gira-gira na quinta série?
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  — E você ralou os joelhos? — Ela assentiu. — Acho que foi a primeira vez que vi você chorar.
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  — Você também se machucou feio, bateu a testa no ferro do balanço.
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  — Nossa, fiquei com aquele galo por dias… — Comecei a rir.
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  — E mesmo assim você continuou com a mesma postura e ainda cuidou de mim. — Olhei para ela tentando entender onde ela queria chegar. — Foi ali que comecei a me espelhar em você.
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  — Bea… — Senti um amor imenso me tomar e uma lágrima teimosa deixou meu olho, fazendo com que eu limpasse rapidamente.
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  — Não importa o que aconteça, %Tita%, você sempre dá conta. — Ela sorriu e eu agradeci imensamente por aquele gesto. Eu estava frágil, mas isso não queria dizer que eu deixei de ser forte. Aquilo tudo iria passar e eu ficaria bem.
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  Com ou sem remédios.
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[...]

  Eu voltei a treinar, agora sozinha, e de manhã cedo eu tentava meditar no jardim, no começo Theo não deixava, puxava meu rabo de cavalo, latia para eu jogar a bolinha para ele, mas agora ele entendia que era um momento de relaxamento e deitava com a cabeça na minha coxa para esperar eu terminar. Era fofo. Ele virou meu companheiro para todos os momentos, me protegia de tudo e de todos, mesmo que ainda fosse tão jovem. O treinamento dele era rígido, mas era necessário, eu entendia que %Matteo% pegou um doberman justamente para que também fosse meu segurança.
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  De novo ele querendo me proteger a todo custo.
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  Levantei e entrei na academia, coloquei as luvas e comecei a acertar o saco de areia, naquele dia eu acordei animada, o que já era um marco naquele ponto da minha vida. Nos últimos dias eu sentia que eu estava mais próxima de ser eu mesma novamente e aquela sensação era tão boa. Olhei para fora da academia, vendo a piscina que ficava na parte de trás da casa e sorri. Encarei o Theo e ele deu um rosnadinho como se soubesse o que eu estava aprontando em minha cabeça.
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  — O que você acha… — comecei a tirar as luvas — de pular naquela piscina? — Tirei os tênis e as meias com pressa, e meu cachorro, esperto do jeito que era, já levantou e ficou a postos para meu próximo passo. — Vamos, Theo!
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  Saí correndo em direção à piscina e pulei, meu filhote veio pra cima de mim e eu segurei ele em meu colo.
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  — Eu não queria me molhar… — Olhei para a beirada da piscina e vi %Matteo% de braços abertos. Ele estava apenas de short e óculos escuros, deitado em uma das espreguiçadeiras, eu nem mesmo vi que ele estava ali.
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  — Desculpe…
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  Théo latiu duas vezes e foi para a parte que cobria apenas até a metade de suas patinhas, onde %Matteo% estava, e ele começou a se sacudir. Eu comecei a gargalhar quando vi meu cachorro molhar ele ainda mais e quando menos esperei ouvi o barulho de água. Olhei para os lados e de repente senti ser erguida da água.
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  — Ah! — gritei com o susto. — Me solta, %Matteo%! — Eu continuava rindo e batia no ombro dele.
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  — Não estava achando graça?
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  — Não fiz de propósito… — Fiz bico enquanto me equilibrava em seus ombros.
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  — Mas o seu sarnento fez, com quem será que ele aprendeu a ser tão… — ele pareceu ponderar e eu espremi meus olhos, esperando o xingamento — cheio de personalidade.
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  — Esperava mais da sua criatividade — falei com falsa arrogância.
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  — Não me provoque, cariño.
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  Ele mantinha os braços em volta das minhas pernas e foi me descendo pra água novamente, eu ia escorregando rente ao seu corpo bem devagar, ele olhava fundo dentro dos meus olhos e sua boca ficava cada vez mais próxima da minha. Lembrei da cachoeira, dos toques, do beijo e senti meu corpo esmaecer.
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  Aquilo era uma tortura.
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  Assim que nossos olhos ficaram na mesma altura, senti minha respiração falhar e minha mão apertou seu ombro involuntariamente, como se eu tentasse lutar ao máximo pra não findar aquela distância infeliz de nossas bocas. Senti como se meu corpo se movesse sozinho em direção ao dele, quase que como dois imãs prestes a se chocar, e talvez nós fôssemos mesmo, parecia inevitável lutar contra a força magnética que nos puxava um para o outro. Entretanto, precisávamos ter o controle dos nossos próprios corpos, eu sabia que não podíamos, mas antes que eu fizesse qualquer coisa ouvimos o grito.
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  — %Matteo%!
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  Olhamos ao mesmo tempo para o lado, vendo nosso primo Filippo parado, olhando a gente com tamanho julgamento estampado em sua cara. %Matteo% me soltou no mesmo momento e foi até a borda para sair da piscina, enquanto eu nadei até onde Théo estava e fiquei ali sentada com os joelhos dobrados, acariciando meu cachorro e vendo os dois se distanciando até entrar na mansão.
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  Aquilo tudo era uma merda, essa atração que eu tinha por %Matteo%, que claramente não era só da minha parte, não dava para ser explicada, e sim sentida. Todos esses meses conversamos sobre outras coisas com o elefante no meio da sala. Eu sentia que era algo maior que nós dois, uma coisa sem explicação, não podia ser só atração, mas era nisso que eu tinha escolhido acreditar.
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%Matteo% Perroni

  — Você perdeu o juízo?!
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  Entrei em meu quarto pingando água da piscina e meu primo gritando em meu ouvido, eu sabia, tinha sido displicente pra caralho, mas porra, %Pietra% estava me levando à loucura com aqueles olhos me dizendo mais do que sua boca poderia dizer.
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  Ela ia me beijar!
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  Por mais que depois do que aconteceu na casa de campo nós simplesmente seguimos como se nada tivesse acontecido, o que sentíamos ainda estava ali, nos rondando, como se fosse uma raposa prestes a atacar sua presa.
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  — Não sei do que está falando. — Entrei embaixo do chuveiro e Filippo me seguiu.
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  — Vocês estavam quase se beijando, %Matteo%, e se fosse Otelo a aparecer?!
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  — Nada aconteceu.
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  — Por que eu cheguei! — berrou o óbvio, ele estava certo, mais dois segundos eu tinha beijado ela, nem sei há quanto tempo eu queria beijá-la de novo. Nem sei como estava tendo tanto autocontrole. — Está tentando perder a cabeça?
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  — Talvez fosse melhor.
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  — Não fale bobagens, distancie-se dela, ela está bem agora. — Continuei lavando meu cabelo de olhos fechados até que ouvi a batida no box, fazendo eu arregalar os olhos. — Olhe pra mim! — Meu primo estava puto de verdade, eu nunca vi ele daquela maneira e tinha um motivo, eu sabia que ele estava certo, mas meu corpo não queria ser racional. — Enterre esse sentimento dentro de você como fez na adolescência, é o melhor pra vocês dois.
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  Engoli em seco e o vi saindo do banheiro, respirei fundo e apoiei minha mão na parede tentando controlar toda aquela energia elétrica que parecia correr pelas minhas veias. Era assim que %Pietra% me deixava, completamente alucinado por ela. Contudo, ia tentar fazer o que era certo, precisava proteger não só ela, mas a mim também.
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  Desci a escada após me vestir apropriadamente e encontrei todos já sentados à mesa, o almoço estava sendo esquisito, meu pai olhava pra mim como se soubesse de algo e aquilo alarmou todos os meus sentidos. Olhei para %Pietra%, que mantinha seus olhos no filhote deitado ao seu lado. Os cabelos molhados escondiam seu rosto levemente queimado do sol, as sardas mais evidentes ficavam lindas contrastando com os olhos verdes. Fechei os olhos me repreendendo por estar admirando ela em plena mesa de almoço e continuei comendo, ela ia acabar com minha sanidade, eu precisava parar de olhá-la dessa forma.
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  Virei para o lado e vi que Otelo mal olhava para %Pietra%, eu não entendia o porquê de ele não dar o apoio que ela precisava, ele sempre foi distante, mas nunca deixou de ser carinhoso com as filhas. Fazia quase 6 meses que ele não saía da Espanha, estava sempre por perto, isso era um recorde pessoal, mas ao mesmo tempo parecia que nem estava ali. Tudo que me vinha na cabeça era que ele queria ficar perto de %Pietra%, mas não se atrevia ou não sabia como conversar com ela sobre o ocorrido.
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[...]

  Eu estava sentado naquela mesa do Monteros bebendo whisky por tempo demais. Os soldados jogavam qualquer jogo de baralho na mesa ao lado e eu analisava cada um deles, qualquer um poderia ser suspeito, e meu primo mexia no notebook em frente a mim. Eu não tinha mais paciência pra caçar um filho da puta traíra dentro da minha própria casa. Eu queria achá-lo e acabar com a raça dele da forma mais devagar possível, ninguém entra na minha famiglia dessa forma e sai impune.
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  — Giu me enviou algumas imagens, mas não vi nada de estranho.
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  — Estou cansado, Filippo. Cansado de procurar agulha em um palheiro. — Bebi o último gole do meu copo e levantei, recebendo olhares atentos dos outros. — Podem descansar, eu vou pra casa.
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  Estávamos no subsolo do nosso restaurante há longas horas, eu queria aproveitar o sol lá fora e ter um pouco de paz, coisa que ultimamente não fazia parte da minha rotina. Subi a escada com meu primo em meu encalço e passei pelo restaurante, acenei para os funcionários e saí pela porta da frente sentindo o sol em meu rosto.
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  — Primo, deveríamos tentar olhar os mais antigos também. — Filippo abriu a porta do carro e eu parei para olhar para ele.
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  — Você desconfia de alguém?
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  — Não, mas… nunca se sabe, todo mundo tem um preço. — Suspirei e vi ele dando a volta no carro para entrar pela outra porta.
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  — Não quero pensar nisso agora, vamos pra casa, Túlio — falei para o novo motorista, assim que meu primo entrou, e o soldado deu partida no carro.
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  Entrei em casa pela porta principal e vi através das portas de vidro do fundo o cabelo vermelho reluzente. A Beatrice também tinha o cabelo vermelho, mas sempre estava preso, além de ela ter compulsão por deixá-lo liso e o de %Pietra%, bom, quase sempre solto e com algumas ondas nos fios, quase sempre ela usava ele natural. Além de que, aquelas tatuagens eu reconheceria a quilômetros. Caminhei mais um pouco pelo salão principal, até chegar à varanda, vi ela deitada na espreguiçadeira e Théo deitado ao lado dela. Sorri, feliz por ela estar ali, vivendo e fazendo coisas que ela gostava, vi a mão dela afagar os pêlos marrons do cachorro e ele sacudir o rabinho, mesmo sem sair de sua posição.
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  Corri os olhos pelo jardim e vi Carlo e Angelo, soldados nossos que faziam a segurança da casa, conversando, franzi o cenho e vi eles olharem diretamente para ela com aquele olhar que qualquer homem saberia interpretar. Automaticamente meu sangue ferveu dentro das minhas veias, mantive minhas mãos dentro dos bolsos da calça e caminhei lentamente até o outro lado do jardim, perto da entrada pra cozinha e assim que eles me viram, ficaram sérios e se endireitaram.
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  — Não querem me contar sobre o que estavam conversando? — Sentia minha raiva bombear muito sangue e meu corpo pegar fogo.
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  — Não era nada importante, chefe. — Os dois olharam para o chão.
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  — Sei bem o que vi… Vocês têm sorte que não estou podendo matar homens de confiança no momento — dei dois passos, aproximando-me dos dois e falei baixo entredentes: —, mas caso façam o que estavam fazendo de novo, será um prazer arrancar os olhos e a língua dos dois.
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  — Sim, senhor — responderam em uníssono.
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  Olhei para trás e vi que %Pietra% estava alheia ao que estava acontecendo e que se mantivesse assim, afinal, ela não gostava quando eu era impulsivo.
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Capítulo 23
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Lelen

Primeiramente: O QUE EU FALEI SOBRE JUAN? EM JUAN NÃO CONFIAMOS. E que bichinho escorregadio, como que ele conseguiu fugir/enganar o pessoal?
Pietra e Matteo, vocês não vão conseguir ficar cinco minutos longe um do outro, apenas aceitem o fato E ALGUÉM FALA LOGO PRA ELES QUE A MÃE DA PIETRA TAVA FALANDO A VERDADE, METADE DO DRAMA IA ESTAR RESOLVIDO!!

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