A Jogada Perfeita


Escrita porAddie
Revisada/Editada por Natashia Kitamura


Capítulo Nove • %Harper%

  Essa seria a primeira vez que via um jogo em casa. Eu tinha me mudado há alguns meses de Boston, e agradecia por Clover, minha amiga de longa data estar por aqui, e por ter me apresentado para Maya. Claro que minha transferência para cá foi antes dos meus pais me expulsarem da família e cortarem meu dinheiro, mas não queria pensar nisso agora. Fiquei surpresa em ver a quantidade de pessoas que tinham vindo para a universidade em pleno sábado, pois esse lugar estava fervendo.
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  Estava subindo os degraus de concreto para chegar até as minhas amigas quando uma mão fechou no meu braço. O aperto foi brusco, possessivo. Aquele tipo de toque que faz o estômago dar um nó antes mesmo de você processar quem é.
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  — Achei que nunca ia te encontrar, %Harper%.
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  O som daquela voz foi como um balde de água fria. E por um momento meu corpo paralisa. Eu conhecia muito bem o dono dessa voz.
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  Gregory.
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  Ele me puxou para um canto mais isolado da arquibancada, me afastando dali antes que eu pudesse alcançar minhas amigas. O sorriso dele continuava o mesmo: impecável, carregado daquela arrogância de quem sempre teve o mundo na palma da mão. Ele não deveria estar aqui. Deveria estar em Boston, em alguma festa de elite.
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  — O que você está fazendo aqui, Greg? — Minha voz saiu baixa, o choque dando um nó na minha garganta.
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  — Boston não tem graça sem você. Me transferi na semana passada. — ele disse, com uma naturalidade que me deu náuseas. Como se mover a vida inteira para me perseguir fosse um gesto romântico e não uma invasão. — Você sumiu, não respondeu minhas mensagens. Achei que precisávamos terminar aquela conversa.
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  — Não tem conversa, Greg. Acabou.
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  — Será? — Ele deu um passo para frente, invadindo meu espaço e apertando meu braço com mais força, me prensando contra a grade. — Você parece um pouco perdida aqui, %Harp%. Esse lugar não combina com você.
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  Lá embaixo, um rugido da torcida explodiu. %Vance% tinha acabado de derrubar o quarterback adversário. O som do impacto chegando até onde eu estava.
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  Porra, ele estava me procurando como tinha dito que faria, e quando finalmente me encontrou, eu estou encurralada entre uma grade e meu ex. %Vance% ficou um tempo parado no meio do campo até que um dos garotos o puxou de volta para a realidade. Merda.
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  Eu não sabia o que ele estava pensando, mas o jeito que ele me encarou era diferente. Não era mais aquele olhar de provocação de antes; era algo que me fazia querer me soltar do Greg no mesmo instante.
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  Greg notou o silêncio e seguiu o meu olhar até o gramado.
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  — Então esse é o novo herói local? — Greg debochou, sem soltar meu braço, sentindo que tinha plateia. — Meio bruto para o seu gosto, não acha? Você sempre preferiu algo mais refinado.
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  O apito soou eVance não foi apenas para cima do adversário; ele parecia um míssil. O impacto das ombreiras dele contra o peito do outro cara foi tão seco e alto que eu juro que ouvi o estalo daqui de cima. Foi um tackle limpo, mas desnecessariamente violento. O estádio inteiro soltou um uooooh coletivo, e senti o aperto do Greg no meu braço afrouxar um pouco.
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  — Pelo visto, ele não gosta muito de dividir a atenção. — Greg ironizou, mas vi que ele deu um passo para trás, se afastando da grade conforme %Vance% se levantava rápido, ignorando o cara estirado no chão para olhar direto para o ponto onde estávamos.
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  Eu não conseguia tirar os olhos de %Vance%. Mesmo com o capacete, dava para sentir a raiva que ele estava emanando. Ele se posicionou para o próximo lance sem quebrar o contato visual comigo, como se estivesse me vigiando em tempo real.
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  — Me solta, Greg. Agora. — falei, aproveitando a distração dele. Dessa vez, puxei meu braço com mais força.
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  — %Harp%, para com esse drama. A gente precisa conversar sobre o nosso relacionamento, sobre o que o seu pai disse...
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  — Eu não quero saber o que o meu pai disse e não vou a lugar nenhum com você. — rebati, subindo os degraus de concreto apressada, tentando alcançar a Clover e a Maya, que já estavam de pé, com caras de poucos amigos, observando a cena lá de cima.
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  Eu não olhei para trás, mas sabia que o Greg estava vindo. Ele não era do tipo que aceitava um não como resposta.
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  — %Harp%! Greg? — A Clover perguntou assim que eu cheguei perto delas, a voz carregada de desconfiança enquanto ela olhava para ele, que vinha logo atrás de mim.
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  Greg parou ao lado do nosso grupo, ignorando completamente a Clover e a Maya, e se sentou no espaço vazio bem ao meu lado, como se tivesse sido convidado.
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  — Prazer, sou o Greg. Amigo de longa data da %Harper%. — ele disse, com aquele tom de voz aveludado que ele usava para convencer todo mundo de que era um cavalheiro, se inclinando para Maya.
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  Lá embaixo, %Vance% estava agachado para a próxima jogada, mas a cabeça dele não estava no centro. Ele estava levemente virado para o lado, a linha do capacete apontada exatamente para onde Greg tinha acabado de se acomodar ao meu lado.
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  O clima nas arquibancadas parecia ter caído uns dez graus. Eu conseguia sentir o olhar do %Vance% em mim, e a presença do Greg ali, era como uma bomba prestes a explodir.
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  O estádio da universidade rugia. O vento gelado cortava a arquibancada, mas nada parecia importar para eles naquele momento. Eu estava sentada entre a Clover e a Maya, tentando focar na linha de jardas, mas a mão do Greg no meu ombro era como um peso morto que eu não conseguia sacudir.
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  — Sério, %Harper%? — Greg se inclinou, o hálito quente perto do meu ouvido. — Você trocou Boston por isso?
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  Eu não respondi. Meus olhos estavam travados no número do %Vance% lá embaixo.
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  O jogo estava tenso. O time adversário estava na linha de trinta jardas, prontos para um avanço que poderia empatar a partida. %Vance% estava na linha de frente, agachado, a postura de um predador prestes a dar o bote. Ele não estava apenas jogando; ele estava possuído.
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  O cronômetro zerou no quarto período com uma interceptação épica do %Vance%, selando a vitória. A torcida da USC foi à loucura, eClover e a Maya já estavam pulando, me puxando pelos braços.
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  — Vamos descer! Agora! — Clover gritou, a adrenalina lá no topo.
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  Fui arrastada por elas. Greg veio logo atrás, mantendo a mão na base das minhas costas enquanto descíamos os degraus de concreto em direção ao túnel de saída dos jogadores.
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  Os jogadores passavam rindo, mas o clima mudou quando %Vance% apareceu. Ele já tinha tomado um banho; estava de calça jeans escura e um moletom preto que parecia pequeno para a largura dos ombros dele. O rosto estava limpo da tinta preta, revelando as feições duras e o olhar gélido.
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  Ele parou a um passo da gente. O silêncio que se formou ali no corredor foi cortante.
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  — %Harp%... — Greg soltou uma risada anasalada, medindo %Vance% de cima a baixo com um desprezo que ele claramente não deveria ter naquele momento.
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  %Vance% deu dois passos lentos na direção dele. A postura era relaxada, mas os olhos estavam fixos na mão do Greg que ainda insistia em me tocar.
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  — Tira a mão dela. — %Vance% disse. A voz saiu baixa, rouca, mas carregada de uma autoridade que fez meu sangue gelar.
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  — E se eu não tirar? — Greg rebateu, estufando o peito, achando que o sobrenome dele servia de alguma coisa aqui. — Você não sabe quem eu sou, seu imbecil. A gente tem uma história que você nem…
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  %Vance% não esperou o resto da frase.
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  Não teve aviso. O punho direito dele se fechou e atingiu o maxilar de Greg com um estalo seco que ecoou no corredor.
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  O impacto jogou Greg para trás com tanta força que ele bateu na parede antes de desabar no chão. Ele ficou lá, zonzo, a mão no rosto, tentando entender o que tinha acontecido.
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  Clover soltou um grito abafado e Maya deu um passo para trás. %Vance% nem olhou para Gregory no chão. Ele sacudiu a mão levemente, os nós dos dedos já vermelhos, e focou o olhar em mim.
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  %Vance% simplesmente deu um passo à frente, ignorando o cara caído como se ele fosse um obstáculo irrelevante no chão. Antes que eu pudesse abrir a boca para perguntar o que ele estava fazendo, senti a mão dele fechar firme no meu pulso.
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  — A gente terminou aqui. — ele disse, a voz num tom que não deixava margem para discussão.
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  — Ei! Onde você vai com ela? — Clover tentou intervir, mas Maya segurou o braço dela, sacando que o clima ali tinha passado do ponto de conversa amigável há muito tempo.
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  %Vance% nem olhou para trás. Ele me puxou pelo corredor, os passos dele eram longos e decididos, me forçando a quase correr para acompanhá-lo. O calor que emanava do corpo dele, mesmo depois do banho, era sufocante. Dava para sentir a adrenalina do jogo ainda vibrando sob a pele dele, misturada com aquela possessividade que tinha acabado de explodir na frente dos seus colegas.
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  — %Vance%, espera! O Greg... — tentei falar, mas ele só apertou mais o passo.
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  — Aquele cara não vai a lugar nenhum, %Hayes%. Ele vai ficar exatamente onde eu o deixei, no chão. — ele rosnou, sem desviar os olhos do caminho.
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  Saímos por uma porta lateral do estádio, longe do barulho da torcida que ainda comemorava nas arquibancadas. O ar da noitebateu no meu rosto, mas não serviu de nada para esfriar o que estava acontecendo. %Vance% parou de repente perto de um dos pilares de sustentação, num canto escuro onde as luzes do estacionamento mal chegavam.
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  Ele me soltou, mas só para me prensar contra a parede fria, bloqueando qualquer rota de fuga com os braços dos dois lados da minha cabeça. O cheiro de sabonete dele me atingiu em cheio.
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  — Quem diabos é aquele cara? — Ele perguntou, o rosto a centímetros do meu, a respiração ainda pesada. — E por que ele achou que podia encostar em você na minha frente?
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  Eu olhei nos olhos dele e vi que a fúria do soco ainda estava lá, mas agora tinha outra coisa misturada. Ele não estava apenas bravo pelo deboche; ele estava transtornado pelo fato de que outro cara tinha invadido o território que ele achava que já tinha marcado dois dias atrás.
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  — Ele é de Boston, %Vance%. Meu ex. — respondi, tentando manter a voz estável enquanto o meu coração batia na garganta.
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  — Ex? — Ele soltou um riso seco, a mandíbula travada. — Ele cruzou o país para te seguir e você deixou ele sentar do seu lado? Você deixou ele tocar em você?
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  %Vance% se inclinou mais, o corpo dele esmagando o meu contra o concreto. Eu sentia cada músculo dele rígido, como uma mola prestes a saltar de novo.
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  — Eu não deixei nada, ele simplesmente apareceu! — rebati, a irritação começando a vencer o choque. — E você não tem o direito de...
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  — Eu tenho todo o direito. — ele cortou, a voz caindo para um sussurro perigoso enquanto ele colava a testa na minha. — Eu vi o jeito que você ficou quando ele te puxou. Você estava com medo. E ninguém te faz sentir medo aqui, %Hayes%. Entendeu?
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  Ele estava com raiva. Assim como eu. Por um segundo deixei que Greg ditasse as regras da minha vida. Era eu quem deveria ter batido nele, não %Evan%.
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  — Não me olha assim! — bufei, sentindo meu rosto ferver de raiva e de algo que eu não queria admitir.
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  Perdi a paciência que já era pouca. Em vez de recuar, empurrei o peito dele com as duas mãos, tentando abrir espaço para eu sair. O impacto não fez ele se mexer muito, mas foi o suficiente para ele soltar um riso nasalado.
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  — Já terminou? — Ele perguntou, a voz rouca e baixa, sem recuar. Ele indicou a saída com a cabeça, a expressão suavizando um pouco. — Vamos comer, %Hayes%. Antes que você decida me bater.
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  Cruzei os braços, bufando, mas acabei seguindo ele até o SUV. O silêncio no carro só quebrou quando paramos na lanchonete e ele fez os pedidos sem nem me consultar. Quando os hambúrgueres chegaram na mesa, eu não aguentei.
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  — Você não deveria estar com o resto do time? — perguntei, observando ele atacar as batatas como se não tivesse acabado de nocautear um cara. — Eles ganharam. Você ganhou. Não tem uma festa ou algum lugar onde você deveria estar comemorando a vitória?
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  %Evan% parou com a batata no meio do caminho. Ele me encarou por cima da mesa, os olhos cinzas fixos nos meus, sem a menor dúvida.
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  — Eu estou comemorando. — ele disse.
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  — Aqui? Comendo hambúrguer numa lanchonete vazia?
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  — Com você. — ele completou, e o jeito que ele falou fez meu coração dar um soco no peito. — Essa é a minha comemoração, %Hayes%. O resto do time que fique com a festa. Eu prefiro estar exatamente aqui.
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  Ele empurrou o milkshake de chocolate na minha direção.
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  — Coma.
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  Eu dei uma risada curta, incrédula, mas puxei o milkshake para perto. %Evan% não tirava os olhos de mim, mas o olhar agressivo de antes tinha sumido. Agora, ele parecia estar apenas... me observando. De um jeito que me fazia sentir que eu era a única pessoa para ele naquele momento.
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  — Por que você faz isso? — perguntei, limpando um rastro de chocolate do lábio com o dedo.
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  — Isso o quê? — Ele deu uma mordida enorme no hambúrguer, as sobrancelhas erguidas.
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  — Bater no Greg, %Evan%.
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  Ele parou de mastigar por um segundo. O nome dele saindo da minha boca pareceu causar uma pane nele, mas ele disfarçou rapidamente, voltando a encostar no banco de couro vermelho.
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  — Eu não bati nele porque ele é seu ex, %Hayes%. — ele disse, a voz num tom muito mais suave do que eu esperava. Ele esticou a mão sobre a mesa, mas não me tocou. Ele só deixou ela ali, perto da minha. — Eu bati nele porque ele estava fazendo você parecer pequena. E você não é pequena.
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  Abaixei o olhar para a mão dele. Os nós dos dedos estavam ficando roxos. Sem pensar muito, eu estiquei a minha mão e cobri a dele. Sua pele estava quente.
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  — Está doendo? — sussurrei, passando o polegar com cuidado sobre a parte inchada.
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  Ele deu um sorriso de canto, um daqueles raros que não eram de deboche. Era quase... doce.
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  — Nem um pouco. Na verdade, foi a melhor parte do meu jogo. — ele brincou, mas logo a expressão dele ficou séria de novo. Então virou a mão para cima, entrelaçando os dedos nos meus e apertando de leve. — Você está bem? De verdade?
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  — Vou ficar. — respondi, sentindo um calor estranho subir pelo meu braço. — Ele só... ele tem um jeito de me fazer sentir que eu nunca vou conseguir fugir de Boston.
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  %Evan% apertou mais a minha mão, me puxando levemente para mais perto dele por cima da mesa.
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  — Enquanto você estiver comigo, ninguém vai te puxar de volta para lugar nenhum.
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  Ele pegou uma batata frita e estendeu na minha direção, esperando que eu abrisse a boca. O gesto era tão bobo, tão comum, que eu acabei rindo e aceitando. %Evan% soltou um suspiro pesado. Mas parecia que algo mantinha sua mente ocupada. E me senti curiosa sobre isso.
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  — Engraçado. — ele soltou, a voz rouca, brincando com um sachê de ketchup fechado na mesa. — Acho que é a primeira vez que você não usa meu sobrenome e sim meu nome.
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  Eu dei uma risada curta, sentindo o rosto esquentar.
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  — Bom, você deu um soco de verdade no Greg, então achei que a gente podia mudar o tom. — respondi. — Combina com você, %Evan%.
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  Ele arqueou uma sobrancelha, o olhar ficando subitamente mais suave, quase doce. Ele inclinou o corpo para frente, diminuindo a distância entre nós por cima da mesa, e esticou a mão para afastar uma mecha de cabelo que tinha caído no meu olho.
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  — Ótimo. — ele sussurrou, a voz caindo para aquele tom que me deixava sem defesas. — Porque %Vance% sempre soou como se você estivesse tentando manter uma distância de segurança de mim. E eu nunca gostei muito de distâncias, %Harper%.
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  O som do meu nome na voz dele foi como um choque térmico. Não era o jeito possessivo do Greg, nem o jeito prático das meninas. Era íntimo. Parecia que ele estava testando como as palavras se encaixavam na boca dele, e o resultado me fez perder o fôlego por um segundo.
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  — Ficou bom? — perguntei, quase sem voz, desafiando o olhar cinza dele.
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  — Ficou perfeito. — ele respondeu, com um sorriso de canto que não tinha nada de deboche. — E eu pretendo usar muito mais vezes a partir de agora.
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  Ele deu um último aperto na minha mão antes de soltar e sinalizar para a garçonete. Pagou a conta rápido, sem tirar os olhos de mim por um segundo sequer. O clima na lanchonete tinha mudado; o peso de Boston e a sombra do Greg tinham sido substituídos por algo que eu ainda não sabia nomear, mas que fazia meu estômago dar voltas.
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  Saímos para o estacionamento vazio e o frio da madrugada bateu forte. Eu encolhi os ombros, sentindo o choque térmico, mas antes que pudesse reclamar, %Evan% abriu a porta do SUV e esperou que eu entrasse. Ele deu a volta, pulou no banco do motorista e, em vez de ligar o rádio ou dar a partida de imediato, apenas ficou ali, com as mãos no volante, encarando o para-brisa.
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  — Você quer ir para casa? — Ele perguntou, a voz soando mais baixa naquele espaço fechado.
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  — Não sei. Acho que se eu for para lá, vou ficar rolando na cama pensando em tudo o que o Greg disse. — Suspirei, encostando a cabeça no banco. — Meus pais, a transferência... parece que tudo voltou de uma vez.
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  %Evan% girou o corpo no banco, ficando de frente para mim. Ele esticou o braço e apoiou a mão atrás do meu encosto, perto do meu pescoço.
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  — Então não vamos para casa. — Ele deu a partida no motor, o ronco grave vibrando sob meus pés. — Tem um lugar que eu vou quando preciso esquecer que sou o capitão do time ou que tenho mil olhos em cima de mim.
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  Ele dirigiu por uns quinze minutos, saindo das ruas principais e subindo em direção às colinas que cercam a universidade. A estrada era sinuosa e escura, iluminada apenas pelos faróis do carro. Quando ele finalmente parou, estávamos em um recuo de terra que dava para um mirante improvisado. Lá embaixo, as luzes da cidade pareciam um mar de diamantes espalhados.
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  — Uau. — Murmurei, saindo do carro.
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  O vento ali em cima era mais forte. %Evan% veio logo atrás de mim e, sem dizer nada, abraçou minha cintura.
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  — É aqui que eu venho para respirar. — Ele sussurrou perto do meu ouvido.
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  Virei-me para ele, ficando presa entre o para-choque do SUV e seu peito. %Evan% me olhava com uma intensidade que me deixava boquiaberta. Ele não era mais o %Vance% babaca que havia feito eu perder meu emprego ou de ter me dado motivos para fazer uma aposta com as minhas amigas. Pelo contrário, aqui ele parecia uma pessoa completamente diferente.
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  — Por que me trouxe aqui, %Evan%? — Perguntei, sentindo a ponta do meu nariz gelada pelo vento.
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  Ele deslizou as mãos das minhas costas para o meu rosto, segurando minhas bochechas com cuidado. Os nós dos dedos roxos ainda estavam lá, um lembrete do que ele tinha feito por mim.
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  — Porque eu queria que você visse um lado que dificilmente mostro para as pessoas. — Ele se inclinou, encostando a testa na minha. — Eu não sou de falar muito, você sabe disso. Prefiro agir. Mas com você... eu sinto que preciso dizer as coisas.
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  Eu sorri, sentindo uma paz que não experimentava há meses. Estiquei os braços e lacei o pescoço dele, puxando-o para mais perto.
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  — Você age muito bem, %Evan%. O soco foi uma prova disso. — Brinquei, vendo-o soltar uma risada curta e nasalada.
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  — Eu faria de novo. — Ele admitiu, o olhar descendo para a minha boca. — Se ele ousar chegar perto de você, eu quebro a outra parte da cara dele.
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  — Não acho que ele vá voltar tão cedo. — Falei, sentindo o coração acelerar conforme ele diminuía a distância entre nossos lábios.
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  — Espero que não. Porque agora eu não quero ter que dividir sua atenção com ninguém. — Ele murmurou, e finalmente selou nossos lábios em um beijo totalmente diferente dos quais compartilhamos nos últimos dias.
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  E pela primeira vez desde que cheguei aqui, eu me senti em casa.
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  N/a: Oii gente! Então... Nem sei por onde começar, mas isso é meio que a calmaria antes da merda haha. Espero que tenham gostado da att dupla.
   Beijos e até a próxima.

Capítulo Nove
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Natashia Kitamura

Você dá a sobremesa primeiro e aí vem com um extra de chantilly e cereja! Mdsssssss não achava que precisava do Vance com ciúmes, e pelo motivo absolutamente certo! AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA tb quero

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