Capítulo Cinco • %Harper%
O barulho daquele ventilador velho no teto estava me deixando maluca. Eu virava de um lado para o outro na cama, mas o lençol parecia grudar na minha pele por causa do calor que estava naquele quarto.
Toda vez que eu fechava os olhos, a imagem do %Evan% na cozinha mais cedo voltava. Aquele desgraçado tinha um corpo digno de Oscar. E se existisse um prêmio para isso, ele seria o primeiro a ganhar.
Puta que pariu... Eu estava excitada pra cacete. E com uma raiva mortal de mim mesma por isso. Se as minhas amigas sonhassem que eu estava perdendo o sono por causa daquele cara e do seu corpo, elas me matariam. Eu precisava transar. Precisava de qualquer coisa que me fizesse apagar por algumas horas e aliviar esse estresse.
Levantei da cama, cansada e com sede. Eu usava uma regata de alça fina e um shortinho de dormir minúsculo, tudo graças ao ar condicionado daquela casa,
porra, acho que eles gostavam de passar calor, não é possível. E o pior é que Cole não tinha me mostrado como regular isso, se bem que, acredito eu, nenhum dos caras fossem gostar de eu colocar uma temperatura ok para dormir.
Merda. E sabe o que é pior? O piercing no meu mamilo estava deixando tudo mais
sensível. E cada vez que o tecido da regata roçava ali, um choque percorria minha espinha.
Saí do quarto, agradecendo pela cozinha estar do lado do meu quarto. Não tinha ninguém acordado, considerando que era apenas três horas da manhã, por isso nem me preocupei em colocar alguma coisa para cobrir meu corpo e abri a porta devagar.Mas, para minha surpresa,
%Evan% estava lá. Ele estava parado na frente da geladeira aberta, a luz branca batendo direto no seu peitoral. Virava uma caixa de leite, enquanto o braço estava apoiado na porta da geladeira.
— Beber direto da caixa é nojento, %Vance%. — Minha voz saiu baixa, cortando o silêncio.
Ele levou um susto, quase engasgando. Se virou devagar, limpando a boca com a mão, me encarando. O olhar dele começou nos meus pés, subiu pelas minhas pernas e travou direto no bico do meu seio, onde o metal do piercing marcava o tecido.
— Porra %Hayes%, o que você está pensando? — A voz dele saiu grossa, arrastada. — Esqueceu que mora com um monte de homem agora? Olha a sua roupa.
Dei um passo para dentro da cozinha. O calor que %Vance% emanava era absurdo.
— Eu não esqueci. Mas eu sou muito mais homem que qualquer um de vocês. — Sustentei o olhar dele, mesmo tendo que inclinar a cabeça para trás porque o infeliz era alto demais. — E se algum de vocês tentar qualquer gracinha, eu tenho um gancho de direita que te coloca no chão antes de você conseguir pedir desculpa.
Fui chegando perto, tirando uma onda com a cara dele. Parei bem na frente do seu peito e olhei para cima com um ar de tédio. Estiquei a mão e peguei o copo no balcão, ao lado de onde ele estava, mas antes fiz questão de deixar meus dedos deslizarem pelo abdômen dele no caminho. Senti os músculos dele contraírem na hora.
— Você parece tenso. — Falei, olhando para a mão dele que esmagava a caixa de papelão. — Tá apertando essa caixa com tanta força que parece que queria estar apertando a minha bunda.
Silêncio. %Evan% largou a caixa no balcão com um baque e, antes que eu pudesse respirar, ele me agarrou pela cintura e me prensou contra o mármore da bancada.
O choque do gelo nas minhas costas contra o calorão dele me fez soltar um palavrão baixinho. Ele colou o corpo no meu e eu senti a ereção dele, dura e pulsante, marcando o moletom bem contra a minha coxa.
— E se eu quisesse? — Ele sussurrou no meu ouvido, apertando minha cintura com uma vontade que me fez arquear as costas e soltar um gemido que eu tentei engolir. — O que você ia fazer com esse seu gancho de direita agora, %Harper%?
Minha cabeça pendeu para trás. Eu queria que ele calasse a boca e fizesse alguma coisa.
— Você não ia querer descobrir. — Minha voz falhou feio.
— Acho que eu ia adorar descobrir cada detalhe. — Ele respondeu, enfiando a mão no meu cabelo e puxando de leve para me obrigar a olhar para ele. — Inclusive, desde que você entrou aqui, fiquei pensando nessa porra de piercing do seu mamilo.
%Evan% não esperou mais nada. Ele soltou meu cabelo e desceu a mão, envolvendo meu seio com sua palma quente. O polegar dele passou por cima da minha blusa, fazendo uma pressão que me fez apertar as pernas em volta da cintura dele.
— Merda, %Harper%... — Ele arfou, o controle dele indo pro ralo.
Ele colou a boca na minha. Me beijando com força, com uma urgência que mostrava que ele estava tão desesperado quanto eu. Eu retribuí na mesma moeda, puxando o cabelo da nuca dele e trazendo ele para mais perto. Minhas mãos já estavam na cintura dele, tentando desesperadamente puxar a calça de moletom para baixo, querendo sentir o que estava me cutucando.
Eu queria ele. Ali mesmo. No balcão gelado, com a luz da geladeira sendo a única coisa que iluminava aquele ambiente.
De repente, um barulho abafado de passos descendo a escada ecoou pelo corredor.
Eu travei na hora. %Evan% parou com a boca a milímetros da minha, a respiração dele pesada batendo no meu rosto. Ficamos estáticos, os olhos arregalados no escuro, ouvindo os passos ficarem mais altos. Alguém estava descendo. E não estava tentando ser silencioso.
— Merda! — Soltei num sussurro desesperado, empurrando o peito dele com força.
A realidade bateu na minha cara como um tapa. O que eu estava fazendo? Me atracando com o %Vance% na cozinha?
Pulei do balcão, ajeitando a regata com as mãos trêmulas. %Evan% continuou parado ali, encostado na bancada, respirando fundo, com a ereção marcando o moletom de um jeito ridículo. O rosto dele era uma mistura de raiva e frustração pura.
Ele esticou a mão para me segurar.
— %Hayes%, espera... — Ele sussurrou, a voz rouca.
Olhei para ele, para o volume na calça dele, e dei um sorriso de lado, me recuperando do susto. O jogo tinha mudado.
— Quem sabe na próxima, %Vance%. — Falei baixo, arqueando a sobrancelha.
Dei as costas e corri o meu quarto, trancando a porta com um estalo seco logo antes que a luz da cozinha fosse acesa e a voz do Joshua ecoasse.
— Caralho, %Vance%! Comendo uma hora dessa? Seu pai vai te matar.
Encostei na porta do meu quarto, o coração batendo na garganta, ouvindo a frustração na voz do %Evan% tentando dar uma desculpa. Sorri no escuro. Se as minhas amigas soubessem... elas me matariam. Mas porra, eu não tinha ideia de que ele era tão gostoso assim.
Acho que essa aposta seria benéfica no fim das contas.
Lá fora, ouvi o barulho da porta da geladeira batendo e a voz abafada do Joshua rindo de alguma coisa que %Evan% respondeu com um rosnado de pura irritação. Imaginei a cara dele agora, tenso, tendo que fingir que tinha perdido o sono. Um sorriso involuntário brotou nos meus lábios, mas ele sumiu rápido quando senti o latejar entre as minhas pernas.
— Droga... — Sussurrei para o escuro do quarto.
Eu estava em frangalhos. O toque dele no meu piercing tinha disparado uma corrente elétrica que ainda não tinha parado de vibrar. O estresse de tudo o que aconteceu na última semana tinha se acumulado ali, naquele momento, e o corte abrupto na cozinha só deixou a pressão que eu sentia, insuportável. Eu precisava terminar o que ele começou.
Me levantei devagar, as pernas meio bambas, e caminhei até a cama. Não liguei a luz. A claridade da lua que passava pela fresta da cortina era o suficiente. Tirei o short de dormir, deixando-o cair ao pé da cama, e me deitei de costas, sentindo o lençolcontra a minha pele quente.
Fechei os olhos e a imagem veio na hora, %Evan% me prensando contra o balcão, as mãos grandes dele apertando a minha cintura com força, o jeito que ele me olhou quando viu o piercing no meu seio. Levei minha mão até lá, repetindo o movimento que o polegar dele tinha feito, pressionando a bolinha de aço contra a carne sensível.
Minha outra mão desceu, deslizando pelo abdômen até encontrar o que buscava. Eu estava encharcada.
Comecei devagar, tentando não fazer barulho, consciente de que ele estava a poucos metros de distância, do outro lado da parede. Imaginei que fosse a mão dele ali. Imaginei o peso do corpo dele em cima do meu, o hálito frio de leite misturado com o calor da minha pele enquanto ele chupava o bico do meu peito e brincava com meu piercing.
Cada movimento era um flash da cozinha: o roçar dos lábios, o volume da ereção dele contra a minha coxa, o rosnado que ele deu no meu ouvido. Minha respiração ficou descompensada, e mordi o lábio inferior com força para não soltar um gemido que alguém pudesse escutar.
O prazer veio rápido, intenso, me fazendo arquear as costas no colchão enquanto meus dedos trabalhavam com urgência. Quando o ápice me atingiu, eu tive que enfiar o rosto no travesseiro para abafar o som. Meu corpo todo tremeu, uma onda de alívio finalmente lavando o estresse e a tensão, deixando apenas um cansaço pesado e uma satisfação ácida.
Fiquei ali parada, sentindo o suor escorrer no meu pescoço. Eu tinha vencido, tinha deixado o %Evan% %Vance% subindo pelas paredes lá fora enquanto eu conseguia o que queria e consegui adormecer mais rápido do que tinha imaginado.
Acordei com o sol passando pela fresta da cortina e aquele barulho de ventilador velho que parecia que ia despencar a qualquer momento. Me espreguicei sentindo cada músculo do corpo bem acordado. Eu sabia que tinha %Evan% na palma da mão depois do que rolou na cozinha, e essa sensação era melhor que qualquer café preto. Mandei uma mensagem rápida no grupo com as minhas amigas avisando que o plano estava indo de acordo com o que eu tinha traçado.
Levantei e fui direto pro banho. Escolhi um sutiã preto, para por debaixo da regata que eu estava usando e short jeans curto. Como ainda estava dentro de casa, não existia necessidade de eu usar uma roupa de frio.Saí do quarto e caminhei até a cozinha, tentando entender o ritmo daquela casa no meu segundo dia.
O clima era de café da manhã era caótico. Joshua estava sentado no balcão, mastigando uma torrada, e Cole estava concentrado em um tablet. %Evan% estava perto da pia, de costas, virando um copão de água. Ele estava sem camisa, e me pego babando em suas costas. Sério! As costas dele eramlargas e a pele brilhava um pouco, como se ele já tivesse malhado hoje.
— Bom dia, olha quem despertou! — O Joshua falou, me dando aquele sorriso de quem não vale nada. — Dormiu bem ou o barulho te acordou?
— Dormi maravilhosamente bem, Josh. — Dei um sorriso, caminhando até a cafeteira com toda a calma do mundo.
Passei por %Evan% e ele se virou devagar, apoiando o quadril na pia e cruzando os braços. Os olhos dele cravaram nos meus, pesados, escuros. Ele não desviou o olhar nem por um segundo, me medindo, tentando entender como eu conseguia estar ali, tão inteira, depois da madrugada.
— E aí, %Harper%, agora que você não trabalha mais de manhã, vai fazer o quê enquanto a gente se mata no treino? — Cole perguntou, sem tirar os olhos do que estava lendo.
— Vou procurar algo novo, mas sem pressa. — Dei de ombros, servindo meu café. — Tenho só uma aula de manhã, uma vez por semana, o resto é à tarde. Por enquanto vou ficar de bobeira.
— Então você devia ir com a gente pro treino hoje. Ver o time em ação. — O Joshua piscou. — Ver um bando de caras correndo sem camisa no sol é melhor que qualquer filme, garanto.
Olhei para o Joshua, mas sentia o peso do olhar do %Evan% me queimando.
— Não sei, Josh... muita testosterona em um lugar só. — Soltei uma risadinha, fingindo total desinteresse. — Eu ando com a cabeça cheia ultimamente e não transo há algumas semanas. Não sei se meu psicológico aguentaria ver tanto cara querendo se exibir sem eu fazer uma besteira.
Um dos caras que estava na ponta da mesa soltou uma risada alta, e o resto do pessoal acompanhou. Eles pareceram ter gostado da honestidade.
— Bom, você mora com alguns caras, %Harper%. E é gostosa pra caralho. — Ele falou rindo. — Qualquer um aqui adoraria te dar uma volta, se é que você me entende. O convite tá aberto.
Eu ri, mas mudei o tom na hora. Olhei para todos eles com um ar superior, sustentando a pose.
— Olha só, a partir de agora, eu considero vocês como meus irmãos. — Apontei para a roda, e o %Evan% fechou a cara na mesma hora. — Então, eu agradeceria se ninguém tentasse nenhuma gracinha comigo. Eu bato forte e não quero ter que quebrar o nariz de nenhum de vocês. Muito menos ser culpada por alguém não poder jogar se eu matar o cara.
Joshua caiu na gargalhada e deu um tapa na mesa.
— Ouviram a patroa? Ela é um dos
caras.
A mesa foi se esvaziando aos poucos conforme eles pegavam as bolsas e saíam. %Evan% continuou ali, parado na pia, esperando o último fechar a porta. Quando ficamos sozinhos, ele caminhou na minha direção. Parou tão perto que eu conseguia sentir o cheiro de pele quente e menta.
— Irmãos, %Hayes%? — Ele murmurou, a voz rouca descendo como um veludo. — Sei…
Ele inclinou o rosto, quase roçando os lábios no meu ouvido, e eu senti o ar sumir por um segundo quando ele baixou o olhar para o meu decote e depois voltou para os meus olhos, com um brilho perigoso.
— Mas já que você está tão
sensível e sem transar faz tempo... você devia ir ao treino. Imagina só eu te comendo debaixo daquele chuveiro do vestiário, com a água escorrendo e eu te mostrando exatamente o que eu queria ter terminado ontem a noite. Ia ser uma visão e tanto você toda molhada na minha mão, não acha?
Ele deu um sorriso de lado, aquele sorrisinho de quem sabe que ganhou a batalha, jogou a camiseta no ombro e saiu sem olhar para trás. Fiquei ali sozinha na cozinha, com o café na mão e a imagem dele no chuveiro martelando na minha cabeça.
Ponto para %Vance%. Desgraçado.
Continua...
N/A: E ai gente! O que acharam dessa att dupla. Apostas sobre quem vai cair primeiro?