Capítulo Seis • %Evan%
O treino foi um massacre. Eu joguei como se quisesse quebrar alguém, descontando na bola uma frustração que estava me deixando cego.
Depois de tomar um banho gelado, para tentar deixar meu corpo sob o meu controle. Saí de lá e fui para a aula de Análise de Dados. O aquecedor da sala estava no máximo, mas eu mal conseguia focar na aula. Ava sentou do meu lado, e tentou puxar um assunto sobre o grupo, mas eu nem ouvi. Até dois dias atrás, %Harper% era só a garota que me servia café com cara de poucos amigos. Agora? Agora ela era a única imagem que meu cérebro projetava.
Fechei o notebook antes da aula acabar e saí do prédio. O vento gelado me atingiu em cheio no pátio, e foi aí que eu a vi. %Harper% estava perto da biblioteca com um moletom preto, distraída conversando com outra garota. Caminhei em direção dela, parando perto o suficiente para que ninguém me escutasse além das duas.
— %Hayes%. Comigo. Agora.
Ela levantou os olhos, me medindo de cima a baixo com aquele sorrisinho que me dava vontade de beijar e sacudir ela ao mesmo tempo.
— O que foi, %Vance%? O treino foi tão ruim assim?
— Não fode, %Hayes%.
Anda.
Não dei chance para ela reclamar. Fomos até o prédio de artes, em uma sala de materiais que eu sabia que estava vazia. Tranquei a porta e o silêncio caiu como uma tonelada. O cheiro de baunilha dela inundou o lugar, misturado com o cheiro de tinta.
Eu a prensei contra a porta. Fiquei a centímetros do rosto dela, sentindo o calor que ela emanava.
— Você gosta de testar o meu limite, não é? — Falei baixo, a voz saindo como um rosnado enquanto eu segurava a cintura dela por cima do moletom.
%Harper% soltou uma risada curta e levou as mãos até o meu peito, subindo devagar até a gola do meu próprio moletom.
— E você é fácil demais de testar, %Vance%. Achei que o capitão tivesse mais controle.
— Eu tinha. Até você começar com esse joguinho.
— Engraçado... — Ela sussurrou, inclinando a cabeça e deixando o hálito quente bater no meu pescoço. — Porque eu também não tive controle nenhum ontem à noite.
Eu congelei. Meus dedos cravaram no quadril dela.
— Do que você está falando?
— Eu cheguei no meu quarto, e terminei o que você começou na cozinha. — Ela confessou, a voz rouca e sem um pingo de vergonha. — Minha mão estava lá, mas eu só conseguia pensar na sua. Imaginei você me prendendo naquele balcão de novo. Foi do caralho.
Ouvir aquilo acabou com qualquer resquício de sanidade. O pensamento dela se tocando, enquanto pensava em mim, foi um soco no estômago.
— Você é uma desgraçada. — Falei, a voz falhando de puro desejo.
— E você está louco para acabar com essa conversa. — Ela retrucou, puxando meu rosto para baixo. — Vai ficar só olhando ou vai fazer alguma coisa?
Eu não esperei mais nada. Ataquei a boca dela a beijando da forma mais suja que podia. %Harper% retribuiu na mesma moeda, cravando as unhas na minha nuca enquanto eu a levantava pela cintura, prensando o corpo dela contra a porta. Eu precisava dela ali, agora, e não ia parar por nada.
Arrastei a %Harper% para longe da porta, prensando o corpo dela contra a parede no fundo da sala. Eu não ia arriscar o barulho entregando a gente para qualquer um que passasse no corredor.
Meus dedos se enrolaram no cós do jeans dela e eu puxei o zíper para baixo com uma pressa que eu nem reconhecia em mim. Baixei o suficiente para liberar o caminho, sentindo o tecido grosso embolar nos joelhos dela. %Harper% fez o mesmo comigo, as mãos dela tremendo enquanto puxavam minha calça para baixo até eu estar livre.
— Você não tem ideia do quanto esse piercing me tirou o sono. — sussurrei, a voz saindo um rosnado baixo.
A blusa preta dela estava erguida até o pescoço e o sutiã já não servia de barreira. Segurei o seio dela com firmeza, sentindo o coração dela martelar. Inclinei o rosto e envolvi o mamilo dela com a boca, sentindo a bolinha de aço do piercing bater contra os meus dentes. %Harper% soltou um gemido agudo, a cabeça jogada para trás.
Mesmo ofegante, ela não perdeu a chance de me alfinetar.
— Quantas... — ela arfou, as unhas cravando nos meus ombros — Quantas você já fodeu aqui nessa sala, %Vance%?
Eu ri baixo contra a pele dela. Eu sabia que ela estava jogando na minha cara o que todo mundo falava de mim, mas naquele momento, eu não conseguia lembrar o nome de nenhuma outra.
— Nenhuma que me desse tanto trabalho quanto você, %Hayes%. Agora cala a boca.
Passei a língua em volta do metal, sugando com força, sentindo ela estremecer inteira. Desci minha mão, deslizando os dedos por baixo da calcinha que afastei.
Ela estava encharcada. Quando enfiei dois dedos ali, ela deu um solavanco, o quadril se movendo por puro instinto contra a minha mão.
— Eu queria te levar pra minha cama, fazer isso durar horas. — murmurei, subindo o olhar para encontrar o dela. — Mas eu não conseguia esperar.
Rasguei o pacote da camisinha com os dentes. Minhas mãos não estavam tão firmes, e isso estava me irritando. Eu a levantei, as costas dela deslizando pela parede até ela enroscar as pernas na minha cintura. Senti a ponta do meu pau roçar na entrada dela, onde o calor era quase insuportável.
— Olha pra mim. — ordenei.
Ela sustentou o olhar, as pupilas dilatadas, o cheiro de baunilha e suor dominando meus sentidos. Quando eu empurrei de uma vez, preenchendo cada centímetro dela, eu senti um aperto no peito que não tinha nada a ver com o esforço físico. O gemido que ela soltou foi abafado pelo meu beijo, profundo e desesperado, enquanto eu começava a me mover nela com uma força que eu não conseguia, e nem queria, controlar.
Eu não estava sendo gentil e ela muito menos. No momento em que eu empurrei com tudo, preenchendo o vazio que estava me deixando louco o dia inteiro, %Harper% soltou um gemido agudo que morreu na minha boca. Eu a beijei com força, sentindo o gosto metálico do meu lábio que ela tinha mordido antes. As unhas dela entraram fundo nos meus ombros, buscando algum apoio enquanto eu continuava me movimentando.
O impacto dos nossos quadris batendo um no outro ecoava naquela sala, um ritmo constante e pesado. Eu segurava as coxas dela com as mãos firmes, sentindo o tremor dos músculos dela sob a minha palma.
— %Hayes%... olha para mim. — rosnei, afastando o rosto só o suficiente para ver o estrago que eu estava fazendo.
Ela estava entregue, mas ainda tinha aquele brilho de deboche, como se estivesse adorando me ver perder a linha daquele jeito.
— Não... para... %Vance%... — ela arfou, a voz falhando, a cabeça jogada para trás batendo no reboco da parede.
Eu acelerei. O som da nossa respiração pesada. Minha mão subiu de novo para o seio dela, apertando o mamilo onde o piercing estava gelado contra a minha pele fervendo.
Eu sentia que estava no limite. Ela começou a tremer, o corpo todo teso, os gemidos ficando mais curtos e desesperados.
Eu dei as últimas estocadas, profundas e fortes, sentindo o corpo dela ter um espasmo violento. Ela arqueou as costas, cravando os dentes no meu ombro para não gritar o meu nome para o prédio inteiro ouvir, enquanto eu sentia o meu próprio climax me atingir como um soco. Bufei contra o pescoço dela, sentindo o coração dela martelar contra o meu peito em uma sincronia caótica.
Ficamos ali por longos segundos. Eu a mantive no alto, sentindo o peso do corpo dela relaxar contra o meu, antes de começar a descer lentamente.
Coloquei a %Harper% no chão devagar, mas não soltei a cintura dela até sentir que ela tinha firmeza nas pernas. O ar gelado da sala bateu na gente com força agora que terminamos, e vi ela estremecer.
Sem falar nada, eu me abaixei. %Harper% fez menção de puxar o jeans dela que estava embolado nos joelhos, mas eu segurei o pulso dela com suavidade, impedindo o movimento.
— Deixa que eu faço. — eu disse, a voz ainda rouca e pesada.
Me apoiei em um joelho e puxei o tecido grosso para cima, ajeitando as pernas da calça com cuidado antes de subir o zíper. Foi um gesto estranho, quase íntimo demais para o que a gente acabou de fazer, mas eu precisava que ela visse esse outro lado. Precisava que ela sentisse que, por mais que eu fosse o cara que pegava geral, com ela o cuidado era diferente.
%Harper% se apoiou no meu ombro, me observando de cima com uma curiosidade que ela não conseguia esconder. O deboche tinha sumido por um segundo, substituído por um olhar confuso.
— O capitão agora resolveu ser atencioso? — ela provocou, mas a voz estava fraca.
— Só não quero que você saia daqui com frio. — rebati, fechando o botão da calça dela,
Peguei o moletom dela no chão. E segurei para que ela passasse os braços, ajudando ela a se enfiar nele. Puxei o capuz e ajeitei a gola para cobrir o pescoço dela, sentindo a maciez da pele onde eu sabia que ia ficar uma marca. Meus dedos roçaram no queixo dela, obrigando ela a me encarar.
— Você está bem? — Perguntei, mantendo o tom baixo, quase carinhoso.
Ela deu aquele sorrisinho de lado, tentando recuperar a pose.
— Melhor do que você, %Vance%. Dá para ver que eu acabei com o seu resto de juízo.
— Você não tem ideia. — admiti, dando um passo para trás para me recompor também e me vestir.
Ela pegou o livro que tinha ficado num canto e caminhou até a porta. Parou com a mão na maçaneta e olhou por cima do ombro, a luz do corredor cortando o rosto dela.
— Não se acostuma, tá? Você ainda é um idiota.
— Um idiota que você queria que te fodesse na outra madrugada. — lembrei, vendo ela abrir a porta.
Ela não respondeu. Só deu uma piscadela rápida e saiu, sumindo no corredor como se nada tivesse acontecido. Fiquei ali sozinho por mais um minuto. O plano era fazer ela se apaixonar para eu ganhar a aposta, mas enquanto eu ajeitava meu próprio moletom, a única coisa que eu conseguia pensar era em como eu ia fazer para ter ela de novo o mais rápido possível