Capítulo Sete • %Harper%
Eu não conseguia parar de tremer. Ainda conseguia sentir a adrenalina pelo meu corpo e as mãos de %Evan% em mim. Aquele desgraçado era muito bom no que fazia. Entrei lá querendo testar o limite dele, mas ele simplesmente passou por cima de qualquer barreira que eu tivesse.
O pior não foi nem o que a gente fez, mas o depois. O jeito que ele segurou meu pulso com suavidade, se preocupando em como eu estava me sentindo. %Evan% %Vance% achava que tinha me vencido ali, naquela sala, mas ele mal sabia que estava me dando exatamente o que eu precisava.
Avistei a Maya e a Clover no banco de sempre, perto do prédio de Fisioterapia. Elas pararam a conversa no segundo em que eu parei na frente delas.
— %Harp%? — Maya fechou o caderno, me medindo de cima a baixo. — Você disse que ia passar na biblioteca. Mas sumiu...
— Esquece a biblioteca. A gente precisa de bebida. Agora. — Minha voz saiu estranha, mais baixa e rouca do que eu pretendia.
Clover levantou na hora e me puxou para um canto mais reservado, longe dos alunos que passavam. Ela notou o jeito que eu estava segurando a gola do moletom, tentando esconder o estrago no meu pescoço.
— O que aconteceu? — Clover sussurrou, a voz urgente.
— %Vance%... — Soltei o nome dele e senti um calafrio. — No prédio de artes. A gente se pegou em uma das salas.
As duas ficaram em silêncio absoluto. Maya olhou em volta para garantir que ninguém estava ouvindo antes de chegar mais perto.
— %Evan%? — Maya perguntou, chocada. — %Harper%, a gente tem aquela aposta. Você não pode deixar esse cara achar que tem você na mão depois disso.
— Ele não tem. — Dei uma risada curta, sentindo a confiança voltar. — Pelo contrário. Ele tentou pagar de durão, mas no final, ele agiu como se eu fosse de vidro. Ele fechou minha calça, me ajudou com o casaco... ele vai ficar na palma da minha mão.
— Você tem certeza? — Clover arqueou a sobrancelha. — %Evan% %Vance% é o rei de fingir que se importa para conseguir o que quer.
— Eu vi os olhos dele, Clover. Eu senti o tremor na mão dele. — Rebati, passando a mão pelo cabelo bagunçado. — Se sou um jogo pra ele, lamento dizer que já dei a largada e que estou ganhando.
— Vamos para o Joe. — Maya pegou a mochila, já decidida. — Você vai contar como foi.
Caminhamos para o carro e eu só conseguia pensar no meu próximo passo.
O Joe estava com as luzes baixas apesar do horário, o som do hip-hop estourando as caixas de som. Poderia ser cedo, mas esse era o único bar que todos os universitários iam. Sabe,
bebida boa e barata. Sentamos no fundo, em um sofá de couro descascado e um pouco insalubre. Maya nem esperou o garçom se afastar para empurrar o primeiro shot na minha direção.
— Bebe. Agora fala o que você não quis falar lá no pátio com medo de alguém ouvir. — Maya ordenou, cruzando os braços.
Virei a tequila de uma vez. O calor desceu rasgando, mas o que estava me deixando tonta era a lembrança do peso do %Evan% sobre mim. Apoiei os cotovelos na mesa e baixei a voz, sentindo o filtro da sobriedade começar a falhar.
— Garotas, o desgraçado é absurdo. — soltei, e só de falar, senti um calafrio. — Nem o meu ex, com todo o tempo do mundo, conseguiu me fazer gozar tão rápido. %Vance% sabe exatamente o que está fazendo. Ele tem uma pegada que parece que vai te desmontar inteira, mas ele sabe o ponto exato. É técnico, é bruto, é... — balancei a cabeça, buscando a palavra — imbatível.
Clover arregalou os olhos, quase derrubando a própria bebida.
— O cara que a gente jurou destruir em seis meses? — Ela sussurrou, inclinando o corpo para a frente. — %Harper%, você não pode amolecer. Aposta é aposta. Se você cair no papo dele só porque ele é bom de cama, você quem deve nos pagar.
— Eu não estou amolecendo, Clover. Eu estou analisando o inimigo. — rebati, pedindo a segunda rodada com um gesto seco. — Ele é bom, malditamente bom. Mas o que me deu a chave da vitória foi depois. Ele agiu como se eu fosse uma boneca, lembram? Aquele cuidado dele me ajeitando, fechando minha calça... aquilo é a fraqueza dele. Acho que ele tem síndrome de herói.
Maya deu um sorriso de lado, virando o dela também.
— Ele mal te conhece e já está agindo assim. Foram só dois dias naquela casa e o cara já está perdendo a linha. Ele acha que está no comando porque te comeu, mas na verdade, ele acabou de te dar um passe para entrar na vida dele.
— Exatamente. — concordei, sentindo a autoconfiança subir com a segunda dose. — Ele acha que agora eu sou a garota que ele
conquistou. Ele vai se esforçar para manter essa pose de protetor, e eu vou deixar. Porque no final, quando ele estiver achando que a gente é o casal perfeito, e que eu esqueci da minha demissão e o motivo dela, eu puxo o tapete dele. O tombo vai ser lindo.
— Isso se você não se apaixonar antes. — Clover provocou, mas o olhar dela era de pura malícia.
— Apaixonar? Por %Evan%? — Dei uma risada seca, sentindo o álcool bater no lugar certo. — Eu vou usar o que ele tem de melhor a meu favor. Ele vai rastejar. E eu vou estar lá para assistir, de preferência depois de mais algumas sessões naquelas salas vazias, porque, honestamente? O desgraçado entrega o que promete.
Bebemos mais. Perdi a conta de quantas rodadas passaram pela mesa enquanto eu dava todos os detalhes para as minhas amigas. A cada copo, %Evan% ficava menos perigoso na minha cabeça e mais parecido com um cavalo que eu já tinha aprendido a domar.
Decidimos que lá por volta das dez tínhamos bebido o suficiente e esse era o motivo do Uber parar na frente da casa dos garotos. Precisei de um segundo para entender como abrir a porta. Maya e a Clover ainda estavam rindo de alguma coisa no banco de trás e se despediram de mim, mas eu só queria que o chão parasse de balançar. Saí do carro e bati a porta com força, sentindo o estalo ecoar pela rua silenciosa enquanto tentava manter a linha reta até a entrada.
Lá dentro o silêncio era absoluto e o climatizador deixava o ar em uma temperatura perfeita, cortando aquele calor abafado que a tequila tinha deixado no meu corpo. Decidida, fiz o caminho oposto do meu quarto. Meus pés automaticamente encontraram a escada por puro instinto e eu subi segurando o corrimão com força.
A porta do quarto dele estava só encostada. Entrei sem bater, a trancando em seguida, e tropeçando no tapete. %Vance% estava apagado, deitado de bruços, com o lençol cobrindo só até a cintura e um braço jogado para fora do colchão.
Eu não pensei em nada. Meus dedos estavam lentos, mas consegui chutar os tênis para um canto e puxar a calça jeans para baixo com dificuldade. O moletom veio logo em seguida, jogado de qualquer jeito no chão.
Fiquei só de calcinha e sutiã, sentindo o ar fresco do quarto na pele. Me arrastei para a cama, tateando o colchão até encontrar um espaço ao seu lado. O lençol tinha o cheiro dele, aquele misto de sabonete caro e perfume. Quando meu corpo encostou no dele, %Vance% deu um pulo, o susto cortando o sono dele no meio.
Ele girou o corpo rápido, se apoiando nos cotovelos com os olhos arregalados, tentando entender quem tinha invadido a cama dele. Dava para ouvir a respiração dele pesada e confusa enquanto ele tentava focar o olhar em mim.
— %Hayes%? O que... que porra você está fazendo aqui? — A voz dele saiu rouca, carregada de sono e choque ao me ver ali, quase nua.
Eu mal conseguia manter os olhos abertos e o mundo ainda teimava em girar. Me encolhi debaixo do lençol, puxando o tecido até os ombros e fechando os olhos com força.
— Cala a boca, %Vance%. Só dorme. — Murmurei, com a voz arrastada pela bebida, antes de enfiar o rosto no travesseiro dele.
Ouvi o silêncio dele por alguns segundos, aquela hesitação de quem não sabia se me mandava embora ou se aceitava a derrota. Senti o colchão balançar quando ele soltou um suspiro longo, relaxando o corpo de volta no lugar.
A última coisa que senti antes de apagar foi o braço dele se aproximando, como se ele estivesse garantindo que eu não ia cair da cama.
N/a: Oii gente! E ai, já dá pra ter uma noção de quem vai cair primeiro aqui? Haha. Só não se deixem enganar ok! Algumas coisas parecem ser de um jeito, mas são o completo oposto.
Me falem, o que acharam desses capítulos?
Nós vemos em breve.