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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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De volta pra casa

Escrita porNathara Sant'anna
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Parte do Pop-Up Criativo #2 – Escreva seu livro.


Capítulo Nove

“Às vezes, só às vezes, podemos nos surpreender”

  Depois da despedida na praia, me afundei no trabalho.
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  Este era um dos projetos mais importantes da minha vida. Era com ele que eu superaria as dificuldades e mostraria para o meu ex e toda a sua família que eles estavam errados, e que caluniaram a pessoa errada.
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  Minha mente estava tão ocupada nos últimos dias que não tive tempo para nada. Basicamente, eu só desgrudava do meu computador quando minha visão estava gasta ou quando estava com fome. Admito que, no meio do processo, tomei algumas taças de vinho com o Theo, porque se tinha uma coisa que estava me tirando do sério era a incerteza de que iríamos ou não seguirmos com o projeto original.
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  A Mack estava voltando essa semana para cá. Ela tinha trabalhado incansavelmente enquanto estava em Goldenport para traçar o projeto final do resort, levando em consideração todos os desejos de Richard, que não eram poucos.
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  — Hailey do céu! Você não sabe o que acabou de acontecer. — Theo entra em casa com um sorriso enorme estampado no rosto.
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  — Humm… O quê? — Volto minha atenção para os documentos que a Mack tinha me encaminhado.
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  — Vamos ter uma reunião no centro de convivência.
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  — Legal! Quando?
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  — Agora!
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  — O quê? — Paraliso, com tablet em mãos. — Pensei que você ainda estivesse tentando marcá-la.
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  — Mudança de planos, gata! Levanta essa bunda da cadeira. — Ele diz, se aproximando de mim para me apressar. — Temos que arrasar nesse encontro.
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  — E como, exatamente, conseguiu essa proeza? — Pergunto.
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  — Bem… — Ele coça a cabeça. — O Kai meio que se envolveu.
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  Pressiono meus dedos nas têmporas.
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  Malakai Banks me surpreendeu.
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  Nas últimas semanas, ele foi completamente contra a construção do resort. Apenas falar essa palavra dele já causava uma revolta, e agora ele quis ajudar?
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  Alguma coisa não estava certa.
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  — Tem certeza de que não é uma pegadinha? E que não vão jogar água suja na gente? — Encolho os ombros, só de lembrar da sensação imunda.
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  — Juro pelos meus pais, Hailey! É verdade.
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  Sinto um amargor na boca.
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  — Vamos supor que seja verdade, o que vamos apresentar para eles? Não temos nada!
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  Era difícil assimilar que Kai tinha conseguido reunir os moradores e fazê-los aceitar participar de uma reunião que tinha em pauta a construção de um resort ao qual todos eram contra.
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  — Não importa! Vamos improvisar. Só assim saberemos se o projeto de construção está seguindo o caminho certo.
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  A confiança do Theo me pega de surpresa.
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  — Theo… Se for para eu falar, vou precisar de uma apresentação. Não temos nada pronto ainda e…
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  — Para! Pode parar. — Ele intervém, abanando as mãos no ar. — Fale com o seu coração.
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  Respirei fundo, rindo sem graça. Se eu fosse falar com meu coração, estava todo mundo fodido.
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  — Posso tentar o meu melhor, mas isso não é garantia de que eu não acabe soltando alguns xingamentos…
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  A cara que o Theo fez é impagável.
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  — Eu sou o primeiro a te defender, mas, por favor, se for xingar alguém, deixe que o xingamento parta primeiro deles.
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  Ele parece aterrorizado.
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  Balanço minha cabeça discretamente. Por mais que eu quisesse dizer umas verdades, aquela não era a oportunidade. Eu tinha que ser profissional, apesar dos pesares.
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  — Tô brincando. — Me levanto do sofá. — Vou colocar a minha melhor roupa e volto já, já! Mas saiba que eu tenho uma opinião, vou deixá-la de lado por enquanto, mas saiba que tenho.
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  — Eu te amo por isso. — Ele se aproxima, me dando um abraço rápido. — Mesmo que eles sejam uns cuzões, agradeço por não usar esse momento para acabar com todo mundo.
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  — Jamais estragaria um projeto por problemas pessoais.
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  Ao desfazer o abraço, mostro a língua para ele.
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  — Muito madura. — Theo segura a ponta da minha língua por alguns segundos, me fazendo praguejar.
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  — Idiota!
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  Saio da sala fazendo um pouquinho de birra, porque se eu não fizesse drama, não seria eu mesma.
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  Abro a porta do quarto e vou direto para o meu guarda-roupa. Louco né? Falar “meu guarda-roupa”. Aquela casa não era minha, mas Theo me fazia sentir tão bem acolhida, que eu pensava nessas coisas do nada.
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  Observo todas as minhas opções e tudo parecia tão formal. Tinha quase certeza que se usasse essas roupas, o pessoal não me levaria a sério. Não que me levassem agora, mas é que o contraste de comportamento era gritante.
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  Enquanto em Goldenport minhas roupas demonstravam poder, aqui eram sinônimo de arrogância. Faço uma careta. Parecia que eu estava me rendendo a eles e às suas opiniões, mas aparentemente alguém tinha que ceder. Se eu quisesse que isso desse certo, teria que mudar algumas coisas no processo.
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  Nesse caso, a melhor escolha do meu guarda-roupa seria uma regata branca, e uma calça jeans. Não faço nada mais elaborado. Apenas amarro meu cabelo e visto um par de sandálias, e saio do quarto sem pensar duas vezes.
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  — Pronta? — Theo me encara do sofá.
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  — Se eu falar que não, muda alguma coisa? — Dou um sorriso torto.
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  — Não! Agora vamos.
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  Mesmo o caminho sendo curto, Theo insiste em ir de carro. Não reclamo, está um calor dos infernos.
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  Estacionamos próximo à associação e saímos juntos. Para minha surpresa, Kai está nos esperando.
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  — E aí, cara! — Os dois se cumprimentam com um abraço.
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  — Ei! — Dou um aceno rápido.
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  — Desculpe ter sido tão em cima da hora, mas essa foi a única janela de encontro que consegui. — Ele fala em um tom mais baixo.
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  — Que isso! Te devo uma. — Theo murmura, dando um passo à frente.
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  Espero um pouco.
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  É simples, Hailey. Entrar, explicar, ouvir e sair.
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  Na teoria tudo é lindo e maravilhoso, mas na prática eu tenho quase certeza de que vai ser diferente.
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  — Deve estar sendo difícil para você, mas conversei com o pessoal e pedi para que te escutassem.
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  — Isso não alivia em nada. — Rebato, mantendo uma distância segura. — Verificou se ninguém trouxe um balde com restos de peixe? Não estou afim de sair daqui suja.
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  — Sem baldes dessa vez, Hailey. — Ele indica para eu entrar.
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  As coisas entre a gente já eram estranhas, mas agora parecia estar dez vezes pior. Passei por ele rapidamente entrando no local.
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  Para a minha surpresa, muita gente tinha ido até lá.
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  Sinto alguns olhares em nossa direção, muitos carregados de desconfiança. Tento disfarçar o desconforto, então me movo para o lado do Theo, me afastando ainda mais do Kai.
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  Quanto mais longe eu ficasse, menos seria julgada.
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  Olho mais uma vez para as pessoas sentadas nas cadeiras distribuídas no pátio e dou um sorriso, sustentando uma postura ereta. Morando em Goldenport, lidei com executivos poderosos que com um estalar de dedos poderiam acabar com a minha vida. Lidar com o pessoal daqui seria fichinha.
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  — Boa tarde… Sei que vocês não estão felizes com essa reunião, mas ela é importante para chegarmos em um meio termo.
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  Alguns moradores trocam cochichos enquanto falo.
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  — É nítido que existem controvérsias entre as partes, e antes de começarmos, quero deixar claro que respeitamos a opinião de vocês, dentro do limite aceitável. — Theo intervém.
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  — Entendo que vocês têm um apego cultural muito grande, e que se preocupam e se importam com as tradições. — Faço uma pausa para analisar o território — Mas a verdade vai além…
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  — Não queremos prejudicar ninguém. Hailey e eu crescemos nesta ilha, como muitos de vocês, e sabemos como é a realidade. — Theo lança um olhar cúmplice.
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  — Em dez anos, o único lugar que não teve mudanças significativas foi aqui. — Enfio a mão dentro do bolso traseiro da calça, acenando para Theo continuar.
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  — Passei dois anos pesquisando o local exato para o resort. — Ele admite, parecendo ligeiramente envergonhado com a sua confissão. — Mas foi durante essa pesquisa que algo me deixou alarmado.
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  — E o que seria? — Um dos moradores questiona.
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  — A quantidade de jovens deixando a ilha em busca de algo melhor no continente. — Theo dispara, sem rodeios.
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  — Sei que agora parece tudo lindo, mas e quando vocês envelhecerem? O que será da ilha? — Aproveito a deixa. — Uma das soluções que temos é o turismo sustentável.
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  — Mas o resort ainda seria construído?
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  — Sim, ainda seria. — expliquei. — O local onde será feita a construção era de pastoreio. Então se a preocupação de vocês é o desmate, isso não irá acontecer.
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  — Gente, manter a cultura viva é essencial para a sobrevivência da ilha, nós entendemos isso. — Theo dá um passo para frente, se aproximando dos moradores. — Mas, se pensarmos a longo prazo, o resort trará benefícios para vocês.
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  — Não queremos um resort aqui.
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  Faço uma careta. Dar murro em ponta de faca. Era isso que estavam fazendo.
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  — Isso é uma opinião local ou pessoal? O que impulsiona esse pensamento? Do que vocês têm medo? — Ando de um lado para o outro, mantendo o contato visual.
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  — Ele vai tirar o estacionamento. Muita gente usa aquele terreno no verão.
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  Contraio meus lábios.
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  Aí estava a resposta que eu procurava. O motivo não era apenas a preservação cultural, e sim o uso indevido de um terreno que não era deles.
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  — Vejam bem… O terreno que vocês utilizam para estacionamento é privado. Existe um contrato de compra e venda, uma escritura. — Cruzo as mãos. — Quando o senhor Ruthe faleceu, seus filhos decidiram vender o terreno.
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  — Espera aí! Você quer dizer que os filhos do Ruthe venderam aquele local por dinheiro?
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  Prendo um suspiro. Essa conversa iria longe se eu não colocasse um ponto final.
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  — Os motivos pelos quais eles realizaram a venda não diz respeito a ninguém. — Ergo a sobrancelha — O projeto está em fase de planejamento, essa reunião é necessária para definirmos os próximos passos.
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  — O que você quer dizer com isso, Hailey? — Alguém questiona, mas antes que eu possa responder, Theo interfere.
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  — O que a Hailey quis dizer é que iremos tentar ao máximo fazer com que as obras não prejudiquem os moradores, mas a questão do estacionamento está fora de cogitação.
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  Fico surpresa por não o ver recuando.
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  — Alguma outra pergunta? — Encaro cada um, esperando mais um questionamento.
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  — Quem vai fazer o projeto? Já que o arquiteto e o engenheiro foram embora?
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  — Temos uma pessoa que está ajustando o processo que foi abandonado. — Theo pisca para mim.
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  Seria um choque quando todos descobrissem que Mackenzie Prescott voltaria para a ilha.
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  — Alguém tem mais alguma dúvida? Podemos encerrar essa reunião? — Rezo mentalmente para acabarmos logo com isso.
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  — Ótimo! Foi muito bom encontrar vocês. — Theo dá um sorriso galanteador, se aproximando dos moradores e começando a cumprimentar cada um.
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  Como eu não era capaz de fazer isso por conta do ranço que sentia, permaneço onde estou.
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  — Olá, meu bem! — Lorelai vem até mim com um sorriso. — Não tive a oportunidade de chamá-la para comer lá em casa.
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  — Ahh! As coisas estão meio corridas. — Respondo, a abraçando rapidamente.
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  — Não importa. Sempre me preocupei com você e o Theo em Goldenport, se estavam se alimentando bem, dormindo bem… E agora que tenho os dois perto de mim, sinto que estou falhando. — Ela segura minha mão.
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  — Pare com isso! — Abaixo minha cabeça por um instante, contendo um sorriso. — Podemos almoçar ou jantar juntas nos próximos dias.
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  Theo se aproxima de nós.
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  — Mamãe, cada dia mais radiante. — Ele diz, beijando sua mão — Escutei direito? Almoço? Jantar? Estou incluído nessa?
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  — Sempre, meu amor. — Ela acaricia o rosto dele amorosamente. — Nos vemos, certo?
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  Aceno de leve enquanto Lore se afasta.
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  — Sua mãe é uma figura. — Comento.
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  — Claro! Ela ama você. — Theo belisca minha bochecha.
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  — Engraçadinho.
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  — Hals, sinceramente? Acho que arrasamos! — Ele cochicha no meu ouvido.
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  — Não sei em qual realidade você vive. — Dou um soco de leve em seu braço. Minha impressão é de que saímos pior do que entramos, mas, se ele diz.
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  — É sério! Vamos, o café é por minha conta.
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  Enlaço meu braço no dele.
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  Pela primeira vez desde que voltei para cá, Isla Syrena não parecia estar consumindo minha energia.
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  Eu estou em paz.
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Natashia Kitamura

Graças a deus ela está conseguindo fazer o que voltou a ilha para fazer.
Não comentei sobre o capítulo anterior, mas achei que ele foi muito necessário. A começar sobre ela colocar para fora tudo o que precisou suportar sozinha; porque o Kai, principalmente, achar que ela teve uma vida boa fora da ilha só porque ELE não teve coragem de sair e desbravar o desconhecido era extremamente injusto. A situação toda da perda do baby foi um baque enorme até para mim, pobre leitora que só está acompanhando tudo e tomando tiro no meio dessa guerra (rs), mas gostei muito do desfecho deles se despedirem do bebê. Acho que isso humanizou um pouco mais o Kai. Espero ver um pouco mais do filho dele e entender melhor essa história aí dele ter dormindo com a amiga e nem dado uma satisfação para a Hailey, porque porran, você deixa sua namorada sair da ilha, termina com ela porque amarelou, engravida outra pessoa e quando a ex volta, ainda taca pedra nela? É melhor você trabalhar muito para se redimir, Malakai Banks!
Sobre esse capítulo, gostei que mostrou a mesquinharia dos cidadãos da ilha. Demorou para eles começarem a sentir o gostinho da derrota hehehehe é ranço que chama SIM!

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