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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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De volta pra casa

Escrita porNathara Sant'anna
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Parte do Pop-Up Criativo #2 – Escreva seu livro.


Capítulo Sete

“Algumas feridas demoram para cicatrizar”

  Dois dias. Esse foi o tempo que consegui me esquivar dos olhares que mais pareciam dardos sendo lançados em minha direção. Claro que o pessoal daqui iria comentar, ou melhor, julgar o que aconteceu no barracão, típico de pessoas que tiram conclusões precipitadas e não procuram saber a verdade.
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  Não precisava de muito para saber que a fofoca estava rolando solta por aí, porém uma coisa que eu percebi nesses dois dias que me esquivei de todo mundo, foi que eu não devia nada para eles.
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  E, principalmente, não devia temê-los.
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  Eu, Hailey, era uma mulher adulta e muito bem resolvida. Claro que voltar pra casa depois de muito tempo me deu uma balançada e acabei me tornando uma pamonha em relação a isso, só que eu não podia deixar que mais ninguém montasse em cima de mim.
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  Meus pais agiam como coitados o tempo todo, como se minhas ações os tivessem prejudicado, fazendo com que as pessoas desse lugar comprassem uma briga que não existia. Ninguém sabia o que passei na casa dos meus pais quando era mais nova, nem como a falta de afeto deles me deixou cicatrizes.
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  Ninguém sabia, porque ninguém percebeu.
  Isso acontecia porque papai e mamãe eram extremamente amorosos com Quinn. Então era muito mais fácil acreditar que eu era a ovelha negra da família, e que fazia de tudo para prejudicá-los.
  Veja bem… Eu não sou ingrata; sei que eles fizeram de tudo, até se casar, por conta do meu nascimento. Mas nada justificava eles passarem a minha vida toda tentando me sabotar.
  Balanço minha cabeça para afastar esses pensamentos.
  Seria muito difícil mudar a opinião dos outros, e eu não tinha tempo para isso. Então, tento focar no meu objetivo principal, que era entregar uma análise de risco e um plano de contingência para meter o pé dessa ilha.
  Me espreguiço assim que termino de escrever o último parágrafo da seção cinco. O documento estava ficando gigante. Meu objetivo era informar que os riscos para a construção do resort naquele lugar eram praticamente nulos, mas, como nem tudo são flores, algumas situações estavam me deixando incomodada.
  Uma delas era o fato de que os moradores poderiam querer embargar a obra alegando impacto comunitário e ambiental. Mesmo que Richard Davenport tivesse todos os alvarás liberados para a construção, em caso de processo, o juiz poderia considerar muitas coisas, como a dificuldade de locomoção dos moradores para outras partes da ilha, acessadas justamente pelo caminho que será construído o resort.
  Essa questão da mobilidade tem me deixado de cabelo em pé.
  Mando uma mensagem rápida para Mack. Ela tinha sido contratada, depois de muita relutância por parte do Theo, para fazer parte da nossa equipe. O arquiteto anterior não aguentou a pressão dos moradores e acabou abandonando o projeto.
  Eu precisava de uma segunda opinião e sabia que minha amiga me traria uma solução, ou melhor, um novo projeto arquitetônico para apresentarmos caso Richard sentisse a necessidade de seguir a opinião dos moradores.
  Enquanto esperava uma resposta dela, fecho meu notebook e me levanto da cadeira. Precisava de café e, apesar do excesso de cafeína estar me impedindo de dormir bem à noite, a bebida vinha sendo a minha maior aliada.
  Nem me preocupo em trocar de roupa. Apenas vou para a sala e pego minha carteira de cima da mesa. Theo e eu acabamos com o estoque de café da casa, então eu teria que ir até o mercadinho comprar mais. Se bem que esse calor infernal pedia um bom e velho café gelado.
  Ao abrir a porta, dou de cara com uma pessoa que eu não tinha planos de ver tão cedo.
  Quinn.
  Minha irmã estava inclinada sobre a porta, prestes a bater quando a abri.
  Eu não estava nem um pouco feliz em vê-la.
  — Ora, Ora! Se a montanha não vai a Maomé, Maomé vai até a montanha. Olá, Hailey!
  Beleza! Em algum momento eu daria de cara com a Quinn, só não esperava que fosse tão rápido assim. Eu ainda estava com raiva da minha mãe por me chutar pra fora de casa porque minha irmã estava chegando de Goldenport com a família, mas ter a Quinn com um sorriso gigante estampado no rosto às três horas da tarde era muito pior.
  Aquele filhote de cruz credo sabia que eu tinha voltado para a ilha, e, pior, sabia que nossa mãe tinha me expulsado de casa para que eles tivessem seu grandioso momento em família. A pergunta que eu fazia para mim mesma era, o que diabos ela estava fazendo ali?
  — Quinn… — Tento suprir a necessidade de tirar ela da minha frente na base dos tapas. — O que você quer?
  — É assim que você me trata? Com hostilidade? — Minha irmã entra sem ser convidada.
  Abro e fecho as mãos várias vezes, tentando manter o controle.
  — Esperava que eu fosse tratar você como? Com champanhe e flores? — Ergo uma sobrancelha.
  — Não preciso de tanto. — Ela se vira, ostentando uma expressão desprezível. — Só queria visitar minha irmã mais velha e ver de perto o fracasso que você se tornou.
  — Que porra é essa, Quinn? — No fundo, eu sabia que ela não sairia daqui até eu perder completamente a minha paciência.
  — O quê? Falei alguma mentira? Matt fez questão de mostrar quem você era.
  — Matt é um otário. — Franzo o nariz. — E o que acontece na minha vida não lhe diz respeito.
  — Corta essa, Hailey! A mamãe ficou tão decepcionada com tudo o que você fez em Goldenport.
  — Quinn… Vá embora.
  Aviso. Eu não queria discutir, mas, se fosse preciso, minha mão voaria na cara dela rapidinho.
  — Esse sempre foi o seu problema, querer ser algo do qual você não tem capacidade para ser.
  A encaro, perplexa. Quinn nunca media esforços para tentar me rebaixar, mas o que me deixou ainda mais irritada foi com a tranquilidade e audácia que se sentou no sofá.
  — Eu não tenho que me explicar para você.
  — Claro que não! Sei muito bem dos seus fracassos, deve ser péssimo repeti-los para mim.
  — Estou falando sério, Quinn. — Me aproximo dou tapa de leve em sua coxa.
  Minha paciência estava começando a acabar e eu não queria ter que arrastá-la pelos cabelos.
  — Pelo visto continua a mesma hipócrita carente de atenção.
  — É sério, acho bom você vazar!
  — A mamãe tinha razão, você continua desequilibrada.
  Ela debocha da situação, fazendo meu sangue ferver.
  — Se ela tinha razão, o que você está fazendo aqui? — Cruzo os braços.
  — Vim para ver o estrago das suas escolhas. — Quinn se levanta. — Matt tinha razão. Uma mulher como você não serve pra nada.
  Travo meu maxilar. Aquilo é o bastante para me levar ao limite. Agarro minha irmã pelo braço, a puxando em direção à saída.
  — Eu quero você fora dessa casa. Agora!
  — Tudo bem! Tudo bem!
  Quinn começa a rir.
  — Juro por Deus, Quinn! Eu vou arrancar esse sorriso da sua cara!
  Praticamente empurro minha irmã para fora. Só que, no momento que tento fechar a porta, ela põe o pé na fresta, me impedindo.
  — Espera! Preciso dar um recado da mamãe.
  Respiro fundo, mantendo meu semblante sério. Essa garota sabia ser pior que uma praga.
  — E o que seria?
  — Mamãe pediu para você deixar o Kai em paz e sair da casa do Theo o mais rápido possível. Segundo ela, você deve voltar para Goldenport e nunca mais pisar nessa ilha.
  — E por que ela mesma não veio me dar o recado? Por que mandou você?
  — Simples… Ela não quer ver e muito menos falar com você. Na realidade? Se você morresse hoje, não faria diferença nenhuma para nós.
  Quinn pisca para mim, como se tivesse apenas me contando uma fofoca idiota.
  Queria me sentir surpresa com as suas palavras, mas no fundo, esse era o sentimento deles. Não mudou há dez anos e não mudaria agora.
  — E, pelo visto, você continua com a mesma boca suja, Quinn.
  Me assusto com Kai surgindo atrás dela do nada. Eu não precisava que ele me defendesse, mas me sinto aliviada com seu aparecimento, porque isso faria minha irmã evaporar o mais rápido possível.
  Quinn tinha sido pega no flagra fora do seu personagem habitual, e isso, por si só, era uma humilhação para ela.
  — Kai… — Quinn ajeita a postura na hora, mudando completamente seu comportamento. — Não sabia que vocês dois estavam tão próximos a ponto de você estar visitando minha irmã na casa de outro.
  — Esse outro é meu melhor amigo e, até onde eu sei, o melhor amigo da sua irmã. — Kai cruza os braços, com a fisionomia cada vez mais fechada. — E desde quando você se importa com quem eu falo? Ou melhor, com o que eu faço?
  — Qual é Kai? Nós vimos de perto como você se afundou depois que a Hailey foi embora. Não queremos que isso aconteça novamente…
  Ah! O cinismo dessa garota era inacreditável.
  — Apenas vá embora, Quinn. — Peço pela milionésima vez, sentindo minha cabeça começar a latejar.
  — Por quê? Eu ainda quero falar com você. — Seus olhos alternam entre mim e o Kai.
  — Quinn, você e sua família nunca se importaram com a Hailey. — Agora era ele que mantinha um olhar fixado nela.
  — Pra que toda essa ignorância? Eu estava conversando com a minha irmã. — Quinn rebate olhando para ele, mas eu me meto no meio:
  — Nós duas sabemos muito bem que conversar não é muito sua praia, Quinn. — Me apoio na parede. — Apenas suma de uma vez.
  — Inacreditável! Você realmente gosta de ser um corno manso, não é mesmo, Kai?
  Ele não responde.
  — Quinn… — Aviso, sentindo a veia do meu pescoço pulsar com mais força.
  Era mais do que óbvio para mim que minha irmã estava cruzando todas as linhas possíveis.
  — Se eu fosse você, tomaria cuidado. Hailey acabou de ser chutada pelo noivo e pode estar mirando em você como a próxima vítima.
  — Sou bem grandinho, Quinn. Faça o que sua irmã pediu. — Ele rebate, apontando com o queixo o caminho para casa da nossa mãe.
  Não espero ela sair, apenas dou as costas para os dois e volto para a sala, me jogando no sofá. Apesar de ter conseguido me livrar da Quinn, com Kai eu não tinha ideia do que aconteceria em seguida. Ódio! Eu só queria um café, e então praticamente todos os meus planos foram por água abaixo.
  — Hmm… Obrigada. Quinn não estava saindo de jeito nenhum.
  Ele se vira para me encarar.
  — Não me agradeça, você sabe que sua família só age assim porque você foi embora, né?
  Kai fecha os punhos ao lado do corpo.
  — Me poupe, esse é o tratamento que todos estão me dando desde que pisei nesse lugar. — Encaro o teto, sem muita paciência.
  — Só estão chocados por você aparecer do nada depois de dez anos.
  — Não tente justificar o que estão fazendo comigo, Kai. A minha mãe tem destilado o veneno dela por malditos dez anos e todo mundo engoliu essa história! — Me ajeito no sofá, tentando conter a raiva que eu ainda sentia.
  — Porra, Hailey! Eu não te entendo. — Ele dá alguns passos para dentro da casa. — Você nunca voltou, e quer que as pessoas te recebam com fogos de artifício?
  — Claro que não! Nunca quis isso, mas ao menos o respeito seria bom. — Balanço a cabeça, incrédula. — As pessoas têm total liberdade de ir embora.
  — Sim, você tem razão, mas seus pais… Eles passaram por dificuldades e você nunca deu as caras!
  — Nunca voltei porque foi o que minha mãe mandou. — O encaro, olho no olho, sem recuar.
  — Por que ela falaria uma coisa dessas?
  — Kai, meus pais não foram bons para mim, você sabe disso. Eles erraram demais, e quando eu precisei de ajuda…
  — Espera lá! Quando você precisou de ajuda? Porque as informações que recebi foram totalmente diferentes.
  — Não quero falar sobre isso. — Desvio o olhar para a janela.
  O Kai foi um dos principais culpados por todas as merdas que passei no meu primeiro ano em Goldenport. E mesmo que eu não tivesse certeza se queria ter essa conversa com ele, sentia uma necessidade absurda de jogar algumas coisas na sua cara.
  — Se você não quer falar sobre isso, é porque não foi importante. Deve ter sido mais uma das suas birras. — Ele me encara com certa arrogância. — Mas eu preciso que você entenda que as pessoas guardam mágoas. Você, como a filha mais velha, devia…

  Solto o ar pelo nariz, indignada com suas palavras.
  — Ah, pelo amor de Deus! Não vem com essa palhaçada pra cima de mim. Devia o quê? Meus pais estavam ótimos vivendo a vida deles com a minha irmã!
  — Hailey… Apenas assuma que você devia ter voltado antes.
  — Voltado para quê, exatamente? Pra continuar sendo o saco de pancadas da minha família? Eu tinha outros problemas, Kai. Problemas que minha mãe nem sequer deu o trabalho de escutar!
  — E o que poderia ser pior do que sua família passando por perrengues e quase perdendo a casa?
  Lá vamos nós. Não acredito que eu realmente iria contar isso para o Kai. Jurei para mim mesma que levaria esse segredo comigo para o túmulo, mas lá estava ele, me empurrando até o limite e me fazendo quebrar essa promessa.
  — No meu primeiro ano em Goldenport, eu perdi um bebê…
  Jogo as palavras na sua cara.
  Eu não tinha ideia de como ele reagiria. Mas jamais permitiria que o Kai ficasse defendendo meus pais na minha frente depois de tudo o que eu passei.
  Beleza! Talvez as palavras tenham saído da minha boca sem nenhuma delicadeza. Mas não tinha como eu trazê-las para dentro e recomeçar.
  Ele fica ali, parado me encarando como se esperasse que eu estivesse brincando com ele.
  Mas eu não estava.
  — … Foi logo depois que você terminou comigo.
  Seu silêncio me incomodava.
  — Hailey… — Kai dá um passo em minha direção, parando no meio do caminho, ponderando se deveria se aproximar. — Íamos ter um bebê?
  A voz dele falha, e a expressão do seu rosto faz meu corpo balançar. Eu não deveria ter pena dele. Nem agora, nem nunca. Pelo contrário, deveria estar feliz por ver o brilho nos seus olhos se apagar um pouco.
  — Não, Kai. — Fecho os olhos por um segundo, tentando recuperar o controle. — Eu teria. Não existia mais nós, você me abandonou a partir do momento que me deixou sair dessa ilha sozinha e me bloqueou.
  Ele balança a cabeça devagar, como se estivesse processando minhas palavras.
  — Eu nunca bloqueei você, Hailey!
  — Como não? Tentei ligar pra você quando estava internada, Kai. E a resposta nunca veio.
  Parecia que minhas palavras eram brasas e, à medida que eu falava, o queimavam ainda mais.
  Pois bem… Que queime. Deixe o homem sofrer um pouco daquilo que levei anos para superar.
  — …Sabe o que mais aconteceu? O hospital não iria me liberar sem um responsável. — Continuo abrindo minhas feridas enquanto as dele estavam sendo feitas nesse exato momento. — Então engoli meu orgulho e liguei para a minha mãe.
  Faço uma pausa para recuperar o fôlego. Algumas lembranças eram difíceis pra caramba.
  — … Disse que precisava de ajuda, que precisava voltar para casa. Mas a resposta que tive era de que eu não era bem-vinda.
  Kai fecha os olhos, parecendo prestes a desabar.
  — Quem ficou com você?
  — A Mack.
  Um som indecifrável sai de sua garganta.
  — Quanto tempo, Hailey? De quantos meses você estava?
  — Quase três.
  Engulo em seco.
  — Eu estava tão estressada, trabalhando dia e noite, que acabei não percebendo o óbvio. Os médicos disseram que abortos espontâneos podem acontecer nos primeiros meses de gravidez.
  Ele leva as duas mãos ao rosto, ficando em silêncio. Eu não tinha ideia do que Kai estava pensando.
  — Primeiro que eu nunca bloqueei você, Hailey. Eu esperei meses por uma ligação sua, mas ela nunca veio…
  — Tá duvidando? — Elevo meu tom de voz. — Porque, se você continuar com o mesmo número, posso provar agora mesmo!
  — Não é que eu esteja duvidando. É só porque eu não tinha motivos para bloquear você.
  Ele levanta os olhos para mim, e pela primeira vez em dez anos, vejo uma vulnerabilidade em Kai.
  Cala a boca, Hailey! Esse babaca terminou com você na primeira oportunidade.
  — Não importa mais o que aconteceu, Kai. Ficou no passado. — Digo, com a voz baixinha. — O resultado seria o mesmo. Você ficaria aqui, eu em Goldenport, as pessoas continuariam me odiando. Esse é o ciclo das coisas.
  Ele dá dois passos em minha direção, o olhar desesperado.
  — Jamais fale uma coisa dessas! A gente nunca vai saber o que realmente aconteceria se eu recebesse a sua ligação.
  Solto uma risada sarcástica.
  — Temos que ser realistas. O tempo só provou que realmente nunca teria dado certo entre a gente. Quantos anos seu filho tem, Kai?
  — Não coloque Reef no meio, Hailey!
  — Não estou falando por mal, mas ele tem o quê? Cinco? Seis anos? É só você pensar um pouco. Você escolheu ficar e, logo depois, arrumou alguém. E tudo bem! Mas o que eu quero dizer com tudo isso é que hoje eu vejo que o bebê não ter nascido talvez tenha sido a melhor coisa para ele. Para nós.
  — Pare com isso, Hailey!
  Ele se afasta, como se minhas palavras fossem lâminas afiadas.
  — Eu perdi um filho… E você passou por tudo isso sozinha.
  — Passei. — Sustento seu olhar, mesmo com a vontade de chorar. — E sobrevivi.
  O silêncio entre nós é assustador. Kai se agacha no chão, nervoso.
  Para ele, aquele sentimento podia ser novo, mas para mim era só mais uma das feridas que venho tentando cicatrizar ao longo dos anos. Pode até parecer um pensamento cruel da minha parte, mas compartilhar o que aconteceu de certa forma aliviou um pouco o peso da perda que eu sentia.
  Não traria meu bebê de volta, mas ver que o Kai estava se sentindo miserável com essa história era uma vitória.


  N/A: Hello! Hello!
  Então gente, esse capítulo já era pra ter saído no mês passado, mas ainda não estava do jeitinho que eu queria.
  Levei um tempinho para chegar nessa revisão final, então espero que tenham gostado.
  Beijos.

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