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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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De volta pra casa

Escrita porNathara Sant'anna
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Parte do Pop-Up Criativo #2 – Escreva seu livro.


Capítulo Dez

“Algumas semelhanças não são coincidência”

  Theo tinha razão.
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  Eu perdia muito tempo criando cenários desastrosos na minha cabeça. Mas nunca, nunquinha, pensei que fosse possível dar de cara com meu chefe em uma cafeteria.
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  Não era para ele estar em Goldenport?
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  — Sr. Davenport. — Pela surpresa do Theo, nem ele sabia que Richard estava na ilha.
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  — Olha só! Se não é a minha jovem prodígio. — Me sinto estranha. Era como se estivéssemos interrompendo seu momento de lazer. — Hailey. — Ele sorri para mim.
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  — Prazer em conhecê-lo. — Eu tinha escutado histórias sobre Richard Davenport antes. E a maioria envolvia a rivalidade dele com o meu ex-sogro.
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  — Venham, sentem-se comigo. — Abro minha boca para negar, mas o traíra do Theo já estava se sentando ao seu lado.
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  Não estávamos trabalhando, e a julgar pelas roupas que Richard estava usando, nem ele. Então por que deixar as coisas estranhas?
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  — Hailey — Richard aponta para o lugar vazio.
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  — Claro.
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  Olho feio para o Theo assim que vejo Richard chamando um atendente. Mas ele não parece ligar.
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  — Então… Quando o senhor chegou? — Contraio meus lábios levemente ao perceber que Theo não iria embora tão cedo.
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  — Ontem à tarde! Não quis incomodar vocês, por isso fiquei no hotel.
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  — Entendi… Bom, já que o senhor está aqui, podemos marcar uma reunião para apresentarmos o projeto? — Belisco a perna do Theo, que resmunga baixinho.
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  A gente não tinha nada para apresentar e ele queria uma reunião? Eu vou matar ele!
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  — Vamos aproveitar a semana, resolvemos isso quando Mackenzie chegar na ilha, o que acham? — Concordo rapidamente, tentando ganhar tempo para finalizar o projeto. — Peçam o que quiserem, tudo por minha conta.
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  Eu não me sentia confortável com meu chefe pagando as coisas. Parecia que eu estava me aproveitando da situação.
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  — Dois cafés gelados, por favor! Se possível, com uma dose extra também. — Theo pede por nós.
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  — Sinto você meio tensa, Hailey. Está tudo bem? — Richard sorri para mim.
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  — Sim… Apenas assimilando algumas coisas.
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  Eu faria picadinho do Theo quando chegássemos em casa.
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  — Soube que vocês estão morando juntos, namorados? — Fecho meus olhos e tento conter uma risada, lembrando que ele era meu chefe.
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  — Melhores amigos. — Respondo.
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  — Ah! Verdade! Você namorava o Matt Canon. Permita-me falar, o cara é um otário, igual ao pai. — Tento disfarçar a risada com uma tosse. Mas, apesar de ter sido um comentário engraçado, Richard foi um pouquinho invasivo.
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  — Tenho que concordar, levei alguns anos para perceber o quão babaca ele e a família eram. Acabei aprendendo da pior forma. — Dou de ombros. Mas depois me arrependo. E se ele achasse que eu era o tipo de pessoa que difama os outros?
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  Disperso esse pensamento. Ele mesmo tinha trazido os Canon para a conversa. Observo Richard consultar o relógio rapidamente e limpar os lábios com o guardanapo.
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  — Preciso resolver algumas coisas no hotel. Então não irei tomar mais o tempo de vocês. — Ele começa a se levantar. — Que tal jantarmos juntos hoje à noite?
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  Olho para o Theo, desesperada, me preparando para inventar uma boa desculpa, mas o idiota responde antes mesmo que eu abra a boca.
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  — Claro! Estaremos lá, com certeza.
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  — Combinado. Espero vocês dois no Grand Syrena. — Ele sorri. — Levem o Malakai junto com vocês, preciso conversar com ele.
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  Assim que Richard deixa a mesa, dou um chute na canela do Theo.
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  — Porra, Hailey! O que foi isso? — Ele acaricia a perna.
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  — Você ficou louco? Jantar com o Richard no Grand Syrena?
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  — Não vejo mal nenhum nisso. — Theo toma um gole do café que tinha acabado de chegar.
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  — Idiota! Saiba que não se deve agir tão amigavelmente com o patrão! — Tento explicar o óbvio.
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  — Hailey, você está exagerando. Richard é um cara legal! Você vai ver.
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  Desde que voltamos para casa, eu me sentia inquieta.
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  Odiava o fato de o Theo ter aceitado jantar com o Richard. Eu sequer tinha uma roupa adequada para ir até o Grand Syrena. Quer dizer, acredito que qualquer terninho que eu trouxe seria o suficiente para aquele lugar, mas eu tinha que me lembrar que iríamos para um jantar informal.
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  Foi o que Theo disse.
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  Mas, ainda assim, parecia estranho para mim. Quando eu morava em Goldenport, jantares com os proprietários praticamente não aconteciam. Geralmente os líderes levavam seus subordinados em nome da chefia. E olha que eu era nora do Sean naquela época.
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  Mesmo assim, meu ex-sogro vivia dizendo que jantares em casa eram totalmente diferentes dos jantares da empresa, e que eu não devia esperar que ele nos pagasse uma refeição pelo fato de eu ser sua nora.
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  Babaca.
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  Claro que, durante todos os anos que estive na empresa, nunca esperei tal coisa vinda dele. Para ser sincera, eu tinha pavor de que as pessoas achassem que eu estava sendo privilegiada, então sempre trabalhei nas minhas demandas e fiz o que devia ser feito para não ter minha imagem atrelada à família do Matt.
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  E olha o que aconteceu comigo. Eles acabaram com a minha carreira.
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  Eu andava de um lado para o outro do quarto, preocupada com a roupa que iria usar. E não era só isso. No fundo, só bem lá no fundo, eu estava com medo de Richard olhar para mim durante o jantar e se arrepender de ter me contratado. E, como se isso não bastasse, Kai iria participar desse jantar de negócios com a gente e eu não fazia ideia de como agir perto dele depois do que fizemos na praia.
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  Troquei de roupa cinco vezes, apenas para escolher um conjunto simples de seda.
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  Iria dar tudo certo.
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  No fim, eu só estava preocupada.
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  Chegar ao Grand Syrena não foi difícil. Na realidade levou apenas quarenta minutos até o Theo entregar a chave do carro para o manobrista e irmos encontrar com Richard.
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  Eu não tinha escutado falar do Kai até agora. Theo apenas me disse que ele viria sozinho.
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  Melhor assim. No melhor dos casos eu poderia postergar o máximo possível de uma conversa constrangedora.
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  — Vamos por aqui, Hals. — Meu amigo me conduz. — Richard me informou que reservou uma sala de jantar para termos mais privacidade.
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  Foram poucas as vezes que estive nesse hotel. E nessas poucas vezes foi apenas para almoçar no restaurante que era aberto ao público, especialmente nos aniversários da minha irmã. Nos meus, a gente geralmente ficava em casa e o dia passava normalmente.
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  — Tenho poucas memórias deste lugar, mas lembro que ele não era assim. O proprietário não mediu esforços para reformar esse hotel. — Resmungo, seguindo o Theo pelo saguão.
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  — Não comente isso na frente do Richard.
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  Paro e o encaro, confusa.
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  — Por…?
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  — Porque ele é o dono desse lugar.
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  — É o quê? Por isso ele está tentando comprar tudo na ilha? —Pergunto baixinho.
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  — Não bobinha. — Theo dá um peteleco no meu nariz. — Ele herdou o hotel do pai. — Pisco, assimilando a informação.
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  — Chocada. — Paramos na frente da sala de jantar privativa. — Não vai esperar o Kai?
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  — Ele sabe onde nos encontrar.
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  Theo abre a porta, me dando a passagem.
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  Fico boquiaberto assim que entrei no local. A sala de jantar privativa tinha paredes de vidro, deixando uma vista de tirar o fôlego.
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  Isso falava muito sobre a forma que o hotel foi erguido. Sob um rochedo, um pouco mais do centro da ilha. O posicionamento dele parecia um pouco como o castelo da Pequena Sereia. Hoje, de acordo com as leis ambientais, o hotel não poderia ser erguido naquele local, mas como ele foi construído antes da atualização da lei, o hotel estava dentro dos parâmetros.
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  O Grand Syrena era o point dos turistas e, principalmente, dos noivos apaixonados. Lembro que, de julho a setembro, a ilha recebia uma quantidade considerável de pessoas que vinham se casar naquele local, tudo por conta da vista de tirar o fôlego.
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  Nessa parte da ilha ficava uma laguna de água salobra, uma mistura de água doce e salgada que tem um canal estreito ligado ao mar. Isso acontece por conta das montanhas, do clima e do mar.
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  O pôr do sol deste lado da ilha é de tirar o fôlego.
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  — Olá! — Richard levanta, vindo em nossa direção. — A vista é impressionante, não é mesmo?
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  — Aham! — Limpo minha garganta e o cumprimentei. — Obrigada pelo convite, Sr. Davenport.
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  — Apenas, Richard, por favor! — Um sorriso surge em seus lábios. — Theo. — Ele acena. — Espero que não se importem pela minha família se juntar a nós.
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  Balanço a cabeça.
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  Nessa altura do campeonato eu sentia que já tinha ultrapassado todos os limites possíveis e impossíveis.
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  — Estão todos bem acomodados? — Theo pergunta, enquanto Richard nos leva até a mesa.
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  — Sim… Mas sinto que meus filhos estão emburrados. — Ele ri. — Os adolescentes são os mais difíceis.
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  Escuto um resmungo vindo do outro lado da sala e meus olhos param diretamente em um garoto sentado no parapeito da janela. Como eu não tinha percebido ele ali antes? Sem sombra de dúvidas que aquele garoto era um adolescente, exatamente como Richard tinha dito anteriormente. O que o entrega? Fácil. Ele estava vestindo um moletom gigante em pleno verão.
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  Me pergunto como esse garoto conseguia suportar um calor de trinta graus.
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  — Ei! — O comprimento de longe, chamando sua atenção, mas sou ignorada.
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  — Me desculpe por isso. Meu filho parece não ter um pingo de educação. Ele é um mal-humorado.
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  — Eu já fui adolescente. — Sorrio.
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  — Deve ter sido incrível crescer aqui.
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  Faço uma careta.
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  — Incrível é uma palavra muito forte. Eu diria, tolerável. — Assim que as palavras saem da minha boca me arrependo.
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  — Ah! Que pena.
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  — Quero dizer, Isla tem seus encantos, mas na minha opinião, passar tanto tempo em um lugar pode ser complicado.
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  Tento consertar minha cagada.
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  — Entendi… — Richard me encara. — Acredito que seus pais são da ilha mesmo.
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  — Sim… Meu pai é pescador, já a minha mãe é rendeira. — Theo explicando enquanto se senta.
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  — E os seus, Hailey?
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  — Meus pais são pescadores, minha mãe costumava ser rendeira, mas as coisas nem sempre são como imaginamos. — Dou de ombros.
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  Richard mexe no guardanapo silenciosamente antes de nos olhar.
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  — Meu Deus! Me desculpem, acho que estou fazendo um interrogatório, não é? — Ele ri.
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  Olho para baixo, encarando os talheres dispostos à mesa. Pensando se deixei óbvio demais meus problemas familiares.
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  — Tudo bem! — Gesticulo com as mãos. — O senhor é de Goldenport mesmo?
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  — Sim, nascido e criado. Só que também tenho uma conexão muito especial com essa ilha. Passei muitos verões aqui.
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  — Que legal! — Sorrio novamente.
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  — Mas sendo bem sincero, a ilha mudou muito. Já faz vinte nove anos desde a última vez que estive aqui. — Fico surpresa com as suas palavras. Porém me lembro que eu mesma fiquei dez anos sem colocar os pés nesse lugar.
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  — Londres, não é mesmo? — Theo comenta.
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  — Sim… Desde que meus pais me mandaram para lá quando era mais jovem, foram poucas as ocasiões que me fizeram ir até Goldenport.
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  — Por isso que ficou tanto tempo sem vir para Isla? — Pergunto.
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  — Meu pai faleceu ano passado e tive que assumir suas responsabilidades. Isla era uma delas.
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  A curiosidade toma conta de mim, mas antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, a porta é aberta. Meus olhos voam em direção da entrada apenas para pegar Kai passando por ela.
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  Ele usava uma calça jeans de lavagem escura e uma camisa preta que parecia se ajustar perfeitamente ao seu corpo. Espera! Por qual motivo eu estava secando o Kai? Balanço minha cabeça, mentalizando que ele era uma pessoa que eu deveria manter uma distância segura.
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  — Desculpem o atraso. Tive alguns problemas com meu filho. — Ele dá uma boa olhada ao redor antes dos seus olhos se fixarem em mim.
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  — Sem problemas! — Richard se levanta, caminhando até Kai para cumprimentá-lo. — Malakai Banks! Theo sempre falou muito bem de você.
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  Me limito a sorrir, quando na verdade queria bufar.
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  — Acredito que uma das coisas que ele falou foi sobre a nossa relutância com a construção do resort. — Sua voz é firme.
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  — Claro! Tivemos um briefing sobre isso. Mas foi Hailey quem me fez substituir a construção do resort.
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  O encaro, confusa.
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  — Como assim? — Pergunto.
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  — Tenho meus próprios meios para saber o que meus funcionários estão fazendo. Sua apresentação foi muito convincente.
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  — Hum, obrigada? — Sinto minhas bochechas esquentarem.
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  — Eu é quem deveria agradecer.
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  — Desculpe interromper, mas posso saber o porquê dessa reunião? — Fecho meus olhos ao perceber que Kai estava vindo em minha direção.
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  Porra! De todos os lugares que ele poderia se sentar, pra quê vir pro meu lado?
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  — Gostei de você, é um cara direto! — Richard não se deixa abalar com a atitude grosseira do Kai.
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  — Só não vejo muito sentido nessa reunião. Se quer saber a opinião dos moradores, nada mudou.
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  — Mas Hailey e Theo apresentaram uma solução…
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  — Sim! Mas, levando em consideração que você é um empresário e não é nativo da ilha…
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  — Malakai. — Agarro sua coxa, apenas para me dar conta de que o chamei pelo nome completo depois de muito tempo.
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  Ele também parecia chocado. Como se eu tivesse cometido um crime.
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  — Me desculpe. Acho que pareci rude. — Kai diz, com a voz mais baixa. — O que eu quero dizer, é que muitos empresários olham para a ilha como se fosse um tesouro perdido e se esquecem dos moradores. Nós temos nossa cultura para preservar. Hailey e Theo fizeram um ótimo trabalho, mas ainda está longe de ser aprovado.
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  Richard parecia escutar Kai atentamente. E fico surpresa por ele não parecer ofendido.
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  — Entendo seu posicionamento, Kai, principalmente dos moradores. — Ele responde, apoiando as mãos na mesa. — E esse é um dos motivos de eu ter vindo resolver pessoalmente. Quero construir algo que pertença a ilha, não o contrário.
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  — Palavras bonitas, mas como você faria isso? — Kai cruza os braços.
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  — Aprendi que família protege família, e esse é um fator que não posso passar por cima. E é por isso que preciso do envolvimento de todos, inclusive o seu, Malakai.
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  — Sr. Davenport, você é está certo! Ir contra os moradores seria como naufragar o barco em águas rasas. — Theo balança a cabeça, me cutucando de lado.
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  Recebo um olhar estranho vindo do Kai que não entendo muito bem. Ele era o próprio a falar isso em qualquer oportunidade. Mas parece que escutar suas palavras saindo da boca de outro era completamente estranho para ele.
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  — Claro! Claro! Vamos parar de falar sobre negócios. O restante da minha família chegou para jantar, quero um ambiente confortável para elas.
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  A porta se abre novamente. Uma mulher elegante, na casa dos quarenta e poucos anos entra com uma garotinha. Ambas tinham um sorriso enorme estampado no rosto, deixando o ambiente mais caloroso.
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  — Desculpe a demora, querido. — A mulher caminha até ele, ajeitando sua blusa. — Hazel teve um probleminha. — Ela pisca para a menina.
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  — Sem problemas, Ivy. — Richard sorriu afetuosamente para ela. — Deixe-me apresentá-la. Pessoal, essa é a minha esposa, Ivy, e minha filha caçula, Hazel.
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  Theo e eu nos levantamos para cumprimentá-la, assim como Kai.
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  — Vocês não sabem como é um prazer finalmente conhecê-los. — Ivy diz.
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  Sou surpreendida.
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  Diferente de muitas pessoas ricas com quem eu convivi. Ivy parecia ser totalmente diferente deles. A mulher não demonstrava nenhum pingo de arrogância e era de extrema educação.
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  — Oi. — A garotinha acena.
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  — Ei! — Me mantenho um pouco afastada. Lidar com crianças era um pouco difícil para mim.
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  — Você é muito bonita.
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  — Obrigada.
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  A menina dá um passo à frente, sorrindo para mim e me entrega uma rosa, me deixando sem reação. Mas ao olhar para ela, algo estranho aconteceu.
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  Era como se eu estivesse me vendo com treze anos de novo. E podia jurar que vi uma covinha do lado esquerdo. Só que isso era impossível, porque não tínhamos nenhum parentesco.
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  Do meu lado, escuto Kai soltar um caralho baixinho, e vejo Theo com os olhos arregalados. Aparentemente eu não era a única a achá-la parecida comigo.
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  Ambos me conhecem desde criança, então era compreensível que eles estivessem tão surpresos quanto eu.
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  — Meu Deus! Vocês são muito parecidas.
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  Ivy coloca a mão na boca, e um silêncio toma conta da sala. Richard parecia olhar da filha pra mim, e de mim para a filha com uma expressão que eu não consigo decifrar.
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  De repente, sinto Kai ficar completamente rígido. Ele não estava pensando que aquela garota podia ser nossa, não é mesmo? Quer dizer, eu realmente perdi o bebê.
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  Mas algo dentro de mim mexeu comigo.
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  Por que ela era tão parecida comigo?
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Natashia Kitamura

Say what?????
Pera que agora plantou o bichinho da dúvida em mim também! Como assim elas se parecem? Vamos cavucar isso aí!!!!

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