Um Romance Para O Natal

Escrita porNatashia Kitamura
Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 25 minutos

  %Jessica% %Mendes% tinha tudo sob controle.
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  Desde pequena, o mantra era conseguir manter no controle si mesma e tudo ao seu redor. Filha de uma mãe obcecada por organização, que também era filha de outra mulher ainda mais obcecada pela própria família, %Jessica% obteve a característica de gostar das coisas em seus devidos lugares, mesmo que seja só de faixada.
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  A verdade era que ela não era, em nada, organizada ou obcecada por sua família. Ao contrário, gostava muito de passar a maior parte de seu tempo relaxada, fazendo coisas que se sentia bem. Aos 27 anos, não havia feito nada demais da vida, porque não queria nada além do que já tinha.
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  Era por isso que, ao finalizar o colégio, entrou em uma universidade na cidade mais afastada o possível de sua família: São Paulo. Apesar da cidade estar a apenas 40 minutos de sua cidade natal, %Jessica% demorou um ano inteiro para convencer sua família controladora a deixá-la sair de suas asas e alçar o próprio voo.
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  Sonhadora, achou que sua vida mudaria da água para o vinho, para melhor. São Paulo, uma cidade tão grande, com certeza teria espaço para mais uma garota pronta para viver a própria vida. Entretanto, tudo o que %Jessica% conseguiu, foi dividir um apartamento de 2 dormitórios minúsculo com mais 3 estudantes e, após se formar, trabalhar em uma empresa pequena que, às vezes, lhe pagava o salário – baixo, se comparado ao de seus colegas de sala – atrasado.
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  Foi há 2 anos que tudo em sua vida mudou. Enquanto fazia as compras de natal, recebeu um telefonema de uma entrevista da qual havia feito há quase um ano. Uma vaga havia aberto em uma empresa multinacional que estava, cada vez mais, abrindo seu caminho no mundo, e o currículo de %Jessica% fora indicado pela pessoa que havia a entrevistado. Ainda que não tivesse a contratado, a pessoa havia dito que ela possuía um bom currículo, e que ela deveria ter mais fluência em uma segunda língua, o motivo real de não ter sido selecionada.
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  Mas a magia do natal havia transformado sua vida, dando-lhe a oportunidade de finalmente ter o emprego que tanto esperava. Após confirmar disponibilidade para a entrevista, pôde imaginar tudo o que faria com o salário que entrasse. Primeiro, mudaria de apartamento. Talvez pudesse alugar algum lugar só para si. Em seguida, pagaria o curso de inglês – ou, se desse sorte, a própria empresa o faria –, por fim, finalmente poderia adotar um cachorrinho. Sempre se viu assim, morando em um apartamento médio, o suficiente para si, com um cachorro como companheiro e tendo o final de semana livre com ele e uma garrafa de vinho. O que mais poderia pedir?
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  – Casamento - a avó disse, quando Ana Amélia, sua filha e mãe de %Jessica% informou sobre a mudança de emprego da última –, isso já passou pela sua cabeça, menina?
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  E como não?, %Jessica% pensou. A maioria dos primos da mesma idade dela ou mais velhos já haviam se casado, a irmã mais velha, no ano anterior, e a mais nova, noiva do namorado de infância que, por coincidência ou não, era amigo do irmão mais velho das três, formado em medicina. As duas eram o orgulho de Ana Amélia, %Jessica% costumava dizer. O irmão mais velho, Thales, já havia cessado qualquer esperança das matriarcas; elas esperavam, sentadas, o homem de 30 anos sossegar.
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  – Os homens da minha idade estão casando perto dos 40 – ele disse da última vez, quase causando um ataque da avó.
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  De qualquer maneira, era mais fácil controlar %Jessica%, com seu temperamento dócil, do que Thales, dono de seu próprio nariz.
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  A notícia do emprego não havia sido recebida com o entusiasmo que %Jessica% esperava, por isso, manteve-se calada e se isolou em um canto, se contentando com a alegria que as amigas passavam através de mensagens de celular.
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  O trabalho se mostrou bom. Ela seguiu o ramo administrativo e agora era assistente principal do presidente da empresa, %Eric%, que veio dos Estados Unidos a pedido do verdadeiro presidente da empresa, seu pai, que, em um meio de fazer o filho entrar na linha, deu-lhe um prazo de 2 anos para mostrar que tinha competência para herdar a empresa bilionária.
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  2 anos que estavam chegando ao fim.
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  – Ele está cada dia pior. – %Jessica% disse para Noemi, sua melhor amiga, com quem dividia o apartamento. Ela descobriu que, melhor do que ter um apartamento pequeno para si, era muito melhor dividir um apartamento grande com suas três melhores amigas. – O prazo de seu pai está chegando ao fim, e ele está desesperado.
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  – Se eu estivesse prestes a perder um legado bilionário, talvez estivesse pior. – Ana, a outra companheira de apartamento E melhor amiga, disse, saboreando o próprio vinho.
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  – Eu acho - Carol, a última do quarteto, apoiou os braços na mesa e se inclinou para frente, olhando animada para %Jessica%, que ergueu uma sobrancelha. Cáa era a amiga que sempre tinha ideias malucas que, na maioria das vezes, as levavam em cana. A única certeza, era que, em todas as situações, as quatro se divertiam muito –, que você deveria aproveitar para colocar sua competência na mesa e mostrar suas cartas!
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  – Verdade – Noemi olhou para %Jessica% –, você sempre foi muito boa com ideias, poderia sugerir algo para ele.
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  – Ele não confia em mim, porque não tenho um doutorado. – %Jessica% revira os olhos. – Para ser sincera, acho um absurdo ele achar que não sou competente o suficiente para criar um projeto bom para subir as vendas, e ainda assim deixar toda sua vida exposta para que eu cuide.
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  %Jessica% era a assistente pessoal do presidente. Desde suas reuniões, até quais presentes enviar para as mulheres com quem ele terminaria (ela terminaria por ele), %Eric% não tinha medo, nem vergonha de mostrar quem ele realmente era para a garota. Aos 35 anos, o homem tinha uma vida saudável e, contanto que as vendas não caíssem, seu bom humor era garantido.
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  O problema era que, há três meses, o pai havia lhe enviado uma carta através de seu assistente – que, obviamente, não foi %Eric% quem recebeu, mas sim ela –, dizendo que gostaria de ver o desempenho positivo de %Eric%, através das estatísticas da empresa. Isso fez com que o presidente júnior finalmente entendesse que não bastava manter o seu lugar no pódium, mas sim alcançar o primeiro lugar e permanecer lá.
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  Desde então, a vida de %Jessica% se tornou um inferno, com reuniões e mais reuniões, gerentes reclamando para ela de terem suas ideias recusadas, companheiros de negócio discutindo por telefone, pedindo um posicionamento sólido do presidente e, o pior de tudo, mulheres aparecendo repentinamente na empresa, tacando-lhe presentes e flores que ela não havia mandado.
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  – Eu não me formei para isso… - ela resmungou, terminando de beber a taça, que logo foi preenchida por Ana. – Não sei qual emprego é o pior. O anterior ou esse.
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  – Pelo menos nesse você ganha bem – Ana disse.
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  – Bota bem nisso! – Carol exclamou. – Não sei por qual razão que ele escolheu você ao invés da louca do T.O.C, mas, o que importa, é que você nunca errou com ele nestes dois anos e, portanto, merece receber um crédito. O que custa criar um plano e mostrar para ele? Se todo mundo está tendo suas ideias negadas, você só seria mais uma. Mas, se você for aprovada, você será A funcionária. Entendeu?
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  %Jessica% adorava as amigas, porque elas sempre transformavam seu desânimo, em um plano de fuga para uma festa.
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  Olhou para o celular, que começou a tocar incessantemente e, ao ver a foto da mãe no visor, resmungou um palavrão.
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  – Oi, mãe.
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  – Oi, querida, como você está? Estou te ligando, porque você não confirmou no grupo do Whatsapp da nossa família sobre sua presença no natal e sua avó está pirando. Ela, inclusive, mandou um áudio para você lá, não conseguiu ouvir? Como está o trabalho? Você conseguiu um tempo para se dedicar a você e encontrar algum companheiro? Seu irmão disse que irá trazer uma pessoa, dá para acreditar? É a primeira vez em 32 anos! Acredita que seu pai veio me dar um sermão sobre o que eu posso ou não fazer? Disse que eu irei assustar a pobre garota, mas, convenhamos, se ela está com seu irmão, qual a probabilidade de eu assustá-la? Além disso, sou uma ótima sogra, João e Caio sempre dizem isso nas cartas de natal. Por que você não está me respondendo?
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  %Jessica% suspirou, levantando-se da mesa ao ver as amigas taparem a boca, evitando rir. Ana Amélia tinha uma linha de raciocínio rápida, de modo que todos os seus pensamentos vinham à tona de uma só vez. A filha, conhecendo-a como conhecia, respirou fundo, buscando o auto controle que tanto dizia ser o segredo de seu sucesso, e fechou a porta do quarto.
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  – Eu já disse para a senhora que vou, mãe. A senhora me ligou ontem, lembra?
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  – Eu disse a você para responder no grupo da família! Sua avó está esperando uma resposta sua.
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  – E o que a impede de responder para mim, mãe? Não consigo ficar o dia inteiro de plantão no Whatsapp. A senhora sabe que o final do ano é complicado para mim.
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  – Bem, você deveria saber que sua avó não aceita respostas que não venham da pessoa à quem ela fez a pergunta.
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  %Jessica% bufou e abriu o notebook em sua mesa de escrivaninha, indo para a versão web do Whatsapp e digitando para a avó “%Jessica% confirmada (árvore de natal)”.
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  – Pronto.
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  – Obrigada. Aproveitando a ligação, você conseguiu encomendar aquele bolo da doceria que fomos na última vez que a visitei? Sei que é um lugar difícil de conseguir encomendas, mas eu estava na esperança de me gabar para sua tia, você sabe, ela vive achando que a doceria dela é a melhor de todas, enquanto a minha empresa de organização poderia fazer um trabalho melhor. Bem, ela não perde por esperar.
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  – Encomendei, mãe. Semana passada, quando a senhora me pediu. Três bolos e uma torta.
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  – Ótimo. E não se esqueça de comprar um presente para sua irmã. Eu acho que ela está grávida! - a mãe sussurrou animada.
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  Ótimo. Mais um motivo para seu natal ser um inferno. Já não basta a avó e a mãe compará-la com suas irmãs, por ser a única solteira. Agora, Ana Julia estava grávida! Fabuloso!
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  – E o namorado? Você irá trazê-lo também? Sei que você vive saindo com um ou outro, mas que parar em um só. Se você trouxer alguém, será o primeiro natal que todos os primos estão acompanhados!
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  – Mãe. Eu não estou namorando. Eu-- só um minuto. - %Jessica% olhou o celular empresarial tocar. A única pessoa que poderia ligar aquela hora em uma sexta-feira… – Mãe, desculpe, tenho que desligar, meu chefe está me ligando.
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  – Chefe? São oito da noite! Você está fazendo hora extra? Ele te paga sob isso?
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  – Sim, mãe, ele paga. Nos falamos depois, tudo bem? Te amo! - e desligou, sem esperar que a mulher voltasse a falar; caso deixasse, sabia que perderia o telefonema do chefe e, dadas às circunstâncias atuais, ela não podia correr o risco. – Senhor %Clark%, boa noite.
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  – %Jessica%. Me diga que você está na empresa.
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  São oito da noite de uma sexta-feira, pelo amor de Deus! Ela pensou. Limpou a garganta e olhou seu reflexo no espelho. Tudo sob controle. Emoções sob controle.
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  – Não senhor, por quê? Esqueceu algo lá?
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  Ouviu um murmúrio de resposta, seguido de uma porta batendo ao fundo.
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  – Senhor %Clark%?
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  – Você não tinha uma reunião até às nove?
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  – Ontem, senhor. - revirei meus olhos. Era muito pedir para ele prestar atenção no contexto completo, e não somente no que lhe convinha? – Hoje é sexta, quase ninguém trabalha até às oito da noite.
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  – Pois bem. - ele pausou. %Jessica% aguardou alguns minutos. O chefe tinha uma mania que ela achava irritante de parar de falar no momento em que começava a pensar. Apesar de entender que um presidente não podia perder a linha de raciocínio, isso não significava que devia deixar a assistente três minutos inteiros no vácuo. Ou, talvez, pudesse sim. – O que está fazendo?
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  Oh-oh… essa é nova.
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  Limpou a garganta, não conseguindo imaginar o que o homem queria com ela. %Jessica%, obviamente, sabia de tudo sobre seu chefe, principalmente quais termos que ele dizia com frequência, que poderia levá-la a tomar atitudes diferentes. Por exemplo, quando ele dizia seu nome em um tom de “eu te avisei” no meio de uma reunião, tudo o que ela tinha de fazer, era dar um jeito de acabar com o assunto, liberando-o do compromisso. Ou, então, começava a falar “Sabe…”, era porque, definitivamente, estava na hora de pesquisar um presente caro para sua atual namorada, com quem ele terminaria naquele dia.
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  Mas %Eric% %Clark% nunca havia lhe perguntado o que ela fazia.
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  Na verdade, ele nunca lhe perguntava sobre ela.
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  – Estou em casa. - ela respondeu, tentando não demonstrar a surpresa e o nervosismo. Será que era a resposta certa?
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  – E qual sua programação para o resto do dia?
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  Da noite, você quer dizer. Ela pensou.
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  – Hum… estou tomando um vinho com minhas amigas. Nada demais.
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  – Nada demais?
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  – Não, senhor.
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  – Ótimo. Vista-se bem, estou passando aí para te buscar. Vamos jantar.
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  COMO É QUE ERA?
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  – Desculpe?
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  – Chego em vinte minutos. Seu endereço é o mesmo do seu currículo? Parece um pouco longe daqui da empresa.
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  – Não senhor, mudei de residência.
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  – E por que não atualizou com o RH-- não importa. Me envie por mensagem o endereço e vista-se bem.
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  Sem esperar por uma resposta, o homem desligou, deixando %Jessica%, literalmente, no vácuo. A mulher olhou para o visor do celular, que estava na tela principal, nenhum sinal de ligação em andamento. Levantou-se por puro instinto e foi até a sala, onde as amigas imediatamente pararam de falar, para olharem para a amiga.
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  – O que foi? – Noemi perguntou.
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  – Questionaram sua virgindade novamente? – Carol riu.
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  – Meu chefe me ligou e mandou eu me arrumar para ir jantar com ele.
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  Por um instante, as quatro permaneceram caladas, até que um rebuliço tomou conta das amigas que, pelo jeito, não se importaram com o fato de que o chefe dela a havia chamado para jantar, mas sim um homem.
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  – Pelo amor de Deus, faça esse favor e nos prove que mulheres da nossa idade conseguem arranjar um herdeiro como namorado. Meu Deus, que coisa mais clichê! – Ana dizia, enquanto as quatro caminhavam de volta para o quarto de %Jessica%, as outras duas abrindo os armários para escolher uma roupa. – O mais incrível de tudo, é que ele realmente é um gato!
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  De fato, aquilo era uma verdade. %Eric% era o típico empresário americano dos filmes. Alto, com o físico em dia, os cabelos sempre arrumados em gel, o terno sempre engomado, o relógio caro no pulso e o sorriso de propaganda dental. Além disso, tinha três carros esportivos e uma moto. Jogava golfe e, quando não tinha muita coisa para fazer, viajava com alguma de suas namoradas para alguma praia do país.
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  Mas, diferente do que a maioria das pessoas achavam, ele não era um mau profissional. Havia vindo para o Brasil, porque era uma filial vista como potencial pelo pai, mas que precisava de um pulso firme. O irmão mais velho de %Eric% havia sido enviado para a China, lugar onde a empresa mais lucrava. O ato só comprovava o favoritismo do irmão mais velho à presidência. %Eric%, antes de deixar os Estados Unidos, havia ouvido do pai para não chamar muita atenção. Apesar de %Jessica% achar que aquilo foi mais uma maneira do homem conseguir com que o segundo filho não se sobressaísse e assim o primeiro ganhasse de lavada, não podia dar sua opinião ao chefe, que estava muito seguro de que percorria o caminho certo.
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  – Perfeita! – as amigas gritaram, animadas, ao ver %Jessica% vestida e maquiada, na medida do possível que conseguiram fazer em vinte minutos. Ela usava uma saia de couro na cor tijolo e uma camisa bege leve e solta. Um mule de bico fino e salto quadrado acompanhou o look, e os cabelos permaneceram soltos, pois não havia muito o que fazer. A maquiagem, no entanto, ficara ótima. O ponto chave dele eram os olhos bem delineados.
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  – Preciso descer – %Jessica% disse, pegando a bolsa.
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  – Espero que você não volte para casa hoje, amiga! - as amigas desejaram, enquanto observavam-na entrar no elevador rindo.
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  Era óbvio que voltaria para casa. Como sempre, atolada de trabalho e estressada com o chefe que não se tocava que ela era um ser humano que gostava dos finais de semana, e que não tinha culpa nenhuma do pai ser um idiota.
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  Assim que saiu da área comum do prédio, avistou um carro se aproximando. Sorriu, orgulhosa de sua pontualidade. Isso, sim, ela tinha controle. Era seu maior orgulho, o fato de estar sempre na hora nos lugares.
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  O chefe apenas parou o carro na frente, e baixou o vidro:
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  – Ótimo, entre.
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  %Jessica% suspirou. Ótimo? Era isso o que ele achava? Ela faz um milagre em vinte minutos, e tudo o que recebe era um ‘ótimo’? Segunda-feira, ela faria questão de adicionar na planilha de pontos, a hora extra na sexta-feira à noite.
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  – Para onde vamos, senhor? - ela perguntou, enquanto colocava o cinco. %Eric% acelerou, entregando o celular para ela, que guardou em sua bolsa sem ver.
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  – Tenho um jantar e uma festa para comparecer. Preciso estar acompanhado, mas a mulher com quem vinha saindo cancelou.
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  – Natália cancelou com o senhor? - a mulher olhou surpresa para o chefe, que riu.
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  – Acha que não levo foras?
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  – Acho, sim.
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  – Bem, essa foi a primeira vez. - ele disse, com um sorriso no rosto.
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  – O senhor não parece mau para quem recebeu o primeiro fora da vida.
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  – Porque não estou. Ela era só um rolo. - ele disse, dirigindo tranquilamente. – A propósito, nos dois eventos, ninguém sabe que você é a minha assistente, portanto, comece a me tratar de forma mais casual.
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  – O quê?
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  %Eric% suspirou e diminuiu a velocidade do carro.
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  – O assistente do meu pai está aqui para me sondar. Me mandou uma mensagem há duas horas, dizendo que estava na cidade e gostaria de encontrar para passar algumas informações enviadas por Jonathan.
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  – E por que seu pai não falou diretamente com o senhor?
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  – Com você. - ele a corrigiu. – Porque é assim que as coisas funcionam. Ele só fala com quem merece sua atenção e, aparentemente, filhos não estão nessa lista.
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  Ela ergue as sobrancelhas, pensando na situação. Como seria se a mãe e a avó não lhe dirigissem a palavra, ou não exigissem que ela lhes respondesse a cada mísera pergunta, que insistiam em fazer todo santo dia? Seria uma bênção ou um pesadelo?
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  – Você quer que eu ligue para ele e diga que houve um imprevisto? Consigo--
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  – Não. Tenho um plano.
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  – Um plano?
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  %Eric% sorriu.
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  – Thadeo veio para o Brasil porque algo aconteceu. Jonathan não o enviaria, caso estivesse certo de que estava tudo sob seu controle. Mas, aparentemente, há algo que eu possa estar fazendo que ele não programou. Preciso descobrir o que é.
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  – Para isso…
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  – Para isso, preciso que você finja que não sabe falar inglês.
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  – E você acha mesmo que o assistente pessoal do seu pai não saberá sobre mim?
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  %Eric% soltou uma risada.
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  – Dois anos comigo e você ainda não aprendeu, %Jessica%?
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  Ela viu o brilho no olhar dele. Tinha certeza. Aquele brilho significava que ela não o conhecia como achava conhecer e que, provavelmente, estava prestes a descobrir um lado ainda mais escondido do chefe que todo mundo idealizada perfeito e burro.
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  – Martha é a minha assistente pessoal, sob os olhos dos dois. - ele disse, fazendo-a abrir a boca em choque. Poderia ter suspeitado, se houvesse algum evento que fosse necessário a presença de sua assistente pessoal, mas não havia. – Para todos os casos, você é a assistente dela. E apesar de eu não poder namorar a minha assistente, posso namorar a assistente dela. – e, com um sorriso repleto de malícia uma inteligência que ela havia ignorado até então, ele lhe enviou uma piscadela.
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  – Mas… todo mundo… Eu já falei com Thadeo por e-mail e telefone…
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  – Não se sinta ofendida, mas Martha possui um currículo muito mais capaz do que o seu. - ele disse, sem um resquício de hesitação por dizer a verdade nua e crua. – E é por isso que você é perfeita para o cargo. Para ser minha assistente pessoal, preciso que, acima de tudo, você obedeça somente a mim. E isso não aconteceria com o pessoal lá em cima de olho em mim.
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  – Faz sentido. - %Jessica% diz, cruzando os braços. – Você não deixaria qualquer pessoa controlável saber de toda sua vida.
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  – Exatamente.
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  – E no meu currículo, não tem que eu sou fluente em inglês, apenas que possuo conhecimento básico.
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  – Sim.
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  – E minha assinatura está somente como Assistente.
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  – Bingo.
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  Ela permaneceu o encarando, enquanto ele dirigia com um sorriso convencido no rosto.
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  – Então, você não aumentou o desempenho na empresa por conta de uma estratégia?
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  – Claro. Ele achava que eu fosse querer surpreendê-lo com bons resultados. - %Eric% riu, balançando a cabeça. – Mas ao ver que isso não acontecia, começou a se preocupar. Os acionistas devem estar de olho em mim. O que um cara faz para, ao mesmo tempo que não cresce, não deixa a empresa cair sequer 0,1% do valor no mercado?
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  – Enquanto seu irmão faz todo o trabalho sujo lá da China. - ela finalizou, vendo-o aumentar ainda mais o sorriso perfeito, satisfeito com a conclusão da assistente. – Estou muito surpresa.
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  – Assim você me ofende. - ele brinca. – Nós, americanos, somos extremamente competitivos. A diferença entre um bom vencedor e um mau vencedor, é que o bom vencedor não passa por perrengues para chegar aonde quer.
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  – Perrengues? - ela ri. – Desde quando usa esses termos brasileiros?
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  – Tenho que admitir que vocês são muito bons em criar expressões populares. Você está se saindo bem na conversa casual.
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  %Jessica% lembrou-se de sua posição, e que ainda não estava no jantar para poder agir de tal maneira com o chefe. Limpou a garganta e arrumou a postura:
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  – Me desculpe.
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  O chefe não lhe respondeu, mas ela viu, em sua expressão, que ele havia ficado satisfeito com a reação que havia demonstrado. Pelo menos isso, ela ainda conseguia enxergar. O que mais descobriria sobre o homem essa noite?
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