Um Romance Para O Natal

Escrita porNatashia Kitamura
Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 4

  Eram 8 em ponto quando %Jessica% se sentou para comer o café da manhã junto de %Eric%. Como ele havia dito, o funcionário de limpeza e o chef de cozinha já estavam no apartamento, limpando e fazendo com que o aroma da refeição passeasse livremente pelo primeiro andar.
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  Ela havia acordado uma hora antes e arrumado todo o quarto de hóspedes, para que não fosse possível saber que alguém havia passado a noite ali. Ao ouvir uma batida na porta, saiu, pronta. %Eric% fez sinal para que ela deixasse as coisas dela em seu quarto, enquanto ele fazia uma ligação ainda no andar de cima.
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  O quarto do chefe parecia um apartamento dentro de outro. Apesar de não haver cozinha, havia um pequeno bar logo ao lado da porta. Uma área de descanso, com um sofá e duas poltronas, a cama logo ao centro, encostada à parede oposta da entrada. Duas portas, uma dupla e uma simples, provavelmente de seu closet e banheiro.
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  – Deixe os produtos de higiene no banheiro. – ele diz.
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  %Jessica% não deixou de pensar o quanto receber aquela herança era importante para ele, para permitir que uma funcionária agisse como se fosse a próxima dona do local.
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  Pediu licença e entrou no banheiro, onde um box em que caberia facilmente, e sem brincadeira, uma enorme banheira de jacuzzi. Qual seria a finalidade de um box tão grande? Ela jamais saberia. Viu uma enorme banheira, que provavelmente nunca havia sido usada, e uma bancada enorme de mármore com duas pias. Porém, o que mais encantou no local, foi a imensa parede de vidro com a vista para o Central Park. Era absolutamente de tirar o fôlego e ela conseguiu se imaginar tomando um banho de rosas naquela banheira, lendo um livro, bebendo um vinho e observando o parque em sua beleza arquitetada. Sem perceber, suspirou.
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  – Darei a ordem para que suas malas não sejam desfeitas. Será mais fácil para você transportá-la nos dias ímpares. - %Eric% disse no quarto, tirando %Jessica% de seu transe.
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  – Sim. - ela respondeu, apressando-se para voltar. – Tenho o dia livre hoje?
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  – A manhã e o início da tarde. - ele olhou em seu relógio. – Vou aproveitar para resolver alguns negócios que tenho na cidade. Os vestidos chegarão às quatro, é melhor que esteja aqui, para qualquer correção que precise fazer antes do evento.
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  – Claro, sem problema.
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  Sem dizer mais nada, os dois desceram para o café da manhã. A mesa, posta como nos filmes, deixou %Jessica% de bom humor. Havia uma manhã inteira somente sua. Já havia decidido que visitaria alguns pontos turísticos, a começar pela biblioteca nacional e o parque que havia logo atrás dele, com uma feira de natal famosa.
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  O lugar era mais incrível do que ela imaginava. Estava cheio, devido à quantidade de turistas, mas por estar sozinha, conseguia fazer tudo em seu próprio tempo. Achou a biblioteca menor do que nas fotos, mas não por isso era menos bela, muito pelo contrário. Podia entender por que aquela era uma das bibliotecas mais lindas do mundo.
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  Atrás, a feira de natal corria. Sorriu e decidiu observar as pessoas se divertirem no ringue de patinação montado. Crianças e adultos gargalhavam dentro e fora do ringue. Ela comprou um cinnamon roll e um chocolate quente, e se sentou em uma mesa próxima ao ringue. Tirou algumas fotos em seu celular e enviou para as amigas, que logo responderam com emojis, expressando a inveja de %Jessica%, por ela passar o natal na ilha.
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  – Com licença - ouviu um pouco atrás de si, virando-se para o dono da voz. Abriu a boca ao ver um homem alto, com um belo sorriso e um olhar calmo –, o lugar está vago? - apontou para a cadeira disponível.
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  – Sim, fique à vontade.
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  Mantendo o sorriso, ele depositou o livro na mesa e se acomodou.
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  – É uma época cheia. - ele disse. – Mas muito boa para se misturar às pessoas.
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  %Jessica% retribuiu o sorriso, feliz por ter alguém com quem conversar.
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  – Sim, principalmente quando se está sozinha.
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  – Meu nome é Daniel. - ele estendeu a mão, que ela apertou em um cumprimento.
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  – %Jessica%.
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  – E o que faz sozinha em Nova Iorque em plena época de natal, %Jessica%?
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  – Trabalho. - ela sorri. – Hoje é meu primeiro dia livre, quero dizer, manhã livre. – ela deveria estar falando isso para um estranho?
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  Daniel abriu um sorriso simpático. Esse era o problema. Ele parecia confiável. Um cara divertido no meio de Manhattan, aquilo, sim, parecia uma sorte de filme americano.
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  – Que ótima maneira de gastá-lo. Se você gostar de comida japonesa, há um pequeno empório atravessando a rua em frente à biblioteca, no lado direito.
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  – Uau, eu realmente estava afim de uma comida japonesa! - ela disse, animada. – Você lê pensamentos?
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  – Sou péssimo nisso, na verdade, mas é o que eu gostaria de comer em meu primeiro dia livre.
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  – Você é daqui?
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  – De nascença. - disse, parecendo até orgulhoso com o fato.
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  – Então acho que posso confiar na sua indicação. - ela brinca, ouvindo-o rir. – E o que você faz, local?
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  Ele balança um livro.
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  – Sou autor.
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  %Jessica% arregala os olhos.
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  – Mesmo? Esse livro é seu?
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  – Este? - ele olha para o objeto. – Não, estou pesquisando.
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  – Ah, e o que você escreve?
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  – Em sua maioria, fantasia.
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  – Uau. Estou impressionada. Encontrar um nova-iorquino, autor, atrás da biblioteca nacional. - ela sorriu. – Acho que estou de parabéns.
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  Daniel riu.
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  – E você? De onde é?
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  – Brasil.
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  – Brasil? - surpreendeu-se, arrastando sua cadeira para mais perto. – Acho que se tem alguém que está de parabéns aqui, essa pessoa sou eu. Nunca conheci uma brasileira antes.
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  – O que é uma novidade - ela aponta para ele –, todos que saem do país, nos chamam de praga, pois nos encontram em todo lugar.
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  – Bem, você é minha primeira. - ele sorri. – E se são praga como dizem, devo ter sido bastante azarado, já que nunca conheci nenhuma outra pessoa.
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  Daniel se mostrou muito mais divertido do que ela esperava de um autor. Durante uma hora inteira, os dois conversaram sobre tudo: a vida em Nova Iorque, a vida em São Paulo, a diferença entre as duas cidades, o que fazem no tempo livre, lugares que gostariam de visitar, rumores dos países do outro que haviam ouvido.
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  – Nossa, já é hora do almoço. - ela diz, olhando para o relógio e vendo-o quase marcar meio dia e meia. – Acho que vou aceitar sua sugestão e arriscar um japonês.
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  – Importa-se de eu acompanhá-la? - ele sorri, levantando-se junto. – Minhas duas opções é: ler sozinho ou saber mais sobre uma brasileira trabalhando em Nova Iorque.
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  – De fato, parece que sou um evento bem mais interessante.
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  Em resposta, ele lhe enviou uma piscadela, ajudando-a a sair da multidão.
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  Daniel era um autor de livros famosos ali nos Estados Unidos. Suas obras haviam permanecido por várias semanas na lista de mais lidos do New York Times, tão importante que até o brasileiro reconhecia o nome. Ele contou mais sobre como iniciou sua carreira, durante sua vida universitária, quando cursava Engenharia em uma instituição local. Foi descoberto por um agente após postar seus textos na internet, e logo fechou contrato com uma editora de grande porte, o tornando um autor profissional, com ganho o suficiente para se manter na ilha. Apesar da fama, gostava da tranquilidade e se ver no meio da multidão, ainda que estivesse sozinho.
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  – É mais fácil pensar. - ele diz, após terminar de mastigar o almoço.
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  – E como funciona o processo de criação? Você cria um personagem e então um mundo para ele?
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  – Hum… - ele olha para cima. – Vamos supor que eu conheça você e crie uma personagem com os olhos em um tom avelã, os lábios cheios e a pele que fizesse lembrar da primavera. - a encara, sereno, enquanto ela era mais uma vez se surpreendia com o homem.
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  – Ela seria a heroína?
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  – Não sei… - Daniel diz em tom pensativo, mas sorrindo, o que a fez entender que a decisão cabia a ela.
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  – Sempre quis ser mais a vilã. Acho que me identifico melhor com elas.
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  – É mesmo? E por quê?
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  Ela ergue os ombros.
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  – Acho que ouvi muito das pessoas ao meu redor sobre como estou acabando com a minha vida e tudo mais. Nunca me senti culpada por não fazer o que os outros esperam de mim, mas, de alguma forma, acho que isso é coisa de vilão.
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  – Muito pelo contrário - Daniel balança o dedo indicador no espaço entre os dois –, é isso o que a faz uma heroína. Ninguém chegou ao inesperado fazendo o que todo mundo espera.
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  %Jessica% ficou olhando para Daniel e, só quando olhou para o celular, que apitava o alarme programado, que ela foi perceber que estava sorrindo.
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  – Tenho de ir. O dever chama - ela balança o celular já com o alarme desativando.
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  – Que pena - ele disse, tirando a carteira da bolsa que carregava, entregando um cartão para ela –, se você precisar de um guia para te entreter, esse é meu número.
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  Ela pegou o cartão, vendo rapidamente o nome de Daniel estampado em caixa alta.
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  DANIEL HARRIS
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  Consultoria empresarial.
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  – Consultoria? - ela ergueu uma sobrancelha.
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  – Nas horas vagas - ele sorri, levantando-se com ela –, é meu hobby.
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  – Ser consultor é seu hobby e autor sua profissão primária? - perguntou com um riso pronto para sair de sua boca. Daniel continuou com seu sorriso no rosto e, como não houve resposta, ela entendeu como uma afirmação. – Bem… então até mais, Daniel Harris.
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  – Até mais, %Jessica%. - respondeu, abrindo a porta do empório para ela sair na frente.
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  Em passos apressados, %Jessica% foi embora primeiro, pensando no quão sortuda havia sido ao encontrar um cara legal. Será que ligava para ele?
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  – A senhora %Clark% informou que era possível que fossem necessários alguns ajustes, mas tudo coube perfeitamente. – Olivia, a personal shopper que Amanda havia enviado para %Jessica%, disse, após fazê-la experimentar cerca de 12 vestidos diferentes. – Se eu soubesse que o corpo dela tinha proporções tão boas, jamais teria trazido essa gama de peças, torna tudo mais difícil para ser decidido.
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  – Ela irá com o vermelho – %Eric% apontou para o segundo vestido da lista. Não havia expressado, mas também estava surpreso com o perfil de %Jessica%. Até então, nunca havia dado atenção ao porte físico da assistente, mas, por ter sido obrigado a comparecer na decisão da peça, não pode evitar perceber que ela estava em forma.
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  A decisão pelo vermelho se devia ao fato de que poucas mulheres ficavam bonitas com a cor, em um vestido de gala. Além disso, a roupa possuía uma fenda que valorizava as pernas da mulher e que ele poderia tirar bom proveito da situação com sua família. Coraline com certeza estaria de preto; era o que advogadas da Barks costumavam usar, %Eric% soube.
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  %Jessica%, por outro lado, ergueu uma sobrancelha. Havia gostado bastante do vermelho, mas não o achava adequado como a roupa que usaria no primeiro evento que seria apresentada como namorada do chefe. Suspirou ao vê-lo voltar o olhar para o tablet e o celular, onde trabalhava mais um pouco. Havia perguntado ao homem mais cedo, se havia algo que ele gostaria que ela fizesse com relação ao serviço, mas ele lhe respondeu que ela já estava fazendo. Achou gentil da parte dele não lhe dar coisa para fazer durante a viagem, mas, mesmo assim, a fim de mostrar serviço, mandou alguns e-mails enquanto esperava Olivia chegar com as roupas.
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  A cabeleireira e maquiadora chegaram meia-hora depois da saída de Olivia. %Jessica% já havia tomado banho e, enquanto se observava no espelho as duas fazerem a magia, pensou em como ela estava parecendo Julia Roberts em Uma Linda Mulher, com a diferença de que ela não era uma prostituta. Olhou de canto para %Eric%, ainda com o terno do dia, falando ao telefone próximo à parede de vidro no lado oposto do quarto. Mantinha a mão livre no bolso. Era, sim, uma bela visão, ela pensou.
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  – Acho que não preciso fazer mais do que isso. - a cabeleireira disse, ao mesmo tempo que a maquiadora informou que havia terminado. Os cabelos estavam presos em um coque elegante, e a maquiagem, o mais discreto possível.
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  %Eric% entrou no banheiro e, sem esperar que as duas profissionais saíssem, surgiu com uma caixa de veludo.
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  – Acredito que vá precisar, para usar com o vestido.
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  A reação, no entanto, veio das mulheres que haviam preparado-a. Se aproximaram para verem o conjunto de colar e brincos de brilhante que o homem havia trazido.
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  %Jessica% abriu um pequeno sorriso, olhando-o pelo reflexo do espelho.
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  – São lindos.
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  Ele mesmo colocou as peças, ouvindo as mulheres imediatamente elogiarem o visual final da mulher. %Jessica% sorriu educadamente e agradeceu. Em seguida, %Eric% as dispensou.
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  – O que está fazendo? - ele perguntou, ao voltar para o quarto e vê-la retirando os brincos, após o colar ter sido cuidadosamente colocado de volta à caixa.
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  – Não é para eu devolver?
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  – É claro que não. - ele a encarou, como se ela fosse louca. – Você vai aparecer no evento com o colo nu?
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  Ela olhou para a parte do corpo mencionada e limpou a garganta.
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  – É emprestada, as marcas fazem isso em eventos como este. - ele disse, passando por ela e entrando no closet. – Apenas cuide para que elas não se percam.
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  – Sim senhor.
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  Suspirou, deliciada com a ideia de parecer uma princesa, ao mesmo tempo que se encontrava assustada com a ideia de carregar tanto valor em seu corpo. Principalmente um valor que não poderia pagar, poderia custar o seu emprego e que era para as outras pessoas invejarem.
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  O evento era muito maior do que ela imaginava. Deveria haver milhares de pessoas no local, luxuosamente decorado com ornamentos dourados, uma associação à riqueza daquelas pessoas, e, de quebra, também ao natal.
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  %Jessica% e %Eric% estavam sentados à mesa principal junto do restante da família %Clark%. Ela havia sido apresentada a diversas pessoas importante, mas, como parte do papel que interpretava, apenas sorriu e respondeu com um breve aceno. %Eric% quem fazia o restante.
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  – Vou ao toalete. - %Jessica% olhou para o chefe, que assentiu, vendo-a se afastar em direção ao banheiro.
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  A decoração era incrível. Os comes e bebes também. Alimentos, inclusive, que ela só pode experimentar a caminho do banheiro, já que a família não tocara no prato servido e, se eles não fizeram, ela também não faria.
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  Respirou fundo e, antes de chegar no banheiro feminino, encostou-se em uma parede mais escondida, para que pudesse olhar o celular. Estava cansada de fingir a burra, enquanto ouvia as mulheres atrás de si falando mal dela.
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  – E por que diabos eu fingiria uma gravidez? - ouviu próxima a si, logo virando a esquina de onde estava. – Você não acha que está indo longe demais?
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  Reconhecia aquela voz. Engoliu seco, dando um passo para mais perto da voz, enquanto ela dizia, raivosa:
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  – Mudança de planos. Eu não esperava que ele fosse aparecer com uma mulher também.
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  – E o que isso muda? A mulher mal entende uma palavra do que falamos.
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  %Jessica% soube por aí que se tratava de Logan e Coraline. Olhou para o celular, que gravava a conversa desde o momento em que a discussão começara, e então tirou da tela, para que, caso os dois a vissem ali, achassem que ela estava falando com alguém por mensagem.
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  – O fato de haver uma mulher de verdade muda tudo. Não importa se ela fala mandarim.
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  Coraline bufa, impaciente.
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  – Você quer que eu dê um jeito nela? Do jeito que ela é burra, não será difícil.
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  – Você já foi mais inteligente, Cora - Logan disse baixo –, não podemos fazer nada com a mulher. Ela, em si, não é uma ameaça, mas pode causar uma comoção caso %Eric% queira pedi-la em casamento no natal.
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  – Você está na frente, meu amor. - Coraline disse de forma doce. – Não é preciso fingir uma gravidez para isso. Só tornará as coisas mais difíceis para nós. Quando seu pai escolherá o herdeiro?
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  – Na ceia de natal, mas %Eric% não sabe. Ele não sabe de nada, aquele tolo. Como pode querer cuidar do negócio inteiro, sendo da maneira como é?
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  – Não há probabilidade nenhuma de ele herdar e você sabe disso. Não tem motivo para se sentir ameaçado, além do mais, se algo der errado, você ainda pode usar aquilo para convencer seu pai a reconsiderar.
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  Logan soltou uma pequena risada.
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  – Você é maléfica demais para o seu próprio bem, Cora.
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  – É por isso que você pediu a mim em casamento, e não aquela idiota da Kaira, que, a propósito, precisamos discutir sobre.
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  As vozes foram se afastando, de acordo com que os dois foram voltando para a festa. %Jessica% olhou para o arquivo do áudio, tendo certeza de que ele havia sido bem guardado, para que pudesse mostrar ao chefe assim que chegassem em sua residência. Sorriu, animada por finalmente conseguir mostrar algum serviço.
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  – Você parece feliz para quem estava ouvindo a conversa alheia. - uma voz soou em seu ouvido, fazendo-a saltar de susto, olhando para trás e dando de cara com…
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  – Daniel! - ela olhou para os lados, assustada. – O que faz aqui?
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  – Devo lhe perguntar o mesmo? - ele sorriu. Estava elegante, com o terno completo e as mãos nos bolsos. Os cabelos, no entanto, permaneciam no mesmo penteado de mais cedo. – Está aqui a trabalho?
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  – Ah… sim… estou. - ela olhou nervosa para trás. Era perigoso conversar em inglês ali. Limpou a garganta. – E você?
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  – Refeição grátis - ergueu os ombros, como se estar ali não fosse nada demais. – E então, foi uma discussão divertida?
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  – Não - ela riu, sem graça –, bem tediosa, na verdade. Eu poderia ter utilizado do tempo para fazer o que eu queria - e apontou para a porta do banheiro feminino.
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  – Ah, claro. Devo esperá-la?
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  Ela se conteve. Conteve-se muito. Queria conversar mais com ele. Era um cara divertido - e agora, misterioso –, e muito bonito também. Mas ela estava a serviço e não podia ser pega falando em inglês, por isso, abriu um pequeno sorriso ao dizer.
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  – Obrigada, mas preciso voltar.
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  Viu os olhos do homem analisá-la por alguns segundos, mas o vislumbre logo passou, %Jessica% percebeu. Abriu um pequeno sorriso tranquilo e disse:
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  – Fico aguardando a sua ligação. - e, depois de dar-lhe uma piscadela, se afastou com as mãos no bolso.
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  A mulher ficou encarando as costas de Daniel enquanto ele se afastava. Só podia estar louca, deixá-lo ir assim. Além do mais, se ele havia suspeitado de algo, foi educado o suficiente para não se intrometer.
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  “Você tem outras coisas com o que se preocupar agora, %Jessica%.” Disse a si mesma, virando-se para ir ao banheiro e então percebendo que havia demorado tempo demais. Suspirou e fez a volta, deixando para trás a vontade de ter um tempo para si.
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  Na mesa, todos conversavam como se ela nunca tivesse saído. %Eric% foi o único que a recebeu, enviando-lhe um olhar com um sorriso, e então voltou-se para a conversa que já travava, com um casal de senhores, aparentemente importantes no mundo dos negócios.
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  Discretamente, ela procurou por Daniel com o olhar. Sentia-se incomodada em saber que ele estava ali. Não esperava que ele fosse alguém muito importante, a ponto de ser convidado daquele evento, da qual ouviu Amanda dizer milhares de vezes sobre sua importância.
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  – Tudo bem? - %Eric% inclinou-se para próximo de %Jessica%, sussurrando em seu ouvido, uma ação que chamou a atenção de Amanda e Logan. Ao perceber, %Jessica% sorriu, como se ele houvesse dito algum charme.
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  – Te conto mais tarde. Em casa.
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  Percebeu pelo erguer das duas sobrancelhas do chefe, que ele não esperava por uma resposta como aquela. %Jessica% lhe deu um pequeno sorriso; talvez ele fosse capaz de ler seus códigos comportamentais, assim como ela havia decorado o dele.
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  Ele lhe depositou um beijo na bochecha, fazendo com que Logan desviasse o olhar dos dois, incomodado. %Jessica% sorriu para %Eric% mostrando-lhe um brilho no olhar de orgulho. Ela, com certeza, seria efetivada ao final daquilo tudo.
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  – Por que não pudemos ouvir no carro? – %Eric% a questionou assim que a porta da cobertura se fechou atrás de si.
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  A assistente imediatamente retirou o celular da bolsa.
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  – Um áudio.
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  As mãos que afrouxavam o nó da gravata borboleta imediatamente pararam, como um sinal de surpresa.
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  Ela não esperou ser pedida para colocar o áudio em andamento. Abriu o arquivo e colocou a conversa entre Coraline e Logan tocar.
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  A cada frase dita pelos dois, %Jessica% observou as reações de %Eric%. Ele mantinha seu olhar fixo no aparelho, como se o casal estivesse ali dentro conversando.
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  – … Você é maléfica demais para o seu próprio bem, Cora…
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  %Eric% permaneceu calado por mais alguns minutos, pensativo. A assistente aguardou pacientemente, como sempre fazia. Se fosse possível ver as ondas neurotransmissores, %Jessica% tinha certeza que o cérebro de seu chefe estaria a mil por hora.
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  – Eles realmente acham que sou um idiota. - diz, em um tom de riso. – É por isso que estão sendo tão descuidados.
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  Ela concordava. Os dois de fato não estavam tendo nenhuma cautela, ou disfarçando o desagrado em terem de “competir” com o irmão mais novo negligente e sua namorada burra.
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  Observou o homem caminhar até seu bar e servir-se de whisky, enquanto ela permanecia em pé, aguardando alguma ordem vir dele. %Eric% caminhou até a parede de vidro, que tinha como vista a cidade e uma parte do Central Park.
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  – Você sabe por que estou fazendo tudo isso? - ele perguntou.
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  %Jessica% ponderou por um tempo. Já havia pensado sobre isso antes, sem mesmo o chefe ter de perguntá-la. O que levaria uma pessoa a competir com o próprio irmão, a fim de garantir uma empresa? Era claro que valia muito. Pelo que havia pesquisado, a empresa valia bilhões de dólares e o presidente apenas demonstrou seu interesse em passar o poder para um dos filhos há quase 2 anos, quando iniciou o teste final. Antes de entrar na empresa, na mesma época que o chefe chegou ao Brasil para tomar conta dos negócios da filial, ela não sabia como que as coisas funcionavam ali, no entanto, tinha cerca noção.
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  – O senhor deve ter sido orientado sobre isso desde pequeno.
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  %Eric% virou o rosto para ela, a expressão pensativa.
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  %Jessica% não era uma funcionária qualquer. Desde quando começou a trabalhar com ela, apesar de sua falta de habilidade e talvez até preparação para a posição de assistente principal de um presidente, ela tinha o que ele raramente via em funcionários: fidelidade e força de vontade. De nada adiantava ter alguém trabalhando para si, que pudesse ser comprado por um concorrente, ou que nunca excedesse as expectativas. %Eric% se considerava uma pessoa paciente, por isso, ao ver %Jessica% dando o melhor de si para atender a todas suas exigências, que ele admitia, não eram fáceis, o fez desconsiderar, quando seus subordinados de poder na empresa sugeriram trocá-la por alguém mais adequado à posição.
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  Seu sexto sentido, como sempre, estava certo. Em seis meses, %Jessica% era capaz de suportar as exigências de seu papel sozinha, nunca reclamando e sempre estando disposta para qualquer afazer, pessoal ou profissional de %Eric%, a qualquer hora de qualquer dia da semana.
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  – Ela não ficará para sempre, %Eric% - Matheus, o diretor de marketing e com quem %Eric% melhor se deu na filial brasileira, disse, durante uma partida de bilhar em sua casa. – Ela pode ser fiel a você, mas nenhuma mulher trabalharia esse tanto para sempre.
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  – Nenhuma mulher? - %Eric% ergueu a sobrancelha, questionando a afirmação do amigo, que riu.
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  – Você acha que algum homem teria suportado? Às vezes questiono quem é o verdadeiro sexo frágil.
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  %Eric% abriu um pequeno sorriso. As pessoas achavam que ele preferia as funcionárias mulheres, porque gostava de ser um charlatão. Ele mantinha a postura mulherenga porque era mais fácil de lidar com as demais pessoas, se elas achassem que sabia de tudo sobre ele. Mas as pessoas, como sempre, achavam muito e prestavam pouca atenção aos detalhes. E era nos detalhes que ele se atinha e, por isso, mostraria ao pai que merecia mais do que o irmão, cuidar dos negócios.
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  Atenção aos detalhes, inclusive, foi o que fez com que %Jessica% permanecesse em seu trabalho, ele pensou, vendo-a arrumar o bar e seguir em sua direção com a garrafa de whisky, preenchendo o copo e colocando dois cubos de gelo, a quantidade exata que ele gostava. Ele sabia que ela havia decorado todas as suas reações e, antes mesmo dele pensar em exigir algo, já vinha com a solução ou lidava com os problemas à sua frente. %Eric% nunca havia encontrado, até então, alguém que se igualasse a Thadeo, o secretário particular do pai, que esteve na família praticamente a vida inteira. Seu pai, Thomas, era mordomo da família %Clark%. O filho mais velho de Thadeo, Junior, trabalhava com Logan, mas, apesar dos genes eficientes, não era, de longe, parecido com o pai. %Jessica%, no entanto, estava quase lá.
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  – Qual o seu plano de carreira na empresa? - ele perguntou para a funcionária, chamando-lhe a atenção.
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  %Jessica% o encarou, pensativa. Ela não procurava uma maneira de se explicar ao chefe, mas a pergunta lhe colocou a pensar qual o ponto máximo que acharia conseguir chegar na empresa.
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  – Gostaria, primeiro, de fazer uma pós-gradução em gestão de negócios. Acredito que há mais para aprender e, infelizmente, minha experiência na empresa anterior não se iguala às exigências de uma multinacional. - ela olhou nos olhos do chefe, confiante. – E então, permaneceria alguns anos trabalhando em uma equipe, para saber como funciona, de perto, a empresa. Minha meta final é chegar à diretoria.
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  – Quer ser diretora na minha empresa? - ele perguntou, interessado em seus planos.
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  – Sim.
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  %Eric% bebeu um gole do líquido, ao mesmo tempo encarava %Jessica%. Ele a faria sua diretora, muito antes do que ela imaginava. Bastava ela continuar sendo daquela maneira, fiel, com força de vontade e eficiente.
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  – Joanne. - ele disse, vendo-a rapidamente prestar atenção em suas palavras. – É o nome de minha avó. É uma senhora doce, que pode até passar despercebida, mas muito importante para nossa família. O natal será na casa dela. Amanhã, jantaremos na casa dela nos Hamptons.
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  – Sim. Há algo que gostaria que eu fizesse?
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  %Eric% continuou a encarando, pensando se exigiria alguma ação da subordinada. Ela o encarava com a expectativa de sempre; toda vez que ele se via olhando para os olhos de sua assistente, o fazia querer trabalhar mais. Se alguém que não tinha as mesmas responsabilidades do que ele, nem em importância, nem em qualidade, dava o seu melhor, então ele também o faria.
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  – Surpreenda-a.
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  – Sim, senhor.
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