Um Romance Para O Natal

Escrita porNatashia Kitamura
Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 8

  Ninguém ousava iniciar a conversa.
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  Além de Robert e Amanda, os filhos e suas acompanhantes, estava também na sala Thadeo, o secretário particular de Robert, e quatro advogados, dois da empresa, um da família e um de Robert. As decisões que seriam tomadas dentro daquele cômodo, que apesar de ser enorme, mais parecia um cubículo naquele momento, mudariam a vida de todos os integrantes dali.
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  %Eric% manteve-se calado, aguardando o pai iniciar o curso discurso. Logan, por outro lado, se via mais disposto a iniciar a conversa, o olhar correndo de um lado para o outro, enquanto sua esposa mantinha-se como ele, ansiosa, mas comedida. Amanda, por outro lado, não se importava com a decisão. É claro que queria que %Eric% cuidasse de tudo, havia, inclusive, tentando convencer o marido a favor do filho, no entanto, após um tempo e uma breve resposta negativa sobre seus pedidos, viu que seu posicionamento poderia ser mais desfavorável a %Eric%, do que favorável. Além disso, o próprio filho nunca lhe pediu ajuda, fazendo com que ela se afastasse da situação e continuasse com sua vida de luxo, sem se preocupar com o futuro da família. Sabia que os %Clark% não eram pessoas ruins; quando conheceu o marido, então recém-viúvo, não esperava que ele fosse se apaixonar por ela. Era a quarta filha solteirona de um magnata em Wall Street que só sabia trabalhar porque queria manter-se no luxo, e nenhum homem podre de rico queria a quarta filha, eles sempre paravam na terceira. Mas Robert quis e ela viu-se em vantagem às irmãs, já que, além de podre de rico, ele também era muito carinhoso e se preocupava com a família, o que significava, acima de tudo, que não passaria por cima dos desejos e ambições dela, desde que ela não fizesse o mesmo. E assim se é a harmonia entre o casal, que apesar de não serem exatamente próximos um do outro, também não eram falsos, como a maioria dos casais empresários.
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  %Jessica% observou todo o ambiente, perfeitamente organizado, de modo eficiente ao dono, para que ele não precisasse fazer nenhum esforço além do necessário. Ela admirava as empresas de organização que conseguiam criar um espaço proativo para pessoas com muito o que fazer e se preocupar, do que levantar-se para pegar um documento em um armário do outro lado do cômodo.
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  – Acredito - Robert começou a falar, após Thadeo lhe informar que aquele era o último documento necessário de sua atenção. Retirou a pasta da frente do chefe e a uniu com as demais em uma prateleira vazia logo ao seu lado, propositalmente esvaziada para aquele fim – que esteja na hora de passar a responsabilidade da empresa para um de vocês.
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  Mesmo ansiosos, Logan e Coraline mantiveram-se parados, observando atentamente cada palavra de Robert.
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  – Tenho plena certeza de que sabem tudo o que precisam para dirigirem a empresa. -  ele continuou, observando calmamente os dois filhos. – Porém, preciso deixá-los a par de uma única informação, extremamente sigilosa, que somente pessoas parte da família deve saber.
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  %Jessica% sentiu suas sobrancelhas erguerem, assim como faziam todas aquelas pessoas. Sabia que estava ali como acompanhante de %Eric%, mas não era oficial como Coraline, que havia se casado com o filho mais velho na noite anterior. No entanto, manteve-se calada.
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  – Por ser uma informação de sigilo, é obrigatório que ela mantenha-se oculta de qualquer pessoa não presente nesta sala, sob pena de multa. - Robert enviou um olhar para os quatro advogados, que dirigiram-se aos quatro mais jovens, entregando-lhes uma pasta com um único papel, contendo claramente que a informação passada ali deveria ser mantida em sigilo por período permanente. Os quatro assinaram o papel sem fazer nenhuma observação, mas cientes de que a informação poderia lhes custar milhões de dólares.
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  %Jessica%, antes de assinar, aguardou %Eric% lhe dar uma orientação. Ainda estavam em pé na atuação sobre o relacionamento e o fato dela não entender inglês. Ele lhe disse, em português, de que estava tudo bem e que, contanto que ela não contasse para ninguém, algo que tinha certeza de que ela não faria, ele cuidaria de tudo.
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  – Muito bem. - Robert continuou, após observar os advogados se afastarem dos quatro com os documentos assinados. No entanto, ao invés de continuar a falar, fez um sinal para Thadeo, que atravessou até a porta que dava para uma pequena sala de descanso, com vista para o mar. Ao abrir, os quatro permaneceram calados, porém surpresos em ver Joanne acompanhada de uma mulher bem vestida. %Jessica% logo pode ver o broche que %Eric% havia mencionado dos advogados. Os quatro que já estavam na sala também fazia uso.
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  Diferente da Joanne que haviam visto nos dias anteriores, aquela mulher tinha um olhar ambicioso ao invés de amoroso e, mesmo vestindo-se da mesma maneira, tinha uma postura mais ereta e empoderada.
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  – Joanne? - Logan perguntou.
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  – A empresa %Clark%, ao contrário do que todos imaginam, não foi criada e administrada pelo seu avô. - Robert explicou, fazendo os netos abrirem a boca. – Durante muito tempo, a avó de vocês escolheu manter-se por detrás das cortinas, enquanto seu avô e eu fazíamos o papel de frente.
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  – Era uma época complicada. Obrigada, querida. – ela sorriu para %Jessica%, quando esta se levantou para ajudá-la a se sentar na poltrona próxima do sofá que ela e %Eric% ocupavam. – Ter uma mulher no comando antigamente não era bem visto, muito menos dado credibilidade, mas alguém precisava tomar a liderança e o avô de vocês preferia apenas ser conduzido às tarefas. Cabia a mim cuidar de tudo.
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  Ela explicou como decidiu criar uma pequena loja com o avô logo após se casarem, e como, na altura em que estava grávida de Robert, o mais velho, três anos depois, a loja se tornara uma empresa com mais de 50 funcionários. Quando Robert se formou, eles já haviam conquistado os Estados Unidos, e na época em que o marido adoeceu e ela decidiu que era hora do filho tomar conta, já havia filiais na China e na Europa.
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  – Por que a senhora quis continuar às escuras, vó? - %Eric% perguntou. – Poderia tomar a liderança da empresa facilmente.
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  A mulher balançou a mão.
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  – Eu fiz o que tinha que fazer. Não me importo em dirigir tudo por trás, é até mais conveniente. Posso fazer o que eu quero. Além disso, seu pai quem toma grande parte das decisões, eu apenas dou o veredito final.
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  O silêncio se instalou entre todos, até que Joanne olhou para os netos.
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  – A maior vantagem de se ocultar o papel em uma empresa, é que podemos observar a todos que estamos interessados, sem que eles nos vejam como um risco. - abriu um pequeno sorriso. – Vocês irão aprender, com o tempo, de que estar na liderança não significa em nada ser eficiente ou o melhor. Vanessa.
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  A mulher que permanecia junto dos demais advogados se aproximou com uma pasta já aberta para Joanne, que colocou os óculos e começou a ler o conteúdo:
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  – Coraline Evans, a filha mais nova de um comerciante de Nova Jersey, sem formação aparente, mas diversos cursos profissionalizantes… - ela ergueu os olhos para a moça, que olhava assustada para Logan. – Você é advogada, querida?
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  – Não. - a moça respondeu baixo, o rosto corando.
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  – E também não é casada com Logan, eu suponho?
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  Logan assentiu ao ver os olhos de Coraline se dirigirem em sua direção. A mulher voltou-se para a líder da família e lhe respondeu:
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  – Não.
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  – Foi o que eu achei. Você, no entanto, possui uma loja de artes em Boston. - ela voltou seu olhar para a folha. – Foi assim como se conheceram?
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  – Fiz dois anos de direito na Columbia. – Coraline disse. – Foi na universidade.
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  – E por que não se formou?
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  A moça ergueu os ombros.
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  – Eu gosto de liberdade.
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  – Todos nós. - Joanne lhe sorriu e devolveu a pasta para a advogada, que logo lhe entregou outra no lugar. %Jessica% soube imediatamente que era sobre ela. – E suponho, querida, que você saiba exatamente sobre tudo o que estamos falando. - os olhos de Joanne seguiram para a acompanhante de %Eric%.
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  – Sim, senhora.
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  – Formada em administração de empresas… bem, me parece que vocês ocultaram bem menos do que os dois, não é? O que você veio fazer aqui, querida?
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  %Jessica% não respondeu de imediato. Manteve-se pensativa em qual seria a resposta ideal, mas, se estava para ser demitida, então poderia ao menos ser sincera e sair com a consciência menos pesada.
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  – Senhor %Eric% é meu chefe. Me pediu para acompanhá-lo nesta viagem porque desconfiava das intenções do senhor %Clark% em pedir para manter uma empresa, quando tinha completa capacidade de fazê-la crescer.
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  – É mesmo? - Joanne olhou para %Eric%, que mantinha-se calado. – E por que não o fez?
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  – Ele fez. - %Jessica% respondeu, chamando a atenção, dessa vez, do próprio pai. – O desempenho mensal da empresa aumentou após uma mudança no quesito de sustentabilidade. Houve um aumento de produção por parte dos funcionários, após uma mudança na política interna. Foram mudanças aparentemente pequenas, mas que diminuiu o número de demissões, aumento de capacitações e melhoria na imagem da empresa com o público. Vimos uma melhora de doze por cento no ano passado e, provavelmente, mais dez por cento este ano.
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  – E por que esses relatórios não chegaram a nós?
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  – Porque eu não quis. - %Eric% disse.
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  Joanne, pela primeira vez, mostrou-se surpresa com a resposta. Virou-se para o neto.
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  – E por que não?
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  – Porque, aparentemente, não era do interesse de vocês ter um filho melhorando os negócios. Era somente do interesse que um filho o fizesse. - olhou para Logan, que não demonstrou qualquer reação na afirmação.
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  A avó respirou fundo e manteve-se calada, enquanto todos os outros permaneciam em silêncio. Aguardaram por longos minutos, até ela erguer os olhos e encarar Logan.
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  – Filho, seja sincera com sua avó. - ela diz. – Você quer herdar a empresa?
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  – Honestamente? - Logan perguntou, vendo-a assentir. – Não.
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  %Eric% o encarou, sério. Aquilo, sim, era uma novidade. Durante sua vida inteira, achava que o sonho do irmão mais velho era herdar a empresa, assim como a dele próprio. Manteve-se calado, esperando uma explicação, que não demorou a vir.
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  – Há dez anos, recebi uma ligação. - ele disse. – Era de Hilbert, meu avô materno. Ele estava adoecido e queria me encontrar, antes que partisse dessa para melhor. Fui até Ohio visitá-lo em seu leito de morte. Ele me entregou uma carta, que minha mãe havia deixado com ele, como se soubesse que iria morrer pouco tempo depois. A carta era simples. Ela pedia o que uma mãe pedia: que eu crescesse saudável, não esquecesse dos meus sonhos e cuidasse do meu pai.
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  Robert, ao ouvir a mensagem da falecida esposa, mexeu-se em sua poltrona, desconfortável. Observou atentamente as palavras do filho, mas não disse nada.
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  – Na época, eu pensava em uma maneira de informar a Robert que não queria ser seu herdeiro. %Eric% estava indo bem na universidade, destacando-se em todos os aspectos. Eu poderia muito bem me mudar para o Havaí e abrir minha escola de surfe. E então, tudo mudou. O que poderia fazer meu pai mais feliz do que herdar sua empresa?
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  – Logan… - Robert murmurou. O pai jamais soube da existência daquela carta, e que, acima disso, o filho interpretaria de uma maneira a deixar de querer viver sua vida, para viver uma que achou que sua mãe queria. – Sua mãe jamais desejaria que você fizesse algo por obrigação.
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  – E o senhor? - ele perguntou. – Sei o que minha mãe queria para mim. Mas e o senhor?
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  O pai se calou. Pela primeira vez, %Eric%, pode perceber, sem a real intenção de manter-se calado. Estava sem fala. Nenhum dos filhos nunca questionou o amor que o pai tinha por eles, podia-se ver claramente, se comparado ao relacionamento de seus colegas e amigos, no entanto, houve uma mudança após a morte da primeira esposa. A segunda, Amanda, trouxe certa vivacidade de volta, mas ninguém volta a ser a mesma pessoa de antes, após passar por uma experiência de morte.
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  – Eu gostaria que você fosse feliz, independente do que isso signifique para mim.
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  Os olhos de Logan encheram-se de lágrimas imediatamente, ao mesmo tempo que os ombros relaxaram como há tempos não fazia. Joanne e Amanda também viam-se sensíveis com a situação e, assim, Thadeo surgiu com uma caixa de lenços, distribuindo-os para todos.
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  – Devo dizer que casar-se não é um pré-requisito para ser o presidente de uma empresa familiar. - a avó anuncia, fazendo com que os demais rissem. – Mas querer ser o próximo no cargo faz, sim, uma grande diferença - ela olhou para %Eric%, que mantinha-se sério. – É o que você sempre quis, não é, querido?
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  – É. Mas só se eu fosse capaz.
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  – Se %Eric% não é capaz, duvido que haja alguém no mundo que seja. – Logan logo disse, abrindo um sorriso no pai.
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  – Eu concordo.
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  Joanne olhou para %Eric%, que abriu um pequeno sorriso em resposta, concordando que ele também achava que seria uma boa opção.
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  – Bem, então acredito que esteja decidido. - Joanne diz, olhando para os advogados, que imediatamente começam a agilizar o serviço que haviam sido chamados para fazer. – %Eric% será o presidente a partir do próximo ano.
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  – O que você irá fazer, Logan? – o pai perguntou interessado. – Uma escola de surfe no Havaí parece pouco promissor para sua personalidade.
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  O mais velho suspirou, pensativo. Havia cogitado algumas possibilidades, mas nunca a levou a sério. Olhou para Coraline, que ergueu os ombros, sem saber o opinar. Ela voltaria para Boston e se dedicaria à sua arte. Ele havia lhe prometido um ateliê maior e, no tempo em que esteve se passando por sua noiva, conseguiu conquistar vários clientes potenciais.
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  – Que tal uma pousada? – %Jessica%, de repente, disse. – No Brasil, alguns artistas estão investindo em nossas praias e ilhas, criando pousadas pequenas. Algumas, no entanto, já estão se tornando hotéis, devido à proporção.
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  A família olhou para Logan, que tinha suas sobrancelhas erguidas em surpresa. Havia visto algumas pousadas, inclusive, era seu lugar favorito para se hospedar. Pensou em investir em casas de aluguel, mas ter um lugar onde receber turistas de todo o mundo não parecia uma má ideia.
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  – Você tem experiência no ramo imobiliário? - ele perguntou à moça, que negou com a cabeça.
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  – Só sou observadora.
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  – Um pré-requisito para os %Clark%, devo dizer. - Amanda finalmente disse algo, ouvindo risadas dos %Clark% de sangue. – Se você quiser, Max, tenho amigas no ramo imobiliário em Los Angeles. Elas podem te guiar sobre o ramo.
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  Robert sorriu para a esposa, orgulhoso de vê-la cuidando de seu primogênito como se fosse dela. Agora que estava para se aposentar, talvez tivesse mais tempo para se dedicar à ela como merecia, se a mulher permitisse.
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  Enquanto a família começava, finalmente, a agir como uma família, %Eric% pensou, os advogados faziam o trabalho de editar a documentação pronta e informar ao novo chefe da família, todos os trâmites necessários que para que a transferência fosse feita com sucesso. O anúncio seria feito dali a 2 dias em um evento para acionistas e diretores das filiais de todo o mundo.
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  Isso significaria que %Eric% não voltaria mais para o Brasil, %Jessica% pensou. Por outro lado, não imaginava como seria a sua vida, já que, tecnicamente, ainda era assistente do chefe. Talvez ele a transferisse para alguma equipe ou, quem sabe, a demitisse, apesar de não haver motivos. Suspirou, pensando em como mais cedo os dois passaram por um momento tranquilo, conhecendo um lado novo de %Eric% e passeando pelo que se transformou em sua cidade favorita.
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  Mas manteve-se calada sobre o assunto, conversando com Joanne quando ela começou a lhe perguntar sobre sua vida no Brasil. Logan informou que Coraline precisaria ir embora, pois havia um compromisso em Boston. A família anunciaria o divórcio dos dois em dois meses, por motivos de diferenças irreconciliáveis. As pessoas julgariam um pouco, mas a notícia não afetaria a empresa, pois %Eric% confirmou que lançaria, na mesma época, algo que tornasse a separação do irmão um assunto praticamente insignificante. Durante sua experiência no Brasil, trabalhou em projetos para a empresa, que implantaria assim que entrasse na presidência.
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  Uma vez decidido e fechado todos os termos entre neto, pai e avó, a família %Clark% voltou à celebração, onde amigos íntimos aguardavam, enquanto eram mimados pelos funcionários da mansão. Houve uma pequena troca de presentes, um ato simbólico, já que ninguém realmente precisa trocar presentes de natal. Eram quase oito da noite quando %Eric% disse que ele e %Jessica% possuíam planos. Ela o encarou, visivelmente confusa, pois, até onde sabia, a encenação havia chego ao fim e, também, o serviço. Mais uma vez manteve-se calada e começou a se despedir do restante da família de %Eric%. Agora que já tinham conhecimento de sua fluência na língua e de seu relacionamento com %Eric%, manteve-se o mais profissional possível, mesmo Amanda e principalmente Joanne se despedirem calorosamente dela.
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  No voo de volta para Manhattan, %Jessica% observou o semblante feliz e tranquilo de %Eric%. Mais uma vez experienciou uma nova expressão do chefe. A serenidade em seu rosto, sem todas as preocupações que o rodeavam, lhe dava um novo brilho.
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  Engoliu seco. Descobrir um novo lado de %Eric% foi, mais do que uma surpresa, um problema para si. Ele era mais do que um homem de negócios. Passaram poucas horas juntos naquela manhã, mas foram o suficiente para criar milhares de fantasia em sua mente desocupada. Observá-lo sorrir como uma pessoa comum, fazer brincadeiras e não olhar nenhuma vez para o relógio ou o celular o fez parecer como um cara possível para %Jessica%. Enquanto dentro do trabalho e por trás dos ternos, cabelos arrumados e acessórios de valor altíssimo ele era um homem intocável, vendo-o agora, observando a noite escura com um pequeno sorriso no rosto a fazia imaginar que sentiria a falta de vê-lo todo dia.
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  %Eric% não mencionou o que eles fariam ou se a programação mencionada era apenas uma desculpa para saírem mais cedo da mansão dos %Clark%. Chegaram no heliporto da cobertura em Manhattan eram quase dez horas, mas, como ela havia ouvido falar de uma vendedora, Nova Iorque quase nunca dormia.
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  Pegaram o elevador direto para o subsolo, onde %Eric% se dirigiu para uma vaga especial onde havia dois carros de marca estacionados. Com a chave destravou o carro maior.
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  – Entre. - disse, dirigindo-se para o lado do motorista.
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  Não passaram muito tempo dentro do carro. Pararam no estacionamento do Rockefeller Center e subiram para o térreo, onde o local estava praticamente inteiro coberto de decoração de natal.
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  %Jessica% observou boquiaberta o local. Apesar de público, devido ao horário não havia muitas pessoas, ainda que também não fossem poucas.
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  – Você sabe patinar? - %Eric% perguntou, olhando para ela durante o caminho até um enorme ringue de patinação. De dia, quando ela passou na companhia de Daniel, era impossível enxergar o local, que estava rodeado de pessoas.
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  – Nunca vesti um patins na vida. - disse, lembrando-se de sua infância e adolescência, quando os primos e amigos passeavam de um lado, para o outro no clube e na rua do bairro onde moravam, e ela permanecia correndo atrás ou sentada os observando, porque não tinha um. Era caro e por ter mais 2 irmãos, os pais acabavam não comprando. Se os 3 não podiam ter, então nenhum teria. Essa era a regra.
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  %Eric% então a fez se sentar em um banco de madeira, e em seguida seguiu para onde alguns funcionários mantinham-se aquecidos. Pegou dois pares de patins, de acordo com o tamanho de seus pés, e voltou até %Jessica%, entregando os pares menores para ela.
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  – Não sei patinar. - ela disse, caso ele não tenha compreendido o “nunca vesti um patins na vida”.
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  – Irá saber agora. Vista. - apontou com a cabeça para os calçados, enquanto vestia os próprios.
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  Ela hesitou por um instante e então, cuidadosamente, retirou os próprios sapatos. Algumas pessoas se aproximavam para perguntar se o ringue ainda estava aberto ao vê-los, mas os funcionários informavam que não. %Jessica% supôs que o chefe utilizou dos contatos para conseguir aquele feitio. Fazer o ringue do Rockefeller abrir em plena noite de natal somente para duas pessoas não era para qualquer um. Imaginava se era para alguém.
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  Quando %Eric% terminou de calçar seus patins, agachou-se na frente de %Jessica% e tratou de terminar de ajudá-la a calçar os patins dela. Em seguida, ofereceu as mãos para que ela se apoiasse e pudesse seguir para o ringue.
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  – Eu vou cair. - foi a primeira coisa que ela disse assim que parou na entrada do local, sentindo o frio que o gelo da pista emanava. Olhou ao redor algumas pessoas observando os dois. – Será um show de horrores.
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  – Você só precisa se equilibrar.
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  – Aí é que está - ela murmurou, segurando-se firmemente no muro da entrada –, mal consigo me equilibrar no chão firme.
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  Ouviu uma risada e então a mão de %Eric% se estender em sua direção.
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  – Cair faz parte do aprendizado. - ele disse. – Mas se você não se permitir tentar, jamais vai aprender. Vamos, estarei te segurando. Se você der sorte, talvez eu leve um ou dois tombos com você.
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  – Disso eu duvido. - ela segurou-lhe a mão, apoiando-se nele. – Não há nada no mundo que você não saiba fazer.
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  %Eric% soltou uma risada enquanto aguardava ela tomar coragem para entrar no ringue.
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  – Há várias coisas. Eu não cozinho.
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  – Ah, este com certeza é um pré-requisito em um homem atualmente. - ela revirou os olhos. – Me segure!
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  – Para isso, você precisa confiar em mim. - ele apontou com a cabeça para o chão fora do ringue em que %Jessica% ainda estava em pé. Ela suspirou e soltou um gemido de quem não queria fazer aquilo. Ganhar uma marca roxa de natal, causada por um tombo em público no meio do Rockefeller Center não é exatamente o que ela tinha em mente para a viagem.
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  No entanto, era %Eric% quem estava a chamando, com a roupa que não era seu uniforme de trabalho - milagrosamente, pareceu que ele vestia algo além do terno - e um sorriso que %Jessica% achava nunca ter visto durante sua permanência no Brasil. Por essa razão, respirou fundo e enfrentou o medo da vergonha e dos tombos que viriam.
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  – Confie em mim. - %Eric% diz quando ela rapidamente vai ao chão, por sentir as pernas bambearem com o chão deslizante sob os pés. – Faça o que eu digo e aprenderá com mais facilidade.
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  Ela assentiu. Havia confiado no chefe nos últimos dois anos, apesar de ele tê-la testado diversas vezes neste período. Contudo, %Jessica% não possuía razão para não confiar nele. Disso ela tinha certeza. Percebeu que %Eric% era fiel a quem lhe era fiel, assim como era extremamente sacana com quem tentava lhe passar a perna.
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  As aulas duraram por uma hora, obviamente não o suficiente para %Jessica% aprender a patinar sozinha, mas o bastante para que ela perdesse o medo de cair e tentasse, algumas vezes, arriscar dar alguns passos sem o apoio do homem.
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  Após as aulas, ele a levou para jantar em um restaurante no topo de um prédio. Não era o mais alto, mas dava uma ótima vista para o mar que circundava Manhattan. A noite estava fria, mas não chuvosa, o que era um milagre. Havia visto na previsão que o tempo pioraria na próxima semana, mas que seria possível sentir uma drástica mudança de temperatura nos dias que se seguiriam.
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  – O chefe é um amigo. - %Eric% disse. – Eu tenho amigos. - ele completou ao ver o olhar surpreso da mulher. – Sabe, eu imagino o tanto que fiz, para que você tenha essa imagem fria sobre mim.
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  – Apenas sei o necessário para o trabalho, senhor… %Eric%. - ela logo se corrigiu ao ver o olhar do homem. Mais cedo, antes de irem para a casa dos pais de %Eric%, ele havia mencionado na vontade de ser chamado pelo nome, já que possivelmente não seria mais o chefe dela. Pelo jeito, parecia que ele mantinha a opinião sobre querer ser chamado pelo nome, mesmo agora ele sendo o chefe não só dela, mas de todo mundo envolvido nas empresas %Clark%.
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  – Eu gosto de cachorros, apesar de ter alergia a eles. Aos animais em geral. Isso, em parte, colaborou para minha imagem de homem frio. As pessoas acham que não suporto animais, quando, na verdade, o único que posso ter são peixes, já que não posso e nem preciso tocá-los. Também gosto de dormir até tarde. Apenas não faço porque tenho medo disso se tornar um hábito e transformar minha vida em um inferno. O que mais quer saber sobre mim?
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  – Por que manda presentes caros para as mulheres com quem termina?
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  – Porque é disso que vivia meus relacionamentos. Dinheiro. É assim como sempre fui visto pelas mulheres, como um banco. É comum saber que um relacionamento baseado em dinheiro não durará muito tempo, e a melhor maneira de terminar tudo, é da mesma maneira como começou.
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  – Você nunca namorou alguém que não se importa com o seu dinheiro? Que se importa com você primeiro?
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  – Esse tipo de pessoa não existe no meu mundo. É comum haver casamentos de negócio. Mas já encontrei uma pessoa para mudar essa perspectiva.
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  – É mesmo?
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  – Sim. Você.
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  %Jessica% se calou. Não percebeu o quanto queria ouvir aquilo, até de fato ter ouvido. Ficou observando o homem olhá-la com um pequeno sorriso nos lábios, enquanto ela fazia o mesmo, só que de forma inconsciente.
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  – Antes do meu avô morrer, nós sempre amávamos o natal. Ele era um apaixonado pela data e sempre nos encantava junto. - %Eric% começou a dizer. – Após sua morte, Joanne tentou manter a tradição, como vem tentando até hoje. Mas não é a mesma coisa. A magia do natal não vem. Até hoje. Hoje, me pareceu um milagre, e não estou falando do fato de eu ter conseguido herdar a empresa.
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  – Não? - ela perguntou, surpresa. Ele negou com a cabeça.
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  – Hoje, mais cedo, você me lembrou de como era me sentir no espírito de natal. Estar acompanhado de alguém que gosto de ter por perto e querer sorrir junto dela. Você tornou mais fácil de aceitar minha perda. Eu estava preparado. E sempre foi assim, eu disse, um combustível para meus momentos difíceis. Acho que é algo no seu olhar. Há um brilho inexplicável que move as pessoas para frente.
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  Ele parou se falar, deixando com que %Jessica% absorvesse tudo aquilo que ele disse. Deu tempo, inclusive, dela lembrar do que haviam feito pela manhã. Parecia ter sido há muito tempo.
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  – O que você acha de tentarmos? - %Eric% perguntou, segurando a mão de %Jessica% sob a mesa.
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  – Tentar?
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  – Eu e você. Juntos.
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  Os olhos de %Jessica% se arregalaram. Uma declaração era tudo o que ela queria, mas havia muita coisa não dita ali.
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  – Mas duas pessoas não podem namorar na empresa…
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  – Eu mudarei a regra.
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  – Mas é um tanto inconveniente, não é?
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  – Eu sou o dono de tudo agora. Algumas regras não se aplicam a mim.
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  – Mas torna mais difícil para mim. Como seria minha relação com meus colegas de trabalho, quando…
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  – Demitirei qualquer um que ouse falar mal de você ou trate-a mal.
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  – Isso soa ótimo, mas não me sentiria nada bem em saber que—
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  – %Jessica% - ele a interrompeu, fazendo com que a mulher olhasse em seus olhos –, esqueça o trabalho. Eu resolverei isso. O que quero saber, é algo que, infelizmente, não posso fazer sozinho. Preciso de seu consenso, sua permissão para seguir em frente.
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  Ela viu a verdade nos olhos dele. Onde estava essa atração mútua que eles tinham pelo outro durante todo esse tempo? Talvez, lembrou-se ela de quando estava com %Eric% e Daniel naquela sala, na mansão dos %Clark%, ela estivesse certa, os dois eram muito iguais.
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  Mas isso, no caso deles, era uma vantagem.
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  – Vamos. - ela diz, sorridente. – Vamos tentar.
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  %Eric% abriu um novo sorriso que, por força do hábito, %Jessica% observou como novo, já que nunca viu antes. O sorriso número 3, mas que, na opinião dela, já era o seu favorito.
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  – Ótimo. - ele disse, imediatamente movendo-se para perto dela e selando o acordo dos dois com um beijo.
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