Um Romance Para O Natal

Escrita porNatashia Kitamura
Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 5

  %Jessica% olhava ao redor com a boca formando um perfeito ‘O’, enquanto os olhos mal conseguiam acompanhar a quantidade de informação que havia ao seu redor. Era sensacional, fantástico, e um pouco intimidante. Jamais havia visto tanta imagem em um só lugar, mas, por outro lado, sentia que estava na 25 de Março, área de lojas baratas que, na época de natal, ficava lotada como estava a Times Square naquele momento.
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  – Pegue. - Daniel a encarou, subindo as escadas vermelhas bem ao meio da praça mais famosa do mundo inteiro, entregando a ela um hot dog. – Hoje, comeremos como nova-iorquinos.
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  – Vocês não comem isso com frequência.
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  – Para os turistas, nós comemos. - ele sorri, sentando-se ao seu lado.
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  – Aqui é incrível. Eu amei todos os outros lugares que fomos, mas aqui, definitivamente, é o meu lugar favorito.
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  – Bem - os olhos dele encararam-na de bom humor –, acho que você é a primeira. Há vários outros lugares interessantes aqui em Nova Iorque.
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  – Sim, mas… sinto que posso encontrar disso em outros lugares, se procurar, mas aqui… isso não existe no meu país. Essa vibe toda… não sei. É tudo incrível demais. Sou uma boba, não é?
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  – Eu não acho.
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  Sentiu suas bochechas esquentarem, mesmo estando absurdamente frio. A frente fria que estava, até o dia anterior, prevista para chegar no ano novo, repentinamente chegou mais cedo, fazendo com que os locais reclamassem do frio, e até alguns turistas, mas, aparentemente, não fez com que as pessoas ali se intimidassem e ficassem no calor de seus quartos.
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  – Fechamos com chave de ouro? - ele perguntou, vendo-a olha-lo com os olhos brilhando.
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  – Com certeza!
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  Daniel a viu ignorar o hot dog em suas mãos e voltar a encarar ao redor. Maravilhada era a palavra perfeita para descrever a expressão no rosto daquela mulher. Ele preferiu, na noite anterior, ignorar o fato dela estar ao lado de %Eric% %Clark%, assim como definitivamente tentou ignorar o fato dele, de tempo em tempo, sussurrar e trocar carícias com ela, em frente aos familiares, que não se mostravam muito felizes com o ato. Já havia encontrado com %Clark% uma ou duas vezes, em eventos sociais, seu irmão mais velho, Logan, havia sido colega de sala na Universidade Columbia. O mundo, ele pensou, era realmente pequeno.
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  Passearam mais um pouco pela praça e colocaram-se a caminhar pela 5ª avenida até ela guiá-lo por algumas ruas e parar na esquina de uma rua residencial.
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  – O que fará amanhã? - ele perguntou, antes dela ter a oportunidade de se despedir dele.
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  – Ah, tenho um trabalho importante para fazer. - ela diz, sem graça. –  E talvez eu volte para o Brasil no dia seguinte.
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  – Uau - ele disse –, é realmente uma viagem de trabalho.
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  – Sim, mas aproveitei bastante as minhas horas livres, graças a você.
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  Daniel encarou o rosto corado da moça, que esperava dizer algo. Ou, talvez, esperasse que ele dissesse algo.
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  – Bem, feliz natal - ele disse, inclinando-se para perto dela, para então tocar-lhe os lábios com os seus.
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  Esperava que ela fosse se afastar e dar-lhe um belo sermão, mas não foi o que aconteceu. %Jessica% moveu os lábios, retribuindo o beijo, até que, por conta da falta de ar, os dois foram obrigados a se afastar.
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  – Uau… - disse ele.
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  – É… hum… obrigada.
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  – É pedir muito para que tente ficar alguns dias a mais por aqui?
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  – A-ah… - ela riu. – Infelizmente, não tenho como controlar minha agenda, você sabe…
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  Ele sorriu, apesar de chateado com a resposta dela. Gostaria que ela ficasse mais. Era uma mulher encantadora. Passaram a manhã e a tarde na companhia um do outro, após, na noite anterior, ela lhe mandar uma mensagem sugerindo um café da manhã. Ele, no entanto, esforçou-se em acompanhá-la em todos os lugares que ela queria. Teria falado sobre a família %Clark% e seu trabalho, mas ela não lhe deu abertura e, se não queria tocar no assunto, ele também não forçaria a barra.
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  – Bem… obrigada pelo dia. Foi maravilhoso. - ela sorriu, erguendo a mão em um cumprimento. Daniel apertou-a, sorrindo.
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  – Se decidir ficar ou, quem sabe, voltar para cá em breve, sabe meu número. - ele lhe deu uma piscadela, fazendo-a sorrir. Antes de ela virar e se afastar, deu-lhe mais um beijo de despedida, este mais rápido que o anterior. – Até mais, %Jessica% %Mendes%.
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  – Tenha um bom natal, Daniel. - ela sorriu e se afastou.
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  Havia colocado em sua cabeça que Daniel não era nada senão um caso de inverno. Foi uma ótima companhia e muito divertido, mas ela voltaria para o Brasil e não havia como mudar isso. Dessa maneira, era melhor que fosse racional e não criasse esperança. No entanto, ficou feliz com a iniciativa dele em beijá-la. Gostava de homens com esse tipo de atitude. Ainda que tivesse a pego de surpresa, ela sentiu, inicialmente, que ele lhe dera a opção de cortar o beijo, sem aprofundá-lo.
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  Suspirou e entrou no hall do prédio onde ficava a cobertura de seu chefe. Sorriu para o funcionário, que retornou o sorriso com um cumprimento e um desejo de feliz natal. Assim que o elevador chegou ao andar que ela estava, %Jessica% se assustou ao ver %Eric% já lá dentro.
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  Olhou para trás, onde alguns funcionários passeavam pelo local, cumprindo seus afazeres. %Jessica% sorriu para %Eric% imediatamente, que lhe retribuiu o sorriso, e então o abraçou, sentindo o perfume masculino Chanel que ela comprou há alguns meses, após ver que o conteúdo do frasco anterior estava próximo do fim.
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  – Se divertiu? - ele perguntou, pouco antes da porta do elevador se fechar, mantendo-os sozinho sob as câmeras de segurança do prédio.
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  – Sim, a cidade estava completamente cheia.
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  O homem abriu um pequeno sorriso, que logo foi desfeito, com a abertura da porta do elevador no andar da cobertura.
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  %Jessica% saiu na frente, indo em direção às escadas que levavam ao segundo andar. Por ser véspera de natal, os funcionários haviam sido dispensados. Ela havia dito ao chefe que seria responsável pelo próprio cabelo e maquiagem, e que havia trazido uma boa roupa para a ceia de natal na casa da avó dos %Clark%.
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  – De onde você conhece Daniel Harris? - a voz de %Eric% soou atrás de si, quando tocou na maçaneta de seu quarto.
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  %Jessica% olhou para o chefe, que tinha o paletó do terno apoiado no braço e as mãos dentro dos bolsos da calça social. Seus cabelos escuros estavam um pouco bagunçados e a gravata desfeita, mas ainda pendurada ao pescoço.
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  – O conheci durante meu passeio.
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  – Hoje?
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  – Ontem. - ela o olhou, confusa. – Ele é um autor. O senhor conhece? - Não lembrava de ter visto algum livro com o nome de Daniel na casa do chefe no Brasil, nem ali.
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  – Ele te disse que é autor? - %Eric% riu.
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  – Ele não é?
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  %Eric% não lhe respondeu. Ficou calado com um sorriso presunçoso no rosto.
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  – Como o senhor sabe que eu o conheço?
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  – Eu disse para ser discreta, não disse? Se eu sei, outras pessoas também podem saber. - %Eric% tirou o sorriso do rosto e a encarou como costuma, quando ela faz algo de errado. – Você não deveria tê-lo beijado na esquina da minha casa.
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  %Jessica% arregalou os olhos e abriu a boca, assustada por ter sido pega pelo chefe. Não que ela estivesse errada, mas… bem. Não podia estragar o plano. Havia deixado sua família em segundo lugar para aquilo.
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  – E-eu…
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  – Seja o que for, Daniel Harris não é alguém com quem deve se envolver. - %Eric% finalizou a conversa, passando por ela, indo em direção ao próprio quarto.
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  No entanto, foi surpreendido pela pergunta da mulher:
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  – Por quê?
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  %Eric% se virou na direção de %Jessica%, que o encarava séria.
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  – Como?
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  – Por que eu não posso me envolver com Daniel? Ele é um cara legal e não tem nada a ver com meu trabalho. Eu estava em meu horário livre.
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  Ele ergueu uma sobrancelha, que era a mesma coisa do que tivesse dito “como ousa me retrucar?”, mas, dessa vez, a reação da funcionária não foi a mesma de sempre. Ela ficou o encarando, aguardando por uma resposta.
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  – O que você faz em seu horário livre não me diz respeito - ele começa -, mas a partir do momento que seus atos atrapalhem os meus planos, então eu tenho, sim, direito de falar o que eu quiser. Além do mais… - ele parou de falar por um instante, perdendo-se em pensamentos, para em seguida voltar a falar com mais tranquilidade. – O fato de eu lhe dar tempo livre não significa que você pode se esquecer da razão pela qual foi trazida até aqui. Manhattan é uma ilha, logo, a probabilidade de você encontrar com alguém que me conhece é grande. E não se engane, você pode não conhecer as pessoas, mas ao estar comigo, as pessoas saberão quem é você. E esse tipo de ato em público não favorece em nada o seu trabalho.
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  Sem dizer mais nada, %Eric% deu-lhe as costas e fechou a porta de seu quarto, deixando-a sozinha no corredor, perdida em seus pensamentos.
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  A mansão de Joanne, mãe de Robert e avó de %Eric% e Logan, era, sim, uma mansão. Perto dela, a residência de Amanda e Robert era uma mera casa. Pelo helicóptero, %Jessica% pode ver que a mansão estava decorada em uma extensão absurda. Os jardins, de cima, tinham a iluminação triplicada, em comparação às casas vizinhas. Após entrar na residência, ela pode ver que Joanne tinha um gosto muito melhor para decoração do que os pais de %Eric%. O que ela não esperava, era que a ceia de natal fosse mais do que um jantar em família. Era uma festa.
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  Assim que entraram no salão principal da mansão, %Jessica% percebeu que, só ali haveriam mais de 100 pessoas.
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  “Você disse que era só um jantar.” Era o que queria dizer para %Eric%, mas manteve o comentário para si. Os dois não estavam em muito bom termo após a pequena discussão mais cedo e, por isso, permaneceram calados durante o trajeto inteiro do voo da cobertura, até a residência a avó. No entanto, ao saírem do helicóptero, ambos imediatamente entraram em modo casal.
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  – %Eric%! - uma voz chamou do meio do salão. O homem abriu um pequeno sorriso de satisfação ao ver a senhora com um grosso vestido se aproximar dos dois. – Meu querido!
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  – Joanne. - ele disse, dando um beijo na bochecha da avó, que o abraçava com um prazer não visto por nenhum outro %Clark% até então. – Espero que não tenha acabado com o champanhe antes do brinde.
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  – Bobinho! - deu um tapinha no rosto do neto e então olhou para %Jessica%. – E quem é essa mulher linda?
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  – Oi - ela disse –, meu nome é %Jessica%.
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  – %Jessica%! - Joanne sorriu. – Bem-vinda, querida. Você é alérgica a algo? Ninguém me falou sobre…
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  – Joanne, %Jessica% não fala muito o inglês.
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  – Oh! - a mulher olhou assustada para a moça, que apenas manteve o sorriso. – Mas que surpresa, bem, e que língua ela fala?
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  – Português. A trouxe do Brasil.
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  – Ah, infelizmente não sei falar português, mas diga a ela que é muito bem-vinda à minha residência. Tenho alguns convidados para receber, então fiquem à vontade. Não me lembro de ninguém da lista de convidados que fale em português, então não a deixe sozinha.
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  – Sim senhora. - ele sorri. – Não se preocupe com ela.
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  – E como não, é minha convidada também.
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  Joanne abriu um sorriso carinhoso para %Jessica%, que apenas retribuiu, mas permaneceu calada. Assim que a avó se afastou para comprimentar mais convidados que chegavam, %Eric% caminhou pelo salão comprimentando os conhecidos, que eram praticamente todos.
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  – Quando Debora me disse que Jane havia ouvido de Coraline que você estava com uma namorada latina, eu só pude pensar que, na verdade, ela deve ter confundido a moça com sua empregada. - uma voz surgiu da multidão, chamando a atenção de %Eric% e %Jessica%. – Mas aqui está você, com uma… estrangeira.
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  – O nome dela é %Jessica%, e ela é, sim, brasileira, Rachel.
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  – Brasileira? Como a Gisele Bundchen! - a mulher, com suas pernas longas mal cobertas pela saia do vestido preto, aproximava-se do falso casal. – Bem… talvez nem todas as mulheres no Brasil deem sorte de se parecerem como Gisele. - abriu um pequeno sorriso para %Jessica% que, com toda a força do mundo, abriu um doce sorriso de volta, como se não houvesse entendido cada palavra da ofensa dita pela mulher.
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  – Como está, Rachel?
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  – Agora, chateada. - seus olhos percorreram %Jessica% da cabeça aos pés. – Eu imaginava que fosse ser substituída pelo menos por alguém do mesmo nível que o meu, mas você realmente não me surpreende.
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  – Bem, não fui eu quem substituiu alguém. - ele disse, bebendo um gole do vinho, vendo-a erguer uma sobrancelha. %Jessica% imediatamente pensou que o ato deveria ser um código de etiqueta das pessoas ricas de Nova Iorque. – Por que você está sozinha?
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  – Obviamente porque eu quis. - ela mexeu em seus cabelos. – E você? Por que não está solteiro?
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  – Obviamente, porque encontrei alguém à minha altura. - colocou uma mão na cintura de %Jessica%, fazendo com que a mulher risse.
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  – Querido… você não precisa se humilhar assim. - aproximou-se do casal e, antes de sair, sussurrou no ouvido de %Eric%. – Nos falamos mais tarde.
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  Ele não lhe respondeu, mas também não cortou a intenção da mulher, fazendo com que %Jessica%, internamente, se sentisse extremamente ofendida. Reconhecia o nome Rachel. Ela havia encomendado um belo colar de diamantes, que, inclusive, estava exposto no colo nu da moça, como um presente para compensar o término. %Eric% pode ter chego no Brasil em um compromisso com ela, mas não durou muito mais do que algumas semanas. Foi a primeira compra que ela fez para o chefe.
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  – Preciso conversar com algumas pessoas - %Eric% disse no ouvido de %Jessica%, que abriu um sorriso, para que as pessoas achassem que ele estava lhe dizendo algo carinhoso –, vá dar uma volta e veja se encontra Coraline. Ela está a cerca de meia hora ausente.
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  – Sim senhor. - ela sussurrou de volta, vendo-o assentir e enviar-lhe uma piscadela, observando-a por alguns minutos se afastar de si em direção à porta que ligava o salão, da casa.
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  %Jessica%, obviamente, se perdeu no caminho. A casa era grande e havia pessoas por todos os lados. Algumas sorriam quando os olhos encontravam com o dela, e tudo o que ela fazia era sorrir de volta. Encontrou Coraline em um canto do lado externo da casa e pensou em uma maneira de ir até o local, sem que fosse descoberta.
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  Quando estava quase encontrando uma solução, uma mão segurou a sua e a levou por um caminho vazio até uma porta simples de vidro, que levava para o lado de fora da casa. %Jessica% abriu a boca para questionar o que Daniel estava fazendo ali, mas não lhe respondeu nada, apenas assentiu em agradecimento quando ele colocou seu paletó nos ombros da mulher e acenou com a cabeça para que ela seguisse em frente.
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  %Jessica% andou o mais silenciosamente possível, ligando o gravador de seu celular, e, ao chegar perto o suficiente para ouvir a voz de Coraline, parou.
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  –… É claro que está tudo bem, sua boba! Logan é um cara incrível e irá lidar com toda a situação por você. Relaxa! Tudo o que você precisa fazer, é seguir o plano e não deixar que ninguém perceba a verdade, entendeu? Amiiiga… eu já disse: está-tudo-bem! Não me faça ficar brava. Eu preciso de todo meu bom humor pronto para daqui a pouco. Inclusive, preciso desligar, estou a muito tempo com você no telefone, as pessoas vão começar a…
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  Sem esperar que ela finalizasse sua ligação, %Jessica% voltou correndo para dentro da mansão, onde Daniel aguardava, de guarda, na porta.
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  – Conseguiu o que queria?
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  – Ela está vindo, acho.
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  Ele olhou para um ponto atrás de %Jessica% e então pegou novamente na mão dela, a levando para outro lugar, uma sala vazia.
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  – O que está fazendo aqui? - ela perguntou, sussurrando, enquanto ele trancava a porta. – Não posso ser vista com você.
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  – Sou convidado. - ele respondeu. – Joanne é amiga da minha mãe. Agora - ele olhou para ela – o que você está fazendo aqui?
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  – %Eric% %Clark% é meu chefe.
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  – Ele parecia bem mais que seu chefe.
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  %Jessica% não lhe respondeu. É claro que ele havia visto. %Eric% fez questão de mostrar às pessoas ao redor que ela era sua acompanhante.
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  – O que você exatamente é de %Clark%?
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  – Funcionária. É sério! - ela acrescentou, ao vê-lo erguer as sobrancelhas. – O que há com vocês e as sobrancelhas?
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  – Como?
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  – Parece que existe uma comunicação à parte com o uso delas.
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  Daniel permaneceu a encarando por alguns segundos, até que soltou uma risada, balançando a cabeça.
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  – Por que você tem de ser tão adorável?
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  – Bem, não é como se eu estivesse me esforçando.
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  – O que a torna ainda mais adorável.
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  %Jessica% abriu um pequeno sorriso e retirou o paletó dele dos ombros.
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  – Obrigada. Por me ajudar.
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  – Espionar os outros faz parte do trabalho?
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  – Não geralmente. Na verdade, é a minha primeira vez.
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  – Segunda. - ele a corrigiu, vendo-a revirar os olhos.
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  – Aquela vez não foi de propósito. De qualquer maneira, ninguém pode saber de nada. Se você, por favor…
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  – Não se preocupe, não vou dizer nada. Mas acho que você terá que se esforçar em arranjar um tempo para mim mais tarde.
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  %Jessica% permaneceu calada, observando Daniel. Ele era um cara legal. Misterioso, mas legal. Queria poder se sentar com ele naquele sofá perto dos dois e se perder em conversar; ele era muito divertido. Mas precisava voltar para o salão e, principalmente, não podia ser visto com ele.
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  – Preciso ir.
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  – Isso não pode virar um hábito nas festas que nos encontramos. - Daniel brincou. – Vá na frente, eu vou mais tarde para não levantarem suspeitas.
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  – Obrigada. - ela sorriu, rapidamente dando-lhe as costas e indo para a porta, destrancando-a e olhando para os dois lados no corredor, antes de voltar a olhar para dentro e ver Daniel próximo à lareira, encarando-a. – Obrigada. - diz novamente, vendo um sorriso como resposta.
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  Caminhou em direção ao salão, mas, no caminho, olhou, sem querer, para dentro de um dos cômodos. %Eric% estava na companhia de Rachel, extremamente próximos. Ela praticamente o prensava contra a parede e ele não parecia nem um pouco desconfortável, muito pelo contrário.
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  Em uma fração de segundos, os olhos de %Eric% encontraram com os de %Jessica%, e permaneceram se encarando por o que pareceu uma eternidade. Então, sem dizer nada, a funcionária se afastou, chateada, em direção a qualquer lugar que não fosse para trás, nem para dentro daquele cômodo.
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  – Você não tem motivos para ficar chateada. - %Jessica% diz para si mesma, entrando em um cômodo aconchegante que havia visto logo na chegada à festa, e encontrando um sofá de dois lugares para se sentar. – Ele não tem nada a ver com você. Você não tem nada a ver com ele. Se toca.
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  – Está tudo bem, querida?
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  %Jessica% olhou para o lado e viu Joanne inclinada, próxima a ela, olhando-a com interesse.
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  – Ok! - %Jessica% faz um sinal com a mão, vendo-a sorrir.
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  – Ah, que ótimo! - a senhora disse, sentando-se ao lado dela. – É uma pena que você não fale em inglês. Poderíamos conversar melhor.
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  %Jessica% segurou a vontade de responder a mulher. Ela era simpática e doce, ao contrário de todas as outras pessoas que encontrou ali. Entendia por que %Eric% disse que era importante para a família. Talvez ele estivesse se referindo somente a si mesmo.
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  – Há um momento em que precisamos de um tempo nosso. - Joanne suspirou. – Antigamente eu conseguia ficar a noite inteira na companhia de amigos e da família. Hoje em dia, preciso me sentar um pouco para descansar. Espero que esteja tudo bem para você, eu ficar aqui ao seu lado. Você está gostando daqui?
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  – A-ah… sim.
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  – Que ótimo! Disse para %Eric% não deixá-la sozinha e veja só. Ele está sendo uma boa pessoa com você, querida?
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  Ela não tinha o que reclamar dele como chefe. Sabia que ele pagava-lhe um salário melhor do que qualquer outro chefe no Brasil, e, mesmo que houvesse muito trabalho, ele sempre a recompensava. No entanto, como personalidade, ele tinha um péssimo hábito de não saber se expressar. Ser autoritário era um defeito das pessoas que nunca haviam sido, na vida, funcionárias.
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  – Ele é um bom neto. - a avó disse, e foi o suficiente para %Jessica% confiar em sua palavra. A mulher tinha um jeito materno, e parecia saber lidar muito bem com as teias que as pessoas armavam para as outras. – Ele parece o avô, bem mais que Logan e até Robert. - ela dá uma risadinha.
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  %Jessica% encontrou um prazer inexplicável na companhia de Joanne. Ainda que não pudesse respondê-la, podia ficar ali, sentada ao seu lado, a ouvindo, e a senhora não parecia nem um pouco incomodada por não ser compreendida. Durante a meia hora que as duas permaneceram naquela sala de inverno, o ambiente era preenchido com o monólogo de Joanne, a tentativa de %Jessica% em responder as perguntas mais fáceis, ou o silêncio.
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  – Achei que vocês duas haviam fugido. - a voz de %Eric% surge de repente. – %Jessica% só ia ao toalete e, quando vejo, não encontro nem ela, nem a senhora, Joanne.
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  – E eu achei que você havia a abandonado para conversar com aquela Dallas.
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  – Fui abordado.
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  A avó não disse nada, mas %Jessica% e %Eric% puderam ver em seu olhar que reprovava a atitude do neto.
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  – Bem, agora que chegou, imagino que eu possa voltar aos meus convidados. Não se preocupem em voltar imediatamente, irei servir a ceia somente às dez.
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  – Falta meia hora.
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  – Oh! - Joanne arregalou os olhos, ao receber a ajuda de %Jessica% para se levantar. – Tenho que ir. Se ele abandoná-la de novo, diga-me e eu lhe darei uma lição. - disse para a mais nova, que apenas abriu um sorriso em resposta.
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  %Eric% aguardou pacientemente a avó sair do local para olhar %Jessica%. Caminhou lentamente até onde ela estava e então disse:
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  – Eu disse para não encontrar mais com Daniel Harris.
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  Como, diabos, ele sabia?
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  – Não foi proposital. Eu estava indo atrás de Coraline...
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  – Rachel os viu e, claro, utilizou da oportunidade para tirar conclusões. Você não estará ajudando em nada, se eu me passar como corno.
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  %Jessica% olhou nos olhos do chefe e pensou em retrucá-lo. Pensou em se defender e defender a sua honra. Porém, decidiu que não. Que deixaria para depois, quando tivesse poder para o ato. No momento, se ela retrucasse, poderia ser enviada imediatamente para o Brasil, desempregada.
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  E ela não queria passar o natal desempregada. Não era isso o que a data significava para ela, e ela não deixaria que isso acontecesse.
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  – Desculpe, não irá se repetir.
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  – Ótimo. O que descobriu?
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  Ela pensou. Pensou se deveria dizer. Estava com raiva. Queria agir como uma adolescente rebelde e falar “nada”. Queria vê-lo se surpreender, apesar de que, de acordo com ele, o próprio nunca era surpreendido.
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  – Eles irão anunciar algo hoje. Não sei o quê, mas, aparentemente, contrataram alguém para ser álibi.
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  – Quem?
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  – Não sei. Uma amiga dela. Disse que seu irmão iria lidar com a situação.
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  %Eric% olhou para o lado, pensativo.
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  – Não há o que fazer. - ele concluiu, minutos depois. – Vamos ter que pagar para ver. Seja o que for, eles farão de um modo que achem que eu não poderei revidar.
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  – Sempre há uma maneira. – ela diz, automaticamente, vendo o olhar do chefe em sua direção.
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  – Exatamente.
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  Assim como Joanne havia dito, o jantar foi servido às dez e seguiu até as dez e quarenta, quando a sobremesa foi servida. %Jessica% e %Eric% foram colocados próximo de outros dois casais amigos de %Eric%, com quem a moça pode ter um vislumbre da verdadeira personalidade do chefe. Ele parecia à vontade com os amigos, rindo e fazendo comentários em tom de brincadeira. Pela primeira vez, %Eric% não falava sobre negócios, o que chegava a ser estranho para %Jessica%, que nunca havia visto esse lado seu antes.
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  Para ela, ele parecia mais humano.
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  – Sinto atrapalhá-los - a voz de Logan soou em uma das mesas do salão preparado para servir a refeição –, antes de tudo, gostaria de agradecer, em nome de minha avó e da nossa família, a presença de todos. A celebração do natal é muito importante para Joanne, como todos devem saber, e ela foi muito gentil em dividir comigo e Coraline, para que possamos celebrar de uma maneira mais especial este ano.
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  Um pequeno murmurinho começou a correr pelo salão, enquanto %Eric% se mantinha com o queixo erguido, como se já esperasse pela notícia que os dois tinham para dar.
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  – Como sabem, Coraline me deu a honra de aceitar ser minha esposa há alguns meses e, após muito conversar, nós achamos que seria ideal que nossa cerimônia fosse celebrada em uma data tão importante para a nossa família. - ele fez um sinal para um funcionário, que abriu a porta para uma mulher em um terno vermelho entrar, portando uma pasta em mãos. – É por isso que, agora, vamos oficializar nosso matrimônio no civil. O natal tem tudo a ver com união e, convenhamos, tudo o que os %Clark% precisam, é de uma nova união na família.
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  – Ah, que alegria, meu querido! - Joanne diz, sorridente, enquanto troca beijos com o neto e, logo, sua neta.
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  %Jessica% olhou para todos, que pareciam extasiados em poderem participar de uma cerimônia tão íntima. %Eric%, por outro lado, fingiu bem sua satisfação em ver o irmão mais velho se casando sem dar nenhum aviso prévio. Duvidava que Joanne soubesse do plano antes daquela noite.
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  Talvez %Eric% estivesse errado.
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  Talvez, dessa vez, ele não conseguisse reagir.
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