Um Romance Para O Natal

Escrita porNatashia Kitamura
Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 6

  – %Eric%… - %Jessica% andava atrás dele após os fogos de artifício. Não era impossível Coraline e Logan terem conseguido uma autoridade para oficializar o casamento civil deles. Coraline era advogada e possuía vários contatos, além disso, eles eram ricos, o que tornava impossível de não conseguirem uma pessoa em plena noite de natal, para fazer a cerimônia.
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  Assim que os fogos terminaram, %Eric% permaneceu por uma hora na companhia dos convidados, dizendo o quanto estava feliz pelo irmão e fugindo das perguntas de quando seria a vez dele. %Jessica%, por outro lado, permaneceu fugindo de Daniel, pois agora, mais do que nunca, sabia que não poderia ser vista com ele.
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  No momento em que os convidados começaram a se despedir, devido à uma notícia de que uma tempestade de neve chegaria em breve, %Eric% utilizou a primeira oportunidade para se retirar sem que ninguém percebesse. Ninguém, exceto %Jessica%.
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  Ele ia em direção ao corredor que os levariam para o heliporto. No entanto, ao chegarem lá, encontraram um piloto de mãos atadas. Não poderiam voar. A tempestade vinha de Nova Iorque e, por isso, corriam o risco de pegá-la. As torres de comunicação haviam avisado que não poderiam permitir a decolagem, devido ao risco.
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  – Teremos de partir amanhã. A tempestade está prevista para durar boa parte da madrugada. - o piloto disse, deixando %Eric% furioso. %Jessica% entrou em contato com uma empresa de transporte particular para pedir um carro, mas estavam todos esgotados.
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  “Ótimo”, ela pensou “Era só o que me faltava!”
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  – %Eric%? Querido, você não vai para Manhattan nessa ventania, não é?
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  – Joanne, o que está fazendo aqui fora? - %Eric% se assustou com a presença surpresa da avó, que estava envolta de um xale. %Jessica% acompanhou a senhora para dentro da mansão, enquanto %Eric% terminava de combinar um horário com o piloto, que ficaria hospedado em um quarto de funcionário que havia para momentos como este.
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  – Pedi para arrumarem um quarto para vocês dois aqui, sei que %Eric% fica mais à vontade em minha casa, do que na de Robert, tomara que você se sinta à vontade, querida.
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  %Jessica% não respondeu. Na verdade, ela não ficaria à vontade, justamente pelo fato de ter de dividir o quarto com o chefe, mas, obviamente, manteve-se calada. %Eric% voltou segundos dois, os cabelos emaranhados por conta do vento, deixando-o com uma beleza diferente do natural.
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  Quando ele assegurou de que iam pernoitar ali e os dois caminharam até o quarto preparado por Joanne, que a senhora sorriu e deixou-os em paz, com a desculpa de que tinha de continuar se despedindo dos convidados.
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  Permaneceram em silêncio, enquanto ele olhava para a janela, onde mostrava uma ventania que não estava lá há algumas horas. Talvez estivesse em sintonia com o humor de %Eric%.
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  – Não foi um casamento de verdade. - ele disse, sério.
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  – Como sabe?
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  – Aqui nos Estados Unidos, os advogados precisam utilizar um broche. Ouvi dizer que é impossível um profissional deixar de usá-lo em uma situação de trabalho. É o orgulho deles. Ela não utilizava um.
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  – Eles forjaram um casamento falso?
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  – O relacionamento deles não era real, para começar. - ele disse, fazendo %Jessica% abrir a boca, chocada. – Só um tolo iria acreditar. Como eu disse, eles acham que eu sou um idiota.
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  – Você não é.
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  – Não? - ele olhou para ela.
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  Era um olhar diferente. Um olhar que ela jamais havia visto antes em %Eric%. Era verdade que nunca imaginaria vê-lo daquela maneira, mas o homem já estivera em situações piores durante sua estada no Brasil e, mesmo assim, não havia cedido para aquele olhar.
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  Fora derrota, o que ela vira. %Eric% estava desistindo.
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  – Por que é importante? - ela perguntou, vendo-o encará-la exausto. – Ganhar.
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  %Eric% ergueu os ombros. Retirou o paletó e o apoiou na poltrona.
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  – Logan sempre foi o favorito. - começou a dizer. – Por ser filho de quem é.
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  – Filho?
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  – Amanda é minha mãe. - ele disse. – Casou-se com meu pai pouco mais de um ano após a morte da mãe de Logan, quando ele tinha 6 anos. Eu nasci seis meses depois do casamento. Apesar de termos crescido de forma igual, e Amanda ter cuidado de nós dois como se ambos fossemos dela, era óbvio que havia uma diferença. Logan é filho do amor da vida de meu pai, e ninguém nunca deixou de esquecer isso.
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  – E sua mãe não se importou?
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  – Ela só quer ser rica. Conseguiu o que queria. - %Eric% disse. – Sempre fui competitivo, desde criança. No começo, era uma competição saudável. Tudo o que Logan tinha, eu queria. Nos dávamos bem. Mesmo com a diferença de idade, ele era um ótimo irmão mais velho, com paciência para cuidar do mais novo. E então meu pai começou a treiná-lo para ser o próximo herdeiro. Obviamente, achei injusto. Queria ser descartado da posição por não ter a capacidade de administrar, mas eu sabia que era melhor que Logan. Ele nunca ligou para os negócios, até eu começar a mostrar interesse em cuidar de tudo.
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  – Ele te viu como uma ameaça?
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  – Mais ou menos isso. E então, meu pai aproveitou-se da situação. Está enraizado em nossa cultura americana, de que a competição fortalece os participantes e traz resultados mais satisfatórios. Era uma situação perfeita. Durante anos trabalhei para que tivesse milhares de motivos que provasse que eu era melhor que Logan para o cargo. E então de repente, meu pai ignora tudo isso e diz que nos testaria por igual. Nos mandou para filiais no exterior e disse-nos para manter os resultados nos 2 anos seguintes.
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  – Não foi por igual. - %Jessica% disse, aproximando-se de %Eric%. – A filial da China é muito maior e mais importante para a sede, do que a do Brasil.
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  – O melhor para o favorito. - ele disse, amargurado. Calou-se por um tempo e se sentou no sofá do quarto. – Não sei por que estou te contando tudo isso.
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  – Está tudo bem. Meu turno acabou e não tenho o menor interesse na sua fortuna. - ela se sentou ao lado dele, o fazendo rir com o comentário. – Qual era o seu plano?
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  – Surpreendê-lo. Meu pai, assim como a maioria dos %Clark%, ama a empresa. Aumentar o valor dela era um belo método de conquistar a sua confiança.
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  – E por que não funcionará mais?
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  – Porque, mais do que a empresa, meu pai amava a mãe de Logan. Sempre mencionou um papo de cumprir com a obrigação com ela, em dar a melhor vida para o filho deles. Há um grande peso emocional nisso tudo. Não posso competir com isso, Logan sabia muito bem.
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  O silêncio pairou entre os dois. %Jessica% observou %Eric% olhar para o nada calado, como se não esperasse por nada. E talvez não esperasse. Ela sabia o que era perder o ânimo. Já havia acontecido várias vezes, principalmente após as reuniões familiares em que todo mundo parecia feliz e casado, e ela não.
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  – Ele é seu irmão. - disse, vendo-o olhar para ela. – Você já conversou com ele sobre a vontade de herdar a empresa?
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  %Eric% soltou uma risada nasal.
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  – Não se conversa sobre essas coisas, %Jessica%.
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  – E por que não? Como eu disse, ele é seu irmão. E como você disse, ele foi um bom irmão até seu pai começar a instigar a competição entre vocês, o que, na minha percepção, se me permite expressá-la, é errado.
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  %Eric% permaneceu a encarando, não parecendo se importar de sua funcionária estar falando consigo como se fosse sua igual. Ainda que, naquele momento, ela parecia ser, já que, provavelmente, %Eric% era um homem desempregado e ela… bem, ela esperasse que fosse ser remanejada para algum cargo na empresa.
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  – Sabe, a maior parte do tempo, eu não suporto minha família. - ela olhou para a lareira eletrônica acesa à frente deles. – Existe essa “lei” que diz que as matriarcas mandam na vida de seus filhos, independente da idade que eles tenham, até que eles finalmente se casem, ou seja, tenho 30 anos com uma mãe e uma avó intrometidas, que acham que estou perdendo meu tempo trabalhando o tempo inteiro, ao invés de me dedicar a uma família. Odiava o fato delas e do restante das pessoas na minha família não parecerem dar valor para o meu sonho. Toda conquista que eu levava para casa era recebido com “e o que isso tem de melhor do que construir uma família?”
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  “E então, antes de vir, entrei em um conflito enorme, porque, assim como na sua família, o natal é uma data importante para a minha. Imagine só o drama que foi anunciar que eu não passaria a data com eles?” Ela riu, desgostosa.
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  – Sua família deve me odiar. - %Eric% sorriu, vendo-a sorrir de volta.
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  – Eles podem ter falado uma coisa ou outra sobre você, mas quem eles realmente desgostam sou eu. Porque eu deveria ser como eles, mas escolhi ser a mulher moderna e independente. Como se eu tivesse dito a eles que jamais me casaria, sendo que eu só escolhi ter meu próprio dinheiro e realizar alguns sonhos, antes de ter de dividir minha vida com um cara!
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  “Até que, na última conversa com a minha mãe, perguntei se ela achava que eu era uma filha ruim. Eu me sentia como uma. Sentia como se… não sei, como se ela desejasse não ter me tido.”
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  %Eric% olhou para %Jessica% com ligeira ofensa. Ela sabia que sua mãe jamais pensaria isso, mas, nos momentos mais difíceis, qualquer coisa se passava na cabeça de uma pessoa.
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  – Espera por muitas respostas, menos a que tive. Minha mãe disse que, contanto que eu estivesse feliz, ela estava, mesmo que não aprovasse o caminho que eu escolhi. Apesar de tudo, era o meu caminho e pronto. - %Jessica% sorriu enquanto olhava para a lareira. – Aquela resposta tirou de mim um peso enorme. Eu deveria ter tentado me comunicar com ela antes. É minha mãe, oras, minha família. Nada poderia ser pior do que as paranóias que minha cabeça estava criando.
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  Ela voltou seu olhar para %Eric%, que a olhava com atenção.
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  – Eu só acho que talvez vocês tenham esquecido de que são uma família.
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  O homem permaneceu calado, olhando para %Jessica%, que abriu um pequeno sorriso sem graça. Talvez ela tivesse dito demais, mas precisava dividir a opinião com o chefe. Ou ex-chefe. Se ele achava que havia perdido tudo, então precisava se lembrar de que tinha uma família. E, pelo pouco que ela conviveu até então, não parecia ser o tipo de família que o abandonaria.
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  – Você é extremamente eficiente. - %Eric% disse. – Possui um quê dentro de si, que faz com que as pessoas consigam enxergar a sua essência e senti-la. Sempre foi assim, desde quando começou.
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  Ela inclinou a cabeça para o lado, confusa. Parecia um elogio, mas ela não queria arriscar dizer alguma coisa errada.
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  – Todas as vezes que eu me via sem saída, bastava olhá-la, para que soubesse exatamente o que fazer, como se você tivesse a solução. - ele riu. – Era simplesmente assim - estalou os dedos - eu a olhava e a solução aparecia como em um passe de mágica. Por isso a mantive por perto. Se você fazia isso comigo, talvez fizesse com outras pessoas também. E eu não podia arriscar perdê-la para um concorrente. Mas você sempre foi leal.
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  “Era um elogio, definitivamente”, %Jessica% pensou.
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  – E agora, novamente, aí está a solução. - %Eric% murmurou. Não percebeu quando se aproximou da assistente; ela, tampouco. No entanto, quando deram por si, os narizes estavam extremamente próximos.
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  Algo dentro de %Jessica% vibrou, como se algo que estava desligado, se acendesse de repente. Olhou nos olhos de %Eric% e o desânimo havia sumido.
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  “Meu Deus”, ela pensou. Será que aquilo era desejo?
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  Mas a pergunta para si foi a última coisa que conseguiu raciocinar, pois, logo em seguida, os lábios de %Eric% grudaram nos seus, em um beijo inesperado, mas muito bem-vindo.
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  Ela inclinou o corpo para trás quando sentiu o corpo dele muito próximo do dela. Ao invés de interromper o beijo, %Eric% inclinou-se junto dela, até que as costas de %Jessica% encontrassem o encosto do sofá. Enquanto os dois se posicionavam em uma posição confortável, suas línguas começaram a brincar, e seus braços, a rodearem os corpos um do outro.
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  – O que está fazendo? - ela perguntou, ofegante, enquanto ele descia os beijos na direção de seu colo.
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  – Não sei - murmurou em resposta e ergueu-se para encará-la –, quer que eu pare?
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  – Não. - ela puxou-o de volta para si. – Por favor, não.
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  Era a primeira vez, veio-lhe à cabeça rapidamente, que ela lhe ordenava algo e ele a obedecia, como se fosse seu subordinado. Enquanto sentia as mãos do homem passearem por seu corpo, sorriu, sentindo como se aquilo fosse perfeito, da maneira como deveria ser.
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  Ao se separarem, no entanto, não veio a situação desconfortável que ambos achavam vir. Encararam-se nos olhos, em busca de uma resposta para suas perguntas.
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  – Você me beijou por impulso? - ela perguntou.
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  – Suponha que amanhã meu pai anuncie Logan como o herdeiro - ele começou a falar –, e que, por conta disso, você não seja mais minha funcionária.
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  – Você não tem certeza disso.
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  – Do quê? De Logan ser o herdeiro oficial ou você não ser mais minha funcionária?
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  – Os dois.
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  – Bem, acho que tenho bastante certeza em ambas questões. - ele diz, ainda posicionado em cima dela no sofá. – De qualquer maneira, não tê-la mais como minha funcionária, significa que não preciso mais suprir a atração que tenho por você.
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  Como é que era?
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  – Atração?
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  – Você não percebeu?
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  – Você tem atração? Por mim?
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  – Por Deus, %Jessica%, esse tempo todo você não percebeu? - ele se afastou, olhando-a com descrença.
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  – Por que perceberia? Você estava toda hora namorando com mulheres lindas! Além disso, deixei de lado qualquer ideia romantizada sua, quando passou a me ligar de madrugada para trabalhar.
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  – Eu nunca a fiz trabalhar de madrugada. - ele se sentou, tirando a gravata do pescoço e a jogando em qualquer lugar.
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  – O quê? Você só pode estar brincando! - %Jessica% se levantou e pegou a gravata no chão, colocando-a junto do paletó. – E as preparações em plena madrugada para a pauta de reunião da semana?
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  Ela o viu erguer os olhos e encarar o teto pensativo. Parecia querer se lembrar dos dias que cometeu tal injustiça. E então, minutos depois, riu.
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  – Eu queria ter certeza de que não estava saindo com Jorge Maia.
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  %Jessica% fez uma careta.
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  – Maia? Do financeiro?
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  – Eu ouvi dizer que ele a havia convidado para jantar algumas vezes.
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  Ela abriu a boca, descrente do que ouvia. De fato, Jorge a convidou para jantar, mas a empresa possuía uma política que proibia relacionamentos internos e, honestamente, entre um cara que curtia falar sobre política com amigos e o emprego bem pago de %Jessica%, não houve dúvidas sobre o que escolher.
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  – Você acreditou em fofocas? - ela perguntou, ainda mais descrente e boquiaberta, se aquilo era possível.
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  – Minhas fontes são muito confiáveis.
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  – E por conta disso, me ligou à uma da manhã para saber se eu estava em casa?
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  %Eric% ergueu os ombros.
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  – Consegui o que queria.
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  – Você é… - ela lhe deu as costas, percebendo, ao ver seu reflexo na janela, que estava sorrindo.
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  O sorriso, no entanto, era devido ao fato de o homem a quem ela babou no início do trabalho estava lhe dizendo que tinha um interesse nela, ou por ela finalmente parecer estar entrando nos eixos, de acordo com as crenças de sua família?
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  %Eric%, por outro lado, observava as costas de %Jessica%. Seu trabalho sempre foi mais importante. Mais importante que qualquer mulher, principalmente as que tentavam desviar sua atenção do que lhe importava ou que, pior, o fazia escolher entre as duas opções, o que, convinha-se, eram a maioria. Nunca havia acontecido de encontrar uma mulher focada exclusivamente em trabalhar. Elas sempre queriam alguma coisa, como sua própria mãe. Tinha de haver um benefício, e ele não se referia ao sexo. Jantares, presentes, passeios, algumas até cursos para familiares pediam. O fato dele ser rico era o suficiente para que pudesse se dispor a pagar o que elas queriam em troca de sexo e companhia, era o que parecia ser.
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  No entanto, viu na assistente algo diferente. Achou que ela desistiria após ver-se em um trabalho extremamente complicado, com um chefe ainda pior. Pesquisou sobre a mulher enquanto ela fazia de tudo para conseguir se manter na empresa. Achava que sua eficiência tinha uma segunda intenção. E então, de repente, viu-se acostumado com ela. Ter sua presença se tornou natural; habituou-se a não precisar pensar em supérfluos, porque ela estava lá, resolvendo tudo por ele. Em seguida, pegou-se a admirando, não romanticamente, mas como uma pessoa que observa as pessoas. As pessoas de São Paulo não eram muito diferentes das de Nova Iorque, apostando alto e algumas até passando por cima de outras para conseguirem chegar até onde querem. No entanto, %Jessica% sempre pareceu paciente. Seu currículo não era bom. Foi contratada por engano, após a funcionária do RH ter lido errado um item de seu currículo. Por já ter assinado a carteira de trabalho, %Eric% precisaria aguentá-la por três meses, o tempo para se adaptar ao cargo. Ele achou que se livraria dela e da provável incompetência que seu currículo mostrava, mas viu que não era ela quem era incompetente, era a empresa anterior que não soube explorar os seus funcionários. Trocou a opção óbvia de assistente por ela e, dali por diante, foi, aos poucos, abrindo mais e mais espaço de sua vida para a mulher, até que ela tivesse acesso até sua conta bancária.
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  Se houve algum momento nos dois anos trabalhando juntos, que %Eric% desconfiou de %Jessica%, ele definitivamente foi esquecido pela eficiência que ela carregava. Em um dado momento, nos mais difíceis, ele passou a procurar pelo olhar da mulher, como se soubesse que enxergaria, ali, uma solução. E lá sempre estava ela. Sua sobrancelha se erguia, sempre em surpresa, mas que era interpretada como um incentivo à ação, que no final das contas era sempre bem-vinda.
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  Mas, como sempre, seu trabalho era mais importante. E se havia algum sinal de interesse na assistente, ele logo tratou de suprir o sentimento. Havia coisas mais importantes para se importar, como a concorrência com o irmão, que estava na China fazendo um bom trabalho.
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  Só que não mais. Não havia mais concorrência. Ele havia perdido, e não pela sua incapacidade, mas sim pelo destino. Estava escrito, desde seu nascimento, que ele sempre seria o segundo. Logan era o primeiro. No entanto, como %Jessica% o lembrou, era o seu irmão. E ainda que o pai houvesse incentivado na competição, não havia o intuito de transformá-los em rivais. Mais uma vez, ela havia trazido a solução. Dessa vez, para seus sentimentos. Ele deveria estar se sentindo um péssimo derrotado, mas, ao invés disso, olhava para as costas da assistente - ou talvez ex-assistente, com certeza ex, agora que ele havia cedido ao sentimento que trancou dentro de si há um ano, e que pareceu estar crescendo de tamanho para que, agora, sentisse de modo muito mais forte.
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  – Venha cá. - ele chamou, vendo os ombros de %Jessica% tensionarem antes de se virar para ele. – Não finja que nada aconteceu, ou terei de beijá-la novamente?
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  Ele se divertiu ao vê-la abrir a boca e então fechá-la. E quando estava prestes a abrir novamente - ele tinha certeza de que ela não conseguiria dizer nada -, alguém bateu na porta do quarto.
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  %Jessica% foi em direção à porta e a abriu, dando espaço para Joanne entrar com algumas sacolas.
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  – Trouxe pijamas para %Jessica%. - ela disse, sorridente. – Acho que ficaria desconfortável dormir com a roupa que está usando ou o roupão no banheiro.
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  – Obrigada! - %Jessica% exclamou, aliviada. Odiava dormir sem pijama, prezava bastante seu conforto na hora de dormir e, por mais que para algumas pessoas fosse bobagem, o pijama fazia uma grande diferença para ela.
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  – Está tudo bem com você, meu filho?
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  – Claro, vó, por que não estaria?
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  A avó não lhe respondeu, mas %Eric% pode ver em seus olhos que ela enxergava muito. Sempre foi assim. Joanne era muito importante para si, até mais do que a própria mãe. Fora ela a pessoa que cuidou de si quando mais novo, enquanto a mãe saía para as compras ou em alguma viagem de amigas. Ela quem explicou que não havia diferença entre ele e Logan, e que o pai amava os dois da mesma maneira. Por muito tempo, %Eric% acreditou em suas palavra; quando ficou adulto, passou um bom tempo querendo acreditar, até que se esqueceu.
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  – Feliz natal, Joanne. - ele disse, de repente, se levantando para abraçá-la.
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  %Jessica% viu o sorriso de %Eric%, enquanto ele abraçava a avó. Lembrou-se de quando pensou que ele não era humano, pois só sabia falar de trabalho o tempo todo; talvez ele fosse um pouquinho humano. Talvez fosse só com a avó. Ou talvez, assim como acontecia com ela, fosse uma loucura do natal.
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  – Sairemos amanhã cedo. - ele disse para a avó.
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  – Os verei no almoço, imagino. - ela olhou de %Eric% para %Jessica%, que mantinha um sorriso sereno no rosto.
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  – Claro.
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  – Talvez eu não esteja acordada para me despedir…
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  – Não esperaremos pela senhora, não se preocupe.
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  Joanne permaneceu um curto tempo observando o neto, para então depositar um beijo em sua bochecha e em seguida, se despedir de %Jessica%.
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  – Obrigada. - a mais nova disse à anfitriã, que lhe respondeu:
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  – Sou eu quem deve dizer isso, querida. - e então se retirou.
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  – Sua avó é a pessoa mais doce da sua família.
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  – É mesmo. - %Eric% sorriu. – Ela é muito especial.
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  Os dois permaneceram calados, até %Jessica% perceber que %Eric% carregava nos olhos, o olhar de quem só aguardava que ela se tocasse. E, no momento que ele abriu a boca para provocá-la, ela logo disse:
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  – Vou tomar um banho! - e correu para o banheiro, trancando a porta logo em seguida.
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  %Eric% deu uma risada, algo que não esperava, pelo menos não naquela noite.
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  Olhou ao redor e viu-se sem nada para fazer. Havia pedido para a governanta da avó deixar o tablet no escritório e, apesar de não ter a intenção de usá-lo mais naquela noite, precisava de algo para se distrair enquanto %Jessica% insistia em fugir de si.
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  Saiu do quarto, vendo a equipe de eventos organizar toda a casa para deixá-la do modo que a encontrou. Lena, a governanta, estava no comando de tudo e se ofereceu para buscar o tablet para %Eric%, mas ele dispensou o favor, dizendo que ele mesmo pegaria.
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  Seguiu o caminho até o escritório, que ficava em uma ala mais afastada, pois era o local onde o falecido avô trabalhava, e este reclamava da facilidade que tinha de se distrair com o barulho. No meio da caminhada de pouco mais de cinco minutos até o cômodo, %Eric% ouviu um som de algo caindo ao chão. Seguiu a direção do som, a fim de orientar o convidado que havia sido deixado para trás bêbado, até Lena, que daria um jeito de fazê-lo chegar à residência de forma segura. No entanto, assim que entrou na sala de leitura da avó, deu imediatamente um passo para trás, ao ver Coraline acompanhada da autoridade que havia oficializado o casamento. Pediria desculpas se elas tivessem percebido a intrusão dele, mas elas estavam ocupadas demais. Se beijando.
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  Xingou-se mentalmente por não estar com o celular em mãos. Lembrou-se, então, do motivo de estar ali e se apressou para chegar logo no escritório. Com sorte, poderia…
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  Não. A conversa com %Jessica% não podia ir para o fundo do poço. De qualquer maneira, ele só seria visto como um maníaco pela herança, e isso ele não era. Tinha de aceitar a derrota, e deixasse que o irmão lidasse com o problema a que se envolveu sozinho. Esse era o seu limite.
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  Foi inesperado, entretanto, encontrar com Logan sentado no sofá próximo à lareira que havia no escritório. Olhou na direção de %Eric% quando este abriu a porta, e então voltou o olhar para a janela.
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  – Pode entrar. - ele disse, como se fosse necessária sua permissão. – Está ali. - apontou para o tablet na mesa de centro do imenso cômodo.
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  %Eric% entrou calado e caminhou até o objeto. Estava para fazer o caminho de volta, quando o irmão disse:
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  – Eu o surpreendi ou não?
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  “Depois do que acabei de ver, com certeza não.” Ele quis dizer, mas manteve-se calado sobre o assunto.
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  – Foi uma surpresa. Parabéns?
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  Logan soltou um breve riso nasal, não tirando o foco da neve que caía do lado de fora. Não havia previsão para neve, havia? Aquilo, sim, era o típico natal branco americano.
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  – Aonde vão morar? Aqui?
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  – Minha casa está aqui. - Logan disse. – Ela só precisa se mudar.
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  – É um longo caminho, de Manhattan para cá.
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  O mais velho encarou o irmão e disse:
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  – Ela vai sair.
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  – Ah.
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  – Não é o que a sua irá fazer quando isso acabar?
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  – Isso?
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  – %Eric%. - Logan finalmente virou sua atenção, movendo o corpo até que ficasse de frente para o irmão. – Chega de mentiras.
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  – Meu relacionamento não é uma mentira. – pelo menos não seria mais, assim que %Jessica% parasse de fugir dele. Ela não lhe daria um fora, não é? Se não estiver interessada nele, ele era um homem paciente. Poderá conquistá-la, assim como ela fez com ele.
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  – Aonde foi que aconteceu? - ele perguntou, e quando %Eric% estava prestes a responder sobre %Jessica%, Logan ergueu o copo da bebida que bebia. – Aonde foi que paramos de nos comunicar?
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  O mais novo não respondeu. Ao invés disso, caminhou até o bar e serviu a si mesmo da mesma bebida do irmão. Sentou-se em uma poltrona próxima e passou a olhar para a neve afora.
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  – Você me odeia? - Logan perguntou, de repente, ao ver que %Eric% não lhe respondia. Talvez tenha achado que era proposital, mas na verdade, o mais novo somente pensava na resposta que não sabia.
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  – Não. - %Eric% respondeu após hesitar. Não era adepto ao sentimentalismo como o irmão mais velho era, talvez tivesse a ver com a educação que recebeu da mãe. Ouvia dizer, quando mais novo, do próprio irmão mais velho, o quanto a mãe era carinhosa. Amanda, apesar de amar %Eric% como uma mãe deve amar seu filho, não era de expressar o carinho da maneira como provavelmente a mãe de Logan fazia.
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  – Por quê?
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  – Porque é meu irmão.
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  – Isso não significa muito. - ele riu. – Há muitas pessoas que são irmãos e não se importam de odiar uns aos outros.
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  – Não eu.
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  Logan se calou e passou a observar %Eric%. Uma característica paterna, os dois sabiam. Robert era muito mais observador do que ativo. Ele preferia ficar calado, do que impressionar os outros. Agia sempre silenciosamente e, desde pequenos, os dois filhos sempre viram nesse método, a maneira mais eficaz de se fazer um negócio. O que %Eric% via como uma vantagem em cima de Logan, era justamente o fato de ele ser menos emotivo que o irmão, tornando-o um ótimo empresário, mas não tão bom ser humano.
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  – Houve uma época em que eu o odiei. - Logan chamou a atenção de %Eric%. – A causa era a inveja. Você se destacava em tudo, suas notas eram ótimas, conseguiu um estágio sem precisar da ajuda do nosso pai. O odiei por estar sendo melhor do que eu havia sido. Por alguns meses, alimentei esse ódio com algumas mentiras, e então vi que estava sendo imaturo. Ninguém havia dito que você era melhor que eu. Eu apenas supus.
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  – Eu sempre achei que você fosse o favorito. - %Eric% disse.
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  – Talvez eu seja. - ele ergueu os ombros. – No fundo, sempre soube que era. Quando achei que você estava roubando esse posto, o odiei.
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  %Eric% soltou um riso com o irmão.
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  – O que falta entre nós é comunicação. Mas nunca fomos bons em nos comunicar. Não parece tão fácil do que quando éramos crianças.
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  Disso %Eric% sabia. Havia, inclusive, pensando no assunto mais cedo. Quando mais novos, os dois eram, além de irmãos, amigos. Sabiam que podiam contar um com o outro, enquanto agora…
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  Agora eles estavam brigando por uma herança antes mesmo do falecimento do pai.
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  – Por que você quer a empresa? - Logan perguntou.
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  – Para ter o controle. - respondeu de imediato. – Minha vida inteira fui controlado. Comparado a você. Achei que, se eu conseguisse ser o presidente, não haveria ninguém acima de mim para me dar ordens. Sou bom em trabalhar sob ordem, mas sou melhor no comando. Gosto de mandar.
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  Logan riu, mexendo a cabeça em concordância. %Eric%, de fato, sempre foi mandão. O comportamento, quando deixou de ser uma criança pequena e se tornou uma criança consciente, foi suprido por ordens e mais ordens. Era assim com a maioria das crianças. Principalmente quando havia uma hierarquia.
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  – O que você sabe sobre Coraline? - Logan perguntou, no momento em que %Eric% terminou sua bebida e preparou-se para ir embora. O mais novo parou, pensando no que responder. A mudança, no entanto, não poderia ser de imediato. Ele não era tão bom assim.
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  – O que me permitiu saber. - respondeu, misterioso, mas claro o suficiente para o irmão. – E você? - retrucou, querendo saber o mesmo sobre %Jessica%.
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  – Há algo que eu deva saber sobre ela que você não mostrou?
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  %Eric% abriu a porta com o tablet em mãos e, antes de sair, disse:
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  – Ela é muito mais inteligente do que imagina.
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  Na volta para o quarto, passou direto pela sala onde Coraline e sua amante estavam.
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