Um Romance Para O Natal

Escrita porNatashia Kitamura
Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 7

  Ao abrir os olhos, %Jessica% quase pulou da cama. %Eric% estava muito próximo, adormecido na mesma cama que ela.
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  Quando saiu do banho na noite anterior, não o viu e achou que ele havia ido dormir em outro cômodo, já que a avó havia dito que não os acompanharia na saída. Utilizou do momento para pensar no que havia acontecido. Seu chefe havia a beijado e dito que sentia atração por ela. Talvez, por conta de sua obsessão com o trabalho, deixou de lado os sentimentos, assim como ela havia feito logo no começo. Perguntou-se o que sentia no momento, mas não achou uma resposta imediata ou, talvez, não quisesse saber da resposta.
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  Achou que levaria um bom tempo para cair no sono, mas assim que fechou os olhos, não os abriu mais até o dia seguinte, quando tomou o susto de vê-lo tão próximo a si. Seu rosto perfeitamente angulado era ainda mais bonito quando adormecido. Ela achava que havia visto todo o tipo de expressão no rosto do chefe, mas aquele, de longe, ganhava de todos. A questão sobre a noite passada voltou à tona, fazendo com que ela tivesse vontade de sair correndo da cama, mas isso poderia acordá-lo. Não queria acordá-lo, porque não queria enfrentá-lo. Não tinha como fugir.
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  Suspirou, aceitando que deveria aguardar ele acordar. Sua paciência, contudo, não durou mais do que dois minutos. E tão logo ela se viu tentando sair da cama.
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  – Se você tentar mais um pouco, terei de beijá-la. - a voz do homem soou sonolento atrás de si, paralisando-a de susto. – Muito bem.
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  – E-eu estou apertada…
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  %Eric% não respondeu por alguns segundos, que para %Jessica%, pareceram uma eternidade, até que então sua mão, apoiada na cintura da mulher, ergueu-se, livrando-a de seus braços.
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  Ela correu até o banheiro, que estava totalmente equipado, como se fosse um quarto de hotel. Fez a higiene matinal e preparou-se para encará-lo ao abrir a porta. Quando o fez, viu o homem quase vestido com a roupa da noite anterior.
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  – O helicóptero sairá em meia hora, você se importa de comermos em casa?
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  – Não! – sua voz saiu esganiçada, o que a fez murmurar em vergonha. %Eric%, por outro lado, abriu um pequeno sorriso e passou por ela, entrando no banheiro atrás de si. %Jessica% suspirou, desanimada com o comportamento de adolescente, e se arrumou da melhor maneira que conseguia.
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  Meia hora depois, o piloto decolava com o helicóptero, em direção a Manhattan.
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  A vista da ilha de manhã era um espetáculo fora de série. Por estar ainda amanhecendo, o esplendor era visível e, para %Jessica%, inesquecível. Não conseguiu tirar os olhos do horizonte, onde o sol já havia raiado há pouco mais de uma hora. Durante todo o caminho, branco e mais branco. No céu e na terra. Era a primeira vez que ela via neve e com uma vista do céu… jamais esqueceria aquela visão.
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  – É lindo… - ela murmurou, triste pelo helicóptero fazer o caminho para pouso.
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  – É mesmo. - %Eric% murmurou para si, enquanto olhava para ela.
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  No apartamento, os dois seguiram direto para seus quartos e, antes de %Jessica% entrar no seu, %Eric% logo anunciou.
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  – O almoço está marcado para as duas. Sairemos à uma. Não precisamos estar em ponto. Ninguém é esperado para chegar na hora.
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  – Claro. - ela disse, lembrando-se de quem era. Ele era o chefe e ela, a funcionária. Mesmo que %Eric% tivesse perdido, ele ainda não havia sido retirado de seu posto. – Tenho a manhã livre?
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  Aquilo chamou a atenção do homem.
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  – Por quê? Pretende sair?
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  Ela não queria responder. Daniel havia enviado uma mensagem na noite anterior, dizendo que queria encontrá-la para lhe dizer algo. Apesar de não esperar nada, ele foi uma pessoa muito simpática com %Jessica% e ela não queria tratá-lo com pouco caso, como %Eric% havia dito para fazer.
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  – Hum… passear?
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  Esperou por uma resposta. Na verdade, queria que ele dissesse não. Assim, quem sabe, teria certeza de que a noite passada não foi somente uma coisa de momento, um sentimentalismo causado pela situação e o espírito de natal. Mas %Eric% nada disse. Ergueu uma sobrancelha e então deu-lhe as costas, entrando em seu quarto. %Jessica% suspirou, derrotada, e perguntou-se se deveria mesmo ir para um encontro com Daniel. Ele havia dito que a encontraria independente do horário. Ainda não dera oito da manhã.
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  Entrou em seu quarto e se arrumou. Estava cansada, mas não o suficiente para fazê-la voltar para cama, quando Nova Iorque estava do lado de fora, a esperando. Ao se lembrar da ilha, a animação logo retornou e ela se aprontou para sair, dando de cara com %Eric% assim que abriu a porta do quarto.
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  – O que…
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  – Vamos. - ele segurou em sua mão, fazendo-a arregalar os olhos. – A levarei para tomar café da manhã.
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  Aquilo, definitivamente, não estava nos planos da mulher. Ela não havia entrado em contato com Daniel ainda, mas esperava fazê-lo no elevador. Não sabia aonde encontrar com ele, mas imaginava que ele fosse lhe dar uma ideia. O plano mudou quando %Eric% decidiu ser, ele próprio, o guia turístico do dia.
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  Levou %Jessica% ao Museu Metropolitano de Arte, o famoso MET. Lá, havia uma mesa separada em seu nome no restaurante do local, famoso por seu brunch. Haviam aberto, de última hora, a área para os dois. A diretoria, que sempre tratava os %Clark% como reis, devido à alta doação anual em seu evento de gala, logo informou que providenciariam um café da manhã para %Eric% e sua acompanhante.
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  – Achei que quase nada abrisse hoje.
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  – Não abrem. - %Eric% afirmou, deixando %Jessica% da maneira que ele queria, boquiaberta e animada. Observaram a beleza do Central Park enquanto comiam o café da manhã, e conversaram sobre tudo, através das perguntas de %Eric%.
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  – Você realmente conhece a Beyoncé?
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  – Você quer conhecê-la? - ele perguntou.
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  – Está brincando? - %Jessica% exclamou. – É a Beyoncé!
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  Ele sorriu. Já havia visto esse lado dela antes, quando a via se relacionar com os colegas na empresa. Ela não tinha muita dificuldade em fazer amizade, mas, devido à sua posição como assistente principal, não conseguia manter um grupo de amigos no trabalho.
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  Após o café, ele a levou para passear em lugares que ela havia mencionado, e que ainda não havia visto. Durante as quatro horas seguintes, os dois percorreram metade de Nova Iorque de carro, parando em lojas e fazendo o restante das compras que %Jessica% precisava para levar para sua família e amigas. No tempo livre dos dias anteriores, fora constantemente lembrada por todos de seus pedidos. Talvez tivesse que comprar uma nova mala de porão.
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  Perceberam que era quase meio-dia, quando saíram da última loja na 5ª avenida. Fora, inclusive, %Jessica% quem percebeu, chamando atenção para o horário e decidindo que estava na hora de voltarem para a cobertura e se preparem para o almoço na casa dos pais de %Eric%. Este, no entanto, mantinha seu próprio ritmo, como se não tivesse pressa em voltar, o que, era claro, ele não tinha.
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  O almoço, apesar de mais íntimo do que a ceia da noite anterior, ainda possuía cerca de 50 pessoas. A família %Clark% em si não era grande. Robert tinha apenas uma irmã mais nova, que era casada e possuía uma filha, também casada, mas que ainda não tinha filhos. Sendo assim, todos os demais convidados eram amigos de família que preferiam a companhia dos %Clark%, à de suas próprias famílias.
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  %Jessica% não soube porquê se surpreendeu em ver Daniel ali. Ele estava em todos os lugares. Ao vê-lo conversando com um outro homem em um canto da enorme sala de visitas, pensou em como ele parecia um autor de livro, com a blusa branca de gola alta, a calça preta e o casaco sobretudo por cima. Faltava-lhe apenas um óculos e o livro nas mãos para finalizar a fantasia completa. Lembrou-se de %Eric%, que acabava de desviar o olhar de si e passava a cumprimentar os convidados que já estavam presentes.
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  O almoço foi servido quase três horas e ninguém parecia faminto, como provavelmente sua família estaria a esta hora, %Jessica% observou. Fora posicionada do lado de %Eric%, próximo de Logan e Coraline, e, diferente da noite passada, em que %Eric% esteve à vontade junto de seus amigos, dessa vez manteve-se calado, deixando que Logan e o pai conversassem à vontade.
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  Após a sobremesa, um quarteto de músicos foi posicionado na sala de visitas, tornando o ambiente mais caloroso. %Jessica% aproveitou o momento para responder às mensagens da família, que não parava de lhe enviar mensagens de natal, já que ela era a única integrante não presente na casa da avó.
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  Falou com todos por vinte longos minutos, confirmando dezenas de vezes que havia comprado o que haviam pedido, e que a mala já estava pronta. Como passou o natal longe, deveria passar o ano novo junto deles, já que a regra era essa: por passarem o natal juntos, todos tinham o direito de passar o ano novo aonde e com quem bem quisessem. Mas, se por acaso algo acontecesse e o natal não pudesse ser passado junto, então a pessoa meliante deveria passar o ano novo.
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  – É uma família calorosa como você.
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  %Jessica% deu um pulo e se virou para trás, vendo Daniel encostado no batente da porta dupla da sala de descanso dos %Clark%.
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  – Extremamente calorosa. - ela disse, olhando para trás, para ter certeza de que não havia ninguém ali. Ela não poderia falar em inglês naquela mansão. Pelo menos, não de maneira fluente.
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  – Você não me ligou. - ele observou.
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  – Desculpe. - ela coçou atrás da orelha, sem graça. – Dormimos na casa da sra Joanne ontem por conta da tempestade e tivemos de ir e voltar de Manhattan, para nos aprontarmos para o almoço.
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  – Entendo. - ele se aproximou dela, parando em uma distância respeitável, ao mesmo tempo que dentro de uma zona perigosa para quem surgisse de repente. – Podemos nos falar agora?
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  – Ah… - ela olhou ao redor. – Acho que sim?
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  – Acha? - ele sorri. – O que a faz pensar que não?
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  – Bem…
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  – Você anda sendo um ótimo anfitrião para a minha convidada, Harris. - a voz de %Eric% soou à porta, fazendo com que %Jessica%, mais uma vez, desse um salto de susto, dessa vez para mais longe de Daniel. – Como sempre, devo dizer.
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  O sorriso que Daniel mantinha para %Jessica% mudou, ainda que a expressão que dirigiu a %Eric% fosse considerado um sorriso.
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  – E você, como sempre, no meio do caminho, %Clark%.
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  %Jessica% olhou de um para o outro. Dois homens maravilhosos, gringos, possivelmente com uma rixa antiga, mas que ela poderia se regojizar pensando que era a causa da desavença. Deu mais um passo para trás, a fim de ter uma visão melhor da cena.
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  – Interessante a sua maneira de enxergar a situação, Harris. - %Eric% entrou no cômodo, as mãos dentro dos bolsos. – No meu ponto de vista, você sempre quem se intrometeu em lugares em que não é chamado.
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  – Vocês se conhecem. - %Jessica% afirmou, como uma maneira de fazê-los lembrar que ela estava ali e muito curiosa para saber o que acontecia entre eles.
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  – Ah, sim. Muito bem. - Daniel sorriu para ela. – Ele é irmão de um grande amigo meu.
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  %Eric% não lhe respondeu, mas também não negou. Não achava, entretanto, que Daniel fosse um grande amigo de Logan. Colega, talvez.
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  – Você é amigo de Logan? - %Jessica% arregalou os olhos para Daniel.
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  – Acredite quando digo que foi uma coincidência.
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  – Mesmo? - %Eric% quem respondeu. – Você sempre foi muito solícito.
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  – E você, desconfiado. %Clark%, nem tudo corre em torno de seus problemas familiares. Além do mais, me parece que você não superou nosso último encontro.
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  – Você deve compreender que não tenho uma boa impressão sua, Harris, e que se você está aqui e ao meu redor, é porque tem um contato mais próximo de Logan.
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  – Estou perdida. - %Jessica% disse, vendo-os não desviarem os olhares um do outro para ela. Com certeza não era uma briga por ela, mas sim somente a rixa do passado.
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  – Seu chefe %Eric% tem uma síndrome de perseguição de mim, porque é um mau perdedor.
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  – Não sabia que trair um amigo pode ser chamado de síndrome de perseguição, mas se é isso, então que seja. - %Eric% disse, calmo.
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  – São águas passadas.
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  – E espero que não se repita. - o anfitrião disse, olhando para %Jessica%.
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  – Ela não é sua, %Clark%.
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  – Você não é burro, Harris. Sabe que fui eu quem a trouxe.
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  – Como sua funcionária. Eu a conheci como uma pessoa normal e agora estou mantendo contato com ela.
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  Os dois permaneceram calados após a resposta de Daniel. %Jessica% não encontrava uma janela em que se apoiar, para seguir junto na discussão. Decidiu, então, manter-se calada e esperar que um deles cedesse, caso contrário, fingiria demência e sairia do cômodo para que eles resolvessem seus atritos sozinhos.
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  – Como está Abigail? - %Eric% perguntou a Daniel, causando um riso no homem. – E Naya? Rachel, não precisa se preocupar, caso não tenha percebido, ela está bem aqui, na sala de visitas. - apontou com a cabeça na direção de onde a maioria dos convidados, exceto os três, estavam.
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  – Acredito que estejam bem. Rachel, por outro lado, soube recentemente, ontem, para ser mais preciso.
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  – Isso, sim, é uma novidade.
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  – Quem são elas? - %Jessica% perguntou.
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  – Você não quer colocá-la no mesmo patamar que as outras, não é %Eric%? - Daniel colocou as mãos nos bolsos. – Por que não vai puxar o saco do seu pai mais um pouco, enquanto eu converso com %Jessica% e explico a ela a nossa história?
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  – Por que você não vai puxar o saco do meu pai, enquanto eu mantenho %Jessica% bem afastada de você?
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  – Bem, isso está ficando desagradável. - %Jessica% disse, vendo os dois a encararem. – Ou vocês falam comigo, ou acho melhor eu me retirar.
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  – Bem pensado - Daniel sorriu – eu e a acompanho.
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  %Eric% ergueu uma sobrancelha na direção do outro, e %Jessica% logo soube que talvez fosse melhor ficar calada em um canto e esperar o desenrolar de tudo.
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  – O problema de %Eric%, %Jessica%, é que as namoradas deles cansaram do perfil workaholic que ele tinha e, como deve saber, Manhattan não é uma cidade grande, e eu não tenho culpa nenhuma de ter sido escolhido para lidar com as mágoas que ele deixou nelas.
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  Ela não podia negar que %Eric% era, sim, um mulherengo, e que a maioria de seus términos era por conta do trabalho. Olhou para o chefe, que, apesar de não manter um sorriso no rosto como Daniel, tinha a calma de observar a situação.
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  – É interessante como, em todas as vezes, elas escolheram afundar as mágoas durante o relacionamento.
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  E, dessa maneira, %Jessica% foi encaixando as peças. O colar de diamantes que %Eric% mandou enviar para Rachel, sua última namorada americana, possuía um bilhete que equivalia o mesmo de sumir de sua vista, e ter sido bem recompensada. Lembrou-se que, na época, o achava o homem mais lindo que já havia visto pessoalmente, mas que era melhor manter-se longe, pois ele parecia tóxico. A atitude, inclusive, ajudou na retenção da atração que sentira pelo chefe. Não imaginava que o término, na verdade, tivesse acontecido antes por uma iniciativa dela, que o traiu com Daniel.
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  – Você sabia? - ela olhou para o autor, que a encarou. – Que eles ainda namoravam?
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  – Eles não estavam mais juntos. Ele a havia deixado para ir ao Brasil, puxar o saco do pai para conseguir uma herança que nem era dele para começo de conversa.
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  – Então você sabia.
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  Daniel, pela primeira vez, sentiu-se incomodado.
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  – Talvez %Eric% tenha razão. - %Jessica% disse. – Talvez você o esteja perseguindo.
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  – Não diga besteira, %Jessica%. Eu realmente gosto de você. - ele manteve-se no controle, mas ela pode ver na mudança de peso da perna, que ele estava desconfortável. – O que importa nesta situação, é que existe um histórico. Se você escolhê-lo, eventualmente será deixada para trás. Trocada por um trabalho, enquanto que, se me escolher, terá um relacionamento saudável.
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  – Até eu encontrar outra pessoa. – %Eric% finalmente tomou frente para se defender. Daniel o encarou. – Convenhamos - %Clark% disse mais para Harris, do que %Jessica% - se for para considerarmos um histórico, então não importa com quem %Jessica% fique, o que importa é que, no final, a mulher que eu escolher para mim, você automaticamente escolherá para você.
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  Daniel soltou uma risada.
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  – Você está sendo absurdo.
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  – Estou mesmo? - %Eric% sorriu. – Acho que estou sendo racional. Foi pura lógica. Além do mais, você já contou sobre quem realmente é, Harris? Ou ainda insiste em se passar por um autor literário?
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  – Você não é um autor? - ela o encara, estupefata.
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  – É claro que sou.
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  – Lançou somente um livro. - %Eric% disse, chamando a atenção da mulher. – Um livro, há anos, e continua usando esse perfil para atrair as mulheres. Onde se conheceram? Na Biblioteca Nacional?
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  %Jessica% abriu a boca ao mesmo tempo que Daniel finalmente ficava sério.
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  – Como eu disse, pura lógica. - diz, dando dois toques com o indicador na cabeça. – Harris é um herdeiro, assim como eu. Sua luta foi há anos, mas, assim como eu, ele perdeu. Vive de uma renda humildemente cedida por seu irmão. Pelo menos até a morte do pai.
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  – Você está passando dos limites, %Clark%.
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  – Isso se chama autodefesa, Harris. É um comportamento natural do animal. E, no fundo, somos todos, não somos? Você se meteu no lugar errado. Se quer uma aventura para suas fantasias, então procure-a melhor.
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  O silêncio pairou no ambiente. %Jessica% olhava de um para o outro. Daniel parecia outra pessoa. Tinha os olhos repleto de raiva. Talvez por %Eric% ter trazido à tona um fato que lhe doía.
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  – Meu pai é dono da empresa X. Você deve ter ouvido falar. - Daniel olhou para %Jessica%, mantendo a pose e lhe explicando com a tranquilidade conhecida por ela. – Quando ele sofreu o primeiro infarto, soube que não poderia arriscar sofrer outro, para então decidir que era hora de transferir a responsabilidade para um dos filhos. Na época, eu estava na universidade, e meu irmão, treinando para ser diretor na empresa. Foi uma escolha sensata e óbvia. E eu não fui contra.
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  – Uma boa desculpa de perdedor. Você mal tentou, Harris.
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  Daniel manteve-se calado, olhando para %Eric% como se estivesse prestes a atacá-lo. No entanto, voltou-se para %Jessica%.
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  – A família %Clark%, entretanto, teve um peso forte na decisão do meu velho. Nossas famílias se relacionam há anos e, por isso, quando Robert disse que eu não tinha aptidão para dirigir uma empresa, meu pai imediatamente concordou e assinou todos os documentos, passando as ordens para que meu irmão fosse o herdeiro legítimo.
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  – E você guarda rancor deles? Acha que eles são os culpados por seu pai não ter escolhido você?
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  Daniel não respondeu. Manteve-se calado, mas não pensativo. A resposta era óbvia, o que tornou suas intenções ainda mais óbvias.
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  – Você não deveria ter feito isso. - %Jessica% disse. – Você deveria ter lutado por seu espaço, mesmo que fosse provável que seu pai não aceitasse.
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  – Ele não mudaria nada.
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  – Eu não acho que é verdade. - ela disse, fazendo-o, dessa vez, erguer a sobrancelha como %Eric% costumava fazer. – Se ele lhe cede uma mesada, é porque se preocupa com seu bem-estar. Nenhum pai que se importa, faria isso.
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  Tanto Daniel, quanto %Eric% olhavam para %Jessica%, como se ela fosse uma louca. Porém, ambos sabiam que ela tinha um ponto válido e que provavelmente tinha razão. Daniel nunca havia tentado mudar aquela decisão e, se começasse agora, talvez tivesse uma chance, antes do pai falecer, o que não parecia ser de imediato, já que o velho passou a cuidar mais da saúde após o primeiro enfarte.
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  – Ainda assim, acredito que sou uma opção melhor para você, %Jessica%. Fui sincero a dizer que não planejei esse encontro por conta de %Clark%.
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  %Eric% não disse nada. Manteve-se calado, observando como sempre a situação.
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  – Você não tem uma garantia de que ele não a deixará pelo trabalho. Talvez agora que está sem um rumo, possa ser diferente. Mas logo as coisas mudarão e ele voltará a dar mais valor aos próprios propósitos, do que a você.
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  – Isso não vai acontecer. - %Jessica% responde imediatamente.
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  – Como pode ter tanta certeza?
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  Ela olhou para %Eric% e então foi até o homem, segurando sua mão, para enfim dizer:
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  – Porque sou igual a ele.
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  Daniel olhou para os dedos intercalados dos dois e então pode demonstrar, através de seus olhos, que havia compreendido a derrota. Assentiu, calado, enquanto %Eric% deixava o ambiente de mãos dadas com %Jessica%.
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  – Boa sorte - ela disse para a Daniel -, com seu pai. Sei que vai conseguir. E se ficar estressado, pode sempre escrever um novo livro. Eu realmente achei que você fosse um autor, é bom com as palavras.
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  Recebeu um sorriso do homem. Talvez fosse de agradecimento. Ou talvez por pura educação. %Eric% não deixou que ela tirasse a própria conclusão, pois puxou-a para longe daquela sala e de Daniel.
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  Não houve tempo, no entanto, de os dois conversarem sobre o assunto ou qualquer outra coisa. Assim que chegaram ao hall, que tinha conexão com a sala de visita, Thadeo surgiu à frente dos dois e anunciou que a família aguardava os dois no escritório de Robert.
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  %Jessica% olhou para %Eric%, sem se preocupar em mostrar ao secretário, que havia entendido tudo o que havia dito. O chefe, no entanto, não demonstrou nenhuma reação. Virou-se na direção do escritório e, sem desfazer o toque com a mão de %Jessica%, caminhou em sua companhia até o local.
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  Era hora do julgamento final.
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