Um Romance Para O Natal

Escrita porNatashia Kitamura
Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 9

Tempo estimado de leitura: 15 minutos

  No dia seguinte e pela primeira vez em sua vida, %Jessica% foi acordada com beijos e carinhos. Inicialmente, assustou-se, já que nunca havia acontecido antes, mas, ao seu lembrar da noite anterior, o rosto corou. Enquanto um par de mãos percorria seu corpo e um lábio beijava-lhe o pescoço, ela se afundava mais e mais entre a coberta e os travesseiros.
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  Ouviu uma pequena risada bem humorada de %Eric%.
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  – Bom dia. - ele disse, ouvindo um murmúrio de resposta dela. – Não vai olhar para mim.
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  Lentamente e contra sua vontade, ela foi virando o corpo até estar absurdamente perto do corpo bem formado de %Eric%. Por Deus, ela pensou, dormi com meu chefe!
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  E que noite havia sido aquela. Desconfiou que as mulheres com quem ele ficou ficaram com ele não somente pelo dinheiro, mas não quis fazer esse tipo de comentário logo na primeira manhã juntos dos dois. Naquela manhã, queria ser a única atenção dele.
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  Assim que começou a se arrastar para longe da cama, %Eric% compreendeu que era hora de acordar. O relógio batia as oito da manhã, horário que ela há tempos não acordava e que duvidava que o chefe havia, alguma vez, acordado.
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  Tomaram um banho e se arrumaram para o café da manhã que já estava posto na mesa. Enquanto comiam, os funcionários faziam seus serviços no andar de cima da cobertura.
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  %Jessica%, por outro lado, se perdeu na vista incrível que a residência tinha: Nova Iorque. Aquilo parecia surreal, e somente o milagre de natal que acontecia todos os anos – ou quase todos – poderia explicar tudo aquilo. Estava no exterior, comendo um café da manhã de pessoas ricas, acordando às 8 em plena quinta-feira após uma noite de amor quase que inacreditável com seu chefe. O mesmo chefe a quem ela já imaginou cenas da noite anterior há alguns anos, no início de seu trabalho. O mesmo chefe que ela odiou alguns dias, por fazê-la trabalhar “como uma camela”.
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  Mas, será que ele ainda será seu chefe?
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  – Espero que eu seja o motivo desse devaneio. - a voz de %Eric% a despertou, fazendo-a sorrir sem graça e voltar a comer. – Algo a preocupa?
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  – Não. - respondeu imediatamente, por força do hábito.
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  – Tudo bem - ele deu um gole em seu suco, a encarando –, agora, diga-me a verdade.
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  %Jessica% olhou para %Eric% e soube que ele conseguia enxergá-la. Não sabia como, mas ele conseguia. O homem nunca havia prestado muita atenção nela e, em questão de alguns dias, já conseguia lê-la?
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  E ele ainda insistia dizer que não era perfeito em tudo.
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  – Bem - ela começou, após terminar sua refeição –, como que irá ficar meu trabalho? Continuarei sendo sua assistente? Você terá de ficar na sede, aqui em Nova Iorque, não é?
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  %Eric% ergueu uma sobrancelha, surpreso. No entanto, não era pela questão em si, mas por achar que %Jessica% já soubesse o que aconteceria em seguida.
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  – Ficarei aqui. - ele respondeu, desanimando-a. - E você também.
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  – Como?
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  – Oras, você quer manter um relacionamento à distância?
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  – Você está pensando no relacionamento?
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  – É claro que estou. - ele riu, achando graça da seriedade da mulher. – Podemos trabalhar de vários lugares, mas não podemos nos relacionar, estando a praticamente um continente de distância do outro.
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  – Mas o trabalho é importante––
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  – %Jessica% - ele a interrompeu, dessa vez sério –, o trabalho é o de menos. Ainda que eu a demita por ordem dos acionistas devido à lei interna da empresa, consigo facilmente colocá-la em outra empresa tão boa quanto a minha ou, se preferir, abrir um novo negócio para você. O que me importa agora, não é um problema que consigo resolver com facilidade, é o que não consigo resolver sozinho.
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  – Nosso relacionamento. - ela murmurou, lembrando-se da conversa da noite anterior.
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  – Exatamente.
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  – Então… bem. Ficarei aqui com você. - disse lentamente, tentando associar a ideia.
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  – Estou achando muito charmoso a sua insegurança e falta de atenção nas minhas palavras, apesar de eu não querer que isso aconteça dentro da empresa.
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  – Não - ela rapidamente lhe responde –, não sou lenta assim no trabalho.
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  – Eu sei - ele riu. – Trabalhei com você nos últimos dois anos, lembra?
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  Ele terminou seu café e se levantou, %Jessica% imitando seu ato.
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  – Vamos nos arrumar, vamos sair.
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  – Para onde iremos? - ela perguntou no caminho do quarto.
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  – Lhe dar um presente de natal.
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  O presente, ela percebeu logo depois, vinha em forma de compras. Enquanto ela hesitava ao entrar nas lojas das marcas de grife que %Eric% escolhia, ele tentava deixá-la tranquila sobre comprar tudo o que quisesse. %Jessica% entendia que era essa a maneira que ele entendia como agradar a uma mulher, mas tudo o que ela sentia, era desconforto. Não tinha aquele nível de vida, apesar de querer muito, e conseguir dessa maneira não lhe parecia certo.
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  Lembrou-se da avó e da mãe, que lhe ensinavam sempre que podiam, a não aceitar o caminho mais fácil, apenas porque ele parecia melhor. Muitas vezes esse mesmo caminho a levava para destinos ruins. No entanto, ela sabia que, às vezes, havia caminhos fáceis que levava a lugares bons.
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  Permita-se, %Jessica%. Permita-se. Ela pensava em forma de mantra, olhando para %Eric% entrar em uma nova loja com ela e logo conversar com o atendente que traria dezenas de roupas para ela experimentar.
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  Passaram a manhã e o início da tarde comprando. Ela nunca imaginava que pudesse fazer aquele tanto de compras e gastar aquele tanto de tempo comprando, sem olhar para uma etiqueta e saber que havia dinheiro para pagar tudo aquilo. A vida de %Eric% ainda a deixava um pouco desnorteada, mas se acostumaria.
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  Quando %Eric% achou que era o suficiente para o dia, disse que estava na hora de almoçarem em algum lugar.
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  – Espero que goste de italiana. - ele disse, vendo-a sorrir em confirmação, enquanto saíam do carro, para um pequeno restaurante no SoHo.
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  Tão cedo a porta foi aberta para os dois, um grito em coro os saudou, fazendo-a arregalar os olhos e parar ali mesmo onde estava. Não era possível, ela pensou. Piscou até três vezes fortemente.
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  – Ora, mas não fique parada aí, %Jessica%, está parecendo uma boba! - a voz da mãe soou logo à frente.
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  %Jessica% olhou para %Eric%, que estava logo atrás dela. Havia um pequeno sorriso nos lábios dele quando tocou na lombar da mulher e lhe sussurrou:
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  – Feliz natal.
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  – Por Deus, até que enfim! - a voz de Ana Amélia surgiu de repente. – %Jessica% está namorando!
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  Um segundo coro surgiu dos familiares e um abraço envolveu %Jessica%. Era a mãe, que emocionada, a abraçou fortemente.
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  – Eu sabia que você não me decepcionaria, minha filha!
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  – Mãe!
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  – Quando recebemos a visita de sua amiga do trabalho, achamos que você havia sofrido um acidente e morrido, mas, para nossa surpresa, ela trazia um convite do seu chefe para virmos até Nova Iorque passar o ano novo com você! - a mãe disse, animada. – Todos nós, dá para acreditar?
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  – Bem - ela olhou para o resto da família sorridente e barulhenta atrás da mãe –, agora acredito.
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   – Eu disse que era essa a menina que iria brilhar. - a avó surgiu logo atrás da mãe, que lhe deu espaço, para enfim abraçá-la. – Tenho muito orgulho de você, minha filha. Sempre tive.
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  – Sempre teve?
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  A avó inclinou-se para trás a fim de enxergá-la melhor, ao ouvir o tom de dúvida sair da boca da neta.
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  – E como não? Você foi a única %Mendes% que ousou sair da nossa tradição para buscar o seu sonho. - deu dois tapinhas carinhosos no rosto da neta. – A última pessoa que fez isso foi sua bisavó Ana Maria, que criou o nosso hábito de natal após enfrentar os próprios pais, que não acreditavam na data.
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  – E por que nunca soube disso?
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  – Ora, minha filha. – a mãe disse, abraçando a avó. – Se você ousou trilhar seu próprio caminho, deve passar por todos os obstáculos sozinha. E veja só como se saiu bem!
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  – Ouvi dizer que vai morar aqui, %Jessica%. - a avó disse, olhando para %Eric%. – Você é o chefe que a roubou de nós?
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  – Eu sou o homem que a roubou de todos os outros homens. - ele disse, fazendo mãe e avó olharem para ele boquiabertas. – No Brasil, me parece que não há muitos homens inteligentes. - se colocou ao lado de %Jessica%, que corou.
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  – Graças à Santíssima, um homem inteligente! - a avó disse mais alto, ouvindo, mais uma vez o coro do restante da família. – Trate mal minha neta e verá o que uma velha pode fazer.
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  – Ah, sei bem o que mulheres como a senhora conseguem fazer. Me manterei em linha. - %Eric% disse, logo murmurando para %Jessica%. – Ela me lembra muito alguém.
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  – Pensei nisso também. – ela lhe murmurou de volta, a imagem de Joanne surgindo à mente.
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  – Então quer dizer que você, além de ter encontrado um bom trabalho, também encontrou um bom namorado? - a tia surgiu, olhando para %Eric%. – Você é daqui?
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  – Nascido e criado.
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  – E você gosta de mulheres que gostam de trabalhar?
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  %Jessica% viu %Eric% erguer uma sobrancelha, um sinal de que não havia gostado da pergunta. No entanto, a família permaneceu calada aguardando por uma resposta e, por isso, se limitou a dizer:
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  – Gosto de %Jessica%.
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  A família fez um som de aprovação, fazendo com que %Jessica% corasse. Nunca havia pensado que fosse, ao mesmo tempo, começar a namorar E apresentá-lo à família inteira de uma vez. Observou o comportamento de todos enquanto a avó arrastava %Eric% para apresentá-lo um a um aos integrantes presentes.
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  Enquanto isso, a mãe de %Jessica% logo se aproximou da filha e lhe deu um forte abraço.
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  – Quando se vira mãe - ela começou -, há milhares de coisas que você deseja para o seu bebê. Cria diversos futuros, todos felizes. Quando os vemos começar a falar, andar, correr e tomar as próprias decisões, é como se sentíssemos que estão dando um passo mais longe. É difícil.
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  %Jessica% olhou para a mãe, que a encarava carinhosamente. Sem perceber, os olhos encheram de lágrimas.
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  – Você sempre foi a mais fraquinha. Sua irmã, apesar de mais nova, a derrubava com facilidade quando pequenas. Foi uma surpresa para eu e seu pai quando você decidiu seguir um caminho diferente. Ele disse que você um dia se rebelaria, mas você foi além.
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  As duas observaram a avó fazer %Eric% apertar a mão de todos os enteados, falando o que faziam, a quanto tempo estavam casados e quantos filhos tinham, informações, segundo ela, muito importantes.
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  – É bom saber que você encontrou alguém que goste de você da maneira que é. Nós, mulheres %Mendes%, temos uma personalidade que não deve ser mudada ou moldada por homens.
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  A filha olhou para a mãe com novos olhos. Aquela, sim, era uma mulher a quem ela gostaria de se espelhar. Isso, sim, era ter o verdadeiro controle sobre as coisas.
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  – A senhora, Ana Amélia - %Jessica% sorriu, retribuindo o abraço da mãe -, é uma mulher e tanto.
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  A mãe sorriu com certo orgulho para a filha.
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  – Antes de mãe, também sou mulher, %Jessica%. E uma mulher muito forte.
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  Disso, %Jessica% pensou com certo humor, ela tinha certeza.
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  – Diga que está drenado. - %Jessica% disse a %Eric%, enquanto entravam na cobertura, após passarem o dia inteiro na companhia de sua família.
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  – Sua família é mesmo muito… excêntrica. - ele tira o casaco e o pendura no chapeleiros próximo à porta de entrada.
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  – Está se arrependendo de querer entrar nela?
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  – Não, se o motivo real de eu querer entrar nela me dar uma boa recompensa. - ele segurou sua cintura assim que adentraram à enorme sala de estar.
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  – Então… - ela o responde, passando os braços ao redor de seu pescoço, enquanto observa a vista do Central Park logo atrás dele – será que consigo um bônus de natal?
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  – Mais um?
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  – Você sabe o quanto me fez trabalhar fora do meu horário nos últimos dois anos?
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  %Eric% abre um sorriso e gruda os lábios nos de %Jessica%, abraçando sua cintura, ao mesmo tempo que a traz para mais perto de si.
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  – Não se preocupe, pagarei todo bônus que você quiser, da maneira que você quiser. Mas se eu a fiz trabalhar tanto assim - %Eric% apertou a cintura da mulher, sentindo o aroma de seu perfume, ao passear os lábios por seu pescoço –, talvez não consiga pagar tudo neste natal.
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  – Ah! - ela disse, sorrindo, sentindo o corpo estremecer com os toques daquele homem impossível. – Leve o tempo que for.
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Fim

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Lelen

Eu tava precisando de uma história assim, embora eu esteja numa vibe muito kpop e tenha tido que usar a imaginação em algumas partes para ler com coreanos kkkkkkkkkkkkkk

NATASHIA, EU TAVA AGONIADA COM O DANIEL, TU SABE, MUIÉ. Mas acabou que deu tudo certo e o drama nem doeu tanto, grazadeus KKKKKKK

Eu tô com o coração quentinho e sorrindo igual besta aqui KHAJAHAHAHAHA

Amo quando tem tudo uma razão pra ser. E EU NÃO ESPERAVA QUE O SONHO DO LOGAN FOSSE O SONHO DELE. HAHAHA

Adorei as reviravoltas. É por isso que eu sou tiete sua faz tanto tempo KKKKKKKKK

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