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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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O cara do meu time

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

Capítulo Nove • Uma substituição errada e o time poderá perder!

  Chegamos, Math e eu, na área dos gramados e Conrado ainda estava me evitando. Após nosso treino, consegui usar Matheus de desculpa para não tomar banho imediatamente no vestiário. Saí de fininho do campo em direção a ele, e fomos os dois para nossos respectivos quartos. Caminhamos em silêncio, eu me concentrava em procurar por Conrado e conversar, afinal, ele precisava de uma resposta, por mais que eu não soubesse exatamente como dizer. Antes de nos separarmos no saguão de convivência, Matheus me chamou para ir beber com ele em seu quarto.
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  E por mais que eu soubesse que a conversa com Conrado deveria ser prioridade, eu não queria perder um minuto longe de Matheus. Era a chance que eu estava tendo de conhecê-lo melhor.
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  E ali foi a minha maldição.
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  Bebemos praticamente até as três horas da manhã e entre conversas sobre os campeonatos de tênis e futebol no dia seguinte, carros e mulheres, novamente Lívia tornou-se um assunto.
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  — Depois de tudo o que você me viu passar esses dias por causa da Lívia. Ainda pensa em procurar por ela? — Matheus perguntou.
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  — Seria muita trairagem, né, e eu não sou assim... — falei rindo.
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  — Acha que mais alguém aqui pode ter ficado interessado nela aquele dia?
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  — Você desconfia de alguém?
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  — Hm... Não sei. Para mim é tão ilógico que alguém venha a conhecê-la antes de mim.
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  — Conrado... — sussurrei mais para mim, porque escutei aquilo há pouco, e de certa forma me sentia culpada em estar ali com Matheus.
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  Entretanto, Math escutou, afinal eu já estava bêbada o suficiente para não ter noção da altura da minha voz.
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  — Ele te falou alguma coisa? — perguntou preocupado e pensativo.
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  — Ah não... Só aquele dia no quarto do Fred mesmo... Ele... Achou ela linda.
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  — Mas isso é óbvio, não o culpo.
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  Matheus, tomado por alguns minutos de reflexões alcóolicas, cambaleante, levantou-se de súbito dizendo que ia até Conrado saber se ele havia conhecido Lívia, ou escondia algo e que iria até Lívia logo em seguida.
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  Não adiantou que eu argumentasse que não fazia sentido meter Conrado na história dele, sendo que o cara ainda nem havia conhecido Lívia. Argumentei também que era ele quem tinha um pé na frente com a mulher, e que não deveria sair até a casa de Lívia bêbado como estava.
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  Matheus estava agitado e teve resposta para tudo, mas não teve resposta para o beijo que eu acabei dando nele.
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  Literalmente agi por impulso achando que o calaria beijando a sua boca, e, na verdade, calei.
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  Foi estranho em todos os sentidos, primeiro porque eu estava vestida de Nicolas e ele ficou me encarando de um jeito tão profundo que eu imaginei que levaria um soco. Foi estranho ainda mais porque eu adorei e, pelo visto, ele também, uma vez que ele puxou minha nuca novamente beijando-me de volta. Eu diria que houve um reconhecimento ali de nossas línguas, e toda a tensão sexual que ele sentia pela Lívia, e eu sendo a Lívia sentia por ele, dissipava.
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  Entretanto, com um lampejo de sobriedade que veio sabe-se lá de onde, eu separei nosso beijo e cocei a cabeça em dúvida, percebendo os olhos aflitos de Math sobre os meus. Saí do quarto dele caminhando apressada para o meu, e aliviada por nossos dormitórios serem separados por mais que corredores.
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  Mal notei que a porta do meu chalé ficou aberta desde que saíra mais cedo deixando Conrado, sem uma justa conversa. Entrei de súbito e tranquei a porta, rapidamente arrancando todo aquele disfarce que estava me deixando ainda mais sufocada. Quando estava de calcinha e sutiã, retirei a máscara e peruca soltando meus cabelos, me sentei à cama, só então notando Conrado ali. Estava silencioso, sentado no chão ao lado do frigobar e do pequeno armário em que eu guardava algumas guloseimas, rodeado de alguns saquinhos de snacks e latas de refrigerante vazios.
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  — Que susto!
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  — Estava esperando você tirar o resto para me pronunciar — ele falou em humor fraco.
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  — Engraçadinho...
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  — Você sabe que me deve uma.
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  — Está fazendo o que aqui?
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  — Eu vim do vestiário direto para cá, e estou esse tempo todo esperando você. Assisti televisão, comi os seus lanches e mexi na sua gaveta de calcinhas...
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  — O QUÊ?
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  — Tô brincando... Nas gavetas eu não mexi. — Ele riu com um pouco mais de humor.
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  Então, Conrado notou a minha expressão de poucas ideias para as suas piadas e me olhou preocupado. Levantou-se do chão se aproximando, mas antes que desse três passos, eu caminhei ao seu encontro, abraçando-o imediatamente e Conrado não entendeu nada.
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  — O que houve? — perguntou.
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  — Cadê as meninas?
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  — De folga. O que houve? — puxou meu rosto para me encarar.
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  — Eu o beijei.
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  — Como?
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  — Eu beijei o Math!
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  Conrado me soltou e me olhou ainda confuso.
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  — Então, ele sabe que você não é o Nicolas?
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  — Eu o beijei como o Nicolas! — falei revoltada me jogando na cama.
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  Ele se encolerizou e andava de um lado a outro, seus olhos mirando-me com julgamento.
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  — Eu sabia que isso ia acontecer!
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  — Ele queria vir até você perguntar sobre a Lívia, saber se você a conhecia e se queria ficar com ela!
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  — Ah! E você achou o quê? Que eu ia jogar tudo pro alto agora e foder o planinho infantil de vocês só porque eu quero realmente ficar contigo?
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  — Não! Eu só não sabia como pará-lo!
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  — Fez muito bem agarrando ele dentro do disfarce!! — Conrado bateu as mãos sobre a lateral do corpo e sentou-se perto de mim na cama: — E o que ele fez?
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  — Me puxou para outro beijo.
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  — Quê?! — Conrado estava alarmado.
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  — Ele estava bêbado! E eu também estou! Sem falar que...
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  — Vocês beberam o quê? Mijo!? — perguntou me interrompendo.
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  — Não importa agora! Aconteceu e nós vamos ter que aguardar pra ver o que ele vai fazer amanhã.
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  — Aguardar porra nenhuma, foda-se se você vai ser desmascarada cedo ou tarde, mas amanhã é o jogo mais importante do campeonato e o time precisa de você. Não vai ser justo deixá-lo estragar tudo depois que eu tive tanto trabalho!
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  — Ei, aonde você vai!?
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  Conrado saiu em disparada pelo quarto me deixando cheia de dúvidas. Dúvida sobre o que ele faria. Dúvida sobre o que aconteceria. Dúvida sobre o que ele teria feito para enfim não poder admitir que eu não jogasse.
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• O • C A R A • D O • M E U • T I M E •

Semana do Disfarce — Nono Dia

  Desde o beijo eu não vi mais o Matheus ou falei com ele. E na manhã do jogo importante tivemos preparação física e um pouco de treino tático. Como todos os caras do time estavam ansiosos pela partida, não houve muita interação, aproveitando, acredito, cada um para descansar.
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  Coisa que eu não conseguia fazer, porque minha cabeça não parava de pensar em como eu estava numa sinuca de bico desnecessária. Procurei por Conrado, mas ele também não me disse nada a respeito de Math ou de qualquer outra coisa. Apesar de eu notar que nenhum dos rapazes desconfiava de nada durante o treino, eu ainda estava desconfiada se Matheus poderia ter dito algo a alguém, então, pensei em ir até Frederico, mas queria a opinião de Conrado, e ele ignorou totalmente o meu drama. Disse que precisava descansar e resolver umas coisas, então sugeriu que eu esquecesse tudo por ora, apenas me concentrando no jogo da noite.
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  Retornei para meu quarto com vontade de sumir. Maria e Bruna me deram o mesmo conselho de Conrado, dizendo que depois do jogo poderíamos tentar resolver aquilo, e me sentindo como uma péssima pessoa da qual ninguém quer conversa, decidi dormir. Claro que fiquei pensativa por horas antes de pegar no sono naquela tarde após almoço, contudo, quando fechei os olhos para um cochilo renovador, eu já sabia exatamente o que faria após o jogo!
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  Faltando alguns minutos para o começo do jogo, no vestiário, Conrado quebrou o silêncio comigo quando me puxou em um abraço desejando boa sorte na partida. Notei que a tensão era grande entre os componentes do time, e descobri que aquele jogo era absolutamente importante para o ego da fraternidade: os adversários eram seus maiores rivais de clubinho, e não perdiam para eles desde o último campeonato.
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  Uma coisa eu poderia agradecer a Ester, ela estava me fazendo sentir como se eu fosse a protagonista de um clichê de cinema americano.
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  Entramos no gramado e observei a arquibancada do clube com mais pessoas assistindo do que em outros jogos, inclusive, tinham mais torcedores rivais do que do time da fraternidade. Conrado parecia procurar entre eles alguém, e depois de parecer ter encontrado, olhou para mim e sorriu. Não vi Matheus entre as pessoas e não procurei por mais ninguém, porque quando me coloquei na minha posição, o foco total era o jogo, e todos os olhares encaravam Nicolas, a promessa do time.
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  E prontos para iniciar a partida a bola estava no meu pé. A minha cabeça preocupada com o momento em que a verdade seria dita, esvaziou-se daquele pensamento ou de qualquer dúvida sobre eu ter estragado tudo: o casamento de Ester, o lance com Matheus e a taça do campeonato. Quando ouvi o apito, eu não pensava em nada mais que não fosse levar aquela equipe à vitória daquele jogo.
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  Corri em disparada realizando a troca de passe para Diego ao meu lado, e aproveitei para me infiltrar um pouco mais no campo adversário. Tiago e Matias realizavam os passes, enquanto a marcação vinha acirrada. Eu já estava bem mais à frente que a equipe quando a bola retornou para mim, e me percebi em posição de impedimento se a continuasse levando, portanto, realizei um toque de recuo onde Diego novamente pegou a bola, reiniciando a jogada.
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  Por mais que tentasse me manter em concentração, eu não percebi quando Conrado recebeu a bola de Soares, preparando a jogada em que havíamos treinado a minha assistência para o gol. Perdemos a chance da jogada ensaiada e meus companheiros gritavam comigo para ficar atento, assim como Conrado fez sinal para que eu me mantivesse calmo.
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  — Vai, Nicolas!
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  Em oportunidade seguinte, ouvi Conrado gritar o meu nome e adiantei-me na corrida e embora tenha perdido o passe para o adversário, realizei uma roubada de bola e finalizei a assistência que levou Conrado a realizar o primeiro dos dois gols que nos fizeram ganhar aquela partida. O segundo gol saiu com muito sofrimento no final do segundo tempo, após o empate ter corroído a todos que jogavam e assistiam.
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  Menos a mim, que estava absolutamente louca para fugir de um jogo de futebol pela primeira vez na minha vida.
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  O apito que soou ao final da partida parecia o sino da minha liberdade. Caminhei pelo campo, distraída, e quando pensei que conseguiria novamente sair furtiva com a desculpa de cumprimentar Maria e Bruna que assistiam ao jogo, os rapazes da equipe me pegaram pelas pernas e me suspenderam em direção ao vestiário sob cânticos de vitórias e brados.
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  Eu seria desmascarada no vestiário, então?
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  Lá dentro eles começaram a retirar a blusa sacudindo-a e comemorando, e quando Diego e Soares me pegaram para receber o “trote do novato”, por ser aquele o jogo mais importante que eu participava e ter realizado as jogadas para a vitória deles, Conrado apareceu dizendo que havia um cara do lado de fora, um olheiro querendo falar comigo. Não entendi nada, mas quando cheguei na ala externa do vestiário ele saiu me puxando pelo corredor e me fazendo segui-lo pela parte de trás, aonde ninguém nos veria.
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  — O trote é tirar a sua roupa e te dar um banho com a água e o gelo dos coolers da partida — explicou, sério, me tirando dali.
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  — Achei mesmo que eu seria desmascarada lá dentro.
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  — E ficou parada igual uma porta por quê? — O tom de voz repreensivo dele era também urgente.
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  — Porque talvez eu esteja mesmo a fim de acabar com essa loucura!
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  Parei de andar, irritada por vê-lo falar comigo daquele modo. Conrado virou-se para trás me encarando, e depois observou se ninguém estava nos seguindo, antes de relaxar os ombros dizendo:
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  — Vai embora. É muito melhor você simplesmente sumir e eu dizer que não consegui mais contato com você. O Matheus vai entender que o Nicolas fugiu da situação que tiveram, e também vai dar um jeito de encobrir isso. Duvido que ele vai contar que foi beijado por Nicolas e o correspondeu. Assim, você não fere também os sentimentos do Fred.
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  — E eu feri os sentimentos de alguém aqui? — perguntei ignorando todo o plano dele, até porque, eu já havia decidido aquilo antes.
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  Meu plano era sair na surdina, exatamente como Conrado disse porque, por coincidência, imaginamos o mesmo cenário. Porém, eu não queria saber como as pessoas lidariam com a fuga de Nicolas, e sim, queria entender se Conrado estava magoado comigo.
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  — Embora você tenha sido transparente como cristal para mim desde o início, eu não pude evitar de me sentir chateado pelo pouco caso que mostrou quando me abri pra você, Lívia. Eu realmente esperava que você ao menos me daria um fora, mas sair sem dar respostas e voltar ainda sem tocar no assunto apenas dizendo que beijou o Matheus... — Ele suspirou.
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  — Olha, Conrado, eu estou em débito contigo mesmo, me desculpe! Eu queria ter conversado com você a respeito, mas...
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  — Mas as coisas foram acontecendo e você não conseguiu dizer “não” para ele, não é?
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  Eu quis retrucar, pedir desculpas por tê-lo feito sentir-se chateado com a minha reação. De fato, parecia que seus sentimentos eram nada, mas.... Cá entre nós? Eu nunca fui muito o tipo de pessoa que acreditaria que um homem se magoaria com o “fora” de uma mulher que ele não ama. E Conrado não me amava, o que ocorria era uma questão de ego.
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  Principalmente por ser Matheus — outro homem — o responsável por tirar a minha atenção. E eu continuei acreditando naquilo, mesmo percebendo a expressão descontente do novo amigo à minha frente, então, como em outras vezes aconteceu, eu tentaria me desculpar e encarar com alguma seriedade, ou apenas fingir seriedade sobre os sentimentos feridos que ele mostrava. Só que Conrado parecia me ler muito bem.
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  — Nem fala nada, Lívia. Você não acha que foi algo demais para eu me sentir jogado de escanteio.... Dá para ler nos seus olhos, no jeito como você se sente culpada e mostra pela sua postura.
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  — Ei! Eu fiquei, sim, culpada, tá? Sair daquele jeito sem esclarecer as coisas foi uma falta de consideração e eu tenho noção disso.
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  — Tem noção, mas a falta de consideração para você não mora nos meus sentimentos de homem, mora no fato de que ficamos amigos. E isso seria falhar com um amigo seu.
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  O cara teve mesmo tempo para me estudar! Era perspicaz demais a ponto de, apesar das poucas vezes, conseguir observar meu jeito ou então Frederico andou lhe informando. O fato é que Conrado me falou para ir para o meu chalé antes que os caras voltassem por desconfiar da demora. E me dando as costas, saiu rumo ao vestiário.
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  Caminhei apressada de volta ao quarto, onde eu pude me arrumar para a comemoração que iria acontecer na boate do clube. Entre desculpas sobre “ter fugido do trote” e perguntas sobre o tal olheiro que não existia, eu consegui sair ilesa da comemoração noturna. Não bebi muito, e fiquei o máximo de tempo ali à espera de Matheus ou Conrado surgirem. Nenhum dos dois apareceu. O primeiro ninguém sabia onde estava, nem mesmo Fred. O segundo havia dado a desculpa de que ia encontrar uma garota fora dali e por isso não comemoraria conosco. E eu só soube que era mentira quando, passando pelo chalé dele, eu vi a luz do seu quarto acesa.
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• O • C A R A • D O • M E U • T I M E •

Semana do Disfarce — Décimo Dia

  Não consegui mais falar com a Ester na noite anterior e nem por parte da manhã de hoje. Teria outro jogo à tarde onde decidi que iria jogar o primeiro tempo, garantir uns gols para os meninos e sair escondida no segundo tempo. De resto eles que se virassem.
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  Conrado continuou sem falar comigo, mas apareceu no meu quarto para dizer que era para eu ter cuidado no treino pela manhã. Falei que não iria, para ele inventar uma indisposição e avisar aos caras que eu descansaria para jogar só no primeiro tempo. Devido à festa da noite anterior, as desculpas surtiram facilmente.
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  Tentei ligar para Ester muitas vezes durante a manhã e nada. Liguei para Maria e Bruna e nenhuma das duas sabia o que havia acontecido. Então Maria foi atrás de Ester, e Bruna ficaria para me ajudar a fugir pós-jogo. As duas meninas sabiam dos últimos acontecimentos e concordaram que era o melhor que eu poderia fazer.
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  Ao longo da manhã até o horário do jogo eu fiquei escondida no quarto, e Bruna levou minhas malas para o carro dela escondido, assim que eu saí para entrar em campo.
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  Exatamente como planejei, consegui executar: três gols marcados no primeiro tempo e na saída para o intervalo, os meninos estavam tão concentrados com o fato de a equipe adversária ter marcado dois e já davam a eles o troféu pela vantagem, que mal se importaram comigo. O técnico manteve as recomendações para alcançarem pelo menos mais um no segundo e garantir que o Clube Edin levasse a taça do campeonato.
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  Assim que todos retornaram ao campo, eu continuei no vestiário e ia sair com minha mochila pelo espaço que no dia anterior o Conrado me mostrou, quando o próprio me segurou pelo braço.
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  — Tenho que entrar no jogo, mas preciso que você fale com uma pessoa.
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  Ele me guiou até um homem bem-vestido loiro, que eu identifiquei como sendo Marcelo, o coordenador esportivo do Flamengo e nem pude acreditar no que estava acontecendo.
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  — Esse é o Nicolas, bem... Conversem e explica para ele, porque eu preciso entrar — Conrado pediu a Marcelo, me olhou com um meio sorriso e bateu no ombro do outro, em seguida nos deixando ali.
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  — Você tem sorte. Estamos precisando de um jogador com o seu perfil de jogo imediatamente no Flamengo, e eu não sou de dar ouvidos aos pedidos do Erick, mas...
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  — Espera... Erick?
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  — O Conrado. Ele é meu sobrinho, e pediu pessoalmente alguns dias atrás, que eu viesse. Eu estava em uma viagem no exterior e ele esperou eu voltar, e me convenceu de vir assistir à final aqui. O clube aqui é... Um divertimento para os associados, então... Nós nunca encaramos chances reais de bons resultados ou um talento no elenco, mas ele me garantiu que você era bom, Nicolas.
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  Minha cabeça deu um nó. Eu lembrei os dias que Conrado havia ficado fora, e não disse exatamente qual problema foi resolver. Em seguida lembrei-me de sua última frase para mim, dentro do chalé há um dia: “Não vai ser justo deixá-lo estragar tudo depois que eu tive tanto trabalho!”.
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  Era aquilo então... Ele foi até Marcelo pedir uma chance para mim, mas que destino!
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  Marcelo já havia procurado a Lívia, e agora estava ali oferecendo uma chance real para eu entrar no masculino do Flamengo, enquanto a Lívia ainda passaria por alguns testes no feminino.
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  — Olha... Marcelo, não é?
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  — Sim. — Ele parou de falar observando a minha interrupção de forma curiosa.
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  — Eu posso saber por que o Conrado não tentou essa chance para ele? — perguntei e o homem riu compreensivo.
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  — Não é a praia dele. O Erick nunca quis se profissionalizar com o futebol, embora seja até bom. Isso é só um hobbie.
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  — Entendo... Bom, a questão é que eu também não quero no momento.
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  — Mas, ele disse que você...
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  — Ele se confundiu — respondi interrompendo-o novamente. — Frederico Aguiar é quem falou para nós que tinha uma amiga que joga interessada em profissional... Eu até posso ter dito algo, mas no momento... Eu não tenho interesse.
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  — Amiga? Nosso feminino também está precisando de novo elenco, você sabe quem é?
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  — Lívia Monteiro. Não sei muito sobre ela, além de que é muito boa. Obrigado pelo convite, mas...
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  — É, eu sei quem é ela... Engraçado que vocês têm um jogo parecido... Ela é mesmo boa. Bom, eu que agradeço a atenção e peço desculpas pela confusão do Erick.
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  — Tudo bem, eu quero me desculpar por ele. Afinal, ele te fez perder tempo.
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  — Assisti a uma boa partida de primeiro tempo, então não perdi tanto assim.
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  Despedimo-nos em um cumprimento e o homem retornou para a arquibancada, enquanto eu corri ao meu chalé para me arrumar.
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  Estava saindo do banho quando me enrolei na toalha e adentrei ao quarto, apressada. Só me dei conta que não havia destrancado a porta, quando percebi Matheus em pé segurando a máscara de silicone em sua mão, com uma expressão confusa, e de costas para mim.
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  — Nicolas... Eu achei que precisávamos conversar sobre o que aconteceu, mas eu... Que merda... — ele falou indignado se virando e me encontrando finalmente.
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  Matheus estava ali, de frente para Lívia, enrolada numa toalha. Minha feição espantada e culpada denotava o fracasso que eu sabia que seria tentar reconquistar o cara mais incrível que eu já havia conhecido e que por sinal, achava que eu era um homem.
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  — Matheus eu...
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  — Era você o tempo todo? — ele disse com raiva e então se aproximou de mim devagar.
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  — Eu posso explicar... Por favor, me escuta, eu...
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  — Tudo faz sentido agora! — ele disse me interrompendo, com a expressão de decepção. — Eu achei que estava louco por ter beijado um cara, e pensado em você e depois ainda ter feito várias conexões estranhas sobre a possibilidade de ser ou não gay, e caralho... Garota sabe a merda de confusão que você fez na minha cabeça?
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  — Eu...
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  — Você sabe! — interrompeu novamente. — O pior de tudo é que você sabe. Você estava lá me ouvindo falar de você e…
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  Ele parou de falar pensando em alguma coisa que infelizmente eu não podia decifrar, e então se afastou em direção à saída, e por mais que eu pedisse para ele esperar, ele não esperaria.
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  Vesti minha roupa, enfiei o disfarce na sacola, e peguei o telefone celular real e o fictício, deixando de uma vez aquele chalé. Só consegui me dar conta do que tinha acontecido quando entrei no carro e deixei as lágrimas caírem enquanto eu contava para Bruna que havia sido descoberta.
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Lelen

PQP O JEITO QUE TERMINOU ESSE CAPÍTULO, MEU SENHOR AMADO.
VOLTA, MATHEUS, VAI TER BOLOOOOO!
Eu preciso saber como essa história vai ser resolvida. GZUS

Liv

Mas é óbvio que ele descobriria. Sinceramente, quero final feliz, mas se eles não terminarem juntos, vou achar bem feito.

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