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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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O cara do meu time

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

Capítulo Sete • E o jogo começa!

Semana do Disfarce — Segundo Dia

  Acordei cedo e enquanto escovava os dentes, eu observava o corpo caído na minha cama. Conrado era inacreditável. Mais um para a minha lista de “pessoas impossíveis das quais devo ter cuidado”.
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  Depois de pensar como eu me livraria do bêbado ali, cheguei à conclusão de que expulsá-lo seria a única alternativa, já que eu havia recebido uma mensagem do Fred em meu falsophone dizendo que me aguardavam no campo para o treino. Por isso, depois de acordar o Conrado com nenhuma gota de delicadeza e ouvindo os murmúrios revoltados dele, eu estava caminhando rumo ao campo até ouvir uma voz conhecida me chamar.
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  — Nicolas! Espera aí!
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  Olhei para trás e dei de cara com Matheus correndo até mim. Nós trocamos cumprimentos camaradas e iniciamos um diálogo “natural”.
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  — Vai ao treino?
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  — Não, meu negócio é realmente o tênis, você se sentiria ofendido em ver como eu sou terrível no campo — ele respondeu.
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  — Não tenho paciência para esporte de burguês. O mais gostoso no futebol é aquela multidão de pessoas torcendo e contando com você!
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  — Uau... Para um playboy você realmente gosta das massas... — Math falou de forma debochada.
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  — Eu não posso contestar isso.
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  E assim que eu disse aquela frase, ele parou de caminhar e ficou me observando com os olhos semicerrados como na noite anterior.
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  — O que houve? — perguntei.
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  — Tem certeza de que nós não nos conhecemos?
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  — Cara... — Cocei a peruca um pouco afoita e com medo de ser descoberta mesmo debaixo de tanto silicone facial. — Você está um pouco obcecado comigo, não?
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  Comecei a rir dando-lhe a entender que eu estava brincando. Na verdade, eu queria pegar minha malinha e correr dali dizendo para Ester: “Fred está limpo, case-se com ele e para de ser doida de uma vez por todas!”
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  E eu até poderia, afinal, o que me prendia ali?
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  — Nicolas! Nicolas!
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  Tiago, um dos jogadores da equipe, ao ver Matheus e eu parados conversando no saguão do salão de convivência, se aproximou eufórico.
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  — Mano! Vem pro campo! Rápido! Acabei de receber a informação de que o primeiro jogo vai ser agora de manhã! Mudaram a porra da escalação e a gente vai ter que jogar no peito sem o treino da manhã!
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  — Merda, mas dá tempo de um aquecimento? — perguntei nervosa.
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  — Sim, já está geral lá! Vamos para o vestiário que eu vou entregar o seu uniforme.
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  Tiago saiu correndo na frente, e eu fiquei meio parada sem saber se o seguia ou se ia para o meu quarto.
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  — Que foi, cara? Não vai para o vestiário? — Matheus me observou com curiosidade.
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  — Vestiário... — sussurrei.
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  — Está tudo bem, Nic? — Matheus perguntou de novo, eu só assenti enquanto seguíamos a caminhada.
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  Segui em direção ao campo do clube, Matheus seguiu para as quadras de tênis. Quando cheguei diante do time, alguns dos caras estavam reunidos no vestiário, outros realizando o aquecimento. Entrei e Tiago já foi me entregando os uniformes de treino e de jogo, e eu dei a desculpa de que tinha me esquecido de pegar uma parada importante no quarto, então saí apressada sem fugir do personagem e nem da encenação.
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  No caminho até meu chalé, eu torcia para não encontrar Matheus de novo, embora ele houvesse ficado nas quadras, mas na verdade encontrei Conrado. Ele veio desesperado até mim, dizendo:
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  — Porra, eu acordei assustado com o Fredonho dizendo que a gente vai jogar agora, cara... Eu já estava achando que todo mundo havia descoberto os seus bubbies.
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  — Larga de ser idiota! E você pretende jogar com ressaca agora? Até parece, né! Vai ficar no banco! Agora eu preciso que você dê um jeito de enrolar o povo no vestiário… Não posso me trocar lá! Então eu vim correndo para o quarto!
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  — Calma, eu vou contigo te ajudar a se trocar.
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  — Não precisa.
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  — Certeza? — ele perguntou parecendo não ser mais uma de suas piadas.
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  — Chama a Maria para mim! Preciso dela para me ajudar ainda mais que é a primeira vez que meus braços e pernas vão mesmo ficar expostos!
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  — Beleza.
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  Conrado foi para o bar atrás de minha cúmplice e eu corri para meu quarto. Troquei-me e quando Maria chegou, ela analisou se não havia nada que pudessem suspeitar.
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  — Amiga! Não se preocupa, a gente caprichou nesse silicone revestindo o seu corpo.
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  — Que eu estou com braços e pernas de homem sem depilar, eu sei! Mas eu tô com medo dessa porra cair no campo, sei lá! Eles vão vir com tudo nas chuteiras!
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  — Esta vai ser a prova de fogo, se o disfarce resistir ao jogo, então tudo vai estar numa boa!
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  A frase dela, dita antes de eu deixar o quarto e ir em direção ao aquecimento no campo, não parava de martelar na minha cabeça e me deixar aflita. Ela desejou-me sorte no salão comum, e eu segui orante. Antes do jogo propriamente, cerca de meia hora antes, os rapazes do time retornaram ao vestiário para uma ducha após o breve aquecimento. O jogo estava marcado para as dez da manhã. Já eu me mantive na beira do campo concentrada e, lógico, fugindo de um banho coletivo!
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  — Qual foi, Nic, você tem boas jogadas! Vamos para o banho, relaxar um pouco — Tiago disse me estendendo uma garrafa de água.
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  — Já vou, cara, eu tenho meus rituais pré-jogo.
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  Tiago riu como se eu fosse um cara muito esquisito e saiu.
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  Na verdade, eu era.
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  — Você é muito boa...
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  Olhei para trás assustada e vi Conrado sentar ao meu lado.
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  — Vai dar tudo certo, relaxa. — Ele apertou meu ombro com maneiras de amigo.
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  — Conrado... Eu vou desistir disso.
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  — O quê? Tá maluca! Vai jogar, porra, a gente está contando com você!
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  — Essa merda toda é loucura da Ester, cara! — sussurrei nervosa. — Você ouviu o Fred falando ontem todo apaixonado por ela. Não tem razão para eu estar aqui!
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  — Olha só, eu concordo com você. Mas você vai entrar no jogo, e nós inventamos uma desculpa qualquer depois, ok?
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• O • C A R A • D O • M E U • T I M E •

  Era para ter sido daquele jeito que Conrado havia dito, se eu não tivesse jogado a partida mais incrível da minha vida.
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  E o resultado mega positivo do time me impossibilitou de ir embora.
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  Não consegui convencer ninguém do time de que precisava ir para casa rapidamente, mas que voltaria depois. Tampouco ao Fred, que não engoliu as desculpas que Conrado e eu tínhamos planejado sobre “uma urgência familiar”.
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  Eu me vi presa naquele lugar.
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  Claro, e ainda tinha a Ester me proibindo, mais tarde naquela noite após o telefonema que tive com ela, que eu fosse embora.
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  Passei o resto da tarde comemorando com os rapazes a vitória do time naquele que era o primeiro jogo do campeonato. Conrado saiu à noite, dizendo que havia um “problema pessoal” para resolver, o que gerou uma pequena discussão entre nós dois sobre ele não me ajudar a cair fora dali e ficar dando rolêzinho pela cidade.
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  — Conrado! Não era para eu passar a tarde aqui, era para acordar na minha casa amanhã, porque já sabemos que não tem nada que o Fred est-
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  — E vai falar o que para sua amiga neurótica? Acha que ela vai abrir a porta e te convidar para entrar ou te arrastar de volta? Ester quer ser convencida de que tem um par de chifres! — ele me interrompeu de modo incisivo.
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  — Cara, que se foda! Eu não posso continuar aqui! Acha que vou conseguir fugir do vestiário por quanto tempo? Eu não tenho um pau, e isso é facilmente detectável, Conrado!
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  — Problema é de vocês que não pensaram no principal desse disfarce! — Ele riu se erguendo da minha cama e se colocando a caminhar para fora do meu chalé. — Eu preciso encontrar uma pessoa hoje, mas relaxa! Eu te trago uma prótese!
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  — Vai à merda!
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  Joguei uma almofada nele, um tanto impaciente porque eu sabia que, na verdade, Conrado não tinha culpa e nem obrigação de nada ali. A culpa era minha que aceitei a ideia de Ester.
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  — Hey! — ele falou se aproximando e tocando em meu ombro de modo parceiro. — Cola no Matheus se for preciso enquanto eu não estiver. A gente teme que ele te reconheça, mas acredito que não vai. O Math é o mais tranquilo depois do Fred, não vai te colocar em situações desconfortáveis e nem vai estranhar se acontecer algo contigo...
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  — Eu vou aproveitar para ficar sozinha.
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  — Ou isso. Mas, tu sabe, né? Os caras são animados. Qualquer coisa me liga, eu prometo que venho rápido! — Conrado falou beijando meu rosto e lançando um sorriso com olhar carinhoso para mim, eu comecei a me preocupar com a atenção demasiada dele. Tudo bem, que era só meu segundo dia ali, mas... Eu realmente achei que ele não seria o tipo que demonstrava preocupação em esclarecer sua ausência da forma como fizera.
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  E ele não tinha a menor obrigação de ser descritivo sobre o seu passo a passo comigo, mesmo por conta do plano. Sem falar nas investidas claramente dadas quando me viu como mulher. E ainda os comentários da noite anterior!
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  Dentre todos os receios que eu vinha sentindo em torno daquela história, tudo que eu não precisava era de um aliado interessado na minha verdadeira pessoa ali dentro.
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  Às 22 horas, Bruna estava cobrindo Maria no que seria a “folga” dela do bar. Então, nós combinamos de conversar sobre aqueles dois primeiros dias ali no meu chalé. Estávamos bebendo e comendo alguns petiscos e ela gargalhava dos comentários que passou a tarde toda escutando sobre o jogo.
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  — É sério, Liv! Quando descobrirem que o Nicolas é uma garota, eles vão querer arrancar as bolas de ódio.
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  — Eu não percebi nenhuma reação preconceituosa quando os caras comentaram sobre a amiga do Fred que joga futebol. Confesso que foi até uma surpresa! Eu ouvi foi muita piadinha machista do quão ela era gostosa e ele um idiota por proteger a amiga dos amigos.
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  — Você arrasa mesmo! Acho até que o Conrado está a fim de você mesmo com todo aquele disfarce — Bruna me falou convencida, encarando o disfarce e depois me olhando diretamente.
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  — Você também percebeu que ele está...
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  — Na sua cola — ela completou. — E para quem chegou lá no seu apartamento dizendo à Ester que ia se lixar para você aqui dentro com toda essa loucura, ele anda vigiando bem, não?
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  — Acho que é porque só tem dois dias, né? Ele deve achar que eu estou vulnerável ainda.
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  — Não sei não... Quem sabe vocês não se tornam o casal gay do clube? — Maria brincava gargalhando.
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  — Por favor... Se for para formar casal gay eu prefiro desenrolar o lance que eu já comecei com o Matheus.
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  — Hm... É verdade, mas... O Conrado é mais acessível agora, não? E depois... Ele é bem, bem gostosinho, amiga!
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  — Olha só! — falei jogando alguns amendoins nela e rindo. — Se não é você quem está interessada!
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  — Eu não vou negar. Nunca nego macho.
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  Rimos das nossas bobagens e Maria deu um pulo na cama, ajeitando-se sentada sobre os calcanhares e com certa expressão maliciosa.
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  — Me conta agora! E como foi a experiência do vestiário?
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  — Consegui escapar.
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  — Droga, Liv! — Ela se jogou sentada de lado na cama, desapontada. — Eu esperava por medidas e nomes.
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  — Deixa de ser ridícula! Eu não posso dar esses moles! — Eu ri novamente jogando amendoins nela, e quando ela ia revidar à guerra de amendoins, a porta do meu quarto acusou algumas batidas.
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  Olhamos uma para a outra, assustadas.
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  — Rápido! Começa a se vestir! — ela sussurrou levantando e me ajudando com o disfarce.
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  — Quem é? — gritei com a minha voz de Nicolas.
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  — Sou eu, o Matheus!
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  Ela começou a dar um risinho nervoso e eu abanava o ar pedindo-a para ficar quieta.
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  — Só um momento! — respondi alto para ele.
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  — Ele deve chamar você pra ir a algum lugar com os meninos — declarou.
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  — Que merda! Toda noite eu tenho que ficar saindo agora? — sussurrei.
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  Às pressas, eu terminei de vestir a máscara facial, ajeitei o disfarce corporal com a ajuda de Maria, e fui até a porta abrindo-a. Mas, então, Maria bateu-a novamente fechando a porta na cara de Matheus.
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  — O cabelo! — ela sussurrou desesperada e ajeitou a minha peruca. — Vou sair primeiro para dar a entender que nós...
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  — Tá, tá, pelo amor de Deus, já entendi! — sussurrei também.
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  Ela abriu a porta vestindo o personagem daquela noite em que nos conhecemos e sorriu para Matheus, que arregalou os olhos surpreso e sem graça.
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  — Boa noite — Maria cumprimentou-o com voz sensual.
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  — Boa noite — e Matheus respondeu num sussurro de voz.
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  Assim que ela havia se afastado um pouco, Matheus me olhou culpado.
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  — Oh, cara, foi mal! Empatei seu lance, né?
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  — Não, não, a gente já estava aqui há muito tempo — falei sorrindo. — Mas e aí, o que pega?
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  — Os caras estão na pool party. Ficamos esperando você aparecer, mas... Agora entendi por que não ia — ele afirmou rindo.
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  — Tranquilo, só um momento e eu já vou.
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  Retornei e me estudei pelo espelho do banheiro, observando se não estava nada errado no disfarce. Quando saí fechando a porta do quarto, Math olhava para a direção em que Maria havia seguido com o mesmo semblante de quem me analisava desde o dia anterior.
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  — Cara... De onde é aquela mulher?
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  — Funcionária aqui do bar do clube, por quê?
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  — Não, beleza, mas... Ela por acaso é dançarina?
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  — Eu sei lá, mano, a conheci aqui.
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  — Eu acho que ela é stripper numa boate que fui uma vez.
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  — Sério? Eu acho que você anda encontrando muitos conhecidos aqui, não?
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  — É eu sei que parece estranho, mas... Você...
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  Novamente Math parou à minha frente me observando cauteloso.
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  — Ih, qual foi, cara? Você viu que eu não jogo nesse time, não é? E também, não estou inclinado à bissexualidade, pelo menos ainda — falei, incorporando a típica fala que Juan daria, só que menos pior.
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  — Desculpa, não estou querendo te intimidar, mas é que... Você vai me achar muito louco se eu disser que você lembra a Lívia?
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  Comecei a rir de desespero.
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  — Qual é, Math!!? — disfarcei zoando.
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  — Não, cara, é sério... Acho que é o seu olhar... Tem alguma coisa dela dentro dele.
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  — Ih, papo estranho! Sai fora!
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  Dei um soquinho amigo no ombro dele e continuei seguindo.
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  — Eu acho que o Fred tinha razão... Você não tira essa mulher da cabeça. Está vendo o rosto dela em todos os lugares! — afirmei observando atenciosa às reações dele.
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  — Não sei explicar, mas o jeito que nós nos conhecemos foi meio louco, sabe? E depois reencontrar ela no dia que ela jogou... Ah é! Isso também! Você tem uma jogada muito, muito parecida com a dela.
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  — Sinal de que ela é boa mesmo. — Se eu não desse importância àquilo, ele certamente não desconfiaria de nada.
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  — Ela é boa em todos os sentidos, você não tem ideia!
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  Senti minhas bochechas corarem por baixo da máscara. Com aquele comentário, eu resolvi entrar na onda de quem estaria interessado em mim mesma.
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  — Sabe que está me deixando curioso, não é?
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  — Sabe que eu não vou deixar ninguém tirar ela de mim até eu ter certeza de que ela não quer nada comigo, não é?
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  — E acha que ela não vai querer?
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  — Sei lá... Na última vez que nos vimos, achei que ela fosse me dar algum sinal de interesse maior, mas... Ficamos no trivial sendo que na primeira vez que nos vimos, terminamos a noite com um beijo.
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  — Vai ver por isso ela se policiou... — Tentei pensar como um homem pensaria ao tentar salvar a minha pele. — Sabe que mulher tem essas preocupações, né? Se a gente vai achar que são muito ousadas, coisa e tal... Pelo visto, ela pode ter se segurado já que de primeira vocês já tiveram algum avanço.
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  — É, faz sentido. Principalmente se considerar as circunstâncias que a conheci.
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  Chegamos à piscina onde uma festa temática caribenha acontecia, e os sócios de todo o clube se divertiam bebendo, jogando, dançando e alguns burlando as regras de “mulher não entra”.
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  — Qual era da regra lá do Fred de mulher não entrar? — perguntei encarando aquilo.
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  — Ah... O Fred tenta, mas... Quem impede um grupo de homens de extravasar sua testosterona, não é?
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  — É... Eu que sei... Você me pegou com a funcionária hoje.
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  — É verdade! — Ele gargalhou passando o braço em meu ombro e batendo a mão em meu peito.
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  E saiu se misturando até onde os amigos estavam, e eu pude soltar o denso ar que prendia pela respiração.
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• O • C A R A • D O • M E U • T I M E •

Semana do Disfarce — Terceiro Dia

  Definitivamente eu não poderia ficar curtindo aquelas “férias” no clube, e prolongando a minha estadia ali apenas pelo time. Eu tinha uma missão pessoal, paralela à missão dada pelos envolvidos daquela máfia: provar para Ester Mantovani que não existia nenhuma vadia clandestina.
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  Talvez, em algum momento, eu não tenha comentado, mas a desconfiança que me trouxera até o clube morava no fato de que um dia a Sandrinha contou para Ester ter visto Fred e uma mulher saindo juntos do escritório dele. Como se não fosse algo comum um homem ter mulheres como colegas de trabalho, ou um advogado ter mulheres clientes. E, porventura, esta mulher também foi vista no famigerado clube “Edin” em que eu estava me vivenciando como Nicolas.
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  Ou seja, se Fred garantia que no Edin, nome da fraternidade dos playboyzinhos e suas famílias ricas, apenas os homens da elite a qual ele estava inserido, eram sócios, e que, apesar da proibição das mulheres ser algo da co-fraternidade dele… Para Ester, tudo aquilo deixava de fazer sentido e se tornava uma mentira. O que é insano porque, para mim, nada daquilo fazia sentido assim como a Sandrinha não deveria ser parâmetro de notícias importantes.
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  Por isso, no terceiro dia, eu optei por seguir o Frederico. Peguei o carro da Bruna emprestado e fui atrás de informações.
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  Fred saiu da fraternidade dizendo que iria resolver “uma coisa” e eu achei aquilo bem esquisito. Tamborilava meus dedos no volante do carro e cantarolava uma canção da rádio, quando o avistei saindo de dentro da cafeteria que entrou há cerca de quarenta minutos, e saindo acompanhado de um homem. Apertei os olhos a fim de não perder nada da cena, e logo uma mulher saiu se juntando aos dois. Abaixei meus óculos escuros em meu nariz para observar melhor e foi aí que eu respirei aliviada: a mulher deu o braço para o outro homem e, despedindo-se, os três saíram. Fred entrou sozinho em seu carro e deu partida. Ajeitei meus óculos e continuei o seguindo, ele estava voltando à fraternidade. Novamente, meu sentimento de culpa me tomou, aquela era outra desconfiança infundada sobre meu amigo.
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  Retornei ao bar do clube para devolver as chaves de Bruna e me encostei-me ao balcão, e chamei a mulher que atendia a um cliente lhe entregando um suco. Ela se aproximou e Maria, que também trabalhava naquele dia, estava de costas não me percebendo, e continuou o seu serviço.
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  — A chave. Valeu pela ajuda, não era nada demais. — Entreguei assim que Bruna parou risonha à minha frente.
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  — Hm... Que droga! Então gastamos gasolina à toa — ela reclamou e eu sorri.
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  — Eu abasteci para você quando vi que ele estava voltando.
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  — Meu Deus, Nicolas, você é melhor que o meu namorado. — Bruna sorriu debochada.
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  — Você tem namorado? — perguntei um pouco surpresa demais.
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  — Por que o espanto? Só porque eu sou dançarina daquela boate não posso ter um namorado?
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  — Não foi isso que eu quis dizer, é que você nunca falou nada sobre ele.
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  — Hm... Sei... — Me olhou sorridente e desconfiada.
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  — Ok, eu fui uma preconceituosa, foi mal. Acho que conviver nessa pele e rodeada desses mauricinhos está me contaminando — pedi desculpas e Bruna sorriu um tanto maliciosa quando disse:
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  — Acho que você vai receber alguma fama aqui, querido Nicolas... — ela falou olhando para trás de mim e eu virei minha cabeça, o mais discreta possível, e ali estava Matheus nos observando. O tenista percebeu que eu o havia notado e acenou com a cabeça, sorrindo.
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  — Não zombe ainda! Se a fama de pegador vier para mim, a de presa da vez vai para você.
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  — Ter a fama de sua presa será uma honra, Nicolas! — Bruna ria divertida, e eu consegui rir também, apesar de apreensiva por saber que Matheus estava ali atrás, de olhos grudados em nós, e a garçonete em minha frente percebeu: — Relaxa, ele nem está olhando mais.
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  — O Matheus pode colocar tudo a perder, tá? — expliquei. — Não sei como, mas ele está conseguindo ver a Lívia debaixo de todo este silicone!
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  — Minha nossa, eis aqui uma mulher marcante.
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  — E o Conrado, não voltou? — perguntei mudando o rumo do assunto.
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  — Não, mas o plano era você colar em alguém mais próximo do Fred, não é? — ela sussurrou dando sinal para eu ir logo até o Math. — Aproveita a situação e descobre qual é a do garanhão com a Lívia. Não é todo dia que uma mulher pode arrancar esse tipo de confidência do crush.
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  Bruna piscou e voltou ao trabalho e eu respirei profundamente, me preparando para, mais uma vez, estar perto de Matheus sob aquela fantasia de Nicolas. Caminhei até ele, e o rapaz logo fez piada com “já está partindo para a outra?”. Math estava tomando café quando eu cheguei e, ao acabar, ele me convidou para assistir ao esporte “de burguês”. Eu dei de ombros e fomos juntos até a quadra de tênis. Não havia muitas pessoas no local, apenas um casal numa quadra ao lado, ele e o grande muro onde treinava. E eu e minha enorme vontade de beijar aquela boca de novo.
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  Enquanto ele rebatia a bola no paredão e eu estava sentada jogada no chão, nós dois começamos a conversar sobre tanta coisa!
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  Ele me falou da sua família. O pai era um empresário, diretor de uma franquia de multinacionais, a mãe era uma médica, cirurgiã plástica. Uma família extremamente tradicional e que dava muita importância às boas relações sociais, mas todos pessoas boas. Nas palavras dele, filho defensor. Porque, na minha concepção, certamente eram uns entojados. Sim, eu tenho pré-conceito com a galera elitista. Sempre penso que eles olhariam para mim como o pano de chão da própria mansão.
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  — E você, Math, seguiu a carreira de algum deles? — perguntei, embora ele tenha contado no dia em que nos conhecemos, mas era o Nicolas ali e não a Lívia.
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  — Eu cursei administração, muito por conta das necessidades futuras de assumir a empresa, mas eu gosto. Não é como se meu pai estivesse tentando colocar a faca no meu pescoço igual ao Conrado. — Deu de ombros falando alto para sua voz sobressair ao estampido da raquete na bola.
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  — Ah... Tô ligado...
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  Então o Conrado era um filhinho transgressor?
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  — Você e ele estão bem amigos, né? Tá sabendo como é que foi ontem no jantar do pai dele?
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  — Jantar? — perguntei confusa.
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  — É... Ele não te contou? Era para estar no jantar de nomeação dele como co-diretor de relações internacionais da empresa do pai, mas o Coda fugiu para cá sem dar aviso. Ontem a coisa ficou feia, eles brigaram porque o tio dele contou onde o Conrado estava, sei lá, não entendi muito bem como o tio dele soube, mas o fato é que ele saiu correndo para tentar não ser tão prejudicado.
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  Ao ouvir o que Math contou, eu entendi o modo como ele estava reticente de me explicar o porquê sairia, e me preocupei. Conrado ainda não havia voltado, o que me fazia pensar se estaria tudo bem com ele.
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  — Pô, mas eu achei que vocês eram mais parceiros.
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  — O quê? — perguntei tornando a atenção ao Matheus.
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  — Você e o Coda. Pareciam mais próximos.
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  — Ah... É, a gente... — E naquele momento eu me esqueci como foi a desculpa para “como Nicolas e Conrado se conheceram”, e comecei a suar frio. — Se conhece há um tempo! Mas eu passei tempo demais fora e não sabia que o Conrado ainda estava com essa situação familiar delicada.
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  — Infelizmente, o pai dele não aceita o que o filho quer. Tu sabe como é, conhece ele!
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  Assenti me sentindo novamente amedrontada de até onde eu poderia sustentar as mentiras.
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  — Aí, mas me conta, Nicolas! — Matheus sorria correndo de uma ponta a outra da quadra para alcançar as rebatidas da bola e a visão era perturbadora para mim. — Tá pegando as duas?
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  Torcia para que ele não fosse aquele tipo de cara que me enojava. Até então, Matheus estava se saindo um perfeito candidato à foda fixa na minha cama, porque vocês sabem... Eu já contei: eu não me apaixono.
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  — Que isso! Estava só trocando uma ideia com a Bruna, e a Maria não sei se vai repetir não.
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  — Por que não? Elas são lindas! — Matheus perguntou me lançando um olhar de aprovação e um sorriso que me deixou um tanto incomodada.
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  — Sei lá, eu sou de deixar rolar.
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  Não me lembrava que eu já tinha dito aquilo para ele, mas percebi que havia dito merda quando de repente Matheus parou de correr encarando o paredão à sua frente. A bolinha verde de tênis passou rolando ao lado de seus tênis brancos. O homem levou às mãos até a cintura e olhou para o céu numa respiração ofegante. Como se pensasse se estava ficando louco ou se havia algo realmente estranho em mim. Engoli a saliva espessa, porque, novamente, Math me encarou com olhos de águia caçadora.
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  — A Lívia disse a mesma coisa.
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  CATAPIMBA! A minha noção estava caída bem diante dos meus olhos. Como eu pude repetir a mesma frase de novo? Ah é! Esqueci: não dá para deixar de ser você o tempo inteiro! Por mais que você se disfarce, se oculte ou se apague, em determinado momento os feixes da sua essência vão ser notados.
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  — Lá vem você com essa mina de novo! — Ri nervosamente, fingindo descontração.
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  — É...Tá foda. Eu tenho pensado bastante nela, e nem tem um motivo decente para isso!
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  Não tinha? Não havia nada nos nossos curtos encontros que o fizesse pensar em mim com frequência?
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  — Voltando a falar de você... — Matheus me tirou dos meus devaneios novamente e sentou-se ao meu lado. — Tem alguém de quem você gosta ou tenha algo mais sério?
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  — Ah não. Eu sou desprendido, por isso que eu tô dizendo: a garçonete é maneira, mas acho que não vai rolar de novo. Tenho certo receio de me envolver, sabe?
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  — Sei... É uma merda quando a gente se envolve mesmo sem sentimento. Eu já fui noivo e tive experiência suficiente para saber que só cometo isso de novo se um dia eu achar algo parecido com o que o Fredonho sente pela Ester.
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  — Noivo? — Fingi surpresa — E por que acabou?
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  — Era um noivado de negócios, uma relação antiga entre nossas famílias. Comecei a sair com a Ana e não via mal nenhum, era conveniente para todo mundo. Mas as diferenças entre nós foram ficando cada dia mais gritantes, e... Não valia a pena. No fim, nós dois decidimos romper e ser incisivos se nossas famílias insistissem naquilo.
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  — E os negócios?
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  Matheus riu quando perguntei, jogando sua cabeça para trás, apoiando as mãos no chão atrás de seu corpo. Uma bela visão daquela camiseta colada demonstrando um porte atlético, sem exageros. E o suor que escorria pelo seu pescoço quase me fizera esquecer como se respira.
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  — Aprendemos como aquela relação era descartável quando independente de nós, as duas empresas fundiram seus negócios mesmo assim.
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  — Empresários quando querem não precisam de desculpa, não é?
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  — É por aí...
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  Matheus explicou que os pais o apoiaram e entenderam quando ele quis romper o noivado. Estavam pressionando-o há algum tempo para que encontrasse uma nova noiva e se casasse logo, principalmente desde que Fred anunciou seu casamento. Os dois eram amigos de infância que passaram longos anos morando longe, e se reaproximaram há alguns poucos anos quando Matheus retornou da Flórida.
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  Contudo, apesar da insistência de seus pais para que ele se casasse, o fato de se dedicar à empresa e estar feliz era o suficiente por ora.
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  E então, ele começou mais um monte de perguntas sobre mim. Eu não sabia explicar o motivo, mas sentia meu estômago embrulhar a cada mentira dita. Nunca gostei de mentiras, e nem era de cometê-las, entretanto, mentir para Matheus estava sendo dilacerante. Eu não queria mentir para ele. Ele estava ali, sendo sincero, contando sua vida para mim, e eu que estava louca para dividir a minha história com ele também, não poderia fazer aquilo.
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  A história que me cabia contar era a de Nicolas, o filho de boa família de advogados que decidiu seguir para o futebol e tinha pais que não se importavam muito com suas decisões, mas amavam-no verdadeiramente o apoiando em tudo. Nicolas, o namorador desapegado, nunca noivo e que acreditava, apesar da fama de mulherengo, em amor verdadeiro. Um romântico ao qual Matheus surpreendeu-se.
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  No fundo, eu queria mesmo era apresentá-lo à Lívia.
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  Quando uma funcionária se aproximou entregando a ele uma bandeja de sucos e frutas as quais ele havia pedido e eu nem reparei, Matheus me encarou com um sorriso sacana, e piscou fazendo sinal da mulher para mim. Eu ri sem graça e quando ela saiu, ele perguntou se eu estava disposto a encontrar entre as funcionárias algum tipo de “amor” ou só queria ver o circo pegando fogo. Expliquei que não estava fazendo nada demais, e que eu não causaria nenhum tipo de problema. Então perguntei a ele se eu não o veria trazer alguma mulher e burlar as regras do melhor amigo.
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  Foi ali que eu gelei.
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  — Talvez trouxesse, mas eu não consigo mesmo parar de pensar na Lívia. Tem alguma coisa em torno dela me incomodando, E... Ela tá fodendo com a minha cabeça.
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  Abri a boca surpresa, e disfarcei em seguida puxando mais o assunto.
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  — Mas vocês tiveram algo realmente forte para tanto?
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  — O pior é isso, cara! Não foi nada demais, mas... Parece que foi o suficiente para eu ficar tão interessado. Eu tô curioso, sabe? Queria me aproximar mais! A gente teve uma troca maneira, e sem falar que... Porra, o beijo que nós demos não merecia fim!
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  Eu não conseguia pensar em algo para respondê-lo, estava sentindo a minha pele esquentar por baixo da máscara facial, e não tinha absolutamente nada a ver com o calor do disfarce. Eu estava ruborizando como raras vezes já tivera acontecido. Queria sorrir sem medidas, queria me jogar nos braços dele! Inacreditável! Tal como a “Lívia” estava fodendo a cabeça do Matheus, aquele Math diante de mim estava me abalando como há muito tempo nenhum cara conseguia.
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  — Acho que eu vou telefonar para ela! O Fred me passou o número, e talvez a gente possa marcar de nos encontrar amanhã...
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  — Não, cara! — falei nervosa, mas dando a entender que eu tinha um plano. — Espera um tempo. Ela vai achar que você está muito na dela e acabar desinteressando!
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  — Ela não me pareceu esse tipo.
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  — Ela é uma girl power, certeza! Só pelo fato de jogar futebol! Então, pensa só: ela deve ser o tipo que toma a atitude e gosta de ter tudo sob controle. Não vai parecer um mané que fica na cola da mina, né?!
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  — Talvez... Só talvez, pelo fato de que o ex-namorado estava atrás dela, eu deva dar um tempo mesmo. Ela não pareceu curtir o cara a surpreendendo.
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  — Isso aí!
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  Uma coisa não tinha nada a ver com a outra, mas consegui convencê-lo por ora. Matheus disse que era para nós falarmos menos e jogarmos mais, eu expliquei que não sabia nada de tênis e então ele me lançou uma raquete dizendo que me ensinaria. Ficamos o restante da tarde ali jogando.
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  À noite, eu queria dar uma saída daquele clube. Não estava mais aguentando. Queria na verdade sair do personagem. Telefonei para Ester, ficamos um bom tempo conversando e eu, tentando convencê-la de que não havia nada de errado com Fred.
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  — Amiga, com ele eu não sei, mas comigo... Eu estou passando mal há três dias.
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  — Desde que saí daí então! Você não foi ao médico? — ralhei já pensando que seria uma ótima deixa para eu ir embora.
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  — É só algo que comi. Certeza.
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  — Ester Mantovani! Ou você vai imediatamente ao médico, ou eu largo tudo e vou pessoalmente tratar esse assunto!
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  — Amiga, relaxa! Tenho certeza de que não é nada, mas eu vou amanhã em uma consulta, tá?
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  — Você não vai mesmo permitir que eu fuja desse lugar, não é?
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  — Eu sei que você acredita no Fred. Eu acho que eu também estou me convencendo com os seus relatórios, o da Bruna e Maria. Mas… Liv, se você vier embora agora, vai ser estranho e eles não vão sossegar até achar o Nicolas. Ter notícias do que é que seja a desculpa que você usar, e aí pra descobrir que foi tudo um plano meu é um pulo! Eu não posso, aliás, nós não podemos deixar o Fred descobrir. Você precisa, por isso, fingir até o fim dessa estadia.
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  Ela me prometeu que iria ao médico e, ao desligarmos a chamada, a porta do meu quarto soou as batidas. Àquela altura, eu já havia notado que só poderia “sair do personagem” quando de fato fosse dormir, porque, do contrário, sempre aconteceria aquilo de alguém me chamar e eu ter que me arrumar correndo.
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  Abri a porta e dei de cara com Matheus em um sorriso muito agradável mexendo no celular. Ele estava tão despojado e ao mesmo tempo gostoso, que meu desejo secreto era puxá-lo para dentro e saciar uma vontade que há algum tempo eu não saciava. Matheus estava com uma bermuda jeans rasgada, uma camisa preta com flores havaianas amarelas, um boné virado para trás e uma sandália de couro no pé. O cabelo abaixo do boné não escondia a orelha que sustentava uma pequena argola no lóbulo. Eu quis fortemente enlaçar minhas pernas na cintura dele quando vi aquele brinco e pescoço tão vulneráveis e propícios para beijos molhados.
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  — E aí, bora sair? — me perguntou normalmente. — O babaca do Fred não quis ir, até tentei convencer ele — disse entrando em meu quarto e eu arregalei meus olhos que varriam o cômodo em busca de possíveis riscos. Felizmente não tinha nada errado ali. Vi Matheus sentar na poltrona e me encarar em dúvida pela falta de resposta. — E aí, se arruma aí cara, vamos dar um rolê na praia.
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  — Ah... Só... Saquei... Eu vou só ver se o Conrado chegou, porque tem um dia já que o mané não dá notícias.
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  — Ah relaxa, eu vou lá! Eu chamo ele. Vai se arrumando aí! — Matheus falou saindo e quando fechou a porta eu ajoelhei dando graças aos céus. Precisava deixar algumas roupas no banheiro, assim, eu poderia sempre me trocar lá em situações iguais.
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  Quando saí do quarto, eu vi o Math retornando da porta do chalé em frente ao meu com as mãos no bolso e sorrindo para mim.
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  — Conrado não está por aqui. Deve estar na casa de alguma garota.
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  — É, só pode... — falei ainda me recuperando do susto.
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  — Cara, tudo bem? Você parece estranho...
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  — De boa, irmão, relaxa — respondi com as mãos nos bolsos.
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  — Tem algum encontro com alguma garota também? — Math perguntou desconfiado.
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  — Não, infelizmente não. Mas... Quem sabe não encontramos umas gatinhas na praia, não é? — falei fazendo a preocupação de Matheus sumir e dar espaço aos risos.
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  — Fred me mandou mensagem agora e disse que aparece lá depois.
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  — Por que ele não vai com a gente? — perguntei.
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  — Está voltando para o centro, foi ver a Ester. Parece que ela está se sentindo mal e ele ficou preocupado.
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  Merda. Se Ester não soubesse daquilo teria que inventar uma boa desculpa para estar na minha casa sozinha.
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  — Ela falou o que tem? — perguntei.
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  — Disse para ele que foi só algo que comeu. Mas o Fred é um desesperado quando se trata da noiva.
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  Entramos no carro de Matheus e uma sensação boa de estar onde eu mais queria estar me invadiu. Como eu poderia me sentir tão atraída daquele modo por um cara que mal conhecia?
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  Fomos a um quiosque, compramos água de coco, caminhamos na praia observando as poucas pessoas em seus passeios noturnos. E depois sentamos na areia observando o mar. Passamos mais ou menos uma hora entre conversas amenas e algumas reflexões de vida que a proximidade ao mar nos induzia.
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  Percebi a lua alta no céu, sorri para ela e virei meu rosto para olhar Matheus e notei o perfil do rosto dele tranquilo, pensativo, contemplando ao mar. Math mordia o lado interno da bochecha numa mania involuntária, e que me fazia entrar ainda mais em hipnose por ele. Apoiei a cabeça em meus braços, num ato impensado de continuar a observá-lo, e então Matheus me encarou. A sobrancelha de um dos lados erguida, e o olhar de canto de quem achava graça em mim influenciaram no sorriso enviesado a surgir em seu rosto. Ele desviou o rosto, mas ao se dar conta de que eu não havia parado de encará-lo, voltou a me olhar diretamente. Ficamos ambos nos encarando. E quando percebi, Matheus tinha uma feição assustada em seu rosto com o olhar tão direto ao meu.
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  — É muito estranho... — ele murmurou.
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  Então eu despertei para o que estava acontecendo: eu estava esquecendo que era o Nicolas ali e não a Lívia.
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  — Cara, eu acho que deu a hora, né? O Fred não deve aparecer — falei.
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  — Eu... Eu vou ligar para ele.
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  Nós dois levantamos e eu cocei a cabeça e apoiei uma mão na cintura fingindo distração. Matheus falou no telefone com Fred que disse que, realmente, não iria. Então voltamos para a fraternidade.
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  Aquele pequeno momento de contemplação nosso não atrapalhou para que nossa volta fosse tranquila, mas eu sentia que havia sido estranho aquele instante em que Matheus me flagrou o encarando como uma mulherzinha.
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  Quando cheguei no meu chalé, rapidamente tranquei tudo. Porta, janelas, fechei todas as cortinas. Na verdade, confirmei, pois as cortinas sempre estavam fechadas. Após tomar banho e me jogar em minha cama, me peguei pensativa sobre a noite. E confusa com até onde mais aquela loucura de disfarce daria certo.
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  Meu telefone verdadeiro, dentro da gaveta do criado mudo, apitou e o peguei esperando ser uma mensagem de Ester. Meus olhos por pouco não caíram quando eu li a mensagem de um número desconhecido:
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“Lívia, é o Matheus. Eu consegui seu número com o Fred, espero que não se importe... Será que a gente poderia se ver de novo?”.

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Lelen

Tem gravidez no meio, não tem? TEM SIM!
E eu tô amando o Matheus praticamente se declarando sem saber <3
Tô com medo de quando a verdade vir à tona, mas vamos lá, tenho fé que vai dar tudo certo >.<

Ray Dias

Não vou contar, logo você descobre. (mentira, é que eu não lembro o que eu fiz com a Ester) ahahhahhahaha
Tá muito divertido ver o Math todo se entregando pra ela, né? Uma pena que…

Liv
  — Amiga, com ele eu não sei, mas comigo... Eu estou passando mal há três dias." Leia mais »

suspeito que ela tá grávida

Liv

Bom, quase certeza de que tem gravidez, e sei que quando a verdade vier à tona, todo mundo vai sair perdendo (e ganhando também pq quero final feliz)

Última edição 1 dia atrás por Liv
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