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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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O cara do meu time

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

Capítulo Quatro • Amarrando as chuteiras

Continuação do Capítulo

  — E aí, Preto. Como você está? — perguntei sorridente e estranhando o fato de Frederico ter ido até a farmácia da minha mãe para me visitar.
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  Não. Definitivamente aquela de “vou passar aí pra te ver” que ele disse ao telefone cheirava à desculpa esfarrapada.
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  — Fred! Há quanto tempo que eu não te vejo! — mamãe o cumprimentou com um abraço, assim que saiu da sala dela e nos encontrou papeando no balcão. — Está tudo bem? Como andam os preparativos com o noivado? Ester está pirando, não é?
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  — Quando a Ester não pira, não é, tia Laura?
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  — É… Mas é normal, tá?
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  Minha mãe notou que o semblante do Fred não era muito comum para alguém que deveria estar empolgado a se casar, e meu alerta começou a soar.
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  — As mulheres ficam muito ansiosas com o casamento. Isso, claro… — lá vinha a Laura, com aquela expressão de tristeza sobre mim — as que querem se casar um dia.
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  — Mãe, eu já disse que eu não sou contra, só não tem ninguém à minha altura para isso por enquanto — respondi.
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  — E você não tenta encontrar, não é, Lívia? Só quer saber de futebol, trabalho e mais futebol! — mamãe comentou rindo.
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  Ela não me culpava e nem depositava esperanças sobre mim, mas fazia questão de deixar claro que sonhava comigo se casando e dando-lhe netos um dia. E, bom, não a julgo. Mamãe me criou praticamente sozinha. Acho que no fundo ela só queria uma ideia romântica, mais feliz para mim do que pôde ser para ela.
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  — Tia Laura, bem faz a Liv! Ela tem que escolher bem, não é qualquer um que pode ficar com ela não! Eu mesmo não deixo, depois do que eu soube do Juan… — Fred me apoiou.
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  — É, o Juan. Que decepção, não é? Mas eu nem fazia muita questão dele mesmo. Já sabia que a Lívia estava com ele porque era cômodo. — Aí sim veio a expressão de reprimenda. Mamãe nunca curtiu o Juan.
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  — Já que os dois sabem que eu mereço um cara legal, arrumem vocês um partido para mim — zombei e logo minha mente lembrou-se de Matheus. — Aliás, Preto, não tem nenhum amigo seu que você pense em me apresentar não?
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  — Ah, até posso pensar em algumas pessoas, mas a Ester e eu sempre achamos que você ia nos matar se a gente te armasse um encontro às cegas! — Ele deu de ombros rindo e curioso com a minha “aceitação”.
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  — Mas é lógico que mataria! Vocês devem me apresentar a pessoa antes, não armar um circo de dorama, pelo amor de Deus!
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  — Espera aí! — mamãe gritou largando as caixas de medicamento que ela organizava. — Está mesmo disposta a conhecer alguém que eu te arranjar? Porque o filho da minha amiga da academia é uma gracinha e ele…
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  — Não, mãe! Não se empolga, eu não sei se posso confiar no seu gosto! — cortei, antes que ela já saísse correndo para ligar para sei lá quem fosse a amiga. — Mas, Fred, tá aqui por quê?
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  — Ah, então… — Suspirou.
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  Droga! Frederico suspirou e olhou para baixo. Ele descobriu alguma merda da Ester. Respira, Lívia, pensa com cuidado e não fala qualquer coisa!
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  — Você está sabendo alguma coisa da Sandrinha com o Túlio?
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  Cacetada! É sempre a cobra caninana que está envolvida nos problemas que respingam em mim!
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  — Eu não falo com a Sandrinha, você sabe. Mas o que tá rolando?
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  — Eu tive uma festa de despedida — Frederico comentou e pausou me encarando nos olhos, tentando descobrir uma mentira, mas eu sempre fui muito boa em atuação, graças aos meus 10 anos de teatro da infância à adolescência.
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  — Sério? Como a Ester não descobriu isso e tornou a minha vida um inferno? — fingi.
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  Na boa? Eu mereço um Oscar.
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  — É isso que eu também não estou acreditando. Mas, sabe… acho que ela descobriu sim.
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  — Bem, eu acho que se você teve uma festa, então ela não descobriu. — Fiz a sonsa.
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  — Tia Laura, posso levar a Lívia no Milano rapidinho?
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  — Claro, claro. O movimento está baixo — mamãe comentou ao perceber que eu estava enfiada em alguma loucura da Ester.
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  — Milano? — indaguei largando meu jaleco de farmacêutica e saindo de trás do balcão com ele. — Isso me preocupa. Você só vem com essa quando quer me arrancar um pedido infame ou…
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  — Informações — ele completou.
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  — Preto, eu não sei mesmo se posso te ajudar!
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  — Liv, qual é! — Fred comentou me guiando com um braço em torno dos meus ombros pela calçada. A cafeteria era perto da loja da minha mãe. — Você sabe, sim, que a Ester meteu a Sandrinha em algum rolo com o Túlio, não sabe?
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  Mordi os lábios e suspirei. Olhei para o Fred, ciente de que eu precisaria contar meia-verdade para sair daquela, porque no fim, eu sempre sabia tudo sobre a maluca. Se bobear, até as datas das ovulações dela, já que nossos ciclos eram próximos.
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  — O que você ficou sabendo? Porque assim… quando Sandrinha é um nome no meio, eu sempre fico pé-atrás! Sabe que ela é uma fofoqueira duas caras e doidinha pra provar você na cama!
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  — Lívia! — Fred reclamou se sentindo constrangido. — Você fala cada besteira!
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  — Besteira? Dá um mole perto daquela caninana pra você ver! Se afasta dela, é sério! Já não basta a Ester sendo amiguinha daquele tipo de gente!
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  — Tá, olha só! Eu vou pedir nosso café e vamos conversar! Não quero saber que você está acobertando a Ester, ok? — Frederico comentou sério assim que entramos na cafeteria. — Quer comer o quê?
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  — Nada. Só o café. Você não vai me comprar e nem me tirar da dieta.
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  — Um croissant de Nutella, ok. — Ele ignorou e foi direto no meu ponto fraco.
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  — Filho da mãe… — sussurrei caminhando para uma das mesas e meu celular vibrou em meu bolso. Puxei e vi a notificação com a seguinte mensagem:
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Maluquinha ♥ diz: “Sujou! O puto do Túlio abriu a boca pro Fred contando que pegou a Sandrinha e ela fez perguntas estranhas!
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Cuidado, o Fred tá desconfiado!”
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  E claro, rapidamente eu respondi.
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Lívia Monteiro diz: “Ou você me paga, ou você me paga. Está na minha mão agora, Ester Mantovani. Seu homem está trazendo meu café com croissant de Nutella. É como diria Vanessa da Mata: é só isso, não tem mais jeito, acabou, boa sorte”.
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  É óbvio que eu não iria facilitar a vida dela, não é? Terror psicológico era o mínimo que ela merecia da minha parte.
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  Frederico sentou-se diante de mim com aquela gostosura calórica no momento em que eu, rindo, guardava o celular no bolso.
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  — Era a Ester?
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  — Ih, Fred! Que isso? Eu tenho outras amizades, sabia? — comentei falsinha. — Mas anda, já que eu vou ter que pagar o dobro de burpees no treino devido a esse croissant maligno, mereço ao menos ouvir sua história primeiro!
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  — Promete que não vai acobertar a Ester?
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  — Eu nunca prometo nada que envolva a Ester nem à minha sombra.
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  — Certo, Lívia… O que me deixa tranquilo é saber que você é justa e mais sensata do que a minha noiva. E jamais mentiria sobre algo que poderia destruir minha relação com ela, não é?
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  A expressão de confiança do Frederico sobre mim pesou como uma bigorna de desenho animado em minha cabeça e o creme de avelã até empedrou na minha glote.
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  — Eu te garanto que eu vou dizer o que tem que ser dito.
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  — Ótimo. O Túlio, Kleyton e o Rafael estavam armando uma despedida para mim no puteiro que é a Ohio. E eu não queria, por isso, me reuni com o Luan, o Conrado e o Bruno, amigos meus do clube, para fazer uma resenha tranquila. Eu ia chamar o Túlio e os outros na última hora, mas desisti quando soube que a Sandrinha havia se aproximado “do nada” seduzindo o Túlio, e feito uma caralhada de pergunta sobre a despedida pra ele.
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  Fred contava calmamente, não tirando os olhos dos meus.
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  — No começo pensei, “ah, o Kleyton é irmão dela, deve ter falado algo”, mas aí, a Sandrinha insistiu no assunto e o babaca do Túlio ficou tão bêbado que falou até o nome das strippers contratadas. Eu não me importava se a Sandrinha descobrisse porque já estava tudo certo para eu não ir na cilada que o Túlio queria, mas então fiquei curioso em por qual motivo ela estava tão interessada no assunto. Foi a Ester, não foi?
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  — Se foi a Sandrinha que se meteu nessa história, por que não perguntou para ela? — devolvi enquanto minha mente maquinava a melhor forma de sair daquela trinca de ases.
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  — Porque eu não confio na Sandrinha. Ela é mentirosa e pode foder a Ester comigo, mas se a Ester for inocente, então quem se fode sou eu.
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  — Entendi. — Suspirei lambendo meu dedo.
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  — Lívia. Fala a verdade.
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  — Tá, a Sandrinha contou por acaso que você teria uma despedida de solteiro armada pelo Túlio, e a Ester pediu, sim, para a Sandrinha descobrir mais coisas, mas só porque todos sabemos que Túlio, Kleyton e Rafael são a trindade do caos. Então, ela queria saber de tudo. Como sempre quer, afinal, é a Ester.
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  — E o que ela fez?
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  — Nada! — menti, desculpa, Deus. — Ela ficou puta com a história, é óbvio, mas a Sandrinha contou que você disse ser contra as ideias do Túlio. E disse que os meninos tentariam te levar a força. A Ester até queria ir tirar satisfações com o Túlio pessoalmente, mas eu consegui acalmá-la e a convencer de que você jamais ia acabar em uma suruba de despedida de solteiro. A Sandrinha disse que ia ser na sexta-feira, não é?
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  — É o que o Túlio planejou, sim.
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  — Então. Nesse dia eu e a Ester fizemos uma festa de pijamas entre nós, porque ela estava uma pilha de nervos sem saber se você tinha ido ou não, já que você recusou ficar com ela naquela noite porque avisou a que “sairia com os amigos”. — Fiz aspas com as mãos.
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  Tirando a festa do pijama, o resto era verdade.
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  — É, eu fui fazer um churrasco na casa do Luan, e não chamei os caras porque tive medo deles aprontarem. Fiquei tão pilhado com a hipótese de a Ester armar confusão que eu até esqueci que havia combinado com Matheus, um amigo que não vejo há meses porque estava fora do país, de vê-lo na minha despedida! Me esqueci completamente de avisar a ele que o endereço da resenha era outro, e o coitado foi parar naquela zoninha que é a Ohio!
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  — Jura? Coitado… — comentei abocanhando o croissant porque eu era bem capaz de ter um lapso de honestidade. — E ele conseguiu te encontrar depois?
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  — Que nada! Ficou com uma puta que conheceu na boate, ou alguma coisa do tipo…
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  Meu corpo gelou.
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  — Ele disse que ficou com uma puta da boate?
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  Sério, era uma mistura de vergonha com raiva. Já estava errado eles falarem daquele jeito de qualquer uma das mulheres lá dentro, sendo elas profissionais do sexo ou não. Mas piorou ainda mais, em minha moral, que na conversa a puta era eu.
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  — Não, não! Ele disse só que achou uma garota perdida e ia sair de lá com ela. Mas todo mundo que frequenta a Ohio sabe que ali é um puteiro. Que mulher estaria perdida ali, Lívia?
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  Suspirei aliviada. Ok, o cara não era um babaca. O Fred estava sendo um babaca.
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  — Não deveria falar assim. Você não sabe… Podia ser uma garota realmente no lugar errado. Além do mais, só porque é mulher e está lá que tem de ser puta? Reveja seus conceitos, Preto, porque esse não é o Fred que eu conheço!
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  Ele pareceu ponderar o que eu disse como se caísse a ficha do quanto estava sendo misógino, e suspirou:
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  — Tem razão. Fui moleque. — Mordeu os lábios e então me olhou com emoção. — Jura que a Ester não fez nada de errado e nem mentiu para mim quando perguntei mais cedo pra ela, não é?
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  Cacetada duas vezes! Ele falou com ela? O que aquela maluca havia dito?
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  — Ué, eu não sei o que ela te disse! Eu só te contei a verdade.
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  — Ela disse que não fez nada, e que se eu duvidasse dela, que fosse perguntar a você.
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  Mantovani, Mantovani… Você confia demais em mim, não é?
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  — Bem, você acha que eu menti? — declarei, mas com o coração na mão. Odiava mentir para o Fred.
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  — Acho que não. Mas… Sabe, Liv… Eu tômesmo cansando das paranoias da Teté… Eu não sei por que, ultimamente, ela anda mais desconfiada de mim. Disse até que acha que eu tenho uma amante! Uma amante, Lívia? EU?
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  Aquela era uma informação nova para mim, e percebi que talvez o desespero da Ester estivesse em um nível ainda mais preocupante, já que ela foi capaz de declarar aquilo abertamente ao Fred.
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  — Espera, então… Você sabe que ela está insegura com isso?
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  — Ela também te disse, né? — Ele sorriu ladino. — Eu sabia. Agora me fala, Lívia, de onde ela tirou esse absurdo?
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  — Preto… — Suspirei. — Eu realmente não sei, mas a Ester tem tanto medo de te perder que ela está achando que… A qualquer momento você vai se arrepender de tê-la pedido em casamento. Ela acha que você vai acordar um dia e ter enjoado da cara sardenta dela!
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  — Ela foi o meu primeiro amor e é a mulher da minha vida! Por que ela não consegue acreditar nisso, Liv?
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  — Vai ver… porque você é bom demais para ser verdade — declarei sinceramente. — Olha, Fred, ela está acostumada a ver todas as nossas amigas, inclusive eu, a só encontrar cara escroto. É raro alguém estar em um relacionamento legal, e vocês estão juntos há muito tempo! Tu é um príncipe, e ela sabe disso. Deve ser amedrontador olhar pro lado e perceber a sorte grande que tirou com o parceiro, sabe? Vamos considerar que tudo isso é… Como disse a minha mãe, “normal para mulheres noivas”. Ok?
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  — Valeu, Liv. — Ele suspirou pegando as minhas mãos e as beijando. — Você é demais! Merece um cara legal! Eu vou arrumar alguém como eu para você, prometo!
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  Demos uma gargalhada e logo em seguida, nos levantamos para ir embora. Eu ainda precisava voltar para a farmácia.
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  — Você não me aparece com mais nada do Milano durante os próximos três meses, ouviu? Ou quer que eu fique na segunda divisão para sempre?
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  — Um jogo e você queima tudo isso, para de gracinha! — Ele gargalhou me abraçando e caminhamos de volta para a loja.
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• O • C A R A • D O • M E U • T I M E •

  Com certa frequência, a seguinte pergunta me rondava à mente: “por que mesmo eu era a melhor amiga da Ester?”. Não me recordo em que momento do jardim de infância eu achei que aquela garotinha viciada em cor de rosa seria a minha amiga para o resto da vida. Eu a amo? Pra caramba! Tanto que estou sempre topando fazer o que ela me pede. Ou melhor, me convence. Mas certamente a quantidade de amor que eu tenho por nossa amizade é proporcional ao estresse que ela me fazia passar.
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  A despedida de solteiro fake do Fred tinha sido na sexta-feira, e no sábado Ester já havia me encontrado para me meter numa nova confusão. O que a gente não imaginava é que na segunda-feira Fred apareceria na farmácia me sondando daquele jeito. Ou seja, eu sentia que o cerco estava se fechando e precisava convencer a Ester em desistir de suas loucuras. Mas, antes, preciso explicar o que havia acontecido no sábado.
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  Depois daquela minha noite de  “Três espiãs demais”, nós duas nos encontramos em uma lanchonete no dia seguinte. E olha... Nunca achei que na minha vida adulta eu interpretaria o papel da Clover, até que aquela noite fez jus aos típicos episódios em que a loirinha terminava em um encontro com o gatinho.
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  Enquanto eu não narrei toda a aventura noturna que aconteceu entre mim e Matheus, Ester não me deixou em paz! E eu a estava julgando por ser uma péssima amiga e nunca ter me apresentado o playboy gostoso que eu beijei, quando uma das amigas futriquinhas dela telefonou com a esperada conversinha de que conseguiu as malditas fotos da boate com a amiga de uma amiga e blá-blá-blá.
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  Salva das minhas torrenciais reclamações, Ester atendeu a ligação e todo o suspense daquela conversa somado aos olhares lançados a mim já me faziam crer: eu estava sendo cogitada naquela cabecinha histérica para um novo plano.
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  Terminei de beber o meu suco, olhei o relógio em punho e sorri acenando apressada, dando a entender que eu estava atrasada. Ester, ao perceber que eu peguei a mochila de treino e estava me despedindo para sair de fininho, se adiantou em me acompanhar. Ela continuava ouvindo a mulher fofocar ao telefone, soltando exclamações ora de raiva, ora de surpresa e eu pensava em que esquina eu iria desviar disfarçadamente para fugir. O problema era que Ester adivinhou meus planos e já foi me empurrando para seu carro, alegando que me daria uma carona. Não neguei, é o tipo de coisa que não adiantaria. Apenas soltei minha mochila em meu colo, cruzei os braços e tampei minha face com uma das minhas mãos e assim me mantive até Ester desligar o telefone e me contar tudo.
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  — Frederico Aguiar, você está brincando comigo! — ela reclamou, e eu que não seria a louca de dar a deixa para ela. Fiquei caladinha como se estivesse em oração. E, na verdade, eu estava. Invocava meu anjo da guarda com urgência!
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  — Você não vai acreditar, Liv!
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  Cogitei pedir reforços para uns arcanjos.
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  — Eu estou falando com você! — Ester comentou ao notar que eu mantinha silêncio.
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  Apelei para a Nossa Senhora.
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  — Você parece estar protegendo o canalha do Fred! Liv! Só escuta! Tenho outra missão para você!
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  — Ah, puta que pariu! Para que eu vou à missa então? — finalmente falei olhando para o céu, como se estivesse em um diálogo com o Superior.
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  — O quê? — Ester perguntou confusa.
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  — A minha resposta é não, Ester! Eu não vou entrar em mais um dos seus planos! Pelo amor de Deus, conversa com o Fred! Para de ouvir fofoca alheia, caramba!
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  — Amiga! Você não está entendendo! A Josi disse que ela mesma viu o Frederico na noite passada saindo do escritório com uma mulher e indo para um restaurante! Ou seja, você pode não ter visto o Fred naquela boate, mas ele foi sim para alguma vagabundagem!
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  — Você é burra? — perguntei impaciente.
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  — Como é que é? — Ester também estava impaciente.
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  — Se você for burra, então o Fred realmente vai te trair bem embaixo do seu nariz. Mas eu sei que você não é, e ele sabe disso também! Então se o Fred fosse trair você ele o faria, no mínimo, onde você não pudesse descobrir!
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  — E é exatamente por isso que a Josi me ligou! Sabe onde é que ela viu a mulher que estava com ele?
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  — Eu não sei e nem quero saber!
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  — Na fraternidade, Lívia! A maldita fraternidade que ele tanto insistiu para eu deixá-lo passar uns dias! Eu vou arrancar as bolas do Frederico no altar!
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  — Puta merda, como você é paranoica…. e nojenta — falei olhando-a com uma careta.
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  — Vai ser nojento quando acontecer!
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  — Ester, por favor, para de surtar! — Fechei as mãos em sinal de quem implorava e girei um pouco o meu corpo para ela, enquanto a minha amiga dirigia tal qual uma veloz e furiosa. — Caramba, você vai se casar sob estas desconfianças todas?
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  — Claro que não! É aí que você entra! — Estacionou na beira do campo e piscou para mim.
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  Eu me limitei a revirar os olhos e sair imediatamente do carro para o vestiário. Definitivamente eu precisava me tratar com uma terapeuta e o foco era falar sobre aquela amizade que eu tinha com Ester. A coisa estava saindo do limite de saudável até para mim.
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  Troquei de roupa e Ester me esperava na arquibancada, as outras meninas do time saíam comigo, conversando animadas, mas não foi suficiente para Ester apenas nos observar. Ela se aproximou cumprimentando todas e me puxando pela mão, com olhar de súplica.
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  — Liv, por favor! Fred nunca me levou na fraternidade dele. Esse grupo de cavalheiros existe desde a época que ele assumiu as rédeas da empresa da família dele, e poxa... Namoradas não podem ir, e um tanto de outras babaquices masculinas. E agora aparece uma mulher que frequenta o lugar? Eu nunca gostei de dar ênfase às desconfianças com este clube porque, afinal, sempre tentei respeitar ao máximo a privacidade dele…
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  Eu divaguei quando ela falou aquilo. Será que ela tinha noção de que estava desrespeitando a privacidade do Fred desde o dia anterior? Aliás, talvez, até bem antes disso. Sacudi a cabeça em um meneio leve para espantar os pensamentos e voltar a focar na amiga desesperada que não parou de falar um minuto sequer.
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  — ... Mas não há como negar que eu me sinto insegura! Principalmente agora! E se ele me engana de verdade? E em um lugar, como você disse, que eu não posso ver? Eu o amo, mas não sou burra! Não vou fechar os olhos para as possibilidades! Você não acha que eu deveria descobrir antes de me casar com ele?
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  — Possibilidades? Se você acha que o Frederico te traindo é uma possibilidade, não deveria estar com ele há tantos anos, não acha?
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  — Pare de bancar a ingênua, Lívia! O Fred me ama e eu sei disso! Mas amor, para homem, não é suficiente na hora que o demônio quer tentar!
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  — Amiga, sinceramente? — Abaixei para amarrar a minha chuteira e Ester estava tão desesperada que se abaixou também.
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  Fiquei observando aquela mulher linda — com suas sardas e cabelo de fogo tão atraentes a qualquer olhar, com todo o potencial de empoderamento que eu sabia que ela tinha — agachada, abraçada aos joelhos e me encarando com uns olhos muito esbugalhados. Ester estava realmente insegura, acuada e morrendo de medo de descobrir que Fred tivesse outra. Suspirei e terminei de amarrar as chuteiras, dizendo sem desviar os olhos da expressão dela:
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  — Eu não acho que você deveria se casar com ele se está assim tão insegura. Você precisa de terapia, Ester, e eu falo sério! Se coloca um pouco no lugar dele. Como você se sentiria se o Fred estivesse bolando planos pelas suas costas para pegar alguma suposta traição sua que são fofocas de suas amiguinhas?
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  Ester mordeu os lábios, encarou os pés e, quando eu menos esperava, respondeu:
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  — Eu entenderia ele. Acho que, no fundo, o Fred só não pensa isso porque eu não tenho tempo de ficar correndo atrás de macho. E eu sei que ele tem o mesmo medo que eu, senão, por que ele não me levaria nos rolês com os amigos dele?
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  — Porque vocês não são siameses! — falei mais enérgica, levantando e sendo acompanhada pela minha amiga. — E nem tudo é sobre você, Ester!  cansada de dizer que você sufoca os rolês do Frederico!
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  Acho que quando uma mulher mete algo em sua cabeça, e se esta mulher é perdidamente apaixonada, os neurônios que emitem sinapses para o lobo cerebral que controla a razão se colapsam.
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  O amor é algo, de fato, perigoso e todos os dias eu entendia, ao ver a Ester, que eu estava certa! Não me permitiria vínculos maiores para me apaixonar, não mesmo! Eu estava certíssima: essa coisa de baixar a guarda para macho? Ra-ra! Só se eu tivesse muita certeza do macho! Já pensou? Perder a sanidade e ficar igual a Ester? Deus me livre! O nível de cortisol de Ester era sempre alto quando se tratava de Frederico, porque haja hormônio para uma mulher se preparar tanto a uma situação de estresse.
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  E quanto a mim, não sabia se deveria agradecê-la ou não por aumentar a minha adrenalina, mesmo fora dos treinos. Ester tirava a minha paz, por isso, quase não acreditei no que estava prestes a fazer. Estava novamente disposta a cair na mesmíssima conversa mole dela. Bufei impaciente e a encarei com a sobrancelha arqueada e mãos na cintura.
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  — O que eu teria que fazer?
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  Ela sabia que eu havia aceitado, mas não iria comemorar por saber que eu, literalmente, estava irritada com aquilo. Eu me sentia péssima por, de certo modo, alimentar a insanidade dela quando topava, e ao mesmo tempo percebia que não adiantaria nada negar, porque ela aprontaria alguma coisa mesmo sem mim. E das poucas vezes que aquilo aconteceu, a situação fugiu de controle e terminou com as duas pessoas que eu mais adorava, feridas entre si: Fred e Ester. E é por tentar amenizar os estragos que acho que eu sempre colocava meu corpo à frente dos tiros.
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  Ou eu sou muito leal ou muito idiota. Até o fim dessa história eu tenho certeza de que vocês votarão pela segunda opção.
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  — Eu ainda não sei direito, mas vou dar um jeito de te infiltrar na fraternidade.
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  — Você não disse que mulheres não entram? — perguntei desconfiada.
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  — Por isso eu disse que vou dar um jeito...
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  Ester me abraçou e eu fui me soltando do seu abraço, impaciente e atrasada para o treino. O treinador André ainda estava conversando com o time sobre a oportunidade de um olheiro assistir ao nosso jogo naquela semana. Eu já estava quase desistindo do futebol. Já estava no esporte há um bom tempo, e sair do amadorismo era o sonho de todas nós ali. Queria muito viver do meu jogo, mas todas as peneiras que passamos eram muito poucas e em um espaço relativamente grande entre elas. Ou seja, poucas vezes olheiros se interessavam em buscar jogadoras para comporem clubes grandes.
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  No entanto, nos últimos anos, com o advento do esporte feminino na Europa, o quadro vinha mudando no Brasil e, felizmente, seria a nossa terceira peneira naquele ano. O que não me animava tanto porque eu nunca era selecionada.
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  Antes de começar o jogo, porém, André me chamou num canto.
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  — Lívia, eu quero que você se concentre ainda mais nesta semana. Eu soltei seu nome para um dos empresários que estarão aqui e ele vai estar atento a você.
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  — Isso é sério? — perguntei animada.
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  — Sim, mas seja discreta. Não queremos causar decepções e nem expectativas na equipe, certo?
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  — Fica tranquilo, André, eu vou me limitar a fazer meu trabalho sem muitas esperanças.
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  — Também não é para tanto... Agora vai, entra em campo e se concentre na tática.
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  Sorri e corri até o meio de campo. Iniciamos o treino e eu mal poderia esperar pelo dia de jogo.
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Lelen

Nossinhora, eu tava pronta pra falar mal do Matheus, mas era só o Fred falando igual homem KKKKK
Então Matheus é um gentleman por enquanto, oremos.
Agora tem esse segredo da aventura da despedida de solteiro. Isso ainda vai voltar pra assombrar as amigas ou vamos respirar e deixar para trás?
QUERO VER MATHEUS APARECENDO MAIS.

Lelen

Ester, vai pra terapia pra entender essa paranoia de estar sendo traída. Lívia, vai pra terapia pra entender por que essa necessidade de topar coisas loucas pela Ester.
Eu tenho vontade de dar uns tapões na Ester. O Fred é um santo só aguentando essas loucuras todas da namorada, pqp.

Liv
  É óbvio que eu não iria facilitar a vida dela, não é? Terror psicológico era o mínimo que ela merecia…" Leia mais »

justo

Liv

Olha, difícil acompanhar a Ester, volta Liv e Matheus por favoooor hahahaha

Liv

Só espero que a Liv não perca uma boa oportunidade por causa dos planos loucos da Ester

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