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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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O cara do meu time

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

Capítulo Seis • Entrando em campo

  A campainha estridente da minha casa, devido ao susto, me fez derrubar um pouco do meu café com leite no chão quando eu estava a caminho da sala. Ester esperou no portão enquanto eu limpava a sujeira, apenas por desaforo.
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  Eu já sabia que estava próxima a passar um comum momento de raiva, já que a razão dela estar ali devia-se ao maldito plano que minha melhor amiga não havia tirado da cabeça.
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  Qual não foi a minha surpresa ao dar de cara com Ester, Bruna e Maria? Ou melhor: Ester, Cher e Kate.
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  As duas entraram me cumprimentando com beijos, abraços e bom humor, com exceção de Ester, que passou pela porta, rápida e ansiosa, mal falando direito enquanto mordia um pedaço de pão sem nenhum recheio.
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  — Nossa, isso é uma surpresa e tanto! — eu falei para as visitas enquanto minha amiga gritava da cozinha se eu tinha manteiga em casa, e respondi me assustando com a fome de Ester: — Tem sim, mas desde quando você não come?
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  — Não sei o que houve, estou com uma fome de mil leões. Só pode ser o estresse que o Frederico me faz passar!
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  — Ou isso foi a sua noite, queridinha... — Kate, ou melhor, Maria, comentou rindo e sentando-se educadamente no meu sofá.
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  — Então... Sejam bem-vindas! — falei as olhando. — Vamos à cozinha, venham tomar café da manhã comigo, antes que a Ester acabe com tudo!
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  As duas sorriram e me seguiram. Logo, todas estávamos sentadas em torno da mesa simples, nos servindo do desjejum matinal.
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  — Onde está a sua mãe? — Ester perguntou.
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  — Viajou por alguns dias para a casa da minha avó.
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  — Não me diga que você vai ficar na farmácia? — Eu vi o desespero no olhar da ruiva maluca.
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  — No meu horário de sempre. Mamãe contratou um atendente.
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  — Olha, Lívia, você precisa arrumar alguém para ficar no seu lugar! — Ester apoiou as duas mãos no tampo da mesa me encarando com olhos esbugalhados.
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  — Calma, Ester. Assim vai assustar ainda mais a gatinha! — Cher, ou melhor, Bruna, advertiu pegando sua xícara de café com um sorriso.
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  Eu estava surpresa pela amizade de Ester com as duas dançarinas, mas ainda mais curiosa, com o fato das três estarem juntas tão cedo de manhã, e o pior: na minha casa. Aquilo tinha cheiro de confusão, como sempre.
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  — Eu não sabia que vocês tinham ficado amigas...
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  — Eu peguei o contato das meninas naquela noite, e para nosso próximo plano elas vão nos ajudar — Ester disse animada.
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  — Você meteu as meninas que acabou de conhecer nas suas loucuras também? Cara, eu acho que chegou o momento de internar você! — ralhei séria e as duas novatas riam.
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  — Nós achamos muito divertida a ideia, Liv. De verdade! Ela nos pediu só um favorzinho, e nós que nos empolgamos, não é, Maria?
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  — Modéstia à parte, você está diante das melhores maquiadoras dessa cidade, mon’amour. Bruna e eu somos especialistas em disfarces.
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  Encarei Bruna e Maria sem ter ideia do que aconteceria, mas com medo. Total medo, porque quando Ester chamava reforços, o destino aproveitava-se da situação para me punir de todas as formas, ou seja... O cosmos está sempre mancomunado com a alienada da minha melhor amiga.
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  — Por Deus! Vocês duas deveriam me ajudar a fazer essa louca perceber a insanidade de tudo isso, e não a apoiar!
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  — Queridinha, nós nos conhecemos de uma forma bem inusitada e três dias depois sua amiga já sabia da nossa vida inteira por ter nos stalkeado! E nós aceitamos não só ajudar, como participar de tudo por livre e espontânea vontade!
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  — O que a Maria quer dizer é que... Você não acha que nós somos tão doidas quanto a Star?
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  — Quem é Star? — perguntei confusa encarando Bruna.
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  — Sou eu! Elas me deram um apelido! — Ester ria divertida como se aquilo fosse algum batismo de clã.
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  — E logo daremos um a você também! — Bruna me respondia sorridente.
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  — Certo... Me contem logo o plano, antes que eu perca a fome sem terminar meu café.
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  — Amiga... É o seguinte… — Ester largou a comida e focou olhos de tigresa sobre mim começando suas explicações.
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  A Ester pensou em tudo. Absolutamente.
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  Eu iria para a fraternidade como um amigo de um amigo de um amigo do Fred. Uma porra de pique corrente que não fazia sentido, mas parecia que ia dar certo. Em seguida, eu me aproximaria “casualmente” de alguém do círculo do Fred, através desse “falso amigo do amigo do amigo do amigo do Fred”.
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  Até aqui, dá pra entender tendo o ensino fundamental.
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  As doidas das dançarinas Bruna e Maria entrariam como eventuais coringas no lugar. Primeiro, antes do início do plano, elas seriam as minhas personal-disfarce oficial. Em seguida, seriam as garotas que trabalham no bar da fraternidade.
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  Ester já tinha encaminhado tudo com aquela conhecida da conhecida da amiga de hóquei dela, para infiltrar as meninas.
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  Até aqui, já é preciso um ensino médio para entender.
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  Logo, eu teria Maria e Bruna como aliadas de emergência dentro do clube. O objetivo era: me aproximar de Frederico Bulhões sem ser descoberta e depois, descobrir quem era a vadia imaginária com quem ele estava traindo Ester.
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  Daqui para frente, só vai compreender os cálculos da lógica de Ester quem tiver ao menos o ensino superior. Ou não.
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  Quando pensei que tudo não passava apenas de uma conversa sobre o possível plano, as mulheres se mostraram preparadas na prática!
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  As coisas estavam rápidas demais, e descobri que Ester era um perigo mundial, porque a agilidade em se aproximar das outras duas, sendo elas as pessoas perfeitas para auxiliarem na execução de sua missão cinematográfica, era coisa de estrategista de guerra! Um pouco terrorista, até.
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  Caminhamos até a sala novamente, e eu me sentei no sofá puxando uma almofada para meus braços. Abraçar almofadas e travesseiros é uma mania de infância minha, que deixa notório meu momento de ansiedade ou insegurança. Então, se você me vir agarrada em uma almofada como se a minha vida dependesse disso, certamente, tem algum gatilho à minha volta. Naquele momento, o gatilho eram as três mulheres faladeiras, e uma delas com uma ideia que muito me apavorou: Maria queria que eu cortasse o cabelo para entrar no personagem.
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  — NEM MORTA! Sabe o tempo que leva para o meu cabelo crescer? — intervim.
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  — Gata. Você é perfeita até careca, olha essas pernas! — Maria insistiu.
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  — NUNCA. Se virem! Vocês não são as mestras do disfarce? — desafiei, e o sangue nos olhos de Bruna me garantia que não teria corte de cabelo.
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  Bruna, segundo Maria, era a fada das perucas!
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  Ester, que não sei em que momento se afastou, adentrava novamente à minha casa com uma caixa vermelha nas mãos, entregando para Bruna. A mulher abriu a caixa com uma expressão aterrorizante e animada, e então eu notei uma gama de perucas variadas em cores, tamanhos e aspectos. Apesar de arrumadas e bem cuidadas, aquele amontoado de cabeleiras me dava a sensação de horror, como se Bruna houvesse escalpelado diversas cabeças.
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  Entre as opções, Bruna ergueu as madeixas de proveniência até então desconhecida por mim, mas que se assemelhavam muito aos fios reais, e conseguiu uma maneira de enrolar meu cabelo para caber em uma peruca de cachinhos masculina, e que se aproximava ao tom do meu.
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  — É esta! Ficou perfeito! — falou apontando para a minha figura com a peruca, e as outras meninas me observavam com muita satisfação.
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  E eu ainda estava agarrada à almofada. Pelo menos, aquele assunto de tesoura tinha sido esquecido.
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  Ester já havia pensado no meu estilo “super playboy descolado sem ser esnobe”. Eu queria bater na cara dela e fazê-la voltar à realidade, entretanto, a mais louca ali era eu, que aceitei aquele teatro todo!
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  Maria tirou de sua mala — e eu nem havia percebido Ester deixando aquelas malas preparadas ao canto da porta quando elas entraram — toda uma máscara fina de falsa pele:
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  — Resistente à água e ao suor. Na verdade, é uma tecnologia caríssima que a Ester topou patrocinar desde que desse certo o plano. Esse silicone adere ainda mais à sua pele quando em contato com o seu suor.
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  — Como isso é possível? — perguntei.
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  — Queridinha, muito complexa a sua pergunta. A verdade é que será a minha primeira vez utilizando-a, porque, como eu disse, é uma tecnologia cara. Sua amiga rica nos proporcionou este prazer, e só teremos certeza se funciona e que ela não jogou o dinheiro no ralo, é claro, quando você usar, mas... Esquece isso! Venha aqui para eu testar o tom da sua pele para tingir a máscara.
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  — Agora? — perguntei e Maria já me encarava com uma pequena pistola de tinta de maquiagem em mãos, e vários tubos de base e pigmentos.
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  — Que emocionante! Está parecendo aquele filme “Uma babá quase perfeita”! Tá vendo, Liv, que experiências singulares eu te proporciono!?
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  A cara da Ester realmente não queimava. Ela sorria animada enquanto limpava as louças do café da manhã e, tanto Bruna quanto Maria se mostravam empolgadas também.
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  Moral da história: elas começaram a montar meu personagem naquela manhã, em minha sala, sem a menor preocupação em como eu poderia lidar com os possíveis traumas de engolir mais aquela!
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  Bruna retirava os esmaltes das minhas unhas que já eram curtas devido ao esporte. Depois que as meninas me ensinaram como vestir a máscara facial, e como amarrar meus seios em faixas, eu me sentia a própria Múmia do terror mais antigo e trash. Por fim, chegado o momento de me ver pronta no espelho, eu quase caí para trás.
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  Eu estava mais perfeita e convincente do que Marlon e Shawn Wayans em “As Branquelas”. E estava travestida de um homem transgênero, sem as cirurgias.
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  — UAU! — Ester me olhava de boca aberta como eu.
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  Maria e Bruna se olhavam orgulhosas de seu trabalho impecável, desde os detalhes de pigmentação da pele da máscara, até a aplicação fio a fio de poros de barba, sobrancelhas e cílios. Na verdade, a barba da máscara já estava quase pronta quando elas a trouxeram, e me indaguei que certamente, aquele trabalho minucioso teria durado horas.
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  — Quanto tempo para fazer esta barba com aspecto de recém-raspada? — perguntei.
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  — Hm... Umas sete a dez horas se fizer sozinha — Bruna respondeu.
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  — Como fizemos juntas, levamos por volta de cinco horas, porque não precisava do fio também, só do aspecto — Maria concluiu.
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  — Ainda bem que eu entrei em contato com as meninas a tempo! — Ester suspirou aliviada, ainda me encarando no espelho e ao meu lado.
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  — UAU... — repeti.
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  — Você está perfeito, gatinho! — minha melhor amiga falou sorrindo. — Vou te deixar escolher seu nome.
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  — Caio! — Maria falou.
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  — Lucas! — Bruna opinou.
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  — Hm... Nicolas — decidi.
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  É. Àquela altura, eu já estava entregue à brincadeira e me senti um pouco divertida com minha versão masculina.
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  Não me julguem, mas... Qual é!? Quando eu teria uma oportunidade daquelas de novo? Tá, tudo bem que se tratando da noiva surtada em questão, era possível outras oportunidades até piores, contudo, eu odeio admitir, porém, admito: eu estava curtindo aquela loucura.
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  — Nicolas? — elas perguntaram.
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  — Sim. Pensei em Alex, mas Nicolas combina mais com os cachinhos.
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  — Ótimo! Bem-vindo, Nicolas! — Ester me abraçou.
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  — Meu Deus, eu estou ficando mais alucinada do que você… — Suspirei caindo na real enquanto minha amiga comemorava se sacudindo em um abraço comigo, e então perguntei ao me afastar: — Quando eu vou ser jogada na cova dos leões?
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  — Amanhã.
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  — O QUÊ? — gritei. — Ester! Você não se preocupa nem com a minha agenda? Sabe se eu estou disponível, sua jamanta?!
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  E como sempre, ela apenas me ignorou.
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  — Eu avisei ontem depois do jogo que era para você ficar preparada! Aliás, deixa que essa coisa da farmácia eu dou um jeito e converso com sua mãe. Quanto ao seu álibi para o clube, já estará à sua espera. Eles vão passar uma semana na fraternidade, pelo campeonato de futebol interno. Ah é! Você vai ser levado justamente como um reforço do time deles, por isso vai ser aceito rapidamente!
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  Ao ouvir tudo o que Ester disse eu fiquei ainda mais confusa.
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  — Bem... Então… Tenho que me isolar para assimilar que eu estou realmente fazendo isso, e aproveitar meu último dia fazendo xixi sentada.
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  — Claro que não! Hoje, nós três faremos um intensivo comportamental com você! — Maria e Bruna intervieram.
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  — O quê? — Ester olhou as meninas a fim de que elas me explicassem com mais calma.
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  — Imposição de voz. — Maria levantou um dedo.
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  — Postura entre os caras. — Bruna levantou o outro.
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  — História de vida do Nicolas. — Maria levantou mais um.
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  — Personalidade. — Bruna levantou outro.
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  — E claro... As situações que podem levar você a acabar com o disfarce e que deverão ser evitadas — Maria concluiu com um terceiro dedo.
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  Joguei-me no sofá aspirando à morte.
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• O • C A R A • D O • M E U • T I M E •

Semana do Disfarce — Primeiro Dia

  Antes de seguir para a minha missão impossível, Ester me deu, inclusive, um telefone que ela tinha guardado há algum tempo com o número do falso Nicolas para que eu usasse em público. A regra era de que o meu aparelho, ou melhor... o da Lívia, só deveria ser utilizado no meu quarto, sozinha.
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  Ela me abraçou antes que eu saísse de casa, prometendo que cuidaria bem dos meus assuntos e que aguaria bem as minhas plantas. E explicou que dissera ao Fred que passaria a semana comigo enquanto ele estivesse no passeio, assim, ela ficaria com a mente ocupada. Mal sabia o coitado…
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  Inacreditável. A coragem da Ester em mentir para o Fred descaradamente e a hipocrisia dela em dizer que aguaria as minhas samambaias. Ester era assassina de plantas, e se aquilo mudasse, então, muitas coisas mudariam por rearranjo do universo!
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  Conrado era o sobrenome do nosso álibi que conseguiria me infiltrar no clube dos rapazes. Depois de algum tempo em que eu cheguei com ele ao clube, o amigo de Fred e cúmplice daquela doidera da Ester, só sabia me dizer: “vocês são doidas, mas contem comigo”, “eu vou me divertir muito, inclusive da sua cara”, “quero conhecer seu rosto verdadeiro antes disso acabar” e “boa sorte, Nic!”. Ele tinha o encargo de me “ambientar” até o momento em que eu colasse com algum alvo do círculo de Fred.
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  Chegamos à recepção de drinques entre os caras do clube, e eu estava muito nervosa. Avistei Maria e Bruna me acenando discretas pelo balcão do lugar, e fiquei um pouco mais calma em saber que se tudo desse errado, seria escorraçada com outras malucas.
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  Conrado era cumprimentado por todos quando me apresentou:
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  — Caras! Este é o Nicolas. Estudamos juntos na faculdade, mas ele desistiu do curso pra ser jogador de futebol.
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  — E aí, beleza? — falei alterando a voz como havia treinado, tentando parecer natural e tocando as mãos dos homens presentes.
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  Os olhares de todos estavam atentos a mim, e eu precisei me jogar no sofá como um cara tranquilo, mas na verdade o fiz para não cair de pernas bambas pelo desespero.
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  — Você hein, Conrado... — Fred falou minucioso, com um sorriso de canto e, naquele instante, eu pensei que a casa tinha caído cedo demais, mas logo o pretinho me mostrou que não havia por que temer. — Trouxe reforço para o time!
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  — Com certeza! Conta aí pra eles a sua trajetória, Nic!
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  — Ah…. É…. Eu comecei a faculdade de direito com o Conrado, mas mudei para Educação Física. Já tem advogados demais na família, e eu sempre gostei de futebol. Então fiz da escolinha de futebol da infância uma possibilidade de carreira.
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  — E você jogou em algum time grande?
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  — Além da equipe universitária, eu joguei na base do... — Fingi me distrair com uma “mulher”, que era a Maria, passando em minha frente apenas para pensar em outro time, porque estava prestes a falar minha trajetória real.
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  — Quem é essa gracinha? — um dos caras perguntou referindo-se à Maria.
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  — Notei que tem duas funcionárias novas no bar do clube — Conrado respondeu e direcionou-se a mim. — E o Nic já está voando baixo... Esse cara é impossível!
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  Todos os outros riram e eu abaixei a cabeça fingindo uma risada sem graça.
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  — Mas e aí... Onde você jogou, cara? — Fred perguntou.
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  — Na base do Riverplate, em seguida joguei em uma equipe profissional do Japão. Depois parei um tempo, jogando só amador mesmo, mas estou pensando em voltar para o futebol profissional.
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  — Meu pai é um apaixonado por futebol, ele tem uns contatos na Europa... Quem sabe não posso te ajudar? — falou um dos caras ali que eu não lembrava o nome.
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  — Networking é sempre bem-vindo — respondi.
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  Todos ficaram conversando, e eu, mais observando e sendo cordial.
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  Era melhor fazer o estilo misterioso, do que o “playboy descolado” que a maluca da Ester queria. Quando eu pensava em uma resposta para tentar sair dali e ir para o meu quarto, o Fred gritou:
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  — Até que enfim! Ele chegou, galera!
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  Olhamos para trás e eu pude ver Matheus chegar sorridente com óculos escuros e uma roupa de tenista.
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  A minha alma fez o que eu queria: abandonou meu corpo e saiu fugindo dali como a “senhora?” daquele meme famoso.
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  — Foi mal, galera, a partida não tinha fim hoje.
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  — Senta aí, bebe algo com a gente! — Fred disse.
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  — Valeu, Fredonho, mas estou morto! Caras, só vim cumprimentar vocês e vou descansar.
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  — Antes de ir, deixa eu te apresentar o Nicolas... — Conrado fez as honras e eu agi em modo automático.
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  Minha cabeça parecia um monte de engrenagem de máquinas da Revolução Industrial desmontando-se.
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  — Prazer, eu sou o Matheus.
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  — Nicolas.
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  — Ele é o nosso reforço do time, nem vai passar por uma peneira, não é, Tiago?! — Fred falou convicto com o capitão da equipe concordando com ele.
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  — Muito bom! Porque eu não jogo nada de futebol e estava difícil convencê-los de me liberarem do campeonato — Matheus falou sorrindo para mim e eu mal pude reagir.
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  — Ele é um burguês safado que joga tênis! — Fred zombou sendo igualmente zoado pelos outros.
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  Matheus trocou outras pequenas frases entre os amigos, sobre “saídas e combinados” entre eles, e se afastou em seguida.
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  Meu falsophone tocou, e eu queria dar graças a Deus por aquilo. Pedi licença para me retirar e, atendendo, fui até o bar. Percebi que foi uma falsa ligação de Maria que estava me aguardando no balcão, então mantive o telefone na orelha, fingindo.
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  — Você está bem? Imaginei que estava uma pilha! Aquele não era o cara do dia do...
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  — Era! — a interrompi. — Eu vou matar a Ester! E muito obrigada, Maria, eu já estava sufocando. Vou inventar algo e subir.
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  A mulher concordou discreta e eu retornei ao círculo de homens dizendo que subiria para descansar um pouco. Eles falaram onde estariam mais tarde: numa partida de pôquer no salão de jogos, me convidaram e eu apenas assenti e saí tranquila. Entrei no meu dormitório, totalmente aliviada. Apenas por estar livre de ter que socializar naquele momento, já que, aliviada mesmo eu apenas ficaria após o fim de toda a aventura.
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  Por sorte, os chalés eram individuais.
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  Imagine se eu tivesse que dividir quarto com o Conrado? Eu ia pirar!
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  Peguei o meu verdadeiro telefone, certifiquei de fechar bem as cortinas e trancar a porta e liguei para Ester. Ela já estava ansiosa para saber como foi a tarde de chegada e eu jurei que a mataria um dia por tudo aquilo. Principalmente por não avisar sobre o Matheus. Ela disse que havia se esquecido, tamanha a ansiedade dela, e logo nos despedimos. Tomei a decisão mais sábia até então: decidi que precisava dormir, assim eu ficaria livre de problemas, ao menos por ora.
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• O • C A R A • D O • M E U • T I M E •

  Ouvi as batidas na porta do meu chalé e despertei aos poucos. A direção da janela emanava uma luz que parecia provir dos postes de iluminação, era noite. Novamente as batidas, e uma voz:
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  — Nicolas! É o Conrado, abre aí!
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  — Já vou! — levantei-me rápida e respondendo no tom de voz rouco, efeito do sono.
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  Como eu havia tirado aquela máscara desconfortável de silicone, teria que recolocá-la para o caso de Conrado estar acompanhado, então eu me certifiquei:
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  — Estou saindo do banho, espera um pouco, cara!
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  A voz de Conrado soava certa graça da situação:
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  — De boa! Eu estou sozinho!
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  Dito aquilo me tranquilizei, caminhei até porta e, pela janela ao lado dela, espiei atrás da cortina se ele realmente estava só. Conrado surgiu com seu rosto bem próximo ao vidro dando a língua, me assustando.
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  Abri a porta cautelosa e o puxei para dentro com imediatismo de quem não poderia — nunca, jamais, em menor hipótese — ser descoberta.
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  — Estou me sentindo o próprio Tom Cruise — o gatinho cúmplice falou com um sorriso que deixava nítida sua diversão.
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  — Olha... Para Tom Cruise falta muito, para Missão Impossível, é exatamente o que estamos vivendo — falei coçando meu cabelo e me jogando de volta na cama.
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  Conrado ficou um tempo em silêncio, me observando atento e curioso.
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  — O que houve? — perguntei.
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  — Eu não tinha conhecido você — falou óbvio, sentando-se na cama de frente para mim.
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  — Ah é... Me esqueci... — Sorri sem graça estendendo a minha mão em seguida: — Prazer, Lívia.
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  — Prazer — ele respondeu ainda com seu sorriso divertido pegando em minha mão. — Você está realmente em grande perigo.
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  — Por quê?
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  — Acho que não vai ser fácil esconder como você é uma linda mulher por muito tempo.
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  Revirei os olhos rindo, irônica.
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  — Está me cantando, Conrado?
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  — Com certeza! Quando acabar isso tudo, nós vamos sair!
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  — Gosto da sua autoestima.
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  — Não é autoestima. Considere uma dívida sua comigo por te ajudar nisso tudo.
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  — Inacreditável! — exclamei me sentindo injustiçada! Não que fosse sacrifício sair com ele, mas, lá estava mais uma dívida que eu arrumava e, de novo, por culpa da Ester.
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  Conrado sorriu para mim e observou meu quarto devagar. Identificou o disfarce numa poltrona e caminhou até ele observando tudo.
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  — Uau... Vocês são mesmo profissionais! Como você veste isso?
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  — É um pouco demorado só na parte corporal. Esses músculos de silicone têm que ser bem colocados, se não...
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  — Beleza. Então se vista! — interrompeu-me. — Eu vim buscar você para irmos ao chalé do Fred.
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  Sem dar tempo para que eu explicasse o quanto eu estava me esforçando por amor a uma amizade, Conrado me interrompeu soltando a bomba. Sonho de princesa eu achar que conseguiria evitar aqueles machos todos por muito tempo, não é?
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  — Ah... Sério? O motivo da minha vinda para cá estará lá?
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  — Como assim?
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  — Vai ser alguma “festinha masculina” ou algo do tipo?
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  — Não. O Fred não trai a Ester, eu já disse isso pravocês quando vieram me colocar nessa loucura!
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  — É o que eu acho também! Então não vou. Diga que eu saí.
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  — Não vai colar, gracinha… Anda, vai lá tomar seu banho e se arrumar. Eu te espero.
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  — Aqui no meu quarto?
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  — Algum problema?
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  — É que eu preciso de privacidade pracolocar esse disfarce, e no banheiro pequeno não vai dar.
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  — Você fica pelada para vestir?
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  — Não, mas...
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  — Então anda logo! — Conrado falou me empurrando para o banheiro e fechando a porta.
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  Olhei descrente em sua direção, e abri a porta do banheiro em seguida. Ele me encarou como se me repreendesse por ter voltado, observou quando eu peguei a minha roupa íntima na mala, e fez uma cara de “ah sim...”. Voltei ao lavabo, tranquei a porta e iniciei o meu, nem tão tranquilo, banho.
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  — Ei! Posso te perguntar uma coisa? — Conrado dizia alto do outro lado da porta.
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  O som do chuveiro atrapalhava um pouco para ouvi-lo, mas eu consegui entender que ele estava colado à porta tentando algum diálogo, então respondi que sim.
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  — Você já conhecia o Matheus, né?
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  — Ahn.... — Estranhei a pergunta. — Por quê?
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  — Vi que você ficou um pouco perdida e assustada quando ele chegou.
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  — Os outros notaram?
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  — Não. Só eu, porque eu estou prestando atenção em você.
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  Pensei em que resposta daria a ele. Achei que por ser meu aliado ele precisasse saber a verdade.
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  — Sim, eu o conheço.
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  — Você acha que ele pode te reconhecer?
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  — Espero realmente que não.
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  — Vocês já saíram?
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  — O quê?
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  — Você e ele, já tiveram ou tem algum lance?
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  — Ah... Bem... Uma vez nós saímos juntos, quando nos conhecemos da primeira vez, mas foi só.
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  — Ótimo!
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  Abri a porta enrolada na toalha e Conrado se assustou, afastando-se rápido.
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  — Ótimo por quê?
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  — Porque se foi só uma vez, ele não vai te reconhecer.
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  Encarei Conrado, ainda confusa com aquele assunto, e ele sorria me analisando.
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  — Você é forte.
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  — Eu jogo futebol e você já sabe disso.
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  — Confesso que não acreditei, achei que era um tiro no pé quando Ester falou que você entraria como o reforço do time.
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  — Vocês homens me enojam com isso de “não acredito que uma mulher está jogando futebol”.
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  — Não se ofenda, não é por isso. É que nunca conheci uma garota jogadora. Tipo, de verdade, sabe?
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  — Continua me enojando o seu comentário. E agora dá licença que eu tenho que me vestir!
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  — Eu te ajudo.
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  — Não precisa, Conrado, cai fora.
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  — Eu só queria ajudar... — Ele deu um sorrisinho malicioso erguendo as mãos em inocência e saindo do quarto. — Te espero aqui fora.
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  Tranquei a porta e revirei os olhos. Preparei-me com calma e certa dificuldade. Até pegar a prática daquilo iria demorar. Depois que o “Nicolas” estava devidamente montado, vestido e sem nenhum traço de Lívia, eu abri a porta indo de encontro a Conrado.
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  Ele mexia no celular e levou as mãos à boca, em claro sinal debochado de falsa surpresa. Dei um soco fraco em seu braço e ele passou-o sobre meus ombros me arrastando.
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  No chalé de Fred, uma música em volume confortável já tocava. Os homens gargalhavam e bebiam, outros jogavam bilhar e Conrado e eu adentramos já pegando as nossas bebidas.
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  — Não vai ficar bêbado e dizer o que não deve — Conrado falou baixinho para mim quando estávamos perto do frigobar.
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  — E você também! — adverti.
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  Fomos em direção ao grupo que estava sentado em círculo no tapete no chão. Fred, interessado em saber sobre mim, não parava de puxar assunto. Foi uma noite em que eu até me saí bem.
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  — Eu tenho uma amiga que joga futebol, aliás. Seria bom se você pudesse me ajudar a arrumar uns contatos de trabalho para ela — no meio de nossa conversa, Fred falou.
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  — E ela é boa? — perguntei.
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  — Tá brincando? Ela é muito boa! — Matheus falou sendo cutucado por Fred.
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  — É, né? Boa, né? — Fred zombou e Matheus bebeu sua cerveja rindo de cabeça baixa.
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  — Qual é, Fred, que amiga é essa que você tá escondendo de todo mundo, menos do Matheus pelo visto? — Conrado provocou e eu não sabia se batia nele ou mudava de assunto.
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  — É a Lívia. Vocês não conhecem — Fred começou a explicar: — Ela é amiga da Ester, e acabamos nos tornando bons amigos. Depois da Ester, é a garota mais sensacional que eu conheço. E ela joga muito! Mas nesse país o incentivo ao futebol feminino é uma merda.
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  — Bem... Me passa o telefone dela, eu converso com ela e indico alguns contatos — respondi.
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  — Esperto. Esperto você, hein? — Fred falou indignado. — Já quer que eu dê o telefone dela! E aí, Matheus, o que eu faço?
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  — Qual é, cara, eu não tenho nada com a Lívia. Nem o telefone dela eu me lembrei de pegar.
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  — Como assim? — Fred falou abismado.
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  — Eu fiquei tão distraído com ela que nem me toquei de pedir o número — Matheus disse com arrependimento bebendo e olhando para o teto.
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  Eu reprimi um risinho frouxo que queria sair ao descobrir que, na verdade, ele queria o meu telefone.
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  — Pô, explica aí, Matheus. Que rolo é esse com a mina? E que trairagem é essa, hein, Fred, nem me apresentou a sua amiga! — Conrado se fez de ofendido.
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  Olhei para ele como se dissesse que ele deveria encerrar o assunto, ao invés de estimular, e ele não parou:
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  — Nem me olha não, Nicolas! Você tira o cavalo da chuva, que eu também vou entrar nesse páreo, espertinho... “me passa o telefone dela, eu converso com ela e indico alguns contatos”...
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  Conrado me remendou e eu novamente o empurrei com o ombro enquanto bebia minha cerveja, achando tudo muito irônico.
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  — Eu não apresentei a Liv para ninguém, seus pervertidos! Até hoje não entendi como o Math conheceu ela...
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  — Eu já disse, numa balada.
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  — E por que nunca me contou? Você sabia que ela era minha amiga, eu tenho fotos com ela pratodo o lado.
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  — Na verdade não, Fredonho. Eu não me concentrei muito em saber de onde eu já tinha visto o rosto dela no dia que a conheci. Eu só fui me tocar quem era a Liv no dia do jogo.
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  Todos estavam atentos ao diálogo de Fred e Matheus, e eu ainda mais interessada.
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  — Tá, então o Math tá pegando a Liv? — Conrado perguntou.
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  — Não. Eu saí com ela só uma vez... Da última vez que a vi eu até queria beijar ela de novo, mas... Achei que ela não estava muito na minha...
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  — Não! — gritei e todos me encararam, então eu pensei rápido: — Ela não está na sua mesmo, porque quando ela me conhecer, você já era cara!
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  Fiz de conta que estava zombando e os rapazes riam zoando também. Conrado ficou me encarando, observando as minhas reações e Matheus levou na esportiva brindando comigo:
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  — É o que nós vamos ver então.
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  — Esse é o Math! — Fred gritou abraçando Matheus. — Foi mal, Nicolas, você pode até ser bom no futebol, mas o Math é muito bom em mulheres.
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  Dei de ombros e pensei naquela frase. Será que Matheus era um típico mulherengo que não se apaixona? Aquilo explicaria o fato de ser solteiro com todo o potencial que tinha.
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  — Me mostra uma foto dela — Conrado disse.
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  — Tá muito interessado nela, não acha não? — Fred perguntou.
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  — Estou. — A resposta de Conrado gerou novas piadas, e em minha cabeça, dúvidas de quais motivos para aquela provocação toda.
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  — É essa aqui. — Fred mostrou o celular com uma foto nossa para Conrado.
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  O telefone passou de mão em mão e cada um com um comentário que eu “adorei”. Tá legal, alguns eu gostei mesmo, deu uma massageada no ego, mas outros... Machistas demais para eu querer me gabar.
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  — Ela é mesmo bem bonita... Quando acabar essas férias aqui, eu vou atrás dela. Saibam disso — Conrado falou apontando para Matheus e Fred, me entregando o telefone e eu tinha que fingir uma reação surpresa ao ver a minha linda face ali.
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  — Uow... Linda assim, jogadora... Ela é o meu tipo. Pode deixar que eu vou dar um jeitinho de colocar essa gatinha em jogo.
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  — É, Matheus... Não tá fácil para você. — Fred avaliou a situação, debochando.
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  Eu acabei passando o aparelho do Fred para o Matheus, que pegou e ficou um tempo observando a foto em silêncio, entregou o telefone para os outros dois que retornaram do bilhar e disse:
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  — Que droga, eu deveria ter pedido o número de telefone dela.
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  Sorri e ouvi os elogios dos outros rapazes, até que Fred se manifestou me dando certeza de quão injusta eu estava sendo de estar ali entre eles:
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  — Se com uma saída você já está arrependido assim de ter dado esse mole, eu vou te passar o número dela. Vai que isso se torna algo especial!
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  — Do que você está falando, mané?! Vai passar nada não! Isso é injusto comigo e com o Nic. Não é não, Nic?
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  Eu queria bater no Conrado. Certeza!
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  — Com certeza! Se passar para ele, vai ter que passar pra nós.
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  — Eu passo. Ela vai me matar por isso, mas passo. Eu não vou deixar o Math sem a chance de descobrir o amor da vida dele!
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  — Que porra é essa de amor da minha vida? — Matheus perguntou a Fred, alarmado e rindo.
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  — Desde que a conheceu você não para de reclamar por não ter pegado o número dela. Fica suspirando aí quando a gente fala dela... Eu lembro bem dessa sensação. Foi assim que eu me apaixonei pela Ester. Abre seu olho.
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  Então ele se arrependia mesmo? E ficava falando de mim?
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  Eu estava louca para tirar a fantasia de Nicolas e agarrar o Matheus ali!
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  — Pô, o cara saiu com ela uma vez e você já está dizendo que ele está apaixonado? — Conrado perguntou.
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  — Eu não me admiraria. A Liv é realmente uma mulher incrível — Fred respondeu e Math concordou.
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  — Estou ainda mais curioso para conhecê-la — falei a fim de observar a reação de Matheus, que apenas me olhou virando mais um gole de sua cerveja.
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  Fiz nota mental: o Fred realmente precisava que a Ester largasse de paranoia. Me senti bastante mal em vê-lo declarar o amor abertamente entre os amigos, com tanta devoção, enquanto eu estava de comparsa da maluca ali, espreitando por algum deslize dele.
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  Lá pelas altas horas, percebi que Fred estava mais animado do que normalmente se mostrava, ou seja: ele estava bêbado. Então optei por sondar um pouco, antes de sair dali. Os rapazes começavam a se comportar como homens bêbados em conjunto, e eu estava a ponto de levantar a bandeira da calcinha de paz.
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  — E então, Fred... Essa Ester aí, é sua namorada?
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  — Noiva. A noiva mais linda do mundo.
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  — Ele é caidinho por ela — Math confirmou também risonho e alegre.
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  — Noivo, cara? Jura?! Então vai rolar uma festinha de solteiro aqui? — Fiz de conta que estava animado e interessado.
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  — Não, lamento, Nic, mas se quiser se divertir com garotas vai ter que se contentar com as funcionárias do clube. Sabe que a fraternidade não permite mulheres, não é?
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  — Quem inventou essa regra absurda? — falei fingindo indignação, e de certo modo até estava.
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  — Eu mesmo. Ester não me permitiria estar aqui se fosse o contrário. Não que ela mande em mim, mas... Acredite... A minha noiva sabe ser absurdamente paranoica.
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  — Hm... Mas... Nem fora daqui? Que isso, Fred! É uma despedida de solteiro, cara!! — Eu tentava manipular a convencê-lo, e torcia para dar errado.
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  — Ele quase teve uma... Foi quando eu... — Math começou a falar e pensou um pouco desistindo. — Quando eu fui parar num clube de strippers por engano.
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  — Foi ideia do Túlio, o Conrado me avisou e eu cancelei!
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  — Mas não me avisou no dia.
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  Então foi o Conrado o salvador da pátria duas vezes: primeiro, porque alertou o Fred e a festa da falsa corna foi cancelada, e segundo, porque não avisando a Matheus, eu pude conhecê-lo.
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  Já se somavam em duas as minhas dívidas com Conrado!
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  Observei Math e Fred discutindo e rindo sobre o assunto e comemorei mentalmente por Matheus não falar mais do que deveria. E parece que ele pensava a mesma coisa quando eu o olhei e percebi o homem concentrado em seus pensamentos.
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  A resposta que eu queria já tinha: Frederico era mesmo um completo apaixonado por Ester, que a respeitava mais do que ela fazia merecer, portanto, não havia motivos para continuar entre aqueles caras bêbados, facilitando a chance de ser descoberta. E eu não aguentava mais aquele silicone grudado no meu corpo como verdadeiras ventosas. Maldita tecnologia de sanguessuga!
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  — Aí, caras... Eu vou pro meu chalé. Amanhã tem jogo, não é? — afirmei.
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  — Tem sim. Mas tá cedo, fica aí — Fred insistiu e Conrado apareceu perto de mim gritando.
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  — Carambaaa... Eu tô cansadaço! — Passou os braços sobre meu ombro e ria animado.
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  — Vam’bora, mané, eu te largo na porta da sua cabana — falei e lembrei do Juan, meu ex. Ao menos para me ajudar a compor o personagem de um hétero top babaquinha ele me serviu.
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  Matheus estava me olhando concentrado, parecia tentar compreender de onde me conhecia.
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  — A gente já se viu antes, cara? — perguntou enfim.
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  — Acho que você não esqueceria esse rostinho lindo aqui se tivesse o visto, não é? — zombei descontraindo a atenção desnecessária de Matheus.
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  Despedimo-nos de quem ainda estava no quarto, e eu me coloquei a caminhar trôpega com o peso do corpo de Conrado sobre meus ombros.
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  — Porra, você disse que não ia beber muito! — briguei com ele.
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  Não obtive resposta. Ele ficou sonolento durante o caminho e antes que eu pudesse alcançar a porta do chalé dele, Conrado caiu me levando ao chão com ele, na frente do meu chalé. Praguejei e depois de levantar e o erguer em meus ombros de novo, eu abri a porta entrando em meu quarto e o puxando para caminhar devagar e com cuidado.
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  — Caramba, seu bocó! Vai ficar aqui só hoje! — falei sem ter a atenção do homem desmaiado em minha cama, então segurei seu rosto e dei tapas leves na sua testa dizendo: — Entendeu, Conrado? Amanhã eu te mato!
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Lelen

Eu imaginei muito As Branquelas na parte da transformação KKKKKKKKK
E a Liv tendo que agir igual homem, coitada.
Mas adorei que jogaram o Matheus na rodinha e ele que lute! ELE TODO APAIXONADINHO SEM SABER QUE TÁ APAIXONADINHO <3
Tô só imaginando o que vai sair disso tudo. 😂😂

Ray Dias

LELEN! KKKKKKKKKKKKKKK SOS !! Eu não pensei nas Branquelas, mas SIM, SIM !! SUPER! Muito triste a coitada tendo que agir como machinho. Que dó.
O Matheus é um FOFO MASTER! ♥
O que vai sair disso tudo é confusão, óbvio.

Liv
  — Não! — gritei e todos me encararam, então eu pensei rápido: — Ela não está na sua mesmo, porque…" Leia mais »

HAHAHAHAHA EU ME DIVIRTO COM ESSES MOMENTOS

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