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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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O cara do meu time

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

Capítulo Cinco • Todos na concentração!

  Quarta-feira. Era o dia. Na segunda o Fred me deixou preocupada, e eu e Ester conversamos de novo sobre aquela maluquice de me infiltrar na tal fraternidade dele. Não avançamos muito naquela pauta, mas eu exigi que ela não me estressasse com nada até aquela quarta-feira. Eu precisava da mente tranquila para jogar bem.
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  Felizmente, Ester nunca se metia em nada que pudesse me atrapalhar na carreira, era uma das minhas maiores apoiadoras depois da minha mãe.
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  A arquibancada do Estádio Municipal repleta com os amigos de todas nós, jogadoras da equipe, nos deixou à vontade para jogar. Durante o jogo, mal lembrávamos que empresários estavam nos assistindo. Eu joguei na minha posição de base de lateral direita, mas, no segundo tempo, André me trocou para a lateral esquerda, e consegui realizar duas jogadas para gol.
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  Luciana, a nossa camisa nove, foi maravilhosa ao entender que meu sprint da lateral para o meio de campo era um momento oportuno e previamente pensado, e assim nós saímos do empate. Um placar de três a dois garantiu nossa subida na classificação do estadual da série B. E eu não poderia estar mais feliz! Meus amigos gritavam da arquibancada e minha mãe mais ainda.
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  Enquanto eu saía do campo, recebendo cumprimentos das meninas da equipe e do nosso corpo técnico, Ester e mamãe me gritavam da grade na arquibancada.
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  — Vocês viram? Eu arrasei nas jogadas, né?! — falei sorrindo, me aproximando das duas que me encaravam de olhos brilhantes.
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  — Você é sempre incrível, filha! Boa sorte com o empresário!
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  — Fala baixo, mãe! O André pediu pra não causar alarde com isso por causa do time — pedi sorrindo e recebendo o beijo dela em meu rosto que eu havia acabado de enxugar com uma toalha.
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  — Ai, desculpa, mas ó… Mamãe tem que abrir a farmácia agora! Tem carregamento chegando e trabalho, claro!
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  — Valeu por ter vindo assistir, mãe. Nem precisava — agradeci e ela acenou, mandando beijos pra mim e Ester.
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  — Tchau, tchau, tia Laura! Até mais!
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  — E aí, maluca. Gostou do jogo? — falei risonha encarando Ester e sabendo que o prazo de não me estressar com suas historinhas havia se esgotado na hora que o juiz apitou.
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  — Sim, sim! Você foi e é maravilhosa, boleira! Agora... Se troca rápido lá, porque tenho duas coisas para te falar antes de irmos com a galera para a comemoração.
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  — Aconteceu alguma coisa?
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  — Você tem um visitante, nada agradável, que estava assistindo ao jogo. E eu já tenho um plano sobre aquela nossa missãozinha.
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  Quando Ester terminou de falar pude notar que a pessoa se aproximando atrás dela não seria um visitante tão fácil de evitar.
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  — Vou para o vestiário. Me espera na saída.
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  Caminhei rapidamente a fim de não ter que falar com quem eu não queria. Dentro do vestiário, as meninas recebiam aplausos puxados pelo discurso da capitã, e assim que eu abri o chuveiro, a Luciana, do box ao lado, chamou a minha atenção:
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  — Liv. Você viu quem estava te assistindo?
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  — Muitas pessoas. — Eu não sabia se ela falava do empresário ou do homem do qual eu estava fugindo.
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  — Você não vai falar com ele?
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  — Ah... Você está falando do Juan.
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  — Qual é, Liv... Você não vai mesmo repensar?
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  — Luciana! Me admira você me perguntar algo assim! O cara é um babaca!
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  — Foram dois anos de relacionamento, Liv, não é possível que tenha tudo sido tão ruim.
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  — Não era porque eu estava conformada. O Juan e eu vivemos coisas legais, mas não tenho razões maiores para ficar com ele, e, no final, eu comecei a ver que os defeitos eram maiores que as qualidades.
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  — Uma pena. Vocês formam um casalzão.
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  Fechei o registro da ducha e puxei minha toalha, encarando Luciana de modo que ela entendesse o absurdo que dizia. Ela deu de ombros e sorriu.
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  — Hey, Liv! O treinador está esperando você lá fora — disse Camila, a nossa goleira.
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  Terminei de me vestir colocando o jeans justo e rasgado com cintura alta, o cropped branco larguinho e calcei meus tênis Vans surrados. Típico look clichê de fanfic. Penteei os cabelos de qualquer jeito e os joguei de um lado ao outro, os amassando em seguida e reuni minhas coisas. Me despedi das meninas e algumas eu encontraria posteriormente no bar.
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  Quando saí pela porta do vestiário, André estava acompanhado de um homem bem arrumado e risonho.
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  — Ah! Aí vem ela — meu treinador falou piscando e sorrindo para mim.
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  O outro homem encarou André com uma feição satisfeita e eu continuei caminhando até eles, mantendo a seriedade.
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  — Boa noite — falei apertando a mão e recebendo o cumprimento de volta.
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  — Boa noite, Lívia. Eu sou o Marcelo, coordenador esportivo da equipe feminina do Flamengo.
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  — É uma satisfação conhecê-lo — respondi educada, ajeitando minha mochila.
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  — Você fez um grande jogo! André me mostrou algumas filmagens antigas do seu estilo, e bem... Acho que podemos fazer algumas observações a mais e, quem sabe, umas experiências. O que acha?
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  — Eu acho ótimo, mas... Eu precisaria de maiores detalhes. Não leve a mal, mas... Já vieram outros com algumas promessas que não saíram muito de diálogos como estes — respondi educadamente, com cuidado para não melar nada.
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  André me olhava satisfeito.
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  — Certamente, todos não sabiam o diamante a ser lapidado que você é, garota. — Marcelo manteve o tom informal e ameno.
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  — Eu apoio que a Liv faça uma experiência no clube sem um contrato fechado por um tempo. Mas... Seria interessante que ela contactasse um empresário e vocês se reunissem antes de fechar qualquer coisa, Marcelo.
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  André interferiu e o outro homem apenas sorriu, concordando. Tirou um cartão do bolso e me estendeu. Pediu para eu telefonar para marcar uma reunião assim que eu pudesse. E, em seguida, se despediu.
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  — Um diamante a ser lapidado! Essa é boa! Eu estou fazendo o que com você então? Passando café? — André murmurou assim que ficamos sós e eu ri.
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  — Calma, treinador! Eu tenho certeza de que ele só estava tentando parecer gentil, não quis te ofender.
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  — Sei que não! Marcelo é um conhecido antigo meu. Mas... Livinha, dessa vez, a coisa é bem mais certa do que aquela peneira do Santos, viu? — me falou, arregalando os olhos e apontando o dedo na própria palma da mão de forma a se mostrar certeiro.
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  — Ô, André, eu não vou criar expectativas não! Vai ser ótimo se acontecer, mas... — Olhei para o cartão em minha mão. — Se não rolar, eu prefiro não cair de cinco andares de novo.
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  — Lívia, não tem mesmo por que não rolar agora. O Flamengo tem intenções maiores com a equipe feminina, eles querem emplacar no futebol feminino nacional, aproveitar a recente pauta sendo discutida a favor das mulheres no futebol... E, cá entre nós, o que o clube teria a perder? Nada, só ganhar! Por isso, eu vou procurar um empresário sério para você, claro, se você não tiver ninguém em mente.
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  — Acha que um empresário vai ajudar em algo?
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  — Acho sim. Você precisa de um! Agora que o Marcelo manifestou interesse em você, um empresário vai lançar luz ao seu nome entre os times de várzea e clubes maiores. Afinal, é o Flamengo te olhando! E da outra vez, com o Santos, fizemos tudo sozinhos e, no fim, as atletas negociadas tinham um empresário do nicho por trás, então... Melhor investir.
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  — Entendo porra nenhuma disso, André. O que eu faço é jogar, então, vou confiar em você. Me arrume alguém sério e tão apaixonado por futebol quanto nós, se possível. Não quero sanguessugas na minha cola.
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  André me falou que buscaria um empresário de confiança para me auxiliar e pediu que eu me atentasse a um advogado também. Nosso treinador nunca deixaria nenhuma de nós cair em uma roubada, e confiávamos nele por isso.
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  Abracei o treinador e fui em direção à saída. Ester mexia no celular e começou a tagarelar ao me ver.
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  — Eu não fiz teste para poste não, tá? Por que demorou tanto? A maioria da galera já foi!
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  — Eu tive que conversar com um cara no caminho...
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  — O tal olheiro?
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  — É... Dessa vez não é time de várzea, não, amiga... — Eu olhei de lado para ela sorrindo, pretensiosa.
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  Estava animada, esperançosa também, mas cautelosa. Não era certo ir com tanta sede ao pote.
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  — Qual clube?
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  — O maior carioca — falei com os olhos brilhando.
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  — Uau! Não acredito que o Vasco finalmente te encontrou! — ela falou zombando por saber que eu odiava o Vasco da Gama.
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  — Eu disse o maior carioca e não o maior da segundona. Segunda por segunda, eu já estou, não é mesmo?
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  — Ok, ok. Conversamos sobre isso depois, pode ser?
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  — Por que a pressa? Vamos andando, já corri demais!
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  Encarei Ester de modo curioso e já ia caminhando quando ela puxou meu punho me fazendo parar.
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  — Espera. Preciso falar com você sobre o plano, porque quem restou nos esperando mais à frente não pode ouvir.
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  — Mas que porra... — Soltei a mochila ao meu lado e revirei os olhos, gesticulando para Ester ser rápida. — Você se lembra das coisas que eu te contei na segunda-feira? O desabafo do Fred? Não vai desistir disso, Ester?!
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  — Primeiramente... O plano é que você vai entrar na fraternidade como um dos amigos do amigo do Fred. Mas isso eu te conto melhor depois.
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  — É o quê?
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  Ester agitou as mãos como se não tivesse dito nada demais. Eu sabia que ela ia fugir daquele assunto naquela hora. E isso era outra coisa que eu detestava: para que iniciar um assunto que só vai terminar depois?
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  — Segundo... Juan quer falar com você. Eu não consegui fazê-lo ir embora. E, pra piorar, o Fred começou a discutir com ele, e o Juan tentou se justificar, mas os dois estão trocando farpas. Ou seja, o Frederico está me dando nos nervos, porque ele poderia ter ignorado o Juan, mas não ignorou.
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  — Não vou culpá-lo, eu também não ficaria calada se alguma ex ridícula dele aparecesse no jogo dele depois de falar o que falou, e logo no dia em que tem olheiro na área.
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  — Acontece que, lá no fundo, o Fred está chateado porque vocês terminaram e com raiva do Juan por ele ter sido um estúpido com o seu trabalho, já que, na cabeça do Frederico, você amava o Juan. Ele não conhece o coração de gelo que você tem... — desdenhou minha amiga, fazendo deboche.
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  — A reação do Fred é a mesma de todo mundo: “vocês formam um casalzão”.
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  — E aí, o que vai fazer?
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  — Mandar o Juan cair fora, lógico! Agora vamos.
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  Peguei minha mochila e caminhei sendo acompanhada por Ester, que terminou de soltar a bomba quando estávamos quase próximas da saída para o estacionamento do estádio:
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  — Que bom que o Fred está aí, vou precisar de uma consultoria jurídica dele.
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  — Eeer... Liv... Tem só mais uma coisinha... — Ao notar o tom de Ester a olhei com a sobrancelha arqueada. — O Matheus também está aqui. E pelo visto, Juan e ele estão trocando altas ideias.
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  Olhei para a frente, de olhos esbugalhados, e percebi Fred, Matheus e Juan em um bate-papo, entrosados. Ótimo momento para reencontrar o Matheus!
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  Quando Ester e eu paramos em frente o trio masculino, uma sequência de olhares cruzados se deu. Fred encarou Ester, afoito, com certeza pela minha reação à presença de Juan.
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  Ester o encarou de volta e olhou para Matheus como se estivesse tentando dizer-lhe algo.
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  Matheus dirigiu sua visão de Juan para mim ao notar que Juan mudou totalmente sua expressão com a minha chegada. Eu olhei para Matheus, sorrindo satisfeita em vê-lo e encarei Juan, irritada, por também o ver.
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  Juan se aproximou e eu joguei minha mochila para Matheus, que rapidamente a segurou, surpreso pelo que eu fiz.
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  Fred nos olhou sem entender, e Ester sorriu.
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  — Vocês se conhecem? — Juan perguntou para mim ao ver Matheus segurando minha mochila.
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  — Onde isso é da sua conta? — indaguei.
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  — Foi só uma pergunta.
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  — Está fazendo o quê aqui, Juan? — perguntei e me afastei um pouco, a fim de que ele me seguisse.
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  — A gente pode conversar? — falou manso.
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  — Já estamos conversando mais do que deveríamos. Não temos nada a tratar.
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  — Lívia... — Ele segurou meu braço levemente. — Dê uma nova chance para nós. Até o Fred, mesmo me dando sermões por meu vacilo, acha que...
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  — O Fred não sabe o que eu sei sobre você e sobre nós — interrompi soltando meu braço. — E eu não quero, não vou e não poderia dar uma chance a alguém que me faz escolher entre ele e o que eu amo fazer. Sem falar que... não tenho talento para ser corna. O que já não é verdade sobre você. Então... não está sendo inteligente em vir aqui pedir uma chance para levar um par de chifres. Repetidas vezes, assim como você fez.
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  — Lívia. Para de ser teimosa e malcriada! Foram dois anos juntos, e isso não pode ser jogado assim pela janela tão fácil.
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  — Ah, não? E o que foi que você fez?
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  — Lívia, foram só casos sem importância nos momentos em que estávamos distantes e brigados e...
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  — E a verdade é que você nunca me amou, Juan. E a recíproca é verdadeira, sabe que eu estava contigo porque era uma companhia. Não sei por que está insistindo tanto!
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  — Porque não foi só conveniência que nos fez ficar juntos por dois anos, Lívia! Pode não ter sido o amor arrebatador ou louco, como o dos seus amigos, mas não fiquei com você só porque eu queria uma companhia esse tempo todo.
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  — Não mesmo. Você teve várias companhias.
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  Juan se manteve me encarando, surpreso. Ele sempre era ingênuo o suficiente para se contradizer, e talvez ele achasse que eu mostraria raiva, surto ou sofrimento pelas descobertas de traição quando terminamos, mas a verdade é que a minha tristeza com o término já tinha passado uma semana depois dele ocorrer.
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  E eu não estava triste por ter “perdido” o Juan, estava triste comigo por ter sustentado um romancezinho canalha por dois anos a troco de nada. A troco de não passar as noites de domingo dormindo sozinha ou tendo que sair com outros caras para satisfazer um desejo mais instintivo hora ou outra. Meu namoro com Juan sempre foi morno. Ou melhor, frio. Era algo físico e só. E até o físico era lá meia-boca, já que, com um simples beijo do Matheus, eu notei que há muito tempo eu não sentia as borboletas no estômago ao beijar alguém.
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  Lembrar o quanto eu perdi tempo em uma relação sem sentimento com Juan me emputecia! Primeiro, por saber que eu estava sendo usada e, segundo, por ser esse tipo de pessoa que também estava usando outra. No fim das contas, Juan e eu éramos dois canalhas um com o outro, contudo, irrevogavelmente, ele foi pior.
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  — Tem outra pessoa? — depois daquele silêncio que me olhava como se prescrutasse um segredo em meus olhos, Juan perguntou com as mãos na cintura.
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  — Isso não faz a menor diferença quando o querer de uma pessoa não existe. Ou seja, eu não quero você e isso é o suficiente.
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  — Liv... Mas eu acho que eu realmente amo você.
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  — Você não vai ser o único no mundo que terá que aprender a lidar com isso. Agora... Juan... por favor, não me procura mais, ok? Eu não desejo o seu mal, mas também não desejo nenhuma ligação entre nós.
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  Suspirei e dei as costas ao meu ex-namorado, que me observava afastar, ainda inerte.
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  Chegando perto dos meus amigos, Matheus me cumprimentou com um beijo no rosto e eu estava ruborizada pela saia justa que havia passado na frente dele.
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  — Oi... — falei baixinho.
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  — Aquele é o carinha que estava fazendo uma garota de trouxa?
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  Matheus perguntou mencionando o dia que nos conhecemos. Ester imediatamente arregalou seus olhos, preocupada com o rumo que a conversa tomaria. A olhei de lado discretamente e sorri o respondendo:
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  — Era sim.
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  — Ele não sabe o que acabou de perder... — Matheus olhou na direção de Juan que ainda nos encarava pensativo e concluiu: — Ou sabe...
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  — Espera! Vocês se conhecem? — Frederico mencionou curioso.
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  Encarei Matheus pensando em como eu poderia sair daquilo sem comprometer Ester. Tentei transparecer, pelo franzir das minhas sobrancelhas, que eu não queria que Fred soubesse, e notei que Matheus também não desejava explanar o assunto. Só não poderia afirmar se por mim ou pelo fato de ter que contar da despedida de solteiro armada para Fred, na frente de Ester.
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  — Nos esbarramos uma vez numa balada — ele falou convincente e Fred nos olhou com sua expressão mais maliciosa.
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  — Que mundo pequeno… Bom, então vamos. Não preciso apresentá-los, certo? — ele disse abraçando Ester e nos deu as costas, caminhando.
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  Ester me olhou discretamente por cima dos ombros, certamente aliviada. Matheus e eu continuamos olhando um para o outro sem graça, e então os seguimos.
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  — Obrigada pela saída na tangente... — sussurrei. — Uma situação vergonhosa demais para compartilhar com o Fred — justifiquei e Matheus sorriu, também se justificando:
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  — Não é como se eu pudesse dizer em que circunstâncias eu estava também na frente da Ester... — sussurrou.
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  Percebi que ele ainda carregava a minha mochila.
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  — Ei, pode me passar a mochila. Que audácia tê-la jogado para você.
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  — Não, não. Eu levo. E eu sei que você agiu por impulso para impactar o seu ex.
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  — Foi. Mas me dê ela aqui, não precisa fazer isso. — Toquei a alça da mochila no seu ombro, mas ele delicadamente retirou minha mão.
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  — Você deve estar cansada, bateu um bolão! Eu não acreditei quando vi que era verdade que você jogava.
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  — Então não acreditou em mim? — Olhei para ele ultrajada. — Você é desses que acha que uma garota não pode jogar bola?
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  — Não, não sou. E se eu fosse, você teria calado a minha boca hoje.
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  Sorri envergonhada.
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  — Foi um trabalho em equipe.
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  — Com excelentes assistências da lateral aqui para o gol.
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  — Hm... Não posso contestar isso.
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  Chegamos ao local do estacionamento onde estavam os carros de ambos, Fred e Ester me olharam como se perguntassem para onde eu iria.
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  — O que foi? — perguntei aos dois.
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  — Ahn... Você quer ir com a gente ou com o Matheus? — Fred perguntou segurando um sorriso.
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  — Ela vai comigo, afinal, você já está em ótima companhia. Não seria justo que eu vá sozinho, não é, Ester?
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  Matheus se adiantou, aproveitando para fazer Ester concordar. Não que eu fosse negar também. Ela apenas sorriu, piscando para mim, e eu abri a porta do carona no carro do Matheus, entrando ao mesmo tempo que ele.
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  O gato que eu já havia beijado, e talvez estivesse ansiosa para beijar de novo, colocou a minha mochila no banco de trás enquanto eu afivelava o cinto. E assim que deu partida, seguindo o carro de Fred, o silêncio constrangedor durou alguns minutos.
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  — Então... Eu acabei tirando as conclusões, mas você não confirmou... O cara lá é seu ex-namorado mesmo?
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  — Há uns meses, mas por alguma razão ele achou que eu fosse mudar de opinião. Ainda não conheci um homem que me faça mudar de opinião — respondi firme.
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  Matheus me contemplou curioso por alguns minutos.
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  — E você? Não tem mesmo uma namorada?
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  — É difícil de acreditar quando se tem a minha beleza, não é? — ele falou me fazendo o encarar, irônica, por sua autoestima, embora não fosse mentira. — Eu também ainda não encontrei a mulher que me faça mudar de opinião.
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  — Hm... Já vi tudo... — resmunguei.
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  — O quê?
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  — Um Don Juan também.
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  — Não, não! Na verdade, eu estava noivo há um ano. Mas... Não era algo que eu realmente desejasse. Algumas relações apenas são convenientes.
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  — Que bom que não se casaram então.
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  — Por que pudemos nos conhecer?
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  — Porque ninguém merece suportar uma conveniência dessas.
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  O olhei séria e sorrimos um para o outro. Com certeza, Matheus me compreendia. O sorriso que ele me lançou denunciava que, de fato, ele vivenciou na pele a culpa de perder um tempo que poderia ser feliz, ao lado de alguém que beirava significar tão pouco. Era uma coincidência boa do destino ter alguém que, no futuro, se fosse falar sobre Juan e eu, entenderia meus motivos para não insistir, ao invés de dizer que “deveríamos tentar mais um pouco, pelos dois anos”.
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  — E você chegou bem em casa aquele dia?
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  — Sim, bem melhor do que eu esperava. — Soltei um riso sacana e Matheus entendeu ao que me referia.
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  Continuamos o percurso conversando sobre casualidades das nossas vidas. Ele queria saber como eu me tornei amiga de Ester e de Fred, e eu devolvi as perguntas, embora soubesse que, certamente, Fred e ele eram do mesmo berço bem-nascido. Apesar de “riquinho”, Matheus não se diferenciava de Fred e Ester no quesito humildade. Com isso, percebi que poderíamos ser bons amigos também.
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  Ao chegarmos ao bar, estava a maioria do time e dos nossos amigos por lá, sendo eu a última a chegar com os outros três. Matheus e eu descíamos do carro rindo tanto que Ester, antes de entrarmos, me puxou para um canto e sussurrou alguma brincadeira sobre eu e Matheus nos darmos tão bem depois de compartilhar nossas bocas.
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  Durante toda a noite não houve quem não se divertisse. E, ao nos despedirmos, outro impasse sobre quem iria para onde, e com quem, começou.
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  — Liv, você quer que eu te deixe em casa? — perguntou Fred.
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  — Depende. Você e Ester vão ficar juntos hoje?
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  — Não, senhora! Eu vou dormir na sua casa, por-porque... — ela começou a falar, mas não sabia como justificar ao noivo por qual razão não dormiria com ele.
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  Matheus e eu nos entreolhamos e aguardamos, curiosos, a justificativa dela.
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  — Porque o que, amor? Não é possível que você vá dormir na casa da Liv ao invés de ir comigo... — Fred já dizia contrariado.
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  — É que a Liv tem algo muito sério a me contar!
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  — Tenho? — perguntei em dúvida e um pouco bêbada.
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  O olhar cortante de Ester foi o suficiente para me fazer lembrar o que, afinal, ela queria.
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  — Ah... Aquilo... A gente pode conversar depois, amiga. Amanhã! Sem falta!
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  — Tudo bem então... — Ester falou entredentes, disfarçando a irritação. — Sem falta, amanhã! Chegarei cedo à sua casa!
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  — Ótimo! Então, novamente, Liv... Quer que eu te leve?
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  — Pode ir, Fred, antes que sua noiva fuja correndo de você — Matheus disse brincalhão e Ester apenas revirou os olhos para ele. — Eu posso levar a Liv em casa se ela não se importar.
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  Olhou-me novamente e eu concordei pensativa. Fred nos encarou malicioso e rapidamente se despediu, partindo com Ester. Matheus e eu continuávamos falantes no percurso até a minha casa. E, ao chegarmos, ele suspirou fundo após estacionar.
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  — Está entregue, jogadora.
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  Sorri e ponderei se deveria convidá-lo para entrar ou não. Não queria parecer mal-educada, mas também não queria que ele entendesse de outra forma. Pensei na bagunça que deixei antes de sair e decidi por não convidá-lo.
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  — Pode parecer falta de educação, mas... Vamos combinar que em uma próxima vez eu te convido para entrar.
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  Ele riu da maneira como eu falei: preocupada.
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  — Sem problemas! Você está cansada e, por hoje, já tivemos um bom tempo de companhia um do outro.
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  Entendi a frase dele como um fora e fiquei chocada por achar que ele tivesse, talvez, outras expectativas.
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  — Bem, obrigada pela carona. — Desafivelei o cinto de segurança e sorri.
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  Matheus continuava sorridente, me observando, e quando fiz menção de sair, ele segurou em meu punho.
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  — Sua mochila!
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  Pegou o objeto no banco de trás e me entregou. Eu encarei a bolsa, confusa, por não acreditar que eu estava tão distraída nos lindos olhos dele, que estava esquecendo meus pertences! Me detestei porque com certeza eu estaria parecendo uma idiota!
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  — Obrigada pela sua companhia, Liv — ele disse, me fazendo prestar novamente atenção em seus olhos que se aproximavam lentamente.
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  Como uma Naja encantada por aqueles homens de turbante na cabeça que encantam cobras no oriente do mundo, eu me mantive ereta e parada, observando o rosto de Matheus se aproximando aos poucos. Parecia que tudo estava em câmera lenta, mas certamente era só o álcool. Quando notei, os lábios dele estavam em minha bochecha, e eu com sentimento de frustração.
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  — Eu que agradeço por ter ido ao jogo — respondi sem graça, e saí do carro, ligeira.
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  Acenei discreta do portão recém-aberto da minha casa e, ao fechá-lo, vi Matheus partir com o carro. Tive a impressão de que ele não queria relembrar a despedida de quando nos conhecemos, tanto quanto eu.
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  Ao fechar a porta, meu celular denunciou uma mensagem de Ester perguntando se eu havia chegado. Bati na testa ao lembrar que, mais uma vez, não troquei o número do celular com Matheus. E assim que constatei que ele também não pediu meu número, tive certeza de que ele estava, de fato, desinteressado em manter contato.
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Liv
  Felizmente, Ester nunca se metia em nada que pudesse me atrapalhar na carreira, era uma das minhas maiores apoiadoras depois…" Leia mais »

ai, amém. já tava preocupada com a Liv perdendo algo por causa das maluquices da amiga

Liv
  — Foram dois anos de relacionamento, Liv, não é possível que tenha tudo sido tão ruim." Leia mais »

eu ODEIO esse tipo de tentativa de justificativa

Liv
  — Entendo porra nenhuma disso, André. O que eu faço é jogar, então, vou confiar em você. Me arrume alguém…" Leia mais »

imagina se o empresário é o bofe que ela ficou HAHAHAHAHA ia amar

Liv
  — Lívia... — Ele segurou meu braço levemente. — Dê uma nova chance para nós. Até o Fred, mesmo me…" Leia mais »

meu deus VAI EMBORA, SEU CHATO!!!

Liv
  Ao fechar a porta, meu celular denunciou uma mensagem de Ester perguntando se eu havia chegado. Bati na testa ao…" Leia mais »

ai diva, os dois esqueceram, desencana dessa hahahaha

Liv

Ray, quero mais momentos deles dois e quero mais beijos, por favor hahahahaha tô adorando a história <3

Liv

pois pode dando mais beijos pra eles, viu? hehehehehe

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