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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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O cara do meu time

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

Capítulo Oito • Tem hora que é melhor não ser titular da partida!

Semana do Disfarce — Sexto, Sétimo e Oitavo Dias

  Eu tive muita dificuldade para dormir dois dias atrás devido à mensagem de Math. Não sabia o que respondê-lo e por isso não respondi. Desde então, Matheus não comentou mais nada sobre a Lívia comigo (o Nicolas), e que eu soubesse, com ninguém entre os caras do time.
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  Talvez ele tivesse lidado com a falta de resposta como um fora, e por mais que eu quisesse me defender para ele, eu não poderia, pois como Nicolas, eu não sabia daquele fato da mensagem. E se eu respondesse, teríamos que nos ver e isso complicaria muito o meu disfarce.
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  Então, me restava torcer para Math aceitar uma boa desculpa depois de tudo aquilo. Fred também me enviou mensagens perguntando sobre o estado de saúde de Ester — achava que ela lhe escondia algo — e como eu não respondi, ele me ligou também. Precisei falar para minha amiga inventar uma história qualquer de que meu telefone havia estragado e, portanto, não teria como falar comigo.
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  Logicamente Ester era esperta o suficiente para saber como chegar nesse assunto sem parecer que eu havia pedido a ela para avisá-lo.
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  Bruna e Maria me salvaram de umas boas furadas naqueles dois dias. Aliás, os últimos dois dias foram absurdamente inacreditáveis! Sinceramente, o cosmos parecia contribuir para que aquela farsa acabasse.
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  Primeiramente, no dia seguinte à mensagem que eu não respondi, Matheus estava extremamente mal-humorado. Tão mal-humorado que passou a maior parte do dia na quadra de tênis. Tiago havia me dito que treinaríamos extensamente naquele dia e no outro, porque os dois próximos jogos seriam seguidos e cansativos, além de decisivos para aquele campeonato do clube. Então, eu fiquei treinando a maior parte do dia. Com isso, Conrado, que apareceu naquela manhã dizendo que tivera alguns problemas para resolver, esteve o tempo todo me vigiando e nem me contou nada a respeito do seu sumiço. Até que Matheus surgiu no campo onde treinávamos sem parar, me chamando. Ele estava cabisbaixo e bastante desanimado e, ouso dizer, ainda de mau humor.
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  — E aí, cara, o que houve? Sumiu o dia todo — perguntei a Matheus ao me aproximar.
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  Ele me estendeu uma garrafa de água que estava no cooler do campo, e sorriu em falso ânimo.
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  — Tá pegando qual das meninas do bar? — perguntou diretamente.
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  — Por que essa pergunta?
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  — Preciso me distrair.
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  — Isso foi machista! — falei subitamente.
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  Esqueci que não era a Lívia e expus minha revolta, mas recebi um olhar cortante e julgador da parte de Matheus.
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  — E o que você faz também não é? Me dá um tempo, Nic! Eu tô puto, e só quero esquecer...
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  — A Lívia? — Não aguentei e perguntei.
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  — Quem falou dessa garota aqui? — Math rebateu estressado.
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  — Cara, o que aconteceu? Olha como você está todo nervoso! — Eu gesticulava tentando não me comprometer com a situação, mas extremamente ansiosa para ele se abrir e eu poder manipular as informações.
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  — Esquece! Vou sair hoje, se o Fred inventar alguma coisa você diz que eu... Ah... Se ferrar também, diz nada não!
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  Matheus saiu revoltado batendo o pé. Eu abri os braços sem entender, e ia atrás dele se não fosse o Conrado a me segurar.
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  — O que está acontecendo, Liv? — ele sussurrou baixo para mim.
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  — Conrado... Eu preciso sair daqui, tomar um banho... — falei com a cabeça um pouco confusa, e ele olhou em direção ao campo percebendo que todos estavam muito concentrados. Puxou-me para o vestiário pela mão e eu não entendi direito o que Conrado pretendia.
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  — Isso de você não tomar banho no vestiário ou na frente dos caras ou se trocar já está gerando burburinho. Então tira a roupa entra no chuveiro enquanto todo mundo está lá fora e eu fico vigiando aqui.
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  — E se vier alguém?
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  — Se já estivesse entrando no banho, o risco era menor! Entra logo!
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  Conrado ficou na porta do vestiário espreitando e eu rapidamente me despi, coloquei os músculos de silicone do disfarce no banco, e abri o meu armário onde eu deixava uma muda de roupa trancada.
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  Enquanto eu tomava uma ducha rápida, Conrado revezava o olhar entre a porta e minha cabeça dentro do box do chuveiro, e ouvia atento o que eu dizia a respeito de Matheus contar para o Nicolas que estava muito interessado na Lívia. Contei sobre a praia, sobre a mensagem não respondida e sobre a reação dele há pouco estar supostamente relacionado àquilo.
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  — Vire-se para a porta, eu vou me trocar! — falei e Conrado nem fez hora ou piada porque ele sabia que devíamos ser rápidos.
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  Terminei de me secar, passei a esponja molhada no silicone limpando como Maria ensinou, enxuguei e me vesti novamente. Só então ele saiu aliviado da porta se aproximando e dando sua opinião.
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  — Olha só, essa história está a ponto de estourar — ele falou e tirou a camisa do time e jogando-a num canto. — Você não pode dar ideia pro Math enquanto estiver aqui, porque ele vai querer ver a Lívia e não vai rolar, então só vai piorar tudo.
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  Ele tirou os sapatos e meias e eu ainda não tinha me importado com o homem se despindo à minha frente.
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  — Deixa para quando isso aqui acabar, você inventa, sei lá... Que estava viajando ou sei lá o quê e, se realmente ele te quiser, o Math vai dar uma chance para vocês.
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  Então Conrado se levantou retirando a bermuda e eu precisei intervir.
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  — Ei, ei! Você realmente vai ficar nu na minha frente?
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  — Não vai ver nada que não tenha visto... — Deu de ombros arrancando a cueca e me permitindo olhar toda a sua... “bagagem”.
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  — Conrado! — gritei seu nome e dei as costas para ele, só então tampando a minha boca preocupada de alguém estar se aproximando e ouvir uma mulher gritando lá dentro.
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  — Agora você me deve uma pequena amostra do seu corpinho também. Até porque a gente vai sair quando tudo isso acabar... — falou risonho sussurrando em meu ouvido e eu gelei em imaginar o corpo nu dele tão perto do meu.
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  Era um belo corpo, vale ressaltar.
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  — Óh! Mas presta atenção! — Conrado entrou no box para tomar banho e continuou o assunto anterior: — Se você ficar saindo do personagem e paquerar o Math, ele vai achar que você é gay e isso pode complicar mais pro seu lado aqui dentro...
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  Eu ia responder, mas o barulho dos caras entrando no vestiário chamou nossa atenção. Corri para meu armário para fingir que estava guardando as coisas na minha mochila e eles entraram barulhentos, arrancando as roupas e eu acabei sendo “presenteada” com mais alguns dotes... Extremamente constrangedor! Rafael perguntou se eu já havia tomado banho e eu vi a deixa perfeita para sair dali:
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  — Math estava puto sei lá com o que e me tirou do treino, aí eu aproveitei para encerrar. E se me dão licença... Vou pro meu chalé porque ninguém merece ficar aqui manjando um bando de marmanjo pelados, né não?
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  Eu sorri e os caras riram se despedindo. Bati na porta do box de Conrado que me encarava com uma expressão zombeteira e saí.
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  Encontrei Maria no meio do caminho e contei a ela o que aconteceu, e ela disse que em poucos minutos estaria no quarto para nós duas fofocarmos. Então Bruna aproximou-se igualmente combinando. Alguns minutos depois estávamos eu, Conrado, Bruna e Maria em meu quarto falando sobre como iríamos lidar com aquela situação: Fred estava limpo! Não tinha razão para eu ficar até o sétimo dia ali, tampouco até o final do campeonato de quinze dias. Bruna não permitiu, dizendo que Ester não ia concordar.
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  Fiquei possessa com aquilo e comecei a discutir com as meninas sobre a palhaçada que tudo estava sendo desde o começo, e que Ester gostando ou não, o noivo dela era inocente e ela precisaria lidar com o fato de que eu não sou babá matrimonial. Então nós ligamos para Ester, mas ela não atendia a chamada.
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  Foi aí que Bruna mudou o assunto dizendo que Math tinha a chamado para “visitá-lo” em seu chalé mais tarde. Eu, na mesma hora, mudei de cor — segundo as palavras de Conrado — e Bruna contou que negou o pedido. Falou que tinha namorado, e quando ele perguntou se ela estava falando aquilo por causa de “Nicolas” ela realmente disse que “tinha dispensado o Nicolas há alguns dias pelo mesmo motivo”.
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  — Pode respirar agora, Liv... Ninguém aqui vai pegar o seu namoradinho não — Conrado falou revirando os olhos, entediado.
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  — Isso é ciúme? — Maria perguntou.
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  — Evidente! Eu vou tirar a Liv dele assim que isso tudo acabar — Conrado falou óbvio.
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  — Te manca, Conrado. Você não faz meu tipo! — eu respondi revirando os olhos com um sorriso divertido.
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  Claro que era uma mentira apenas para implicar com ele, eu não negaria um homem com aquela bagagem! Olha para mim, não é? Eu suportei o Juan só porque a química era boa, então sair com o Conrado não seria nenhum sacrifício.
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  O único problema é que Matheus também não saía da minha cabeça, sendo assim, a diversão com Conrado ficaria como um plano B, de mais um romance casual. Embora eu não soubesse se com Matheus, meu desejo fosse sair do “casual”.
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  No fim das contas, eu deveria me manter atenta a não dar créditos demais ao sexo oposto, e aquela era uma difícil tarefa no momento: dentro de mim, algo soava como um alarme de que Matheus poderia ser o tal bendito que me faria apaixonar.
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  Conrado, que estava ao meu lado na cama, após ouvir minha provocação, aproximou o rosto do meu perguntando em tom safado:
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  — Sério que depois de me ver nu hoje não ficou nem um pouco interessada no meu potencial?
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  Maria e Bruna deram gritinhos histéricos entre olhos esbugalhados e curiosidade aflorada.
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  — Você vai ter que contar para nós duas o que você viu hoje! — Maria falou firme.
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  — Teve mais? Ou foi só o Conrado nu no vestiário? E o Matheus? Me conta que eu posso até repensar o convite dele! — Bruna dizia sem pausas.
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  — Calem a boca! — Joguei uma almofada nas duas, um pouco irritada pelo último comentário de Bruna.
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  Conrado ria e então, de repente, ele virou-se sobre mim e beijou minha boca de modo casto. Eu, que não esperava, fiquei sem entender, e as meninas também olhavam a cena totalmente surpresas.
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  — Eu vou deixar vocês aí conversando sobre os paus da galera... — Ele se levantou da minha cama me deixando totalmente sem ação ou palavras e, da porta, ele disse: — Ah! E fala a verdade sobre mim, ouviu? Senão serei obrigado a provar que você mentiu para elas.
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  Enquanto as meninas riam eu observava confusa Conrado sair do quarto. Elas ficaram rindo da minha cara enquanto eu me levantei, tentando me recuperar do selinho roubado, enquanto vestia ao disfarce.
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  — Chega de ser Lívia por hoje... Esse... Esse babaca me roubou um beijo! — falei me dando conta finalmente da situação.
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  — Vestir o Nicolas agora não vai mudar o fato de que tem dois homens maravilhosos te querendo, Miss Player.
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  — Miss Player? — indaguei com cara de estranhamento pelo apelido ridículo que me deram.
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  Vesti o Nicolas e voltei a deitar na cama, totalmente absorta em pensamentos sobre como sair daquela situação logo. Fiquei um bom tempo repassando com as meninas os reais motivos que me prendiam ali, e o único agora era a merda do campeonato. Eles não me deixariam sair antes do campeonato acabar. Bruna recebeu uma ligação do namorado se afastando um pouco e deixando Maria e eu terminando de conversar.
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  — E então... Vai mesmo ignorar a nossa curiosidade a respeito do Coda?
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  — Ué, você também o chama assim agora?
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  — Hm... Ciúme? Só você pode ter intimidade com o Conrado agora? — ela zombou.
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  — Maria, o Conrado não é meu foco no momento. Eu realmente estou fodida de interesse pelo Matheus, e surtando com o fato de que, como Nicolas, eu não posso dizer a ele que a Lívia apenas não o respondeu porque estava vestida de macho aqui!
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  — Amiga, você está apaixonada? — Maria perguntou um tanto boquiaberta com um sorrisinho malicioso.
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  — Eu não me apaixono. Não é isso, para! — Sorri fingindo que não estava me assustando com a possibilidade — É só vontade de trocar saliva com ele, e outros fluidos corporais, sabe...
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  Maria gargalhou e então olhou para Bruna, que conversava ao telefone perto da janela.
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  — Ela jamais ficaria com crush de amiga, viu?
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  — Não me preocupa a Bruna ter interesse nele... — Maria me encarou com uma expressão de desconfiança e deboche. — Tá, talvez eu me preocupe um pouco, mas o que me deixa mais pensativa é sobre o Math perder o interesse na Lívia enquanto estou aqui!
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  — Entendo! Contudo, com o campeonato acho que os garotos só vão te liberar sob aviso médico! — Maria falou risonha e então me deu um estalo!
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  — Isso mesmo! Para eles dispensarem o melhor lateral daquela equipe, eu vou precisar me contundir!
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  — Tá doida, Lívia? Vai chegar nesse extremo?
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  — Claro que não! Não sou a Ester que faz qualquer coisa a todo custo não! — Gargalhei do semblante de desespero da Maria. — Mas talvez o Conrado me ajude com algum dos médicos do clube a conseguir um laudo falso! Não dizem que no mundo tudo se baseia em favores? E essa gente elitista adora um favorzinho e uma barganha!
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  — Você realmente quer dever mais favores ao Conrado? — Maria riu sugestiva.
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  — O que ele vai me pedir em troca te garanto que não será dinheiro e tampouco a minha alma.
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  Rimos e situamos Bruna sobre o assunto, já que ela havia desligado sua chamada. Passadas duas horas, Maria precisava retomar o turno no bar do clube, eu abri a porta para ela sair e Matheus estava parado à minha porta para entrar.
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  Ela e Bruna se entreolharam como um claro sinal para que me deixassem só. Quando Bruna passou por Matheus, ele a encarou confuso por ela estar ali, e ela apenas disse:
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  — Se ninguém tirar a Maria desse quarto, ela mora aqui, sabe...
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  — Por que está se explicando para ele? Que eu saiba, o seu namorado tem outro nome! — Maria ralhou a fim de deixar esclarecido para Matheus que Bruna não estava mesmo disponível só porque estava em meu quarto.
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  Ela acenou com a cabeça para Matheus, mandou um beijo no ar para mim, e saiu puxando a nossa amiga pela mão. E eu tive que segurar o riso com a expressão de confusão de Math.
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  — Está mesmo deixando rolar, huh? — Matheus zombou erguendo uma sobrancelha.
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  — E aí, tá mais calmo? — perguntei dando espaço para ele.
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  Ele entrou e se jogou deitado na minha cama, olhei para a cômoda do quarto vendo que havia deixado minha camisola ali. Fui rápida até o móvel e guardei a peça, mas Matheus já tinha visto e riu.
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  — Da Maria, né? Relaxa, eu não vou te julgar por dormir com a menina do bar de novo — ele falou e acrescentou: — Aproveita e pega a calcinha e o sutiã que estão na poltrona.
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  Olhei em direção à poltrona e ri como se tivesse “sido pego” e guardei tudo na mesma gaveta.
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  — Ela tem dormido aqui algumas vezes... — respondi.
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  — Pelo menos alguém tá fodendoquem quer — ele disse e eu me espantei com a quase confissão.
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  — Você não ia sair para isso hoje?
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  — Eu até tentei sair, mas... Sinceramente? Não consigo mais.
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  — Como assim?
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  — Porque a única mulher que eu quero agora não respondeu a minha mensagem?
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  Finalmente ele havia chegado ao ponto que eu tanto desejava.
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  — Cara... Sei lá, às vezes ela não viu. Ah, por que não pergunta ao Fred sobre ela? Ele deve ter notícias ou conseguir sondar, não?
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  — Vou mandar outra mensagem antes de falar com ele — Matheus disse depois de um tempo pensativo.
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  Retirou rápido o telefone do bolso e eu arregalei os olhos imaginando que logo ele descobriria o barulho da mensagem saindo da gaveta do criado mudo ao seu lado. Corri até lá fingindo que ia pegar o carregador do meu outro telefone falso, e silenciei o aparelho enquanto fingia buscar outra coisa.
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  Respirei aliviada quando a tela do celular verdadeiro se mostrou acender e não ecoar nenhum som. Fechei a gaveta rapidamente e fiz de conta que não havia reparado o carregador na tomada perto da porta do banheiro.
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  Matheus e eu ficamos um tempo ali conversando, e ele decidiu ir até o Fred buscar informações, me fazendo segui-lo. Fred contou a versão da história que Ester e eu havíamos combinado, não pude segurar um sorrisinho discreto.
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  Math ficou mais calmo e confessou para Fred que não esperaria nem mais um dia para ir até Lívia, e eu precisei novamente intervir:
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  — Cara! Vai aparecer lá do nada e dizer “você não respondeu a minha mensagem, eu tô louco em você, então vamos sair?”, sendo que não faz três dias que você enviou a mensagem?
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  — Qual o problema? — Math perguntou óbvio.
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  — O Nic está certo, cara... A Liv é meio pé atrás, sabe? E ela é bem prática na verdade, não é o tipo que ficaria te enrolando para dizer “sim” ou “não”. Sem falar na mania que ela tem de controlar os homens…
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  — Controlar os homens? — perguntei me sentindo um pouco afetada.
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  — Todos os namorados dela falaram a mesma coisa, e eu também conheço a Liv.
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  — Falaram o quê? — Math tirou as palavras da minha boca.
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  — A Liv é um pouco... — Fred sorria malandramente. — Não acredito que vou contar isso para vocês... Mas, olha só, não fui eu que contei, ouviram?!
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  — Eu nem conheço ela, fala logo Fred! — eu disse ansiosa.
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  — A Liv é um pouco dominatrix de homens.
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  — O quê?! — Math e eu exclamamos juntos.
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  Eu não sabia onde enfiar a minha cara e não imaginava que o Fred tinha aquele tipo de conversa com meus ex-namorados. E nem era para tanto! É claro que eu curtia um estilo mais safado, uma certa submissão deles e tal, mas... Aquilo era um absurdo! Eu queria, de verdade, dar um soco na boca do Frederico.
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  — Dominatrix... Com chicote, a roupa colada e tudo? — Math perguntou com um sorriso de surpresa.
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  — Bem, o Juan me contou. — Fred deu de ombros. — Mas foi o único também, porque os outros caras só me disseram que a Lívia é quente e safada, mas nada fora do normal. Eu não sei o tipo de relação que ela tinha com o Juan, mas ele disse que passou uns bons bocados na mão dela. E depois, a Liv é mesmo autoritária com os namorados. Ela parece ficar na defensiva o tempo todo por ser mulher, parece que não permite espaços para ser subjugada.
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  — Algumas mulheres só não querem dar espaços para abusos — eu falei séria e irritada, e quando percebi os dois me olhando, tentei soar como se fosse um babaquinha justificando: — Às vezes não é autoritarismo, é só safadeza mesmo...
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  — Sei lá, eu não sei o que se passa na vida romântica dela.
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  — Ah, mas pelo visto sabe, né?! — falei de modo debochado.
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  — Foi só o que me contaram, Nicolas! — Fred tentou justificar-se.
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  — Mas o que isso tem a ver com o fato de eu não dever ir atrás dela? — Matheus perguntou.
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  — Eu acho que vai fazer ela se sentir pressionada, só isso. Eu conheço a Liv. Não vai querer levar um pé na bunda antes de começar, não é? — Fred justificou.
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  Aquela história do Juan era mentira. Nós tínhamos algumas fantasias realizadas por desejo dele que era bastante excêntrico na cama, mas espalhar aquele tipo de rumor... Eu queria realmente enfiar um murro na cara dele!
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  E percebendo a expressão de Math, de quem refletia acerca de algo, Frederico tocou o ombro dele dizendo:
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  — Math, não fica grilado, é o celular dela que não funciona. Se quiser, eu deixo recado com ela pela Ester.
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  — Dominatrix ou apenas uma mulher em busca de respeito masculino, eu a quero — Matheus falou pensativo, sem responder ao nosso amigo se quereria a ajuda de Ester.
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  Nós dois encaramos ele, surpresos pela revelação. Fiquei calada, enquanto Fred continuou tirando sarro da cara de Matheus, que apenas deu de ombros enquanto olhava para mim, provavelmente estranhando a reação silenciosa do sempre fanfarrão Nicolas. Mas, entendam, é que o Nicolas estava chocado e pingando por aquele homem.
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  Depois, fomos para nossos chalés e nos despedimos.
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  Isso tudo ocorreu no dia seguinte à mensagem que Matheus enviou para mim, então, até ali eu havia sido exposta à nudez de Conrado e outros caras do time, beijado o Conrado — ou melhor, sido beijada por ele —, havia sido exposta enquanto Lívia sexualmente por Fred, e descoberto que Matheus estava muito na minha. Tão na minha quanto minha cabeça começava a acreditar que eu estava na dele. E, até então, nada do Fred ser culpado de qualquer acusação infame que a senhorita noiva neurótica pudesse levantar. Já era muita informação para minha cabeça, mas, no dia seguinte... Ou melhor, no dia de ontem, domingo, as coisas pareciam estar bem, mas bem piores para o meu lado…
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  Naquele domingo, Matheus estava mais tranquilo com a situação da mensagem e, inclusive, disse que estava se sentindo um otário por ter dado um “chilique” pela falta de resposta da mulher. Não era como se ela tivesse obrigação com ele, e nisso eu não pude deixar de concordar, mas apesar de ficar ali como Nicolas, o ouvindo falar que se sentia mal e até concordar em certos aspectos… Como Lívia eu entendia o sentimento dele.
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  Eu também fiquei puta dentro das minhas calças com o fato de ele não me beijar ou pedir o meu telefone no nosso último encontro. Então... Não vamos ser hipócritas! A gente espera mesmo que o cara ligue no dia seguinte, e os caras esperam mesmo que se eles “baixarem a guarda”, sejam ao menos correspondidos.
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  Reflexões sexistas e escrotas à parte... Matheus passou aquele dia mais perto de mim e do Conrado que também não nos deixava a sós sob a desculpa de que eu não iria me controlar. Aproveitei que estava mais perto do melhor amigo de Fred para investigar a índole do pretinho. Como se eu não soubesse, né?
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  Nada, absolutamente nada que Matheus dissera ia contra o que eu pensava a respeito do meu amigo. Frederico era tão extremamente apaixonado por Ester que Math revelou que mesmo sabendo das desconfianças e paranoias de insegurança da Ester, Fred sangrava por sentir-se traído e ofendido, mas não falava a respeito com ela porque compreendia que ela sairia mais ferida e culpada. Ele compreendia que não era amor que faltava em Ester por ele e vice-versa, mas temia que os medos dela fossem capazes de afastá-la se ela notasse o quão mal estava fazendo a ele. Era terrível ter que ficar dando provas de que amava Ester, mesmo sem nunca ter dado a ela sequer uma razão para desconfiar, mas pior seria não tê-la ao seu lado.
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  Não fazia muito sentido para mim, mas eram aqueles os sentimentos do Fred, e sentimentos são assim: às vezes não fazem sentido e cometem estragos que conscientes escolhemos manter. Enquanto Matheus me contava o que já tinha escutado de Frederico, eu lhe perguntei se ele achava certo que os dois se casassem sem conversarem a respeito. Obviamente, Math concordou que Fred e Ester precisavam confrontar todas as últimas dúvidas antes de irem ao altar, embora entendesse que Fred morria de medo de, diante da racionalidade, Ester desistir. Aquilo girou uma chave na minha cabeça!
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  — Mas por que ele insiste que ela desistiria se ouvisse que ele não está feliz com as atitudes dela?
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  — Olha, Nic, eu acho que isso revela o quanto Fred começou a crer que a Ester não o ama tanto quanto ele. Ou que talvez ele sinta que, para ela, é mais importante não ser contrariada dentro do relacionamento do que fazer concessões. Eu não conheço muito a Ester, mas convenhamos, pelo que você já escutou, podemos concordar que ela é bastante imatura, não é? Até para vir curtir essa semana com a gente, e você pode ver que não tem nada demais, o Fredonho teve que apelar para a amiga dela!
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  — Então você sabe que ele pediu ajuda para a Lívia? — perguntei surpresa, sem notar a minha mancada.
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  — Como você sabe disso? — Me olhou em desconfiança e surpresa.
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  — Ah... É... Eu ouvi ele comentar algo.
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  Matheus pareceu engolir a minha desculpa esfarrapada, a contragosto, como quem engole jiló.
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  — Bem, em todo caso, a Lívia ajudou, eu acho, por isso ele veio. Ela parece esse tipo de pessoa, sabe? Que faz tudo pelos amigos...
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  — O que te faz pensar assim?
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  Havia um sorriso de canto em meu rosto ao ouvir Matheus falar com uma entonação tão carinhosa sobre mim.
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  — Quando a conheci, o Fred não sabe aliás... — informou pedindo, por seu dedo apontado para mim, que eu mantivesse segredo. — Ela estava na boate em que seria a despedida de solteiro dele, vestida num disfarce de dançarina stripper.
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  Matheus começou a rir, e por baixo de toda aquela máscara de silicone eu estava ruborizando de novo. Mantive o silêncio, disfarçando na expressão franzida de minhas sobrancelhas que o Nicolas estava surpreso, e atento para o resto da história.
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  — Não soube por que ela estava ali. Lívia contou um caô de que tentava descobrir se um certo cara estava sendo canalha com a amiga e coisa e tal... Mas eu compreendi o enredo dias depois quando nos encontramos pela segunda vez, e percebi que ela era amiga do Fred e da Ester. Ela estava na boate daquele jeito pra flagrar o Fredonho a pedido de Ester, suponho. Então, veja: ela é esse tipo de amiga que topa qualquer loucura. E eu fico imaginando aqui o quão incrível ela não deve ser... Deve ser o tipo de mulher que faz qualquer homem se sentir o homem mais bem acompanhado do mundo!
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  Ao passo em que o escutava, meus olhos nem piscavam, só que as coisas pioraram quando Matheus olhou para mim fixamente e, de novo, como no momento em que estávamos na praia, ele parecia ver a minha alma.
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  — Você tem os olhos dela. É estranho como eu sinto que vocês dois são parecidos... Sei lá, tem alguma coisa nos seus traços que me lembra ela...
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  Ah querido, é porque é a cara dela que serviu de alicerce para todo este silicone! — pensei.
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  Matheus começou a sorrir e lambeu os lábios ao olhar de novo para o meu eu Nicolas, e, com seu sorriso sacana e ladino, verbalizou:
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  — Não fica preocupado, não. Por mais que você me lembre ela, não vou te agarrar, Nicolas. Mas aqui estou eu falando da Lívia de novo, e talvez... Isso signifique que eu deva ir mesmo atrás dela. Aproveito e levo o Fred para servir de prova do quanto eu estou obcecado, caso ela me dê um fora. Nunca fui de apelar, mas sei lá... Implorar por uma chance com ela me parece valer a pena.
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  — Matheus... — sibilei sem conseguir continuar, porque ele não parou sua narrativa.
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  — E também é uma chance de fazer o Fred confrontar a Ester! Eu também acho que você está certo sobre isso! Eles não devem se casar se ela tem tantas desconfianças! E já que não sabemos qual é a da Ester, melhor ter um amigo do lado dele, né? — Matheus falou e se despediu num tocar de mãos, saindo para a área dos seus aposentos, me deixando boquiaberta e nervosa no saguão do clube.
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  Não soube se eu deveria ir atrás dele convencê-lo de alguma forma a ficar quietinho naquele rolê, se deveria ir para o meu chalé ou simplesmente voltar para casa deixando o mistério do desaparecimento de Nicolas para trás.
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  Dá para notar o meu desespero ao saber que eu estava ainda mais em perigo ali dentro, né? Porque, se fosse descoberta, seria o fim para o Fred. Ele não me perdoaria, não perdoaria Ester e ainda corria o risco de confirmar sua teoria sobre não ser amado suficientemente para ter a confiança dela.
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  E como Matheus se sentiria ao saber que era a Lívia ali do lado dele o tempo todo?
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  Eu fui em direção ao meu chalé logo após aquela conversa com Matheus decidida a telefonar para minha melhor amiga louca e contar tudo. Porém, Conrado chegou no meu quarto logo que eu entrei tirando totalmente o meu foco.
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  — Liv, a gente tem que conversar — Conrado disse enquanto entrava de supetão no meu quarto.
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  — Primeiro, não me chame assim e fecha a porta. Segundo, não entre sem bater e terceiro... Espera aí que eu descobri uma coisa que preciso contar pra Ester.
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  Dei as costas sentando em minha cama, e quando vi que Conrado havia trancado a porta, fechado as cortinas e se aproximava aos poucos, eu retirei a peruca e a máscara facial.
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  — Ele está traindo ela? — perguntou duvidoso.
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  — Não, não é isso, mas...
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  — Então foda-se, me escuta! — Se aproximou puxando-me pela mão, fazendo com que eu ficasse de pé em sua frente e interrompendo meu raciocínio.
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  — Qual a gravidade, afinal? — falei irritada por ele me impedir de pegar o telefone, me puxar daquela forma e falar daquele jeito comigo.
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  — Promete que vai me dar uma chance?
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  — O quê?
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  — Promete que vai me dar uma chance da gente sair e...
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  — Conrado! — o interrompi. — Que merda de papo é esse? Isso não é momento para...
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  Antes que eu pudesse terminar de falar, Conrado me beijou. Me beijou de verdade, e não aquele selinho embeiçado do outro dia. E eu que não sou de pedra, correspondi. Não cabem julgamentos, tá? Eu estava rodeada de testosterona e tensa há dias!
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  — O que... Que porra...
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  — Eu não sei o motivo disso, mas... — ele me interrompeu de novo encarando meu olhar colérico para ele. — A cada vez que eu penso que você e o Matheus podem ficar juntos, eu surto. Eu não estou dizendo que eu estou apaixonado ou algo do tipo, é só que... Também não é só sexo, tá?
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  — Conrado! Do que você está falando?
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  — Eu não sei! Eu só quero te conhecer melhor e... — Ele gesticulava e falava com dúvidas e espanto. — Não quero que você saia daqui direto para os braços do Math sem me dar ao menos uma chance.
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  — Eu devo ter algum feitiço porque vocês me beijaram só uma vez e eu já estou tendo uma DR com você e acompanhando Math surtar por causa de uma porra de mensagem não respondida! — falei eufórica.
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  — Eu já disse, não é que eu esteja apaixonado, mas é que... Eu te conheci pouco a pouco esses dias entre a Lívia e o Nicolas, e... Eu não vou negar que sinto uma puta atração física pela Lívia, mas, não é só isso. Ver o modo como você está doida para acabar com tudo e ir correndo para os braços do Math me deixa puto! Porque é muito injusto que eu esteja aqui lado a lado de uma garota tão legal que eu conheci, mas infelizmente não conheci antes do Math…
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  Observei com cuidado e atenção a reação confusa e surpresa de Conrado e não sabia de fato o que fazer.
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  Eu diria algo como: “vamos deixar as coisas acontecerem com calma e tudo normalizar”, mas as batidas de Matheus na porta do quarto me impediram. Conrado revirou os olhos e me ajudou a rapidamente vestir a máscara e a peruca. Abri a porta do quarto e Conrado estava sentado na poltrona, quando Math o cumprimentou e me chamou para ir com ele ao treino de tênis de novo. Fiquei sem coragem para dispensá-lo, então olhei culpada para Conrado e em tom de desculpa falei:
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  — A gente conversa depois, tá? — sussurrei antes de sair pela porta logo após Math e vi o revirar de olhos, ultrajado, de Conrado.
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  No fim, fui a mais um treino do Math e não telefonei para a Ester. Enquanto ele descontava sua inquietude naquela bolinha massacrada pela raquete, eu corria em torno da quadra me preparando um pouco, já que em seguida teria o meu treino de futebol com os caras. A corrida era a única forma da Lívia extravasar sob a pele do Nicolas àquela torrente de fatos recaindo sobre si.
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Lelen

O pobi do Conrado, se envolveu nessa confusão toda e ainda se apaixonou 😞

Liv
  Talvez ele tivesse lidado com a falta de resposta como um fora, e por mais que eu quisesse me defender…" Leia mais »

era só marcar algo mais pra frente

Liv
  — Evidente! Eu vou tirar a Liv dele assim que isso tudo acabar — Conrado falou óbvio." Leia mais »

a autoestima do homem, pai amado

Liv
  — A Liv é um pouco dominatrix de homens." Leia mais »

PASSADA HAHAHAHAHA

Liv

Passada com o final do capítulo

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