Capítulo 7
A porta metálica da Concentração se fechou atrás de %Sophie% com um som pesado, e ela sentiu o ar gélido da rua revigorá-la. A luz do dia, antes tão normal, agora parecia estranhamente artificial depois das horas passadas nos corredores imaculados do CEEH. Em seu peito, o cristal de seu colar oscilava entre o
laranja-amarronzado de uma
dúvida persistente e um fiapo de
verde, um brilho que ainda alimentava sua
esperança, mesmo que mínima.
Ela caminhou pelas ruas movimentadas de Ópes Civitas, onde os colares de cristal brilhavam em diversas cores: o
amarelo vibrante irradiava de um grupo de crianças tagarelas, o
rosa suave adornava o pescoço de um casal que passeava de mãos dadas, e o
azul melancólico sombreava o rosto de um homem solitário em um banco de praça. %Sophie% se perguntava se eles sequer imaginavam a verdade sombria que Mason Scott guardava por trás dos muros brancos da Concentração.
Chegando em casa, Emma a esperava com uma expressão de ansiedade. O cristal de sua amiga, um
verde brilhante, irradiava
esperança, e um toque de
amarelo reluzia com a
alegria de ver %Sophie% sã e salva.
— %Sophie%! Você está bem? O que aconteceu lá dentro? — Emma perguntou, puxando-a para o sofá e examinando-a de cima a baixo.
%Sophie% suspirou, tirando o suéter e sentindo o cristal de seu próprio colar acalmar-se em um
laranja-amarronzado mais suave agora que estava com Emma.
— É… complicado. Ele me levou para a ala de Desenvolvimento e Manutenção de Equipamentos. Me mostrou máquinas, painéis de controle, coisas sobre a sustentabilidade da cidade. — Ela fez uma careta, e seu colar cintilou com uma nova dose de
dúvida. — Parecia tudo muito chato e sem sentido, mas eu senti que ele estava me testando o tempo todo.
Emma franziu a testa, e seu cristal verde assumiu um tom levemente mais escuro, mostrando sua
preocupação.
— Manutenção de equipamentos? Que estranho. Não parece ter nada a ver com o que você procurava.
— Exato. Mas… eu vi algumas coisas. Coisas pequenas. — %Sophie% se inclinou, baixando a voz. — Havia um dispositivo, um
protótipo de recalibrador de cristal. Ele disse que era para otimizar a funcionalidade dos cristais e garantir sua leitura precisa das emoções. Mas, Emma, os cristais não são imutáveis?
O cristal de Emma piscou em um
roxo de
medo momentâneo.
— Claro que são! É o que nos ensinam desde pequenos. Nosso cristal é nossa essência, não pode ser mudado. Um recalibrador… isso é insano.
— Foi o que eu pensei. E havia uma porta — %Sophie% continuou, a lembrança do olhar de Mason ao vê-la a perturbando. — Uma porta discreta, em uma área de manutenção que ele disse que levava para a ventilação. Mas a forma como ele falou…
Emma esfregou o queixo pensativa, seu cristal ainda em um tom de
verde, com o
laranja-amarronzado da
dúvida começando a se misturar.
— Uma porta para a ventilação? Isso é muito conveniente. A Concentração sempre tem desculpas prontas para tudo o que é “sem interesse”. Eles são mestres em esconder as coisas em plena vista.
— Eu sei. E ele me disse que eu tinha que mostrar a ele a “natureza de um coração transparente” e “as razões por trás da minha teimosia incomum”. Ele quer me entender, Emma. Ele quer saber como meu coração reage. — %Sophie% sentiu um calafrio, e seu colar assumiu um
roxo intenso de
medo. — Sinto que sou uma espécie de experimento para ele.
Emma a abraçou, e seu cristal agora irradiava um
verde forte de
esperança, tentando transmitir conforto. Aquele gesto trouxe um pingo de
calma para o coração de %Sophie%, e ela soube disso ao ver o
branco tomar conta de seu colar por um instante.
— Não importa o que ele queira de você, %Sophie%. Nós vamos descobrir o que ele está escondendo. Você é forte, você é inteligente. E nós temos a vantagem: ele não sabe que você tem ajuda.
— Preciso de mais informações sobre esse recalibrador. E sobre o que está atrás daquela porta de ventilação. Ele vai me levar para outro setor amanhã, a ala de pesquisa. Ele disse que lá “tentam trazer de volta aqueles que podem ser reintegrados”. — %Sophie% fez uma careta, e seu cristal cintilou com
dúvida. — É uma das mentiras mais óbvias dele.
— “Reintegrados”? Parece que eles estão falando de robôs, não de pessoas. Mas isso é bom, %Sophie%. Ele está te dando mais acesso.
— Sim, mas também me dando mais corda para me enforcar. Mason Scott é muito mais perigoso do que eu imaginei. Ele joga um jogo muito calculado. Sinto que estou em um tabuleiro de xadrez, e ele está sempre dez jogadas à frente.
No fundo, %Sophie% sabia que não podia confiar em Mason, mas também não podia ignorar as pistas que ele, de alguma forma, permitia que ela visse. Aquele recalibrador... e a porta secreta. O que estava por trás desses elementos aparentemente menores? Ela tinha certeza de que a verdade sobre %Rick%, e sobre todos os outros
heartless, estava escondida nas entrelinhas da “sustentabilidade” da Concentração. E ela iria desvendá-los, um mistério por vez.