Capítulo 11
O técnico da Concentração movia-se com uma discrição quase furtiva pelas ruas de Ópes Civitas, e %Sophie%, escondida entre os pedestres, esforçava-se para manter a distância. Seu colar pulsava em um
rosa claro intenso, a
curiosidade dominando-a, mas um fundo de
marrom começava a surgir, indicando a
tensão de estar em uma perseguição sem saber o que encontraria. O sol começava a se pôr, pintando o céu em tons de laranja e roxo, e as luzes da cidade começavam a acender, transformando o cenário.
O homem vestia roupas civis comuns, mas a pasta preta que carregava parecia ter um peso desproporcional. Ele não olhava para trás, sua atenção focada em um destino que %Sophie% ainda desconhecia. Ela o seguiu por becos estreitos e ruas movimentadas do centro, onde as pessoas de Beryllus Civitas se misturavam com os poucos habitantes que arriscavam sair da opulência de Ópes.
A perseguição durou cerca de vinte minutos até que o técnico parou em frente a um edifício modesto, quase escondido entre lojas antigas. Não havia o brilho ou a imponência dos prédios da Concentração. A fachada de tijolos desgastados e as janelas empoeiradas denunciavam o abandono de anos. Um arrepio percorreu %Sophie%.
O técnico olhou para os lados, sua postura demonstrando uma cautela que %Sophie% não havia notado dentro dos muros da Concentração. Ele abriu a porta com uma chave antiga, e a entrada rangeu, revelando um interior escuro. Rapidamente, ele deslizou para dentro.
%Sophie% esperou por alguns segundos, o colar em seu peito agora com uma predominância
marrom de
tensão, misturada com o
roxo do
medo. Ela hesitou. Entrar significava um risco enorme, mas a chance de descobrir algo vital era forte demais para ignorar. Tomando coragem, ela empurrou a porta. O rangido foi assustadoramente alto no silêncio do beco.
O interior do prédio era um labirinto de corredores estreitos e escuros. O cheiro de poeira e mofo era ainda mais forte ali, e %Sophie% precisou acender a lanterna de seu celular para enxergar. Havia portas fechadas por toda parte e o silêncio era tão denso que ela podia ouvir o próprio coração batendo forte, fazendo seu colar emitir um brilho
vermelho-pálido de
adrenalina.
Ela seguiu os sons fracos que vinham do fundo do corredor: um chiado elétrico intermitente e um sussurro abafado. Ao se aproximar de uma das portas, %Sophie% notou uma fresta de luz amarela tênue por baixo. Ela se inclinou e a
curiosidade a impulsionou a espiar pelo buraco da fechadura.
A sala era um pequeno laboratório improvisado, iluminado por uma única lâmpada pendurada. O técnico que ela havia seguido estava ali, ao lado de um homem mais velho com cabelos grisalhos e uma expressão de cansaço. Sobre uma mesa, diversos protótipos do
recalibrador de cristal que %Sophie% havia visto na Concentração estavam espalhados. Alguns brilhavam em
vermelho, como o que ela vira antes, indicando falhas, enquanto outros estavam completamente inertes.
— Os últimos testes continuam falhando, Arthur — o técnico, que %Sophie% identificou como
Léo, murmurou, com um traço de
frustração visível em seu colar. — Os cristais não mantêm a calibração por tempo suficiente. A energia necessária para estabilizá-los é… imensa.
O homem mais velho,
Arthur, passou a mão pelo rosto, e o cristal em seu pescoço pulsava em um
azul profundo de
tristeza, misturado com um
laranja de
preocupação.
— Não podemos desistir, Léo. Se não conseguirmos restaurar a conexão, se não conseguirmos dar a eles uma chance… eles estarão perdidos para sempre. E a verdade permanecerá escondida.
%Sophie% sentiu o
rosa claro da
curiosidade em seu colar intensificar-se. "Restaurar a conexão"? "Perdidos para sempre"? Aquelas palavras eram enigmáticas e ao mesmo tempo carregadas de um peso que a fazia pensar nos
heartless. O que eles estavam tentando fazer com aqueles recalibradores?
De repente, Léo se inclinou sobre a mesa e pegou um pequeno caderno.
— Recebemos alguns dados de uma nova anomalia na Concentração. Um
coração transparente. O Supervisor Mason Scott está especialmente interessado. — Ele abriu o caderno em uma página com anotações e um desenho. — Dizem que ela é… teimosa.
%Sophie% sentiu um choque elétrico. Eles estavam falando dela! A menção de Mason Scott e de seu próprio coração fez com que o
marrom da
tensão e o
roxo do
medo tomassem conta de seu colar, ofuscando o rosa claro.
Arthur se aproximou, seus olhos fixos nas anotações.
— Um transparente? Isso não é bom. Se a Concentração a pegou… eles vão querer usá-la. Seu coração é muito mais valioso para os propósitos deles.
— Usá-la para quê? — Léo perguntou, a voz baixa.
Arthur suspirou, o
azul de
tristeza em seu colar se aprofundando.
— Para amplificar a extração. Para refinar o processo. Um coração transparente pode ser a chave para desvendar o segredo da
essência vital. E isso é algo que não podemos permitir que a Concentração controle.
%Sophie% cambaleou para trás, chocada. "Amplificar a extração"? "Essência vital"? Aos poucos, as peças do quebra-cabeça começavam a se encaixar, mas a imagem que se formava era aterrorizante. Ela não era apenas uma estudante curiosa para Mason, ela era um
recurso.
Um barulho no corredor fez os dois homens se sobressaltarem. Arthur apagou a lâmpada, e a sala mergulhou na escuridão. %Sophie% se afastou da porta, recuando para o corredor. Ela sabia que precisava sair dali, processar o que havia acabado de ouvir. O CEEH não era apenas um centro de descarte; era um laboratório macabro, e seu próprio coração transparente era a chave para a ambição final da Concentração.
Ela correu de volta pelo corredor escuro, seu cristal agora em um
roxo vibrante de
medo, misturado com um
vermelho furioso de
raiva e
determinação. Ela precisava alertar Emma. Precisava encontrar %Rick%. E precisava expor a verdade antes que se tornasse a próxima "fonte" da Concentração.